A Participação dos Pais no Processo de Escolarização dos Filhos

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Resumo: Este trabalho tem como tema, a participação dos pais no processo de escolarização dos filhos, apresentando como objetivo analisar a percepção dos pais de uma escola particular do interior do estado de Rondônia sobre a interação família e escola. Os sujeitos participantes foram seis pais de alunos da 1° ano e de uma instituição escolar. Neste sentido, para realização desta pesquisa, utilizou-se como metodologia a pesquisa de campo e a abordagem quantitativa. O questionário utilizado foi composto de nove questões fechadas e semiabertas. Os resultados nos mostram que os pais procuram participar da vida escolar dos filhos e reconhecem o beneficio propiciado com a participação no cotidiano escolar, mas que precisam do auxílio da escola para um melhor resultado. Conclui-se que a participação dos pais na escola indica possibilidades para uma relação mais próxima para o desenvolvimento do aluno e que ambos devem buscar maneiras para estimular o aluno.

Palavras-chave: Participação, Pais, Escola, Psicologia Escolar.

1. Introdução

A participação dos pais no cotidiano escolar dos filhos é um fator determinante para o desempenho do aluno na escola, tornando a família a instituição importante no processo ensino-aprendizagem.  Bhering e Siraj-Blatchford (1999) destacam que a participação de pais na escola não só colabora com o processo escolar, como também na melhoria do ambiente familiar, provocando uma melhor compreensão do processo de crescimento e aprimoramento das reações.

Para isto, desenvolveu-se este trabalho no intuito de responder à seguinte problematização: Qual a percepção dos pais de uma escola particular de um município do interior do estado de Rondônia sobre a interação existente entre a escola e a família, e como compreendem o papel da escola e da família na formação dos filhos? 

Assim, o texto que segue apresentará na fundamentação teórica questões referentes ao relacionamento entre a escola e a família, considerando estas como duas instituições responsáveis pela inserção do indivíduo na sociedade. No segundo momento, o desenvolvimento do trabalho, abordará sobre a participação dos pais no cotidiano escolar dos filhos. Posteriormente serão feitos esclarecimentos sobre a metodologia e análise dos dados, sobre o questionário, onde constam os seguintes quesitos: a integração entre família e escola; o comparecimento às reuniões; a formação global do filho; as estratégias utilizadas pela escola para articular com a família; como os pais avaliam as reuniões na escola; a função social da escola; a função da família; como os pais gostariam que fosse a articulação família-escola e como os pais contribuem para o processo de aprendizagem do filho. E por fim apresentará as considerações relevantes a respeito do aprendizado e sobre os resultados obtidos no trabalho.

2. Família-Escola

A parceria entre família e escola é essencial para o crescimento da pessoa, pois essas duas instituições são responsáveis por preparar o indivíduo para atuar na sociedade. Desta maneira, esse item apresentar-se sobre a participação dos pais no cotidiano escolar.

De acordo com Rocha e Macedo (2002), o envolvimento dos pais nas escolas gera efeitos positivos nos pais e nos professores, nas escolas e na sociedade. Os pais que contribuem frequentemente com a escola permanecem mais motivados para se submergirem nos processos atualização profissionais e assim, aperfeiçoam a sua autoestima como pais.    

A família exerce o principal papel na modificação da conduta dos filhos no meio social. É nela que a criança adquire conhecimentos para se adaptar em diferentes meios, independentemente da cultura e das regras impostas, pois a família é responsável por educar os indivíduos para viver em sociedade.

Segundo Guzzo e Tizzei (2007, p. 42), "A família representa um ambiente extremamente importante para o desenvolvimento da criança, porque é o primeiro sistema em que o ser humano se insere na sociedade, por meio do qual começa a estabelecer seu vínculo com o mundo". 

Conforme Rubinstein (2003), a aprendizagem proporcionada pela escola não compreende apenas o conhecimento social, mas também valores e ideais. A escola é o lugar onde ocorre a continuidade dos princípios familiares. Assim, a escola permanece encarregada de receber e orientar o aluno em complementação à educação da família, para que possa se acomodar no meio, da melhor forma possível.

De acordo com Cardoso (2009), o papel da escola encontra-se alicerçado nas questões relacionais, sociais, nas capacidades cognitivas, na habilidade de lidar com o novo. Por isso, compete à escola tornar o indivíduo um cidadão capaz de exercer a sua cidadania, bem como reconhecer seus direitos e deveres.

Sendo assim, família e escola devem educar como equipe para propiciar ao sujeito em desenvolvimento maior segurança para enfrentar as dificuldades que são impostas pela sociedade. Desta maneira, entende-se que tanto o acompanhamento familiar interfere no desempenho da criança no contexto escolar e vice-versa. Por este motivo faz-se necessário trazer como referencial teórico neste artigo a discussão sobre a participação dos pais/ Cuidadores  na escola.       

3. A Participação de Pais/Cuidadores na Escola

A participação de pais na vida escolar dos filhos é reconhecida por muitos professores como um fator importante para o rendimento do aluno em sala de aula, influenciando, portanto no desempenho das atividades educativas. Para Bastos (2001, p. 66), a escola apresenta a preocupação de levar o conhecimento científico ao aluno, dando continuidade e complementando a educação familiar. Para isto, preocupa-se como conseguir a adesão da família nas atividades escolares.

De acordo com Patto (2006), muitas atitudes tomadas dentro da instituição escolar, podem influenciar e aprofundar as dificuldades vividas por uma criança. Entretanto, muitas crianças apresentam algumas dificuldades que somente a escola, poderia observar e informar aos pais.

Para Anastácio (2009), na educação deve haver conhecimento, disponibilidade, e empenho por parte da família em saber o que está acontecendo dentro da escola, reconhecendo e estimulando a aprendizagem da criança. Com isso, estará colaborando para o desenvolvimento da mesma.

Contudo, sabe-se que muitas famílias não participam efetivamente do cotidiano escolar dos filhos e, consequentemente, influenciam negativamente no desenvolvimento do aluno em sala de aula. Os educadores buscam estratégias para que os pais se envolvam mais no processo de aprendizagem através de reuniões, que são utilizadas para relatar o que acontece na escola e com o aluno e/ ou promovem atividades de integração entre  pais e filhos. Apesar dos esforços, nem sempre os pais comparecem nestes eventos, frustrando as expectativas da escola.

Para que os pais participem do cotidiano escolar dos filhos é necessário que a escola tome a iniciativa de convidá-los, visto que muitos pais não têm o conhecimento de como é o processo de aprendizagem ou mesmo, como podem auxiliar nas dificuldades encontradas na instituição.

Por isso, uma das formas mais utilizadas pelas escolas para que os pais participem do aprendizado dos filhos, é o dever de casa, que é uma forma para que possam perceber as dificuldades e o rendimento do filho.

Para Carvalho (2004), planejado como parte complementar do processo ensino-aprendizagem, o dever de casa não somente afeta o trabalho do docente, mas a vida dos estudantes fora da escola e sua rotina familiar, uma vez que a conexão entre as atividades de sala de aula e de casa promovem a aproximação familiar, em apoio as atividades escolares. Portanto, como fundamental componente da interação família–escola, o dever de casa ocorre através de uma política simples, ampliada por famílias e escolas, a uma política formal que profere os esforços educativos destas instituições.

O mesmo autor coloca que "o sucesso escolar depende em grande parte, do apoio direto e sistemático da família, que investe nos filhos, compensando tanto dificuldades individuais quanto deficiências escolares". (CARVALHO, 2000, p.144).

Como podemos perceber, o desempenho das crianças na escola depende, em grande parte, mas não exclusivamente, da participação e colaboração dos pais. Portanto as escolas devem buscar formas de parcerias com as famílias de seus alunos, para que juntos possam desenvolver uma educação proveitosa e de qualidade.

Para Ribeiro e Lomônaco (2002), uma das formas mais eficazes de ganhar a confiança dos pais, é abordar assuntos relacionados à vida escolar de seus filhos, escutar e debater propostas que visem esclarecer assuntos conflituosos para ambas as partes.     

Portanto, a parceria entre as duas instituições que são responsáveis pela educação e integração das crianças na sociedade, deve ser extremamente colaborativa, para que juntas, possam desenvolver estratégias para uma educação de qualidade. 

4. Metodologia

4.1 Sujeitos

A seleção dos sujeitos foi feita em parceria com a escola, que autorizou um momento da reunião semestral com os pais para a apresentação oral do trabalho. A população geral  da pesquisa era de 10 mães, mas a amostra foi composta por seis (6) mães, que tinham seus filhos matriculados na 1° ano, em uma escola particular do interior do estado de Rondônia. A idade dos participantes correspondia de 31 a 60 anos todas do sexo feminino.

4.2 Instrumentos

Para a coleta dos dados utilizou-se um questionário, desenvolvido por Oliveira (2001), publicado em um trabalho de conclusão de curso pela Universidade da Amazônia, como titulo "Uma relação delicada: A participação da família no processo de aprendizagem de crianças do ensino fundamental de 1° a 4° série e classes de alfabetização". O questionário contém nove perguntas, sendo estas fechadas e semiabertas, que evidenciam a participação dos pais no processo de escolarização dos filhos.

Os quesitos apresentados no questionário, através da visão dos pais, buscam avaliar a percepção da família sobre a escola, as estratégias utilizadas para aproximar a família da escola, como contribuem no aprendizado dos filhos e a percepção dos pais sobre a função da escola e da família.

4.3 Métodos

A fim de atender aos objetivos desta pesquisa adotou-se o método de campo, com o objetivo de alcançar informações e conhecimento sobre um problema, bem como descobrir novos fenômenos e as relações entre eles. (Marconi e Lakatos, 2010).

Como método para análise e discussão dos dados utilizou-se o método quantitativo, a fim de apontar variáveis para serem expostas em forma de tabelas.

4.4 Procedimentos

Realizou-se o contato com a escola através de uma carta de apresentação e explicando os objetivos esperados para a pesquisa. Solicitou-se os dados dos participantes que aceitaram participar preenchendo o Termo de Consentimento Pós- informado. Após os esclarecimentos gerais sobre a pesquisa (objetivos, procedimentos, riscos e desconfortos, benefícios, ausência de custos reembolso, confidencialidade da pesquisa). Preenchidos os dados, realizou-se a pesquisa, através da coleta de dados por meio de um questionário que foi disponibilizado para os pais levarem para casa, com um prazo de 24 horas para retornarem com os dados preenchidos. A partir de todos os questionários respondidos, os dados foram avaliados de modo quantitativo.

5. Resultados e Discussão

Este item tem a intenção de apresentar e analisar os dados relativos às respostas dos questionários aplicados aos pais dos alunos de 1° ano participantes desta pesquisa. Algumas respostas foram escolhidas para exemplificar, representando os argumentos da maioria dos participantes. Em seguida serão analisados os dados da pesquisa.

Todos os pais acreditam que a integração entre a escola e a família é importante para o desenvolvimento integral dos filhos. Dentre as participantes a mãe Sininho [1] acredita que o acompanhamento dos pais é fundamental para estimular o desenvolvimento dos filhos, não só na escola, mas na vida.

Conforme Guzzo e Tizzei (2007, p 54), [...]  a família e a escola representam importantes contextos que contribuem para o desenvolvimento da criança, seja de forma positiva ou negativa, principalmente, na forma de integração que ambos funcionam.   

Portanto, percebe-se que os pais avaliam como essencial a integração família-escola e a participação no processo escolar dos filhos. 

Os participantes foram unânimes ao responder que participam das reuniões, quando convocados. A participante Ariel relatou que por meio das reuniões, recebe informações sobre o  desenvolvimento dos filhos na escola e a  interação com os colegas. Já a participante Flora respondeu que participa de todas as atividades promovidas pela escola, entretanto não descreveu quais seriam estas. O próximo assunto a se discutir é a avaliação dos pais sobre as reuniões, segue tabela 1.

Tabela 1 – Avaliação dos pais sobre as reuniões na escola, interior de Rondônia, 2012.

Avaliação das reuniões

Respostas

Um momento para tratar de assuntos burocráticos

-[2]

Uma ação repetitiva da escola

1

Um momento de orientação aos pais de como contribuir no processo de aprendizagem dos seus filhos

5

Outros

-

Fonte: A autora  (2012)

A maioria das mães avalia as reuniões que ocorrem na escola dos seus filhos como um momento de orientação aos pais de como contribuir no processo de aprendizagem dos seus filhos. Apenas uma participante respondeu que é uma ação repetitiva da escola.

De acordo com Oliveira (2001), as reuniões são momentos onde os pais podem expor como compreendem o desenvolvimento dos filhos, e apresentar suas insatisfações. Contudo, é preciso refletir sobre as diversas formas de convidar os pais a participarem do processo educacional das crianças. E procurarem juntas soluções existentes para os problemas encontrados.

Percebe-se que os pais estão preocupados com o desenvolvimento dos filhos, por isso participam das reuniões escolares, para se informar sobre o processo de escolarização. Assim como Oliveira (2001) nos diz a escola deve procurar convidar os pais de uma forma mais atrativa a participarem das reuniões, e mostrar que o espaço aberto a eles é para expor suas dúvidas e insatisfações referentes ao desempenho da escola e também como está o comportamento dos seus filhos.

Observamos na tabela 2 que todos os pais responderam que as estratégias mais utilizadas pela escola de seus filhos são reuniões e programações festivas para articularem  as famílias de seus alunos.

Para Ribeiro e Lomônaco (2002), através dos encontros com os pais, a escola sente-se segura quando estabelece um vínculo para adquirir mais informações, procurando trocar ideias, na busca das soluções dos problemas que se deparam no cotidiano. Na percepção dos docentes, para que as crianças adquiriram conhecimentos, todos devem trabalhar conjuntamente, a escola e família.

Tabela 2 – Estratégias de articulação, família-escola, Interior de Rondônia, 2012.

           Estratégias

Respostas

Reuniões bimestrais ou semestrais e programações festivas

6

Visitas às residências dos alunos

-

Através de contato com os pais pelo correio

-

Visitas às exposições e trabalhos escolares realizados pelos filhos na escola

-

Outros

-

Fonte: A autora (2012)

Assim com a participação dos pais nas programações realizadas pela escola, a família se envolve com o ambiente escolar, tornando mais harmonioso o convívio entre as duas instituições. 

Em relação a como os pais gostariam que fosse a articulação família-escola, de modo geral acreditam que deveria ter uma relação mais próxima e com mais esclarecimentos referente aos alunos. A participante Sininho respondeu que gostaria que houvesse momentos particulares e específicos, a fim de solucionar problemas de aprendizagem e comportamento do aluno.

De acordo com Oliveira (2001), o envolvimento escola-família, aumenta o empenho e  interesse dos pais em participarem do processo escolar dos filhos como co-responsáveis. Sobretudo, é necessário que haja uma relação de diálogo, onde as partes envolvidas possam expressar formas de saída para os problemas educacionais.

Essa articulação entre família-escola é importante para o desenvolvimento escolar dos alunos, mas como iremos observar a escola não está proporcionando essa articulação. Talvez esteja faltando dialogar mais com os pais dos alunos e assim promover uma interação entre as instituições, para o crescimento educacional dos mesmos.  

Em relação à formação global dos filhos, os participantes acreditam que a escola sozinha não dá conta de gerar a formação do filho. A participante Ariel diz que, sobretudo tem que haver uma parceria, pois a família é o primeiro grupo social que eles pertencem, devendo a família juntamente com a escola desenvolver o processo educacional.

Conforme Cardoso (2009), os pais devem desempenhar uma posição de supervisores da proposta pedagógica, e colaborar com ações que promovam a parceria família-escola. Para a escola é importante o apoio da família, pois os pais cooperativos ajudarão a estimular na criança o desejo pela aprendizagem.

Observa-se que os participantes concordam que a escola sozinha não dá conta de promover a formação dos filhos, percebe-se também que a família tem consciência que sua participação e contribuição e que a ambos devem caminhar juntos.

Segue a tabela 3 com o conceito da função da escola na visão dos pais.

Tabela 3 – Função Social da escola, Interior de Rondônia, 2012.

Escola

Respostas

Propiciar oportunidade de aprendizagem sistemática

1

Transmitir cultura e valores de geração à geração

-

Moldar o comportamento do sujeito num processo progressivo

1

Contribuir para o desenvolvimento global ( social, afetivo, cognitivo, cultural, ético,etc) do ser humano

4

Outros

-

Fonte: A autora (2012)

Quanto a função social da escola vimos que a maioria dos participantes acreditam contribuir para o desenvolvimento global (social, afetivo, cognitivo, cultural, ético, etc.) do ser humano. Apenas uma participante diz que é propiciar oportunidade de aprendizagem sistemática e outra acredita que é moldar o comportamento do sujeito num processo progressivo.

Para Cardoso (2009), o desempenho social da escola está na prática de uma nova relação e por isso requer a revisão de seu funcionamento, conteúdos, metodologias e atividades, como também na maneira de tratar e instigar o aluno como à sua autoexpressão, autovalorização, co-responsabilidade, curiosidade, autonomia, e constituição para seu conhecimento. Uma nova proposta exige alteração no paradigma de escola e na postura dos professores.

Percebe-se que existe uma diferença nas opiniões das participantes, onde cada um pode expor o que realmente acredita ser a função social da escola. Entende-se que é uma questão de experiência, conceitos vividos por cada um. A seguir será apresentado a tabela 4 com a função da família na percepção dos participantes.   

Tabela 4 – Função da Família, Interior de Rondônia, 2012.

Família

Respostas

Educar os filhos inserindo-os no contexto social

1

Preparar o sujeito para enfrentar as diversas situações de convivência social

1

Influenciar positivamente no processo de formação e desenvolvimento do sujeito

-

Desenvolver a sociabilidade, a afetividade e o bem estar físico do seus filhos

4

Outros

-

Fonte: A autora (2012)

Com relação à função da família, quatro (4) pais acreditam que a função da família é desenvolver a sociabilidade, a efetividade e o bem estar físico dos seus filhos, um (1) é educar os filhos inserindo-os no contexto social e um (1) que a função é de preparar o sujeito para enfrentar as diversas situações de convivência social.

Segundo Anastácio (2009), a família é a principal referência da criança, e que de fato a casa e a vida familiar, proporcionam, por meio do ambiente físico e social, condições imprescindíveis para o desenvolvimento da personalidade da criança e de seus aprendizados. Percebe-se que escola e família, como instituições sociais, têm a função de promover e tornar o ser humano apto para as necessidades encontradas do cotidiano.

Na avaliação de como os pais contribuem em casa no processo de aprendizagem do filho, todos os participantes responderam que realizam as correções das tarefas. A participante Prilla ressaltou que ensina a ler, fazer os deveres de casa e ajuda no que for preciso. Já participante Rani, respondeu que ensina a fazer a tarefa e, a participante. Vídia, argumentou que conversa sobre as aulas, observando as tarefas de casa e, acima de tudo, o diálogo, considerando este último como o mais importante. Desta maneira, entende-se que todas as participantes auxiliam nas atividades de casa de seus filhos.

Conforme Carvalho (2004), o dever de casa é um aprendizado que integra as relações família-escola, é um trabalho dividido entre as instituições. Pode ser visto como uma necessidade educativa, reconhecida por essas instituições, como uma tarefa apropriada para os alunos em casa.

Como transcorremos o dever de casa é uma tarefa que tem por objetivo integrar a família e ampliar o conhecimento do aluno fora da escola. Mas muitas vezes isso não acontece, pois com o dia-a-dia dos pais está corrido, a tarefa de casa fica por conta do próprio aluno ou com a ajuda de outros do convívio. Mas o dever de casa é uma estratégia utilizada nas escolas para integrar os pais da vida escolar dos filhos. 

Diante dos resultados obtidos, percebe-se que os pais procuram participar da vida escolar dos filhos e do que está acontecendo no ambiente escolar, mas reconhecem que precisam do auxilio da escola para educar seus filhos.      

6. Considerações Finais

Ao concluir um trabalho dessa natureza mostra o quanto é importante discutir a participação dos pais na escola e o papel que a família desempenha na formação dos filhos.

Diante da pesquisa realizada, verificou-se que os pais pesquisados consideram como necessário a participação no processo escolar dos filhos, e reconhecem os benefícios que a interação pode propiciar.

O envolvimento entre essas instituições é essencialmente importante para o desenvolvimento do aluno, pois essas instituições são responsáveis por ajudar os sujeitos a desenvolver as suas habilidades. Deste modo quando família e escola adotam os mesmos princípios, permite o aluno ampliar com mais entusiasmo seus conhecimentos.

Acredita-se que a participação dos pais na escola amplia as possibilidades para uma relação mais próxima para o desenvolvimento do aluno. Apesar de tantas dificuldades, é preciso que pais e escola busquem, da melhor maneira possível, desenvolver uma parceria e estimular o desenvolvimento dos alunos.

Visto que neste trabalho obteve-se somente a percepção dos pais será importante também que houvesse a percepção da escola, com a realização de uma nova pesquisa.

Sobre o Autor:

Fernanda Rocha Fraga - Acadêmica do décimo período curso de Psicologia. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. .

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