As Percepções da Escola Frente às Novas Configurações Familiares

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Resumo: O presente artigo resgata as transformações históricas ocorridas na família, na escola e com o conceito de criança e adolescente. Pretende-se realizar uma pesquisa bibliográfica sobre as percepções que a escola apresenta em relação às novas configurações familiares de seus alunos e como se dá a relação entre família e escola. A família passou por diferentes configurações da idade média até os dias de hoje, em função de aspectos políticos e econômicos. O conceito de criança e adolescência também se modificou no decorrer da história, houve a conquista da igualdade de direitos e a elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente. A construção da escola se viu arquitetada de forma camuflada por interesses políticos e econômicos, sendo que as famílias eram de certa forma, intocadas em relação a uma abertura da escola devido à sua classe social. A relação entre escola e família ainda é fragilizada no que diz respeito ao diálogo e participação. Por fim percebe-se que os preconceitos instituídos na escola em relação às novas configurações familiares são grande barreira para uma aproximação entre escola e família com agravamento dessas famílias serem pobres e negras, em sua maioria.

Palavras-chaves: configurações familiares, criança, percepções da escola.

1 Introdução

Vivemos numa sociedade que passa por mudanças constantes, novas formas de se pensar e interagir, sendo cada vez mais complexa e abrangente abrindo assim uma explosão de diversidades que antes viviam em sua maioria escondidas e afastadas, como os movimentos de gays, as quebras de tabus em torno da sexualidade, o casal que se une através de uma união estável, a esposa e ou companheira que sai de casa para trabalhar deixando os filhos com um ente mais próximo, onde a sua educação é abarcada e vários movimentos que surgem dentro desse novo contexto social e familiar.

Essas novas configurações familiares geram uma gama de interpretações nos diferentes contextos frequentados pelas famílias, sendo a escola um deles. Dentro dessa pluralidade de concepções, vamos estudar as mudanças que a família tem sofrido historicamente, seus novos conceitos e paradigmas na contemporaneidade, a participação e atuação na sociedade.

A entrada da criança no contexto escolar é uma entrada para a formação e contato com outras crianças, dando acesso ao desenvolvimento social e cognitivo. Assim, sua inclusão traz um novo lugar, provocando uma transformação no seu cotidiano porque entra num novo contexto social, o que impactará a família, que a acompanhará, com a participação daqueles que cuidam dessa criança, pai, mãe ou tia, prima, vizinho, avós - no cotidiano escolar, que possuem participação mais assídua na vida dessas crianças, destacando em especial sua interação no contexto escolar, uma vez que os pais por algum motivo não podem participar.

Elegemos esse assunto, devido às demandas apresentadas nos estágios anteriores, quando se tornaram pertinentes os aspectos afetivos dessas crianças diante da diversidade de cuidadores, que de algum modo atuam em suas vidas, como por exemplo, o desejo de ter uma referência familiar, alguém que os acolha e que os ajude diante das situações vivenciadas dentro de casa e nos ambientes sociais, buscando assim se sentirem seguras e amparadas em qualquer situação. Outro aspecto que se destacou nestas experiências de estágio foi à forma que a escola enxerga estes cuidadores, enquanto membros ativos na vida destas crianças.

A construção histórica da sociedade e da educação pode nos revelar várias dessas interpretações, desde as primeiras composições familiares até os dias de hoje, e, ao explanar essas formas de se pensar a caracterização dos novos modelos familiares podemos levantar questionamentos acerca de como essas novas estruturas são vistas e descritas no meio educacional.

Assim, entende-se como nos fala Charlot (2000, p.33), que “o sujeito é um ser humano aberto a um mundo que possui uma historicidade; é portador de desejos, e é movido por eles, além de estar em relação com outros seres humanos, eles também sujeitos”.

Dayrell (2003, p.43) afirma que:

Ao mesmo tempo, o sujeito é um ser social, com uma determinada origem familiar, que ocupa um determinado lugar social e se encontra inserido nas relações sociais. Finalmente, o sujeito é um ser singular, que tem uma história, que interpreta o mundo e dá-lhe sentido, assim como dá sentido á posição que ocupa nele.

Buscou-se também um espaço de reflexão para elucidar de que forma essas concepções familiares estão sendo inseridas na sociedade.

Barros (1989) destaca que cada homem traz em si uma forma particular de inserção nos diversos meios em que atua. O que agrega mais qualidade de vida, uma vez que esse sujeito se encontra aceito na sociedade.

Uma vez que destacamos esses sujeitos: a criança, a família e a escola no âmbito social; podemos abrir mais espaços para a comunidade científica numa tentativa de compreender esses espaços da vivência familiar em sociedade.

Pretendemos realizar através desse trabalho uma pesquisa bibliográfica sobre as percepções que a escola apresenta em relação às novas configurações familiares de seus alunos.

Visamos elucidar como os autores pesquisados abordam o tema acima exposto, investigando também como a escola se relaciona com a família, sobretudo nas novas concepções e por fim identificar de que forma essa escola as percebe.

 Ao elucidarmos as novas constituições familiares e como a escola as percebe queremos destacar que é importante que nelas existam apoio de maneira que a criança pode vir a se desenvolver de forma plena e satisfatória, sendo um lugar onde se fomente troca de ideias e pensamentos elaborando projetos que dão sentindo a vida no presente. Dayrell (2003) fala desse espaço que esse sujeito pode se desenvolver tendo essa liberdade na família, na escola e concomitantemente outros projetos agregados no contexto social.

desenvolvimento

Realizamos uma série de pesquisas com as palavras chaves família, escola e criança nos seguintes sites: como www.bvs-psi.org.br, www.scielo.com, http://www.psicologia.pt http://revistaseletronicas.pucrs.br. Além disto, realizamos pesquisas em bibliotecas locais.

Os arranjos familiares do ponto de vista histórico

Ao falarmos de família podemos compreender que se trata de um assunto de bastante amplitude no que diz respeito aos conceitos históricos, sendo assim vamos nos ater aos períodos históricos denominados idade média e moderna, deixando a idade contemporânea para o próximo capitulo. 

Poster (1979 apud RODRIGUES;ABECHE,2010) pontuam três modelos familiares essenciais: a família aristocrata (patriarcal) e a camponesa, da idade média e a família burguesa (nuclear) da idade moderna.

Para Rodrigues e Abeche (2010) essas divisões apresentadas em relação aos modelos familiares e aos períodos históricos tem um caráter didático considerando que as estruturas e os momentos não são estanques e nem incisivamente delimitados, mas sim dialéticos, ou seja, um se sobrepôs ao outro ou em alguns momentos fundiram-se e em outro um deles destacou-se.

Nesse modelo vemos que na idade média as famílias se abrigavam nos castelos tendo como agrupamento entre quarenta a duzentas pessoas fazendo parte uma extensa mistura de parentes. Havia uma hierarquia entre as relações e os papéis eram fixados por rígidas tradições. Nesse espaço não havia cômodos o que significa que não havia nenhuma privacidade, sendo inclusive a sexualidade infantil aceita como costume, uma vez que não era reconhecida a infância como uma etapa do desenvolvimento.

Ainda na aristocracia nesse modelo familiar a esposa não se incomodava com a organização da casa e nem com a criação dos filhos, a sua função era de ter filhos e organizar a vida social, os cuidados dos filhos eram considerados abaixo da dignidade de uma dama aristocrata. Os bebês nobres eram alimentados por amas de leite, dessa forma as crianças eram consideradas pequenos animais e não objetos de amor e de afeição (POSTER, 1979 apud Rodrigues; Abeche, 2010).

Já os camponeses casavam-se por volta de trinta anos, tinham entre quatro a cinco filhos. Na realidade esse modelo não contemplava famílias extensas, ainda que tivesse três gerações na mesma casa, ali quem detinha a autoridade era a aldeia e não os pais, a mulher nesse modelo ainda que houvesse subordinação tinha um espaço considerável e quando solicitada nas lavouras as crianças eram deixadas à mercê, inclusive a amamentação era feita com descaso e sem afeto emocional.

Apesar de diferentes, tanto a aristocracia quanto os camponeses tinham pontos em comum pelos valores neles como os princípios e o contexto histórico em que estavam inseridos, essas semelhanças acabaram por fundar a constituição do indivíduo na idade média.

A composição familiar da idade média focalizou no esmagamento da autonomia e o enfraquecimento do ego da criança, gerada no seio destes modelos familiares.

Pode-se perceber que o lugar da criança nesse meio é praticamente escasso, uma vez que os autores mencionaram, não existia a infância propriamente dita, a família era um lugar marcado por leis, regidas pelos nobres senhores feudais que impunham uma submissão aos indivíduos, às regras das aldeias e da igreja. O começo do estado absolutista e do sistema mercantilista que começaria em breve a se consolidar também contribuíram para formar sujeitos passivos e temerosos dos poderes de outrem (Rodrigues; Abeche, 2010).

Os arranjos na contemporaneidade

Com o advento do mercantilismo podemos observar uma alteração, passa a surgir uma nova classe social chamada burguesia, que mediava as trocas de produtos, surgindo assim os comércios e a vida urbana.

Entre os séculos XV à XIX acontece uma série de transformações que foram moldando essas novas estruturas pelo sistema econômico. De acordo com Rodrigues e Abeche (2010), a nobreza sucumbe à burguesia, o estado absolutista estrutura-se assumindo como política econômica o mercantilismo, gerando centralização do poder e exploração.

Nos séculos XVIII a XX tem-se uma série de acontecimentos que contribuíram para as mudanças tanto econômica quanto familiar, como a primeira revolução industrial que propiciou o acúmulo de capital e o investimento em novas máquinas e mão de obra. O capitalismo atinge assim sua forma plena no século XX, sob essa ótica a família sofre alteração: com o desenvolvimento os jovens solteiros vão para a área urbana em busca de trabalho.  O sujeito deixa de depender do consentimento dos familiares para a escolha do seu cônjuge, as famíliassão constituídas por poucos membros na família, tornando-se a família nuclear.

A prática dos hábitos higiênicos era introduzida na idade muito precoce através dos avanços na medicina e das ideologias da ciência. A mãe detinha o máximo de cuidado e atenção aos filhos, tinham por objetivo de formar homens com dignidade e racionais dentro dos pensamentos iluministas, com esses objetivos as crianças passam a ter um papel central no contexto familiar, passam a ter valor social e a ideia de que a criança depende do futuro da nação.

A classe trabalhadora sofre transformações que são apontadas na estrutura da família especificamente na revolução industrial, sob condições de salários muito baixos a família tinha que trabalhar para prover seu sustento. Casavam-se mais cedo que a burguesia sem interesses em propriedades.

As crianças dessa classe eram criadas de maneira mais informal e sem muita fiscalização da mãe, elas eram amamentadas no peito forçosamente por mães esgotadas e sem alimentação adequada, enfrentavam uma sociedade que lhes tratavam de modo indiferente e com brutalidades não se podia esperar muita coisa por eles. Talvez esse seja um dos motivos para compreender o porquê que esta classe social ter aderido mais tarde ao modelo de família nuclear/burguês.

Poucos da classe trabalhadora conseguiram chegar à chamada aristocracia da classe trabalhadora, sendo estes operários mais qualificados e tentavam a todo custo impor as classes menos favorecidas seus padrões morais e hábitos higiênicos, com ideias de assistência materna e domesticidade.

Com essas imposições a mulher passava a ficar mais no ambiente familiar, tendo sua carga horária de trabalho reduzida ficando cada vez mais com os filhos, com a ascensão econômica para as cidades essa mulher é isolada ficando apenas por conta dos filhos que a partir de agora se tornam prioridade.

Com o avanço tecnológico e dos meios de transporte ampliam-se os investimentos, sobretudo novas indústrias, com o acúmulo de capital e superprodução gerando assim a crise de 1929. Houve uma onda de desemprego, devido à nova fase do capitalismo em que o poder aquisitivo é mínimo para toda a população como um todo.

Nesse novo parâmetro encontra-se a mulher que ao deparar com a necessidade da família, devido à deteriorização do salário real dos trabalhadores, de complementar a renda, passaram a buscar trabalho. Não só as mulheres pobres que buscavam o trabalho, mas também as mulheres mais instruídas.

Bruschini (1994, p. 179) aponta a entrada da mulher nesse cenário, sendo:

A elevação, nos anos 70, das expectativas de consumo, face à proliferação de novos produtos e à grande promoção que deles se fez, redefiniu o conceito de necessidade econômica, não só para as famílias das camadas médias, mas também para as de renda mais baixa, entre as quais, embora a sobrevivência seja a questão crucial, passa a haver também um anseio de ampliar e diversificar a cesta de consumo. Trabalhar fora de casa para ajudar no orçamento doméstico adquire novas possibilidades de definição, que se expressam de maneiras diferentes em cada camada social, mas que só se viabilizam pela existência de emprego.

 Há também os impactos das transformações do comportamento da mulher como o movimento das feministas, a queda da fecundidade devido aos métodos contraceptivos. A expansão da escolarização e acesso das mulheres às universidades marca também as mudanças de pensamento e de atitude mesmo na divisão de papeis sexuais nos lares. Bruschini (1994, p.181) ressalta ainda que “(...) atualmente existe consenso de que a necessidade e as possibilidades que a mulher tem de trabalhar fora de casa dependem tanto de fatores econômicos quanto da posição que ela ocupa na unidade familiar.”

Numa visão macro nas concepções de família sempre houve um marco histórico modificando esse ambiente nuclear, pai, mãe e filhos. De acordo com o Mandelbaum (2010) a crise no fim dos anos 90 que se instalou, marca outro fator de grande importância para essa nova família: o desemprego que assolou muitas famílias que acabam por perder a sua unidade doméstica independente devido à falta de renda passando a mudar para a casa dos avós, que se tornam os provedores, inclusive na classe média. Nas camadas mais pobres, quando alguém tem um terreno, se constroem pequenos cômodos ligados a casa e, na medida em que os filhos se casam, vão vivendo todos pertos uns dos outros, assim uma das mães fica incumbida de se tornar responsável pelas outras crianças (MANDELBAUM, 2010).

O conceito família passa então por diversas definições segundo o olhar daqueles que o investigam.

A criança e suas referências

Nessa nova fase da estrutura familiar contemporânea, a família passa por novas construções de conceito e valores, se antes o cuidado passa ser a educação que a mãe, e somente a mãe, passava para o filho levando em consideração os moldes da sociedade, agora com as famílias agregadas em um mesmo local, com pais trabalhando fora, a educação passa a ser deixada para terceiros, que podem ser entre tantos, os avós, os tios, amigos e até vizinhos.

Barros (1989) nos fala da representação que os avós têm nessas famílias, sendo aqueles que representam a imagem da união entre seus antepassados e descendentes, ou seja, os avós são as marcas do passado que convivem juntamente com seus descendentes que são o futuro. 

Ao falar de história familiar, sobretudo transmiti-la, vemos que ao mesmo tempo traz a sua individualidade enquanto memória efetiva de cada família, e também a memória da sociedade mais ampla tendo como expressa a importância da instituição familiar.

Mas e a criança? Como ela se percebe nesse meio? Buscaremos agora resgatar o olhar dessa criança em meio às alterações vividas pela família contemporânea. Historicamente não havia o conceito de criança e adolescência e inclusive até o ato de amamentar não era feito pela própria mãe, tendo os seus vínculos formados por um terceiro, sendo considerado um animalzinho, não tendo um envolvimento emocional e afeto. Tinha assim sua autonomia apagada, enfraquecendo seu ego, sendo muitas vezes punido, devendo ser assim incondicional as ordens patriarcais seja pelos ditames da Igreja.

Após as revoluções industriais e econômicas essas crianças começam a oscilar nessas novas estruturas em que por um lado, são consideradas o centro da família representando a ideia de que da criança depende o futuro da nação (gerada pelo iluminismo), por outro lado, são obrigadas a trabalhar para prover o sustento da casa. Com a ascensão econômica o futuro dos filhos passa a ser a máxima preocupação da família, tendo sua educação respaldada pelo suporte parental e internalizadas os padrões de regras impostos. Essas mudanças geram cidadãos autônomos dispostos a enfrentar o mundo competitivo podendo tomar decisões independente das sanções ou apoio externo, como nos modelos antigos (RODRIGUES; ABECHE, 2003).

Em 1923 são formulados por uma organização não governamental os princípios dos Direitos da Criança onde em Genebra a Liga das Nações incorpora-os e expressa a Declaração dos Direitos da Criança sendo quatro itens estabelecidos, conforme Marcílio (1998, p.3):

1. A criança tem o direito de se desenvolver de maneira normal, material e espiritualmente; 2. a criança que tem fome deve ser alimentada; a criança doente deve ser tratada; a criança retardada deve ser encorajada; o órfão e o abandonado devem ser abrigados e protegidos; 3. a criança deve ser preparada para ganhar sua vida e deve ser protegida contra todo tipo de exploração; 4. a criança deve ser educada dentro do sentimento de que suas melhores qualidades devem ser postas a serviço de seus irmãos.

Sob esse novo olhar a criança passa por um novo conceito, em meio a essas alterações surge a luta pelos direitos e pela igualdade, sendo conquistada assim em meados do século XX a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que confere a dignidade desses sujeitos, tanto a criança quanto o adulto (GONÇALVES, 2010).

Segundo Marcílio (1998, p.2) a declaração foi fundamentada em uma ética universal que deveria ser respeitada pelos estados nacionais.

[...] Declaração Universal dos Direitos Humanos. Fundada em fatos históricos e em doutrina precedente, a Declaração visa atingir o Homem todo e todos os homens e propugna por sua felicidade e seu bem-estar; buscando subordinar o privado ao público. Valoriza a família, a comunidade, os interesses, as necessidades e aspirações sociais do povo. Expressa uma ética que garante a condição de verdadeiro cidadão a todos os homens, conforme se lê já no primeiro parágrafo do preâmbulo do documento: Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo.

Essas buscas pelos direitos provocam avanços na ciência como, por exemplo: na medicina, nas ciências jurídicas, pedagógicas e psicológicas. Tais avanços trazem descobertas sobre a especificidade da criança e a necessidade de formular seus direitos que passam a ser dados como especiais (MARCÍLIO, 1998).

No Brasil a construção dos direitos da criança ocorre a passos bem lentos, segundo Sayão (2004). Os primeiros registros de preocupações sociais com crianças e adolescentes, chamados de menores, carentes e abandonados são do final do século XVIII, a princípio eram as irmandades, as santas casas de misericórdia. O Estado começa a se ocupar diretamente no inicio do século XX, por meio de criação de reformatórios ou institutos correcionais. Das décadas de 70 a 79 surgem práticas diferenciadas na política de atendimento da criança e adolescente, surgindo em 79 o novo código de menores, sendo uma lei que enquadra apenas em situações descritas como as crianças carentes, abandonadas, inadaptados e os infratores.

No final da década de 80, com a elaboração da Constituição Federal de 1988 organizam-se importantes campanhas visando à inclusão de propostas que assegurem direitos a crianças e adolescentes. Acontecem dois movimentos instituintes que contribuem para a elaboração da nova legislação, a abertura da comunidade, para os chamados programas de prevenção, movimentos, busca de modelos alternativos no atendimento institucional. O segundo movimento foi a participação direta das próprias crianças e adolescentes processo esse favorecido pelo surgimento da Pastoral do Menor, ligada a igreja católica (SAYÃO,04).

 Esses movimentos tanto nacionais quanto internacionais acabaram por influenciar em 1990 na elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tendo por direitos especiais assegurados a sua condição peculiar de desenvolvimento como atendimentos nos pronto socorro e direito à convivência familiar e comunitária. O ECA se baseia na Doutrina da Proteção Integral das Nações Unidas, supera o binômio de compaixão e repressão e o assistencialismo considerando a criança e adolescente sujeito de direitos e deveres exigíveis na lei (SAYÃO,04).

Houve a exigência de uma cultura da felicidade ou ética hedonista, próprias das sociedades de consumo, e estimulada e amparada pela indústria cultural que atingiu as famílias a partir dos anos 80. Essa cultura é caracterizada pela falta de dedicação a vida do próximo assim como para a nação, passa a se ter uma valorização maior do corpo tendo a busca da saúde, lazer e sexo em busca de uma felicidade em que tudo pode. Nessa fase os valores vão perdendo o sentido e ocorrem os esvaziamentos das preservações moralistas, tudo pelo benefício da realização pessoal que lhe dá direito a separação, a maternidade fora do casamento e a concubinagem.

Nesse atual momento histórico a nova condição subjetiva dos indivíduos é perda dos referenciais de um enunciador coletivo com credibilidade. Entram assim os modelos de identificação que se estruturam no âmbito extra-familiar, especialmente ícones de consumo.

Com esses novos valores e exigências advindas da cultura da felicidade ocorre uma diminuição do contato com pais e filhos, se antes os valores eram conferidos aos pais hoje com a avalanche de informações dadas a mídia e a cultura com seus ícones, com os pais se distanciado devido ao trabalho intenso e outros afazeres como estudo e cursos, tanto mãe e pai, acabam por conferir a educação a terceiros como parentes e vizinhos.

Segundo Nunes (2010), em regiões onde há muita imigração para outros países em busca de trabalho, as crianças também são deixadas pelos pais sob o cuidado de outras pessoas, sendo que uma das consequências é que para elas a escola fica em segundo plano, pois acabam por pensar que não precisam da educação dada no país de origem, uma vez irão um dia para fora juntamente com seus pais.

            Deste modo a criança acaba por não saber quem é sua referência e em quem pode se apoiar devido a tantas pessoas a sua volta, seja a mídia com seus ícones, seja da creche, seja dos tios, padrastos, vizinhos etc. Como ressalta Nunes (2010, p.4):

Por não reconhecerem a autoridade dos seus responsáveis, os filhos de pais ausentes acabam entrando em conflito com seus cuidadores, o sentimento gerado pela sensação de abandono ou de liberdade associado às transformações biopsicológicas ocorridas no período do desenvolvimento infanto-juvenil somado as mudanças na estrutura familiar contribuem para que estes filhos se encontrem numa fase de desequilíbrio e incertezas.

O desenvolvimento da criança requer estabilidade e compreensão, e seus cuidadores podem de alguma maneira colaborar com seu desenvolvimento oferecendo à mesma o necessário para sua formação enquanto pessoa em sociedade.

A escola no ponto de vista histórico até a contemporaneidade

Como já mencionado, percebemos que a questão econômica sempre teve forte influência na constituição dos vínculos familiares afetando assim todo o sistema político, tanto na constituição dos estados e nações e como não poderia ser diferente também afetou toda a constituição e elaboração do sistema de ensino, ou seja, pautada na história a educação se constrói de forma camuflada por interesses de outrem.

Patto (1990) nos aponta para os marcos que iniciam o advento dos sistemas de educação. O início no século XIX caracteriza-se por três vertentes da visão de mundo dominante na nova ordem social: de um lado a crença no poder da razão e da ciência, legado do iluminismo; de outro, o projeto liberal de um mundo de igualdades de oportunidades substituindo a indesejável desigualdade baseada na herança familiar; e, por fim, a luta pela consolidação dos estados nacionais, sendo uma meta do nacionalismo que havia surgido no século passado. Mas para a autora a ideologia nacionalista foi à principal propulsora de uma política mais ofensiva de implantação de redes públicas de ensino em partes da Europa e América do norte.

As revoluções seguintes abrem as portas para o desejo de ascensão social, mas não a riqueza, como o caso do sacerdócio, magistério e burocracia, as linhas que dividiam as classes eram menos impermeáveis, portanto esse desejo de ascensão deveria ser contentado com cargos modestos, bastando assim que esses trabalhadores ficassem encantados para deixar a categoria dos trabalhos braçais (PATTO, 1990).

Patto (1990) ressalta que se a precária rede de ensino público teve alguma função social foi a de preparar esse pequeno contingente de funcionários públicos e de médio e baixo escalão requerido pelo desenvolvimento do estado moderno.

Ainda segundo Zanotti (1972 apud PATTO,1990), periodizar a história da política educacional no mundo ocidental em três grandes etapas, coloca o marco da primeira o ano de 1870 quando até 1914 se atribui à escola a missão de redimir a humanidade, a partir de 1870 vigora em várias partes do mundo o ideário nacionalista em sua segunda versão: o da construção de nações unificadas, independentes e progressistas, existia também a ideologia das nações estado a insistência de que haveria somente uma língua e um meio de instrução oficial. Assim consolida a primeira missão da escola no mundo capitalista do século passado: a consciência da nacionalidade.

Já no século XX, a escola sofre um forte impacto devido à primeira guerra mundial, tendo assim desmentido a ideia de que a escola gratuita viera transformar a humanidade, para redimi-la da ignorância e da opressão, nesse caso, mesmo que a pessoa fosse alfabetizada não dava garantias de um livramento da desigualdade e da exploração. Este conflito gerou uma série de golpes nos liberais que acreditavam nos super poderes da escola os levando a investirem contra a pedagogia tradicional, elaborando uma pedagogia que promovesse espiritualmente o ser humano, o movimento escolanovista.

Zanotti (1972 apud PATTO, 1990, p.49-50) relatam que:

Se o movimento escolanovista já era uma realidade no final do século XIX, (as primeiras escolas novas datam da década de oitenta desse século), é de 1918 a 1936 - a segunda etapa da política educacional segundo Zanotti que se propaga com uma clara intenção: rever os princípios e as praticas da educação a fim de fazer da escola uma instituição a serviço da paz e da democracia.

As críticas feitas às antigas pedagogias escolares atribuem a ela a culpa pelos desastres sociais. Este novo movimento de pedagogos liberais do século XX era carregado de um humanismo ingênuo, acreditava numa sociedade de classes igualitárias, onde o mérito pessoal é o que devia ser contado.

A escola estava caminhando para o desenvolvimento, abrindo espaço para uma promoção mais acentuada do ser humano.

A relação entre a escola e a família

Depois de explanarmos a constituição da estrutura familiar no contexto histórico até os dias de hoje e também da construção da educação e o processo de ensino, não é difícil de dizer que a relação de ambas foi se consolidando nos séculos mais recentes, devido à forma em que a educação foi se inserido na vida das famílias. Assim, Nogueira (1998, p.92) explicita através do campo da sociologia:

Entretanto, essas análises tinham um caráter macroscópico e geralmente quantitativo, eximindo-se da observação dos processos “finos” de fabricação e manutenção das desigualdades e transformando a família numa mera correia de transmissão das estruturas sociais. A família ficava tão dissolvida na variável “categoria socioeconômica” de pertencimento. Conhecia-se assim, sem dúvida, seus efeitos sobre o desempenho escolar, mas os processos domésticos e cotidianos pelos quais projetos e estratégias familiares são elaborados e postos em pratica, permaneciam na penumbra.

As análises das quais a autora ressalta nos diz de um estudo histórico sobre a relação da família e escola no campo da sociologia numa tentativa de elucidar os estudos pioneiros na relação educação e classe social, procurando identificar os fatores responsáveis pelas desigualdades de oportunidades.

A autora coloca que apesar da escola e família estarem ligadas há quase quarenta anos, ainda se sabe pouco sobre a relação das mesmas. As poucas pesquisas realizadas indicam que tais famílias, eram de certa forma intocadas em relação a uma abertura da escola devido à sua classe social.

Somente pelos anos de 1980/1990 é que a educação passa por mudanças na reorientação da sociologia da educação, ou seja, muda-se o olhar com foco nas estruturas das práticas pedagógicas para novos objetos que vem emergindo: o estabelecimento da sala de ensino, a sala de aula, o currículo, com doses da influência da antropologia como estudos etnográficos e observação participante.

Da mesma maneira Montadon (1987 apud NOGUEIRA, 1998, p.96) comentam que:

(...) no inicio do século e a fortiori no século XIX a maioria das famílias não mantinham relações com a escola pública... em geral, portanto os pais não eram admitidos no recinto da escola e as relações família-escola, tal como as entendemos ou preconizamos hoje eram inexistentes nas cidades.

Nessa época os pais não estavam atentos a questões do ensino e sim as questões de vestuário ou de manutenção da ordem. Van-Zanten (1988,apudNOGUEIRA, 1998) corroboram explicitando que no passado o direito de vigilância dos pais sobre o funcionamento cotidiano das instituições de ensino exercia-se principalmente através de normas implícitas relativas à moralidade dos mestres e a disciplina dos alunos.

Van-Zanten (1988, apud NOGUEIRA, 1998) colocam que houve uma evolução nas relações familiares e educacionais no sentido de imbricação crescente sendo definido com o aparecimento de uma nova zona de interação entre essas duas instâncias. A sala de aula e a casa eram espaços privados, hoje se tornam espaços abertos para pais e educadores que se interagem, apesar de não ser compartilhada essa forma entre as famílias de diferentes classes sociais.

Com a proibição do trabalho infantil e a extensão do período da escolaridade obrigatória, a criança deixa de ser um ganho para os pais e recurso contra a velhice e se torna um objeto de preocupação. Desta maneira investe - se na educação da criança, uma vez que seu futuro nacional associado ao sucesso escolar que se dá pela certificação dos estudos através do diploma. A escola passa agora a legitimar as posições dos novos jovens em seus espaços sociais, tornando-se a principal instância de legitimação e de distribuição de atributos que determinam o valor dos indivíduos com julgamentos e critérios de classificações (NOGUEIRA, 1998).

As práticas pedagógicas vêm sofrendo alterações, ainda que muito lentas no que diz respeito ao desenvolvimento da sociedade, historicamente o plano de ensino era somente depositado e agregado na vida daqueles que estavam ali apenas para serem alfabetizados como os operários das fábricas que somente aprendiam o necessário e isso se reflete até os dias de hoje. Aqueles que lutavam para se escolarizar, como a maioria dos pobres, historicamente lutavam para terem melhores condições de vida numa tentativa de se equiparar àqueles que tinham o status e estabilidade financeira.

Podemos perceber alguns aspectos dos funcionamentos escolares como Souza (2007) descreve. A escola como uma instituição de saber passa a inserir fracassos, principalmente julgamentos acerca daqueles que não conseguia ajustar as didáticas do ensino, sendo sustentadas por uma análise superficial das dificuldades do sistema escolar. Souza (2007) ressalta com veemência o quão calamitosa se encontra a visão dos professores frente a seus alunos e frente às políticas públicas de promoção a educação brasileira como a progressão continuada e a evasão escolar.

Sobre a causa dos fracassos durante um bom tempo esteve à frente em foco as características dos alunos e de seu meio familiar e social tendo como característica a “teoria da carência cultural” (PATTO,1990;SOUZA, 2007) e esse pensamento ainda perpassa duas décadas e adentra em todas as questões relacionadas às queixas escolares.

Em outro texto Patto (1990, p. 285) ressalta que as raízes dessas concepções sobre vencedores e perdedores foram descritas por intelectuais brasileiros na metade do século XIX explicando o país com base nas ideias dominantes no pensamento cientifico e político europeu, com racismo científico.

Essa representação pejorativa dos pobres, gerada do lugar social da classe dominante e em consonância com seus interesses, foi encampada pela psicologia e pode ser encontrada na teoria da carência cultural quando ela afirma que o ambiente familiar na pobreza é deficiente de estímulos sensoriais, de interações verbais, de contatos afetivos entre pais e filhos, de interesse dos adultos pelo destino das crianças, num visível desconhecimento da complexidade e das nuances da vida que se desenrola nas casas dos bairros mais pobres.

Além da teoria da carência cultural, Souza (2007), revela outros funcionamentos escolares que influenciam na relação família e escola.

As políticas públicas voltadas para a educação pouco contribuem para a realidade que as escolas brasileiras vivem, o que se vê é uma ausência de discussão entre ambos sendo desconsiderado as possibilidades de opiniões e considerações, os professores são convertidos como meros executores de projetos e planos pedagógicos muitas vezes sem sentido. Nesse espaço vai se construindo educadores que se sentem fracassados reproduzidos pelo autoritarismo gerado pelos órgãos responsáveis da educação, além também das convocações de última hora e má organização das reuniões e cursos que deveriam ser espaços de aprendizagem e informação.

As reuniões de pais representam um momento formal de contato e troca entre professores e família. Souza (2007) relata que as reuniões de pais são mal organizadas, no sentido de falta de comprimento dos horários, falta de espaço para a participação dos familiares, além dos preconceitos relacionados aos pais como a pobreza e em especial dos negros e das ideologias que cercam as camadas menos favorecidas e principalmente das humilhações que os pais vivem das experiências dentro do ambiente escolar.

O principal contato que a escola tem com as famílias se dá através da convocação dos pais, na maioria das vezes quem vai é a mãe para que ouçam queixas de seus filhos e sendo necessário os encaminham para os serviços médicos e psicológicos para o diagnóstico.

Outro elemento que formaliza a comunicação entre familiares e professores são os cadernos escolares. Santos (2007), realizou pesquisa acerca do uso dos cadernos escolares por professores, alunos e pais. A autora verificou que existem experiências de humilhação vividas no ambiente escolar, através dos relatos de pais e das crianças que por vezes são expostas e ridicularizadas tanto por professores quanto por colegas da turma. São situações em que a criança não consegue completar a tarefa por ser impossível. Os cadernos registram insucessos, os que têm má aparência chegam a ser rasgados em sala de aula por docentes estressados e frustrados. Ocorrem gritos, xingamentos e apelidos de burro ou equivalente, por colegas e às vezes por professores. Tais situações geram conflitos familiares.

Dessa maneira podemos entender o quão precária se encontra essa relação, e ainda que se dá de alguma maneira trejeitos de laços ambíguos, revelando a linha tênue que dos limites entre a interação familiar e escola.

Dá-se a entender em suma que as relações entre família e escola caminham em passos lentos, mesmo tendo avanços nas últimas décadas, sendo assim é necessário uma discussão mais aprofundada nessas interações a fim de entendermos como essas interações se dão nos dias de hoje.

Discussão

Diante de todos os temas expostos percebe-se uma grande complexidade diante dos mesmos, uma linha bastante tênue que abarca toda a discussão devido a vários determinantes que ao mesmo tempo são responsáveis pela frustração das relações entre a família e a escola. Tais determinantes trazem marcas de uma construção histórica, que por sua vez, não contribui para uma formação mais acentuada na relação entre ambas.

Os autores trazem uma construção de família moldada pelos fatores econômicos que vão alterando de acordo com a história através da economia sendo flexíveis e sujeitas a uma circunstância social, cultural e histórica, reflexo de estereótipos e modos de produções ideológicas do sistema econômico. 

Segundo um dos autores há que estudar a possibilidade de limitar o individualismo nesse sistema neoliberal que vivemos, tendo a família assim a possibilidade de cuidar dos filhos aceitando a falta e conflito como construtivos de sua condição humana superando as dificuldades e diferenças em relação ao outro.

Os textos trazem a necessidade da superação dessas questões que abordam quanto à questão da distinção, dessas novas formas de se organizar família quanto afirmarem seus espaços na sociedade enfrentando o preconceito estabelecido se afirmando sujeitos autores de sua própria história.

A educação é vista aqui como um lugar onde se fomenta a formação da criança sendo que essa conscientização deve atravessar todos os aspectos de sua vida e instituições que frequenta, o que inclui além da escola, a família. Esta visão está presente na legislação que também foi construída historicamente. Há fatores levantados pelos autores como a formação da escola e seus interesses, as deficiências que hoje carregam (tanto física em termos de recursos das políticas publicas, quanto os membros da escola despreparados para a diversidade de educandos). Tais fatores revelam que as escolas são seletivas diante da competitividade da sociedade, não conseguem responder a demanda desses educandos que se mostram por vezes distintas. Em síntese, as relações estabelecidas no ambiente escolar se revelam preconceituosas no tocante a questões sociais.

Os autores elucidam a forma como a escola se posiciona na relação com a família, vemos que essa relação por vezes é fragilizada no que diz respeito ao diálogo, na compreensão e aceitação das novas concepções familiares, uma vez que a família ainda é vista apenas como nuclear: pai, mãe e filhos. A falta de respeito em relação a essas novas estruturas familiares, uma vez que a família fora dos critérios nucleares é vista sob forma de desestruturação, quando ao contrário, as experiências que as mesmas trazem mostram um vínculo que reproduz afeto e cumplicidade dentre os membros. A dificuldade em trazer essa discussão para com os alunos sobre as novas formas de se constituir família. As questões sociais também são aqui abordadas como a pobreza e o preconceito em relação aos negros pelo racismo velado sob vários contextos de inferioridade.

Percebemos uma série de fatores que aqui levantados trazem conteúdos que requerem um olhar mais atento na relação entre escola e família. As mudanças históricas, sociais e econômicas provocam o enfraquecimento da participação da família na escola.

Conclusão

O artigo buscou através das análises de vários autores a relação e implicação da escola diante das novas concepções familiares. As revisões perpassaram vários olhares de diferentes lugares como social, antropológico, educacional. Os artigos complementaram entre si nas concepções familiares e também do âmbito educacional e social.

Diante da problemática percebe-se a delicada relação entre a família e a escola: duas instituições que são unidas pelo interesse em cooperar numa sociedade gerando cidadãos numa cultura competitiva onde poucos conseguem chegar a um lugar de reconhecimento, em função das poucas oportunidades e dos obstáculos que existem, quando essas oportunidades deveriam ser para todos sem distinção de cultura, raça ou etnia e classe social.

A escola em si deve ser um lugar de transformação e superação do preconceito em relação às condições sociais e às novas formas de se constituir a família, pois a criança é o ser que através das leis tem garantia da sua dignidade e precisa ser cercada do seu lugar enquanto protagonista da própria história, cabendo um desses lugares como a educação promover lugar de cidadania e ética.

Portanto, percebe-se que os preconceitos instituídos na escola em relação às novas concepções familiares são grande barreira para uma aproximação entre escola e família com agravamento dessas famílias serem pobres e negras, em sua maioria.

Sugerimos que mais pesquisas de campo na área referente ao tema sejam realizadas, para: investigar caminhos que consigam melhorar a relação entre família e escola e a superar os preconceitos; investigar os impactos psicossociais que as novas concepções familiares trazem para a vida da criança, uma vez que não foi possível encontrar fontes de pesquisas bibliográficas para agregar ao trabalho.

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