As Principais Dificuldades de Aprendizagem nos Anos Iniciais

As Principais Dificuldades de Aprendizagem nos Anos Iniciais
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Resumo: Este estudo teve como foco as principais dificuldades de aprendizagem ligadas à leitura e a escrita do 4º ano dos anos iniciais da Escola Estadual Professor João Batista da Rede Estadual de Ensino do Município de Tangará da Serra-MT, com o objetivo de entender melhor e com maior amplitude, detectando assim as causas e fatores que levam a essas dificuldades. Sendo um estudo realizado a partir de buscas bibliográficas sólidas, como Vigotsky, de maneira a confrontar com autores clássicos na área, visando entender como se dá o processo de ensino e aprendizagem, fatores que contribuem com o insucesso escolar e fundamentando as possíveis interferências de maneira negativa no processo de aprendizagem. Trata-se de um estudo de caráter quantitativo e qualitativo, diante de observação diagnóstica, questionário e entrevista direcionada a professora regente da sala do 4º ano dessa referida escola. Foram abordados nesse estudo o conceito relacionado a aprendizagem, o papel dos pais e o papel dos educadores diante dessas dificuldades. Através dos dados informados foi possível constatar que os educandos possuem dificuldades na leitura e na escrita, quanto na socialização no meio escolar. Tendo como principal problema a ausência dos pais no processo escolar, dificultando o processo de aprendizagem nessa escola.

Palavras-chave: Principais dificuldades, Aprendizagem, Anos Iniciais, Psicologia Escolar.

1. Introdução

Dificuldades de aprendizagem é um assunto atual de nível mundial, visível no contexto escolar, sendo assim, é de grande relevância entender como se dá o processo de ensino aprendizagem, quais as implicações pedagógicas, bem como as principais dificuldades de aprendizagem encontradas no contexto escolar dos anos iniciais.

O ensino aprendizagem é um processo contínuo, e muito complexo, de aquisição e integração de informações em todas as etapas da vida. Além disso, crianças com dificuldades de aprendizagem apresentam desmotivação e incômodo com as tarefas escolares, geradas por um sentimento de incapacidade. Para tanto, a escola precisa encontrar alternativas pedagógicas e usar metodologias eficazes, no intuito de não culpar o aluno pelo fracasso escolar, sem valorizar o que ele sabe, para fortalecer sua autoestima. Mostrar para a criança o quanto ela é boa em tarefas na qual tem habilidades e incentivá-la a desenvolver tarefas nas quais ela não tenha tanta habilidade.

Para o futuro profissional da educação, seja pedagogo ou de formação específica, é uma temática de grande relevância no atual contexto escolar que esses profissionais tenham o máximo de comprometimento com uma educação de qualidade para formar indivíduos para uma sociedade crítica e reflexiva, e que este trabalho contribua não apenas com Escola aqui supracitada, mas também com profissionais iniciantes da área da educação e com a sociedade em geral.

A escolha desse tema originou-se da vivência durante a realização do Estágio Curricular Supervisionado.  Momento esse que foi percebido a dificuldade na leitura e na escrita de alguns alunos.

A proposta deste estudo é de observar, no contexto da sala de aula, quais as principais dificuldades de aprendizagem ligadas ao desenvolvimento da leitura e da escrita. Tem como objetivo geral observar no contexto da sala de aula, as dificuldades no ensino e aprendizagem ligada à leitura e a escrita da Escola Estadual Professor João Batista da cidade de Tangará da Serra - MT.

Além disso, identificar quais as principais dificuldades encontradas pelo aluno em relação à leitura e escrita; verificar a abordagem de metodologias utilizadas pelo educador, a frequência dos alunos e a participação dos pais e responsáveis no processo de ensino aprendizagem; descrever situações pedagógicas que visam fortalecer a autoestima do aluno, estimulando-o a um maior convívio escolar, apresentar e analisar implicações pedagógicas. 

Como ponto de partida, foi elaborado um estudo bibliográfico baseado nas concepções de vários autores, e por meio de um estudo de campo com a professora regente da sala do 4º ano do Ensino Fundamental I, da referida escola, com o objetivo de entender o processo de aprendizagem acerca da temática proposta.

2. Conceito de Aprendizagem

O processo de ensino aprendizagem está de forma direta ligado à uma mudança de comportamento do sujeito a partir da experiência. De modo que alguns educandos possam apresentar problemas diferentes em vários contextos relacionado ao conhecimento, interferindo assim, no processo de leitura e escrita com dificuldades de compreensão e interpretação de textos, comprometendo o desempenho acadêmico, interação social e afetividade.

A aprendizagem é a acumulação do conhecimento a partir de estruturas esquematizadas de forma intelectual em um momento específico. Tratando-se de um processo contínuo e acumulativo, tendo como base o convívio familiar, cultural, que vão se aprimorando no meio escolar e na vivência social do sujeito, valorizando habilidades e competências, com o objetivo à progressão de observação, formação, desenvolvimento do intelecto. Sendo que a aprendizagem não se remete apenas à uma teoria, mas vários pontos de vista.

Para Vygotsky (1991, p.101):

Aprendizado não é desenvolvimento; entretanto, o aprendizado adequadamente organizado resulta em desenvolvimento mental e põe em movimento vários processos de desenvolvimento que, de outra forma, seriam impossíveis de acontecer. Assim, o aprendizado é um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas.

Os educandos que apresentam essas dificuldades sentem-se desvalorizados, contribuindo de forma significativa para o fracasso escolar generalizado, promovendo um resultado inferior a idade de nível educativo e intelectual, se estendendo ao longo da vida, principalmente quando estão relacionados a leitura e escrita, apresentando dificuldades no desenvolvimento de interpretação, compreensão textual e soletração; comprometendo assim as informações recebidas.

A aprendizagem influencia o desenvolvimento, assim como o desenvolvimento influencia a aprendizagem.

Vygotsky (2001, p.115) nega a relação de identidade entre desenvolvimento e aprendizagem quando afirma que:

[...] a aprendizagem não é, em si mesma, desenvolvimento, mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento, e esta ativação não poderia produzir-se sem a aprendizagem. Por isso, a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais, mas formadas historicamente.

2.1 Dificuldades de aprendizagem: desafios para escola e educadores

Em relação às dificuldades de aprendizagem, é preciso transformar esses educandos rotulados como incapazes ou fracassados, em indivíduos motivados, ativos e participativos com um bom rendimento escolar. Sendo um desafio tanto para a escola quanto para educadores.

É importante observar no contexto escolar que DA (Dificuldade de Aprendizagem), vem preocupando e atingindo os educandos de forma a não interferir somente no processo de aprendizagem, mas em todos os aspectos, especialmente no social, sendo diagnosticados de maneira tardia.

Os educandos que apresentam dificuldades na aprendizagem, não têm uma compreensão em relação aos métodos como os demais, de forma que o educador perceba e utilize metodologias e atividades diferenciadas, possibilitando um melhor desenvolvimento desse aluno.

No entanto, cada criança apresenta individualidades e aprendem em momentos e formas diferentes, cabendo ao educador utilizar métodos diferenciados. Braga (2003, p. 69) entende que: “Educar exige competência, criatividade, audácia, paixão, arte. Espírito inovador, além do domínio das condições histórico/social, filosófico e psicológico”.

As escolas públicas brasileiras nos dias atuais enfrentam um dos maiores desafios, são propostas que não visam fortalecer e ponderar a individualidade do educando, realidade preocupante em relação à política de ensino.

O sistema de ensino na modalidade escolar, deve priorizar, não desconsiderando o que realmente é importante e fundamental para promover uma educação de qualidade, como dar crédito à realidade do ponto de vista linguístico de cada educando, valorizar a história de vida de seus alunos, garantindo conteúdos com uma linguagem clara e objetiva.

Segundo Zorzi (2003), é muito frequente questões orgânicas, biológicas, psicológicas, pedagógicas, de linguagem, sociais e familiares que se englobam dificultando o processo de aprendizagem de maneira interdisciplinar. Sendo que o problema está vinculado à falta de motivação, metodologias ineficazes, falta de integração entre educadores e educandos.

2.1.1 O papel de educador diante a dificuldade do educando na aprendizagem da leitura e da escrita:

O processo de ensino aprendizagem não acontece por si só. Trata-se de um processo reflexivo, sendo o professor o centro do processo, devendo este submeter os educandos a refletir. De modo, o educador é o principal ator do processo de aprendizagem de seus educandos.

O educador deve auxiliar os alunos com dificuldades na leitura e na escrita, trabalhar a partir do cognitivo de cada um, observando de modo claro o que um possa aprender em casos diferentes, planejar atividades que propiciem aprendizado, tantos os alunos que dominam a leitura e a escrita, e para os que possui dificuldades (Maruny, 2000)[1].

 O professor precisa estar consciente em relação algumas crianças, pois aprendem de maneira distintas, e que o conhecimento deve ser construído de forma coletiva, sem que os demais não se sintam frustrados e marginalizados, ou deixados de lado. Infelizmente muitos educadores desconhecem as causas das dificuldades de aprendizagem do aluno, que consequentemente são rotulados como fracassados e preguiçosos.

Os professores devem auxiliar os alunos com dificuldades nas atividades propostas, auxiliando os mesmos a rever conteúdos ministrados, criando meios deles decifrar os objetos através de enigmas, orientando com o uso de desenhos, diagramas, sendo muito importante o uso do dicionário. Os educadores e a família precisam estar sensibilizados para colaborar durante o processo de aprendizagem.

Ler também serve para controlar e lembrar do que escrevemos. Quando perguntamos à criança o que é que ela queria escrever, pedimos-lhes que leia seu escrito. A própria criança pode recusar ler o que já escreveu para avançar tal como os adultos fazem ao repassar nossos textos enquanto escrevemos. Essa atividade traz informação decisiva para a criança(Maruny, 2000)[2].

Assim, se o educador detectar que o educando tem dificuldades na leitura e na escrita, é preciso orientar os pais, que de forma conjunta seja solucionado tais problemas. Algumas sugestões que visam auxiliar o educando com dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita, segundo Domingues e Marchesan (2004) são:

  • Dividir trabalhos de longa duração em partes menores;
  • Os conteúdos de ensino aprendizagem precisam ser revisados sempre;
  • Utilizar enigmas para descrever e compreender objetos;
  • Seu conhecimento só deve ser analisado por respostas oral;
  • Nunca o expor o aluno à leitura em voz alta diante dos outros;
  • Solicitar que o educando repita, sempre que possível, à ordem ou conteúdo com suas próprias palavras, isso ajuda na memorização;
  • Regras escritas devem ser dadas de forma separadas com muita fixação;

Mediante esses desafios, educadores deverão estar preparados através de formação continuada, envolvidos com a pesquisa, para facilitar a prática pedagógica diante dessas dificuldades encontradas com frequência no contexto escolar.

Sendo assim, muito importante que profissionais da educação saibam o que de fato causa dificuldades na leitura e na escrita, e reconheçam suas manifestações. Pois com orientação adequada o aluno será bem-sucedido, sem que tenha prejuízos de aprendizagem e emocionais, prosseguindo os estudos junto com os colegas.

2.1.2. O papel da família no desenvolvimento da aprendizagem da criança:

No art. 205 (1998) da Constituição Federal, e a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) 1996, em seu art. 2, afirmam que:

“A educação é dever da família que é determinantemente convocada, a participar do processo de formação escolar, de maneira obrigatória matriculando seu filho em idade escolar na modalidade de ensino fundamental e zelando pela frequência escolar e ajudando a escola no rendimento de educandos com menos rendimento no ensino e aprendizagem”.

No entanto, tanto a família, a sociedade e a escola possuem aspectos socioculturais importantes para o aprendizado das crianças. Porém, quando uma criança apresenta dificuldade de aprendizagem na leitura e na escrita, a família e a escola deverão buscar apoio. Sendo que a família cobra da escola resultados, e a escola culpa os pais, tornando-se a escola um ambiente de frustrações para os educandos.

Segundo Morais (1997, p.183) “as crianças que provém de ambientes letrados têm mais facilidade em aprender a ler e escrever do que crianças provenientes de ambientes não letrados”.

A família precisa estar atenta e informada durante o processo de leitura e escrita, que se interessem pela gramática escolar, quanto a classificação de fonemas, observando o comportamento da criança.

Os pais ou responsáveis têm um papel fundamental na educação linguística, lendo vários tipos textuais como jornal, revistas e livros que incentivam o gosto pela leitura. É necessário para que a criança aumente a sua autoestima, os pais elogiem em suas competências e habilidades, encorajando-as a não desistirem das tarefas consideradas para elas difíceis, reforçando suas qualidades como inteligência e esperteza.

3. Situações Pedagógicas que Visam Fortalecer a Autoestima e o Convívio Escolar

Para alcançar o objetivo proposto é preciso entender como os coordenadores pedagógicos podem colaborar em relação a autoestima dos profissionais de educação  e contagiar na relação com os educandos.

Do ponto de vista de autoestima, o conhecimento de si próprio é essencial para socializar-se e ser feliz. De acordo com Brandem (2000, p.18-19), em seu conceito em relação a autoestima afirma que:

Autoestima é a percepção que a pessoa tem do seu próprio valor [...] O sentimento de valor que acompanha essa percepção que temos de nós próprio, se constitui na nossa autoestima [...] Em termos práticos, a autoestima se revela como a disposição que temos para nos ver como pessoas merecedoras de respeito e capazes de enfrentar os desafios básicos da vida.

Está provado cientificamente, que indivíduos que apresentam uma autoestima elevada encaram os desafios da vida com mais facilidade, superando as dificuldades que surgem em cada percurso, e tendem a superar as adversidades da vida.

Moisés (2004, p.46) afirma a respeito desse assunto:

Se é preocupante a relação entre evasão escolar e a autoestima, mais grave ainda é a relação que ela mantém com o crime e a violência no meio juvenil. Embora tenham sido feitos em contextos socioculturais muito diferentes do nosso, há uma série de pesquisa que ao longo dos tempos vem atestando esse fato.

Sendo de grande importância que os profissionais de educação, com a equipe gestora e comunidade desenvolvam projetos que visem fortalecer não somente a autoestima dos educandos, como também a relação interpessoal e intrapessoal, tornando o ambiente escolar mais harmonioso.

A escola precisa entender que valorizar seus educandos é de suma importância, transformando esses sujeitos em seres pensantes, criativos e produtivos, sendo um papel fundamental de orientador educacional e educadores.

Acredita-se que a escola precisa superar, amenizar ou mesmo erradicar o problema das dificuldades de aprendizagem, preparar através de uma proposta político pedagógica que visa refletir de forma coletiva referente ao planejamento de atividades diferenciadas e individuais, diversificando constantemente em prol da competência e de forma dedicada, investigando várias teorias clássicas e colocá-las em prática, sem negar o contexto familiar, no qual esses educandos estão inseridos. E que todos os envolvidos no processo educativo estejam reiterados, procurando saber se essas dificuldades são momentâneas ou persistem por um tempo determinado.

Essas dificuldades podem apresentar fatores orgânicos ou mesmo fatores emocionais, sendo muito importante que se tenha clareza na distinção de tais eventos: se estão relacionados ao cansaço, preguiça, sono, tristeza ou desordem, considerando esses fatores desmotivadores ao ensino aprendizagem.

Dessa forma, entende-se a importância de resgatar a autoestima dos educandos com a colaboração do orientador educacional nesse processo. É preciso acreditar que alguns professores consigam driblar as adversidades do dia-a-dia dos alunos, como a indisciplina e as péssimas condições de trabalho. Quando o educador possui uma boa autoestima, reforça essa qualidade em seus educandos.

Enfim, esses projetos tendem a contribuir com formação de pequenos grupos em relação às dificuldades de leitura e escrita. Esclarecendo conceitos trabalhados no espaço escolar, proporcionando produções de maneira coletiva, melhorando o sistema de ensino, trabalhar a diversidade cultural, bem como vários tipos e gêneros textuais, incentivar práticas pedagógicas sólidas de forma organizada, trabalhando a interdisciplinaridade e metodologias de projetos que envolvam toda a comunidade escolar.

4. Metodologia

A metodologia utilizada para essa pesquisa foi de cunho bibliográfico, a partir de materiais já existentes de autores renomados na área, com subsídios teóricos bastante significativos para o embasamento da temática apresentada.

Referente ao estudo bibliográfico, Lakatos e Marconi (1999) dizem que “sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferências seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma, quer publicadas ou gravadas”.

Segundo Lakatos e Marconi (1985, p.85);

Ela servirá, como primeiro passo, para se saber em que estado se encontra atualmente o problema, que trabalhos já foram realizados a respeito e quais são as opiniões reinantes sobre o assunto. Como segundo, permitirá que se estabeleça um modelo teórico inicial de referência, da mesma forma que auxiliará na determinação das variáveis e elaboração do plano geral da pesquisa.

Posterior a pesquisa bibliográfica, foi realizada a pesquisa de campo na Escola Estadual Professor João Batista, no qual foram realizadas observações na sala do 4º ano dos anos iniciais e análise através de questionário dirigido a professora regente da sala, dessa Instituição de Ensino.

Para Severino (2007, p.123)

“Na pesquisa de campo, o objeto /fonte é abordado em seu meio ambiente próprio. A coleta dos dados é feita nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente observados, sem intervenção e manuseio por parte do pesquisador. Abrange desde os levantamentos [...], que são mais descritivos, até estudos mais analíticos. ”.

Também, foram utilizados dois instrumentos metodológicos: a observação em sala de aula, e o questionário contendo 4 (quatro) questões fechadas com a professora regente da sala da Escola Estadual Professor João Batista, sob a orientação e apresentação do termo de consentimento.

Esse estudo se apresenta como qualitativo e quantitativo, com fundamentação em estudos bibliográficos, estudo de campo e também por intermédio de questionário direcionado de forma direta a professora regente da sala, de maneira a entender o que dificulta o processo de ensino e aprendizagem ligados à leitura e a escrita da turma do 4º ano, dos anos iniciais dessa determinada escola.

 Esclarece Fonseca (2002, p. 20):

Diferentemente da pesquisa qualitativa, os resultados da pesquisa quantitativa podem ser quantificados. Como as amostras geralmente são grandes e consideradas representativas da população, os resultados são tomados como se constituíssem um retrato real de toda a população alvo da pesquisa. A pesquisa quantitativa se centra na objetividade. Influenciada pelo positivismo, considera que a realidade só pode ser compreendida com base na análise de dados brutos, recolhidos com o auxílio de instrumentos padronizados e neutros. A pesquisa quantitativa recorre à linguagem matemática para descrever as causas de um fenômeno, as relações entre variáveis, etc. A utilização conjunta da pesquisa qualitativa e quantitativa permite recolher mais informações do que se poderia conseguir isoladamente.

É sabido que o estudo qualitativo visa trabalhar com o sentimento e fala dos indivíduos envolvidos no estudo, portanto, buscou-se um contato mais abrangente com a realidade.

De acordo com Goldenberg (1997, p.34):

A pesquisa qualitativa não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim, com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc. Os pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa opõem-se ao pressuposto que defende um modelo único de pesquisa para todas as ciências, já que as ciências sociais têm sua especificidade, o que pressupõe uma metodologia própria. Assim, os pesquisadores qualitativos recusam o modelo positivista aplicado ao estudo da vida social, uma vez que o pesquisador não pode fazer julgamentos nem permitir que seus preconceitos e crenças contaminem a pesquisa.

Diante desses estudos procurou-se entender a temática proposta, para contribuição da melhor e mais ampla compreensão em relação às dificuldades de aprendizagem ligadas à leitura e a escrita, além de vivenciar os aspectos culturais e sociais que comprometem o processo de desenvolvimento do ensino aprendizagem desses alunos.

4.1 Caracterização do local pesquisado

A professora da sala de aula dessa instituição é bem comprometida com o processo de aprendizagem dos alunos, os planejamentos elaborados são baseados na realidade dos educandos, enfatizando os objetivos relacionados à metodologia e conteúdos relacionados. Porém, o principal problema é a falta de acompanhamento da família, que dificulta o desenvolvimento do processo de aprendizagem, sendo que muitos educandos se mostram desanimados e desinteressados.

O PPP (Projeto Político Pedagógico) foi elaborado por toda a comunidade escolar: gestores, coordenadores e educadores; sendo reavaliado e reorientado quando necessário.

4.2.  Coleta de dados

Essa pesquisa teve como instrumento de coleta de dados, um questionário contendo 4 (quatro) questões fechadas, foram feitos observações e discussões informais à professora da sala, permitindo-se opiniões a respeito das dificuldades de aprendizagem ligadas à leitura e a escrita, quanto aos métodos utilizados que possam sanar ou amenizar essas dificuldades de forma a detectar fatores importantes que venham a contribuir para o insucesso do ensino e aprendizagem dos anos iniciais.

Severino (2007, p.125-126) diz que questionário se define como:

Conjunto de questões, sistematicamente articuladas, que se destinam a levantar informações escritas por parte dos sujeitos pesquisados, com vistas a conhecer a opinião dos mesmos sobre os assuntos em estudo. As questões devem ser pertinentes ao objeto e claramente formuladas, de modo a serem bem compreendidas pelos sujeitos. As questões devem ser objetivas, de modo a suscitar respostas igualmente objetivas, evitando provocar dúvidas, ambiguidades e respostas lacônicas. Podem ser questões fechadas ou abertas. No primeiro caso, as respostas serão escolhidas dentre as opções pré-definidas pelo pesquisador; no segundo, o sujeito pode elaborar as respostas, com suas próprias palavras, a partir de sua elaboração pessoal. De modo geral, o questionário deve ser previamente testado (pré-teste), mediante sua aplicação a um grupo pequeno, antes de sua aplicação ao conjunto dos sujeitos a que se destina, o que permite ao pesquisador avaliar e, se for o caso, revisá-lo e ajustá-lo.

Diante do processo de observação, foi possível conhecer melhor o trabalho realizado pela professora regente entrevistada, entretanto, primeiro foi feito a observação, e em seguida, foi aplicado o questionário com questões embasadas com o objetivo de entender a percepção da professora, diante do problema abordado.

5. Resultados e Discussões 

Os resultados que serão apresentados, estão com propósitos direcionados à observação e investigação in locu, com a educadora regente da sala. Durante a pesquisa de campo e com base no exposto, é notório que os educandos escolhidos aleatoriamente apresentam dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita, como interpretação textual, compreensão textual e problema de socialização, desinteresse nas atividades propostas, bem como indisciplina, causando defasagem no processo de ensino e aprendizagem, e comprometendo os estudos posteriores do indivíduo.

Em relação às dificuldades de aprendizagem e também ao tipo específico de dificuldade, a professora regente da sala do 4º ano dos anos iniciais da escola estadual Professor João Batista comenta que: “os educandos apresentam dificuldades na leitura, escrita e no comportamento”.

A falta de comprometimento dos familiares, em relação ao acompanhamento do processo de aprendizagem dificulta ainda mais.

Mediante a esse depoimento pode-se notar que a professora da sala afirma que os educandos apresentam alguma dificuldade na aprendizagem, mais especificamente na leitura e na escrita. Sendo que tais problemas de aprendizado, podem ser originados de fatores sociais, educacionais, individuais ou decorrentes das condições metodológicas, psicológicas e ambiental.

O Quadro 1 demonstra a quantidade de educandos que apresentam dificuldades de aprendizagem ligadas à leitura e a escrita na sala do 4º ano dos anos iniciais da Escola Estadual Professor João Batista. 

Quadro 1 - Análise dos dados relacionados às dificuldades de aprendizagem ligado à leitura e a escrita.

 

06 alunos

 

Apresentaram dificuldades na leitura

 

Compreensão textual

 

Interpretação textual

 

03 alunos

Apresentaram dificuldade na escrita

Produção textual

Produção de vários tipos e gêneros textuais

01

Apresentou “Aversão Escolar”

Dificuldade de socialização

Dificuldade na leitura e na escrita

Total:

10 alunos

Fonte:  Escola Estadual Professor João Batista. 

Mediante os dados obtidos, foi possível compreender que o insucesso escolar e os problemas de aprendizagem refletem em todo o processo do ciclo de formação, causando comprometimento aos estudos subsequentes. Sendo que na maioria das vezes essas dificuldades possam estar relacionadas a fatores determinantes, como: problemas socioambientais referentes à escola, ao olhar do educador ou do educando, de ligação a fatores internos (emocionais e cognitivo), e fatores externos (culturais, sociais e políticos).

De acordo com as respostas obtidas na entrevista com a professora, seis alunos apresentam maiores dificuldades em relação à leitura, como interpretação e compreensão textual.

Se podemos afirmar que é lendo que se aprende a ler e se podemos afirmar que a leitura, consistente e contínua, de bons e variados textos, é capaz de formar o leitor, é capaz de municiá-lo com elementos que favorecem mais e melhor compreensão, penso que é exatamente nos vastos domínios da literatura que pode ser encontrada a chave para a formação do brasileiro-leitor que tanto desejamos ver proliferar em nosso país (Maria, 2009, p. 17).

 Diante da observação, foi constatado também que três alunos possuem mais dificuldades em relação a escrita: como produção textual de vários tipos e gêneros textuais; sendo assim, interessante que o educador ofereça aos educandos textos diversificados, relacionados com a realidade dos alunos, contribuindo para um aprendizado significativo diante das suas práticas sociais.

O desafio é promover a descoberta e a utilização da escrita como instrumento de reflexão sobre o próprio pensamento, como recurso insubstituível para organizar e reorganizar o próprio conhecimento, em vez de manter os alunos na crença de que a escrita é somente um meio para reproduzir passivamente, ou para resumir, mas sem reinterpretar, o pensamento de outros (Lerner, 2002, p. 28-29).

Uma educanda apresentou dificuldade de socialização de forma nítida com os demais colegas, dificultando assim bastante o processo na aprendizagem, tanto na leitura quanto na escrita. [...] Alguma mudança significativa na vida da criança, como mudanças de série, algum trauma ou desapontamento na escola, ausência prolongada da escola motivada por doença, maior exigência acadêmica com aumento da idade e progresso escolar (Bandim, 2005 p. 42).

De acordo com o ensino público no geral “O sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica – SAEB, detectou uma situação dramática nas escolas da rede de ensino de todo o país. Segundo dados de 2011, 59% das crianças da 4ª série, ou seja, com 4 anos de escolarização, ainda eram analfabetas; o que é pior, a tendência detectada foi de uma queda progressiva nos padrões de rendimento escolar.

De acordo com a professora regente da sala, são fatores que se atribuem como: os educandos não aprendem a ler e escrever nos anos iniciais como deveriam, problemas de ordem socioeconômicos, falta de interesse dos alunos, indisciplina, e mais especificamente, problemas de ordem familiar, que comprometem o processo de ensino e aprendizagem escolar.

Considerações Finais 

Diante desse estudo, percebe-se que dificuldades de aprendizagem relacionados à leitura e escrita que os alunos apresentam, atribuem-se a problemas no comportamento de forma estruturais, como a participação da família no processo escolar de aprendizagem, valorização da diversidade cultural no qual esse educando está inserido e condições ambientais e socioeconômicas.

Ao término desse trabalho é importante enfatizar que o processo de ensino e aprendizagem de leitura e escrita possui um papel determinante na vida do educando, sendo preciso formar bons leitores e escritores; um compromisso tanto da escola, família e principalmente dos educadores.

A instituição de ensino deve preservar a natureza complexa, convertendo o ato de leitura e o processo da escrita em objeto de aprendizagem significativa sem descaracterizá-la, abrindo leques de possibilidades nos resultados positivos, contribuindo com a qualidade do processo de ensino e aprendizagem.

Com base nos resultados obtidos, verificou-se que as dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita não são provenientes apenas de fatores externos mas também de fatores internos como: métodos de ensino ineficazes que não propiciam qualidade no ensino e valorização o educando como centro do processo de aprendizagem escolar.

Portanto, cabe à escola rever os conceitos metodológicos na formação de conceitos, visando e definindo estratégias que possam transformar o espaço escolar, de maneira a promover atividades significativas englobando os alunos como um “todo”, a fim de garantir o desenvolvimento da aprendizagem, contribuindo para aquisição de conhecimento, aproximando a escola e a família e comunidade escolar, sendo importante o envolvimento e acompanhamento familiar, como bem educados bem preparados, revendo os métodos de ensino de maneira eficaz para melhorar a estrutura da educação brasileira, buscando amenizar ou erradicar a desigualdade social, promovendo uma educação mais qualitativa e democrática, minimizando ou até mesmo erradicando as desigualdades sociais. 

Sobre os Autores:

Miriam Vitorino - Graduanda em Pedagogia pela Faculdade FAEST, no ano de 2016. 

Orientadora: Silvana Aparecida Pereira -  Professora especialista em Metodologia e Didática do Ensino Superior pela Faculdade FAEST – UNISERRA, no ano de 2014.

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