Atividades Lúdicas que são Realizadas na Escola Amália Pimentel Fora do Horário Acadêmico que Contribuem para a Socialização das Crianças

Atividades Lúdicas que são Realizadas na Escola Amália Pimentel Fora do Horário Acadêmico que Contribuem para a Socialização das Crianças
(Tempo de leitura: 7 - 14 minutos)

Resumo: O brincar é essencial para o desenvolvimento da criança, resulta um meio da criança expressar o contexto no qual ela elabora seus conflitos e demonstra seus sentimentos, desejos e fantasias. E através das brincadeiras a criança aprende a interagir com o outro. Assim, aperfeiçoa suas habilidades e compartilha o que já sabe. Com base nesse pressuposto, o artigo apresentado visa mostrar os resultados do trabalho desenvolvido na Escola Amália Pimentel, na cidade de Franca (SP), com ênfase na contribuição das atividades lúdicas na socialização das crianças. Foi utilizado o método dedutivo, observações, questionários realizados com as crianças e entrevistas com a diretora da escola. De acordo com a pesquisa, pudemos observar a importância das atividades lúdicas realizadas na escola que contribuem na socialização das crianças no ambiente social. Concluímos assim, que o trabalho exercido pela escola é importante para a socialização dos alunos. É realizado de maneira em que as brincadeiras possam realizar maior interação entre eles, com seriedade, compromisso e dedicação por parte da escola.

Palavras-chave: Brincar, criança, escola, socialização.

1. Introdução

A pesquisa teve como tema as atividades lúdicas que são realizadas na escola Amália Pimentel fora do horário acadêmico que contribuem para a socialização das crianças. As atividades lúdicas realizadas na escola contribuem para que crianças pratiquem a cooperação e a responsabilidade, melhorando a socialização das crianças no ambiente escolar e social.

As atividades lúdicas no desenvolvimento humano contribuem em todas as dimensões da criança, o psicossocial, o cognitivo e a física. Sendo a afetividade que dá a abertura para essas dimensões construindo a socialização da criança no meio que está inserida, e é a energia para a progressão psíquica, moral, intelectual e motriz da criança.

É da natureza da criança, o brincar, para isso não precisa colocar regras, nem mandar-lhe brincar. As brincadeiras trazem muitos benefícios para o desenvolvimento infantil, e ela desperta nas crianças o gosto pela vida.

Segundo Cardia (2011, p. 4), “a vontade de aprender leva a criança ao sucesso ou ao fracasso escolar, o jogo pode ser essencial para estimular a vontade de aprender que as crianças vão buscar na escola e que muitas vezes são esquecidas nas salas de aulas, consequentemente levando o aluno ao fracasso na aprendizagem”.

Portanto, o brincar é fundamental na vida da criança, pois estimula a imaginação, a criatividade, exercita a concentração e atenção, aperfeiçoa a psicomotricidade. E o brincar tem a necessidade de se relacionar com o outro, construindo o processo de socialização que se dá através do convívio e da construção de vínculos.

O objetivo desta pesquisa foi observar e conhecer as atividades lúdicas na escola Amália Pimentel fora do horário acadêmico que visam contribuir para socialização das crianças, promovendo bem-estar das crianças dentro do ambiente escolar e social. A pesquisa contribuiu para trocas de aprendizagem, para a formação acadêmica das alunas do quinto semestre noturno do curso de Psicologia da Universidade de Franca, pois saberemos lidar com futuras situações semelhantes.

Além de trazer benefícios para as alunas, a pesquisa se torna interessante para a Escola Amália Pimentel que recebe a equipe pesquisadora, pois estes momentos podem contribuir para socialização/ interação uns com os outros, e auxiliando para pesquisas futuras na Instituição.

2. Desenvolvimento

Na Escola Amália Pimentel, as atividades lúdicas são de extrema importância, pois elas ajudam as crianças se socializarem no ambiente escolar, ajudam a manter a disciplina, fazendo com que elas sabem viver em sociedade.

As brincadeiras contribuem na vida da criança no âmbito escolar, principalmente no horário do intervalo que é um momento de descontração para as crianças, além disso, a socialização entre elas se torna presente durante as atividades lúdicas, pois pode ser que em um primeiro momento elas brinquem sozinhas, mas logo se interessam na brincadeira que o amiguinho está realizando formando uma brincadeira coletiva.

A cooperação e a comunicação se desenvolvem na infância e as brincadeiras em grupo solidificam esses aspectos que a criança leva consigo para o resto da vida e conseguem com isso uma resolução de problemas cotidianos, e no âmbito escolar, principalmente no horário do intervalo que é onde essa socialização geralmente ocorre.

Conforme Papalia (2010, p. 375), “Com seus amigos, a criança aprende a se comunicar e cooperar. Aprendem sobre si mesmas e sobre os outros. Um ajuda o outro a suportar transições estressantes, como o começo em uma nova escola e o divórcio dos pais”.

Essa ajuda dos amiguinhos para as situações complicadas da vida reforçam os laços que as crianças desenvolvem ao longo da vida, daí surgem grande amizades onde há carinho e proximidade com o outro, e pudemos observar isso dentro da escola durante o estágio, as crianças que tinham amizade dentro das salas de aula se ajudavam carinhosamente nas brincadeiras e até mesmo os mais velhos com os mais novos se ajudavam a fim de partilhar carinhosamente seus conhecimentos nas brincadeiras.

Segundo Grassi (2008, p. 33), “brincar é muito importante para criança, portanto, essa atividade não deve ser vista meramente distrativa ou, ainda, como um passa tempo. Muito pelo contrario, é uma atividade que participa da estruturação do sujeito, além de ser um recurso psicopedagógico importante para as práticas educativas”.

Brincar para a criança deve ser algo que preencha a sua vida, possibilitando uma construção que se das relações com o outro, estabelecendo relações de respeito, amizade, vínculos, cujo desenvolvimento é biopsicossocial, e é importante considerar o contexto que ela está inserida, o meio socioeconômico, histórico, político e cultural.

No ato de brincar que a criança experimenta, descobre, inventa, cria, exercita, aperfeiçoa e elabora suas habilidades do seu corpo, e também suas habilidades psicossociais e cognitivas. Sendo assim, brincar é agir, divertir, comunicar, expressar, pensar, elaborar, fantasiar, explorar, construir, comparar, arriscar, satisfazer necessidades e desejos, sentir, ser e viver.

A realização de uma brincadeira possibilita a criança à compreensão de regras de convivência, o treino de suas habilidades e capacidades de ganhar e perder, o respeito sobre as diferenças, aprende a defender seus direitos, proporcionar o ato de pensar, estabelece contatos sociais, aprende novos conhecimentos, desenvolve a criatividade, satisfaz desejos e aprende a conviver em grupo e poder absorver para sua vida valores culturais e sociais. E principalmente possibilita a criança o desenvolvimento da solidariedade e da socialização.

Na instituição foram utilizadas brincadeiras lúdicas que promoveram a integração das crianças, e nas diversas formas que contribuem para o processo de socialização. Sendo assim, a utilização de brincadeiras lúdicas contribui bastante para a socialização das crianças e em vários aspectos do desenvolvimento infantil, como na aprendizagem, coordenação motora e a cognição.

A pesquisa nos mostrou que é possível, interagirmos com a instituição e dessa forma contribuir para o aprimoramento e crescimento de indivíduos, além de ampliarmos nossa visão de mundo.

3. Metodologia

O método utilizado nesta pesquisa foi o método dedutivo no qual através da observação buscamos identificar a contribuição das atividades lúdicas realizadas na Escola Amália Pimentel fora do horário acadêmico para a socialização das crianças.

Segundo Lakatos e Marconi (2011, p.256 e 257), “o método dedutivo é o raciocínio que parte do geral para chegar ao particular, ou seja, do universal ao singular, isto é, para tirar uma verdade particular de uma geral”.

Nesta pesquisa também se utilizou de Pesquisa Bibliográfica para fazer um levantamento bibliográfico do tema e Pesquisa de Campo para fazer a observação e a coleta de dados num campo especifico, que se realizou na Escola Amália Pimentel. Nessa pesquisa foi elaborada uma entrevista para a diretora da escola e um questionário com nove questões aplicado e respondido para 25 crianças.

4. Resultados e Discussão

A análise foi realizada após a coleta dos dados para verificação das hipóteses levantadas. Durante a pesquisa foi realizada entrevista com a diretora da escola e questionários com crianças.

Percebe-se através da entrevista realizada com a diretora da escola que ela se sente muito satisfeita com os resultados obtidos através da socialização desenvolvida pela escola. Ela relata a importância da socialização na vida da criança, nos vínculos que ela estabelece para uma melhor integração no ambiente social, não só no contexto escolar que é importante. Portanto, a socialização é fundamental no ambiente escolar e social para um melhor desenvolvimento, não só físico, mas também mental, que a brincadeira proporciona na vida infantil.

O questionário foi aplicado em 25 alunos aleatórios e pôde-se observar que 48% dos alunos têm idade de 7 anos, 24% possuem idade de 8 anos, 16% têm idade de 9 anos, 4% têm idade de 10 anos e 8% com idade de 11 anos. Observou-se que as brincadeiras realizadas por nós totalizaram que 60% dos entrevistados acharam as brincadeiras ótimas, 36% acharam boas e 4% acharam regulares. Verificou-se que 36% consideram ótimo brincar com outras crianças de idades diferentes, 52% responderam que é bom brincar com outras crianças de idades diferentes e 12% consideram ruim brincar com outras crianças com idades. Permitiu observar que ter brincadeiras novas na escola é considerado ótimo para 56% e cerca de 44% consideram bom ter brincadeiras novas na escola. Observamos que todos os alunos que aplicamos os questionários participaram e escolheram uma brincadeira que mais gostou. Em relação às brincadeiras oferecidas percebemos que 24% gostaram da brincadeira de elástico, 8% gostaram da brincadeira de corre cotia, 20% gostaram da brincadeira de uno, 16% gostaram da brincadeira de dama, 4% gostaram da brincadeira de passarinho sai da toca, 4% gostaram  da  brincadeira  de  quebra-cabeça,  4%  gostaram  da  brincadeira  de  batata-quente, 4% gostaram da brincadeira de dança da cadeira, 8% gostaram da brincadeira de estátua e 8% gostaram da brincadeira de fazer pompom.

Verificou-se que 64% responderam que brincou em todas as brincadeiras sim, pois acharam as brincadeiras divertidas e quiseram participar de todas; 36% responderam que não brincaram em todas, pois não gostaram de algumas brincadeiras, por falta de tempo e por não estarem na escola. Dos entrevistados 100% responderam que fizeram novas amizades durante as brincadeiras e é bom ter amigos novos com meninas e meninos. Constatou-se que 44% dos entrevistados relatam que é ótimo o seu relacionamento com outras crianças nas brincadeiras, 40% consideram bom o seu relacionamento com outras crianças nas brincadeiras, 12% consideram regular o seu relacionamento com outras crianças e 4% acharam ruim seu relacionamento com outras crianças durante as brincadeiras.

Dos entrevistados 100% responderam que se sentem felizes quando um amigo ajuda nas brincadeiras que não consegue realizar, a as explicações foram que fizeram novas amizades, se sentiram acolhidos por quem ajuda, gostaram de receber ajuda, acham legal ser ajudado pelas pessoas, se sente felizes em receber ajuda de amiguinhos e ensinam a fazer certo. Dos entrevistados 4% responderam que preferem brincar sozinho (a), sem ninguém para atrapalhar, 8% gostam de brincar com apenas um amigo (a) e 88% gostam de brincar com vários amigos, acreditam que a brincadeira torna se mais divertida e engraçada.

Sendo assim, constatou-se através dos resultados obtidos da entrevista e dos questionários, que as atividades lúdicas realizadas na escola contribuem intensamente na socialização das crianças dentro e fora da escola, valorizando as potencialidades de cada uma e ajudando-as a elaborar o conceito de respeito, cooperação e solidariedade. E a escola proporciona um ambiente em que todos os alunos se socializam entre diferentes idades e a brincam com outros amigos.

5. Conclusão

Conclui-se que o trabalho exercido pela escola é importante para a socialização dos alunos. É realizado de maneira em que as brincadeiras realizadas proporcionam maior interação entre eles, com seriedade, compromisso e dedicação por parte da escola.

Os resultados obtidos na pesquisa superam as expectativas e se amplia cada dia mais, tanto no envolvimento dos alunos, quanto a importância das brincadeiras para a socialização delas no contexto escolar e social. Um fator de destaque foi à interação de todos os alunos nas brincadeiras, cujo objetivo central é a importância da socialização em que a brincadeira proporciona. Outro ponto a ser considerado é a grande adesão dos alunos nas brincadeiras oferecidas, possibilitando a formação de vínculos entre eles e visando à socialização.

Para nós alunas, foi gratificante podermos comprovar a contribuição das atividades lúdicas trabalhadas na escola para a socialização das crianças. E os momentos que tivemos o privilégio de estar na escola, foram prazerosos, interessantes e de grande aprendizado. Foi uma experiência enriquecedora. A partir da realização e participação nesse trabalho pudemos aprimorar mais nossos conhecimentos e temos certeza que serão muito valiosos em nossa prática.

Sendo assim, fica evidente a importância das atividades lúdicas na socialização das crianças. Esse trabalho foi desenvolvido com o respeito e ajuda mútua de todos, mostrando a importância desse trabalho e o valor transmitido a eles.

Sobre os Autores:

Amanda Carvalho Ferracini - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca (SP), cursando o 6º semestre N da disciplina de Laboratório de Integração Teoria-Prática II.

Ana Carolina Pereira - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca (SP), cursando o 6º semestre N da disciplina de Laboratório de Integração Teoria-Prática II.

Gabriela Bueno De Jesus - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca (SP), cursando o 6º semestre N da disciplina de Laboratório de Integração Teoria-Prática II.

Henriete Valéria Bonamim Honorio - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca (SP), cursando o 6º semestre N da disciplina de Laboratório de Integração Teoria-Prática II.

Laura Aparecida De Oliveira Carrijo - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca (SP), cursando o 6º semestre N da disciplina de Laboratório de Integração Teoria-Prática II.

Sarah Aparecida Oliveira Rodrigues - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca (SP), cursando o 6º semestre N da disciplina de Laboratório de Integração Teoria-Prática II.

Sary Adeli Ribeiro Soares - Aluna do Curso de Psicologia da Universidade de Franca (SP), cursando o 6º semestre N da disciplina de Laboratório de Integração Teoria-Prática II.

Ana Paula Barbosa - Professora Orientadora do Projeto, Docente da Universidade de Franca, Especialista em Didática, Mestre em Educação pela Universidade Federal de São Carlos, Doutora em Serviço Social pela UNESP de Franca (SP).

Referências:

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