Bullying: uma expressão da questão social

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Resumo: O bullying se caracteriza como comportamentos violentos, repetitivos e intencionais que estabelecem numa relação desigual de poder, no qual pode ocorrer tanto por meninos quanto por meninas. Os praticantes de bullying geralmente voltam-se contra a sua vítima com o intuito de constrangê-las e ridicularizá-las, e é no contexto escolar que essa prática vem tomando grandes proporções. Ao ser denominado como uma forma de violência, tal fenômeno é considerado como expressão da questão social e, portanto, objeto de estudo do Assistente Social. Neste sentido, o presente estudo buscou refletir sobre o papel do profissional de Serviço Social frente ao bullying escolar. O método de pesquisa utilizada foi a revisão integrativa com bases em artigos encontrados no SCIELO e Google acadêmico. Assim, constatou-se que o assistente social é de suma relevância e imprescindível na composição da equipe multidisciplinar dentro do âmbito educacional, pois além de dar suporte à instituição, também trabalha com a família dos referidos alunos; desse modo, o profissional intervém na análise de todo o contexto no qual a criança coabita, prestando informações e sensibilizando sobre as consequências do bullying, fazendo encaminhamentos a outras políticas públicas. Enfim, o assistente social trabalha em parceria com outros órgãos para garantir a efetivação dos direitos das crianças e dos adolescentes para que estes não sejam violados.

Palavras-chave: Bullying, Questão Social, Assistente Social, Criança.

1. Introdução

O Bullying é uma palavra de origem inglesa, que se caracteriza por comportamentos violentos, tanto de meninas como de meninos. Tais atitudes agressivas são de caráter intencional e repetitivo que acarretam danos físicos e psíquicos às vítimas, além de estabelecer uma desigualdade de forças entre o agressor e sua vítima, podendo trazer sérias consequências tanto no rendimento escolar como no futuro.

O presente trabalho traz uma melhor compreensão de como o bullying se desenvolve na sociedade contemporânea, pois esse fenômeno vem crescendo gradativamente na atualidade, tomando-se assim grandes proporções.  Nesse sentido, se deu a análise contextual de como o Bullying se manifesta no contexto atual.

Para que se entenda como aparece o Bullying na Escola, houve-se a necessidade de compreender o aluno em si, e assim, foram realizados vários questionamentos para que se realizasse a pesquisa. Dentre eles, qual o papel do Assistente Social diante do bullying escolar?

O Bullying, ao se caracterizar como violência, pode ser compreendido como questão social, sendo que a mesma é uma expressão das manifestações da questão social, onde ela é objeto de intervenção do profissional de serviço social. Partindo desse pressuposto, podemos analisar que o tema é de suma importância para que se possa entender melhor como se dá a atuação do Assistente Social nesse contexto que é a política de educação.

Além disso, a pesquisa é de extrema relevância para que se tenha uma melhor compreensão de como se manifesta o Bullying nas escolas e como os profissionais na área educacional se posicionam diante de tal problemática, para que assim possam desenvolver propostas interventivas a fim de erradicar e prevenir esse fenômeno tão presente nos dias atuais. Voltar-se também para o aluno, analisando o contexto no qual o mesmo está inserido, desde a família, escola a comunidade como um todo, para que se possa ter uma melhor compreensão da realidade vivida por eles, para assim aplicar intervenções, pois é necessário considerar o âmbito o qual a criança ou adolescente coabita.

Neste sentido, analisou-se como se dá o papel do assistente social diante do Bullying escolar.  Foi verificado como o bullying vem se desenvolvendo a partir da realidade a qual a criança ou adolescente está inserida, identificando as possíveis causas que levam as crianças ou adolescentes a se tornarem autores de bullying e suas consequências; e, por fim, houve a necessidade de analisar as ações tomadas pelos assistentes sociais, juntamente com a instituição escolar para minimizar o fenômeno.

2. Referencial Teórico

O bullying é considerado um fato que já vem perpetuando há algumas décadas, e apresenta como característica o desenvolvimento de atos agressivos em relação à sua presa, no qual é intencional, e tem o objetivo de ridicularizar sua vítima, deixando a mesma com algumas sequelas que lhe acompanharão ou não durante toda sua vida.

Tal fenômeno é tão antigo quanto à própria instituição denominada escola. No entanto, o tema só passou a ser objeto de estudo científico no início dos anos 70. Tudo começou na Suécia, onde grande parte da sociedade demonstrou preocupação com a violência entre estudantes e suas consequências no âmbito escolar (SILVA, 2010, p. 111).

Apesar da manifestação do bullying vir se alastrando pelo mundo de forma velada, foi na década de 1970 que essa temática passou a ser objeto de preocupação para a sociedade devido aos grandes problemas gerados. E foi a partir dessa linha de pensamento que o Norueguês Dan Olweus começou a desenvolver estudos sobre o tema para a sociedade, a qual se mostrava preocupada com as consequências que tal fenômeno vinha a despertar em relação tanto às vitimas como aos agressores, além de sua propagação nos outros países.

O bullying é um ato que independe de escolas, seja ela pública ou privada, nem muito menos escolhe classe social, econômica ou religiosa, ou seja, toda a sociedade em geral está propícia a presenciar ou até mesma sofrer perante tal fenômeno. Para sua execução o mesmo precisa somente que haja um local ou meio de socialização para que possa se desenvolver.

Alguns pesquisadores consideram serem necessários no mínimo três ataques contra a mesma vítima durante o ano para sua classificação como bullying  (FANTE, 2011, p. 28). Partindo desse pressuposto, para se caracterizar tal fenômeno basta que este seja direcionado a uma mesma pessoa num período de um ano para que o mesmo seja considerado como Bullying.

São várias as formas de Bullying, dentre elas destacam-se a verbal, a física e material, a psicologia, a sexual e a virtual, também chamada de Cyberbullying, que vem ganhando proporções enormes devido às redes de comunicações e tecnologias, além do anonimato.  Teixeira (2013) aponta duas formas as quais o bullying vem se destacando, sendo direto e indireto. O primeiro está relacionado a atos de violência, marcada pelas formas físicas, como agressões e verbais envolvendo ameaças até apelidos pejorativos, sendo praticado em especial por meninos. Já o segundo, o bullying se manifesta camuflado, onde o bullie acomete sobre suas vítimas de forma oculta o que é mais comum entre o sexo feminino e, portanto leva a exclusão social.

O Fenômeno bullying no Brasil, de acordo com Fante (2011), é adotado pelo termo bully que se refere a tirano, valentão. Embora o bullying já estivesse perpetuando no mundo todo desde 1970, porém, no Brasil, só começou a se ter conhecimento de tal fenômeno a partir dos estudos de1997, quando Marta Canfield começou a desenvolver estudos direcionados às formas de comportamento de algumas crianças de escolas públicas do Rio Grande do Sul, frente a tal fato.

O Serviço Social tem, desde sua gênese, a marca da questão social. Por meio desse processo, caracterizado pelo conjunto de expressões das desigualdades sociais, é que foram introduzidos os problemas sociais, em um determinado contexto histórico, e estes permanecem até hoje. É partindo desses pressupostos que questão social assume grande relevância para a atuação do assistente social, já que este profissional intervém na questão social e nas suas diversas manifestações.

Nesse sentido, a questão social se caracteriza como um objeto de intervenção do assistente social, ou seja, é a matéria-prima de atuação para o exercício do seu trabalho, sendo também abrangida como uma especialização do trabalho do Serviço social. É nesse contexto que a Iamamoto (2010) faz uma ressalva no que se diz a relevância da questão social para o assistente social:

O objeto de trabalho é a questão social. É ela, em suas múltiplas expressões, que provoca a necessidade da ação profissional junto à criança e ao adolescente, ao idoso, a situação de violência contra a mulher, à luta pela terra etc. Essas expressões da questão social são a matéria-prima ou objeto de do trabalho profissional (IAMAMOTO, 2010, p. 62).

A violência, em geral, é uma expressão da questão social. Partindo disso, é que não se pode falar em violência sem mencionar o fenômeno tão presente na contemporaneidade como o bullying e, em particular, o escolar, onde se percebe a carência de um profissional de serviço social, para atuar, junto à equipe pedagógica, no combate, prevenção e redução deste problema social.

Ao exercer seu trabalho, o assistente social deve se caracterizar não apenas como um profissional que executa, mas também como aquele que propõe alternativas viáveis para dar resposta e soluções a determinada demanda que se apresenta no seu contexto de trabalho. Diante disso, Guimarães (2005) ressalta que o assistente social deve ser cada vez mais empoderado para que possa desvendar os desafios que a realidade os impõe, não sendo apenas aquele profissional executivo, mas também propositor, fazendo que ele envolva e compreenda não só a questão social, mas também suas variáveis expressões.

O assistente social, no contexto escolar, tem como objetivo desenvolver uma ampliação da garantia dos direitos, onde se papel será exercido juntamente com a equipe pedagógica, tendo em vista papéis diferenciados que, para Chaves; Carvalho e Cunha (2013), o papel do assistente social dentro da escola está pautado em garantir o exercício da cidadania, perante as questões que afligem o meio escolar, como a violência e em especial o bullying.

Assim, o profissional de Serviço Social, juntamente com a equipe multidisciplinar, desenvolverá seu trabalho no sentido de orientar a família, quanto às causas e consequências do bullying, de modo que o mesmo não trabalha só com as crianças e adolescentes, pois, para que se tenha um melhor desempenho de sua atuação, o assistente social deve trabalhar todo o contexto o qual a criança está inserida, pois é na família que o profissional trabalha diretamente. E desse modo, cada profissional na sua área de atuação, e com suas interpretações, pode chegar a uma proposta de minimizar a incidência da violência escolar.

3. Metodologia

O desenvolvimento do presente trabalho se deu por meio de pesquisa bibliográfica integrativa que, segundo Souza; Silva e Carvalho (2010), está relacionada a uma revisão a qual engloba estudos experimentais e não experimentais, juntamente com coleta de dados e aprofundamentos teóricos e empíricos, onde, através da mesma, pode se ter o melhor entendimento sobre determinado fenômeno que está sendo estudado.

Além disso, outros meios foram utilizados para realização do devido trabalho, como artigos científicos buscados em Google acadêmico e SCIELO, com as seguintes palavras chaves: bullying, violência escolar, bullying e serviço social. Tomando por critérios de inclusão, utilizaram-se por base as pesquisas entre os anos 2009 a 2014.

Já no que se diz a métodos por exclusão, optou-se por não utilizar artigos muito antigos e nem textos que estivessem incompletos. Assim foram utilizados oito artigos para que possa desenvolver tal revisão integrativa, sendo cinco pesquisas de cunho bibliográfico e três de campo.

4. Análise de Discussão dos Resultados

Para uma melhor compreensão do trabalho em questão, foram utilizados alguns artigos que norteiam a revisão integrativa a qual foi mencionada na metodologia, e para elucidar melhor, baixo estão listados oito trabalhos que serviram como embasamento para a temática em pauta, buscando apresenta, respectivamente, título, autor, tipo de estudo, ano, local e instituição.

Quadro: distribuição dos artigos que se seguem sobre a temática, bullyinguma expressão da questão social

TÍTULO

AUTOR

TIPO DE ESTUDO

ANO/ LOCAL

INSTITUIÇÃO

Prevalência e características de escolares vítimas de bullying

MOURA, Danilo Rolim de; CRUZ, Ana Catarina Nova e QUEVEDO, Luciana de Ávila

Pesquisa de Campo

2011; Rio de Janeiro.

Jornal Pediatra

Bullying: discussão sobre atitudes escolares

MILAN, Cléia Garcia da Cruz.

Pesquisa de cunho Bibliográfica

2009; Maringá

CELLI – Colóquio de Estudos Linguísticos e Literários.

A compreensão sistêmica do bullying

SCHULTZ, NaianeCarvalho Wendt et al

Pesquisa de Campo

2012; Maringá

Psicol. em estudo

BULLYING: novo desafio para as escolas

SOUSA et al

Pesquisa de Campo e Bibliográfica

 

2011; Maranhão

V Jornada Internacional de Políticas Públicas

Bullying ou Brincadeira?

MOREIRA, Dirceu

Pesquisa Bibliográfica

 

2012; São Paulo

Revista Linha Direta

Características da violência escolar no Brasil: revisão sistemática de estudos quantitativos.

NESELLO, Francine et al.

Pesquisa Bibliográfica

2014; Recife

Rev. Bras. Saúde Mater. Infantil

BULLYING ESCOLAR, QUESTÃO SOCIAL E SERVIÇO SOCIAL: alguns

apontamentos para o debate

Karina Coelho CHAVES;

Valéria Carmen Mazzoni Souza de CARVALHO e

Sther Mendes CUNHA

Pesquisa Bibliográfica

2013; Belo Horizonte

III Simpósio Mineiro De Assistentes Sociais

A Prática do Bullying nas Escolas de Barra do Garças

Josiane Ribeiro de PAULO;

Leory William Macedo VITÓRIA

Pesquisa de campo

2013; Mato Grosso

Interdisciplinar: Revista Eletrônica da Univar

Fonte: ARAÚJO (2014)

Os artigos acima que serviram de embasamento estão divididos em três artigos de pesquisa de campo, e cinco de cunho bibliográfico, sendo eles encontrados no SCIELO e Google acadêmico. Logo abaixo, serão apresentadas as seguintes categorias como: Família, como base para a construção da cidadania; Escola, como instância de promoção a paz; Bullying e suas implicações: causas e consequências e, por fim, Sociedade civil, um caminho para prevenção e combate ao bullying.

4.1 Família: base para a construção da cidadania

De acordo com Schultz et al (2012), as crianças ou adolescentes que lidam com tal fenômeno estão atrelados às suas características tanto individuais como em relação aos meios as quais coabitam, principalmente na família, podendo ou não superar os traumas tolerados durante sua vida escolar.

Para Nesello et al (2014), fatores particulares de inter-relação, constituídos por comunitários e sociais, agem em conjunto para a manifestação das agressões em distintos espaços de sociabilidade. Assim, de acordo com a violência que é sofrida dentro do seio familiar, este, portanto, irá expressá-la em outros ambientes, como a escola.

Tomando como bases os autores citados, ambos ressaltam a influência que é exercida sobre a criança no âmbito familiar, e que, além de suas características particulares, estes irão refletir tudo o que foi vivenciado em casa, seja comportamentos positivos ou negativos, para outras instâncias de socialização como a escola.

Assim, a família em conjunto com a instituição escolar têm objetivos de munir conhecimentos para assegurar que os direitos das crianças e adolescente sejam resguardados, de modo que se possa exercer seu direito quanto cidadão na sociedade, porém tanto a família quanto a escola precisam estar ligadas e voltadas para as diversas consequências que o bullying pode vir ocasionar e, para isso, é necessário que os pais comecem a procurar entender os principais sintomas que o indivíduo apresenta, além de estabelecer um diálogo aberto entre seus filhos, pois, através dele, é que se pode chegar a um entendimento e, assim, procurar medidas cabíveis para combater, e não permitir que tal fenômeno venha a interferir na vida da criança, seja agora ou até mesmo no futuro.

4.2 Escola: instância de promoção da paz

A escola se apresenta como instituição de formação de indivíduos e que, depois da família, é considerada como o segundo espaço de sociabilidade entre as crianças. Segundo Paulo e Vitória (2013), a escola é de suma importância na vida de crianças e adolescentes, não somente pela forma de como é repassada a transferência dos conhecimentos, mas pelo fato que é mediante a ela que a sociedade se transforma, através da educação.

Com base nisso, é relevante destacar a escola como aparato que não somente prepara o individuo para o mercado de trabalho, mas também um espaço de sociabilidade a qual tem por objetivo incentivar a valores fundamentais como a solidariedade e tolerância, além da educação que são bases para um futuro melhor.

Segundo Chaves; Carvalho e Cunha (2013), algumas questões devem ser levadas em consideração para que não haja uma banalização do bullying dentro do contexto escolar, no qual são utilizados termos comuns como, por exemplo, em dizer que tudo que acontece dentro da escola é bullying. Portanto, é importante que não se tenha essa naturalização desse fenômeno, deixando, dessa forma, como se ele fosse normal e sem saída.

Diante disso, é necessário que os profissionais da educação precisem estar capacitados para lidar com tais situações, para que assim evite-se achar que tais fatos sejam algo decorrente da idade e, portanto, naturalizá-los como “brincadeiras da idade” como alguns ressaltam, onde na verdade vão muito além disso.  

Ainda sobre os autores mencionados acima, ambos destacam que tal fenômeno, ao tempo que se põe frente à sociedade como demanda do Assistente Social, por sua vez, se manifesta como objeto da questão social e, desse modo, como realidade de intervenção do profissional de serviço social onde tal violência desenvolvida no âmbito escolar nada mais é do que a reprodução da realidade vivida, trazendo para dentro da instituição chamada escola.

Dessa forma, Chaves; Carvalho e Cunha (2013) colocam em questão a atuação do assistente social no subsídio à prevenção e erradicação do bullying escolar, onde o mesmo vai atuar pautado no ECA e com propostas de programas que tragam  informações acerca de tal problemática, além de estabelecer diálogos entre todos os envolvidos.

4.3 Bullying e suas implicações: Causas e consequências

São diversas as causas e consequências que o bullying pode vir a ocasionar, porém as implicações vão depender de como cada indivíduo irá lidar com determinada situação. Assim os autores Schultz et al (2012) destacam a importância de analisar a multiplicidade de fatores onde está inserido o indivíduo, pois a mudança em uma parte do sistema, afeta todo o meio social, é a chamada causa-efeito.

Segundo Paulo e Vitória (2013), a valorização do individualismo, nos tempos atuais, segue como campo favorável para o que o bullying se desenvolva. O exercício da violência escolar no dia-a-dia torna-se cada vez mais resultantes de casos como violência física e psicológica, traumatizando os educandos os quais permeiam até a vida adulta.

De acordo com os autores acima, o espaço familiar vem contribuindo para tais atitudes de seus filhos, onde os pais se tornam cada vez mais permissivos, tornando assim os filhos egocêntricos e inconsequentes, o que favorece para as atitudes de bullying. Diante disso, os autores ressaltam os três tipos de ambientes que favorecem a incidência de condutas negativas, como pais permissivos, superprotetores e passivos.

  • Ambiente dominador: está relacionado a espaços nos quais os pais exercem sua rigidez sobre seus filhos, tornando-os assim em alguns casos agressivos ou até mesmo inseguros e com medo.
  • Ambiente superprotetor: diz respeito onde a família resguarda demais seus filhos, o que gera a falta de autoconfiança dos mesmos.
  • Ambiente passivo: caracteriza-se por pais que são indiferentes com os filhos o que, muitas vezes, se distingue como rejeição além da omissão por parte dos responsáveis.

Ambientes onde a superproteção circunda caracterizam-se como um campo propício para as práticas de bullying, onde os pais não deixam que seus filhos passem por frustrações, e quando tal fato vem a acontecer, o indivíduo não consegue lidar com determinada situação, o que gera problemas na vida social. No que se diz respeito a pais passivos, estão relacionados a atitudes indiferentes dos mesmos, onde eles são muitas vezes omissos.

São inúmeras as consequências que o fenômeno pode acarretar à vítima, indo desde a problemas de caráter psíquicos a mudanças de comportamentos. Para Moreira (2012, p 61), “as consequências do bullying vão desde uma contrariedade, chateação, desmotivação, culpa, incompetência (baixa produtividade intelectual), tristeza, estresse, doenças somáticas (como depressão) até mesmo chamado bulicídio.” Este último, que é o suicido, é uma das consequências mais severas que o bullying pode levar.

As vítimas, em sua maioria, manifestam dificuldades em se relacionar com outras pessoas, pois estão envolvidas pelo sentimento de insegurança consigo mesma e demais indivíduos que os cercam, gerando assim muitas vezes sentimento de revolta, o que leva a problemas psíquicos que vão desde os transtornos de personalidade até o suicídio.

4.4 Sociedade civil: um caminho para prevenção e combate ao bullying

A sociedade está relacionada com o apanhado de pessoas que vivem em grupos as quais almejam desejos e característica diferentes umas das outras, no sentido de possuírem pensamentos distintos e assim acabam por não respeitar as opiniões de ambas, gerando, portanto, conflitos entre si, e é partindo disso que o bullying vem a se destacar na sociedade, onde o novo e diferente não é bem visto para uns, o que acabam por levar a constantes ações desrespeitosas.

De acordo com Paulo e Vitória (2013), ambos ressaltam que é obrigação da sociedade impedir práticas de bullying nas escolas ou em locais onde há uma interação social. Pois tais práticas só ocorrem quando se tem omissão dos que as presenciam e desse modo a sociedade, ao se posicionar, alcançará o sucesso na eliminação do bullying.

Dessa forma, é importante ressaltar que a sociedade, em geral, não pode fechar os olhos para tal fenômeno o qual vem tomando proporções cada vez maiores e sim procurar ou criar politicas públicas que possam estar voltadas para erradicar o bullying e suas implicações.

5. Considerações Finais

O bullying é uma problemática que vem se desenvolvendo cada vez mais na atualidade, mas é na instituição escolar que tal fato adquire grandes dimensões. Neste sentindo, o bullying se caracteriza como uma violência, que por sua vez é uma das variadas expressões da questão social e desse modo matéria prima do assistente social, sendo imprescindível analisar qual o papel desse profissional dentro do âmbito escolar para traçar ações voltadas para a prevenção e combate de tal problemática.

A família desenvolve um papel fundamental na construção da personalidade do individuo, pois sua relação interna influência diretamente nas ações tomadas pelas crianças e adolescentes no meio externo. Assim, nota-se que o ambiente familiar, a qual a criança está inserida, contribui bastante para sua conduta frente ao bullying.

No que se diz respeito às causas do fenômeno, fica claro que família desajustada, onde há constantes agressões dentro de casa, como a violência doméstica ou mesmo a falta de limites impostos pelos pais aos filhos quando pequenos, além da superproteção a qual as crianças são tidas, influencia diretamente para que os filhos possuam condutas que favoreçam as práticas de bullying, refletindo na entidade escolar tudo aquilo que o mesmo vivenciou em casa.

A escola, como espaço de socialização entre os indivíduos, muitas vezes não está apta para atender determinadas demandas as quais chegam a ela, e desse modo se torna falha quando se diz respeito a atos de bullying e outros comportamentos. Assim, é necessário que a instituição saiba estabelecer comparativos para distinção do bullying com relação a outras violências escolares. E é partindo disso, que algumas propostas devem ser colocadas em práticas dentro da escola, como a valorização da solidariedade e tolerância para que tais valores sejam trabalhados em sala de aula.

Assim, é preciso que os profissionais que compõem a instituição escolar estejam capacitados para saber lidar com diversas problemáticas. Deve-se trabalhar não só com os professores, mas com todos os que compõem a entidade, pois somente assim poderá se chegar à identificação de comportamentos violentos como o bullying. Neste sentido, o assistente social, ao compor a equipe multidisciplinar, tem por sua vez o papel de atuar diretamente com propostas e projetos que visem à prevenção e combate ao bullying, fortalecendo desse modo a parceria entre família e escola, pois ambas são fundamentais para combater e identificar os atos violentos.

Com isso, o Assistente Social deve estar direcionado a um profissional que não somente executa, mas também propositor que, ao identificar as incidências do bullying escolar, atue conjuntamente com a instituição e com a família, já que a mesma é de suma relevância para que se possa entender as particularidades de cada contexto social a qual as crianças estão inseridas, e desse modo, o serviço social na educação desenvolve seu trabalho, dando suporte não somente à escola, mas também à família, sensibilizando-as das reais consequências que o fenômeno pode vir ocasionar, além de fazer possíveis encaminhamentos a outras políticas pública, para que assim se tenha um maior êxito nas propostas de combate e minimização do bullying.

Desse modo, considera-se que é imprescindível a inserção do assistente social dentro do âmbito escolar, agindo nas mais variadas manifestações da questão social, rompendo, desse modo, com uma visão acrítica e neutra, e embasando-se no seu projeto ético- político que rompe com o conservadorismo, dando ênfase às suas dimensões ético-política, teórico-metodológico e técnico-operativos, as quais são de suma importância no exercício de seu trabalho. E assim, apontando a escola como espaço democrático e também de socialização de indivíduos e conhecimentos, o assistente social contribuirá para a garantia e efetivação dos indivíduos como sendo sujeitos de direitos e para que estes não sejam violados.

Sobre o Autor:

Anne Heracléia de B. e Silva - psicóloga formada na FACIME/UESPI; Especialista em Psicologia da Educação pela UFPI; Mestre em Gestão Pública pela FEAD; Atua como docente na CHRISFAPI; Psicóloga escolar do Educandário Christus

Laiane de Sousa Araújo - é formada em Serviço Social pela CHRISFAPI.

Referências:

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