Crianças com Altas Habilidades/Superdotação e a Relação com Comportamentos Agressivos na Escola

Resumo: O presente artigo busca identificar se o comportamento agressivo na escola está presente em crianças com altas habilidades/superdotação. Através de uma revisão bibliográfica buscou-se levantar dados que auxiliassem nesta investigação, pois entende-se que comportamento agressivo, se presente em crianças com altas habilidades/superdotação podem confundir, prejudicar e levar essas crianças a um caos, onde não haja a constatação de seu potencial, sendo avaliadas somente por seu comportamento. Inicialmente procurou-se conceituar e identificar crianças com altas habilidades/superdotação e na sequência descrever o que é comportamento agressivo na escola.  A pesquisa partiu de uma busca realizada em artigos científicos, que discorressem sobre comportamentos agressivos na escola e posteriormente crianças com altas habilidades e superdotação, onde se pudesse verificar a relação existente e ter-se o entendimento através destes estudos já realizados. Foram utilizados 7 (sete) artigos científicos, aqui revisados e uma obra. Percebe-se nos estudos sobre AH/SD, que o comportamento agressivo se faz presente por diferentes motivos como falta de afeto (família e escola), desconhecimento do professor sobre AH/SD, a falta de reconhecimento das potencialidades destes alunos, os direcionam para a violência os tornando agressores. Está claro que os professores e família têm papel fundamental no processo escolar e que novos estudos se fazem necessários para aprofundar os conhecimentos deste tema.

Palavras-chave: Altas Habilidades/Superdotação, Comportamento Agressivo, Potencialidades.

1. Introdução

O presente estudo levanta a problemática através da seguinte indagação: comportamentos agressivos na escola estão presentes em crianças com altas habilidades/superdotação? O artigo descreve inicialmente conceitos e tipos de pessoas com altas habilidades/superdotação, no item seguinte faz-se a descrição de comportamento agressivo na escola, na sequência realizou-se a revisão bibliográfica e por fim as considerações finais.

As crianças com altas habilidades/superdotação já são rotuladas na escola como sabichões, inteligentes, diferentes, mas são crianças que precisam viver a sua-infância e querem ser compreendidas nas suas potencialidades. Precisam de afeto e compreensão, tanto na escola como na sua família.

Segundo Train (1997) e Gaiarsa (1993), a agressividade é parte integrante do desenvolvimento de uma criança desde o seu nascimento. Essa agressividade vai se modificando qualitativamente à medida que a criança cresce e passa a manifestar-se para suprir as necessidades físicas da criança e surge então como defesa, quando esta se sente ameaçada.

Crianças com altas habilidades/superdotação, já são diferentes das outras crianças, tendo em vista se sobressaírem em algum tipo de atividade, seja intelectual, criativa, social, psicomotor e outras, e se o comportamento agressivo estiver também presente, entende-se que será necessário fazer uma formação neste campo com os professores envolvidos, para que não estanquem o desenvolvimento saudável destas crianças. Professores e família têm que estar preparados para identificar essas crianças, que muitas vezes não são reconhecidas e nem seus potenciais identificados para poder-se atuar de forma adequada, fazendo os encaminhamentos que forem necessários para que seja um aprendizado prazeroso e não enfadonho, que sua(s) habilidades possam ser melhor desenvolvidas e aproveitadas na direção correta.

Os alunos com altas habilidade/superdotação precisam de serviços educacionais diferenciados que estimulem seu desenvolvimento escolar, social, cultural e psicomotor, e isso engloba métodos de ensino adaptados às suas necessidades pessoais.

Assim, através de análises de estudos realizados com o tema altas habilidades/superdotação, têm-se o objetivo de verificar se o comportamento agressivo está presente em crianças com altas habilidades/superdotação.

2. Altas Habilidades/Superdotação – Conceitos e Tipos

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Nº 9.394/96, dispõe em seu artigo 58°;

Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
§ 1o Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.
§ 2o O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.
§ 3o A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil. (Lei 9.396/96)

E no seu artigo 59° dispõe;

Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades; II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados; III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
Art. 59-A. O poder público deverá instituir cadastro nacional de alunos com altas habilidades ou superdotação matriculados na educação básica e na educação superior, a fim de fomentar a execução de políticas públicas destinadas ao desenvolvimento pleno das potencialidades desse alunado. Parágrafo único. A identificação precoce de alunos com altas habilidades ou superdotação, os critérios e procedimentos para inclusão no cadastro referido no caput deste artigo, as entidades responsáveis pelo cadastramento, os mecanismos de acesso aos dados do cadastro e as políticas de desenvolvimento das potencialidades do alunado de que trata o caput serão definidos em regulamento.

 O documento da Secretaria de Educação Especial (SEESP) Altas Habilidades/Superdotação: Encorajando Potenciais define AH/SD dessa forma:

[...] os termos "pessoas com altas habilidades" e "superdotação" são ais apropriados para designar aquela criança ou adolescente que demonstra sinais ou indicações de habilidade superior em alguma área do conhecimento, quando comparada aos seus pares (BRASIL, 2007, p.7).

 

Para indicar um atendimento adequado, especializado para um aluno com altas habilidades/superdotação, precisa-se primeiramente saber identificar esse aluno. De acordo com a Política Nacional de Educação Especial, na perspectiva da Educação Inclusiva:

Alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, também apresentam elevada criatividade, grande envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse (BRASIL, 2008, p.15).

A Política Nacional de Educação Especial (1994) define como portadores de altas habilidades/superdotados:

[...] os educandos que apresentarem notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual geral; aptidão acadêmica especifica; pensamento criativo ou produtivo; capacidade de liderança; talento especial para artes e capacidade psicomotora.

Dos tipos mencionados, destacam-se os seguintes, segundo PNEE (1994):

Tipo Intelectual – apresenta flexibilidade e fluência de pensamento, capacidade de pensamento abstrato para fazer associações, produção ideativa, rapidez do pensamento, compreensão e memória   elevada, capacidade de resolver e lidar com problemas.
Tipo Acadêmico – evidencia aptidão acadêmica especifica, atenção, concentração; rapidez de aprendizagem, boa memória, gosto e motivação pelas disciplinas acadêmicas de seu interesse; habilidade para avaliar, sintetizar e organizar o conhecimento; capacidade de produção acadêmica.
Tipo Criativo – relaciona-se às seguintes características: originalidade, imaginação, capacidade para resolver problemas de forma diferente   e inovadora, sensibilidade para as situações ambientais, podendo reagir e produzir diferentemente e, até de modo extravagante; sentimento de desafio diante da desordem de fatos; facilidade de auto expressão, fluência e flexibilidade.
Tipo Social – revela capacidade de liderança e caracteriza-se por demonstrar sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, sociabilidade expressiva habilidade de trato com pessoas diversas e grupos para estabelecer relações sociais, percepção acurada das situações de grupo, capacidade para resolver situações sociais complexas, alto poder   de persuasão e de influência no grupo.
Tipo Talento Especial – pode-se destacar tanto na área das artes plásticas, musicais, como dramáticas, literárias ou cênicas, evidenciando habilidades especiais para essas atividades e alto desempenho.
Tipo Psicomotor – destaca-se por apresentar habilidade e interesse pelas atividades psicomotoras, evidenciando desempenho fora do comum em velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora.
Todos esses tipos, nas classificações internacionais, são desse modo considerados, podendo haver várias combinações entre eles e, também, o aparecimento de outros tipos, ligados a outros talentos e habilidades (BRASIL, 2006, p.12-13).

2.1 Comportamento Agressivo na Escola – Descrição

Segundo Kazdin (1995), nas clínicas de atendimento de crianças e escolas, a queixa mais frequente que se apresenta é o comportamento agressivo, feita por pais, professores e responsáveis pelo menor.

Para Ladd e Burgess (1999); Lisboa (2001); Loeber e Hay (1997), o comportamento agressivo pode gerar situações de impacto negativo para a criança e com consequências, e esta agressividade pode se prolongar na adolescência e vida adulta.

Comportamento agressivo é,

(...) definido como toda ação que causa ou implica danos ou prejuízos a alguém, e é expresso de forma confrontativa e/ou não-confrontativa. As formas confrontativas incluem atos diretos, físicos e verbais, como chutar, bater, morder, destruir objetos pessoais e de outros, machucar a si próprio, iniciar discussões, falar palavrões e xingamentos, fazer deboches, ameaças, ridicularizações e/ou provocações. As formas não-confrontativas incluem atos hostis indiretos, como atacar a reputação de outra criança, prejudicar o bom andamento das atividades, perturbar ambientes (incomodando, agitando-se) e provocar intrigas. (LOEBER; HAY, 1997, p.389).

Agressão pode ser definida como um ato com intenção de prejudicar outro ou outros. Mesmo não contestando estas colocações, na atualidade, estudiosos questionam a definição de agressividade, bem como seu papel sendo um risco no desenvolvimento humano (LISBOA; KOLLER, 2004).

Kupfer (1998) através de análises feitas de aspectos culturais constata que o professor brasileiro não encontra apoio que lhe dê suporte de autoridade para o exercício da profissão. Aponta, desta forma, que a agressividade na escola seja o resultado da falta de limites simbólicos necessários para o desenvolvimento do saber e crescimento humano.

Freller (1993) valida que a escola deve consolidar o seu papel de mediadora no controle e limites da agressividade infantil. Através de um estudo, em que entrevistou pais, alunos e professores, a investigadora observou que o comportamento desatento ou agitado dos sujeitos da pesquisa mostrava transgressão nas suas vivências precoces e repetidas no ambiente escolar. Segundo a pesquisadora essas crianças, objetos da pesquisa, tinham esperança que a escola suprisse a sua necessidade de ser olhada e cuidada, entretanto essa solicitação não era manifestada ou entendida pelos educadores.

2.2 Revisão de Estudos Bibliográficos

Através da revisão de literatura busca-se levantar dados que auxiliem nesta investigação. A pesquisa bibliográfica é o primeiro passo de busca e aprimoração da formação de conhecimento de uma pesquisa científica. A pesquisa inicialmente foi realizada com uma busca em artigos científicos, dissertações, teses, obras e revistas que discorressem sobre comportamento agressivo na escola e crianças com altas habilidades e superdotação que compõe o tema desta investigação.   Foram utilizados 7 (sete) artigos científicos e uma obra. Têm-se que:

A pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundárias, abrange toda a bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, dissertações, material cartográfico, etc., até meios de comunicação orais: rádio, gravações em fitas magnética e audiovisuais: filmes e televisão. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto, inclusive conferências seguidas de debates que tenham sido transcritos por alguma forma, querem publicadas, quer gravadas (LAKATOS; MARCONI, 2003, p.183).

A seguir os estudos apontados nesta pesquisa científica:

Alexandra da Costa Souza Martins apresentou na sua dissertação de Mestrado, na Universidade Católica de Brasília, em 2010, o tema Características desejáveis em professores de alunos com altas habilidades/superdotação. Realizou uma pesquisa com 20 professores, da rede pública de ensino, em uma cidade nos arredores do Distrito Federal, usando uma abordagem qualitativa e exploratória, através de entrevistas semiestruturadas. Alguns dos resultados apresentados mostraram que existe a necessidade de formação específica dos professores para atuar na área, principalmente os das séries iniciais do Ensino Fundamental, palavras dos professores, no levantamento da pesquisa, informações sobre os comportamentos típicos de alunos superdotados e formação continuada, além de pós-graduação nesta área, também foram citados.

Miriam de Oliveira Maciel, apresenta o tema Alunos com Altas Habilidades/Superdotação e o fenômeno Bullying, na sua Dissertação de Mestrado, na Universidade Federal de Santa Maria, 2012, onde realizou uma pesquisa qualitativa caracterizada como exploratória descritiva. Utilizou questionário e entrevistas semiestruturadas com professores, pais e alunos. Em análise de todo seu material constatou que os alunos com o fenômeno Bullying, em significativa quantidade eram também AH/SD, verificou também, que os alunos que não tinham reconhecidas suas potencialidades com AH/SD, em grande parte a canalizavam para a violência, tornando-se agressores.

A Dissertação de Mestrado apresentada por Fernanda Hellen Ribeiro Piske, na Universidade Federal do Paraná, 2013, que leva o título o desenvolvimento socioemocional de alunos com altas habilidades/superdotação (AH/SD) no contexto escolar: contribuições a partir de Vygotsky, têm-se que a escola, seria um lugar onde os alunos AH/SD teriam para expor suas emoções e sentimentos. Na pesquisa notou-se que poucas crianças tinham dificuldades em se expor na relação com seus colegas e professores, de uma forma geral elas têm autoestima e autoconceito positivo. Verificou-se também que como as Escolas têm o AEE (Atendimento Educacional Especializado) as famílias destas crianças estão contentes com o atendimento dispensado a seus filhos. Já os professores entendem que existe uma dificuldade que nem as crianças e nem as suas famílias enxergam que é o desenvolvimento social e emocional dessas crianças, que precisam ser trabalhadas. Por fim entende que existe uma necessidade de pesquisas no campo de AH/SD, tanto quantitativa, como qualitativa, na dimensão social e emocional destas crianças.

Na Dissertação de Mestrado de Sheila Torma da Silveira, realizada na Universidade Federal em Santa Maria, 2014, que tem como tema A Aprendizagem de uma criança com Altas Habilidades/Superdotação e Transtorno de Asperger, uma pesquisa com abordagem qualitativa, e estudo de caso. Seus instrumentos de coleta de dados foram um diário de campo e entrevista semiestruturada. Através desta investigação foi constatado que os professores deram mais ênfase no que se refere ao comportamento, onde existe o déficit, mas não estimularam o potencial nas áreas de interesse do aluno, que manifestem bom desempenho. Percebe-se, que os professores estão despreparados para atender esse aluno com AH/SD.

Na Obra de Virgolim, Konkiewitz, intitulada Altas Habilidades/Superdotação, Inteligência e Criatividade: uma visão multidisciplinar, de 2014, no capítulo décimo onde tem um artigo escrito por Mosquera, Stobäus e Freitas, com o título Altas Habilidades/Superdotação no transcurso da vida: da Infância à Adultez (p. 265-282), tem um debate sobre o tema superdotação, onde são levantados três eixos essenciais: inteligência, personalidade e criatividade levando em conta serem componentes importantes para uma superdotação socialmente edificante. O desenvolvimento da aprendizagem, processo de socialização e as interferências culturais implicam diretamente no desenvolvimento da personalidade de crianças com altas habilidades/superdotação. Os estudos sobre a psicologia do desenvolvimento são utilizados quando da abordagem da totalidade de problemas no adolescente e no adulto com altas habilidades, no decurso de seu desenvolvimento.

O artigo publicado, na Revista Educação Especial nº 50 (2014), da Universidade Federal de Santa Maria/RS, dos autores Valentim, Vestena e Neumann, com o tema Educadores e estudantes: um olhar para a afetividade nas Altas Habilidades/Superdotação, tendo como metodologia um estudo de caso com uma aluna com AH/SD. Os instrumentos utilizados foram um questionário para indicadores de AH/SD para adultos e uma entrevista semiestruturada, que obtiveram como resultado da sua investigação que a afetividade tem sido deixada de lado, sobressaindo atenção maior para o lado da capacidade cognitiva. A criança inicialmente sente-se reconhecida pela sua potencialidade intelectual, mas com o tempo percebe que não tem o afeto que é necessário para dar suporte ao seu desenvolvimento como pessoa. Considerou-se que o descaso com relação a afetividade pode gerar sequelas negativas para a vida adulta, do aluno com AH/SD. Observou-se da importância do preparo destes educadores, que não devem ficar estanques no seu aprendizado inicial, mas aprimorar-se indo em busca do conhecimento. Faz-se necessário a identificação destes estudantes com AH/SD pelos professores e para isso eles precisam conhecer o que são Altas Habilidades e Superdotação.

Alberto Padrón Abad e Thaís Marluce Marques, publicaram um artigo na Revista FOCO, V.8, nº2, ago./dez. 2015, sob o título “A Escola Contemporânea e a Violência Escolar: um paradigma obsoleto aos alunos com altas habilidades / superdotação”. Neste artigo os autores colocam da necessidade das escolas do Brasil, públicas e privadas terem uma sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), com uma equipe multidisciplinar, com amplos conhecimentos em AH/SD, que exista um acompanhamento das famílias destes alunos, aperfeiçoamento contínuo dos professores, desenvolvendo cada vez mais o saber sobre o comportamento, características cognitivas e emocionais destes alunos, evitando que suas potencialidades sejam dissipadas e desconsideradas. Ainda neste artigo os autores propõem investigar a violência escolar sob o prisma sociopsicológico, na sala de aula, com os alunos de AH/SD, tendo o propósito de entendê-la, de uma forma mais ampla, e que isso possivelmente beneficiaria essas crianças que sofrem e praticam a agressão, com a finalidade de promover uma educação inclusiva com ambiente adequado e adaptado as suas necessidades e diferenças individuais.

Bárbara Amaral Martins e Miguel Claudio Moriel Chacon, realizaram um estudo que foi publicado em formato de artigo na Revista da UNISINOS/2016, sob o título Crianças precoces com indicadores de altas habilidades/superdotação: as características que contrariam a imagem de aluno “ideal”. Nesta investigação participaram três alunos “precoces” em leitura e escrita, do primeiro ano do Ensino Fundamental, que frequentavam o Programa de Atenção a alunos precoces, com indicadores de AH/SD (PAPAHS) e seus pais. Os resultados apontaram que estudantes com capacidades acima da média estão distantes de serem alunos “ideais”, pois tem suas dificuldades assim como os outros, com isso ficam desmistificados os estereótipos existentes. As crianças que participaram da pesquisa apresentaram indicadores de AH/SD e faz-se necessário um atendimento adequado por parte dos professores. É imprescindível zelar para que essas crianças tenham um bom relacionamento social com as pessoas as quais convivem e aprendam a dominar seus impulsos emocionais, respeitar regras, ser independente e ter autonomia. Muito compete ao professor através da sua formação, propiciar para que a criança se desenvolva satisfatoriamente tendo atendida suas necessidades e não somente cumprir planejamentos ortodoxos, que fazem da educação um espaço autoritário, sem enxergar as peculiaridades de seus alunos, na individualidade.

3. Considerações Finais

Está claro nos estudos acerca de altas habilidades/superdotação, que o comportamento agressivo vai aparecer, quando este aluno não conseguir ser notado na sua potencialidade e ser subestimado pelo professor, família e colegas.

A família e a escola têm papel imprescindível no desenvolvimento da criança com AH/SD e é no seio da família que o ser humano tem o primeiro contato social. Poucos pais têm informações sobre superdotação e surge então a dificuldade em compreender as necessidades e características de seu filho com altas habilidades.  

Têm famílias que reconhecem seus filhos como superdotados, mas acabam deixando de lado uma área fundamental a do afeto, o que provoca uma alteração de comportamento, tornando-os muitas vezes agressores.

Escola, professor e família devem estar conectados para proporcionar um aprendizado prazeroso, cada um com seu papel orientando, colaborando e estimulando o desenvolvimento das potencialidades deste aluno.

Precisa-se da realização de cursos de formação para docentes que possam trabalhar com essas crianças com altas habilidades/superdotação de forma coerente, com conhecimento e fazendo os direcionamentos necessários, que família, escola e professores firmem uma parceria coesa, para que o desenvolvimento afetivo, emocional e cognitivo destas crianças seja produtivo e eficaz.

Sobre a Autora:

Eliane Barbara Krticka - Acadêmica do Curso de Pós-graduação em Educação Infantil da UNINTER, Pedagoga(ULBRA/RS), Psicóloga(ULBRA/RS), Pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos(FEEVALE/RS), Doutoranda em Psicologia (UCES/ARG).

Fernanda Bresolin - Professora Orientadora de TCC do Grupo UNINTER, graduada em Comunicação Social - Jornalismo (Universidade Tuiuti do Paraná) e em Pedagogia (UNINTER). Pós-graduada em Alfabetização e Letramento (UNINTER).

Referências:

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KRTICKA, Eliane Barbara; BRESOLIN, Fernanda. Crianças com Altas Habilidades/Superdotação e a Relação com Comportamentos Agressivos na Escola. Psicologado, [S.l.]. (2019). Disponível em https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-escolar/criancas-com-altas-habilidades-superdotacao-e-a-relacao-com-comportamentos-agressivos-na-escola . Acesso em .

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