Dificuldades de Aprendizagem na Alfabetização

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Resumo: Este artigo tem por objetivo abordar questões relacionadas as dificuldades de aprendizagem no processo escolar, de forma a contribuir e melhorar a qualidade de ensino, principalmente no processo de alfabetização. Bem como refletir sobre os problemas de aprendizagem no processo de aquisição da leitura e escrita. Tendo como fonte estudos literários. Neste estudo foi possível entender um pouco mais o processo de aprendizagem e alguns aspectos que a interferem. Este estudo partiu da necessidade de entender e compreender os ritmos e dinâmicas desenvolvidas pros educandos que apresentam dificuldades em apreender, assimilar, compreender e socializar o conhecimento. Procurando identificar a metodologia que melhor promova a aprendizagem, e com isso favorecer o encontro de caminhos e práticas que atuem sobre os problemas encontrados. Trata-se aqui de uma reflexão dos problemas de aprendizagem como um todo e não daqueles definidos como necessidades educacionais especiais. Nesse sentido a prática educativa deve contemplar a todos independente do seu ritmo e nível de aprendizagem, sempre levando em consideração a bagagem cultural que o educando traz.

Palavras-chave: Problemas de aprendizagem, Alfabetização, Desenvolvimento, Educador, Educandos.

1. Introdução

A aprendizagem é o objetivo principal de qualquer escola seja qual for a modalidade e o nível de aprendizado, tenha seus educandos a faixa etária que tiver. A mesma se dá dentro e fora da escola, mas isso só acontece se a escola é acessível e disponível a todas as pessoas, independente do grupo social que faça parte.

Há, entretanto, que se conceber que nem sempre esta aprendizagem atinge as expectativas dos educadores, sendo que ocorre uma certa limitação do saber ou do fazer do educando, quando a criança não se desenvolve em tempos previstos não alcançando assim os objetivos esperados.

No entanto quando se fala no processo de aprendizagem, principalmente na alfabetização, é necessário que sejam questionadas as condições em que a criança inicia, se já esta suficientemente preparada, madura para que seu aprendizado realmente aconteça.

Deve-se perceber que os problemas de aprendizagem devem ser trabalhados num todo, escola, educador, família e educando, para poder analisar a situação e poder descobrir o que esta causando o empecilho ou a dificuldade para que o educando aprenda. Como diz Leal e Nogueira (2011, p. 20), a dificuldade de aprendizagem é bastante debatida atualmente, por estar diretamente ligada à idéia de sucesso ou de insucesso do individuo no processo de desenvolvimento ao longo de toda a sua vida.

Trabalhar com crianças que apresentam problemas de aprendizagem é estar constantemente em conflito, sentir-se desafiado, procurando identificar os fatores que interferem durante o processo de ensino aprendizagem, compreender e identificar os comportamentos presentes em sala de aula.

Segundo Sisto (2002 A),

O baixo rendimento escolar é uma das manifestações mais evidentes das dificuldades de aprendizagem. Se uma criança apresenta um bom desempenho escolar, mesmo que tenha dificuldade para aprender e com muito esforço a esteja superando, esta criança passará despercebida, da mesma forma que crianças que não estudam por falta de interesse ou preguiça correm o risco de serem classificadas como crianças com dificuldade de aprendizagem. As generalizações excessivas podem, por vezes, levar a confusões conceituais sérias em que pouco ou quase nada ajudam no diagnóstico das possíveis causas dos problemas de aprendizagem para as crianças que de fato apresentam dificuldades de aprendizagem.

Sabe-se que muitos estudos  foram realizados para entender como a aprendizagem acontece, com o intuito de objetivar porque alguns aprendem com facilidade enquanto outros não conseguem compreender e obter êxito no processo de ensino aprendizagem. Sendo esta uma inquietação de muitos educadores.

Entender e agir de forma adequada sobre estas dificuldades fazendo com que a aprendizagem aconteça, e conduzir os educandos a ultrapassagem de limites, é a meta de muitos educadores que acreditam nas superações do processo educativo. Este artigo aborda esta temática, descrevendo como o processo de aprendizagem se efetiva, percebendo a mesma como produto e processo inacabado e desenvolvido diferentemente na construção do saber escolar. E ainda compreendendo que a aprendizagem não é tarefa fácil, tanto para quem ensina como para quem aprende.

2. Dificuldades de Aprendizagem na Alfabetização

O processo de ensino aprendizagem depende do comunicador que é o professor que transmite informações e conhecimentos, e para isso deve estar motivado para tal e ter pleno conhecimento do que irá transmitir. Do conhecimento e informações que devem ser claras e bem entendidas, e adequadas a idade dos educandos. Do educando que deve ser um receptor crítico das informações e conhecimentos, e do ambiente onde ocorre o ensino aprendizagem que deve ser estimulador e propicio ao bom desenvolvimento do processo educativo.

Sendo que todos esses elementos devem interagir e propiciar um ótimo desenvolvimento para que não cause problemas de aprendizagem. Pois a aprendizagem é gradual, cumulativa e continua, e cada indivíduo tem seu ritmo próprio de aprender. Existem fatores fundamentais para que a aprendizagem se efetive, como: saúde física e mental, motivação, prévio domínio, maturação, inteligência, concentração, atenção e memória.

Para poder aprender a criança precisa estar madura em três aspectos fundamentais: intelectual, afetivo-social e sensório-psiconeurológico. Também precisa desenvolver um conjunto de habilidades, condições, capacidades e aptidões, sendo capaz de executar determinadas atividades.

Segundo Poppovic (1981),

A leitura e a escrita não podem ser considerada como funções autônomas e isoladas, mas sim como manifestações de um mesmo sistema, em que, através de situações concretas possa iniciar-se o processo de alfabetização compreendido na função simbólica, que é a leitura, e sua transposição gráfica que é a escrita.

O desenvolvimento dessas habilidades básicas pode ser vista na pré-escola, onde a criança já apresenta os pré-requisitos básicos para a alfabetização. A aprendizagem do educando é o objetivo principal da educação escolar, portanto é um grande desafio para os educadores trabalhar com educandos que apresentam problemas de aprendizagem. Para isso o primeiro mês de aulas deve ser reservado para a sondagem das capacidades dos educandos, ou seja, a avaliação diagnóstica, evitando assim futuros distúrbios de aprendizagem.

Através da avaliação diagnóstica que consiste em uma série de provas que reúnem todas as capacidades, habilidades e aptidões necessárias para a aprendizagem, o educador poderá detectar diferenças ou falhas no desempenho de seus educandos. Se o educador constatar alguma dificuldade deverá registrar na ficha individual do aluno e se persistir o problema o mesmo deverá pedir assistência de um especialista adequado para o caso. Depois de colher os dados sobre o educando, o educador, orientado pelo especialista, deverá executar um programa de remediação especifico para o problema de aprendizagem diagnosticado.

Esta avaliação diagnóstica é uma garantia para o educador de que seus educandos serão melhores sucedidos na aprendizagem, se o mesmo conhecer de início seus problemas de aprendizagem, e também é um meio de facilitar a integração do educando com o ambiente escolar.

O bom desempenho das crianças que iniciam na escola depende muito de sua capacidade de aprender, ou seja, da sua prontidão para a alfabetização. A escola deve enfatizar não somente a prontidão para leitura, escrita e cálculos, mas também a condição de saúde física e mental, inteligência, ambiente estimulador, grau de maturidade emocional, ajustamento social e a bagagem de conhecimentos que a criança traz consigo. Além disso, deve lembrar que cada criança tem seu ritmo próprio, razão pela qual nem todas chegam ao grau de maturidade ao mesmo tempo.

Segundo Jonhson e Myklebust, (1983),

Os distúrbios da leitura são encontrados em crianças, especificamente: na memória, cuja característica apresenta dificuldades auditivas e visuais de reter informações; na orientação espaço temporal, cuja capacidade de percepção não é aguçada; no esquema corporal, em que apresenta dificuldades de identificação das partes do corpo; na motricidade, em que a dificuldade motora é bastante intensa; no distúrbio topográfico, em que a dificuldade de interpretar mapas, legendas e maquetes, são apresentadas de forma constante em seu desenvolvimento e na soletração, característica esta que é apresentada na limitação da leitura.

A criança precisa vivenciar, experimentar, para compreender as situações reais, ela não tem condições de entender situações abstratas, precisa de situações que envolvam seu próprio mundo, suas necessidades. É preciso fazer relações com o meio em que a criança vive, permitindo que ela faça uma leitura de mundo de forma consciente, participativa e critica. Buscando atividades que proporcionem a criança experiências que desafiem sua necessidade de aprender a ler e escrever. Como diz Barbosa (2010, p. 184), brincadeiras e jogos são inventados nas culturas com o objetivo de oportunizar a aprendizagem do mundo e a lida com as situações frustrantes.

O educador deve estar consciente de todos os obstáculos que se apresentam, estando preparado para vencê-los. Segundo BASSEDAS (1996: 29), “o professor tem a responsabilidade de estimular o desenvolvimento de todos os seus alunos pela aprendizagem de uma série de diversos conteúdos, valores e hábitos.”

O educador não pode determinar o tempo que o aluno levara para superar seus problemas de aprendizagem, mas deve oportunizar situações diferenciadas para que o aluno supere suas dificuldades, sempre respeitando o ritmo e as individualidades de cada um. Como diz MICOTTI (1987: 141) “A preocupação com o tempo, ou em terminar o planejado, deve ser substituído pelo atendimento das necessidades apresentadas pelo aluno, do que decorre que a padronização cede lugar à flexibilidade.”

O educador precisa colocar em movimento o conhecimento, interagir com o meio onde o educando se encontra,oferecendo aos educandos a compreensão do universo como um todo, deixando-os criar, fantasiar, imaginar para que ele possa se desenvolver pessoal e intelectualmente.

A educação deve estar ligada a liberdade, respeitando a individualidade e habilidades de cada educando na sua interação com o meio, para isso a escola deve ser mediadora e transmitir saberes referentes à moral, ética, cultura, técnica, com o objetivo de formar cidadãos autônomos que sabem pensar e agir.

As pessoas são diferentes e por isso reagem diferentemente a um mesmo estimulo ambiental. Os diferentes padrões usuais de reação e interação do individuo com o meio físico e social é que concretizam as diferentes personalidades, fazendo com que cada indivíduo se diferencie do outro.

No entanto é preciso lembrar que o desenvolvimento da personalidade do individuo se deve ao componente genético, que é hereditário, e as aprendizagens que ele vai coletando na interação com o meio físico e social, como a influencia da cultura e da sociedade em que vive. A personalidade da criança vai se formando na medida em que ela interage com o meio em que vive, desenvolve-se com o seu crescimento físico e vai se modificando com as interações sendo expressadas através dos diferentes comportamentos. São os comportamentos perturbados que muitas vezes interferem no processo de ensino aprendizagem.

As diferenças individuais entre os educandos é que vão produzir resultados diferentes no processo de ensino aprendizagem. Uns terão total sucesso, uns se manterão em nível razoável de aprendizagem e alguns terão muitas dificuldades e precisarão vencer muitos obstáculos para conseguir aprender.

2.1 Metodologia

Para a elaboração deste artigo foram utilizadas somente pesquisas bibliográficas referentes ao assunto tratado.

3. Considerações Finais

A escola e a família são os responsáveis pela integração da criança na sociedade. A escola é capaz de contribuir para o bom desenvolvimento de uma socialização adequada da criança promovendo atividades em grupos que capacite a participação e o relacionamento de todas as crianças, despertando em cada criança o sentimento de sentir-se um ser social.

Se a criança não participa e não se envolve com o grupo poderá refletir em seu processo de aprendizagem e desempenho escolar. Cabe a escola a tarefa de resgate, juntamente com a família, para que a criança construa sua auto-imagem e compreenda o significado e o sentido de aprender.

As escolas devem ter propostas de trabalho que valorizem a bagagem cultural dos educandos, que os educadores sejam preparados para entenderem seus educandos, respeitando o ritmo de cada um. Deve ser um ambiente onde as crianças se sintam bem amadas e alegres. Como diz Alencar (1985, p. 97), a criança em desenvolvimento sofre influências marcantes de duas instituições principais: a família e a escola. Esta reflete os valores culturais da sociedade e se relacionam com a cultura de uma maneira complexa.

A escola deve contribuir com a família e o educando que apresenta dificuldades de aprendizagem, buscando apoio e conhecimento para lidar com as suas dificuldades. Mostrando que em sintonia e união que se promove uma educação de qualidade.

A metodologia deve ser envolvente e adequada aos educandos, esforçando-se para uma aprendizagem significativa. No momento que for constatado algum problema com algum educando deve-se agir juntos procurando solucionar a possível dificuldade, se for preciso com ajuda de profissionais especialistas. Com isso todos ganham, principalmente o educando, podendo superar possíveis problemas de aprendizagem.

Precisa-se adequar de maneira prazerosa e proveitosa o trabalho com os problemas de aprendizagem dos educandos para a busca de uma aprendizagem cada vez mais eficaz, e para isso muitas vezes é preciso um olhar psicopedagógico, visando contribuir para que os educandos tenham um atendimento mais adequado e colaborar com os educadores preocupados com o processo de ensino aprendizagem.

Concluindo, pode-se dizer que a escola traz inúmeros benefícios aos educandos, mas ela também pode ser prejudicial a eles, através do seu ambiente físico, de seu grupo social, dos seus educadores e dos próprios educandos. Todos esses fatores podem interferir no processo ensino aprendizagem, podendo a escola ser a facilitadora do processo de aprendizagem ao tempo que pode dificultar ou prejudicar, ou até mesmo transformar-se em problemas de aprendizagem.

Sobre o Autor:

Rosangela Maria Schmitz Alves - Aluna do Curso de Psicopedagogia Clínica e Institucional FACINTER.

Referências:

ALENCAR, Eunice M. L. Soriano de. A criança na família e na sociedade / Eunice M. L. Soriano de Alencar. – Petrópolis, Vozes, 1985.

BASSEDAS, Eulália. Intervenção educativa e diagnóstico psicopedagógico. 3ª Ed. Porto Alegre: Artes Médicas. 1996.

Intervenção psicopedagógica no espaço da clínica / Laura Monte Serrat Barbosa (Org.). – Curitiba: Ibpex, 2010.

JOHNSON, Doris J. e MYKLEBUST, Helmer R. Distúrbios de aprendizagem, princípios e práticas educacionais. São Paulo, pioneira/Edusp. 1983.

LEAL, Daniela. Dificuldades de aprendizagem: um olhar psicopedagógico / Daniela Leal, Makeliny Oliveira Gomes Nogueira, - Curitiba: Editora Ibpex, 2011.

MICOTTI, Maria Cecília de Oliveira. Piaget e o processo de alfabetização. 2ª Ed. São Paulo: pioneira. 1987.

POPPOVIC, Ana Maria, Alfabetização, disfunção psiconeurológicas, 3ª Ed. São Paulo. Vetor. 1981.

SISTO, Fermino Fernandes. Contribuições do construtivismo à psicopedagogia. In:

SISTO, Fermino Fernandes; OLIVEIRA, Gislene de Campos (Orgs). Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar. Petrópolis, RJ: Vozes 1996. Pág. 34 a 63.

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