Discalculia: Possíveis Dificuldades dos Professores de Matemática em Receber Alunos com Discalculia

(Tempo de leitura: 6 - 12 minutos)

Resumo: O presente artigo baseia-se em pesquisas bibliografias, monografias e artigos, e tem por objetivo compreender a importância do professor na admissão do individuo com discalculia ao meio social. Visando que as dificuldades dos professores são ampliadas por falta de conhecimento acerca da discalculia, além das limitações de recursos didáticos e capacitações que acentuem a metodologia de ensino com esses alunos. A discalculia está relacionada a vários distúrbios como: da memória auditiva, da percepção visual e da escrita, neste caso, o professor deve mudar suas técnicas de ensino, usando métodos concretos para que haja a compreensão das operações matemáticas, das sequências numéricas, dos conceitos de medidas, da orientação tempo/espaço, do reconhecimento de símbolos, etc. Esta compreensão dar-se-á por meio de perguntas claras que possibilitará a transformação da linguagem em expressão matemática. A partir da observação inicial pelo professor o aluno deve ser encaminhado a especialistas como: psicólogo, neuropsicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo. Para que determinem onde está o verdadeiro problema do indivíduo em observação, pois a discalculia compromete a autoestima, as relações sociais, as habilidades grafomotoras, tornando o individuo impulsivo e inconsistente em seus estudos. A discalculia tem cura desde que seja detectada precocemente e o aluno receba o acompanhamento adequado, pois o diagnóstico é a descrição do atual estágio de desenvolvimento do indivíduo, podendo ser tratada no período de um ano, ou ter os sintomas minimizados durante este acompanhamento. Levando-se e consideração os aspectos mencionados, para o sucesso no tratamento da discalculia, é necessário que exista a relação de apoio, família – escola – profissionais especializados. O trabalhado deve ser realizado enquanto o sujeito é inserido no meio social através do professor e dos pais, inicialmente em sala de aula com os colegas onde essa relação se alargará nas brincadeiras de rua.

Palavras-chave: discalculia; distúrbios de aprendizagem; professor; matemática.

1. Introdução

O professor em sua rotina diária se depara com uma sala lotada de indivíduos mistos, uns com dificuldades visuais, dificuldades de concentração, dificuldades e distúrbios de aprendizagem, problemas familiares, e outros bem educados e com predisposição ao aprendizado. No entanto, deve recebê-los e transmitir o conhecimento de forma que a compreensão atinja a todos. Neste sentido, seu planejamento deve ser diversificado, muitas vezes se deparando com obstáculos financeiros, pois o material disponível é insuficiente para a quantidade de alunos, e/ou seu conhecimento em quanto professor é limitado para analisar e distinguir o problema real do seu aluno.

Neste sentido, são várias as dificuldades de professores de Matemática no atendimento escolar a alunos portadores de discalculia, que envolvem a observação e os procedimentos a serem desempenhados no auxilio do tratamento desses indivíduos. Assim, torna-se desafio alvitrar ao professor, novos campos exploráticos para subsidiar suas aulas, para que os alunos problemáticos sejam instigados a buscar o progresso, atingindo os objetivos planejados, sendo assim estimulados pelo seu reconhecimento, promovendo o sucesso do aluno e do professor.

Se torna indispensável o auxilio do professor no tratamento desses alunos, pois a observação diária do individuo promove avanços no campo intelectual e na realização de testes práticos, dos quais o educando desenvolverá aos poucos a capacidade de reconhecer símbolos, identificar sequências e realizar cálculos abstratos.

Percebe-se que é possível verificar o (des)conhecimento dos educadores acerca da discalculia, no sentido de identificar as habilidades para analise dos pontos que se relacionam com o diagnóstico de um indivíduo com a discalculia, e se  os procedimentos utilizados pelos docente no  tratamento desses alunos é adequado.

2. Discalculia: Aprofundando Os Conceitos

Inicialmente a discalculia foi estudada por Gestsmann, e por este motivo teve sua primeira nomenclatura como sendo a Síndrome de Gestsmann, que mais tarde se tornaria conhecida como discalculia, um de muitos distúrbios neurológicos, conhecidos atualmente. Sendo classificada como um distúrbio, que causa dificuldade na aprendizagem da matemática, decorrente de uma falha na rede transmissora de impulsos nervosos, que conduzem as informações químicas através dos neurônios, essa falha ocorre na parte superior do cérebro que é a área responsável pelo reconhecimento de símbolos.

Sendo assim, a dificuldade de aprendizagem em matemática de crianças e adolescentes é objeto de estudo de vários campos da saúde e da área educacional.

Segundo Carvalho (2000, p.72) “Pensar em respostas educativas da escola é pensar em suas responsabilidades para garantir o processo de aprendizagem para todos os alunos, respeitando-os em suas múltiplas diferenças”, como as deficiências: da memória auditiva, da percepção visual e da escrita que são agravantes para o desenvolvimento da discalculia, neste caso, o professor deve mudar a metodologia de ensino com o aluno, usando métodos concretos para que haja a compreensão das operações matemáticas e a relação das sequências numéricas, e a partir de perguntas claras venha distinguir símbolos, conceitos de medidas e transformar a linguagem em expressão matemática.

Por isso, muitos professores ao se depararem com casos de alunos portadores de discalculia, acreditam que não há nada a fazer para que o problema seja ultrapassado, auto-avaliando-se como despreparados ou desmotivados para encarar o desafio. O professor inicia a observação do aluno, comunicado aos pais para que o encaminhem para especialistas com: psicólogo, neuropsicólogo, fonoaudiólogo e psicopedagogo. Para que determinem se o problema foi causado por uma lesão cerebral ou pela associação de outros transtornos, pois a discalculia compromete a organização espacial, autoestima, orientação temporal, memória, habilidades sociais e grafomotoras, linguagem e leitura de números e símbolos, impulsividade e inconsistência (memorização).  

No entanto estes professores podem adotar algumas estratégias no acompanhamento ao tratamento, como permitir o uso de material eletrônico, tabelas e tabuada no auxilio dos cálculos, o educador não deve fazer uso de palavras que deem ênfase a dificuldade do aluno para não expô-lo a constrangimentos perante os colegas.

Esse problema tem tratamento desde que o aluno receba o acompanhamento adequado. Após o diagnóstico, que é a descrição do atual estágio de desenvolvimento do indivíduo, podendo ser tratado no período de um ano, ou ter as dificuldades minimizadas durante este acompanhamento.

Da relatividade da manifestação do distúrbio, pois depende das particularidades do aprendiz, num dado momento histórico e num dado contexto escolar. Em outras palavras, é falso afirmar que o distúrbio tenha determinadas características de caráter definitivo e descontextualizado (JOHNSON; MYKLEBUST, 1987, p.2).

Levando-se em consideração os aspectos mencionados, para o sucesso no tratamento da discalculia, é necessário que seja detectado precocemente, para que, enquanto o individuo estiver sendo avaliado por um especialista seja inserido através do professor e dos pais no meio social, que inicialmente acontecera em sala de aula com os colegas e se ampliará nas brincadeiras de rua.

Podendo o professor fazer uso de jogos e brincadeiras que estimulem as atividades psicológicas, já que os jogos tem recebido um destaque especial na metodologia da educação matemática. Atualmente os jogos são apresentados às crianças desde os primeiros anos de vida, por ajudar no desenvolvimento motor, na dicção e na formulação de estratégias para obtenção de acertos. Na relação jogo e Matemática, o educador pode criar condições onde o aluno estabeleça ligação entre a linguagem cotidiana e a linguagem matemática teoricamente dita.

Portanto o dinamismo na metodologia de ensino favorece o desenvolvimento psíquico além de estimular  a interação social, firmando traços de confiança entre o docente e o discente.

3. A Importância das Relações Professor-Aluno       

A relação professor aluno é algo que vem sendo questionado ao longo dos anos, pela constante busca de um método educacional mais completo e estimulante para os alunos e professores. Com a transição cronológica, métodos foram criados substituídos e aperfeiçoados por inúmeros estudiosos da área.

Para enfatizar a relação professora-aluno far-se-á uma comparação com o Modelo Tradicional e o Modelo Construtivista, onde no tradicionalismo, o professor era o dono do saber e os “alunos” eram os seres sem luz, receptores sem opiniões e sem conhecimentos prévios.

A relação do mestre era de superioridade não havia abertura para o erro, pois se estes acontecessem os alunos eram penalizados com danos físico e psicológicos, no dia-a-dia, o professor ministrava suas aulas sobre um púlpito, local estes que ostentava sua superioridade sob os alunos.

Já o construtivismo tem como ideologia o aprendizado por meio das relações sociais e da interação com o meio, vivenciadas primordialmente em sala de aula, local este onde surgirão os primeiros contatos com o outro, a minimização do egocentrismo, tão presente na primeira infância que influenciarão na aquisição e troca de experiências, entre alunos e professor, mantendo estes uma relação igualitária, nivelada, já que ao mesmo tempo que o aluno recebe o conhecimento mediado pelo professor, o professor aprende coisas novas com as experiências vivenciadas por estes alunos, e que são expostas a cada dia durante as aulas, nos intervalos, ou mesmo nas histórias que eles desejam compartilhar.

Sendo assim o professor deixa de ser o manipulador do conhecimento e passa a ser o mediador entre o conhecimento e a aprendizagem do aluno. Com isso,

a responsabilidade para a construção de uma educação cidadã está, em grande parte, nas mãos do professor, cuja aprendizagem do educando pode ser considerada diretamente proporcional à capacidade de aprendizado deste docente (FERREIRA, 2009, p.9).

Com isso a teoria de que o aluno é uma tabua rasa é substituída pela ideia de troca de conhecimento, onde docentes e discentes aprendem juntos, junto a isso é observada a importância do professor no surgimento das relações interacionais iniciadas nos primeiros anos de vida, quando a criança é inserida na escola, que é fundamental para formação social desse sujeito.

No entanto, estas relações não ocorrem da mesma forma com todos. Pelo fato indiscriminável que é a subjetividade humana. Considera-se assim os alunos tímidos, os especiais, os hiperativos, os com distúrbios de aprendizagem, enfim, alunos estes que vivenciam problemas sociais e/ou familiares, onde a responsabilidade do professor aumenta, pelo fato de ter que lhe dar com as múltiplas diferenças, para conquistar a confiança de cada um.

Com isso verifica-se a necessidade de concretizar as relações e situações vivenciadas por alunos portadores da discalculia, para obtenção de uma aprendizagem mais significativa. Para tanto se exige do professor uma relação de troca de confiança, para que a criança não se sinta desconfortável ao expressar suas dificuldades na compreensão dos temas em debate, na incapacidade de encontrar um endereço através da orientação direcional, na inconsistência da memorização das formulas, das datas e símbolos.

Além das dificuldades, os alunos desenvolverão o desejo de expressar sua vontade de aprender, na busca de chamar a atenção do professor que ele admira. Por esse motivo o professor deixa de acreditar na exposição de palavras bonitas, como forma de estimulo para o crescimento do conhecimento do aluno com discalculia. E assume agora uma posição realista, onde corrigirá os erros de forma firme, porém amável para que o aluno não se sinta frustrado ou inferiorizado, e no decorrer do tratamento com o auxilio do professor passe a perceber e corrigir sozinho seus erros, tornando-se construtor de sua história.

Portanto esta relação de trocas estimula a aprendizagem e o desenvolvimento das habilidades nas crianças, ao mesmo tempo em que o objetivo do professor é alcançado.

Considerações Finais

Concluindo verifica-se a importância do professor no auxilio ao tratamento do

aluno com distúrbio de aprendizagem. No entanto este trabalho é árduo quando posto em prática. Hoje muito se fala dos avanços na educação, na inclusão sociocultural de indivíduos especiais em salas de aula regular, para que não haja distinções destes alunos. Mas, a defasagem do sistema educacional, em relação a subsidiar o professor no recebimento desses sujeitos não é satisfatória.

Percebe-se que muitos professores julgam-se incapazes de trabalhar com esses alunos, pois não, possuem uma capacitação específica para entender o processo pelo qual essas crianças aprendem de forma significativa vinculada a sua realidade.

Além do conhecimento defasado acerca dos distúrbios e dificuldades de aprendizagem, pode-se analisar a falta de recursos adequados a cada necessidade, para promover o desenvolvimento cognitivo, psicomotor e a motricidade dessas crianças.

Embora sejam muitos os desafios é possível promover o conhecimento a alunos com discalculia, por meio de jogos que podem ser confeccionado com a ajuda do próprio sujeito mostrando assim, que ele é capaz de construir seu conhecimento por meio de seus esforços.

Embora existam os desafios, também surgem as oportunidades de auxiliar o crescimento e o desenvolvimento de alunos com discalculia, atendendo as necessidades fundamentais do sujeito que é a concretização do conteúdo em estudo, por meio de jogos e/ou material de sucata que pode ser usado para contagem e exemplificação significativa dos valores decorativos da tabuada das operações fundamentais, do uso de notas sem valor para compreensão de números decimais bem como torna-lo capaz de realizar pagamentos e verificar o troco sem insegurança.

Enfim nota-se a importância do professor na construção e na formação do sujeito, incluindo-o no meio social por meio da superação dos desafios, desenvolvendo o senso crítico sobre as diversas vertentes que se apresenta na vida do aluno.

Sobre o Artigo:

Trabalho de conclusão de curso – Artigo Científico - apresentado a coordenadora do curso de Especialização em Matemática, ministrada pelas Faculdades Integradas de Patos – PB, em comprimento as exigências para obtenção do titulo de especialização, sob a orientação da professora Ms. Lúcia Abreu

Referências:

CARVALHO, E. R. Removendo barreiras para a aprendizagem: educação inclusiva.(2ª Ed.). Porto Alegre: Mediação. (2000).

CARVALHO, A. M. P; REIS, I; NORI, M. C. Problemas na educação Matemática do Ensino Fundamental por fatores de dislexia e discalculia.Vida de ensino (ISSN 2175 – 6325). v.2,  n. 8 p. 66-72, mar/set. 2010. Disponível em: http://www.cefetrv.edu.br. Acesso: 28 de abril de 2012.

FERREIRA, J. W. A.A importância do conhecimento dos professores de matemática acerca da discalculia.Campina Grande-PB. (2009).

JOHNSON, D.J; MYKLEBUST, H.R. Distúrbios de Aprendizagem. São Paulo: Pioneira (1987).

MENEZES, V. J. A. Discalculia: Um problema presente e pouco conhecido na rede de ensino da cidade de Tobias Barreto – SE. Disponível em: http://www.webartigos.com. Acesso: 28 de abril de 2012.

SEGRE, V. Discalculia.São Paulo. (2009). Disponível em: http://psicopedagogavaleria.   blogspot.com. Acesso: 28 de abril de 2012.

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