Educação à Distância: Preconceito x Autonomia

Educação à Distância: Preconceito x Autonomia
(Tempo de leitura: 4 - 7 minutos)

A Educação a Distância é uma modalidade de ensino que tem crescido cada vez mais na sociedade contemporânea atendendo as demandas da educação de forma bastante adequada levando o conhecimento para os diversos lugares que antes não havia acesso. Ela vem se transformando com o uso das diversas tecnologias que aproximam professores e alunos separados espacialmente que se interagem no processo ensino aprendizagem.

Pode-se observar, ainda, as gerações tecnológicas em EAD não se sobrepõem ou se anulam, é fácil perceber que elementos de uma dada fase são encontrados em outra e vice-versa e que elas convivem simultaneamente, porém em função dos avanços tecnológicos é grande a diferença, principalmente, de interatividade e participação no processo ensino aprendizagem entre as gerações. Nas duas últimas gerações, o aluno passa a assumir um papel de gerenciador mediador na comunicação bidirecional.

"Sob o ponto de vista social a Educação à Distância como qualquer modalidade de educação, precisa realizar-se como uma prática social significativa e consequente em relação aos princípios filosóficos de qualquer projeto pedagógico, a busca da autonomia, o respeito à liberdade e à razão” (FERREIRA, 2000).

Deve-se compreender que a EAD e o ensino presencial não têm diferenças, mas são forças complementares e para que se tenha eficácia em seu ensino dependem da instituição educativa e em seus aprendizes, na vontade pessoal, interesse, interatividade, quer seja no curso presencial ou à distância.

Enfim, este texto tem como objetivo discutir a importância da educação à distância, bem como sua modalidade de ensino e história no mundo e no Brasil e suas gerações. Procura-se mostrar de forma crítica e pouco extensa considerando os pontos positivos e negativos numa perspectiva de melhoria da qualidade da educação.

A Educação à Distância dos primeiros tempos que remontam os séculos XVIII, com suas primeiras experiências sendo a escrita a primeira estratégia entre interlocutores que estavam separados pela distância e a primeira forma de comunicação para a EAD. O surgimento da tipografia estendeu seu alcance, expandindo-se especialmente com a impressão dos livros didáticos e sistemas postais, tida como a primeira geração. A segunda geração, com o surgimento da Rádio e TV tendo como marco inicial a criação da Rádio Sorbone em Paris em 1937; A terceira geração marca com as universidades abertas que surge em 1969 com o British Open University na Inglaterra. A quarta geração surge com as Teleconferências por áudio e computador. Já o computador (Internet) foi um marco que impulsionou o desenvolvimento da EAD em termos quantitativos e qualitativos, tendo como a quinta geração (MAIA e MATTAR, 2007).

Segundo ALVES, coloca-se o Brasil entre um dos países do mundo no desenvolvimento da EAD até os anos 70. A partir dessa época, outras nações avançaram e o Brasil estagnou, apresentando uma queda no ranking internacional. Só no final do milênio é que ações positivas voltaram a acontecer e pode-se observar novo crescimento gerando nova fase de prosperidade e de desenvolvimento (ALVES, 2009)

Atualmente a Educação a Distância, no Brasil foi normatizada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996) e essa Lei estabelece várias regulamentações como, por exemplo, uma delas é a definição da educação à distância, abrangendo todos os cursos que não sejam estrita e integralmente presenciais (FERREIRA, 2000). 

Há quem diga que a metodologia e os conteúdos da educação a distância são modalidades de ensino que burla o estudante, com aquela modalidade de que se compra o diploma, não se faz nada, que fica brincando na internet e de que ela só faz é delimitar o aluno.

O que na verdade se depara nessa modalidade de ensino é que ela é totalmente monitorada com um ensino sistemático e com alunos em perspectiva de estudar. Muitos alunos que não são EAD pensam que é mais fácil burlar algumas regras, mas pelo contrário não há diferenciação metodológica e nem de conteúdo e sim uma organização melhor, uma perspectiva mais interessante, através do uso das mais diversas mídias acessíveis e que consegue transformar o aluno em estudante “em ação”. A metodologia é semelhante, porém com outras diversas mídias que podem ser adicionada com a construção do ensino, ou seja, um conteúdo normal de uma disciplina presencial.

A EAD se apresenta na esfera pedagógica como mais uma opção metodológica, que traz consigo uma série de características que impõem a necessidade de novas aprendizagens por parte de quem vai utilizá-la (planejamento, desenvolvimento e avaliação), pois do que se trata é de compreender um novo processo de ensino-aprendizagem (FERREIRA, 2000).

O que se percebe muitas vezes em relação à Educação a Distância é o preconceito, que na verdade não é nada disso que pensam, pois ao mesmo tempo em que atende as novas demandas da educação em permanente processo de transformação aproximando professores e alunos que estão espacialmente separados se interagem no processo ensino aprendizagem no espaço virtual de determinados cursos, assistem aulas, resolvem atividades e ainda podem compartilhar ideias nas redes sociais com os amigos.

Segundo HOLMBERG, a característica geral mais importante do estudo à distância era que ele se baseava na comunicação não direta. Mas hoje, com as novas tecnologias, a Internet e a Videoconferência, o estudo à distância está também baseado na comunicação direta (HOLMBERG, 1981).

Por tudo isso, o aluno aprende como em qualquer outra modalidade de ensino. E sendo assim, a EAD é uma modalidade de ensino que liberta o aluno e não o limita. Enfim, condicionada pela sua história profunda a EAD tende a expandir cada vez mais com a demanda do conhecimento na sociedade contemporânea mediadas por tecnologias de informação e comunicação que foca o processo ensino aprendizagem adequando à realidade dos sujeitos inseridos ou que venham a se inserir nessa prática educativa. Porém, que essa modalidade de ensino dê sempre a chance de formar para além dos “saberes” estabelecendo à prática social que vise os valores, sentimentos, desejos, colocando o sujeito numa posição ativa em sua forma de ser, agir, pensar, enfrentar tensões, conflitos, contradições, inerentes a qualquer processo formativo.

Sobre o Autor:

Rosemary Santana Paiva Alves - Professora do Ensino Médio, no Colégio estadual Rui Barbosa, em Boninal-BA, Chapada Diamantina, licenciada em Letras, Pós - graduada em Língua Portuguesa, Literatura e Identidade Cultural, mestranda em Ciências da Educação na Universidad Interamericana.

Referências:

ALVES, J.R.M. A história da EAD no Brasil. IN: LITTO, F. e FORMIGA, M (org). Educação a Distância: O estado da arte. São Paulo: Pearson Prentice Kaol, 2009. Disponível em http://www.unigrario.br. Acesso em 15 de mai. de 2015.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União. Brasília. 23 de dezembro de1996.

FERREIRA, Rui. A Internet como ambiente da Educação a Distância na Formação Continuada de Professores Universidade Federal do Mato Grosso. Dissertação de mestrado: Cuiabá 2000. Disponível na Internet. In¨http://www.cev.ucb.br/ff/Ruy.ferreira/use.htm. Acesso em 15de mai. de 2015.

HOLMBERG, Börje. Educación a distancia: situación y perspectivas. Buenos Aires (Argentina): Editorial Kapelusz, 1981.

MAIA, C. e MATTAR, J ABC da EAD: educação à distância hoje. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. Disponível em http://www.unigranrio.br. Acesso em: 15 de mai. de 2015.

Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n. especial, p.166–181, ago 2006 ISSN: 1676-2584180. Disponível em http://www.d8a22f9f2/b4c5de.pdf. Acesso em 15 de mai. de 2015.

Informar um Erro Publique Seu Artigo