Indisciplina na Escola: Saberes e Fazeres Pedagógicos no Contexto Escolar

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Resumo: Considerando que o problema da indisciplina em sala de aula é um fenômeno que vem se agravando progressivamente nas escolas de todo o mundo, o presente estudo consiste numa reflexão sobre a prática do Coordenador Pedagógico para a Intervenção deste problema no contexto escolar, objetivando explicitar as ações empreendidas tanto para formação de caráter do alunado, quanto na formação de professores, investigando os significados atribuídos à Indisciplina na escola. Baseando-se no estudo de alguns pesquisadores como Júlio Groppa Aquino, Tânia Zaguri, Paulo Freire e Daryl Siedentop, entre outros e dos teóricos Jean Piaget e Levi Vigostsk, foi possível compreender algumas das ações comportamentais típicas de indisciplina que se fazem presentes no cotidiano escolar contribuindo assim para uma análise sobre a ação do coordenador escolar na sua área de trabalho, em busca da sua não ressignificação em seus fazeres e saberes pedagógicos, detectando, acompanhando e solucionando problemas de conflito em sala de aula, entre semelhantes, profissionais e familiares no contexto escolar. O presente estudo foi baseado em caráter de pesquisa bibliográfica, quantitativa-descritiva e exploratória, trançando como respaldo para sua abordagem a verificação da importância da mediação do coordenador pedagógico no direcionamento dos fatores indisciplinares, que permeiam tanto o caráter pessoal como implica no processo de ensino e aprendizagem dos alunos, entendendo que a família, a escola e o meio estão interligados e que a facilitação do ato educativo dentro de uma função mediadora é de responsabilidade de todos que cercam o aluno. A gestão pedagógica, os docentes e a família são os alicerces da escola e é por acreditar que estes representam uma ponte valiosa entre alunos e conhecimento é que se torna imprescindível que exista a interação total e completa, dentro de um caráter formador interativo e dinâmico.

Palavras-chave: Indisciplina Escolar, Coordenador Pedagógico, Família, Aluno.

1. Introdução

Ser professor nunca foi uma tarefa simples. Hoje, porém, novos elementos vieram tornar o trabalho docente ainda mais difícil. A disciplina parece ter se tornado particularmente problemática. Analisar as causas do problema é preocupação sobre a qual, hoje, se debruçam todos os que estão envolvidos com educação e que desejam uma escola de qualidade. Baseando-se no estudo de alguns pesquisadores como Júlio Groppa Aquino, Tânea Zaguri, Paulo Freire e Daryl Siedentop, entre outros e dos teóricos Jean Pyaget e Levi Vigostsk,, foi possível compreender algumas das ações comportamentais típicas de indisciplina que se fazem presentes no cotidiano escolar, dando mais que motivos para realização de um estudo como este aqui tratado, no intuito de não só conhecer mais sobre o assunto, mas também guiar e ajudar profissionais da área da educação.

Sabe-se que são inúmeros os elementos que concorrem para a atual situação educacional brasileira. Diante dessa realidade, pretende-se abordar neste artigo, as razões que vão desde a influência da família para formação do caráter do sujeito, até os motivos que geram atitudes comportamentais de indisciplina no ambiente escolar, analisando não só suas causas, mas entendendo quais os fatores que contribuem para as dificuldades da aprendizagem, partindo da prática profissional da autora, na qual corpo docente, alunos e família buscam respostas no contexto educacional para o entendimento do porquê de tanta indisciplina nas escolas.

A busca de conclusões sobre esta indagação e no intuito de entender os problemas que cercam o andamento da educação no âmbito escolar, é que se investiga, no contexto deste tema, o problema indisciplinar que tem sido o frequente motivo de tantos desconfortos nas salas de aula, repercutindo não só na escola, mas no ambiente familiar e no meio social envolvente.

Cabe ressaltar que as pessoas que rodeiam o aluno, principalmente as pessoas da família, influem muito no seu comportamento, pois a criança nasce no seio desta, sendo, portanto, os pais os primeiros educadores, onde a extraordinária influência dos que cotidianamente tratam com os alunos reflete em muitos dos atos praticados por eles. Este tema é sem dúvida, demasiado vasto. Em consequência disto, serão tratadas apenas algumas vertentes, não numa perspectiva de meta à chegada  de  conhecimentos  definitivos,  mas  de  ponto  de  partida  para  outras abordagens interativas do ato educativo. Como a indisciplina constitui atualmente problemas graves, os quais a escola enfrenta, não podiam deixar de serem referidos os efeitos negativos que ela produz nos docentes, principalmente os de caráter emocional.

Em virtude desta temática, se pode fazer uma reflexão que se inicia com a indisciplina no âmbito educacional, onde a abordagem passa pela prática educativa no contexto escolar e mostra de maneira realista o ambiente familiar e sua influência educativa, sem esquecer o papel do coordenador pedagógico e da importância da sua intervenção na prática dos fazeres e saberes educativos confrontando os conceitos e proporções da disciplina e da indisciplina, explicitando a relação professor-aluno. Vale lembrar que esse estudo tem como proposta básica entender o histórico comportamental dos alunados, conhecendo os tipos de ações comportamentais que geram a indisciplina no contexto escolar, contribuindo para um saber pedagógico, percebendo assim quais fatores que geram a dificuldade da aprendizagem, entendendo que a disciplina é fator primordial para uma aprendizagem plena.

Nesse intuito, pretende-se investigar o tema aqui abordado, para obter subsídios que possam evidenciar a proposta desta discursão, alcançando reflexões e entendimento sobre o porquê da indisciplina na escola e de como o coordenador pedagógico pode atuar e intervir na prática dos saberes e fazeres do docente no contexto escolar.

2. A Indisciplina no Âmbito Educacional

Quando se fala em indisciplina, logo se pensa em mau comportamento e demais atitudes inadequadas que uma pessoa pode ter. É comum relacionar essas, ao ambiente escolar, esquecendo-se que não apenas este espaço, como qualquer ambiente influencia de algum modo o ser humano, proporcionando tanto hábitos e atitudes positivas quanto negativas para formação do caráter de uma criança, adolescente ou adulto.

Esse assunto também nos remete a escola, pois esta deve ser um ambiente que forma e que constrói valores ou ainda que tem por missão desconstruir aspectos que as crianças ou adolescentes trazem em sua formação premissa, as quais são percebidas em seu ingresso à escola, devendo esta mediar e moldar da melhor maneira possível esses aspectos negativos nesta criança, complementando e possibilitando uma nova construção de caráter.

Para que possam ocorrer essas possibilidades em busca de uma nova formação de caráter, é preciso que exista uma sintonia entre escola, família, alunos e professores, tendo em vista que é comum todos estes segmentos se depararem com tais problemas disciplinares no âmbito educacional, precisando não apenas resolver tais problemas, mas principalmente aprender a identificar suas causas. Os motivos circunstanciais das ações indisciplinares tem, uma alta importância para a obtenção de conhecimento desses fatores agentes, devendo-se,  principalmente, levar em consideração o ambiente externo, onde ocorre a formação e a educação informal, que tanto influencia e molda esse aluno. Dentro das escolas, costuma-se falar muito em uma pedagogia em que o conhecimento prévio e a realidade de vida da criança são válidos e consideravelmente importantes para construção de novos conhecimentos, no entanto essa bagagem não deve ser de todo modo entendida como inadequada, pois o histórico de vida do aluno diz muito sobre seus aspectos característicos, legitimando de muitas formas a maneira de se portar inadequadamente ou não, na escola.

Adquirem-se mais facilmente os conceitos e as regras, se as circunstâncias específicas de onde são abstraídos estiverem frequente, e não raramente, associadas aos atributos (critérios) de definição ou exemplares dos mesmos, e se os sujeitos possuírem mais, e não menos, informações relevantes sobre a natureza destes atributos (AUSUBEL, 2003).

Face ao exposto, entende-se que associar os critérios de disciplina no âmbito escolar torna-se mais relevante quando o aluno, assim também como o professor, compartilha de interesses em comum rumo a uma educação de qualidade. Sabendo que o objetivo da educação é formar indivíduos autônomos e cooperativos, então, é necessário que esta se desenvolva em um ambiente de participação mutua. E para isso, a escola precisa ser esse ambiente socializador, pois a importância de se ter claro a sua parcela de contribuição na formação moral de seus alunos é primordial. Já o professor tem a função de colaborar para que isso se efetive da melhor maneira possível, devendo proporcionar experiências pares, com base na cooperação, construindo um ambiente com regras coerentes e justas. Também, deve-se questionar sobre a coerência das regras da própria escola.

O ambiente escolar tem ainda, a função de facilitar o processo de socialização do indivíduo, para assim, cumprir com essa função numa sociedade democrática, contribuindo com uma educação de qualidade, não só no que diz respeito ao seu currículo, mas também no que diz respeito aos valores éticos sociais.

O papel da escola passa a ser mais significativo ainda, uma vez que lida com um saber que muitas vezes precisa ser repensado, reavaliado e reestruturado. Infelizmente, nem sempre ou quase sempre a escola "não tem cumprido o objetivo da educação que desejamos, de cunho democrático, socializando o saber e os meios para aprendê-lo e transformá- lo" (RIOS, 1995, p. 32).

Assim sendo, precisa-se repensar a educação atual, averiguando se de fato aqueles que deveriam ser os facilitadores desta integração tem trabalhado ou lecionado nesta perspectiva.

O Estatuto da Criança e do Adolescente trata, em capítulo específico, do direito à educação, estabelecendo seus objetivos, os direitos dos educandos, as obrigações do Estado, dos pais e dos dirigentes dos estabelecimentos de ensino (ECA, Capítulo IV - artigos. 53/ 59). No artigo 2° da Lei 9394/96 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação estabelece que a educação visa ao preparo para o exercício da cidadania. Em virtude disso,

Cabe a escola a preparação para o exercício da cidadania. E para ser cidadão é necessário conhecimento, memória, respeito pelo espaço coletivo, normas de relações interpessoais e diálogo aberto entre olhares éticos (La Taille, 1996).

Tendo em vista, esta colocação, é relevante dizer que para o exercício desta cidadania, ou das relações entre o coletivo, faz-se necessário uma prática docente que busque integrar em seu processo de ensino-aprendizagem, um olhar não só ético, mas também uma relação interpessoal favorável, devendo não olhar apenas para a indisciplina, mas procurar entender as razões que levaram à prática de tal comportamento, já que sabe-se que a indisciplina escolar apresenta-se como o descumprimento de normas, tão impostas pela escola e demais legislações que desejam esta aplicação. Em virtude disso, o processo de aprendizagem sofre variáveis em seu percurso, necessitando da disciplina para que ocorra de forma tranquila e eficaz, transformando essa aprendizagem em algo significativo para o aluno.

As diversas manifestações da indisciplina são o desafio para os educadores em sala de aula e na escola e tem sido a causa de muitos problemas de caráter qualitativo e/ou quantitativo para o processo de ensino-aprendizagem. Segundo (VASCONCELLOS, 1997).

Sem autoridade não se faz educação; o aluno precisa dela, seja para se orientar, seja para poder opor-se (o conflito com a autoridade é normal, especialmente no adolescente), no processo de constituição de sua personalidade. O que se critica é o autoritarismo, que é a negação da verdadeira autoridade, pois se baseia na coisificação, na domesticação do outro (p. 248).

Diante dessas considerações, obedecer às regras não significa submissão ou servidão. O sentido da obediência para a criança ou adolescente terá valor quando aprenderem que viver em sociedade significa construir regras e que disciplina é sinônimo de autocontrole. Nessa vertente, é pertinente entender que o problema da indisciplina está ligado a uma série de outras questões e não devemos esquecer que ela é apenas mais um aspecto da educação escolar e que todos os envolvidos no processo de educação de uma criança tem o dever de transpor estes princípios.

Diante da atuação da autora no contexto escolar como coordenadora pedagógica, foi possível perceber a presença de indisciplina escolar no percurso de sua prática, a qual idealizou um projeto de caráter interdisciplinar, transdisciplinar e multidisciplinar sobre o tema aqui abordado para coleta de dados substancias que justificassem seu estudo e sua intervenção nas ações comportamentais de má conduta e na averiguação dos fatores agentes para os problemas de aprendizagem na escola. Esta pesquisa foi feita com alunos e professores da instituição de ensino e a essa inicialmente tem como vertente o seguinte questionamento.

Gráfico nº 01- A presença da indisciplina no âmbito Educacional.

Gráfico nº 01- A presença da indisciplina no âmbito Educacional.

Como se pode constatar, a presença da indisciplina no contexto escolar se faz presente majoritariamente e isto faz entender que os esforços para mudar este quadro são urgentes.

A escola e os professores, na medida em que cumprem os seus papéis, têm uma tarefa importante na transformação e mudança dos alunos de modo que, nem escola e nem professores, permaneçam indiferentes perante a situação de indisciplina dos alunos. Algo deve ser feito pela escola e pelos professores para contornarem a situação: a escola deve, sobretudo, criar condições materiais, humanas e ambientais no sentido de proporcionar um clima de convivência agradável entre os alunos (NUNES, 2006).

Conforme ressaltado, vale lembrar que a indisciplina precisa ser pensada na articulação e organização do PPP- Projeto Político Pedagógico, como também no Regimento Escolar, onde se traçam metas e vertentes para tratar deste problema no espaço educativo formal. De acordo com o pensamento de COSTA, o projeto educativo assume-se como um,

Documento de carácter pedagógico que, elaborado com a participação da comunidade educativa, estabelece a identidade própria de cada escola através da adequação do quadro legal em vigor à sua situação concreta, apresenta o modo geral de organização e os objetivos pretendidos pela instituição e, enquanto instrumento de gestão, é o ponto de referência orientador na coerência e unidade da ação educativa (1991, p. 10).

Por isso, a escola deve ter essas metas traçadas e apresentadas de maneira considerável para que todos que fazem parte do contexto escolar entendam as normas de conduta da instituição e que os sujeitos deste hemisfério educativo, possam ser conscientizados dessas vertentes normativas.

2.1 A Prática Educativa no Contexto Escolar

Sabe-se que a escola é uma importante instituição humana, cuja função é de preparar o indivíduo para viver na sociedade. É por meio da escola que são transmitidos valores culturais, morais e sociais, sendo desta, o dever de informar ao indivíduo o pleno conhecimento das regras que a regem. Já à escola cabe levar o aluno a um tipo de disciplina de transformação que o levará à apreensão de saberes. Saberes estes que formarão um cidadão comprometido com o bem estar da coletividade. Para Durkheim, a educação não é mais do que um fato social, isto é, em resultado da educação produzem-se seres sociais. Nesta linha de pensamento o sociólogo acredita que,

A educação é a ação exercida pelas gerações adultas sobre as que ainda não estão amadurecidas para a vida social. Tem por objetivo suscitar na criança um certo número de estádios físicos, intelectuais e morais que dela reclamam quer a sociedade politica no seu conjunto, quer o meio social ao qual se destina (1984, p. 28).

Aos poucos, a criança/adolescente deixa de imitar os adultos e passa a absorver valores transmitidos pela escola, aumentando assim a sua  autonomia frente ao seu grupo social. Apesar da escola ser um lugar importante para se conviver e adquirir novos saberes, ela não é a única responsável pela educação e formação moral e ética social de uma criança, adolescente ou adulto, mas é sim um complemento indispensável para formação deste, devendo auxiliar a família nesse processo de educar e aprender. A LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em sua Lei n° 9.394/96 inicia afirmando que a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem em vários lugares, um dos quais é a escola, como mostra em seu Art.1º.

A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.

No entanto, para que essas razões se apliquem como mostra a LDB, é necessário que os responsáveis por essa educação formativa entendam e apliquem com eficácia esses saberes, proporcionando aos seus agentes resultados favoráveis a esta aplicabilidade.

Fazendo ainda uma ponte entre a escola e a prática educativa, constata-se que, para o professor conseguir transmitir/ensinar a matéria de estudo ou valores formativos, da melhor forma possível, ao aluno, é preciso que existam meios propícios ao processo de ensino-aprendizagem, não que isso vá garantir a eficácia deste aprender, mas na certeza de que esses aspectos vão colaborar para a absorção positiva do processo.

Vale lembrar que entre educador e educandos não há mais uma relação de verticalidade, em que um é o sujeito e o outro objeto, pois agora a pedagogia é dialógica e ambos são sujeitos do ato cognoscente, ou seja, agentes do aprender ensinando e o ensinar aprendendo e por esta razão, a busca por estratégias e caminhos que mantenham a indisciplina em níveis democraticamente aceitáveis dentro da escola, devem ser pensadas ou repensadas para que sua impertinência não se torne mais importante do que a aprendizagem significativa dentro da escola.

A escola de hoje sofre muitas transformações, desde seu aspecto físico até sua  transformação  de  valores,  visto  que  a  escola  tem  como  função  mediar conhecimentos,  acaba  assumindo  o  papel  de  protetora  do  indivíduo  contra  a sociedade    e   o meio que influencia e cerca os mesmos. Sabe-se que todo ser humano tem suas crenças, e com base nelas, seus pensamentos e sentimentos que culminam nas atitudes. É nesse contexto que a escola foi pensada, para que através dela, desenvolva-se nas crianças a crença numa  sociedade mais humana e  justa, sem preconceitos, em que  os cidadãos atuem compromissados com o bem comum, pois se acredita que a escola tornaria- se vazia e ineficiente caso omitisse de resgatar certos valores "adormecidos" na consciência humana. Por esse motivo, torna-se essencial refletir o mundo atual, fortalecer e renovar as "crenças", inserindo no processo educacional valores que possibilitem a formação integral de nossos alunos.

Não se pode esquecer que quando os alunos chegam ao âmbito escolar, eles já possuem uma história de vida, recebem frequentemente influências fora da escola, apresentam um comportamento individual, social e uma vivência sociocultural específica ao ambiente de origem de cada um deles. Todas essas características individuais dos alunos integram elementos básicos que auxiliam ou que pelo menos deveriam auxiliar  na formação do currículo escolar.

Além dos aspectos já mencionados, acredita-se que este importante espaço tem tarefa básica no processo de socialização das crianças, com o objetivo de enquadrá-las ou ajustá-las às estruturas da sociedade contemporânea. Neste sentido, acredita-se que as relações sociais, as trocas de experiência, o cotidiano, formam um conjunto de fatores que garantem a construção de uma instituição de ensino que busca integrar a vida escolar à vida social. Em contrapartida tem-se que a perfeita observação de todos esses elementos direciona à verdadeira práxis docente, ou seja, a articulação entre a teoria e a prática em sala de aula. Construir valores na sala de aula requer profissionalismo e competência por parte dos professores quanto à utilização de uma importante ferramenta pedagógica: a vivência sociocultural dessas crianças.

Quando os professores de uma unidade escolar sentam-se com seus alunos e desconstroem e sabem reconstruir a plenitude da significação e dos tipos de disciplina, não apenas a aula corre mais facilmente e a aprendizagem se concretiza de maneira mais saborosa como estudantes e mestres descobrem que, reconhecendo a disciplina como ferramenta essencial às relações interpessoais, aprendem autonomia, exercitam a firmeza e conseguem, com mais dignidade, construir o caráter (ANTUNES, 2005).

Dessa forma, o professor deve considerar no exercício de sua função o aluno como sujeito de múltiplas relações, que por estar em processo de formação, deve ser considerado em sua totalidade. Assim, deve assegurar ao educando uma formação crítica, capaz de levá-lo a refletir sobre temáticas cotidianas e interferir positivamente em seu meio e, sobretudo, em sua vida para transformá-la.

É notório que as construções e desconstruções de saberes diversos de alunos e professores devem se perpetuar ao longo desta etapa de ensino-aprendizagem e que esse momento depende do querer e da importância que ambos dão a este processo.

Percebe-se que durante o processo de ensino-aprendizagem muitas ações comportamentais ocorrem a favor ou não, para o benefício intelectual dos alunos e é nesse momento que as reclamações dos professores ganham maior repercussão, pois as mesmas se referem à prática de sua função no dia a dia, sendo que as mais constantes dizem respeito à indisciplina de seus alunos e por esse motivo chegam muitas vezes a achar que seu trabalho está sendo inviabilizado pelo mesmo motivo.

Essa questão não é nova nas salas de aula de nossas escolas, porém vem ganhado dimensão pelos inúmeros problemas que vêm agregados aos atos indisciplinares. Por esse mesmo motivo, muitos professores têm desencadeado problemas emocionais como o estresse contínuo em sua função, tamanha sua dificuldade de conviver, administrar, resolver e criar alternativas de intervenção que possam ajudá-lo a contornar situações indisciplinares. Cabe frisar que, na maioria das vezes, os professores optam por encaminhar os alunos indisciplinados à coordenação pedagógica para que se possam ser aplicadas punições ou algum tipo de medida repressiva pela atitude infligida pelos mesmos. Existe também uma expectativa dos docentes quanto à atitude do coordenador pedagógico sobre as praticas desse aluno, esperando mais rigor no exercício de sua função, como se isso fosse a resolução do problema, não sabendo que ações autoritárias e repressivas não ajudam esse aluno a refletir e repensar seu comportamento, mas sim estreita sua condição de se perceber quanto ser agente e determinante para formação de seu próprio caráter, acentuando ainda mais o seu comportamento indesejado.

O coordenador pode ser um dos agentes de mudança das práticas dos professores mediante as articulações externas que realiza entre estes, num movimento de interações permeadas por valores, convicções , atitudes; e por meio de suas articulações internas, que sua ação desencadeia nos professores, ao mobilizar suas dimensões políticas , humano-interacionais e técnicas, reveladas em sua prática (ALMEIDA. 2001).

Para isso, faz-se necessário que a autonomia para resolução desta prática e destes conflitos no âmbito educacional sejam favoráveis e determinantes para o encaminhamento das questões de indisciplina do que, ao contrário, tornando os laços e as relações entre alunos e professores mais estreitas e eficazes, fazendo o próprio aluno perceber que pode contar com o professor como aliado e não como o algoz em seu processo de formação. Por isso, falar da prática educativa no ambiente escolar pode parecer muitas vezes simplório, levando em consideração a formação dos docentes e da equipe pedagógica, porém vai muito mais além da pura capacitação de sua área específica e sim a real condição e competência de conhecer e constatar os fatores e aspectos que estão desencadeando problemas de indisciplina na escola.

Esses fatores podem ser desde o real entendimento e diferenciação do conceito disciplinar ou indisciplinar que os docentes têm a respeito deste assunto; a relação professor-aluno, que muitas vezes se perde em sua essência, o próprio conhecimento destes professores sobre infância e adolescência e suas fases de desenvolvimento; a importância da estrutura familiar, que possui fatores específicos de cada vivência, as quais contribuem para as dificuldades de aprendizagem e por fim os tipos de ações comportamentais, que são específicas nos atos de indisciplina na escola.

Para tanto, é necessário que o professor evidencie a interação de diferentes tipos de pessoas e que dentro da sala de aula esses indivíduos discordam entre si, mudem de opinião, e possuam tempo próprio de aprendizagem. É preciso levar o professor a entender que se faz necessário se equipar de um ensino individualizado dentro da sala de aula.

No decorrer da docência, o professor precisa também entender o ensino como um desafio que ele precisa superar. Sua prática educacional molda-se dentro do que exige a educação. A atividade docente deve ser pensada e analisada para que o professor auxilie na transformação da instituição e de suas tradições.

A busca pelo aperfeiçoamento da prática educativa é essencial para a conquista do aprimoramento do docente. Para isto, o professor, na procura de sua realização profissional, precisa utilizar-se da pesquisa, e assim fazer as mudanças necessárias à prática educacional. Avaliando-se, ele beneficiará a si e aos alunos e proporcionará mais qualidade à sua didática, estreitando o espaço entre os atos indisciplinares.

Para elucidar este subcapítulo, aponta-se a seguir índices que contribuem para a indisciplina no cotidiano escolar e que foram percebidos na prática profissional da autora, onde os mesmos proporcionam situações divergentes no processo de ensino-aprendizagem no âmbito educacional, onde para a aquisição destes dados, foi proposto um formulário indagativo para coleta de informações

pertinentes aos problemas que vêm afligindo as relações em sala de aula. O formulário indagativo teve por objetivo levar os alunos a uma reflexão crítica pessoal, oportunizando aos mesmos um alto avaliação no que diz respeito ao seu comportamento na sala de aula e esse processo foi realizado com os alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, composto por perguntas abertas e fechadas, obtendo-se a participação de 178 alunos.

Gráfico nº 02- Casos mais comuns de Indisciplina em sala de aula.

Gráfico nº 02- Casos mais comuns de Indisciplina em sala de aula.

Dado a relevância dos dados, percebe-se que esses fatores são os mais diagnosticados em sala de aula e que os mesmos promovem as ações comportamentais inoportunas no cotidiano escolar, resultando em muitos desacertos entre alunos e professores. Esses desacertos causam ao aluno percas talvez irreparáveis, no que diz respeito ao seu desenvolvimento intelectual, e ao professor provoca uma perca do domínio em suas aulas e no favorecimento de sua missão, promovendo, na maioria das vezes, a retirada deste aluno da sala de aula, comprometendo ainda mais esse processo de ensino-aprendizagem.

2.2 O Ambiente Familiar e sua Influência Educativa

Sabemos que as famílias de hoje, não são mais como as de antigamente. Costumes e tradições, bem como alguns valores se perderam com o tempo e nos dias atuais a família, devido a suas novas ocupações, tem se tornado distante de seu compromisso com a escola e com o processo educativo de seus filhos.

A colaboração da família no processo educativo de seu(s) filho(s) é de fundamental importância, sendo esta o alicerce para formação de caráter dos mesmos. Sabe-se que antes da entrada do indivíduo na escola, a família é  a principal mediadora para o sucesso escolar desta criança, que por sua vez pode ampliar o seu potencial, facilitando o trabalho mútuo do professor, pois, além de funcionar como agente socializador, ainda é a primeira a passar conteúdos nos quais se desenvolvem padrões de socialização e experiências de vida primária, que vão refletir na vida escolar.

O vínculo entre família e escola tem sido um assunto muito abordado na atualidade, pois, levando-se em consideração que cada uma tem sua importância e seu papel, esse entrosamento tem se tornado obsoleto e muitas vezes ineficiente no sentido de construção de uma educação de qualidade, onde a atuação de ambas as partes tem se promovido de maneira indiferente, já que a escola precisa da parceria da família para desenvolver um trabalho produtivo e edificador em sua perspectiva e a família precisa dar suporte à escola para emancipação de uma educação pertinente e eficaz. A Lei de Diretrizes e Bases Nacionais (LDB) em sua lei 9394/96 do seu Art. 2º, diz:

A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Com a rotina diária e agitação da vida familiar, esse processo se quebra, levando a família a esquecer que tem seus deveres, atribuindo à escola a responsabilidade de educar, ensinar e formar a criança. O ambiente familiar também é um grande influenciador para formação de caráter e de atuação no desenvolvimento cognitivo e intelectual da criança, já que sendo a importância da ação familiar na tarefa educativa reconhecida pela escola, impõe-se uma íntima colaboração, que deverá significar a ajuda mútua na consecução do ideal educativo que cada vez se torna mais difícil.

Diante disso, também é válido ressaltar que nunca na escola se discutiu tanto quanto hoje assuntos como a falta de limites, o desrespeito na sala de aula e a desmotivação dos alunos. Nunca se observou tantos professores cansados, estressados e, muitas vezes, doentes física e mentalmente.

Nunca os sentimentos de impotência e frustração estiveram tão marcadamente presentes na vida escolar. Para ESTEVE(1999, p.13), toda essa situação tem relação com uma acelerada mudança no contexto social. Segundo ele:

Nosso sistema educacional, rapidamente massificado nas últimas décadas, ainda não dispõe de uma capacidade de reação para atender às novas demandas sociais. Quando consegue atender a uma exigência reivindicada imperativamente pela sociedade, o faz com tanta lentidão que, então, as demandas sociais já são outras.

Considerando todos esses fatores, percebe-se que esses são ocasionados por meio da indisciplina que tem se perpetuado no cotidiano escolar e que esses conflitos acabam agravando-se quando a escola tenta intervir. Ocorre que muitos pais, por todos os problemas já citados, delegam responsabilidades à escola, mas não aceitam com tranquilidade quando essa mesma escola exerce o papel que deveria ser deles. Em outras palavras

[...] os pais que não têm condições emocionais de suportar a sua parcela de responsabilidade, ou culpa, pelo mau rendimento escolar, ou algum transtorno de conduta do filho, farão de tudo, para encontrar argumentos e pinçar fatos, a fim de imputar aos professores que reprovaram o aluno, ou à escola como um todo, a total responsabilidade pelo fracasso do filho (ZIMERMAN apud BOSSOLS, 2003: 14).

Portanto, cabe à família se conscientizar do seu papel formador e indispensável na vida de seus filhos e compreender que a escola não pode ser a única responsável pela formação deste indivíduo, embora caiba à escola orientar tanto o aluno quanto à sua família, tornando a comunicação entre professores, alunos e família um momento mediado e, sobretudo, estreito, para que possam existir parcerias e para que nenhum dos lados se sinta sobrecarregado no processo formativo deste indivíduo. A esse respeito, é importante deixar claro também que a maioria dos fatores de influência sobre a aprendizagem da criança ou do adolescente são provenientes do ambiente familiar e que os fenômenos basicamente multidimensionais, ou seja, que tem múltiplas dimensões e que concerne a níveis ou campos variados de influência também não podem ser entendidos como únicos e exclusivos para a ação negativa do desempenho dos alunos.

Em função da família e de como o ambiente familiar pode causar influências positivas quanto negativas na formação de caráter da criança ou do adolescente, é que a autora em sua prática pedagógica e no seu campo de atuação pôde perceber que os fatores que provavelmente ocasionam todos os aspectos negativos neste ambiente parte inicialmente pela falta dos pais sofrida pelos filhos, pois nos dias atuais essa lacuna é notória nas famílias brasileiras, mas nem por isso a educação deve ser posta de lado.

Percebe-se também que o que tem atrapalhado bastante os filhos/alunos no âmbito educacional formal e contribuído para a indisciplina é a tentativa de os pais compensarem sua ausência através de preocupações exageradas para atender aos desejo mais inadequados, compensando sua ausência de maneira errada. É bem verdade que tais compensações distorcem a educação e sendo assim, o comportamento inadequado se acentua com maior evidência, fazendo os pais muitas das vezes aceitar dos filhos o que jamais aceitariam de qualquer outra pessoa, perdendo deste modo a autoridade educativa sobre estes, o que gera a indisciplina em casa, na rua e na escola, prejudicando sua formação.

É oportuno frisar, que esta criança ou adolescente no ambiente escolar será propenso a desencadear ações comportamentais de caráter indisciplinar, pois não está acostumado a seguir regras, ouvir nãos ou ter limites e isto torna o ambiente escolar propício a ser um lugar chato, passando a escola a lugar de algoz no desenvolvimento educativo e formativo deste aluno, se tornando um lugar “adequado” (na visão do aluno) para burlar regras, regidos pelo saciar de seus desejos, passando a serem tão indisciplinados quanto forem suas vontades. Segundo Içami Tiba(2008, p. 35) “Os filhos deveriam, desde já, praticar em casa o que terão que fazer na sociedade. Esta é a verdadeira educação, tendo como uma das suas bases a disciplina”. Fica claro então que, os pais são os principais agentes na formação de seus filhos, influenciando e muito a vida dos mesmos, tornando-se a escola uma colaboradora neste processo formativo.

3. O Papel do Coordenador Pedagógico

A sociedade vem passando por diversas transformações que vão desde seu caráter formativo aos de ordem econômica, política, social e ideológica. A escola, por sua vez, sofre com essas transformações e é dever desta se adequar e se desenvolver em quanto instituição de ensino; incluir práticas pedagógicas que possam se integrar dentro desse novo contexto social a fim de conseguir enfrentar os desafios que comprometem a sua ação frente às exigências que surgem.

Em razão disso, os profissionais que nela trabalham, precisam entender que seus alunos necessitam ter uma formação mais direcionada, e cabe a estes profissionais promover o desenvolvimento das habilidades e competências desses sujeitos. Para tanto, faz-se necessária a presença de um coordenador pedagógico, o qual precisa estar consciente de seu papel, da importância de sua formação continuada e de todos que fazem parte do ambiente escolar. A função da coordenação pedagógica é o suporte que gerencia, coordena e supervisiona todas as atividades relacionadas com o processo de ensino e aprendizagem, visando sempre a permanência do aluno com sucesso.

Em consequência disso, a missão do Coordenador pedagógico é dar um sentido positivo, consciente e preciso à ação da escola, para que esta cumpra realmente suas finalidades, promovendo com sentido seus esforços e empenhos pedagógicos, no intuito de instigar, ampliar e desenvolver aspectos qualitativos e quantitativos em seus sujeitos. Segundo (VIEIRA, 2003)

Para o coordenador pedagógico, o principal objetivo de sua função é garantir um processo de ensino-aprendizagem saudável e bem-sucedido para os alunos do curso em que atua. Para tanto, ele desempenha várias tarefas no seu cotidiano: tarefas burocráticas, atendimento a alunos e pais, cuidado e planejamento de todo o processo educativo do curso... emergências e imprevistos e, principalmente, a formação em serviço dos professores com os quais trabalha (p.83).

Como colocou Vieira, a ação do coordenador pedagógico nos faz compreender que sua responsabilidade é ampla e que a variedade de pessoas com que esse profissional lida diariamente em sua prática é diversificada, pois há uma gama  de  personalidades  e  interesses  diversificados.  Esse  profissional  deverá atender e superar qualquer obstáculo, para mediar situações as quais é de cunho pedagógico e que o mesmo precisa resolver.

Todavia, é importante ressaltar que apesar das responsabilidades que são atribuídas ao coordenador pedagógico, este ainda sim, não é o único mediador responsável pelo sucesso escolar e formador do aluno, é preciso que o corpo docente, família, diretor, alunos e comunidade, estejam engajados em um objetivo em comum, para que o sucesso se dê simultaneamente. Para Orsolon (2000) O coordenador é apenas um dos atores que compõem o coletivo da escola. Para coordenar, direcionando suas ações para a transformação, precisa estar consciente de que seu trabalho não se dá isoladamente.

Então, é nesse contexto de coletividade que se dá a construção de um projeto transformador. Cada um com sua dedicação e contribuição para atingir o que se deseja na instituição, necessitando que estejam ali com uma única intenção: buscar sempre o melhor para a formação educacional dos seus alunos através de suas contribuições dentro da escola.

3.1 Intervenção Pedagógica

Gerir a escola do século XXI não é uma tarefa para qualquer gestor. Nos dias atuais se rediscutem em meio ao contexto educacional o espaço formal, o tempo, a didática, o sujeito e os conteúdos de aprendizagem, portanto a figura do coordenador pedagógico se destaca como articuladora e representante dessa nova forma de pensar a educação. Diante da realidade e da prática docente da autora, é relevante compartilhar neste capítulo alguns pontos que foram observados em sua experiência profissional.

A intervenção pedagógica no contexto escolar se faz necessária e atuante no âmbito educativo, por neste existir conflitos nas relações professor-aluno, aluno- aluno, família-professor, onde a mediação destes problemas se faz urgente. As cobranças dos docentes para com a escola são constantes, porém, essas cobranças não são de premissa básica sobre a aprendizagem e nem sobre os fatores negativos de cognição, mas sim, de caráter comportamental, sendo as implicações que permeiam a indisciplina em sala de aula de caráter atitudinais dos sujeitos, onde a resposta esperada pelo professor é que uma medida punitiva seja aplicada ao aluno.

O fato é, que realmente por algumas vezes atitudes mais incisivas precisam ser tomadas com relação ao tipo de ação comportamental indisciplinar que o aluno venha apresentar em sala de aula, entretanto, é importante e necessário que o coordenador investigue as razões que causaram determinadas atitudes e que este possa confrontar de maneira sábia os conflitos e razões que estejam interferindo no processo de ensino-aprendizagem, bem como, o envolvimento e compreensão da relação do professor-aluno, no intuito de desconstruir ideias impertinentes a este processo e possibilitar uma nova visão do problema, para garantir assim, um efeito positivo neste processo de nova construção de valores e autoconhecimento, tanto para a visão reflexiva do aluno, quanto para a do professor.

Por esses motivos divergentes que assolam o cotidiano escolar, é que se faz importante a intervenção do coordenador pedagógico, não só para mediar as situações de conflito, mas para investigar as razões que traduzem os comportamentos indisciplinares, entendendo de onde se originam, bem como essas ações comportamentais influenciam na aprendizagem do aluno. Se o educando apresenta dificuldades em seu processo de aprendizagem, cabe também a esse gestor identificar as causas que tornam esse processo ineficiente, devendo este, promover ações que possam apontar caminhos e alternativas para o sucesso cognitivo e intelectual deste aluno.

De forma geral, um dos grandes desafios na função do coordenador pedagógico é sua incessante articulação entre a teoria e a prática, na qual o saber e o fazer reflexivo precisam estar contextualizados, uma vez que a transformação da realidade educacional decorre do confronto entre teoria e prática.

4. Disciplina X Indisciplina

A questão da Disciplina e da Indisciplina na sala de aula tem sido um assunto preocupante para gestores, professores, em fim, para toda a educação brasileira.

Uma aflição frequente na educação brasileira e, portanto, uma angústia comum a todos os professores é conceituar indisciplina, perguntando-se o que é Indisciplina? Essa pergunta é preocupante, porque uma pesquisa recente realizada nas Ilhas Britânicas enfatizava que para a maioria dos professores entrevistados a Indisciplina é a conversa, e portanto a conversa do aluno em sala de aula, passava a ser sinônimo de Indisciplina e por via oposta o silêncio acabava por caracterizar a ideia de classe disciplinada. Ora, esta ideia que parece também ser pertinente a muitos professores no Brasil é extremamente preocupante, porque em primeiro lugar, é conversando que se aprende e em segundo lugar, por que a conversa é uma das mais extraordinárias manifestações da inteligência humana. A melhor ideia que se possa fazer de Indisciplina é acreditar que a mesma exista quando a ação do aluno impede a escola de realizar os objetivos cruciais da sua existência, tornando assim a missão da escola ineficiente e improdutiva.

Pensar em indisciplina ou em disciplina nos remete a pensar em comportamento ou em ações comportamentais que caracterizam um ato disciplinar ou indisciplinar. Dentro de uma visão de desenvolvimento moral, podemos entender que essa problemática de caráter externo, na verdade para transparecerem, precisam de relações interindividuais favoráveis para desenvolver a disciplina ou a indisciplina que está interna na criança ou no adolescente. De acordo com a visão Piagetiana, para que ambas ocorram, é preciso que exista a interação do indivíduo com o ambiente para que possa ser construída e evoluída de dentro do próprio sujeito, necessitando assim da influencia de outros seres agentes. Vale lembrar que o entendimento deste conceito está ligado com as fases do desenvolvimento moral da criança (desenvolvimento de anomia, heteronomia e autonomia). De acordo com PIAGET (1999,p. 3), “para que as realidades morais se constituam é necessário uma disciplina normativa, e para que essa disciplina se constitua é necessário que os indivíduos estabeleçam relações uns com os outros”.

Diante desta afirmação, deve-se entender que mais do que investigar os motivos da indisciplina, deve-se averiguar as relações afetivas, emocionais e psicológicas, para daí estabelecer limites que possam ser assegurados a partir da intervenção de todos que rodeiam esse aluno e que possam ser entendidos pelos mesmos, pois, disciplina não se impõe, se conquista, não com autoritarismo, mas com autoridade. De La Taille afirma que,

Se os adultos não desempenham essa função de autoridade, para Freud, não inspirarão medo, para Durkheim, não desenvolverão, na criança, o espírito de disciplina e, para Piaget, não desencadearão nela o surgimento do sentimento do respeito moral (1998, p. 92).

Fica evidenciado que a reflexão crítica pessoal é o que gera a consciência de valores morais éticos, que conduzem o sujeito aos bons modos e que os mesmos não serão influenciados por nenhum ambiente, se estes tiverem a compromisso consigo. A possibilidade do professor fazer com que os alunos formem o seu caráter através do treino mental, exigindo que o aluno vença a si mesmo com consciência, exige que do mediador exponha o conjunto de leis, normas e padrões de comportamentos que visam ser deferidos, formando um conjunto de valores atribuídos para quem se adequa ou escapa aos padrões estabelecidos, tornando os problemas que ocorrem na sala de aula não mais os que perturbam o andamento da sala ou da aula, mas sim, os que não mais se caracterizam como ações indisciplinares.

Essa reflexão, nos leva a possuir saberes pertinentes a este respeito, entendendo ainda que o processo de aprendizagem se caracteriza como eficiente quando a indisciplina está fora do caminho do conhecimento cultural e cognitivo do aluno, sendo a disciplina uma condição necessária para a produção da aprendizagem.

4.1 A Relação Professor – Aluno

A relação professor-aluno é fundamental em todos os níveis e modalidades de ensino. Através dela o aluno pode ser motivado a construir seu conhecimento. A relação educador-educando não deve ser uma relação de imposição, mas sim uma relação de cooperação, de respeito e de crescimento. O aluno deve ser considerado como um sujeito interativo e ativo no seu processo de construção de conhecimento. Assumindo o educador um papel fundamental nesse processo, como um indivíduo mais experiente. Por essa razão cabe ao professor considerar também o que o aluno já sabe, isto é, sua bagagem cultural e intelectual, para a construção da aprendizagem. Além disso, essa estratégia define um ponto de partida para o ensino e para a sequência de atividades. Como afirma o psicólogo da aprendizagem David Ausubel (2003) que diz que o fator mais importante que influencia o aprendizado é o que o aprendiz já sabe.

Em vista de este parecer, o professor e os gestores formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilita progressos no desenvolvimento do indivíduo. Nessa perspectiva, não cabe analisar somente a relação professor-aluno, mas também a relação aluno-aluno. Para Vygotsky(2001), a construção do conhecimento se dará coletivamente, portanto, sem ignorar a ação intrapsíquica do sujeito.

Uma das mais frequentes incompatibilidades nas relações entre o educando e o educador são os comportamentos de conduta, apresentados em sala de aula, pois estes geram muitas vezes a retirada do aluno da sala pelo professor e esta atitude provoca desconforto entre ambos, porém cada um com suas razões. O aluno se sente acuado ou envergonhado por ter que se retirar da presença dos colegas e do professor sem poder se explicar, e o professor que na sua falta de paciência, não se dá a oportunidade de ouvir as explicações deste aluno. Todo esse desconforto gera uma distância nas relações, causando uma visão negativa e uma formação de opinião errada entre ambos.

Para que a indisciplina não brote quase por geração espontânea, é útil que o professor tenha bem presente a importância dos aspectos relacionais com os seus alunos.

Pela sua conduta, o professor deve ser um exemplo, para que possa exercer, sem autoritarismo, a sua função educativa. Deve proporcionar, na sala de aula, um clima de participação e de respeito, sem esquecer que o aluno é um indivíduo com direito a ter dúvidas, a ter dificuldades, a ter opiniões, a colaborar e a ser criança (PIRES, 2002, p. 71).

Se o professor valorizar apenas a sua função de instrutor, é mais provável que os conflitos disciplinares apareçam. Para evitar tal situação, a ação da escola deverá centrar-se na prevenção da indisciplina e não na forma de controlá-la.

5. Histórico Comportamental

Na pequena unidade social que é a sala de aula, educando e educador encontram-se ligados por uma relação particular e extremamente complexa. Entre ambos se estabelece um panorama comportamental, onde se espera determinados comportamentos. Falar de comportamento é falar da leitura que cada pessoa faz de determinada situação, de aspectos comportamentais individuais, muitos deles ligados à aprendizagem, efetuada ou não e das normas e regras de convivência em sociedade.

A tarefa de avaliar e julgar os comportamentos dos alunos é extremamente complexa, pois classificar e determinar comportamento e defini-lo como indisciplinado é ofício delicado, verificando-se muitas vezes atuações e leituras diversas dos professores, em relação ao mesmo ato. Sob a visão da autora deste artigo, é inadequado associar esses fenômenos de indisciplina a comportamentos que fogem aos parâmetros do “normal”, e são classificados como indisciplinados.

As ações comportamentais tratadas a seguir bem como sua relevância para o assunto abordado têm seus conceitos baseados no estudo dos teóricos outrora já citados que abordam estudos comportamentais e aspectos de distúrbios de aprendizagem.

Estes termos vem acrescentar o entendimento sobre os tipos de ações comportamentais que existem no espaço escolar, como: comportamento de Entusiasmo, comportamento de implicação, comportamento de inconsistência, comportamento de passividade, comportamento desviante, comportamento disruptivo e comportamento perturbador. Acredita-se que a tomada de entendimento sobre estes procedimentos comportamentais em sua ampla aplicabilidade de conhecimento são favoráveis para a condução de problemas indisciplinares na escola, caso estes forem conhecidos e entendidos de maneira madura por todos que compõem a escola.

5.1 Tipos De Ações Comportamentais

Vejamos em seguida os tipos de ações comportamentais que podem ser detectadas através de atitudes específicas que traduzem a forma e a qualidade do ato indisciplinar.

5.1.1 Comportamento de Entusiasmo:

É aquele em que o aluno possui um conjunto de ações comportamentais que conduzem uma demonstração de prazer em organizar e realizar as atividades em sala de aula durante o processo de ensino-aprendizagem.

5.1.2 Comportamento de Implicação:

Caracteriza-se pelo estado em que o aluno se encontra em um determinado processo, podendo ser positivo ou não, proporcionando uma espécie de conformidade durante o desenvolvimento do ensino-aprendizagem, obtendo um comportamento que não atrapalha o andamento da aula e garante aos colegas e professores o bom andamento do processo educativo.

5.1.3 Comportamento de Inconsistência:

Apresenta instabilidade em sua ação comportamental, desencadeando incoerências atitudinais e inconstantes, onde as interrupções ou suspensões durante as atividades escolares são contínuas, interrompendo o processo de ensino- aprendizagem.

5.1.4 Comportamento de Passividade:

O aluno não se mostra atuante, nem reage as ações que sofre ou recebe do processo de ensino-aprendizagem, não incomoda a dinâmica da aula, porém necessita da advertência constante do professor para se atentar ao processo educativo, demonstrando uma continuidade comportamental apática.

5.1.5 Comportamento Desviança:

É detectado por meio de demonstrações atitudinais que desencadeiam um alto desconforto aos que compartilham do mesmo espaço que o indivíduo, apresentando ações que parecem aos outros inapropriadas e que tem caráter contrário as regras que vigoram no momento.

5.1.6 Comportamento Disruptível:

Esse comportamento transgride as normas escolares, prejudicando a aprendizagem e seu relacionamento com os outros, rompendo o caráter qualitativo do desenvolvimento intelectual, fazendo parte dessas ações típicas desse tipo de comportamento o vandalismo, faltar às aulas, desobediência, irritação, ameaças ou violência física, uso de linguagem imprópria, tagarelice, algazarra, alcoolismo/drogas, desinteresse entre outros.

5.1.7 Comportamento Perturbador:

Especifica-se pelo estado em que o indivíduo se encontra em determinado momento, estabelecendo ações comportamentais de caráter destrutivo, onde sorrateiramente essas ações abalam o desenvolvimento tanto formativo quanto intelectual, porém este tipo de comportamento será propício a ocorrer dependendo do contexto em que se apresentou a aula ou o tipo de aula, o aluno e o professor, influenciando sua aparição.

Portanto, embasada em informações fundamentadas e ainda sob a luz da pesquisa de campo baseada na vivência e da prática profissional da autora na instituição Colégio Caminho do Saber, foi possível colher dados que mostram como esses tipos de ações comportamentais influenciam no processo educativo e formativo do discente, caracterizando a indisciplina no âmbito educacional formal. Pode-se averiguar o resultado desta pesquisa no quadro abaixo, o qual mostra sob a visão do docente, a frequência e a presença de cada comportamento apresentado em sala de aula. Para coleta desses dados foi aplicado um formulário indagativo a 30 professores da instituição de ensino, no qual se especulava o tipo de comportamento que mais se apresenta na sala de aula destes professores.

Gráfico nº 03- Ações comportamentais presentes na escola sob a visão da prática Docente.

Gráfico nº 03- Ações comportamentais presentes na escola sob a visão da prática Docente.

Como foi demonstrado no gráfico nº 03, “ Ações comportamentais presentes na escola sob a visão da prática Docente”, os dados nos levam a percepção de que o comportamento típico de indisciplina mais comum em sala de aula é o comportamento Perturbador, pois este, como já descrito, pode apresentar-se de acordo com o contexto em que se apresentou a aula ou o tipo de aula, o aluno e o professor, influenciando sua aparição. Esse dado serve de norte para que se repense as práticas pedagógicas e docentes que estão sendo aplicadas na escola e na sala de aula de cada professor, a fim de promover uma reflexão acerca deste agente problematizador que é a indisciplina.

É lícito destacar que falar de indisciplina e detectar atos indisciplinares é realmente muito simples, pois apenas é preciso que o docente se incomode com determinada atitude de conduta que creia ser inapropriada ou que o aluno se negue, rompendo ou burlando normas e regras as quais o educador acredita  estarem claras, para, enfim, se denominar como indisciplina. Mas averiguar e entender os reais motivos que causaram estes atos inapropriados é muito mais complexo e difícil quando não existem informações pertinentes para detectar esses atos.

Gráfico nº 04- Ações comportamentais presentes na escola sob a visão da atuação dos Discentes.

Gráfico nº 04- Ações comportamentais presentes na escola sob a visão da atuação dos Discentes.

Detectar atos indisciplinares por meio da prática docente é fácil, pois o educador está envolvido com os alunos todo no tempo do processo de ensino-aprendizagem e por esta razão consegue detectar com facilidade as atitudes de indisciplina, porém para se obter uma visão de ambos segmentos, um formulário indagativo também foi proposto para os alunos da escola para coleta desses dados no que diz respeito as atitudes comportamentais dos mesmos.

Para tanto, antes da aplicação desta pesquisa com os alunos, foi pensado em uma ação de intervenção pedagógica pela coordenação da escola, para tratar do assunto de indisciplina por meio de uma roda de discursão aberta e mediada pelo coordenador, que trouxe de maneira lúdica o significado da disciplina e da indisciplina, mostrando e comparando ambos e levando o alunado a uma experiência dinâmica da aprendizagem sobre o assunto de maneira crítico reflexiva, dando sentido ao processo final, que foi a coleta de dados.

6. Fatores que Geram a Dificuldade da Aprendizagem

De uma perspectiva ampla e abrangente, a respeito da indisciplina, é pertinente pontuar que a indisciplina influencia e muito para as dificuldades de aprendizagens que predominam no espaço educacional, onde a adversidade pode sim, partir do empenho que o ambiente escolar pode causar. É claro que a família e seu meio, acarretam para o aluno uma série de fatores que moldam e causam ações típicas de indisciplina, como já vimos no  capítulo 2 deste estudo.

Porém, é importante deixar claro que depois que o aluno está dentro da escola, ele é responsabilidade desta. Essa precisa então estar comprometida com a educação do cidadão, além de se preocupar com os resultados que obterá de seus alunados e se o tipo de aprendizagem que está oferecendo está qualificando e desenvolvendo  habilidades e competências dos sujeitos que estão no processo.

Nota-se que os fatores que cooperam para as dificuldades de aprendizagem, partem dos atos indisciplinares como a inquietude dos alunos; a não cooperação com o professor nas aulas; a distração impertinente; as trocas de mensagens e de bilhetinhos em meio a aula; o comportamento violento; a constante ausência da sala para ir ao banheiro ou beber água; as incessantes interrupções das aulas com atitudes agressivas como verbais e físicas; a não aceitação de se trabalhar em grupo; o profundo desinteresse nas aulas; a verbalização inadequada e alta; a gozação aos colegas e professores; os questionamentos impertinentes e inadequados durante a aula e o não acatamento as ordens dos professores.

Além da influencia da família em seu processo de aprendizagem, do ambiente social externo a escola, das relações professor e aluno e da convivência na própria escola, esses são mais alguns fatores que contribuem para a dificuldade da aprendizagem no contexto escolar e que precisa ser pensado como um problema que necessita de uma atenção pedagógica eficiente e oportuna, para que a relevância de suas ações educativas possam produzir efeitos positivos na construção de uma escola melhor para todos que fazem parte do processo de ensino-aprendizagem da criança, adolescente ou do adulto.

6.1 A Disciplina como Fator Primordial para uma Aprendizagem Plena

Percebe-se então que este é um tema complexo, pois a disciplina pode variar de acordo com as condições específicas em que ela se encontra. Somente somos levados a entender que a disciplina é um ato complementar, isto é, depende das características do disciplinador e do disciplinando, para que a mesma seja traduzida em boas condutas, porém, diferentes professores podem conseguir diferentes resultados com uma mesma classe, para isso, é preciso repensar práticas e pensamentos antagônicos, para que o assunto seja fluente e compreendido pelo espaço educativo formal, que também deve se responsabilizar pelas ações indisciplinares e de valores éticos sociais perdidos e trazidos pelo/do ambiente externo, para a escola.

A disciplina contribui para a facilitação do processo educativo de seus sujeitos, pois com ela as regras de convivência se tornam mais aplicadas e as ações contraditórias sessam, proporcionando assim, um momento mais favorável para obtenção do saber. Para tanto faz-se preciso que não apenas os alunos, mas também os professores se conscientizem de que a disciplina não é uma norma de conduta apenas para um ou para outro, mas para todos que fazem parte do processo de ensinar e de aprender, tendo o educador que ser o primeiro a dar o exemplo, para tornar suas exigências relevantes e persuasivas.

Através da pesquisa realizada, pôde-se notar que por parte dos docentes é mais eficaz desenvolver suas aulas quando este usa sua voz normal e natural, pois se o professor quer que seus alunos falem em um volume normal e agradável é importante que ele seja o principal exemplo. Falar apenas quando houver silêncio na sala de aula também é outro ponto que contribui para a disciplina e para ajudar na aprendizagem, aguardando que cada aluno reconheça a presença deste professor, sem a necessidade de qualquer apresentação ou manifestação, contribuindo assim para a construção do respeito mútuo. Usar a comunicação não verbal é um ótimo passo para aprendizagem significativa, levando-se em conta que chamar a atenção deste aluno para o que está sendo falado é muito bom, além de pontuar problemas de forma rápida e sábia.

7. Considerações Finais

Fazer o balanço do caminho que se percorreu ao longo desse estudo é, antes de tudo, ter consciência que muito ficou por dizer, porém, ao finalizar esta pequena etapa pela temática da indisciplina na escola, pôde-se constatar que atualmente os vários agentes educativos, especialmente a escola, parece viver tempos difíceis. Não porque não seja capaz de continuar a manter, na sua grande maioria, a qualidade dos seus profissionais, mas porque essencialmente tem tomado consciência dos múltiplos planos, em relação aos quais se adivinham grandes transformações, com consequências para as interações no seio da comunidade educativa, em virtude dos novos patamares de socialização escolar.

Ficou evidenciado que as grandes transformações sociais e familiares provocadas pelo processo de democratização no acesso à educação fizeram chegar à escola novos públicos com expectativas bastante diferentes e com uma realidade comportamental bem diversificada. A escola se vê, nos dias atuais, com dificuldades diversas em tratar por igual o que por natureza é desigual e individual. A família, por sua vez, evidencia dificuldades em acompanhar o desenvolvimento escolar de seus filhos, distanciando-se da escola.

Esta situação, acompanhada pela diversidade sociocultural, originou problemas de integração e de motivação escolar que se revestem de fenômenos de indisciplina, colocando um sério entrave ao desenvolvimento do processo ensino- aprendizagem e afetando o equilíbrio emocional de todos os membros da comunidade educativa.

Em todo o processo educativo formal no âmbito escolar é imprescindível que exista a presença do coordenador pedagógico, para que a mediação rumo à resolução de conflitos comportamentais e de dificuldades de aprendizagem possam ser ministradas, averiguadas e resolvidas por meio de sua mediação, sendo a autoridade uma função vital na questão disciplinar por meio deste profissional. É importante ainda entender que quando existe uma interação entre os indivíduos na sala de aula e estes podem construir um conceito de disciplina que não seja imposto por leis arbitrárias, mas construído por meio da negociação de regras claras e justas, pode-se obter de maneira satisfatória uma boa expectativa em relação ao cumprimento das normas e metas que se deseja alcançar, levando os educandos a desenvolverem autonomia e percepção crítica da realidade, já que uma participação  ativa na sociedade pressupõe  uma conscientização dos educandos quanto aos seus deveres nesta comunidade.

Por estas razões, pode-se admitir que o decurso da vida escolar implicará a participação em processos, face aos quais, conceitos como os de reinvenção, capacidade decisória, negociação, aprendizagem, diálogo, democratização e talvez muitos outros, começam a preencher-se, convertendo a sua dimensão puramente intelectual em realidade vivida e assumida, tornando-se uma espécie de categorias determinantes do modo de ser e estar na escola de hoje.

Dada a importância desta temática, é lícito compor nessas considerações finais o desconforto que as atitudes comportamentais vem causando na instituição diagnosticada e de como as regras e papeis, bem como as relações entre família, corpo docente e discente se mostram heterogêneas e apontados como os principais fatores daquilo que pode ser referenciado com importância para o aparecimento de indisciplina e estão  intrinsecamente ligados à escola e ao professor, em particular.

Assim, com este estudo valida-se a coleta de dados de caráter investigativo, uma vez que o mesmo teve o intuito de entender quais os fatores que levam a indisciplina no contexto escolar, resultando na importância da função do coordenador pedagógico para mediação das situações de conflitos gerados pelos tipos de ações comportamentais neste estudo exploradas.

Recomenda-se que em estudos posteriores se aborde e aprofunde a problemática aqui aproximada, recorrendo a novas metodologias que complementarão as utilizadas aqui. Dada a complexidade deste fenômenos, que envolve fatores políticos, sociais, familiares e educativos, haverá ainda um longo caminho a percorrer no sentido de se tentar perceber um pouco melhor este problema.

Na perspectiva de contribuição qualitativa e com a investigação realizada neste estudo, espera-se ter respondido à questão de partida que problematizou todo este estudo, contribuindo de uma forma positiva e exploratória para o aprofundamento de conhecimentos neste campo das Ciências Sociais.

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