O Desenvolvimento Sócio-Educacional Sob a Ótica de Carl Rogers

O Desenvolvimento Sócio-Educacional Sob a Ótica de Carl Rogers
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Resumo: Pretende-se neste artigo avaliar o processo educacional sob a ótica da Abordagem Centrada no Aluno postulada por Carl Rogers, avaliando como o autor defende uma metodologia que proporcione um desenvolvimento saudável e harmônico do aluno dentro do espaço acadêmico.

Palavras-Chave: Aprendizagem, Desenvolvimento, Educação.

1. Introdução

A Aprendizagem de modo geral é um processo contínuo que articula produção de competências, habilidades e interação entre o sujeito e objeto, além de ser uma experiência orientada pelo raciocínio, observação e agentes externos e internos como a Motivação. É uma função mental primordial no homem e intrínseco ao desenvolvimento pessoal embora haja teorias em contraposição.

Segundo Vigotskii (2006), o desenvolvimento e a aprendizagem sobrepõem-se constantemente, como duas figuras geométricas perfeitamente iguais. O indivíduo desde muito cedo aprende por natureza comportamentos e valores que o amadurecem progressivamente, de forma que uma habilidade assimilada desempenha um novo nível de desenvolvimento, logo a aquisição e maturação de funções motoras, cognitivas, sociais e educacionais relacionam-se com o desenvolvimento da aprendizagem. Em contrapartida, estabelece como observa Piaget (2006) uma teoria oposta, postulando uma cisão entre aprendizagem e desenvolvimento, o qual deve atingir determinado estágio com a maturação de funções específicas, antes de a escola repassar à criança hábitos e conhecimentos. Assim, desenvolvimento e maturação de funções é um pressuposto e não o resultado da aprendizagem em si.

Dissociados ou não, o desenvolvimento e a aprendizagem são processos interativos, enriquecedores e fundamentais à maturação de aptidões mentais e sociais, que permite à criança um autoconhecimento de suas capacidades gerais e da realidade à sua volta. Contudo, é primordial o estabelecimento de uma interlocução equilibrada de forma que pais e professores respeitem as limitações e necessidades particulares da criança. Significa investir em um afeto promotor de uma autoestima positiva, o que implica a busca do prazer de conhecer e ouvir. O afeto e reconhecimento dos pais é essencial para a identificação da criança com o meio social. No âmbito da escola, o professor (substituto simbólico dos pais) também precisa investir na capacidade social e cognitiva desse pequeno sujeito social.

2. A Abordagem Centrada no Aluno

Em sua teoria da Abordagem Centrada no Aluno, Carl Rogers prima um processo de aprendizado harmônico, sugerindo que o aluno seja o gestor e estabeleça critérios e objetivos a serem alcançados e o Professor um facilitador, que aceite questionamentos, propostas diferentes, caminhos errôneos e facilite a trajetória até um novo conhecimento.

Rogers postula que todo o ser humano detém potencialidades a ser desenvolvidas, cabendo ao Terapeuta orientá-lo num crescimento pessoal, o mesmo se aplica ao campo da Educação, onde o Professor-Facilitador deve respeitar as habilidades de cada aluno e limitações sem diminuí-lo ou menosprezá-lo diante de algum desvio ao desenvolvimento padrão e nutrir um interesse que desperte a criatividade e novas indagações.

Ademais, critica entrelinhas métodos tradicionais onde Professores se mantém sob a máscara de Autoridade, defendendo então, que o mesmo deva ter uma postura transparente, mostrando-se como uma pessoa comum com sentimentos e desejos semelhantes a de seus alunos. É primordial investir, também, em um afeto promotor de uma autoestima positiva, o que implica a busca do prazer de conhecer e ouvir, e o afeto e reconhecimento dos pais é, inclusive, essencial para a identificação da criança com o meio social. Portanto, no âmbito da escola, o professor-facilitador precisa investir na capacidade social e cognitiva desse pequeno sujeito social.

Pois, o que esperar de um processo ás avessas, isto é, em que há o predomínio da negligência às necessidades da criança? Como a criança lidaria com o rigor dinâmico de escolas alheias às questões de seu interesse? O que esperar de docentes incapazes de lidar com crianças carentes de atenção para às suas dificuldades?

O docente deve desenvolver capacidade de observação, atenção, memória, raciocínio etc – e que cada melhoramento de qualquer destas capacidades significa o melhoramento de todas as capacidades em geral (VIGOTSKII, 2006).

Infelizmente, ainda existe uma ampla incidência de negligência e imposições de pais ou professores. Isso gera um baixo rendimento da criança, particularmente, quando são cobradas severamente para obterem resultados. Ou seja, quando não são consideradas as diferenças quanto as capacidades e facilidades.     

Esta cobrança, Pierre Bourdieur (1975) denominou de violência simbólica - uma relação de dominação que não pressupõe a coerção física entre os indivíduos e sim um reconhecimento implícito da autoridade de alguém, muitas vezes despercebido por se desenvolver como um respeito natural com o consentimento de quem sofre.  No caso em questão, a atitude professoral em validar estratégias punitivas ao comportamento do aluno fora dos moldes sociais da instituição escolar, é, segundo Bourdieur, um exemplo enfático, pois ausente de qualquer autoridade, a criança deve respeito ao docente realizando tarefas impostas mesmo sem conseguir efetuá-las com o êxito exigido.

Vale salientar que ao deparar-se com crianças negligenciadas dentro do seio familiar a escola as acolhe como um caso já perdido, onde os docentes, além de desqualificar exigem rendimentos e ignoram suas deficiências.

3. Conclusão

Infelizmente, é evidente que muitas escolas ainda não sabem como acolher e trabalhar com as possíveis dificuldades que os alunos podem apresentar ao longo do processo Educacional, acabando por criticá-las, desmerecê-las ou excluí-las por ações, que por vezes, passam despercebidas ou já são internalizadas entre professores e alunos.

Assim, Rogers critica fortemente um ensino de métodos repreensivos, defendendo que o Professor retire a máscara de autoridade e adote uma postura transparente, mostrando-se como uma pessoa comum com sentimentos e desejos semelhantes a de seus alunos. É primordial investir, também, em um afeto promotor de uma autoestima positiva, o que implica a busca do prazer de conhecer e ouvir, e o afeto e reconhecimento dos pais é, inclusive, essencial para a identificação da criança com o meio social. Portanto, no âmbito da escola, o professor-facilitador precisa investir na capacidade social e cognitiva desse pequeno sujeito social.

Referências:

VIGOTSKII, L.s. et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 10º São Paulo: Cone Editora, 2006.

PESSOA, Sabim Vilmarise. A afetividade sob a ótica psicanalítica e piagetiana. PUBLICATIO UEPG – Ciências Humanas, 8 (1): 97.107. 2000.AR

VITORINO, Leony, Janete. Sucesso nas meninas, fracasso nos meninos: o papel dos contextos nos distúrbios de aprendizagem e gênero. Disponível em: https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-escolar/sucesso-nas-meninas-fracasso-nos-meninos-o-papel-dos-contextos-nos-disturbios-de-aprendizagem-e-genero  Último acesso: 15/11/2012

PIAGET, Jean. Psicologia e Pedagogia. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006.

Pierre Bourdieu e o conceito de violência simbólica. Disponível em:  http://pt.shvoong.com/social-sciences/1721852-pierre-bourdieu-conceito-viol%C3%AAncia-simb%C3%B3lica/#ixzz2CUXdHxGE. Último acesso: 17/11/2012

CAPELO. M. D. F. Aprendizagem Centrada na Pessoa - Contributo para a compreensão do modelo educativo proposto por Carl Rogers. Revista de Estudos Rogerianos A Pessoa como Centro Nº. 5 Primavera-Verão 2000

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