O Estágio Supervisionado na Pedagogia\Parfor - UVA: Diálogo Entre Teoria e Prática Docente

O Estágio Supervisionado na Pedagogia\Parfor - UVA: Diálogo Entre Teoria e Prática Docente
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Resumo: Este artigo tem por objetivo relatar a experiência efetivada no decorrer do estágio supervisionado na graduação do curso de Pedagogia\Parfor segunda licenciatura da Universidade Estadual Vale do Acaraú. O diálogo entre teoria e a prática docente desenvolvida no 5o ano do ensino fundamental de uma escola pública municipal de Sobral (CE), foi de grande importância para minha formação profissional. A experiência aqui relatada contou com os subsídios dos autores: (FREIRE, 1996\ 1987); (DURKHEIM, 1975); TOMAZZI (1997); (GEERTZ, 1998), dentre outros. Quanto à metodologia utilizada esta teve como referência o método etnográfico. De acordo com Geertz (1978), a “etnografia é a forma pela qual os antropólogos procuram compreender as mais diferentes culturas, sobre seu sistema de valores, sua experiência de vida - pensamentos, emoções, sentimentos e práticas que constituem sua própria realidade existencial. Portanto, o método etnográfico implica conhecer o "outro", sendo que quando o "outro" faz parte da própria sociedade do pesquisador é preciso "estranhar o familiar e assim descobrir... o exótico no que está petrificado dentro de nós" (Da Matta, 1987, p.157). Resultados deste estudo dão conta de que o pesquisador e estagiário vivenciam e se tornam parte do universo estudado, participando das relações sociais e procurando entender as ações no contexto observado

Palavras-chave: Experiência docente, Método etnográfico, Teoria-prática, Psicologia da Educação.

1. Introdução

O presente relato de experiência, além de ser requisito essencial para a conclusão  do curso de Pedagogia 2a Licenciatura, tem também a função de informar aos leitores  sobre a formação acadêmica deste autor e a elucidação de sua experiência docente  desenvolvida no decorrer do estágio supervisionado, como exigência do referido curso,  apresentando de maneira sucinta, a trajetória entre a sala de aula, local do exercício da  profissão de professor de séries iniciais (5o ano) do Ensino Fundamental I no município  de Sobral (CE).

Essa experiência adquirida durante o curso de Pedagogia da Universidade Estadual Vale  do Acaraú é relatada como aprendizados na escola e na sala de aula em que o estágio  docente se dá, enfatizando como esses aprendizados se fizeram, tornando o professor apto  para atuar enquanto profissional, estabelecendo relações entre teoria e prática, (realidade  em que encontra-se inserido), sempre acreditando em uma possível mudança para um  futuro educacional melhor.  

A teoria que fundamentou este estudo contou com os subsídios dos autores:  (FREIRE, 1996\ 1987); (DURKHEIM, 1975); TOMAZZI (1997); (GEERTZ, 1998),  dentre outros. Quanto à metodologia utilizada para o desenvolvimento deste trabalho teve como referência o método etnográfico. O qual implica conhecer o "outro", sendo que quando o "outro" faz parte da própria sociedade do pesquisador é preciso "estranhar o familiar e assim descobrir... o exótico no que está petrificado dentro de nós" (Da Matta,1987, p.157).

Resultados deste estudo dão conta de que o etnógrafo deve tirar partido da situação, porém, sempre tendo em mente o fato de que está realizando uma pesquisa que exige um movimento constante de aproximação e afastamento do objeto. De igual modo, o conhecimento etnográfico depende do modo de agir do sujeito-profissional refletido no terreno de atuação, do modo como este sujeito se vê a si próprio na relação que o seu etnocentrismo estabelece com a diferença cultural.

 Assim, durante a realização do estágio supervisionado foram realizadas visitas que proporcionaram o encontro com a escola Leonília Gomes Parente, campo de estágio e local do exercício docente deste profissional e todo o ambiente que compõe a escola.  Desse modo, a inserção deste estagiário e pesquisador, como observador de todo o entorno da escola, sua organização, sua estrutura, a metodologia das aulas e o cotidiano do ambiente em que ela se insere foi essencial para a realização deste trabalho.

Além disso, foram feitas anotações em diário de campo, além da observação participante lançando mão de conversas informais com professores, alunos e gestores da escola, como método de coleta de dados.  Relatar momentos pessoal de vida profissional foi algo que, de início, causou certa angústia, diante da realidade a qual indicasse os principais pontos a serem abordados.

Assim sendo, o trabalho foi iniciado contando a trajetória deste autor a partir dos seus primeiros anos na educação básica até o último período da faculdade de Pedagogia 2a licenciatura\ Parfor, enfatizando a experiência do estágio supervisionado, atividade exigida pelo curso de Pedagogia, como elemento de formação do pedagogo.  Ao refletir sobre a experiência do estágio, momento em que tive contato com meu campo de trabalho, faço algumas reflexões sobre a prática docente, além de algumas discussões referentes ao ensino, principalmente referentes ao ensino através da Pedagogia. Ao “viver” o estágio, confirmo minha vocação, a de lecionar.  

Ao discutir as metodologias de ensino referentes à Pedagogia, trago a experiência adquirida durante a formação, em que através do estágio passamos a refletir mais sobre a prática docente. Exponho como se deu o desenvolvimento do estágio, que teve como culminância a intervenção elaborada para as realidades específicas estudadas que se concretizou através da regência em sala de aula, momento em que coloquei em prática o que haverá aprendido até ali enquanto estagiário.  

A partir do conhecimento que adquiri durante toda a formação, penso que estou apto a intervir de forma significativa na minha profissão. As análises feitas neste trabalho foram baseadas em leituras e experiências adquiridas no decorrer de minha formação.  Através de fundamentação teórica, de autores que contribuíram para minha formação acadêmica. Portanto, este estudo tem por objetivo relatar a experiência efetivada no decorrer do estágio supervisionado na graduação do curso de Pedagogia\Parfor segunda  licenciatura da Universidade Estadual Vale do Acaraú- UVA.

2. Metodologia

A metodologia utilizada para o desenvolvimento deste trabalho teve como referência o método etnográfico. De acordo com Geertz (1978), a “etnografia é a forma pela qual os antropólogos procuram compreender as mais diferentes culturas, sobre seu sistema de valores, sua experiência de vida - pensamentos, emoções, sentimentos e práticas que constituem sua própria realidade existencial. Portanto, o método etnográfico implica conhecer o "outro", sendo que quando o "outro" faz parte da própria sociedade do pesquisador é preciso "estranhar o familiar e assim descobrir... o exótico no que está petrificado dentro de nós" (Da MATTA, 1987, p.157).  

Foram realizadas visitas à escola Leonília Gomes Parente, campo de estágio e local do exercício docente deste profissional e todo o ambiente que compõe a escola.  Desse modo, a inserção deste estagiário e pesquisador, como observador participante de todo o entorno da escola, sua organização, sua estrutura, a metodologia das aulas e o cotidiano do ambiente em que ela se insere foi essencial para a realização deste trabalho.  Além disso, foram feitas anotações em diário de campo, além de lançar mão de conversas informais com professores, alunos e gestores da escola, como método de coleta de dados.  

3. Discussão  

3.1 Minha Vida e Minha Formação  

Todas as etapas da vida de um ser humano são formadas por experiências, sendo que tais experiências podem marcar nossas vidas tanto de uma forma positiva como negativa. E são elas que contribuem para a nossa formação, pois são fundamentais para a construção da nossa cultura e influenciam nossos posicionamentos perante a sociedade em que estamos inseridos.

Como trabalho final para a conclusão do curso de Pedagogia 2a Licenciatura Parfor, ofertado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú, foi proposto que eu,  enquanto formando, relatasse minhas experiências mais significativas, inclusive em  relação as adquiridas no decorrer do estágio, e que trouxesse ao conhecimento de todos  as situações que mais marcaram minha vida durante a formação acadêmica.

E foi isso que me propus a fazer: expressando da melhor forma possível como foi essa experiência, tendo como ponto de partida o início do curso, chegando ao momento mais intenso como  formando em Pedagogia: o estágio.  

3.2 O Relato de Experiência: Minhas Primeiras Inquietações  

Ao iniciar esta produção, as primeiras inquietações diziam respeito até mesmo ao termo: relato de experiência. Tinha conhecimento do que se tratava, porém a dúvida se dava pelo fato de desenvolver um trabalho de conclusão de curso relacionando-o com os textos lidos durante a formação. Como conseguiria relatar minha experiência sem deixar de lado o caráter acadêmico que identifica os trabalhos de conclusão de curso?  O que realmente me causou estranheza foi o fato da necessidade de escrever um relato de experiência que falasse sobre minha trajetória. Afinal, a quem interessa meu relato? De que forma as experiências que tenho contribuiriam para a reflexão das práticas educativas adotadas por mim, enquanto professor do Ensino Fundamental I? Tais inquietações marcam a presente produção textual, além de indicarem ainda, a necessidade de partilhar angústias e estranhamentos que marcaram o ato de expor em linguagem escrita um texto em formato de relato de experiência.

Um texto que que descreve precisamente uma dada experiência que possa contribuir de forma relevante para sua área de atuação (por exemplo, um curso novo ministrado sobre determinado assunto, um projeto profissional, etc.). Ele traz as motivações ou metodologias para as ações tomadas na situação e as considerações/impressões que a vivência trouxe aquele (a) que a viveu. O relato é feito de modo contextualizado, com objetividade e aporte teórico. Em outras palavras, não é uma narração emotiva e subjetiva, nem uma mera divagação pessoal e aleatória (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: informação e documentação:  trabalhos acadêmicos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2002).  

3.3 A Formação Superior  

A minha vida acadêmica foi bastante intensa, cheia de altos e baixos. Momentos marcantes que são resgatados com facilidade, como um filme que ressurge à mente e nos possibilita reviver essas experiências, dando a impressão que não faz tanto tempo assim  que aconteceram.  No ano de 2013, após uma seleção entre vários professores, consegui ingressar no curso de Pedagogia 2a Licenciatura pela Parfor. Um momento de grande alegria.

Como já dito, tratava-se de uma 2a Licenciatura, após uma primeira em Ciências Sociais, mas com um significado diferente, pois iria trabalhar com um público que sempre sonhei: o público infantil, as crianças. Ao descobrir que havia sido aprovado para o curso de Pedagogia, minha segunda licenciatura, que iria retornar à faculdade, me deparei com um sentimento único, uma felicidade indescritível.  Nas primeiras aulas, onde a diferença entre minha primeira formação e o curso atual eram enormes, me senti um tanto despreparado.

Todos os conceitos que foram formados durante a minha vida, inclusive acadêmica por intermédio das Ciências Sociais, não passavam de visões limitadas de uma realidade que na verdade era absurdamente maior. De todas as aulas ministradas no primeiro período, poucas disciplinas tiveram um aproveitamento realmente satisfatório. Eu tinha plena convicção de que eu poderia ir além, mas a certeza de que isso seria em breve me motivava.  O primeiro semestre foi um período de adaptação que me fez entender que o mundo era muito maior do que eu imaginava.

O primeiro contato com o curso me mostrou que a sociedade não era composta somente pelo mundo que eu conhecia, que era necessário eu estar dentro da sala de aula para conhecer e entender o que era a educação básica e o quanto ela era imensa e cheia de especificidades.

Após os primeiros seis meses de adaptação comecei a me interessar ainda mais pelo curso de Pedagogia, conseguindo até me imaginar fazendo especializações, mestrados, doutorado na área, coisa que jamais acontecera nas Ciências Sociais. Os assuntos trazidos nas obras começavam a ser compreendidos e, consequentemente, eu acabava entendendo o propósito do curso, o que ele poderia contribuir para minha formação como ser humano.

O interesse pelo curso de Pedagogia veio a partir do momento que comecei a perceber que o curso agregaria na minha formação como ser, além de ser capaz de me dar reais subsídios para ser um bom professor de séries iniciais, fazendo meu papel com o intuito de transformar realidades.  Passara então a ter um novo olhar em relação a tudo que me cercava: novas concepções sobre educação, profissão, ou seja, me fizeram ter um olhar e postura mais crítica, que são necessárias para a atuação enquanto professor. Sobre tais posicionamentos mais críticos, Paulo Freire (1996), fala sobre uma política educacional libertadora onde o aluno passa a agir de forma que é capaz de modificar. O autor acredita que o professor precisa fazer com que o aluno aprenda a andar sozinho desenvolvendo em si um pensamento crítico.

O que geralmente acontece e que inclusive foi muito discutido durante nossas aulas de estágio, é a prática de professores ainda não formados em Pedagogia, ou recentemente formados, exercendo a função sem ter tido o devido preparo antes de ingressar na sala de aula.  Nesse sentido, Durkheim (1975), faz uma abordagem do indivíduo como um ser que possui duas consciências, sendo que uma era constituída de todos os estados mentais que se relacionam com os acontecimentos da vida pessoal do indivíduo, um ser que poderia ser chamado de ser individual.

O outro, uma série de ideias, sentimentos e hábitos que exprimem em nós, não a nossa individualidade, mas os grupos diferentes de que fazemos parte, como por exemplo, as práticas morais e religiosas, as tradições que nos cercam, as opiniões coletivas de um modo geral. Esse conjunto constitui o ser social. O autor diz que esse ser social não nasce com o homem, pois ele é desenvolvido no decorrer de sua formação.  Durkheim (1971), acreditava que a educação tinha o objetivo de desenvolver no indivíduo certo número de estados físicos, intelectuais e morais, que eram colocados pela sociedade política e pelo meio no qual o indivíduo está inserido. Para este autor, ao ter contato e discutir conceitos sobre educação, passei a ter mais propriedade para entender a mesma, vendo-a a partir de novos olhares e assim somando conhecimentos, inclusive ao discordar de alguns dos seus pensamentos ao vivenciar a realidade dos alunos.  

Durkheim limita o educando a um papel passivo. A criança estaria sujeita a um estado de passividade. De acordo com a concepção de educação desse autor, a função básica da educação é transmitir valores morais, e o professor, por sua vez, exerceria o seu poder em nome da sociedade então instituída.  A abordagem funcionalista, de Émile Durkheim, tem suas raízes no positivismo.  Na visão positivista, leis naturais e invariáveis são responsáveis por regirem a sociedade, sendo que tais leis se constituem independentemente da vontade e da ação humana.  

Assim, na vida social, reinaria uma harmonia natural (LÖWY, 2000).  Quando o professor traz conteúdos que não se relacionam com o cotidiano dos jovens, o mesmo está esquecendo os seus alunos, pois traz para a sala de aula conteúdos que em nada condizem com a realidade deles. Para que as aulas sejam interessantes e participativas, os questionamentos devem ser frequentes. As perguntas devem ter um sentido sociológico, devem despertar a crítica, a reflexão. Nesse sentido, Freire (1996, p.  52) sugere que: “(...) o professor e os alunos saibam que a postura deles, do professor e dos alunos, é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou enquanto ouve.  O que importa é que professor e alunos se assumam epistemologicamente curiosos.  

3.4 Reflexões Acerca da Experiência do Estágio  

Durante os últimos meses, através do estágio supervisionado, passei a ter um novo contato, enquanto estagiário, com o meu ambiente de trabalho, a escola. A metodologia utilizada para desenvolver a pesquisa foi a etnografia. Clifford Geertz apresenta importantes procedimentos para a observação participante ou trabalho  etnográfico, como recursos de acesso a cultura do grupo investigado, ressaltando que  durante a coleta de dados, o campo da pesquisa pode parecer complexo, estranho ao  pesquisador, mas, à medida que ocorrem as conversas, escrita do diário de campo,  observação dos acontecimentos e de como se dão as aulas, por exemplo, o universo  estudado se torna mais acessível à interpretação do pesquisador (GEERTZ, 1998, p. 24).  

Daí a importância da observação participante cujo significado é o processo no qual um investigador estabelece um relacionamento multilateral e de prazo relativamente longo com uma associação humana na sua situação natural com o propósito de desenvolver um entendimento científico daquele grupo (MAY, 2001, p. 177).  

Ao fazer uso do método etnográfico, utilizando-se da observação participante, o pesquisador passa a ser parte ativa do grupo observado, deixando de ser um observador externo dos acontecimentos. Enquanto a observação participante na pesquisa etnográfica, o pesquisador/estagiário passa a conhecer a realidade observada, além de o método ser uma ferramenta fundamental para o mesmo conhecer e se tornar apto a intervir positivamente no seu futuro ambiente de trabalho, a escola, a sala de aula.  A escola na qual realizei o estágio foi a Escola Leonília Gomes Parente, que fica localizada no distrito de Jaibaras – Sobral/Ceará. A escola atende estudantes do distrito de Jaibaras (zona rural), além de alunos que residem em regiões próximas, todos de pequenas localidades rurais que ficam próximas à escola.

A direção da escola foi bastante receptiva, mostrando-se sempre aberta para possíveis intervenções, minha impressão foi confirmada pela professora do 5o ano, Maria De Jesus, que afirmou que a diretora Rosa Maria sempre escuta e acata suas propostas e sugestões quando as mesmas gerem o  aprendizado nas crianças.  A relação com a diretora da escola Leonília Gomes Parente, foi muito boa.  

Acompanhei o trabalho da professora Maria De Jesus, que leciona em uma turma de 5° ano. Sua formação profissional é Pedagogia. Durante o estágio, presenciei uma infinidade de atividades envolvendo vários recursos, como data show, fantoches para as atividades de contações de histórias, ábaco e material dourado nas aulas de matemática, experiências nas aulas de ciências, resgate histórico da localidade nas aulas de história, apresentações em grupo nas de geografia, e mais uma série de intervenções que vão ao encontro das necessidades dos educandos.  

Ao chegar na escola, enquanto estagiário, notei que estava no caminho certo por estar conseguindo perceber o quanto o nosso trabalho era significativo. Fui orientado de tal maneira que passei a produzir materiais didáticos voltados especificamente para a realidade que encontrei ao fazer a pesquisa exploratória, em que se buscou um conhecimento maior sobre um determinado tema, além de ser utilizada para casos em que há necessidade de um estudo para melhor entender uma direção a ser seguida.  Ao presenciar a dificuldade que a professora tinha em relação a conscientizar e sensibilizar as crianças sobre o respeito uns para com os outros, isso fora da sala de aula, em suas casas, na rua, no convívio social extra escola, tive a ideia, juntamente com ela, de criar um projeto que tratasse sobre o tema fragilizado. Considero excelente a iniciativa do estagiário ter mais contato, uma parceria maior com o professor observado, através de intervenções elaboradas durante nossa formação.

Executamos ações conjuntas durante a experiência do estágio. A intervenção, no caso do meu estágio, concretizou-se através de uma aula, onde coloquei em prática em parceria com a professora o plano de aula desenvolvido para a realidade da escola observada. O tema abordado durante a intervenção (aula) foi bullying. Durante o momento do estágio, aprendi muito e, segundo a professora Maria De Jesus, a troca de experiências também foi de grande importância para ela. É através da troca de experiências que podemos fazer com que certas “realidades” mudem.

A realização dessa parceria se deve ao fato da referida professora sempre ter se mostrado aberta a possíveis intervenções, e isso me motivou bastante.  Durante a realização do estágio alguns documentos foram solicitados pelos professores, para que nós, enquanto formandos, tivéssemos contato com materiais que futuramente iríamos desenvolver.  

A professora do 5o ano, Maria De Jesus, utiliza-se de uma série de recursos e materiais de grande valia, mas um, especificamente, merece uma atenção especial, além dos livros didáticos, claro. Falo sobre o material Lyceum, adotado pela Secretaria de Educação de Sobral que além de ser utilizado no 5o ano, é expandido para todas as turmas de 2° e 9° ano. Material bem estruturado e de grande valia para facilitar a aprendizagem dos alunos.  

3.5 O Professor, O Diálogo e as Relações de Poder  

Acredito que o professor formado em pedagogia também tem que ser questionador, isso no sentido de instigar os alunos aos questionamentos assim como perguntar-se, enquanto educador, sobre o que está ensinando, e se o que leva aos alunos é realmente importante ou se está apenas fazendo uso do ensino bancário. Paulo Freire diz que o ensino “bancário deforma a necessária criatividade do educando e do educador”.  

Cabe a nós professores intervirmos em tal prática, quando utilizada, para que nossos alunos tornem-se críticos. (FREIRE, 1996, p. 27). Quando nós professores cobramos de nossos alunos participação e dizemos que  bons alunos são os “participativos”, pois enriquecem as aulas ao interagirem com o  conteúdo abordado, estamos fazendo parte de uma minoria. Basta analisarmos a sociedade onde o que está sendo valorizado não é esse posicionamento questionador, e sim um posicionamento mais calmo, no sentido de ser levado em conta o comportamento, a obediência etc.

Um grande número de professores faz parte de um sistema que acredita que o bom aluno “(...) é aquele que é asseado, estudioso, atencioso e, principalmente, obediente, o que quase sempre significa ser submisso. Ora, com isso pode-se estar criando um indivíduo automatizado, sem iniciativa que será sempre dominado. Se ele não pode ter iniciativas, por mais sensatas que possam ser, no ambiente da escola, possivelmente se sentirá tolhido em fazer isso em outras situações, em outros lugares, e a escola torna-  se, portanto, um local de reforço de tal comportamento (TOMAZI, 1997, p. 44).  

Contudo, o que realmente importa é criar em sala de aula um ambiente onde o diálogo tenha um papel fundamental. O diálogo entre professor e aluno deve ser fortalecido, fazendo com que as opiniões, de ambos, sejam valorizadas. Ao trazer um conteúdo para sala de aula, o professor deve abordá-lo através de metodologias que sejam capazes de envolver os alunos, pois, segundo Paulo Freire (1986, p. 23, 124 e 127), “(...) O diálogo é o momento em que os humanos se encontram para refletir sobre sua realidade tal como a fazem e re-fazem (...)”.

4. Considerações Finais 

É através de uma educação de qualidade que nossos alunos desenvolverão a capacidade de respeitar culturas diferentes e de resolverem conflitos que frequentemente estarão no seu cotidiano.  Acredito que seria interessante que desde o início do curso tivéssemos esse contato direto com a escola, os alunos, professores, o ambiente e suas barreiras, enfim, com o que vamos enfrentar, inclusive a partir do estágio.

Penso que essa realidade que tanto nos assusta e que ao mesmo tempo nos motiva, deve ser vivenciada desde o início do curso. Promover no curso, constantemente, discussões sobre a Pedagogia na prática para que ao chegarmos ao estágio não nos depararmos com uma “realidade” desconhecida. Precisamos discutir em sala de aula, antes de tudo, sobre a realidade cotidiana, fazer com que os alunos desenvolvam a capacidade de refletir sobre situações do seu dia a dia e que construam um pensamento próprio sobre a realidade onde estão inseridos, a “mudança” virá a partir do pensamento individual do aluno.  

Sobre os Autores:

Francisco Welton Gomes Damasceno - Graduado em Ciências Sociais pela UVA- Sobral (CE) e Pedagogia, professor da rede pública de ensino na Secretaria da Educação de Sobral- Ceará.

Maria Neusita Tabosa - Graduada em Pedagogia pela UECE, Especialista em Ciências da Educação e Didática e Metodologia do Ensino Superior, Mestre em Gestão Educacional pelas IES: Estadual Vale do Acaraú-Sobral (CE) e Internacional de Lisboa, Portugal, professora da área de formação de professores na UVA - Ceará, orientadora de TCCs na graduação e pós-graduação na UVA-Ceará.

Referências:

BOURDIEU, Pierre. Razões práticas: Sobre a Teoria da Ação. Campinas, Papirus Editora, 1996.

DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. 10a ed. Trad. de Lourenço Filho. São Paulo, Melhoramentos, 1975.

DURHAM et alii. A aventura antropológica. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2. ed. rev. e ampl. Campinas, SP: Verus, 2005.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 2003.  

____________. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 1977.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17.ed. Rio de Janeiro, Paz eTerra,1987.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. 1998. Rio de Janeiro, Zahar.

GOMES, Cândido Alberto. A Educação em perspectiva sociológica. 3.ed. São Paulo: EPU, 1994.

MAY, Tim. Pesquisa social. Questões, métodos e processos. Porto Alegre, Artemed, 2001.

LÖWY, Michael. As aventuras de Karl Marx contra o Barão  de Münchhausen. 7a ed. São Paulo: Cortez, 2000.

TOMAZZI, Nelson Dacio. Sociologia da Educação. São Paulo: Atual, 1997.   

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