O Processo de Alfabetização da Criança com Dislexia e as Práticas Pedagógicas

O Processo de Alfabetização da Criança com Dislexia e as Práticas Pedagógicas
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Resumo: O presente estudo aborda a seguinte temática: o processo da alfabetização da criança com dislexia, tendo em vista as práticas pedagógicas, visa problematizar como se dá esse processo. Desse modo, tem como objetivo principal compreender como se desenvolve a alfabetização de crianças com dislexia, a partir das práticas pedagógicas atuais. Para tanto, essa pesquisa tem caráter qualitativo, de cunho bibliográfico, fazendo uso de referenciais que discorrem sobre o tema, tais como: Château (1987); Condemarin (1986), Fernandes e Penna (2008; Fregonezi (1999);Kishimoto (1994); Peloso e Silva (2014); Soares (1999; 2003; 2004); entre outros. Bem como, utiliza dados coletados por meio da aplicação de questionários à profissionais da educação. Compreendendo que a dislexia é um distúrbio ligado a leitura e a escrita, consideramos de suma importância a compreensão das atuais práticas pedagógicas no processo da alfabetização da criança portadora desse distúrbio, a fim de contribuir para a produção do conhecimento nessa área.

Palavras-chave: Alfabetização, Dislexia, Práticas Pedagógicas.

1. Introdução

O presente artigo aborda o processo da alfabetização da criança com dislexia, tendo em vista as práticas pedagógicas, visando problematizar como se dá esse processo. Desse modo, tem como objetivo principal compreender como se desenvolve a alfabetização de crianças com dislexia, a partir das práticas pedagógicas atuais.

Respondendo a essa problematização, consideramos importante pesquisar algumas das obras de autores que discorrem sobre essa temática tais como: Château (1987); Condemarin (1986), Fernandes e Penna (2008); Fregonezi (1999); Kishimoto (1994); Peloso e Silva (2014); Soares (1999; 2003; 2004); entre outros. Este artigo, utiliza dados coletados por meio da aplicação de questionários a profissionais alfabetizadores de crianças com dislexia do município de União da Vitória – PR.

No primeiro momento desse texto, realizamos considerações em torno do que é Alfabetização e a importância de trabalhar a Língua Materna por intermédio da Leitura e da Escrita, no processo de alfabetização de criança disléxica.

Para isso, juntamente com os autores mencionados ao longo deste estudo, compreendemos que o processo de alfabetizar é lento e difícil e que, nos dias atuais, é importante conhecer a crianças que serão alfabetizadas, para que possamos instigar a oralidade dentro de sala de aula, a qual poderá ser estimulada através da leitura.

Ao conceituarmos a importância da leitura e escrita na alfabetização (de crianças disléxicas), também consideramos que as crianças podem se desenvolver ― melhor com o auxílio do lúdico, do ― feitio  criativo  e, neste processo de ensino e aprendizagem, saber usar o lúdico para ensinar uma criança disléxica é extremamente importante, pois:

As propostas pedagógicas [...] devem promover em suas práticas de educação e cuidados a integração entre os aspectos físicos, emocionais, afetivos, cognitivos-linguísticos e sociais da criança, entendendo que ela é um ser total, completo e indivisível. Dessa forma, sentir, brincar, expressar-se, relacionar-se, mover-se, organizar-se, cuidar-se, agir e responsabilizar-se são partes do todo de cada indivíduo [...]. (BRASIL, 2004, p. 15). 

Dessa forma, entendemos que as práticas educativas são fundamentais para desenvolver a imaginação da criança e estimular o raciocínio lógico com muita eficácia, pois as crianças estão em processo de alfabetização e não seria apropriado neste momento, apenas sobrecarregá-las de livros de leituras sem que elas saibam o que ler.

Dando sequência às discussões, no segundo momento deste trabalho, falaremos sobre o conceito de Dislexia, pois muitas vezes está relacionado à doença ou distúrbios, sendo que na verdade, ela é a dificuldade da aquisição da leitura e da escrita, reduzida a um problema de funcionamento cerebral; e justamente por não ser uma doença, não possui cura (ZOLA, 1983, p.132).

Com o intuito de contribuir com o tema, no terceiro momento deste artigo, buscamos abranger quais e como as práticas pedagógicas estão sendo usadas na alfabetização da criança com dislexia, partindo do conhecimento  que o alfabetizador tem sobre este transtorno. Vale a pena compreender que deve-se respeitar os limites da criança disléxica, evitando-a passar por constrangimentos em sala de aula, como ler em voz alta ou resolver uma atividade oralmente, mas esta deve ser estimulada a desenvolver tal habilidade.

2. O Processo de Alfabetização: Leitura, Escrita e Língua Materna

Entendemos por alfabetização o ensino e o aprendizado de outra tecnologia de representação da linguagem humana, a escrita alfabética - ortográfica (Soares, 2003, p.36). Esse processo se dá por intermédio  das várias disciplinas curriculares dos anos iniciais, ou seja, é o ensino- aprendizagem do sistema alfabético da escrita.

A alfabetização, no entanto, é considerada como um processo lento que ocorre durante os primeiros anos de escolarização da criança. Porém, é nessa fase inicial que pode ser despertado o interesse pela leitura e escrita.

Contudo, para com a criança disléxica, a intervenção é diferente, pois, exigirá um olhar e um ouvir voltado a ela, devido a grande dificuldade de ler e escrever, é fundamental que o alfabetizador observe os movimentos da mão enquanto escreve e os da boca enquanto ela fala.

A criança disléxica, no entanto, não associará à escrita de uma letra ao som e nem aos movimentos motores, pois falar, ouvir, ler e escrever, é praticidade da linguagem e para ela essa associação é difícil por não decodificar corretamente os códigos. Ferraz e Santos (2007, p. 59) dizem que:

A alfabetização é considerada como o ensino das habilidades de ―codificação‖ e ―decodificação‖ foi transposta para a sala de aula, no final do século XIX, mediante a criação de diferentes métodos de alfabetização – métodos sintéticos (silábicos ou fônicos) x métodos analíticos (global) –, que padronizaram a aprendizagem da leitura e da escrita.

Segundo as autoras supracitadas, a alfabetização foi transportada para a sala de aula com o auxílio também das cartilhas 1 no século XIX. Neste período, a educação procedeu lentamente, passando por muitas dificuldades com relação ao desenvolvimento e aperfeiçoamento, em razão das crianças não conhecerem a grandeza das nomenclaturas e dos conceitos dos diversos transtornos existentes, como a Dislexia.

Sendo assim, com o passar dos anos o conceito de alfabetização foi ampliado para letramento com as contribuições dos estudos sobre psicogêneses da aquisição da língua escrita, particularmente com os trabalhos de Ferreiro (1988), Teberosky e Colomer (2003, p. 85).

A escritora Magda Soares explica que: 

O letramento pode ser considerado um processo complexo, que quase sempre é visto e associado à alfabetização. Contudo, existem letramentos de natureza variada, inclusive, sem a presença da alfabetização. Trata-se de um termo que é conceituado de modo diferente por autores que estudam o fenômeno; mas, em suma, pode-se dizer que o letramento é um processo histórico-social (SOARES, 2004, p. 37).

Para a escritora Emília Ferreiro (BRASIL, 1997, p. 21) o processo histórico-social é o resultado dessas verificações, as quais permitem compreender que a alfabetização não é um processo baseado só em percepções e memorizações, mas, para que a criança disléxica aprenda a ler e a escrever, ela precisa construir seu conhecimento de mundo compreendendo que a escrita representa graficamente a linguagem.

Magda  Soares  (2004),  diz  que  não  se  pode - dissociar alfabetização de letramento (...). Com base nos conhecimentos da autora sobre as áreas psicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e escrita, ela diz que:

(...) a entrada da criança no mundo da escrita se dá por dois processos: pela aquisição do sistema convencional de escrita – a alfabetização, e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita – o letramento. Não são processos independentes, mas interdependentes, e indissociáveis: a alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só pode desenvolver-se no contexto da aprendizagem das relações fonema/grafema, isto é, em dependência da alfabetização (SOARES 2004, p.38).

Segundo a autora, entendemos que a entrada da criança (disléxica) no processo escolar se dá por dois fatores culminantes e indissociáveis, pois, um completa o outro. Na alfabetização do aluno disléxico, deverá-se valorizar os conhecimentos que este irá adquirir durante o processo da alfabetização.

Devido às enormes dificuldades que a genética tem passado, salientamos que não são todas as crianças que possuem a desenvoltura total da fala, algumas nascem com algum tipo de transtorno 2, e outras sofrem com o atraso do desenvolvimento da língua(gem) materna.

Quando a criança 3 entra na escola, espera-se que tenham uma noção pré-inicial da língua(gem) falada. Ela não sabe ler e escrever, mas será dessa maneira que junto com o professor alfabetizador, ela começará a exercer as práticas sociais da leitura e escrita que circulam na nossa sociedade (SOARES, 1999, p. 53).

Segundo Teixeira (2003, p. 64): 

Ao professor (...) não cabe ensinar ao aluno a língua que ele já domina, mas desenvolver progressivamente o conhecimento lingüístico que ele possui. O professor pode, sim, fazer com que o aluno cresça em sua linguagem, aumente seu vocabulário, tome consciência das potencialidades da língua.

Para que possamos encontrar o resultado da ação de ensinar e aprender, é preciso que seja compreendido o que Soares explica com relação ao que consideramos importante sobre Língua Materna para uma criança disléxica em fase de alfabetização, pois ela está fundamentada no domínio de competências de uso da leitura e da escrita. A linguagem, no entanto, independente de qual for adquirida, passará a ser vista como um processo contínuo e necessário para o ser humano em sua aprendizagem, conforme afirma Parolin (2005, p. 3):

A aprendizagem acontece em um movimento de construção e reconstrução de nós mesmos, do outro, da realidade que nos circunda e do próprio conhecimento. Tentar trabalhar em uma dessas instâncias isoladamente é ineficaz, pois só iria dividir o que é indivisível.

No entanto, vimos que a aprendizagem deverá acontecer sempre de forma crescente na vida do ser humano. Porém, a alfabetização em língua materna deverá ser significativa e contínua para que a criança disléxica possa estar (re) construindo diariamente seus conhecimentos.

Todavia, dentro do campo de alfabetização em língua materna, fala-se muito de aquisição de linguagem. Mas, o que é linguagem? Segundo o dicionário Aurélio (Ferreira 2003, p. 67), “Linguagem é a expressão do pensamento pela palavra, pela escrita ou por meio de sinais, é o significado de cada coisa, a voz dos animais, estilo, conjugação dos verbos”.

Nesse entender, ao falar de linguagem, língua e fala, busco  orientações em Ferdinand Saussure, o pai da Linguística 4 (Apud PAIVA, 2012, p 13), o qual estabelece uma série de definições e distinções sobre a natureza da linguagem, podendo ser resumida em:

  1. A diferenciação entre langue (língua), sistema de signos presentes na consciência de todos os membros de uma determinada comunidade lingüística, e parole (discurso), realização concreta por cada um dos membros da comunidade;
  2. A consideração do signo lingüístico, elemento essencial na comunidade humana, como a combinação de um significante (expressão) e um significado (conteúdo), cuja relação arbitrária se define em termos sintagmáticos (entre os elementos que se combinam na sequência do discurso) ou paradigmáticos (entre os elementos capazes de aparecer no mesmo contexto);
  3. A distinção entre o estudo sincrônico da língua, ou seja, a descrição do estado estrutural da língua em um dado momento, e o estudo diacrônico, descrição da evolução histórica da língua, que leva em conta os diferentes estágios sincrônicos. (SAUSSURE apud PAIVA, 2012, p. 13). 

Pelo exposto, compreendemos que a criança disléxica tem ainda mais dificuldade para desenvolver a língua(gem) fonológica em sala de aula devido à falta de tolerância e de conhecimento dos professores e dos colegas de classe acerca da dislexia.

Frente ao exposto, é compreensível dizer que a participação social no mundo letrado para os pequenos, gera um trauma muito grande se não soubermos estimulá-los. Para Fregonezi (1999, p. 49):

A consequência inevitável, diante da situação descrita, é que o aluno descobre que o código de comunicação utilizado por ele é rejeitado pelo sistema escolar. Passa a ter receio de comunicar-se, pois ainda não incorporou a linguagem ―certa‖, a linguagem  ―padrão‖  da  escola.  Aos  poucos  vai  perdendo  o incentivo de comunicar-se quer oralmente, quer por escrito e vai criando barreiras diante desta atividade escolar.

De acordo com Fregonesi, a escola comprometida precisa ficar atenta para que a criança aprenda a desenvolver sua língua(gem) sem sofrer preconceitos. Dessa maneira, caso isso aconteça, a criança precisará de acompanhamento psicológico para não sofrer com bullying. Pois segundo Peloso e Silva (2014, p.26), os diversos ambientes em que vivem as crianças precisam ser considerados e respeitados.

Nesse estender, para os adultos portadores de dislexia e com grande convívio com a sociedade, tende a superar grandes obstáculos. Os autores dos PCNs, (Brasil,1997, p 23), dizem que:

Dessa forma, se produz linguagem tanto numa conversa de bar, entre amigos, quanto ao escrever uma lista  de compras, ou ao redigir uma carta — diferentes práticas sociais das quais se podem participar. Por outro lado, a conversa de bar na época atual diferencia-se da que ocorria há um século, por exemplo, tanto em relação ao assunto quanto à forma de dizer, propriamente — características específicas do momento histórico. Além disso, uma conversa de bar entre economistas pode diferenciar-se daquela que ocorre entre professores ou operários de uma construção, tanto em função dos registros e do conhecimento lingüístico quanto em relação ao assunto em pauta.

Outrossim, é necessário compreender que, a pessoa disléxica fará uso da língua falada e da escrita, do seu jeito compreensível, pois os PCNs (1997), dizem que o simples fato da criança conquistar a escrita alfabética não garante ao aluno a compreensão e a produção de textos escritos. Ela precisa aprender a decodificar todas as palavras que visualizar, pois devido a sua memória ser de curto prazo e por ter pequeno limite de capacidade, não consegue buscar os sentidos significativos do que leu.

No entanto, atualmente a alfabetização da criança está cada vez mais precoce e isso não gera a dislexia, mas facilita para uma avaliação. Sendo assim, lembrando de que é preciso o profissional alfabetizador e a equipe multidisciplinar  para  observar  os  desafios  desta  linguagem, buscaremos a compreensão do que é dislexia e de como alfabetizar uma criança disléxica em sala de aula após ser diagnosticada. 

3. Dislexia: um Transtorno Muitas Vezes não Compreendido

O termo dislexia constitui "dificuldades na leitura e na escrita", vem do latim onde dis = distúrbio, (latim) = lexia leitura; (grego) = linguagem. Há inúmeras fontes escritas e em cada uma delas, uma colocação diferenciada. No entanto, a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), compreende que a dislexia seja:

Um dos muitos distúrbios de aprendizagem. É um distúrbio específico de origem constitucional caracterizado por uma dificuldade na decodificação de palavras simples que, como regra, mostra uma insuficiência no processamento fonológico. Essas dificuldades não são esperadas com relação à idade e a outras dificuldades acadêmicas cognitivas; não é um resultado de   distúrbios   de  desenvolvimento   geral  nem  sensorial. A dislexia se manifesta por várias dificuldades em diferentes formas de linguagem freqüentemente incluindo, além das dificuldades com leitura, uma dificuldade de escrita e soletração.

Devido à dislexia ser considerada um dos muitos distúrbios de aprendizagem, faz-se necessário que o educador conheça seus alunos antes de iniciar o processo de alfabetização. Entendemos que como cidadãos nativos brasileiros, todos falam a língua materna e buscamos trabalhar para que ela seja compreendida e abrangida, desta forma,  a linguagem se apresenta como ferramenta importante para desempenhar esta tarefa, sendo fundamental no sucesso escolar.

Nessa conjuntura, a dislexia se manifesta em várias situações na vida da criança. Facilita entender que a dislexia não só se manifesta devido a ausência de leitura e ou da prática da escrita, mas também correlacionada ao psicológico dessa criança. Para Condemarim (1986, p. 94), expressa seu aforismo sobre dislexia dizendo que:

É um conjunto de sintomas reveladores de uma disfunção parietal (o lobo do cérebro onde fica o centro nervoso da escrita), geralmente hereditário, ou às vezes adquirida, que afeta a aprendizagem da leitura num contínuo que se estende do leve sintoma ao severo. É freqüentemente acompanhada de transtorno na aprendizagem da escrita, ortografia, gramática e redação. 

No entendimento da autora, esses sintomas são frequentemente encontrados nos alunos e por vezes, ignorados pelos professores devido à falta de conhecimento e leituras sobre dislexia. O autor Selikowitz (2001) nos diz que para entender o que é dislexia, é preciso conhecer como funciona o cérebro:

Diferentes partes do cérebro exercem funções específicas. A área esquerda do cérebro, por exemplo, está voltada diretamente à linguagem; nela foram identificadas três sub- áreas distintas: uma delas processa fonemas, outra analisa palavras e a última reconhece palavras. Essas três subdivisões trabalham em conjunto, permitindo que o ser humano aprenda a ler e escrever. Uma criança aprende a ler ao reconhecer e processar fonemas, memorizando as letras e seus sons. (SELIKOWITZ 2001, p. 81).

Com base nos conceitos do autor, buscamos compreensão da grandeza de pessoas portadoras de dislexia. Existem milhões de pessoas disléxicas, entre elas, ricos e pobres, famosos ou garis; uns conhecem este transtorno e convivem naturalmente, outros, não sabem são disléxicos.

Não importa a classe social do indivíduo. Ela pode ser hereditária ou não, mas, segundo informações consultadas no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2010), o Brasil tem cerca de 190 milhões de habitantes, dos quais quase 45 milhões de crianças e adolescentes estão matriculados no ensino regular. Se considerar a prevalência reservada de 4% de alunos disléxicos ainda assim estaremos diante de 1.8 milhões de brasileiros nessa condição.

Outras informações da ABD, destes 45 milhões de crianças matriculadas em ensino fundamental, em média, 40% dos casos registrados estão na faixa mais crítica, entre dez a doze anos são de grau severo, 40% são moderados e somente 20% são leves.

Para entender este resultado, refletimos com Ianhez e Nico (2002, p.19) os conceitos estabelecidos por eles sobre a dislexia, qual poderá ser classificada em fases:

Dislexia disfonética: dificuldades de percepção auditiva na análise e síntese de fonemas, dificuldades temporais, e nas percepções da sucessão e da duração (troca de fonemas – sons, grafemas – diferentes, dificuldades no reconhecimento e na leitura de palavras que não têm significado, alterações na ordem das letras e sílabas, omissões e acréscimos, maior dificuldade na escrita do que na leitura, substituições de palavras por sinônimos); Dislexia diseidética: dificuldade na percepção visual, na percepção gestáltica, na análise e síntese de fonemas (leitura silábica, sem conseguir a síntese das palavras, aglutinações e fragmentações de palavras, troca por equivalentes fonéticos, maior dificuldade para a leitura do que para a escrita); Dislexia visual: deficiência na percepção visual; na coordenação visomotora (não visualiza cognitivamente o fonema); Dislexia auditiva: deficiência na percepção auditiva, na memória auditiva (não audiabiliza cognitivamente o  fonema). Dislexia mista: que seria a combinação de mais de um tipo de dislexia. 

Devido a toda essa explicação que os autores supracitados nos descrevem, compreendemos que o professor precisa ter conhecimentos básicos em todas as áreas da dislexia: Dislexia disfonética; Dislexia diseidética; Dislexia visual; Dislexia auditiva; Dislexia mista.

Juntamente com os autores, compreendemos o porquê do alto nível de disléxicos que o IBGE mostrou. Os três tipos de dislexia podem se manifestar juntos e por não existir um só tipo de dislexia, estas variações refletem em dificuldades da criança ao se desenvolver em sala de aula e serem auxiliadas pelos pais nas tarefas de casa. A falta de conhecimento sobre o assunto implicará em um atraso ainda maior no desempenho escolar deste educando.

Ao decorrer o texto, compreendeu-se alfabetização de forma geral, onde buscamos explicar que a leitura e a escrita fazem parte do processo de alfabetização da criança e que durante esta fase, o educador deve cativar o educando através de leituras curtas e, por meio do lúdico, para que não ocorra o atraso cronológico do processo de aprendizagem da leitura e da escrita, qual se intitula dislexia.

Para conhecer uma criança quando chega com índice de dislexia na escola, é preciso desempenho do professor em saber se posicionar mediante a ela. Quando seus conhecimentos não são eficientes para analisar as condições psicossociais da criança, considera-se importante a atuação de um psicopedagogo na instituição, pois a criança não quer ser taxada como um disléxico e sim receber elogios igual aos demais.

Além disso, o educador deve primeiro desenvolver as quatro habilidades fundamentais da linguagem verbal que seria a leitura, a escrita, a fala e a escuta. Destas, a leitura é a habilidade lingüística mais difícil e complexa, sendo a mais diretamente relacionada com a dificuldade específica de acesso ao código escrito denominada dislexia (PINTO, 2003).

Para diagnosticar uma criança disléxica é preciso que o educador tenha analisado a criança por muito tempo, se ela apresentar dificuldades na leitura, é um bom momento para entrar em ação.

O momento da alfabetização pode ser entusiasmado por muitos processos de intercessão que promoverão para a criança e também ao professor. Esta tarefa quando bem desempenhada pelo alfabetizador, gera resultados gratificantes, pois cabe a ele a obrigação de abrir as portas do conhecimento às crianças.

4. Quais os Processos de Intervenção para Alfabetizar uma Criança Disléxica

O transtorno de dislexia ainda é pouco conhecido pelos professores alfabetizadores da cidade de União da Vitória - Paraná, isso resulta no atraso do diagnóstico que a equipe neurológica e psicopedagógica dão à criança portadora de dislexia.

No entanto, o processo de intervenção em dislexia deve ser feito com o acompanhamento de um conjunto de especialistas, sendo: o pedagogo, o psicólogo, e o fonoaudiólogo para apoio escolar. A presença do neurologista só será essencial quando a criança houver a necessidade de medicamentos para controle de ansiedade, com o desígnio de ajudar a criança com dislexia vencer, dentro do possível, a sua dificuldade na leitura e escrita.

Segundo entrevista realizada com uma profissional da Pedagogia do município de União da Vitória – Paraná, ela ressalta a dificuldade que encontram em atender todas as crianças do município.

Como é determinado no Estatuto da Criança e Adolescente (Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990) todas as crianças têm o direito à educação e também à necessidade de uma intervenção psicopedagógica quando necessário, mas nem todas as instituições trabalham para esta proporção.

No que se refere aos apoios institucionais e profissionais das áreas mencionadas a cima, conforme afirmam Fernandes e Penna (2008, p. 56) a criança, por não compreender o que lê e apresentar escrita incompreensível, perde o interesse pelas práticas educativas. Assim sendo, Figueiredo, (2009, p.93) ressalta que:

[...] é necessário que o educador reconheça na criança características dos chamados distúrbios de aprendizagem, assumindo desafios de criar metodologias eficientes,  no sentido de acolher cada uma delas, respeitando e entendendo sua individualidade; sendo necessário que se investigue, compreenda e se discuta como esta criança pode aprender adequadamente.

Quando a criança for compreendida pela família antes de iniciar o processo escolar, ela poderá sanar ou minimizar esta dificuldade, pois a família buscará apoio com equipes especializadas no assunto. Porém, se acontecer dentro da escola a identificação desta, a intervenção pode acontecer, segundo Fernandes e Penna, (2008), através do método multissensorial que une as modalidades visual, sinestésica e tátil, relacionando-as entre si e ― estabelecendo a conexão entre aspectos visuais, referentes à forma ortográfica da palavra; auditivos quanto à forma fonológica; e sinestésicos ― os movimentos necessários à execução da escrita.

Fernandes e Penna (2008), dizem que de acordo com a fonológica precisa ser instruída de forma sistemática, seguindo a seguinte sequência: 

Vogais: a, e, i, o, u; - consoantes prolongáveis: f, j, m, n, v, z; - consoantes que possuem mais de um som: l, s, r, x; - consoantes mais difíceis de pronunciar: b, c, p, d, t, g, q; - consoantes pouco utilizadas: k, w, y; - dígrafos: ch, nh, lh, rr, ss, gu, qu; - letras de sons irregulares: e, g, r, s, l, m, x, ç; - encontros consonantais.

Quando apresentada para a criança estas letras fonológicas devem estar todas maiúsculas para que facilitem a compreensão e decodificação das mesmas. E para que um bom trabalho psicopedagógico seja feito, a parceria da família na escola é muito importante. É um caminho lento, mas quando feito com carinho e dedicação para o bem de uma criança, isso recompensa todos os esforços realizados até então.

As práticas pedagógicas que encontramos em sala de aula através da pesquisa mencionada estão voltadas para o lúdico, pois segundo Neves (2016) em qualquer fase da vida do ser humano o lúdico será valorizado.

Para as crianças, o ato de brincar faz com que ela aprenda brincando e constituindo um mundo à parte (Chateau, 1987). Pois se entende que, como a brincadeira é uma atividade que a criança começa desde seu nascimento no âmbito familiar ela leva consigo de geração à geração (Kishimoto, 1994, p.39). Segundo Leontiev (1994, p. 130) esclarece que:

O  brinquedo  (como  disse  Gorki)  é realmente  ‗o  caminho  pelo qual as crianças compreendem o mundo em que vivem e que serão chamadas a mudar‘. Dessa forma, o brinquedo não  surge de uma fantasia artística, arbitrariamente construída no mundo imaginário da brincadeira infantil; a própria fantasia da criança é necessária engendrada pelo jogo, surgindo precisamente neste caminho, pelo qual a criança penetra a realidade.

Este brincar também pode ser estimulado através das cantigas de roda, dominó, boliche, brincar de pega-pega, com massinhas de modelar, entre outras. Todas as brincadeiras são associadas a alfabetização de criança disléxica, visto que não é uma doença, ela pode desenvolver a coordenação motora com muita brincadeira, o que não pode acontecer é, como já vimos, sobrecarregar as crianças com leitura e escrita já na primeira fase da alfabetização.

Com base nas respostas dos questionários aplicados aos professores da rede pública de ensino de União da Vitória - PR, as crianças passam o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto ano sofrendo com dislexia. Isso devido ao grande número de crianças que são atendidas diariamente pela psicóloga e fonoaudióloga do município.

Buscamos informações com uma psicopedagoga da cidade, sobre a questão das crianças não passarem por um diagnóstico do médico neurológico, ela respondeu que:

A psicóloga e fonoaudióloga montaram uma equipe multidisciplinar com a escola, e através de todos estes recursos usados e da maneira como a professora fala em sala de aula a respeito da criança ouve-se uma necessidade de buscar a leitura da equipe onde entregaram um parecer, e não o laudo como seria o correto. Mas desta maneira, mesmo sendo um pouco tardio, o professor deve buscar sanar esta dificuldade da criança.

Nas escolas da cidade, as quais fizemos o levantamento dos dados, o que encontramos foi professores e alunos desmotivados sem saber o que e como fazer para trabalhar. Na primeira escola, a professora respondeu a primeira pergunta do questionário dizendo que:

A família do meu aluno é de baixa renda, moram em oito integrantes na Casa em condições desfavoráveis para a educação prioritária da criança. Os pais sabem da dificuldade da criança e mesmo assim, não são comprometidos com a educação dela. Quando a escola consegue uma ajuda com a Saúde do município eles sempre criam desculpas para não comparecer aos estabelecimentos solicitados

Assim, perceber-se que falta o comprometimento com as crianças por parte dos responsáveis. Kroth (1985) salienta que é importante a escola promover esta parceria, mas que deverá ser respeitada pelos pais.

Já outra professora, fala que observou seu aluno desde o terceiro ano, quando veio estudar com ela, percebeu que muitas vezes ele vinha para a escola com a roupa do lado de avesso, ou mesmo de trás para frente. Considerou isso, como uma das características da dislexia.

Na terceira escola, a professora definiu dislexia como:

Com base nas dificuldades que meu aluno apresenta, descrevo dislexia não só uma dificuldade de ler e escrever, mas sim, de decodificação com tudo, falta de organização, pois é bem constrangedor para ele sentir-se o patinho feio dentro de sala de aula. Ele não consegue acompanhar o andamento da turma, e isso reflete no descomprometimento da família e ao que cabe ao aluno, falta de vontade em aprender.

Essas respostas mostram como os professores não são preparados para alfabetizar uma criança com dislexia no seu dia a dia. Pois uma das professoras para explicar os conceitos sobre dislexia, disse que: Como todos sabem, é uma doença, por isso trabalha com neurológico e com psicólogo.

Perguntando se metodologia sobre as práticas pedagógicas que usam em sala de aula, considerei duas respostas necessárias. Uma delas diz que:

Quase não tenho tempo em planejar atividades diferenciadas para esta criança, pois tenho uma turma de vinte e seis alunos, é um quinto ano, agitados. É difícil quando se tem uma criança especial e que precisa estar voltada pra ela. Não tenho auxiliar em sala, tenho que fazer tudo sozinha. Mas quando tenho condições, eu faço anotações e observações para repassar a equipe pedagógica.

Ressalto que esta resposta foi elaborada pela professora que considerou a dislexia como doença. A outra resposta coerentemente ressalta a importância da diversificação de materiais pedagógicos na prática de desenvolvimento durante a alfabetização: 

Sempre que inicio o ano letivo, ou quando entra um aluno novo, busco conhecer a estrutura familiar dessa criança. Procuro sempre trabalhar com turmas de 2º ou 3º ano, e assim, tenho algumas formas para desenvolver meu trabalho. Porém neste ano, tenho uma turma de 5º ano. Procuro sempre que possível, conversar com a família em reunião de pais, pois aí, já posso ver quais são comprometidos ou não com seu filho. Partindo desta maneira, busco levar para as crianças leituras curtas e que eu possa estar “tomando leitura deles” como por exemplo: piadas, tirinhas, história em quadrinhos, entre outras. Quando ouço meu aluno, percebo onde esta a dificuldade, lembrando que tenho só 35 anos de carreira. Então passo para a equipe pedagógica, pois eu sozinha não posso fazer nada sem que tudo seja descrito em papel por uma análise clínica neurológica ou psicopedagógica de um aluno supostamente disléxico.

O motivo das crianças chegarem até o quinto ano sem ter sido diagnosticadas é devido a poucos profissionais atendendo no município e ao grande número de crianças que constam na fila de espera. No entanto, quando chegam ao quinto ano, o professor não tem capacidade em alfabetizar essas crianças, pois lembrando que a alfabetização é um processo lento.

A falta de aperfeiçoamento das práticas pedagógicas deve ser mais cobrada pelas equipes de ensino e aperfeiçoada por meio da formação pedagógica, a qual deve promover a formação continuada de professores que trabalham com alunos disléxicos, melhorando a qualidade de ensino e as práticas pedagógicas.

5. Considerações Finais

Concluímos por meio deste trabalho, que a dislexia não é uma doença e que muitas vezes cabe ao professor uma adaptação de metodologia para que a criança aprenda a leitura e a escrita e que, por meio da inquietação da mesma, possa exigir que as atividades lúdicas sejam desenvolvidas e aplicadas durante as aulas. Pois, ao analisarmos as práticas pedagógicas em sala de aula, por meio de questionário aplicado aos profissionais da educação, percebemos que a falta de criação de novas metodologias desmotiva a criança, uma vez que o trabalho sempre se mantém no mesmo.

No contexto de respeito de diversidade e inclusão das diferenças, as escolas devem estar preparadas para promover uma verdadeira integração, para tanto, políticas públicas, gestores, professores, alunos e comunidade escolar devem se envolver em mecanismo de inclusão, respeito e diversidade prática-pedagógica.

A escola e os educadores necessitam conscientizar esse aluno acerca da sua dificuldade de aprendizagem e levá-lo a entender que ele não é um fracassado. Diferente por demorar um pouco mais do que os colegas de sala para aprender, apenas ainda não venceu as possíveis barreiras que interrompem a sua aprendizagem.

Sobre as Autoras:

Tânia da Silva - Acadêmica do Curso de Graduação em Pedagogia da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Campus de União da Vitória.

Marta Rosani Taras Vaz - Professora do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), Campus de União da Vitória. Graduada em Pedagogia na Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO). Mestre em Educação na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Referências:

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