O Uso dos Jogos como Recurso Terapêutico no Processo de Aprendizagem Humana: Memórias e Reflexões

O Uso dos Jogos como Recurso Terapêutico no Processo de Aprendizagem Humana: Memórias e Reflexões
(Tempo de leitura: 10 - 20 minutos)

1. Introdução

O presente texto tem a intenção de abordar os aspectos relevantes sobre o uso dos jogos como recurso terapêutico na aprendizagem na educação infantil. O interesse pela escolha do tema se deu no decorrer do curso, em especial na disciplina “O Lúdico na Psicopedagogia”. Após momentos de reflexão, surge então, o desejo de discorrer sobre o tema em questão e, assim, têm-se permeado o percurso de estudos, reflexões e pesquisas, com o objetivo de destacar a importância do aspecto lúdico para o desenvolvimento da aprendizagem na educação infantil. Nessa perspectiva, considerando que o jogo se faz presente na vida do ser humano desde os primórdios da sua existência e, com o passar dos anos mediante pesquisas, estudos e evolução da ciência, é notável a sua relevância no processo da aprendizagem humana em seus diversos aspectos.

Mediante estudos, pesquisas, as atividades realizadas, e também por meio do fórum e discussões com os colegas no decorrer do curso de Psicopedagogia, foi possível compreender que o jogo faz parte da nossa história e, atualmente tem sido uma ferramenta utilizada em algumas escolas não somente como uma mera brincadeira sem intenções. Na verdade, trata-se de um recurso que contribui para o aprendizado da criança, respeitando a cada etapa de seu desenvolvimento, na intenção de proporcionar estímulos e desafios, além de possibilitar a estes momentos de pura interação e socialização com o objeto a ser conhecido, e explorado por eles (GONÇALVES, 2015).

Assim vê-se o uso do jogo com bons olhos no processo de aprendizagem humana, como um recurso útil na vida no ser humano. Acredita-se que, com base nas literaturas pesquisadas, que o processo de aprendizado é contínuo, seguido por etapas do desenvolvimento do sujeito. Porém, pensa-se que por meio das atividades lúdicas o aprendizado se torna mais fácil e leve para as crianças. Assim futuramente elas poderão ter uma visão diferenciada dos estudos como algo leve, sem nenhuma rigidez ou difícil de aprender. Nessa perspectiva, no capítulo 01, irá se bordar o uso dos jogos como recurso terapêutico na aprendizagem na educação infantil, por acreditar que o uso dos jogos é um recurso terapêutico de grande valia no processo de aprendizagem das crianças onde elas poderão aprender brincando de forma lúdica. No capítulo 02, busca-se explicar sobre a ampla função do uso jogos e suas possibilidades na aprendizagem na educação infantil. E no capítulo 03, tentará expor-se o pensamento com base no levantamento bibliográfico, na perspectiva dos autores na intenção de buscar abordar e refletir sobre a importância do uso dos jogos no processo de aprendizagem.

Nesse sentido, é válido salientar a contribuição do uso dos jogos, sendo estes uma ferramenta útil e de incentivo no auxílio da aprendizagem das crianças, onde o aprendizado acontece de forma lúdica, tendo em vista que os jogos e os brinquedos estão presentes no seu dia a dia porque fazem parte de seu desenvolvimento. Segundo Vygotsky (1998 apud FANTACHOLI, 201, p. 4), o jogo simbólico é como uma atividade típica da infância e essencial ao desenvolvimento infantil, ocorrendo a partir da aquisição da representação simbólica, impulsionada pela imitação. Nesse aspecto, considera-se que o jogo é uma atividade importante para a criança, que por meio do uso dos jogos ela cria uma zona de desenvolvimento proximal, com as funções que ainda não amadureceram, porém encontra-se em processo de maturação.

É através do lúdico que a criança explora e conhece o mundo e expressa o seu modo de ser, por meio das atividades propiciadas pelas brincadeiras que auxiliam em seu aprendizado de forma prazerosa e atraente; onde elas aprendem brincando. Nesse contexto, Piaget (2004) reforça que o indivíduo passa por algumas etapas em seu desenvolvimento que percorre desde o seu nascimento até a sua vida adulta. O desenvolvimento é um processo contínuo que se dá entre a assimilação e a acomodação, resultando na adaptação. Portanto, é por meio da transição de cada estágio que o sujeito busca vivenciar sua própria história e experiências, busca construir gradualmente o seu conhecimento, pensamento, assim como, descobrir novas habilidades, competências e outras possibilidades de aprendizagem.

2. O Uso dos Jogos como Recurso Terapêutico na Aprendizagem na Educação Infantil

Os jogos estão presentes no cotidiano das crianças desde o primeiro momento da sua existência, seja em casa ou na escola, por isso é considerado um recurso que grande valia no processo da aprendizagem do sujeito. Nesse percurso de estudos e pesquisas, aponta-se que os jogos foram e continuam sendo parte do processo evolutivo do sujeito por contribuir para a construção da sua subjetividade. Por carregarem em si as oportunidades de experiências de aquisição de conhecimentos, permitindo assim, estruturar e reestruturar os fatores fundamentais da subjetividade do sujeito. Mediante ao fato, considera-se que por meio dos jogos é possível acontecer à aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades cognitivas e emocionais tão importantes para sobrevivência do ser humano (GONÇALVES, 2015). Logo, é possível observar as contribuições dos jogos como um recurso favorável no processo da aprendizagem na educação infantil, incluindo os aspectos cognitivos, psicológicos, social e afetivo do sujeito.

Nesse sentido, tem sido muito bom poder falar sobre os jogos e brincadeiras na vida das crianças, fazendo lembrar os momentos maravilhosos vivenciados por meio das atividades lúdicas. Quando criança em casa e na escola, logo nos primeiros estágios iniciais de desenvolvimento, os espaços de brincadeiras na sala, as gincanas, jogos, danças, ficaram marcadas para sempre na memória, tudo foi muito prazeroso e significativo. Quando estou brincando com o meu filho, me permito ser criança como ele, momento único, caso contrário não seria tão divertido e significativo para nós.

 Winnicott (1975) vê a brincadeira como algo saudável e universal, o brincar faz parte da saúde, tal conceito confirma aquilo pensado a respeito do brincar: como algo sadio, além de possibilitar o ser criativo. Por isso, deve ser dada a oportunidade para nossas crianças brincarem, pois auxilia na comunicação com o outro e ajuda sermos criativos frente ao mundo, as situações; a brincadeira para este autor é universal e próprio da saúde. Nesse sentido, o brincar é coisa séria, e muito importante, pois possibilita uma abertura para o mundo que inicia desde primórdios da nossa existência.

Diante das evidências, vale ressaltar a relevância do uso dos jogos, como uma ferramenta útil no auxílio da aprendizagem na construção do conhecimento das crianças, que além de possibilitar um ambiente de interação e socialização entre os pequenos, é também uma forma deles aprenderem brincando de forma lúdica. Para Piaget (1976 apud ALVES & BIANCHIN, 2010), o jogo é, sob as suas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação do real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil.

Visto por esta ótica, o papel do professor é de facilitador, o de possibilitar um ambiente favorável para que o aprendizado ocorra de forma lúdica, onde o objetivo é o aprendizado do sujeito. Para isso, o educador tem que ser dinâmico e criativo no seu modo de ser e de ensinar, para que o aprendizado ocorra de forma significativa na vida das crianças. Veio a lembrança quando tive a oportunidade de trabalhar como estagiária de Psicologia juntamente com uma equipe multidisciplinar (psicólogos, psicopedagogo, fonoaudiólogo, assistente social), em duas escolas Públicas Municipais do Estado de São Paulo. Que por um período de um ano sempre estive presente e aberta ao conhecimento, o que rendeu muitas trocas, experiências e conhecimentos, bem como, o respeito pelo trabalho do outro em diferentes áreas do conhecimento. Nesse tempo tive o prazer de trabalhar com uma psicopedagoga muito dedicada, pois demonstrava amor naquilo que fazia, sempre com muita ética e profissionalismo na realização de seus trabalhos com os alunos junto à rede de ensino.

Recordo-me de nossas inúmeras conversas, onde ela apontou que um dos métodos utilizados era oferecer inicialmente um espaço de acolhimento ao aluno para que o vínculo fosse estabelecido, atentar para escuta e foco nas causas que influem no problema de aprendizagem. Um dos aspectos observados por ela, era em que o aluno chegava à sala de atendimento apresentando um comportamento tímido e apreensivo na sessão. Destacou-se que nos atendimentos fazia o uso dos jogos, desenhos família, outros mais diretivos, mandala - pintura, jogos de xadrez, dama e entre outros, como recurso de intervenção para possibilitar uma aproximação e estabelecimento do diálogo entre eles, e consequentemente, uma abertura para compreensão dos fenômenos que influenciam na aprendizagem do aprendente.

Nesse movimento busca-se refletir que quando se lida com crianças no espaço psicopedagógico, se faz necessário o uso de recursos lúdicos como os jogos, considerado por muitos como uma ferramenta útil e de grande valia no processo da aprendizagem. Visto que as crianças adoram, por fazer parte de seu cotidiano, pois permite com que essas possam manipular os objetos e explorá-los, e é por meio dele que buscam aprender e a conhecer o mundo em sua volta desde os estágios iniciais de seu desenvolvimento.  

Lembro-me ter estudado na disciplina sobre o lúdico na Psicopedagogia no decorrer do curso, e tive a compreensão de que o jogo é um recurso de grande valia no processo de aprendizagem, porém cabe ao profissional fazer uso dos recursos lúdicos como os jogos a seu favor, no entanto o psicopedagogo (a) precisa ser dinâmico e criativo em suas ações frente à demanda.

Nessa perspectiva, por meio de uma reflexão, a intenção não é somente apresentar os melhores jogos às crianças sem saber o porquê está sendo usado, o que se pretende alcançar, e qual objetivo. Como futura psicopedagoga, vejo o jogo como um recurso de auxílio relevante no processo da aprendizagem na educação infantil, desde que seja estabelecido objetivo para usá-lo.

Nesse movimento, considera-se a atividade lúdica extremamente importante na educação infantil, visto que por meio dos jogos acredita-se que seja possível proporcionar a construção do conhecimento de forma lúdica, porém o educador precisa ser capacitado e ter uma compreensão sobre o aspecto lúdico e suas contribuições para o desenvolvimento infantil. Nesse aspecto, o jogo possibilita à criança explorar a sua criatividade, criar e recriar, inventar e reinventar. Bem como, um estímulo para o raciocínio e na construção do conhecimento, que além de provocar desafios e despertar o interesse, visa contribuir para o desenvolvimento cognitivo da criança.  

2.1 A Função do Jogo

Diante dos estudos realizados, compreende-se que o jogo tem uma função bastante ampla, pois, através dele não somente o desenvolvimento cognitivo se aperfeiçoa como também o desenvolvimento sócio afetivo se estrutura. Nesse sentido, não pode-se pensar e/ou entender que o jogo é uma atividade simples ou mera forma de proporcionar prazer. No entanto, cabe ressaltar que existem outras possibilidades que vão além disso, pois através do lúdico encontra-se uma profunda e constante forma de manifestação do sujeito. Considerando o processo inicial de autoconhecimento da criança, como o amadurecimento de valores morais vivenciados por esta, além da compreensão das relações entre ela e o outro/e com mundo, assim como, as possibilidades de criar as relações básicas necessárias que lhe permitam interagir com as outras pessoas (GONÇALVES, 2015).

Nesse sentido, podemos entender então que a função dos jogos é bem ampla, assim como, as possibilidades de uso e suas contribuições no processo de aprendizagem humana. Visto os benefícios que este recurso produz no sujeito, sendo de grande valia para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Portanto, cabe ao educador ter a consciência da importância deste recurso e buscar ser criativo em sua dinâmica e propor atividades lúdicas para que as crianças possam aprender brincando, e o aprendizado aconteça de forma tranquila e prazerosa, pois será uma forma delas conhecerem o universo a fim de explorá-lo.

 Mais uma vez, Piaget (2010) vem a contribuir, dada a importância dos jogos na aprendizagem das crianças, na qual, reforça que: “É pelo fato do jogo ser um meio tão poderoso para a aprendizagem das crianças, que em todo lugar onde se consegue transformar em jogo a iniciação à leitura, ao cálculo, ou à ortografia, observa-se que as crianças se apaixonam por essas ocupações comumente tidas como tedioso.”

3. As Contribuições dos Jogos: Uma Perspectiva Teórica

Piaget (1994), afirma que o jogo é essencial no processo de desenvolvimento e aprendizagem infantil, pois tem uma função importante para as crianças, sendo uma forma de assimilação frente à realidade e/ou meio ambiente que os circundam. Portanto, os jogos abrangem uma assimilação de exercícios de esquemas adquiridos, proporcionando às crianças momentos prazerosos por meio de uma ação lúdica e o domínio destas ações.

Entretanto, os jogos têm uma função dupla, que é o de consolidar os esquemas conhecidos e o de proporcionar equilíbrio na criança. Vale pontuar então que o aspecto lúdico torna-se um recurso importante como auxílio no processo de aprendizagem, pois é possível propor atividades lúdicas para as crianças usando a criatividade por meios dos jogos. No entanto, deve-se respeitar as etapas do desenvolvimento dos sujeitos para que o aprendizado possa assim acontecer de forma lúdica e prazerosa, na intenção de facilitar o processo de construção do conhecimento destes (CASTRO & TREDEZINI, 2014).

Piaget (1896-1980) passou muitos anos dedicando-se em seus estudos e pesquisas sobre desenvolvimento humano com ênfase nos processos mentais do sujeito. Pois o autor acreditava que o desenvolvimento cognitivo se inicia com uma capacidade inata de se adaptar ao meio/ambiente. Ele observava as crianças como organismos ativos em evolução, que colocava em marcha seu próprio desenvolvimento, considerando-os como seres humanos em movimento (ativos), com seus próprios impulsos internos e padrões de desenvolvimento (PAPALIA, OLDS & FELDMAN 2006)

Nesse sentido, os jogos, no processo do desenvolvimento cognitivo acontecem em uma sequência de estágios diferentes e, no percurso de cada estágio, a mente da criança se desenvolve em um novo modo de operar. Nesse sentido, entendo que as operações mentais evoluem na aprendizagem baseada em uma simples atividade sensório-motora ao pensamento lógico abstrato.   

Desta forma, busca-se destacar os estágios do desenvolvimento cognitivo proposto por Piaget (2004), na qual considera-se importante para compreensão de como percorre a aprendizagem, pois seguem um processo que se dá de modo gradual por meio da adaptação/equilibração, assimilação e acomodação, conforme segue:

1 – Jogos de Exercícios: (período sensório motor (entre 0 – 2 anos).

Na perspectiva de Piaget, (2004) esse período é de suma importância para o desenvolvimento cognitivo da criança, embora não venha acompanhada por palavras verbais, são as primeiras manifestações lúdicas do bebê, que após a consolidação desse período, irá possibilitar novas conquistas por meio da percepção, e dos movimentos, o bebê irá exercitar seus reflexos por meio de estímulos advindos do meio que o cerca. Portanto, a ação do bebê nessa fase consiste na repetição da ação de forma generalizada, sem representação e, é por meio dessas ações e percepções que segue a nova etapa dos jogos lúdicos onde a linguagem verbal estará presente. E diante de meus estudos cito alguns exemplos interessantes dessa fase, como: sugar, sacudir, balançar, jogar o objeto.

2 – Jogos Simbólicos: (período pré – operatório (entre 2 – 7 anos).

Piaget (2004) considera que esse período consiste numa atividade real do pensamento, essencialmente egocêntrico, um modo particular de olhar o mundo, sendo representada pela imitação e imaginação caracterizada pelo faz de conta. Não existe submissão ou regras rígidas, a criança usa a sua criatividade de forma espontânea. Nesse sentido, com base nos estudos, a linguagem intervém no pensamento imaginativo, tendo como instrumento a imagem ou símbolos. Seguem alguns exemplos: jogo de boneca (o), brincar de casinha, fazer comidinha, ou seja, imitar/representar outra pessoa, que pode ser os próprios pais, médico, professor ou policial; sendo o que vale é a imaginação da criança e deixar fluir, pode ser algo que ela admira ou deseja ser no momento.  

3 – Jogos de Regras: (período operatório (7 – 8 anos).

(Figura 3 – fonte: http://revistaescola.abril.com.br/educacao-infantil)

Na vida social ou coletiva, o pensamento sofre interferência, as regras serão estabelecidas, que se constituem nas crianças como jogos caracterizados por certas obrigações comuns. Ou seja, as regras orientam as suas ações, limites, o modo de jogar, respeito mútuo, memorização, socialização, assim como o pensamento individual de elementos coletivos se faz presente na regra do jogo nessa fase, como por exemplo: jogar xadrez, dama, bolinha de gude, quebra cabeça (Piaget, 2004).

Nesse aspecto, compreende-se que o jogo do exercício tem início nos primeiros meses de vida até os dois anos, que são primeiras manifestações lúdicas do bebê, após consolidação desse período sensório-motor, segue a nova etapa jogos lúdicos onde a linguagem verbal está presente. Porém, o conhecimento só é possível após a consolidação das etapas anterior, que além de nos acompanhar no decorrer da nossa vida adulta, irá nos ajudar em novos aprendizados. Pois continuarão presentes para novas aquisições do conhecimento, novos aprendizados, habilidades.

O conhecimento se constrói de modo gradual, porém as etapas do desenvolvimento devem ser respeitadas para que o aprendizado ocorra, onde o sujeito passa por um processo contínuo para alcançá-lo. Que se inicia a partir da ação e da interação do sujeito com o meio, conforme se destaca nos estágios iniciais do desenvolvimento cognitivo. Na medida em que o sujeito vai adquirindo novas capacidades, progressivamente irá construindo o seu próprio conhecimento e suas experiências através das relações com o meio/ambiente. E de acordo com uso dos esquemas, irão se modificando e ampliando e, em consequência disso, o pensamento irá se tornando mais complexo e mais elaborado. Nesse contexto, o sujeito vai entrando em contato com as suas experiências, se tornando mais dinâmico e ativo na construção da aquisição do conhecimento (PIAGET, 2004).

Recordo-me de ter estudado a teoria de Piaget, na faculdade no curso de Psicologia e, confesso que não tinha muito apreço pela sua teoria, pois tinha interesse em outras abordagens, porém no decorrer curso de Psicopedagogia, minha visão foi se modificando, despertou-me o interesse e tive a oportunidade de obter maior compreensão, mediante estudos, discussão, fórum e sugestões de leituras sobre  o seu pensamento referente ao desenvolvimento e os processos da aprendizagem humana. E após reflexão, pude perceber o quanto este autor contribui tão somente na elaboração deste trabalho, bem como, para o meu conhecimento enquanto pessoa e profissional em constante transformação/movimento em busca do saber rumo a minha formação. Piaget nos deixou um material riquíssimo que é seu acervo-material, nos ensinando desde o princípio os seus conceitos na construção do conhecimento de muitos na área da educação e outras áreas afins. Visto que é considerado o precursor da teoria construtivista, por explicar como se dá o processo da aprendizagem humana.

4. Conclusão

Desta forma, mediante ao exposto neste memorial, buscou-sei destacar os aspectos relevantes sobre o uso dos jogos como recurso terapêutico na aprendizagem da educação infantil. Visto como uma ferramenta útil no auxílio do processo de aprendizagem humana, onde, por meio das atividades lúdicas as crianças poderão aprender brincando, além de proporcionar a estes um ambiente de interação e socialização com o grupo, onde elas também poderão aprender a lidar com as regras e o respeito mútuo ao próximo por meio do brincar.

No entanto, deve-se respeitar as etapas do desenvolvimento de cada criança antes de propor quaisquer atividades lúdicas na intenção de possibilitar um aprendizado de forma leve e prazerosa aos pequenos. Deste modo, considerando a amplitude da função dos jogos, cabe ao educador usar a sua criatividade e com dinâmica na elaboração das atividades e assim tirar o melhor proveito desses momentos com as crianças.  

As crianças adoram atividades lúdicas, pois possibilita explorar a criatividade através objetos por meio do brincar, principalmente quando estimuladas pelo meio, elas buscam aprender e a conhecer o universo em sua volta, desde os estágios iniciais de seu desenvolvimento.

A atividade lúdica é outra forma de comunicação, que por vezes a criança não consegue expressar por meio de palavras, porém por meio das brincadeiras lúdicas a criança pode manifestar os seus sentimentos, seus medos, suas angústias e fantasias. O lúdico proporciona um momento único ao sujeito, seja com crianças ou adultos, as atividades são sempre muito prazerosas.

Diante dos estudos e pesquisas, pode-se concluir que o uso dos jogos podem ser um recurso terapêutico de suma importância no processo de aprendizagem na educação infantil, por acreditar-se que através do lúdico o aprendizado acontece de forma leve e atraente, considerando que é por meio do brincar que a criança conhece o mundo que os circundam.  No curso de Psicopedagogia tive a oportunidade e o prazer de estudar sobre a importância do aspecto lúdico na disciplina: “o lúdico na psicopedagogia”, neste momento, surgiu então, o desejo e o interesse em elaborar o tema deste memorial, e nesse movimento se deu meu percurso de estudos e pesquisas na realização deste trabalho.

Sobre a Autora:

Elisangela Aparecida da Silva - Estudante do Curso de Psicopedagogia Clínica e Institucional, do Centro Universitário Hermínio Ometto. 

Orientadora: Profa Me. Júlia Eugênia Gonçalves

Co-Orientadora: Profa. Esp. Patrícia Kelly Mercadante

Referências:

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CASTAGINI, F. DA S.; BABY, S.M. O Lúdico na educação infantil. Educere - Congresso Nacional de Educação, 121, PUCPR, Curitiba, 2005, 14p.  <disponível em:<a="" href="http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2005/anaisEvento/documentos/com/TCCI121.pdf">http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2005/anaisEvento/documentos/com/TCCI121.pdf>. Acesso em: 30 jul.2015

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FANTACHOLI, F. Das N. O Brincar na Educação Infantil: Jogos, Brinquedos e Brincadeiras – Um Olhar Psicopedagógico. Revista Fundação Aprender. Varginha, 5ª edição, Dez. 2011. lSSN 1983-5054. Disponível em: . Acesso em: 10 jun 2015

GONÇALVES, J. E. A História do uso dos jogos no desenvolvimento da aprendizagem. [s/d]. Curso: Pós-Graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional (Unidade l, módulo l). FHO|UNIARARAS.

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________ O Jogo. Psicologia e Pedagogia.  Trad. Alberto Munari; tradução e organização: Daniele Saheb. Coleção educadores. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora: Massangana, 2010, p.99.  

PAPALIA D.E; OLDS S.W; FELDMAN R.D. Teoria e pesquisa - Perspectiva Cognitiva. Desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 8ª Edição, 2006, p.75

WINNICOTT, D. W.O Brincar. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro. Editora: Imago, 1975.p.108-118     

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