Obesidade Infantojuvenil: um Fator propulsor Para o Bullying em Ambiente Escolar

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Resumo: Um dos atuais problemas nas escolas é o Bullying, caracterizado por uma forma de expressar qualquer tipo de violência àquele considerado “diferente” pelos demais. Assim sendo, busca-se esclarecer o que é exatamente, como ocorre, onde ocorre, quais as consequências e relação com o desenvolvimento da pessoa que o sofre. Para tal, foi realizado um referencial teórico para embasar juntamente com o conhecimento do tema. Seguindo essa temática, elaborar-se-á o conceito de bullying, partindo do pressuposto que o mesmo é bastante comum em diversas instituições, principalmente no ambiente escolar. Sendo um dos principais tipos de bullying o com pessoas obesas, que além de sofrerem de possíveis doenças físicas podem vir a passar por tais situações constrangedoras, afetando negativamente no desenvolvimento da criança ou do adolescente. Objetivou-se assim, através da pesquisa teórica e exploratória, disseminar ambos os assuntos, conectá-los e demonstrar que podem estar interligados.

Palavras-chave: Bullying, Obesidade, Escola.

1. Introdução

O bullying vem sendo discutido em vários âmbitos e pode ser observado de diversas formas e também em diversos grupos, porém são encontradas, ainda, poucas pesquisas acerca do que ele pode ocasionar na vida de uma pessoa que passa por este processo. Visto que somos seres sociais, logo inseridos em um meio social, vivemos com vários ideais e assim sendo, somos passíveis de julgamento e idealizações. Quem não é parte desse ideal, pode vir a sofrer algum tipo de violência por parte daquele que pratica o bullying. (COSTA et al, 2012)

Os mesmos autores também afirmam que a pessoa que está acima do peso, numa sociedade que valoriza a aparência física e o corpo ideal, pode ser alvo para discriminações em diversos contextos, sobretudo no contexto escolar.

Olhando por este viés, tal trabalho falará sobre o conceito de bullying juntamente com conceito de obesidade, para que seja estabelecida uma relação entre eles. E também se possa comparar o modelo de beleza estabelecido pela sociedade ao longo da história, fazendo assim o sujeito refletir que o conceito de obesidade estabelecido na atualidade trata-se de uma questão da época, assim como qualquer outro conceito de beleza que já existiu. E, de acordo com a Psicologia Histórico-Cultural, o ser não age sozinho, mas antes, é um ser social (MEIRA, 2007), reflexo do meio em que está inserido.

Para iniciar a apresentação da seguinte pesquisa, buscou-se compreender o conceito de bullying, em seguida o que é obesidade e como tal situação se dá em ambiente escolar.

2. Material e Métodos

Objetivando aprofundar e estender o conhecimento sobre o que é bullying e como ocorre, utilizou-se o método de pesquisa teórico. Trata-se da pesquisa que é "dedicada a reconstruir teoria, conceitos, idéias, ideologias, polêmicas, tendo em vista, em termos imediatos, aprimorar fundamentos teóricos" (Demo, 2000, p. 20). A pesquisa teórica não implica imediata intervenção na realidade, mas nem por isso deixa de ser importante, pois seu papel é decisivo na criação de condições para futuras intervenções.

A classificação da pesquisa foi determinada a partir dos seus objetivos gerais, caracterizando uma pesquisa exploratória e explicativa. Segundo Gil (2007), a pesquisa exploratória tem finalidade de tornar o assunto mais explícito de forma a obter uma maior familiaridade para que assim possam-se construir hipóteses e principalmente permitir o aprimoramento de ideias. A pesquisa explicativa se assemelha à exploratória, entretanto, ainda segundo Gil (2007), estes métodos tem por finalidade aprofundar o conhecimento da realidade, explicando o porquê das coisas.

Uma das principais vantagens da pesquisa bibliográfica está no fato de permitir ao autor uma cobertura muito mais ampla dos fenômenos estudados, além de ser de suma importância para a investigação de fatos históricos (GIL, 2007).

E então, a partir de tal fundamentação teórica/conceitual foi tentando demonstrar que o bullying, infelizmente, é um fenômeno comum, principalmente em ambiente escolar e que possui diversas faces e intensidades.

3. Resultados

Bullying é entendido como uma forma de violência que geralmente ocorre em escolas ou em ambientes de trabalho. No contexto educacional, refere-se à repetida exposição do sujeito a atos negativos por semelhantes, com a intenção de ferir ou machucar (COSTA et al, 2012).

Geralmente, o bullying envolve uma relação de desequilíbrio de poder ou força entre os indivíduos, seja esse desequilíbrio real ou simplesmente percebido, podendo ser praticado de forma verbal (como apelidos pejorativos), física (com agressões) ou relacional (exclusão social) (COSTA et al, 2012). Ainda segundo os mesmo autores “[...] o bullying é uma palavra inglesa, que significa ‘usar o poder ou a força para intimidar, excluir, implicar, humilhar, não dar atenção, fazer pouco caso e perseguir os outros’. Nele, sempre fica evidente uma diferença entre o mais forte e o mais fraco”. Tal prática vem difundindo-se e alcançando proporções preocupantes (BOTELHO; SOUZA, 2007).

Considerando-se a ocorrência da violência, da conduta desviante e da conduta delitiva principalmente entre os jovens, a escola surge como contexto natural de interesse de investigação. Pois ali podem existir diversas manifestações de violência, sendo algumas delas direcionadas a professores e a funcionários, e entre os próprios alunos. Também há outros tipos de bullying, que podem ser encontrados com mais frequência, principalmente no ambiente escolar, em forma de apelidos, por vários motivos, como usar óculos, ser muito alto ou muito baixo, magro ou gordo. (COSTA et al, 2012)

No âmbito escolar, é evidente o bullying em relação a pessoas com o peso acima do “ideal”, considerado pela sociedade e indústria da moda. Assim, se faz necessário falar um pouco sobre a obesidade.

Dados da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostram que a obesidade infantil atinge hoje mais de 5 milhões de crianças. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em apenas 30 anos, aumentou de 4% para 18% as crianças e adolescentes do sexo masculino acima do peso. Já as meninas o aumento foi de 7,5% para 15,5% (NOTA DE RODAPÉ). Ou seja, a obesidade infantil vem aumentando de forma bastante significativa nos últimos anos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009).

Nesse sentido, estar acima do peso, numa sociedade que valoriza a aparência física e o corpo ideal, pode fazer do indivíduo um alvo para discriminações em diversos contextos, sobretudo no contexto escolar (COSTA et al, 2012). Segundo os autores, “[...] obesidade é um importante determinante para o surgimento de várias complicações e agravos à saúde ainda na infância e também na vida adulta”.

Além de estar fora dos padrões ideais de beleza da época, a criança ou jovem obeso pode vir a passar por dificuldades como: isolar-se, não querer fazer novos amigos, estresse psicológico intenso em enfrentar as gozações advindas dos colegas, piora da autoestima e da auto-avaliação da imagem corporal e em casos mais graves, depressão. (Obesidade infantil: um desafio de todos)

Para Abreu

“os efeitos físicos da obesidade em crianças incluem dificuldade em manterem-se em atividades físicas, problemas para dormir, e com dificuldades para respirar”, assim como “clinicamente efeitos significativos na aprendizagem e memória função têm sido documentadas em crianças com apneia obstrutiva do sono, como consequência da obesidade” (2010, p. 08).

De fato, o desenvolvimento da obesidade possui “múltiplas causas e é o resultado de complexas interações entre fatores genéticos, psicológicos, socioeconômicos, culturais e ambientais” (BLUMENKRANTZ, 1997 apud BROWNELL, 1999).

Para Forte (2008), “as questões sociais e psicológicas da obesidade na infância são talvez ainda mais intrusiva na vida da criança que o físico”, por isso, Gorayeb (2005) ressalva que “além dessas características, alguns transtornos psicológicos tais como depressão, ansiedade e dificuldade de ajustamento social podem ser observados em indivíduos com obesidade, seja ela endógena ou exógena”. Contudo, as pessoas carregam consigo um “autoconceito positivo ou negativo e atuam em função dele” (BANDURA, 1986, p), ou seja, o que a pessoa pensa sobre si mesma, diz muito sobre a satisfação consigo próprio, sendo um fator de risco ou de suporte para sua saúde mental.

De acordo com Campos (1993), pessoas com obesidade geralmente apresentam-se passivos e submissos, com pensamentos somente em comidas, ingerem compulsivamente comida e medicamentos, são dependentes e infantis, não aceitam sua imagem corporal e acham que não serão aceitos por terceiros, são intolerantes, sentem-se culpados pela situação, são inseguros.

Profissionais e pesquisadores de várias áreas têm identificado uma forma específica de discriminação que atinge diferentes alvos, principalmente aqueles que se distanciam dos padrões culturalmente valorizados. No caso específico da obesidade infantil, o padrão estético acaba sendo o indicativo de alvo para discriminação, e não os problemas relativos à saúde. É nesse sentido que podemos falar em bullying relacionado à obesidade infantil que muitas vezes pode passar despercebido, porém segundo COSTA  et al, a obesidade afeta a autoestima e a sociabilidade da população infanto-juvenil. (2012).

O bullying é uma forma de violência que geralmente ocorre em escolas ou em ambientes de trabalho. No contexto educacional, refere-se a um estudante que é repetidamente exposto a atos negativos por outros estudantes, com a intenção de ferir ou machucar (WHITNEY; SMITH, 1993). Geralmente, o bullying envolve uma relação de desequilíbrio de poder ou força entre os indivíduos, seja esse desequilíbrio real ou simplesmente percebido, podendo ser praticado de forma verbal (como apelidos pejorativos), física (com agressões) ou relacional (exclusão social). (COSTA et al, 2012.).

4. Discussão

Levando em consideração que a escola é umas instituições que possibilita um pensamento democrático, além de várias pessoas estarem em contato.

Para Salles e Paula:

[...] A problemática da violência seja aquela em que o jovem é vitima seja aquela que é protagonizada por ele vem provocando crescente perplexidade e sendo objeto de grande preocupação da sociedade em geral e da brasileira em especial (SALLES e PAULA, 1999).

A violência é um problema social que está presente nas ações dentro das escolas, manifesta de diversas formas, como o bulling, entre todos os envolvidos no processo educativo. Isso não deveria acontecer, pois escola é lugar de formação da ética e da moral dos sujeitos ali inseridos, sejam eles alunos, professores ou demais funcionários (SALLES e PAULA, 1999).

Porém, o que vemos são ações coercitivas, representadas pelo poder e autoritarismo dos professores, coordenação e direção, numa escala hierárquica, estando os alunos no meio dos conflitos profissionais que acabam por refletir dentro da sala de aula (SALLES e PAULA, 1999).

Nas escolas, as relações do dia-a-dia deveriam traduzir respeito ao próximo, através de atitudes que levassem à amizade, harmonia e integração das pessoas, visando atingir os objetivos propostos no projeto político pedagógico da instituição (SALLES e PAULA, 1999).

Os autores ainda afirmam que uuito se diz sobre o combate à violência, porém, levando ao pé da letra, combater significa guerrear, bombardear, batalhar, o que não traz um conceito correto para se revogar a mesma. As próprias instituições públicas utilizam desse conceito errôneo, princípio que deve ser o motivador para a falta de engajamento dessas ações.

Diante de tais fatos pode se concluir que o bulling existe em toda a sociedade, mas está inserido principalmente no âmbito escolar, o que diante das pesquisas realizadas a bibliografia existente com o tema percebeu-se que há grande rejeição para com o obeso, ocasionando o bulling em maior número para com esta população. Assim, algo deve ser feito, pois a pessoa que sofre a discriminação pode desenvolver questões psicológicas prejudiciais de diversas formas.

5. Considerações Finais

Verifica-se que a sociedade dita regras. Regras essas advindas de um ideal que nem sempre pode ser alcançado, e dessa forma, pode causar frustração no que não alcançou e preconceito por aqueles que convivem com ele. Ou seja, o que gera o bullying é o preconceito, a dificuldade em aceitar àquele considerado “diferente” diante a mim. Porém tal acontecimento não é algo individual, e sim produzido historicamente, pois o ser reflexo da época em que vive, sendo produto de um diálogo entre “indivíduo e sociedade”.

Perante esse cenário, faz-se necessário uma sociedade mais igualitária, onde tenhamos consciência que ninguém é igual a ninguém e é isso que nos torna únicos.

No ambiente escolar, cabe aos professores, enquanto autoridade desenvolverem práticas que visem a inclusão e homogeneização dos alunos. Há também os psicólogos escolar/educacional, em que uma de suas funções é trabalhar a favor de uma participação democrática visando à igualdade e mantendo as diferenças dos indivíduos. (FACCI et al, 2011)

A escola afirma valores, modos, tempos e marca lugares, classifica e impõe certa ordem ao mesmo tempo que cria o que escapa, o que é avesso e o que é desordem. Amplia cultura educacional

Sendo assim, pudemos concluir que tanto a obesidade quanto o bullying crescem em grandes proporções. Ambos têm consequências psicológicas negativas.

A partir disso, é necessário construir uma sociedade mais justa e igualitária, para onde não haja conceito de “diferente”.

Referências:

Pâmella Batista de Souza - (Universidade Estadual do Centro-Oeste-UNICENTRO/Irati, Paraná) AUTORA.

Camila Fernanda Amancio - (Faculdade Guairacá – FAG/Guarapuava, Paraná) CO-AUTORA.

Referências:

ABREU, Joana. Obesidade infantil: abordagem em contexto familiar. Porto, Funchal, 2010.

BANDURA, A. Social foundations of thought and action. Englewood Cliffs, New Jersey, Prentice-Hall, 1986.

BROWNELL, K. D., e O’Neil, P. M. Obesidade: Manual clínico dos transtornos psicológicos. Artmed, p. 355-403. Porto Alegre, 1999.

CAMPOS, A. Aspectos psicológicos da obesidade. Pediatria Moderna, vol. 29, p. 129-133, 1993.

COSTA, M.A.P, OLIVEIRA, V.M, SOUZA,M.A. Obesidade infantil e bullying: a ótica dos professores. São Paulo, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S15177022012005000017&lng=en&nrm=iso Acesso em 03.10.2012.

DEMO, Pedro. Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2000.

FRIEDMAN, M. A;  BROWNELL, K. D. Psychological correlates of obesity: moving to the next research generation. Psychological Bulletin, Gorayeb, vol. 11, nº. 07, p. 03-20, 1995.

GIL, A.C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1995

Obesidade infantil: um desafio de todos! Disponível em: <http://www.citen.com.br/endocrinologia/obesidade-infantil--um-desafio-para-a-familia--profissionais-de-saude-e-governos.aspx>  Acesso em 05.10.2012

SALLES L. M. R. PAULA, J. M. A. A violência no âmbito escolar: considerações sobre a violência da e na escola. São Paulo, 1999.