Os Contos na Formação Ética e Moral de Crianças da Educação Infantil

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Resumo: Este artigo tem como objetivo destacar como os contos podem servir de instrumento eficaz na formação ética e moral de crianças da educação infantil, pois remetem a questões éticas e permitem a assimilação de padrões de comportamentos considerados adequados, sem a necessidade de inculcações de valores por parte dos educadores, possibilitando que a própria criança reflita sobre questões éticas e adquira consciência moral. Por meio de uma análise bibliográfica, fez-se possível a correlação entre a ética e a literatura infantil e a necessidade de avaliar como os contos podem ser utilizados como um recurso didático para o processo de ensino aprendizagem, envolvendo tanto as atitudes e regras de convivência quanto o letramento de crianças da educação infantil. Por meio de pesquisas, constatou-se que os contos ajudam a criança na assimilação de significados incompreensíveis a ela, e possibilitam a instrução de valores éticos e morais necessários à formação do indivíduo, de modo prazeroso, pois possuem uma linguagem que encanta e aguça o imaginário infantil.

Palavras-chave: Contos, Formação, Ética e moral, Criança, Educação infantil, Aprendizagem.

1. Introdução

Os contos são capazes de responder perguntas tão instigantes que atormentam o interior das crianças e as atraem, espontaneamente, por relatarem conflitos semelhantes aos que estão presentes em seu interior. Ao demonstrarem o real de maneira indireta e simbólica, permitem a sua assimilação de forma menos traumática, auxiliando na compreensão do mundo sem comprometer o seu desenvolvimento emocional, com uma linguagem pertencente ao universo infantil.

Sendo assim, os contos favorecem a passagem do nível simbólico para o real de modo gradativo, sem transtorno ao emocional da criança, pois é internalizado por ela de forma diferente em cada faixa etária, de acordo com seu nível de conhecimento e maturação. Por esse motivo, através dos contos, é possível demonstrar com mais clareza às crianças a diferença entre o que é considerado certo e o que é considerado errado em nossa sociedade, pois apesar de alguns contos terem sido criados há séculos, eles tratam de assuntos que lidam diretamente com características e sentimentos que estão presentes no homem, como: o medo, a perda, a morte, a vida, o bem, o mal, o certo, o errado, o esperto, o tolo, o fraco, o forte, assuntos, sentimentos e características que estão e sempre estarão presentes no ser humano e, sendo assim, em todas as sociedades.

Por meio da utilização dos contos, em sala de aula, os educadores podem alcançar objetivos e obter atitudes esperadas em nível moral e ético, mesmo de crianças tão pequenas, pois eles podem ser utilizados como auxílio para resolver conflitos, que surgem na sala de aula, como a violência, a mentira, a agressividade, a indisciplina, a repulsa pelas regras, atitudes tão presentes em crianças da educação infantil que se encontram na fase egocêntrica.

Percebe-se que, por meio do contato com os contos, as crianças conseguem compreender as questões sociais relacionadas à ética e à moral, bem como assuntos complexos, que podem ser abordados pelo professor por meio dos mesmos, de maneira fácil e lúdica.

Através dos contos, a criança pequena é capaz de perceber o mal e o bem, assimilando, assim, o que é socialmente aceito e o que é socialmente desprezado, pois ela se encontra na fase de incorporação das regras sociais. Dessa forma, ao trabalhar com os contos de forma didática, o professor não apresenta apenas a literatura infantil como algo prazeroso, que de fato é, mas a apresenta como uma forma de aprendizagem, podendo levá-la até mesmo a ser utilizada como forma de ensino aprendizagem, servindo para alfabetização e para despertar, no aluno, o prazer pela leitura e escrita.

A utilização dos contos na educação infantil vem possibilitar, assim, uma educação voltada para a valorização do raciocínio, para a análise, a reflexão, o respeito às diversas interpretações e ideias, para o estímulo ao ato de ler, a exaltação aos valores morais e éticos. Sendo assim, escolhemos o tema: Os contos na formação ética e moral de crianças da educação infantil.

Este trabalho tem, portanto, como escopo ressaltar o valor dos contos na educação infantil, devido o mesmo abordar questões éticas e morais e despertar na criança, através da ludicidade e do maravilhoso, interesse. Portanto, é possível utilizar os contos, na sala de aula, como uma orientação ética e moral aos alunos, em relação às regras de convivência, tão necessárias para o trabalho, na educação infantil, e como aprendizagem prazerosa no processo de alfabetização desses pré-leitores.

Enfim, vale ressaltar que, por mais que o objetivo da literatura infantil seja o de permitir o imaginário, proporcionando prazer ao leitor ou ouvinte, ela pode e deve ser utilizada pelos pais e educadores para instruir e educar, pois uma aprendizagem divertida e prazerosa obtém, sempre, mais resultados por ser significativa, principalmente, quando se refere à aprendizagem de crianças.

Destaca-se, portanto, nesse artigo, as contribuições dos contos à formação da criança, tanto ética e moral, quanto intelectual e social, por meio da valorização do universo infantil e da ludicidade, destacando ainda a sua função didática e sua abordagem psicológica. E para efetivação deste trabalho, realizou-se pesquisas bibliográficas sobre a psicologia infantil, a ética e a moral, a literatura infantil, fazendo possível a correlação desses assuntos a partir dos contos populares.

2. A Origem da Literatura Infantil e Sua Função Social

A literatura voltada para as crianças tomou forma e se definiu, precisamente, no século XVIII. Devido à ascensão da burguesia, as mudanças ocorridas na sociedade nessa época e a assimilação de novos hábitos, como o nascimento de novas culturas, houve abertura para a literatura infantil e literaturas que melhor expressassem a realidade e aspirações da época. Diante da necessidade de consolidação da burguesia, as instituições relevantes do momento, a saber, a escola e a família e não mais a igreja, realeza ou senhores feudais, se voltaram para a valorização e incentivo da nova estrutura social (ZILBERMAN e MAGALHÃES, 1982).

É interessante destacar que de acordo com Zilberman e Magalhães (1982), a literatura infantil possui associação com a pedagogia, indo ao encontro das exigências do momento histórico e a mudanças na forma de ver a criança. Sendo assim, a literatura voltada para as crianças, tendo sua aceitação como tal, possuía uma função definida e, apesar dos críticos desprezarem e renegarem a visão da literatura infantil como meio de educar e instruir, ela teve força e ganhou destaque por possuir uma função na sociedade.

A origem da literatura infantil resultou, então, de uma série de fatores que vão desde mudanças na estrutura socioeconômica e do novo modelo de família, à teorias da psicologia e pedagogia que modificaram a visão da escola e da criança. Percebe-se que a pedagogia se utilizou da teoria da psicologia infantil, modificando sua forma de entender e conhecer a criança, e encontrou, na literatura infantil, um instrumento eficaz para instruir e educar nas bases da ordem social vigente (ZILBERMAN e MAGALHÃES, 1982).

Conclui-se que a literatura infantil deve sua origem à pedagogia e têm relação com as exigências de um determinado processo social que transformou concepções, status, ideologias e foi marcado por mudanças em instituições, como: a família e a escola que serviram como meio de manter, preservar e valorizar o liberalismo burguês.

Os contos populares que compõem a literatura infantil se referem a histórias que foram transcritas pelos irmãos Grimm e publicadas em 1812 com o título: Contos de Fadas para Crianças e Adultos e também por Perrault, em 1697, com o livro: Contos da Mãe Gansa. Não foram criados no século XVIII, pois fazem parte do folclore popular, sendo encontrados em diversas regiões com diferenças minúsculas.

Essas obras diferenciam-se, pois não tinham o objetivo de reforçar os ideais da ordem social vigente do século XVIII, mas permitiam à criança o divertir e a envolviam em experiências que faziam parte das suas aspirações. Sendo assim, as histórias voltadas para as crianças possuem uma função tanto pedagógica quanto lúdica e essa sua origem com destaque às duas possibilidades: o instruir e o divertir, permite uma aprendizagem motivadora que se dirige ao aluno de modo positivo e expressivo.

Segundo Coelho (2003), a literatura infantil, como gênero, teve seu início assim que Perrault recolheu contos, que foram passados de geração a geração, os transcreveu e os publicou no século XVII, porém foi apenas no século XVIII que a literatura infantil passou a ser reconhecida como tal, por possuir forma e função social.

Já no Brasil, a literatura infantil iniciou-se no século XIX, também refletindo os valores e concepções da época, com caráter didático. Segundo Saraiva (2001), a literatura infantil no Brasil sujeitou-se à transmissão de concepções ideológicas, a exaltação da cultura nacional, ao incentivo ao patriotismo, tendo como objetivo a modernização do país e consolidação da cultura nacional.

Daí em diante, a literatura infantil, no Brasil, passou por diversas fases, assumindo caráter que vinculavam- se às aspirações do momento, às forças de domínio social (tanto cultural quanto ideológico), bem como aos fatos relevantes, como a Semana da Arte Moderna, em 1922 e o golpe militar de 1964.

A literatura infantil, no Brasil, possui hoje as características das obras de Monteiro Lobato, no que se refere às questões estéticas e o estilo voltado para as características do povo brasileiro, como: a linguagem, a cultura, o folclore e o modo de vida. Portanto, conclui-se que os escritos voltados para o público infantil servem como suporte ao ensino na educação infantil, pois remetem a questões socioculturais e pedagógicas e motivam a aprendizagem das crianças de forma lúdica.

3. Os Contos e o Maravilhoso

A origem dos contos ainda é tratada por suposições e controvérsias, pois muitos são encontrados em países e até mesmo continentes diversos, com algumas variações, pode se dizer que, até mesmo pequenas, mínimas. Sabe-se que os contos populares foram passados de geração a geração oralmente e por mais que alguns deles não tenham se mantido imodificáveis no decorrer dos tempos, épocas, espaços, culturas e sociedades, mantiveram sua essência e significado inicial, passando a mesma mensagem em todas as suas versões.

O fato dos contos estarem presentes em sociedades diversas deve-se, talvez, ao motivo deles falarem sobre assuntos presentes em todas as sociedades. De acordo com Gillig (1999, p.24): “[...] Cinderela é conhecido em trinta e oito versões francesas, difundido na Alemanha, onde os Grimm o transcreveram com o nome de Aschenputtel, e é também contado na Índia, nas Filipinas, na África e na América.”

É interessante destacar que alguns contos, como os de Andersen, por não fazerem parte dos contos populares, que foram repassados de geração a geração através da narrativa, obviamente não são de origem desconhecida, mas transmitem a mesma emoção, por serem resultado da mistura do real e do imaginário, do fantástico e por serem carregados de emoções e da sensibilidade do autor, principalmente, das influências dos contos populares.

Os contos podem ser divididos em contos maravilhosos e contos de fadas e se diferenciam por um focar o exterior do homem e o outro o interior, ou seja, enquanto os contos maravilhosos dão ênfase ao ter, os contos de fadas dão ênfase ao ser, ao existencial e moral. Sobre as divisões dos contos Propp (1997, p.3-4) destaca:

[...] O conto é tão rico e tão variado que não é possível estudar o fenômeno que ele representa, em sua totalidade e em todos os países. Por essa razão, o material deve ser reduzido, e eu o restrinjo aos contos maravilhosos. Isso significa que parto da premissa de que existem contos que podem ser chamados maravilhosos. [...].

Os contos de fadas exprimem, simbolicamente, os conflitos e preocupações interiores, possuem um caráter ético e tem, nas fadas, o veículo que leva a personagem central do conto a alcançar um futuro glorioso. O inverso só é visto, nos contos de fadas, quando a fada possui comportamentos avessos, passando a ter o nome de bruxa, mas continua a interferir no futuro da personagem central.

Portanto, os contos de fadas relatam os atos humanos e valorizam a bondade e a justiça e, ao destacar as qualidades e os defeitos mais visíveis dos seres humanos, abordam problemáticas presentes na vida do homem, ao mesmo tempo em que trazem soluções por meio da magia, estando, obviamente, o maravilhoso também presente nesses contos.

Já os contos maravilhosos têm um enfoque maior na realização material da personagem central, na busca pelo poder, porém ambos se assemelham em questões como: a busca da realização pessoal, a presença do bem e do mal, os obstáculos e problemáticas de ordem social, dentre outros.

O maravilhoso presente nos contos representa aquilo que gostaríamos de tornar real ou pertencente à realidade, seria, portanto, adentrar ao mundo do impossível, em que tudo se torna possível, por meio do crer e pelo ato da criação ou imaginação. É o querer ser tudo que sonhamos para nós, é o querer ser completo, por esse motivo o maravilhoso envolve o simbólico e os sonhos, por falar de aspirações humanas.

Os contos por mais que se refiram ao maravilhoso, simbólico, fantasmagórico e sobrenatural, evidencia também o real, por serem histórias carregadas de sentimentos humanos e retratarem situações da realidade que geralmente estão ligadas a atitudes e valores. Bellemin-Noël (1980, p.57) destaca que: “[...] todo o leque da legislação chamada “natural” encontra uma justificativa nesses escritos [...].”

Por mais que críticos possam afirmar que os contos são prejudiciais por não ajudarem as crianças na devida compreensão do real, por falarem de bruxas, fadas, ogros, feitiços, magias, eles continuam a encantá-las e a lhes proporcionarem prazer. Isso se deve ao fato dos contos ajudarem na compreensão das relações humanas e a criança se preparar para a vida, a crer e almejar seus objetivos e a enfrentar situações que se assemelham às realidades descritas nos contos, pois eles põem em questão assuntos frequentes e dentro da perspectiva de entendimento e satisfação pueril.

A criança encontra nos contos exemplos para enfrentar as “bruxas” da vida real que podem ser entendidas tanto como pessoas, quanto por obstáculos, medos e situações corriqueiras, pois dia a dia nos deparamos com empecilhos em nossos caminhos e buscas de estratégias para contorná-los. O que torna o maravilhoso, presente nos contos, esplêndido e apreciado por todos, é o fato dele despertar sonhos e um sentimento de satisfação, nos dando prazer ao imaginarmos o irrealizável, realizável e, principalmente, por aclamar desejos comuns a todos (BETTELHEIM, 1980).

É importante destacar que os contos não tiveram sua origem entre os séculos XVII e XVIII, nestas épocas eles foram apenas transcritos e também adaptados pelos Irmãos Grimm e por Perrault. A origem desses contos tem se tornado um enigma e um conjunto de suposições, pois são encontrados em diversos continentes, mantendo sua uniformidade. Sobre sua origem Coelho (2003, p.31) destaca que:

[...] essas diversas fontes, levadas através dos tempos, para diferentes regiões, por peregrinos, viajantes, invasores, foram-se misturando umas às outras e criando as diferentes formas narrativas “nacionais”, que hoje constituem a Literatura Infantil Clássica e o folclore de cada nação.

Os contos de Andersen, apesar de desprovidos do maravilhoso, se revelam de acordo com Coelho (2003), como complemento dessa literatura infantil clássica. As histórias infantis de Hans Christian Andersen destacam a necessidade de se valorizar o outro pelo o que ele é, pelo desprezo as injustiças sociais, a maldade, a mentira e ao engano, sendo também excelentes fontes para os professores utilizarem nas salas de aula da educação infantil.

Portanto, as histórias infantis que despertam, nas crianças, valores supremos e também as que permitem adentrar a um mundo simbólico, tão característico da mente infantil, compõem a literatura infantil clássica, que através de narrações com destaque e forte presença do maravilhoso levam as crianças a adquirir consciência de mundo e respostas as suas aspirações mais profundas.

4. Os Contos e sua Abordagem Psicológica

Os contos alcançam a mente infantil e contribuem em sua formação, na medida em que eles permitem a criança assimilar a realidade de acordo com o seu nível de maturidade, de forma sutil (suave) sem causar danos emocionais, pois o contado com os contos permitem à criança a compreensão de fatos da vida que mais se aproximam da forma com a qual ela concebe o mundo. Sendo assim, o contato com os contos, possibilitam de maneira indireta e simbólica à criança compreender a realidade e os conflitos existentes em seu cotidiano de forma menos traumática.

Ao ter contado com os contos, a criança pode assimilar significados que na maioria das vezes são incompreensíveis a ela, devido ainda não ter alcançado um nível de maturidade. Para Piaget (1982), a criança pensa de forma diferente do adulto, passando por diferentes estágios de desenvolvimento que precisam ser respeitados. Percebe-se que os contos respeitam os níveis de maturidade da criança, pois independente da idade que essa possua, a mensagem contida neles é incorporada ou interpretada de diversas maneiras e em consonância com o nível intelectual do indivíduo.

A forma de ver a criança foi modificada, devido a estudos da psicologia experimental, estudos esses que afetaram na forma dos educadores trabalharem com seus alunos, em especial na pré-escola, e também na própria literatura infantil que precisou se adequar a essa realidade para assim alcançar seus leitores de forma mais precisa (COELHO, 2000).

Durante a infância, o indivíduo não possui uma compreensão exata dos fatos, às vezes é incapaz de diferenciar seus sonhos e imaginações do real. Segundo Barros (1995), as crianças não mentem, mas apenas confundem o real com o imaginário. Por esse motivo os contos funcionam como um dos melhores veículos para atingir a mente infantil de forma mais precisa, pois o mágico e o maravilhoso presente neles fazem parte do imaginário infantil, falando à criança em uma linguagem que faz parte da sua realidade.

Segundo a psicanálise, as crianças tendem a identificar-se com os heróis dos livros infantis, enxergando neles os mesmos conflitos e problemas com os quais ela se depara, sendo assim, através dos seus exemplos e das formas de resolvê-los, a criança sente conforto e segurança em relação aos seus próprios conflitos, possibilitando um equilíbrio emocional necessário durante a infância, até que essa possa crescer de forma equilibrada (BETTELHEIM, 1980).

O conto está impregnado da cultura de um povo, por mais impressionante que possa ser, se adéqua as realidades, sonho e aos desejos mais profundos presentes em um indivíduo de qualquer outro povo, diferente do qual tenha surgido o conto, envolvendo-o em um turbilhão de emoções e fantasias que ao mesmo tempo em que assusta, comove e encanta. Jung decifra essa questão ao dizer:

Os contos de fadas têm origens nas camadas profundas do inconsciente, comuns à psique de todos os humanos. Pertencem ao mundo arquetípico. Por isso seus temas reaparecem de maneira tão evidente e pura nos países os mais distantes, em épocas as mais diferentes, com um mínimo de variações. Este é o motivo por que os contos de fadas interessam à Psicologia Analítica. (Jung apud Silveira. 1981, p.119).

Os contos de fadas destacam, assim, conflitos e aspirações pertencentes ao inconsciente do ser humano, independente de sua cultura ou individualidade, e produzem na criança conforto, pois segundo Bettelheim (1980) esta estabelece uma relação de confiança durante o contato com os contos, por eles irem ao encontro de sua visão de mundo.

Percebe-se, assim, que os contos estão adequados aos processos mentais infantis, sendo um meio convincente para a criança assimilar conhecimentos, saberes, ideias e ao desenvolvimento do seu processo de ensino e aprendizagem, por não afetarem o seu equilíbrio emocional e mental com experiências inadequadas ou insignificantes, que partem de métodos de ensino desprovidos de conhecimentos sobre a psicologia infantil.

5. A Função Didática dos Contos na Educação Infantil

Os professores da educação infantil, ao trabalharem de forma didática com os contos, têm ao seu alcance o poder de fazer uso de uma literatura que desperta o interesse dos seus alunos, ao lhe proporcionar prazer e falar a eles em uma linguagem que faz parte do seu universo. O docente faz uso dos contos como um meio de questionar, ensinar e instruir seus alunos a respeito de valores e condutas que estão presentes em todas as sociedades, pois eles, na medida em que abordam temas que dizem respeito aos sentimentos, pensamentos e atitudes humanas, bem como, seus conflitos interiores, possibilitam a assimilação de valores necessários para formação do caráter da criança.

Os contos, em sua essência, não foram inscritos com o objetivo de instruir, mas sim de divertir, possuindo uma essência lúdica, mas como tratam de assuntos que dizem respeito a valores perenes, podem e devem ser usados pelos educadores e pais como meio de transmitir valores morais e éticos à criança.

Portanto, os contos podem contribuir na formação ética e moral ao serem utilizados pelos educadores, por possibilitarem a instrução de valores éticos e morais necessários à formação do indivíduo, em especial na educação infantil, pois o interesse dos alunos se volta para aquilo que lhes proporcionam prazer e satisfação, por esse motivo os contos devem ser usados pelos educadores como um meio divertido de aprender atitudes e comportamentos necessários para o convívio em sociedade.

A primeira abordagem dos contos diz respeito ao prazer que esses oferecem ao nos inserir e envolver num mundo maravilhoso, de encantos, magias e fantasias, em uma mistura do real com desejos imaginários e que não se preocupa com o informar, mas primeiramente e principalmente, com o distrair, com o prazer. Isso está visível nos contos, pois os mesmos não se focam em minúcias como nomes de personagens, lugares e descrição de detalhes.

Ao inserir os contos na sala de aula, o educador precisa ter em mente que eles não são apenas histórias que alcançam o público infantil, mas sim, também, o adulto, por esse motivo, precisam ser bem selecionados pelos educadores antes de introduzidos como um meio ou veículo educativo. Sendo assim, um conto como: Como as Crianças Brincaram de Degolar-se, dos Grimm (1812), não seria apropriado a sua leitura, em uma sala de aula da educação infantil, devido ao seu conteúdo relatar detalhes de extrema violência.

O fantasioso presente nos contos colabora para o processo de ensino aprendizagem por envolver a criança em um mundo particular seu, ajudando no processo de letramento e alfabetização. É importante notar que o conto, na escola, tem como objetivo a aprendizagem, inserção no mundo das letras e da prática da interpretação; portanto, seu foco, na educação infantil, visa mais ao letramento e não a decodificação de signos. Assim como o desenvolvimento da habilidade de escrita, pois, por mais que os alunos da educação infantil não tenham desenvolvido plenamente a escrita, eles são capazes de visualizar e recriar histórias mentalmente, sendo que, dessa forma, estão aprimorando a habilidade de escrever, mesmo sem possuir habilidades motoras e cognitivas para transcrever as histórias.

Na escola, frequentemente, a figura do contista está no próprio professor que precisa fazer uso de técnicas e métodos para tornar a história narrada mais interessante, sem permitir que seu método ou técnica se sobressaia mais que o próprio conto. O método e a técnica do contista devem servir unicamente para tornar o conto mais interessante, chamando a atenção para o próprio conto e não para o contista e isso é muito bem ressaltado por Coelho (2002, p.50) quando afirma que: “Um narrador não se agita, não se movimenta para um lado e para outro, senão as crianças não saberão a quem acompanhar, se a quem narra, se aos personagens da  história.”

O professor, ao fazer uso dos contos como método de ensino, precisa avaliar o objetivo que quer alcançar, as competências e habilidades que pretende desenvolver no aluno e, portanto, precisa se preparar e preparar suas aulas com dedicação e pesquisas que deverão ir desde a seleção dos livros até as formas de apresentação da história a ser narrada.

Portanto, o professor precisa, assim, analisar as melhores estratégias e recurso ao inserir o conto na sala de aula, avaliando o que mais desperta o interesse dos seus alunos, se o livro com imagens, se a representação dos contos ou a narração sem uso dos livros, utilizando apenas os tons da voz como técnica para prender a atenção dos alunos.

Conclui-se, assim, que um professor, que tem como alvo garantir uma aprendizagem satisfatória e proporcionar ao seu aluno conhecimentos nas diversas áreas desde a pré-escola, tem nos contos o intermédio para trabalhar tanto as artes visuais, cênicas e plásticas, quanto desenvolver o ato de criação, a prática e o gosto pela leitura e escrita e aprendizagem sobre as diversas culturas.

Além de tudo, através da inserção dos contos na escola, é possível permitir que o aluno seja capaz de assimilar valores e padrões de comportamentos, bem como, avaliar condutas e se auto-avaliar, sem que seja necessária a imposição de ideias e repressões que prejudicam no desenvolvimento da personalidade.

Fazer uso dos contos, na educação infantil, é promover, desde cedo aos alunos, a relação com as letras, com o mundo letrado por meio do livro que fará parte da sua vida, do seu cotidiano; por esse motivo, promover essa relação é de extrema importância no ambiente escolar que deve despertar no aluno o interesse de aprender e o desejo de ter autonomia para ler seus próprios contos.

A partir do momento que o desejo de aprender a ler é despertado, no aluno, por intermédio do conto, o processo de letramento e alfabetização é facilitado. Por meio dessa reflexão, compreende-se que os contos podem servir de facilitadores no despertar do aluno para o mundo das letras, tendo uma função didática dentro da escola.

6. Os Contos e Seus Aspectos Morais e Éticos

Para analisar os aspectos morais e éticos dos contos, faz-se necessária uma breve reflexão sobre os conceitos éticos e morais, bem como, de princípios e valores. A ética diz respeito aos comportamentos, assim como a moral, trata-se de uma reflexão sobre os padrões de comportamentos que incorporamos como corretos e que, geralmente, vão ao encontro com os princípios e valores sociais do grupo ao qual pertencemos.

A moral diz respeito às normas de comportamentos que são consideradas corretas por membros de uma determinada cultura. A ética seria, portanto, as reflexões e julgamentos dos atos morais e o que orienta o indivíduo a tomar certas atitudes e a ter consciência delas.

As normas e os valores regulam as relações humanas e a apreciação das normas e dos valores constituem a ética. Ter atitude ética é primar pelas virtudes e valores supremos, a virtude e os valores estão correlacionados à apreciação de comportamentos morais e sua avaliação é feita por meio da reflexão e comparação de comportamentos considerados éticos e antiéticos. A virtude seria, portanto, a concretização de valores nas ações humanas.

Chaui (1999, p.337) destaca que: “O campo ético é, assim, constituído pelos valores e pelas obrigações que formam o conteúdo das condutas morais, isto é, as virtudes. Estas são realizadas pelo sujeito moral principal constituinte da existência ética.”

Portanto, a ética nos permite refletir sobre os valores morais presentes em nossa cultura, que dizem respeito ao considerado permitido ou proibido, ao virtuoso ou desvirtuoso, assuntos que caracterizam os contos populares, pois a todo o momento eles nos remetem a reflexões sobre os valores e as virtudes.

Atualmente, a ética tem sido colocada na pauta dos assuntos educacionais, sendo trabalhada nas escolas como tema transversal, ressaltando a sua importância para o convívio dentro do ambiente escolar e na sociedade em geral. A ética é o meio pelo qual o homem mantém sua humanidade, adquirindo padrões de condutas que moldam suas relações, não visando apenas a sua individualidade, mas ao coletivo e as normas e regras pertencentes à coletividade.

De acordo com Chaui (1999) a ética impõe limites e possibilita o controle de atitudes que são prejudiciais para o grupo social, sendo, portanto, normativa.

Os contos estão impregnados de valores morais e éticos, por destacarem comportamentos humanos e por permitirem a análise e reflexão sobre modelos e padrões de comportamentos universais. Os valores éticos instituídos por diversas sociedades garantem a convivência pacífica entre seus integrantes e esses valores se distinguem de sociedade para sociedade; porém, nos contos, percebe-se a abordagem de questões sociais presentes em diversas culturas e grupos sociais, com consciência e senso moral semelhantes. Sendo assim, os aspectos sociais e morais dos contos são universais.

A partir do momento que os contos põem em questão, no decorrer da narrativa e em seu desfecho, relatos que ressaltam situações corriqueiras, que deixam em evidência a diferença entre o socialmente correto e o socialmente errado, eles possuem aspectos éticos e morais, aspectos esses necessários para a educação do indivíduo, para que esse se constitua em cidadão. Ao levantarem situações e problemáticas que levam a personagem a ter comportamentos bons e maus, devidos ou indevidos, os contos permitem que a criança adquira consciência moral e seja capaz de distinguir entre o certo e o errado.

Os contos destacam, de modo visível, a diferença entre o certo e o equivocado, devido aos seus próprios personagens serem a personificação de sentimentos e ações, como: o bem e o mal, o amor e o ódio, o virtuoso e o torpe, o permitido e o proibido. Personagens como Branca de Neve e a sua madrasta, o mesmo em A Gata Borralheira e sua madrasta, assim como, em João e Maria com a bruxa canibal, são exemplos disso. Exemplos esses que auxiliam a criança a obter consciência moral e saber distinguir entre o bem e o mal, propiciando condições para que a mesma possa obter atitudes éticas e saber lidar, de modo responsável, com problemas que surgirão no decorrer de sua vida.

O predomínio da ética e da moral, nos contos, remete à apreciação de valores e a exaltação de comportamentos socialmente adequados e que levam a personagem virtuosa, da maioria dos contos, ao destino que lhe oferece a recompensa, apesar dos obstáculos que antecedem seu desfecho (BETTELHEIM, 1980).

Durante o contato com os contos, as crianças são capazes de refletir sobre as consequências dos atos humanos, auxiliando no seu autocontrole, a conter seus impulsos e a analisar os valores presentes na sociedade. Coelho (2003, p.123), ao falar sobre a literatura infantil, destaca que: “[...] É ela, dentre as diferentes manifestações da Arte, a que atua de maneira mais profunda e essencial para dar forma e divulgar os valores culturais que dinamizam uma sociedade ou uma civilização.”

De Vries e Zan (1998), ressaltam que ao trabalhar a ética e a moral, na educação infantil, o objetivo deve estar centrado na reflexão e promoção do raciocínio, levando a criança a pensar no outro durante o momento de buscas de soluções, valorizando a justiça e o respeito próximo. Portanto, o professor encontra, nos contos, um meio de levantar esses questionamentos relacionados à ética e à moral, de levar a criança a analisar questões sociais e de abordar assuntos complexos de maneira fácil, descontraída e divertida.

7. As Contribuições dos Contos à Formação Ética e Moral de Crianças da Educação Infantil

Os contos, na educação escolar de crianças, não servem unicamente para despertar o gosto pela leitura, iniciar o processo de alfabetização e letramento e auxiliar nas questões que se relacionam ao existencial, mas servem também como auxílio à sua formação social no que tange a ética e a moral.

O predomínio da ética e moral nos contos remete a apreciação de valores e a exaltação de comportamentos socialmente adequados e que levam as personagens virtuosas, da maioria dos contos populares, ao destino que lhe oferece a recompensa apesar dos percalços que antecedem seu desfecho.

Através da leitura dos contos, a criança entra em contato com a realidade do autor, com suas concepções em relação à vida e representações da mesma, podendo, a partir daí, atribuir valores sobre as ações humanas e sobre situações corriqueiras do cotidiano. A criança, ao comparar as situações ou realidades representadas no texto e nas personagens, entra em contato com questionamentos que remetem à ética e à moral, como comportamentos e atitudes que são aceitos ou condenados pela sociedade, pois percebe-se que os contos populares apresentam uma definição clara de conceitos que podem ser facilmente diferenciados pelas crianças, mesmo as da educação infantil.

Saraiva (2001, p.46) destaca que: “[...] Cristalizados na tradição oral dos povos através da memória de consecutivas gerações, o conto popular é um agente de transmissão de valores éticos, conceitos morais, modelos de comportamento e concepções de mundo. [...].”

Através da leitura dos contos, o professor pode abordar assuntos relacionados aos conflitos presentes nas salas de aula da educação infantil, como a mentira, a desobediência, a maldade, a dor, o sofrimento, o respeito, o amor e o carinho pelo outro, pois há uma infinidade de contos que abordam essas questões e, partindo daí, para realizar atividades como: rodas de conversas, auto-avaliação, reflexões, jogos, entre outras, mediando, assim, situações que levem o aluno a compreender a vida em sociedade e a necessidade de aceitar e valorizar as regras, principalmente, as que estão relacionadas ao respeito ao próximo, demonstrando os benefícios delas e como elas servem para o bom convívio em sala de aula.

Pode-se inferir que a ética precisa ser trabalhada na educação infantil de forma lúdica e os contos se apresentam como ferramenta indispensável, pois a aprendizagem deve iniciar-se com algo que seja apreciado pelo aprendiz. Consequentemente, destaca-se os objetivos específicos que se pretende alcançar, partindo do objetivo geral que se refere à capacidade de compreensão dos valores, condição fundamental para a avaliação e reflexão ética da criança.

Deve-se, porém, ter consciência, ao trabalhar valores éticos e morais, na educação infantil, do nível de maturação e da capacidade de compreensão da criança; por isso, os objetivos específicos precisam ser bem destacados e analisados minuciosamente, devendo visar ao respeito e ao amor ao próximo, bem como à justiça, atitudes básicas e fáceis de serem compreendidas, pelas crianças, através do contato com os contos infantis. Saraiva (2001, p.47) destaca que, nos contos de fadas, as personagens que compõem o enredo, se referem a tipos, ela afirma que:

[...] Esses seres são considerados tipos, pois se apresentam com virtudes ou defeitos exageradamente destacados. Assim, personificam o orgulho, a modéstia, a covardia, a feiúra, a beleza, a bondade, a maldade. Suas características evidenciam-se no desenvolvimento da trama e interferem no destino dos protagonistas, na medida em que o bem triunfa sobre o mal, a coragem sobre a covardia, o belo sobre o feio, a modéstia sobre a prepotência.

Sendo assim, por serem visíveis e até mesmo exageradas as características das personagens e suas atitudes, sendo as mesmas consideradas como a representação dos próprios atos humanos, os contos se destacam como a forma mais gritante e fácil de assimilação, pelas crianças, dos valores éticos e morais, contribuindo assim para a sua formação nesse sentido.

É interessante destacar que o professor, ao trabalhar com os contos, focando a formação ética e moral dos seus alunos, tem a possibilidade de selecionar histórias que abordam exatamente o assunto ou tema a ser apresentado em sua aula, devido a diversidade dos contos, que vão desde os contos populares aos modernos.

Saraiva (2001) destaca, ainda, o fato dos contos possuírem uma estrutura simples e que talvez seja esse o motivo da grande aceitação deles pelas crianças. Sendo assim, os contos, por terem grande aceitação por parte das mesmas, permitem a aprendizagem através de algo que possua valor e importância a elas, que tem a possibilidade de, através dessas histórias, que a envolvem em um mundo mágico e permitem a ludicidade, entrar em contato com questões éticas que são fundamentais nas relações interpessoais, sem que sejam influenciadas a pensarem ou agirem de determinado modo, pois ao terem orientação ética e moral, por parte dos professores através dos contos, essas crianças passam a refletir sobre as situações expostas neles, tendo a possibilidade de desenvolver sua criticidade e suas opiniões e tomar posições e iniciativas diante de determinados fatos da vida.

Conclui-se que os contos contribuem assim para uma formação ética e moral reflexiva, sem inculcações ideológicas ou influências desnecessárias, agindo no inconsciente infantil de modo a desenvolver sua capacidade de compreensão e julgamento, auxiliando na formação de um individuo crítico e reflexivo, através de uma aprendizagem ativa e significativa e não passiva e imposta.

8. Considerações Finais

De acordo com as pesquisas bibliográficas realizadas para fundamentar este trabalho, constatou-se as contribuições dos contos à formação ética e moral de crianças da educação infantil, reforçando a necessidade de proporcionar desenvolvimento educacional a partir de estímulos e atividades que estejam de acordo com o interesse do aprendiz, encontrando nos contos o meio mais eficaz de propiciar essa aprendizagem e formação, através da ludicidade e magia encontrada nos mesmos.

Nesse sentido, fez-se possível analisar as abordagens que podem ser realizadas a partir dos contos, pois eles remetem a questões sociais, culturais, psicológicas e permitem o desenvolvimento da criança, possibilitando a sua instrução ao mesmo tempo em que as diverte, proporcionando prazer.

Portanto, partindo dos contos, os educadores podem desenvolver abordagens de assuntos que envolvam atitudes e comportamentos, necessários para o convívio social, e inserir seus alunos no mundo das letras e da prática de interpretação e compreensão, permitindo à reflexão e o direito a exposição de ideias.

Através do uso dos contos, nas salas de aula de educação infantil, o professor dá condições para criação de um ambiente motivador, que leva o aluno a se deleitar em uma atividade fundamental e corriqueira no ambiente escolar: a leitura, despertando, desde cedo na criança o desejo e o interesse em aprender a ler, tendo, assim, autonomia nessa atividade que propicia prazer e satisfação.

Sendo assim, através desse trabalho, perceberam-se as diversas contribuições dos contos à formação da criança e a necessidade de inseri-los nas salas de aula da educação infantil, por serem eles que melhor permitem a compreensão de assuntos fundamentais pelas mesmas.

Conclui-se, assim, que pelas infinidades de benefícios que os contos remetem a criança e pelos seus aspectos morais e éticos, que permitem a assimilação de valores fundamentais presentes na sociedade, eles contribuem de forma significativa para a sua formação, devendo, portanto, receber especial atenção por parte dos professores, de educação infantil, para sua devida inserção nas salas de aula.

Dessa forma, procurou-se apontar o papel e a função dos contos na educação infantil, ou seja, na formação dos alunos. Espera-se que este artigo venha a despertar nos educadores o interesse de propiciar aos seus alunos uma aprendizagem significativa, que parta do interesse dos mesmos e possibilite contribuições e benefícios na vida deles.

Por isso, fez-se um destaque aos contos, que são histórias que contém infinidades de aprendizagens e meios de proporcioná - las, para que este seja avaliado e valorizado devido a sua função e característica própria e por falarem na linguagem infantil e valorizarem as fantasias e simbologias das crianças, sem reprimi-las.

Deve, assim, partir do professor a análise crítica da sua metodologia e da sua responsabilidade com o processo de ensino aprendizagem da criança, tendo a consciência que, como mediador, deve nascer dele os estímulos, na sala de aula, que propiciam as descobertas dos seus alunos, levando-os ao crescimento social, cultural e intelectual. Por isso destaca-se a necessidade de proporcionar aos alunos, da educação infantil, uma aprendizagem que possua valor e supra as suas expectativas, relacionando-se com seu nível de compreensão e com o universo infantil que envolve a criança.

Partindo dessas considerações, conclui-se que é nos contos infantis que as crianças podem encontrar alívio e satisfação, pois eles ao misturarem o real com o simbólico e darem sentido as suas fantasias, oferecem conhecimentos de modo gradativo, de acordo com seu nível de maturação e permitem a diferenciação de atitudes presentes no ser humano, auxiliando, de modo contundente, na sua formação ética e moral.

Sobre os Autores:

Daisy Mendes de Melo - Graduada em Pedagogia - Faculdade Atenas Maranhense (FAMA).

Evandro Abreu Figueiredo Filho - Professor da Faculdade Atenas Maranhense (FAMA) e Mestrando em Educação pela Universidade Lusófona de Portugal.

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