Os Entraves da Educação no Brasil

Os Entraves da Educação no Brasil
(Tempo de leitura: 4 - 8 minutos)

Resumo: Considerando que a educação visa o crescimento e desenvolvimento em qualquer estádio da vida do ser humano, o objetivo desse estudo é elucidar, quais são as principais dificuldades enfrentadas no Brasil quanto ao processo de educação. Trata-se de uma revisão bibliográfica em artigos científicos e livros, onde apontam problemáticas que perpassam desde a má formação do profissional, desvalorização da classe de professores, falta de estrutura nas escolas, acomodação dos alunos frente à busca do conhecimento e adequação de um novo método de ensino na sociedade atual.

Palavras-chave: Processo de educação, Entraves, Sociedade atual.

1. Introdução

A educação é entendida através de diferentes etapas de escolarização que se apresentam de modo sistemático por meio do contexto escolar. De um modo geral, pode-se defini-la como um processo que visa o crescimento e desenvolvimento em qualquer estágio da vida do ser humano (SANTOS, 2015).

O Brasil cresceu muito no século XX, em um período relativamente curto, e a educação também cresceu bastante, mas não o suficiente, diante das necessidades da economia, portanto os entraves em sua prática também aumentaram. Nos últimos tempos aumentou bastante não apenas a necessidade de mais escolas e vagas, mas, sobretudo, a necessidade de ter uma população dotada de conhecimento, competências e atitudes adequadas aos desafios da sociedade contemporânea (CASTRO, 2009 p.10).

Ao falar dos entraves encontrados na educação no Brasil é importante ressaltar que essa problemática se inicia desde a formação dos professores, que saem de um deficiente sistema universitário que não prepara o professor para os mais complexos problemas sociais vividos por seus futuros alunos, e consequentemente a má formação acadêmica reflete em professores despreparados para ensinar.

Para melhorar a qualidade de ensino nas escolas brasileiras, é necessário criar um novo modelo escolar, nossa educação é ruim em todos os níveis, inclusive o universitário, que ainda formam professores para o século XX e não para a nossa sociedade contemporânea. É fundamental e preciso uma mudança profunda no sistema de ensino, uma mudança conceitual, onde a escola ensina o aluno a aprender a criar conhecimento, e para isso os professores precisam novamente aprender para ensinar (MOSÉ, 2013).

Ainda Mosé (2013) afirma que:

Os nossos alunos precisam aprender a aprender. Escolas contemporâneas estão mais preocupadas com a aprendizagem do que com o ensino. Hoje, a educação é centrada na figura do professor e não no aluno. Temos que buscar estimular nas nossas crianças a capacidade de reflexão, de argumentação e criticidade.  E oferecê-las, dentro das diversas possibilidades, caminhos para que elas encontrem seus principais interesses. É possível incorporarmos essas ideias dentro das nossas escolas.

Portanto, outro entrave na educação é a acomodação do aluno na busca do conhecimento, e da escola em aceitar essa acomodação, afinal, nesse mundo moderno é possível encontrar tudo pronto, a busca pelo conhecimento já não é tão empolgante e reflexiva. Contudo, é necessária uma mudança aprofundada nas escolas para que saiam alunos críticos, capazes de construir conhecimentos e não apenas reproduzirem o que o professor ensina, afinal o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz e, para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos (GADOTTI, 2000).

Freire (1996 citado por Moura 2013 p. 15) coloca à escola o dever de não só respeitar os saberes com que os educandos chegam a ela, mas também, discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação com o ensino de conteúdos. Para ele, transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador.

Santos e colaboradores (2015) apresentaram em sua obra que a qualidade do ensino depende muito da qualidade do professor, ou seja, o mesmo precisa ter gosto por ensinar e sentir satisfação em aprender para passar adiante. Assim, a escola deve oferecer condições materiais, físicas e pedagógicas para criar um ambiente propício à aprendizagem (p. 32).

Gadotti (2009 citado por Santos e colaboradores 2015 p. 19) refere que existem três condições que devem estar presentes numa escola de qualidade: professores bem formados, condições de trabalho e um projeto, ou seja, a autoestima dos professores é outro fator que influencia bastante na qualidade da educação nas escolas brasileiras, cada vez mais o professor se sente desmotivado por baixos pisos salariais, pouca estrutura e um desconforto com o sistema educacional, onde a meta é passar alunos e não criar cidadãos para a sociedade.

Em geral, temos a tendência de desvalorizar o que fazemos na escola e de buscar receitas fora dela, quando é ela mesma que deveria governar-se. É dever da escola ser cidadã e desenvolver na sociedade a capacidade de governar e controlar o desenvolvimento econômico e o mercado

Segundo Dourado (2007 citado por Santos 2015):

Ao Estado ou Governo cabe assegurar o direito à mesma para todos os indivíduos, incluindo a igualdade de condições de acesso e permanência na escola; ampliar a obrigatoriedade da educação básica; definição de diretrizes para os níveis, ciclos e modalidades de ensino; definir e garantir padrões de qualidade; implementação de programas suplementares onde estejam incluídos a disposição de recursos tecnológicos, segurança nas escolas, etc (p.35).

A educação é um fenômeno relativamente complexo pois está associada a uma natureza multidimensional, são várias problemáticas e a qualidade da educação envolve a interacção simultânea dos vários agentes intervenientes, a formação de professores para que entrem nas escolas preparados para os desafios contemporâneos, a valorização dos agentes transmissores do saber e o estado que precisa garantir o direito de uma educação de qualidade.

O objetivo desse estudo é conhecer os principais entraves no processo da educação brasileira, que variam desde a formação acadêmica dos professores até os desafios contemporâneos, desafios esses que são fazer com que o professor aprenda novamente para ensinar, que o aluno aprenda a criar conhecimento e que as escolas formem cidadãos formadores de conhecimentos e não apenas reprodutores de conhecimento. O estudo reitera as dificuldades enfrentadas pela escola, os professores e os alunos no processo de educação.

Para desenvolver o presente estudo foi efetuado um levantamento de informação através de diversos artigos e outras fontes, como livros, que abordavam as questões das dificuldades enfrentadas na educação brasileira. Procedeu-se, deste modo, a uma metodologia de revisão da literatura.

2. Considerações Finais

Em virtude dos fatos aqui mencionados percebemos que a educação brasileira cresceu bastante, porém juntamente com ela cresceu as problemáticas, a falta de estrutura nas escolas e, principalmente, a falta de acompanhamento desse crescimento juntamente com os avanços da sociedade. Há, portanto, muitos profissionais ingressando no meio educacional completamente despreparados, com uma má formação acadêmica e um desânimo frente à profissão, o que consequentemente reflete na qualidade da educação atual.  Portanto, faz-se necessário que a educação seja administrada de maneira em que possa formar cidadãos capazes de pensar por si só, criar e refletir. É necessário também um trabalho na formação dos professores, acompanhar as mudanças da sociedade, fazendo com que as escolas aprendam antes de ensinar, reformulando o sistema educacional, para que possam preparar pessoas, não apenas para o mercado de trabalho, mas também para a vida.

Sobre os Autores:

Juliana Parente Matos - Acadêmica do sétimo período do Curso de Psicologia da Faculdade Integrada de Ensino Superior de Colinas – Campus em Colinas do Tocantins.

Claudia Lorrane Barcelos da Silva - Acadêmica do sétimo período do Curso de Psicologia da Faculdade Integrada de Ensino Superior de Colinas – Campus em Colinas do Tocantins.

Jordana Carmo de Sousa (Supervisora) - Mestre em psicologia clínica, professora universitária na FIESC/UNIESP.

Referências:

CASTRO, M.C, Araujo,J.B (2009) Por Que A Educação Brasileira É Tão Fraquinha? (Versã eletrônica). Retirado No Dia 10 De Outubro Do Site: < http://www.schwartzman.org.br/simon/fest7_claudiojb.pdf >

DOURADO. F. & Oliveira J. F. (2009): A Qualidade Da Educação: Perspectivas E Desafios. Cad. Cedes, Campinas, 29, N.78, P. 201-215.

GADOTTI E, MOACIR (2009, Novembro): A Qualidade Na Educação. Artigo Apresentado Durante O “VI Congresso Brasileiro De Ensino Superior À Distância”, São Luís.

GADOTTI, M.(2000) Perspectivas Atuais Da Educação. Porto Alegre, Ed. Artes Médicas.

GADOTTI, M.(2005). História Das Idéias Pedagógicas. São Paulo: Ática.

MOURA,J. A (2013) Reflexões Sobre A Educação Em Uma Perspectiva Histórico-Social.  Retirado No Dia 10 De Outubro Do Site: Http Psicologado.Com › Áreas De Atuação › Psicologia Escolar

SANTOS, C. R. & Vendeiro, C.R. (2015)  Qualidade Na Educação: Um Estudo De Revisão Sobre Os Factores Que Influenciam A Qualidade Da Educação. Retirado No Dia 10 De Outubro Do Site:< https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-escolar/qualidade-na-educacao-um-estudo-de-revisao-sobre-os-factores-que-influenciam-a-qualidade-da-educacao >

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