Psicologia Escolar: Atuação e Desafios na Prática Ensino Superior como Relato de Estágio

Psicologia Escolar: Atuação e Desafios na Prática Ensino Superior como Relato de Estágio
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Resumo: A Psicologia Escolar é um campo que busca trabalhar com o processo de aprendizado do indivíduo e assim como o mesmo se insere nesse contexto. O objetivo deste trabalho foi compreender as principais demandas trazidas pelos estudantes. Foram realizados atendimentos psicológicos nas quintas feiras com 47 estudantes na Faculdade Nobre. As demandas levantadas durante a entrevista foram ansiedade, timidez, ansiedade, depressão, TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), problemas familiares e dificuldades de aprendizagem. Segundo os resultados a maioria dos alunos apresentam o quadro de ansiedade, e na maioria do curso a mesma predomina. Pode se concluir que crença de que o trabalho do psicólogo na escola está concentrado em manter ou reforçar o status do aluno na escola.

Palavras-chave: Psicologia Escolar, Experiência, TOC, Depressão, Ansiedade, Ensino Superior, Dificuldades de Aprendizagem.

1. Introdução

A psicologia inseria-se no contexto escolar com o objetivo implícito de legitimar a postura classificatória dos alunos e suas famílias. Esta prática afirmava que o fracasso relativo à aprendizagem do aluno está nele mesmo, isto é, o aluno tem aptidões inatas para o desenvolvimento, caso isso não aconteça, o mesmo é responsabilizado por um fracasso que ele carrega. Assim, a psicologia ocultava os aspectos sociais e culturais que estavam envolvidos na educação, sendo esta um importante processo social de transmissão cultural, de modelos e valores (Bock, 2003).

Ainda em conformidade com Bock (2003), por muito tempo a psicologia enfatizou apenas os aspectos particulares, desconsiderando os aspectos múltiplos dos fatores que estão envolvidos na problemática do sujeito, principalmente em relação à aprendizagem. Dessa forma, o trabalho do psicólogo dentro da escola deve se desenvolver sob um olhar holístico do sujeito, de forma que sua subjetividade seja levada em consideração no processo de ensino aprendizagem. A família, a escola, a comunidade, o vizinho e tudo que faz parte da vida do sujeito, de forma direta ou indireta provoca impacto na sua subjetividade.

A alternativa mais adequada para a intervenção do psicólogo no contexto escolar sugerida por Andaló (1984), é aquela em que, sem excluir as contribuições da psicologia clínica e acadêmica, o profissional assuma o papel de agente de mudanças dentro da instituição escolar. Ele atuaria como um elemento centralizador de reflexões e conscientizador dos papéis representados pelos vários grupos que compõem tal instituição, exercendo a função de atuar sobre as relações que se estabelecem neste contexto, levando em consideração o meio social em que estas relações estão inseridas e o tipo de clientela que atende, assim como os grupos que a compõem. Ele atuaria, portanto, sobre a instituição escolar.

Embora sejam consideradas áreas de produtividade intensa, a Psicologia Escolar e Educacional ainda têm muito a evoluir na problemática que se referem aos fatores que interferem no processo de ensino e aquisição de conhecimento do público jovem. Apesar de sua relevância, a formação do psicólogo na área escolar abriu horizontes para pesquisas, onde a partir daí foram sinalizados requisitos necessários para uma capacitação profissional (Tomanik, 1992; Granja,1995).

Estudiosos sinalizam que o Psicólogo Escolar deve ter uma formação que o capacite a estar apto a utilizar os instrumentos científicos em prol do desenvolvimento do indivíduo. Vale salientar que esses instrumentos devem colaborar de modo cooperativo para a resolução dos problemas no cotidiano escolar. Enfim, deve ter embasamento sólido, pesquisas práticas e teóricas em Psicologia (Masini,1981; Khouri et al.,1984; Pfromm Netto, 1985).

Portanto, o objetivo deste estudo foi identificar o percentual de ansiedade, depressão e estresse dos alunos do ensino superior da Faculdade Nobre.

2. Materiais e Métodos

Para a base desse estudo foi realizado o estágio no SEAPSI - Serviço de Acolhimento Psicológico, que realiza o acolhimento dos alunos Colégio Nobre (CN) e da Faculdade Nobre (FAN). Os atendimentos foram realizados com os estudantes do ensino superior da instituição mencionada, nas terças e quintas-feiras.

Foram utilizadas as fichas para colher os dados pessoais do paciente e suas demandas principais. No total, 47 estudantes participaram do acolhimento. 

Curso

N° de estudantes

Direito

16

Psicologia

6

Nutrição

8

Enfermagem

9

Fisioterapia

4

Ed. Física

4

TOTAL

47

Quadro 1- Quantidade de estudantes que participaram do acolhimento

3. Resultados

De acordo com o gráfico a seguir, a ansiedade é a demanda que mais predomina nos cursos em geral. 

Gráfico 1- Demanda geral

Demanda Geral

Fonte: as autoras do estudo (2018)

Gráfico 2 - Demandas dos estudantes de enfermagem

Demandas dos Estudantes de Enfermagem

Fonte: as autoras do estudo (2018)

No curso de enfermagem houve 04 estudantes que apresentaram ansiedade, 02 estudantes apresentaram dificuldades de aprendizagem e 01 estudante relatou que possui problemas familiares. 

Gráfico 3 - Demanda dos estudantes de Ed. Física

Demanda dos estudantes de Ed. Física

Fonte: as autoras do estudo (2018)

Segundo o acolhimento realizado com os estudantes de Ed. Física, 02 deles relatam ter ansiedade, 01 estudante possui problemas com seus familiares e 02 possuem dificuldade de aprendizagem.

Gráfico 4 - Demanda do curso de direito

Demanda dos estudantes de Direito

Fonte: as autoras do estudo (2018)

As demandas presentes no curso de direito são ansiedade, estresse e depressão. Cerca de 07 estudantes apresentam ansiedade, 03 estudantes apresentam depressão e 01 possui estresse.

Gráfico 5 - Demanda do curso de Psicologia

Demanda do curso de Psicologia

Fonte: as autoras do estudo (2018)

No curso de Psicologia 06 estudantes apresentam demanda sendo que cada um deles se encaixam 01 estudante. 

Gráfico 6 - Demanda do curso de Fisioterapia

Demanda do curso de Fisioterapia

Fonte: as autoras do estudo (2018)

De acordo com a entrevista 04 estudantes de Fisioterapia apresentam demandas tais como ansiedade (1), dificuldades de aprendizado (2) e timidez (1).

Gráfico 7 - Demanda do curso de nutrição

Demanda do curso de nutrição

Fonte: as autoras do estudo (2018)

Os alunos de nutrição apresentam demandas tais como ansiedade(2), timidez(3) e conflitos familiares(3).

4. Discussão

A temática dos transtornos mentais como depressão, ansiedade e estresse em estudantes universitário ainda é pouco discutida na literatura, mas ficam evidentes que estudantes universitários são grupos vulneráveis, no sentido de que durante a vida acadêmica o estudante fica exposto a uma série de fatores estressante que muitas vezes os levam a uma zona de sofrimento, atingindo negativamente o seu desempenho.

De acordo com Almeida & Soares (2003) são muitas as variáveis que podem comprometer a saúde mental de estudantes universitários, não só os eventos da vida acadêmica como também, as cobranças externas, preocupação com o futuro, com mercado de trabalho, com a família, estabelecimento de novos vínculos, estabelecimento de uma carreira e formação de identidade profissional. Todas essas coisas podem impactar na vida do estudante e causar desgaste psicológico.

Batista e Cols. (1998) afirmam que o estresse e a depressão influenciam sobremaneira o desempenho acadêmico dos universitários. E garantem que esses eventos minguam a capacidade de raciocínio, memorização e o interesse do jovem em relação ao processo de ensino-aprendizagem. Assim como a depressão, o estresse é um problema que afeta não só estudante, mas também todas as pessoas que tem uma rotina diária de compromisso. O estresse é visto como um mal da sociedade contemporânea, por estar associado a atividades que exigem cobrança constante e remeter a sensação de desconforto conhecida pela tensão muscular, irritabilidade, etc. De acordo com o gráfico 01 dos resultados, 03 estudantes do curso de Direito apresentam depressão.

Estresse é todo e qualquer estímulo capaz de provocar e trazer à tona um conjunto de respostas orgânicas, mentais e comportamentais relacionadas às mudanças fisiológicas (GUYTON, 1986). O estresse é essencialmente um grau de desgaste no corpo e da mente, que pode atingir níveis degenerativos. Impressão de estar nervoso, agitado, neurastênico ou debilitado podem ser percepções de aspectos subjetivos de estresse. Contudo, estresse não implica necessariamente uma alteração mórbida: a vida normal também acarreta desgaste na máquina do corpo (CABRAL et al., 1997, p. 132). Durante o acolhimento psicológico, um estudante do curso de Psicologia apontou o estresse como demanda.

A ansiedade também é um fator importante a ser considerado, no que diz respeito ao processo de aprendizagem, esta também pode desencadear uma série de reações físicas que desestabilizam o sujeito. De acordo com os resultados, a maior demanda apresentada pelos estudantes é a ansiedade, com 17 estudantes. Os cursos que apresentam a ansiedade como demanda são Direito (7), Psicologia (4), Enfermagem (4), Nutrição (2), Fisioterapia (1) e Educação Física (1).

Takei e Schivoletto (2000) complementam, definindo a ansiedade como um estado caracterizado por sinais e sintomas inespecíficos, que juntos trazem uma sensação desagradável de apreensão, expectativa e medo quanto ao futuro (DAVIDOFF, 2001). Considerando que não existe um fator preponderante que explique o desenvolvimento das perturbações de ansiedade, pode-se concluir que são conceitos vagos e que, em síntese, elas podem surgir tanto de eventos externos como de eventos internos.

Em conformidade com o que os autores trouxeram no que diz respeito à ansiedade, depressão e estresse, foi observado que no decorrer do estágio essas foram as principais demandas encontradas em vários cursos do ensino superior. Observamos o quanto esses problemas acarretam prejuízos nos rendimentos acadêmicos. Não foi difícil notar também que todos esses problemas tinham sempre implicações com outras questões da vida do estudante: a família, a (o) namorada (o) e os pais eram elementos trazidos como uma fonte de preocupação e agravantes para os problemas trazidos na queixa.

O transtorno obsessivo compulsivo (TOC) se caracteriza pela presença de compulsões e obsessões. As obsessões são consideradas como vivências, imagens que representem invasão ou incômodo. As compulsões são definidas como comportamentos ou repetições usados como válvula de escape para amenizar a ansiedade (CAMPOS; MERCADANTE, 2000).

Os episódios compulsivos se caracterizam por fantasias, imagens, atos rituais ou comportamentos compulsivos. Os quadros comuns que o indivíduo vivencia é a submissão a alguma pressão do dia a dia (DALGALARRONDO, 2000). De acordo com os resultados levantados, foi verificada apenas uma demanda de TOC de um estudante do curso de Psicologia. 

A timidez foi levantada como queixa nos cursos de Fisioterapia e Nutrição, totalizando no total de 05 estudantes que apresentam essa demanda. Na timidez, a pessoa se autoafirma como inferior, incapaz pelos outros. Alguns dos estudantes (4) apresentam problemas no contexto familiar.

As histórias das dificuldades em aprendizagem estão relacionadas, nos estudos neuropsicológicos, com os adultos que perderam a sua fala ou deixaram de escrever após uma lesão cerebral (SHILDER, 1999). As dificuldades de aprendizagem foram encontradas nos cursos de enfermagem, psicologia e educação física, totalizando 06 estudantes encaixados nessa demanda. As dificuldades de aprendizado comportam um grupo heterogêneo de diversos transtornos, onde são manifestadas dificuldades em leitura e escrita em pessoas normais, inteligentes e em deficientes visuais, podendo a estar relacionada a problemas de memória e comunicação (SISTO, 2001).

5. Conclusão 

No decorrer do estágio observamos que ainda permanece no imaginário social a crença de que o trabalho do psicólogo na escola está concentrado em manter ou reforçar o status do aluno na mesma, ou como aquele profissional com fórmula mágica para resolver os problemas que afetam a instituição.

No entanto, à medida que o trabalho deste profissional vai se desenvolvendo, observa-se uma mudança na forma de olhar o trabalho dentro da instituição. Percebendo a importância do psicólogo na escola, a psicologia ganha mais espaço dentro da instituição e o trabalho do psicólogo se desenvolve com maior vigor.  Esse estágio de Psicologia Escolar no campo superior acadêmico, foi de suma importância para compreendermos um pouco das questões trazidas pelo estudante, assim como eles vêm desenvolvendo as suas potencialidades.

Sobre as Autoras:

Joelma Cavalcante - Acadêmica do 9° semestre do curso de Psicologia da Faculdade.

Nobre Paula Cunha - Acadêmica do 10° semestre da Faculdade Nobre.

Referências:

  1. ANDALÓ, Carmen Silva de Arruda. O papel do psicólogo escolar. Psicologia Ciência e profissão. 1984; n°1; vol.4 p.p 43-46. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931984000100009
  2. BARIANI, Isabel Cristina Dib; BUIN, Edmariz. Psicologia escolar e educacional no ensino superior: Análise na produção científica. Psicologia Escolar e Educacional. 2004; n°1; vol.8; p.p17-27. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-85572004000100003&script=sci_abstract
  3. BOCK, A. M. B. Psicologia da educação: cumplicidade ideológica. In: Meira, M. E. M.; Antunes, M. A. M. (Org.). Psicologia Escolar: Teorias Críticas. 2003; 1 ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, p. p79-103
  4. CAMPOS, Maria Conceição do Rosário; MERCADANTE, Marcus T. Transtorno obsessivo- compulsivo. Revista Brasileira de Psiquiatria. 2000; n°2; vol.22; p.p16-19. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600005
  5. PEREIRA, Renata Reis. De manha a mania do comportamento de repetição ao TOC- Aspectos neuropsicológicos do Transtorno Obsessivo- Compulsivo. Psicologia: o portal dos psicólogos. 2013; p.p 1-7. Disponível em: http://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0780.pdf
  6. SARAVALI, Eliane Giachetto. Dificuldades de aprendizagem no ensino superior: Reflexões a partir de uma perspectiva piagetiana. Área Temática: Estudos Piagetianos e Psicologia Clínica e Educacional. 2005; n°2; vol.6; p.p 99-127. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/777
  7. SERPA, Maria Nasaré Fonseca; SANTOS, Acácia Aparecida Angeli dos. A atuação no ensino superior: um novo campo para a psicologia escolar. Psicologia escolar e educacional. 2001; n°1; vol.5; p.p. 27-35. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141385572001000100004&script=sci_abstract&tlng=pt

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