Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade

(Tempo de leitura: 12 - 24 minutos)

Resumo: Este artigo tem como tema: Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade, em busca de um entendimento em relação ao comportamento e aprendizagem da criança, se fez necessário realizar essa pesquisa bibliográfica sobre as características, causas, tratamento e orientações sobre como lidar com o Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) na infância. Sabe-se que, em geral se associa a dificuldade na escola e no relacionamento com as demais crianças, pais e professores.  A criança portadora de TDAH nos demonstra com mais precisão as características da doença em idade escolar, e sendo assim, a compreensão do fenômeno TDAH, é importante para preparar o professor para lidar melhor com seus alunos e ser capaz de diferenciar a hiperatividade de um comportamento indisciplinado. Confirmamos pela literatura pesquisada que pessoas com TDAH passam boa parte de sua vida sendo consideradas incapazes, tendo sua autoestima rebaixada apresentando dificuldades em relacionar-se socialmente, sendo afirmada em base teórica que esclarecerá em forma de resultados comprovados através de pesquisa. Temos por base esta pesquisa, sugerimos que poderia ser veiculado através dos meios de comunicação orientações sobre o TDAH e paralelamente a isto, serem programados cursos, palestras sobre TDAH, voltada para professores (principalmente do ensino fundamental), pais (de indivíduos com TDAH) e interessados em geral.

Palavras-chave: Aprendizagem, Comportamento, Professor-aluno, Relação, TDAH.

1. Introdução

O artigo é resultado de uma pesquisa desenvolvido através de estudo qualitativo e caráter bibliográfico com embasamento de teóricos que defendem a educação com um olhar atencioso na criança com Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), a escola lugar de desenvolvimento educacional interagindo com o grupo e seu meio social. Podemos mencionar questões financeiras, problemas na questão profissional, falta de reconhecimento da profissão por parte de governantes e mesmo da clientela, dificuldade de aprendizagem dos alunos, questões comportamentais, entre outras.

Visa identificar os comportamentos indicativos da hiperatividade de forma a alertar pais e professores sobre a necessidade de identificá-los e encaminhá-los para tratamento especializado. O trabalho consta de uma revisão da literatura sobre os possíveis indicadores do distúrbio da hiperatividade que possam ser detectados no comportamento dos alunos, dando condições ao professor para encaminhá-los a uma orientação especializada. Buscando subsídio para melhorar a aprendizagem, a fim de que os professores possam realizar em sala de aula com as crianças com comportamentos indicativos da hiperatividade. Discorrer sobre varias maneiras de diálogo para que a escola possa orientar pais com filhos com comportamentos indicativos da hiperatividade para que aconteça interação e desenvoltura como ser social e Verificar e diferenciar comportamentos entre as crianças.

Nessa perspectiva, procurou-se apresentar técnicas metodológicas que mostram  seus conhecimentos através de estudos baseados em fatos e diagnósticos comprovados, pesquisando em  livros e enciclopédias que se remetem ao tema, e a escolha de uma maior quantidade de materiais que serviram para ilustrar que o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, no Brasil, tem se fundamentado cada vez mais com uma maior significância.

Entendendo que o professor das séries iniciais está inserido neste contexto, que tem como princípio fundamental trabalhar respeitando as individualidades e limitações de seus alunos, e sabendo que cada aluno é detentor de características específicas no seu “eu”, buscamos compreender neste trabalho o fenômeno TDAH, verificando possibilidade de preparar os professores que atua com estas crianças para serem capazes de diferenciar a hiperatividade de um comportamento indisciplinado. Os sintomas da indisciplina e da hiperatividade são semelhantes, mas há diferenças comportamentais que diferenciam a hiperatividade. A escolha desse tema visa uma contribuição para fornecer esclarecimento e orientações para profissionais da educação e pais de alunos com possíveis indicadores TDAH no intuito de ajudar e encaminhar para um tratamento com especialista. Mediante a constatação do problema, o educador deve informar aos pais orientando qual o procedimento a ser seguido.

2. Fundamentação Teórica

2.1 Considerações Acerca da Hiperatividade

Os estudos realizados provam e se confirma por lei na LDB 9394/96, que a inclusão é direito do ser humano, ter uma educação que seja considerada normal ou portador de alguma deficiência que seja física ou mental. LDB (1996,p, 21 a 26.), “Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais”. Estando segurados pela lei Confirma Barcelos (1997), “toda criança tem seu desenvolvimento de aprendizagem e por isso que a escola tem o dever de recebê-lo e educá-lo inserindo-o no ambiente escolar como aprendiz e devolvendo-o para sociedade um cidadão pensante e apto a desenvolver suas atividades diante dos desafios”. O TDAH é uma doença que afeta de 3 a 5 % da população escolar infantil, comprometendo o desempenho, dificultando as relações interpessoais e provocando baixa autoestima. Diante de Smith e Strick, (2001, p. 20) “As crianças com TDAH são frequentemente acusadas de “não prestar atenção”, mas na verdade elas prestam atenção a tudo”. “O que não possuem é a capacidade para planejar com antecedência, focalizar a atenção seletivamente e organizar respostas rápidas”.

O Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade, TDAH é um problema comum e se caracteriza por dificuldades em manter a atenção, inquietação acentuada (por vezes hiperatividade) e impulsividade. É também chamado de DDA (Disfunção de Déficit de Atenção). O TDAH na infância, dos 6 aos 10 anos, em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com as demais crianças, pais e professores. Os portadores não conseguem realizar os vários projetos que planejam e são tidos como “avoados”, “vivendo no mundo da lua”, geralmente “estabanados” e com o “bicho carpinteiro”. Muitas crianças têm um comportamento desafiador e opositivo associado, não respeitam limites e enfrentam ativamente os adultos.

É considerado também como um distúrbio biopsicossocial, ou seja, parece haver fortes fatores genéticos, biológicos, sociais e vivenciais, que contribuem para a intensificação desse problema. O TDAH seria, para o portador, uma maneira diferente de pensar, ocasionando graves dificuldades de relacionamento. A quantidade e o ritmo de movimentos acima do normal também causam dificuldades. A movimentação da criança é tanta que ela precisa ser vigiada o tempo todo, pois corre riscos de se envolver em situações perigosas. A criança hiperativa tem mais energia e menos necessidade de sono e repouso.

Geralmente, os hiperativos quando bebês se mexem muito durante o sono, são estabanados quando começam a andar, podem apresentar um retardo na fala e trocam as letras por um tempo maior que o normal, porém apenas esses sintomas não são suficientes para a definição do quadro de hiperatividade.

Na escola é que a criança hiperativa vai demonstrar as características que definem a doença, como: dificuldade em se concentrar; não conseguir ficar envolvida com uma coisa só; movimentar-se e conversar constantemente. Outro sintoma é a impulsividade, comportamento que se caracteriza por não pensar antes de agir podendo provocar situações perigosas, como atravessar a rua sem antes olhar. As dificuldades na escola não surgem só pela falta de atenção, mas também por distúrbios viso-perceptivos.

Diante das afirmações de Golfeto (1992, p. 12):

Nessa síndrome a criança apresenta dificuldade em discriminar a direita da esquerda, em orientar-se no espaço, em fazer discriminações auditivas e em elaborar sínteses auditivas. Apresenta alterações de memória visual e auditiva. A outra característica importante é a má estruturação do esquema corporal.

Esse distúrbio é de origem genética, “é causado pela pouca produção de Catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), que é uma classe de neurotransmissores responsável pelo controle de diversos sistemas neurais no cérebro, incluindo aqueles que governam a atenção, o comportamento motor e a motivação” (BASTOS, THOMPSON, MARTINEZ, 2000). Uma visão de base neurológica para o TDAH é que baixos níveis de catecolaminas resultam em uma hipoativação desses sistemas. Portanto os indivíduos afetados não podem moderar sua atenção, seus níveis de atividade, seus impulsos emocionais ou suas respostas a estímulos no ambiente tão efetivamente quanto às pessoas com sistemas nervosos normais.

Nos anos 30, estudiosos observaram que drogas estimulantes (metilfenidato e pemolina) aumentavam o nível de catecolaminas no cérebro, normalizando temporariamente o comportamento de crianças hiperativas e com fraco controle dos impulsos, como Smith e stick, (2001, p. 20), “ao contrário do que algumas pessoas têm como verdade, os estimulantes atuam no cérebro inibindo as áreas responsáveis pela hiperatividade, ou seja, em vez de estimular, acabam acalmando a pessoa”. Entre outros fatores, pode-se mencionar uma severa privação sensorial e de estimulação no início do desenvolvimento da criança. Como podemos ver várias hipóteses explicam as causas da hiperatividade.

 Embora a responsabilidade sobre a causa do TDAH geralmente caia sobre toxinas compostos de natureza química variada, proteínas, peptídeo, lipídeo, glicoproteínas, etc., produzidas por bactérias, fungos, micro organismos e mesmo plantas, que ao serem introduzidos no organismo humano, geralmente de forma incidental, podem desencadear respostas imunológicas em graus variados, eventualmente causando a morte, problemas no desenvolvimento, alimentação, hereditariedade, ferimento e malformação, as pesquisas mostram diferenças significativas nas estruturas e no funcionamento do cérebro de pessoas com TDAH, particularmente nas áreas do hemisfério direito do cérebro, no córtex pré-frontal e gânglios da base, corpo caloso e cerebelo.

Esses estudos estruturais e metabólicos somados a estudos genéticos, bem como a pesquisa sobre a reação às drogas, demonstram claramente que o TDAH é um transtorno neurobiológico. Apesar da intensidade dos problemas experimentados pelos portadores variarem de acordo com suas experiências de vida, tem como fator determinante a genética.

A hiperatividade pode manifestar-se também como sintoma isolado, mas a incidência de morbidades (ocorrência de dois ou mais problemas de saúde) em indivíduos portadores do TDAH é muito alta geralmente sendo acompanhada por outros problemas de saúde mental. “Tanto pode ocorrer em crianças de famílias com tendência a problemas psiquiátricos como em famílias normais”. (BENCZIK, 1994).

Autores indicam uma maior incidência na população masculina. Segundo pesquisas recentes, a proporção meninos/meninas é no máximo de dois meninos para cada menina com TDAH. A razão da diferença na proporção de meninos/meninas entre os estudos antigos e recentes é simples: as meninas tendem a apresentar mais TDAH com predomínio de sintomas de desatenção; portanto, incomodam menos na escola e em casa do que os meninos, sendo então menos levadas à avaliação em serviços de saúde mental. nem sempre os pais admitem que o filho seja hiperativo. Muitos acham que a criança é esperta demais e, por isso, está sempre interessada em novidades. Além disso, eles acreditam que o tratamento com medicamentos pode tirar a espontaneidade do pequeno. Para um deles, a escola desenvolve sozinho um trabalho pedagógico intensivo, pois, os pais não aceitam o diagnóstico. Em relação a isso, a escola pode ser um local privilegiado para a identificação do problema.

Muitos desses problemas de conduta acontecem com crianças, principalmente, pela falta de habilidades dos pais e professores, “embora algumas delas sejam gentis e simpáticas, a maioria apresenta-se, agressiva, impopular entre os colegas e acaba se tornando, de certa forma, uma criança antissocial” ( GOLDSTEIN, 1998). Muitas vezes chegam a desenvolver hábitos mais graves, como mentir e roubar, devido ao excesso de repreensões e castigos. O autor acredita que com um diagnóstico e o tratamento correto. Um grande número de problemas como: repetência escolar, abandono de estudos, depressão, distúrbios de comportamento, problemas vocacionais e de relacionamento, bem como o uso de drogas, podem ser adequadamente tratados e até mesmo evitados.

2.2 Discorrer sobre Comportamentos das Crianças com Indicativos de Hiperatividade

O distúrbio é caracterizado por comportamentos crônicos, com duração de no mínimo seis meses, que se instalam definitivamente antes dos sete anos. Iniciando o diagnóstico, o médico procura observar o comportamento social da criança, suas atividades na escola e no lar, as influências do meio em sua conduta. Fazem-se também exames para verificar se existe alguma doença no sistema nervoso central que exija tratamento. Alguns testes podem esclarecer problemas ligados à aprendizagem, envolvendo a percepção e a linguagem.

Os critérios listados abaixo são os critérios da Associação Americana de Psiquiatria utilizada oficialmente para a definição do diagnóstico de TDAH em crianças e adultos, tanto no Brasil como no resto do mundo. O DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) apresenta os sintomas que caracterizam os tipos de TDAH e a frequência com que eles devem aparecer para que se possa definir a existência ou não do transtorno. Os sintomas devem ser constantes, com duração mínima de seis meses e não estarem limitados a uma situação apenas.

As pessoas que apresentam sintomas de TDAH na infância demonstram uma probabilidade maior de desenvolver problemas relacionados com o comportamento de oposição sistemática, delinquência, transtornos de conduta, depressão e ansiedade. Relatos sobre adultos com TDAH mostram que eles enfrentam problemas sérios de comportamento antissocial, desempenho educacional e profissional pouco satisfatório, depressão, ansiedade e abuso de substâncias tóxicas. A maioria dos adultos de hoje que não tiveram diagnósticos quando crianças são frequentemente inquietos, facilmente distraídos, lutam para conseguir manter o nível de atenção, são impulsivos e impacientes e, por isso, no ambiente de trabalho não conseguem alcançar boa posição profissional compatível com sua educação familiar ou habilidade intelectual.

O processo de diagnóstico deve incluir dados recolhidos com professores e outros adultos que, de alguma forma, interagem de maneira rotineira com a pessoa avaliada. No diagnóstico de adultos com TDAH, mais importante ainda, é providenciar um histórico cuidadoso da infância, do desempenho acadêmico e dos problemas comportamentais e profissionais.

A maneira mais eficiente de tratar o TDAH é através de trabalho de grupo, que envolve tanto abordagens individuais com o portador como medicação, acompanhamento psicológico, terapias específicas, técnicas pedagógicas adequadas; e estratégias para as outras pessoas que convivem com ele como terapia para os pais ou família, esclarecimento sobre o assunto para pais e professores, treinamento de profissionais especializados, “para que uma criança ou jovem com TDAH tenha à possibilidade de desenvolver seu potencial e caminhar pela vida de maneira adequada e gratificante” (GOLDSTEIN, 1994). É necessário que as pessoas envolvidas no processo de acompanhamento mantenham estreita comunicação e forte colaboração. Ao contrário do que pode parecer ao senso comum, o TDAH não é tratado com calmantes. Em alguns casos de tratamento da hiperatividade, que inclui a psicoterapia, o uso de certos antidepressivos (psicotrópicos) é recomendado pelos médicos.

Outro medicamento usado é o cloridrato de metilfenidato (Ritalim), considerado o “padrão-ouro” no tratamento do TDAH da infância, sendo o mais utilizado pelos médicos, e, na psiquiatria infantil, é a droga mais bem estudada, “mas também apresenta efeitos colaterais como falta de apetite, insônia, e retardo no crescimento corporal”. “O tratamento é feito por um período mínimo de dois anos, mas deve durar até a adolescência, quando os sintomas diminuem ou desaparecem, graças ao amadurecimento do cérebro, que equilibra a produção da dopamina,” (BANDIM e KETZER, 1997). Estudos de seguimento em crianças e adolescentes portadores de TDAH têm demonstrado que a abordagem “multimodal”, incluindo medicações, intervenções psicossociais e psicoterapia são mais eficazes que o tratamento farmacológico ou psicoterápico isolado, “aumenta a cada dia o reconhecimento da eficiência dos tratamentos na redução dos sintomas imediatos, no entanto os pesquisadores acreditam que, somente reduzir os sintomas dos portadores de TDAH não traz resultados satisfatórios em longo prazo,” (POPPER, 1997).

Dessa forma, grande parte da responsabilidade do resultado e das atividades da criança recai sobre os pais, professores e outros adultos que convivem com a criança. Todos devem receber orientação psicológica.

Segundo Goldstein (1994, p. 217):

O tratamento ocorre no lar, o ambiente deve ser tranquilo, com rotina estabelecida, evitando a superexcitarão e o cansaço excessivo. Os pais devem ter atitudes firmes, mas evitar a opressão para que não ocorram crises de raiva ou agressividade. A maneira de comunicar e dar ordens devem ser claros e precisa.

Da mesma forma, não devem ser dadas ordens que possibilitem reações alternativas como: dizer-lhe que pode tomar banho agora ou mais tarde (isso seria procurar um problema para resolver). As conversas tem que ser em tom adequado, não falar gritando e nem usar o tom monótono, falsamente pausado. Uma voz enfatizada, é o melhor meio de se conseguir o que se deseja. Os gritos irritam terrivelmente. É preciso cuidado para não transmitir ansiedade à criança e nem ignorar suas dificuldades. É necessário discutir com ela sobre as suas dificuldades das quais ela tenha consciência e estar sempre presente, dando o apoio que ela precisa, sempre tomando cuidado para não dar superproteção, inibindo assim, a iniciativa da criança.

Os pais não devem se assustar com o diagnóstico, porque se a criança com TDAH for convenientemente educada, o prognóstico é bastante favorável, principalmente com o passar dos anos, pois a maturação age em seu benefício. Mesmo que não seja esse o caso, é muito importante a aceitação e compreensão por parte dos pais e o tratamento reeducativo persistente e contínuo até a normalização possível da deficiência Confirma Goldstein (1998, p. 246), “Tornar as tarefas interessantes e fazer a recompensa valer a pena parece ser extremamente importante para pessoas com TDAH. Recomendações aos pais”. Um programa de treinamento para os pais de crianças com TDAH frequentemente começa com ampla divulgação de informações. A lista que segue, elaborada a partir da literatura consultada, destaca alguns pontos de uma série de estratégias que podem ajudá-los, recomenda o autor aos pais que devem seguir.

De acordo com Goldstein (1998, p. 246):

Compreender que, para poder controlar em casa o comportamento resultante do TDAH, é preciso ter um conhecimento correto do distúrbio e suas complicações. Ser coerentes, previsíveis em suas ações e mostrar apoio às crianças em suas interações diárias, pois como foi dito, este não é apenas um problema que pode ser curado. O distúrbio afetará a criança durante toda sua vida. Manter-se numa posição de intermediação entre a escola e outros grupos. Dar instruções positivas. Cuidar para que seus pedidos sejam feitos de maneira positiva ao invés de negativa. Recompensar amplamente o comportamento adequado. Crianças com TDAH exigem respostas imediatas, frequentes, previsíveis coerentemente aplicadas ao seu comportamento. Planejar adequadamente. Aprender a reagir aos limites de seu filho de maneira positiva e ativa. As regras devem ser claras e concisas. Atividades ou situações nas quais já ocorreram problemas devem ser evitadas. Punir adequadamente, porém compreendendo que a punição só trará uma modificação de comportamento para a criança com TDAH, se acompanhada de uma estratégia de controle.

Os pais das crianças com TDAH devem acreditar que terão mais força a partir do momento em que enfrentarem cada dia com uma atitude de esperança, encorajamento, aceitação e honestidade. Recomendações aos professores: Na escola, as crianças com TDAH podem apresentar, em geral, a inteligência média ou acima da média.

De acordo com Smith e Strick, (2001, p. 20.):

Porém apresentam alguns problemas na aprendizagem ou no comportamento, associados aos desvios das funções do sistema nervoso central, propiciando dificuldades na percepção, conceitualização, linguagem, memória, controle da atenção, função motora e impulsividade. Na idade escolar, crianças com TDAH, apresentam maior probabilidade à repetência, evasão escolar, baixo rendimento acadêmico e dificuldades emocionais e de relacionamento.

Além dos comportamentos anteriormente mencionados, para poder distinguir um hiperativo de um aluno com distúrbios mais leves de atenção, deve-se estar atento a três fatores: Contínua agitação motora, a impulsividade e Impossibilidade de se concentrar.

Porém estas atitudes, por parte do aluno, devem ser constantes por pelo menos seis meses. Professores que possuam alunos que apresentam problemas de hiperatividade devem ter muita paciência e disponibilidade, pois eles precisam de muita atenção. Pode-se usar métodos didáticos alternativos para melhoria do comportamento e desenvolvimento pedagógico da criança hiperativa:

Segundo os psiquiatras Mônica Duchesne e Ênio Roberto de Andrade ABDA, ( 2002):

Trabalhar com pequenos grupos, sem isolar as crianças hiperativas; Dar tarefas curtas ou intercaladas, para que elas possam concluí-las antes de se dispersarem; Elogiar sempre os resultados; Usar jogos e desafios para motivá-los; Valorizar a rotina, pois ela deixa a criança mais segura, mantendo sempre o estímulo, através de novidades no material pedagógico; Permitir que elas consertem os erros, pedindo desculpas quando ofender algum colega ou animarem a bagunça da classe; Repetir individualmente todo comando que for dado ao grupo e fazendo-o de forma breve e usando sentenças claras para entenderem; Pedir a elas que repitam o comando para ter certeza de que escutaram e compreenderam o que o professor quer; Dar uma função oficial às crianças, como ajudantes do professor; isso faz com que elas melhorem e abram espaços para o relacionamento com os demais colegas; Mostrar limites de forma segura e tranquila, sem entrar em atrito; Orientar os pais a procurarem um psiquiatra, um neurologista ou um psicólogo.

Agindo de forma correta todos ganham principalmente o educando assim criando um vinculo afetivo pelos profissionais da escola, sua família e o meio onde estar inserido sua aprendizagem irá acontecer.

2.3 Hiperatividade: sugestões para professores e pais

O sucesso em sala de aula, frequentemente, exige uma série de intervenções. A maioria das crianças com TDAH pode permanecer na classe normal, com pequenos ajustes na sala, como a utilização de um auxiliar ou programas especiais a serem usados fora da sala de aula. As crianças com problemas mais sérios exigem salas de aula especiais. As tarefas devem variar, mas continuar sendo interessantes para o aluno, assim como a criatividade e habilidade do professor mediante as tarefas. Os horários de transição (mudanças de tarefas) das crianças devem ser supervisionados. A comunicação entre pais e professores deve ser frequente. Os professores também precisam ficar atentos ao quadro negativo de seu comportamento. As expectativas devem ser adequadas ao nível de habilidade da criança e deve-se estar preparado para mudanças.

Procurou-se mostrar que pais e professores podem, de maneira eficaz, auxiliar na reintegração do indivíduo aos grupos sociais e possibilitar a estimulação e valorização de seu aprendizado. Esclarecemos também que, apenas um médico pode fornecer o diagnóstico definitivo sobre o TDAH.

 Como também sabemos que as escolas públicas não tem como dá assistência a essas crianças, mesmo sendo asseguradas por lei que as mesmas tem obrigação de atendê-la e inseri-la no meio sócio educacional, não estão preparadas fisicamente e profissionalmente para cumprir com esse papel, por outro lado recebe esse publico e busca maneiras de ajudá-las até terem condições para atende-los como se deve, o que se espera é capacitações para esses profissionais educadores para receber os educandos com suposta déficit de hiperatividade, e desenvolver metodologias para realizar as aulas onde envolva nas atividades e se interaja socialmente com os demais alunos. Inserir projetos e realizá-los ajudará a conscientizar e acolher as crianças especiais, onde a educação a educação seja de qualidade e torne a escola um ambiente de prazeroso e se torne moderna onde caminha junto com as mudanças.

O professor precisa estar comprometido em garantir a todos a aprendizagem de forma que atenda as demandas sociais e exerça sua cidadania, onde a comunicação no mundo letrado, no desempenho sócio cultural, onde a comunicação estar ligada ao desenvolvimento dos supostos portadores de TDAH. O trabalho coletivo entre pais, professores, psicólogos e médicos permitirá à criança incluir-se em uma rotina estruturada em seu cotidiano, criando assim possibilidades de desenvolverem uma vida normal.

Segundo LDB, Diário Oficial (1996, p. 17), (Capítulo V da educação especial):

Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais. § 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. III - professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns; Parágrafo único. O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.

A criança com TDAH, assegurado pela lei não só deve como tem direito a uma educação de qualidade onde possa se sentir acolhido e protegido em um espaço escolar. Nessa perspectiva, a mediação feita com a criança é a primeira analise das sessões seria sugerido o planejamento das pré-intervenções diante dos relatos expostos nos primeiros contatos com a família, esse planejamento é importante, pois permite a aproximação professor-aluno e escola e a família.

De acordo com as diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica, à sala de aula e um recurso de apoio pedagógico especializado, que o sistema educacional oferece para assegurar a educação aos alunos com necessidades educacionais especiais, no ensino regular e realizar atendimentos complementar as necessidades especiais em salas de recursos providas de material e equipamentos adequados na própria escola ou, outra escola, sobre orientação de professores especializados.

3. Considerações Finais

A partir desta pesquisa, sugerimos a veiculação, através dos meios de comunicação, de orientações sobre o TDAH como, também, a oferta de cursos, palestra sobre TDAH, voltada para professores (principalmente do ensino fundamental), pais (de indivíduos com TDAH) e interessados em geral, proferidos por psiquiatras, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas de família e/ou psicopedagogos. Essas orientações, portanto, não seriam suficientes para a definição de uma ação pedagógica universal, mas recomendariam uma análise pormenorizada e responsável de cada caso.

O trabalho consta de uma revisão da literatura sobre os possíveis indicadores do distúrbio da hiperatividade que possam ser detectados no comportamento dos alunos, dando condições ao professor para encaminhá-los a uma orientação especializada. Se aprofundando em busca de um entendimento sobre o problema para melhor trabalhar em sala de aula com professores e alunos e de certa forma com a família da criança com possíveis indicadores do distúrbio da hiperatividade. Visamos com essa pesquisa darmos alguns passos a respeito do Transtorno do Déficit de Atenção Hiperatividade, o qual passa refletir sobre o desempenho da criança do processo educacional, acreditamos está oferecendo subsídios importantes ao trabalho estudado.

Sobre o Autor:

Neldilene Galdino Soares - Psicopedagoga Institucional na Secretária Municipal de Educação e Cultura de Acari-RN. Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia pela FUEVA, especialista em: Língua Liguística e Literatura, Supervisão e Orientação Educacional e em Psicopedagogia Institucional pela FIP e Mestrando em Ciência da Educação Brasileira pela ISEL.

Referências:

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BASTOS, F. L.; THOMPSON, T. A.; MARTINEZ O, C. A. Uma revisão do distúrbio de Déficit de Atenção/Hiperatividade- Apresentado no 1º Encontro Brasileiro de Neurologia, Outubro de 2000-Pesquisa conjunta GENN/University of Central Florida (Orlando, USA)

BRASIL, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Nº 9394/96. São Paulo: Brasiliense, 2000. LDB – Lei de Diretrizes e Bases nº 9394 / 96. Brasília, 20 de dezembro de 1996, RESOLUÇÃO CNE/CEB 4/2009. Diário Oficial da União, Brasília, 5 de outubro de 2009, Seção 1, p.17.

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