Transtornos e Comorbidades aos Prejuízos na Aprendizagem

Transtornos e Comorbidades aos Prejuízos na Aprendizagem
(Tempo de leitura: 2 - 4 minutos)

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é identificado por um conjunto de sintomas, manifestados comumente em crianças e adolescentes, como a desatenção, hiperatividade e impulsividade.  Ele vem ocorrendo em uma taxa de 3 a 5% das crianças em torno do mundo, onde em mais da metade dos casos registrados o transtorno acompanha o individuo na vida adulta, embora os sintomas de inquietude sejam mais brandos.

Atualmente, estudos científicos nos vêm mostrando que pessoas com TDAH têm alterações na região frontal e em suas conexões com o resto do cérebro. O que se tem visto alterado nessa região do cérebro é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas, chamadas neurotransmissores, onde prevalecem alterações na dopamina e na noradrenalina, responsáveis por repassarem informações entre os neurônios. Existem também, outras causas que vem sendo investigadas, as quais acarretam alterações nos neurotransmissores da região frontal e suas conexões, como: a hereditariedade, as substâncias ingeridas na gestação, o sofrimento fetal, a exposição ao chumbo, problemas familiares, dentre outras causas.

O diagnóstico de TDAH ocorre de maneira dimensional, o que indica que os sintomas de desatenção e/ ou hiperatividade e impulsividade pode ocorrer em qualquer indivíduo, mas que é a partir da manifestação de certos sintomas e do prejuízo causado por eles, que o sujeito passa a ser considerado como possuidor do transtorno. Com isso, nem todos aqueles que sofrem por desatenção serão classificados com TDAH. É importante, porém, avaliar bem os casos individualmente, e saber ao certo por que a pessoa estava desatenta, a frequência com que isso ocorre, o prejuízo causado por sua desatenção e a ocorrência de outros sintomas característicos do TDAH, sem deixar de se levar em conta o diagnóstico diferencial e comorbidades.

O diagnóstico de TDAH é estritamente clínico, sendo preciso ainda que pelo menos seis de nove sintomas de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade se manifestem de modo frequente, há pelo menos seis meses.

O TDAH não é como muitos pensam uma doença nova, e sua frequência é igual em todo o mundo. Há literaturas datadas de meados do século 19 que a descreve. Observamos também, que nas diversas faixas etárias, pessoas com transtorno estão expostas a desenvolver de alguma forma comorbidades, isto é, a desenvolver simultaneamente distúrbios psiquiátricos, como ansiedade e depressão. Na adolescência, um fator atenuante é o uso abusivo do álcool e de outras drogas.

O tratamento de indivíduos com TDAH varia de acordo com a existência, ou não, de comorbidades ou de outras doenças associadas. Basicamente o tratamento se dá por meio de psicoterapia e pela prescrição de medicamentos psicoestimulantes e antidepressivos. Contudo, é importante ressaltar a importância de algumas intervenções pedagógicas que podem auxiliar no desenvolver do tratamento e no processo educativo.

É importante propiciar melhores condições no ambiente escolar, focando em estratégias a serem aplicadas em sala de aula. Deve-se conhecer aquilo que de fato vem atrapalhando o desenvolvimento de um aluno para que fique mais fácil pensar em abordagens eficazes. Manter a interação entre todos no ambiente de sala de aula é outra importante atitude, além de estimular as crianças a participarem de projetos pedagógicos durante as aulas, e recompensando sempre que possível os progressos sucessivos.

Outra boa forma de envolver os alunos, principalmente os com TDAH é o professor trazer dinâmicas para as aulas usando sinais visuais e orais, optando sempre que possível, ministrar aulas com materiais audiovisuais, ou outros materiais diferenciados como livros, revistas, jornais, entre outros. Aproveitar a multiplicidade de matérias pedagógicos pode contribuir muito para o desempenho e interesse dos alunos nas aulas e, desta maneira, concorrer para o progresso do ensino e da atenção sustentada.

As adversidades podem ser superadas em parceria com todos os sujeitos ligados com as crianças e adolescentes com TDAH. Escola, família e sociedade devem buscar um diálogo entre suas atividade e responsabilidades. Os laços construídos com a escola podem ser o melhor caminho para assegurar as superações das dificuldades de nossas crianças que possuem necessidades diferenciadas de aprendizagem. Devemos buscar uma educação de qualidade, onde nossos jovens possam se desenvolver com sabedoria e autonomia nas diversas esferas sociais.

Referências:

COSTA, Themis Cardoso. Crianças indóceis em sala de aula. Canoas: ULBRA, 2006. 134f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de pós graduação em Educação. Universidade Luterana do Brasl, Canoas, 2006.

OLIVIER, Lou de. Distúrbios de Aprendizagem e de Comportamento. Rio de Janeiro: Wak Editora. 6ª edição, 2011.

Informar um Erro Publique Seu Artigo