A Equipe da Enfermagem e o Acolhimento ao Paciente: Humanização Hospitalar

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Resumo: O presente estudo na abordagem empregada para a pesquisa foi qualitativa permanecendo na condição descritiva, analítica e exploratória, evidenciando que para o psicólogo hospitalar é fundamental distinguir as causas e os fatores que influenciam no comportamento humano, notando suas necessidades, que implicam na qualidade do acolhimento do mesmo, ressaltando que o acolhimento ao paciente e a humanização hospitalar será trabalhada sob esses enfoques. Quanto ao ato de acolher o paciente e primar pela Humanização Hospitalar será uma saída para satisfazer as necessidades do paciente de forma que venha contribuir para sua recuperação psíquica, biológica ou até mesmo espiritual. O paciente tendo um bom acolhimento, algumas situações de ordem psicológica serão amenizadas tais como medo e inseguranças. Sua relevância baseia-se na sua potencialidade de sensibilizar pesquisadores e profissionais da saúde sobre a significância da importância do acolhimento ao paciente com qualidade que podem incidir sobre o comportamento do sujeito, colaborando assim para gerar bem estar e estabelecer sua recuperação de maneira eficaz.

Palavras-chave: Psicólogo hospitalar, Humanização, Paciente, Acolhimento.

1. Introdução

A discussão é relevante mesmo com os programas de humanização existentes que incidem não apenas no acolhimento em hospitais públicos, mas estende-se aos privados ou a classe profissional de saúde ainda peca neste quesito, desde a recepção e até muitas vezes ao atendimento médico.

Sua relevância baseia-se na sua potencialidade de sensibilizar pesquisadores e profissionais de saúde sobre a significância do acolhimento ao paciente hospitalar que poderá incidir na recuperação da saúde do paciente, colaborando assim para estabelecer a humanização de forma satisfatória.

Pode-se notar que quando o paciente tem um bom acolhimento, algumas situações de ordem psicológica são amenizadas tais como o medo, ou inseguranças. E ao contrário disso, pela falta de um bom acolhimento surgem variedades de transtornos ao paciente e a família, solicitando no mais tardar a presença do psicólogo devido existir o estigma que quando paciente não está bem psicologicamente, chame o psicólogo para resolver, sendo que outrora poderia ser atenuado este sofrimento do paciente.

A proeminência da humanização hospitalar tende a envolver, estimular a equipe de enfermagem no acolhimento ao paciente. É fundamental identificar as causas e os fatores que influenciam na má qualidade do acolhimento ao paciente.

O que pode ser feito? A intenção precípua é como reverter esta situação para propiciar o bom acolhimento pela equipe de enfermagem enfatizando a humanização hospitalar.

Levantando questões para o psicólogo poder intervir para melhorar o acolhimento ao paciente para que não haja perdas na qualidade deste.

A discussão do tema seguirá na seguinte vertente, a equipe da enfermagem: intervenções de assistência, a questão do acolhimento na assistência em saúde e a humanização hospitalar: o acolhimento e a assistência da equipe de enfermagem.

Para ter uma maior compreensão sobre o que é o acolhimento, esta palavra vem do verbo acolher de origem do latim de acordo com Ferreira (1999) accolligere (dar acolhida, hospedar, receber, atender, dar ouvidos, admitir, aceitar), ou seja, conforme um dos significados de acolher “dar ouvidos” no acolhimento é precedido da escuta.

O acolhimento, propriamente dito, inicia-se desde a recepção e a toda equipe de saúde, mas nosso foco a priori é a equipe da enfermagem e o acolhimento ao paciente.

Mas em relação ao paciente mesmo internado faz parte do acolhimento o respeito a sua subjetividade. É necessário haver silêncio embora isto ocorra em alguns hospitais e de acordo com Prochnow (2009, p. 16), “com relação ao barulho provocado pela equipe (risadas e conversas em alto volume sonoro), interferindo na privacidade dos usuários” continuando com a mesma autora que cita “isso também remete à questão de ambiência em seu eixo que fala do espaço que possibilita a produção de subjetividades – encontro de sujeitos – por meio da ação e reflexão sobre os processos de trabalho” (BRASIL, 2006).

Segundo Prochnow (2009, p. 16):

Encontra-se aqui uma produção de subjetividade que possibilita a criação de imagem negativa do serviço, determinada não pela atenção em si, mas pela falta de comportamentos adequados à convivência no espaço coletivo (PROCHNOW, 2009, p. 16).

Através dessas ocorrências, a imagem do profissional de saúde e até mesmo da instituição hospitalar, é denegrida. Ressalta-se que os pacientes sempre são mal acolhidos e mal tratados de forma nada convencional, dificultando e prolongando a recuperação do paciente. Visto haver a necessidade do silêncio na condição que o paciente se encontra, o barulho contribuirá na irritabilidade do mesmo, interferindo na qualidade do acolhimento.

E a atuação da psicologia no âmbito hospitalar, o acolhimento conforme Schneider et al, (2008) apud Vieira (2010, p. 517), refere que o acolhimento pode, analiticamente, evidenciar as dinâmicas e os critérios de acessibilidades que os usuários utilizam para satisfazerem as necessidades de saúde. É relevante estabelecer vínculo de confiança entre a equipe de saúde com paciente/família.”

Para poder estar oferecendo um atendimento de qualidade ao paciente buscando assim uma melhor qualidade de vida ao mesmo.

No acolhimento, existem algumas etapas, conforme postula Schneider et al (2008) apud Vieira (2010, p. 517) que são importantes: acesso; escuta; diálogo; apoio que estão direcionados a equipe de saúde e quanto ao vínculo envolvendo enfermeiro da unidade junto da equipe de saúde.

Em conformidade com os mesmos autores Schneider et al (2008) apud Vieira (2010, p. 517) descrevem que:

Acesso: Receber o paciente.
Prestar os cuidados necessários, proporcionando segurança ao paciente.
Aproximar-se da família, confortando-a e esclarecendo as normas e rotinas da instituição. Adequar o ambiente de forma que os familiares tenham conforto enquanto aguardam informações.

Escuta: Incentivar paciente e familiar a questionarem sobre suas dúvidas, iniciando a educação em saúde desde a internação.
Estabelecer uma relação de confiança na qual o paciente e família sintam-se seguros e que possam expressar suas dúvidas, medos e angústias.

Diálogo: Orientar a família sobre o que está acontecendo com o paciente, enfatizando que tudo está sendo feito para manter a sua saúde usando palavras de fácil compreensão.

Apoio: Oferecer apoio e conforto ao paciente e família.
Orientar a família sobre as condições do paciente antes da visita.
Identificar as necessidades de informação e amparo do paciente e família, buscando ajudá-los a satisfazer tais necessidades.

Vínculo: Orientar sobre os benefícios do tratamento e as complicações que podem ocorrer.
Flexibilizar o horário da visita quando houver necessidade. Estar aberto ao outro. (SCHNEIDER et al, 2008 apud VIEIRA, 2010, p. 517)

2. Objetivos

2.1 Objetivo Geral

O presente TCC é um trabalho de referência bibliográfica de forma exploratória, com o objetivo de analisar, verificar, abordar primando pela importância do acolhimento ao paciente no ambiente hospitalar, envolvendo a equipe da enfermagem ressaltando a humanização hospitalar.

O interesse pelo tema devido à experiência pessoal através de serviços hospitalares prestados e algumas observações no cotidiano que se tornaram relevantes, ocorrências com parentes e amigos que caracterizavam um mau acolhimento por parte de alguns profissionais de saúde.

Na circunstância atual a contribuição do psicólogo no ambiente hospitalar de maneira que venha servir posteriormente de consulta à problemática que contribua de maneira significativa o acolhimento ao paciente com qualidade.

O trabalho será através da leitura (revisão bibliográfica) de vários artigos na busca da construção de um argumento que sirva de respaldo ou parâmetro para solucionar ou gerar sugestão para tal problemática que visa o acolhimento de qualidade ao paciente.

3. Metodologia

Efetuou-se por meio de levantamento de dados e revisão da literatura, cujo enfoque é a equipe da enfermagem e o acolhimento ao paciente e considerando a Humanização Hospitalar.

O critério utilizado foi levantado estudos realizados no Brasil, tendo como sujeito o paciente no atendimento em hospital público ou privado sem ou com extensão ao atendimento do SUS em referência quanto ao acolhimento pela equipe de enfermagem.

Tendo por base artigos publicados nos últimos dez anos, no idioma português.

A estratégia de pesquisa dos estudos foi delineada para ser laborada na base de dados disponibilizados no Scielo. Atentando nas delimitações de busca: estudos em acolhimento ao paciente em hospital privado, publicados em português, inglês ou espanhol e com períodos de publicações dos últimos dez anos. A procura foram por meio das palavras chaves que abrangem: atendimento, acolhimento, enfermagem, hospital público, hospital privado.

A princípio os artigos foram revisados em consistência ao ajustamento ao tema proposto e em seguida os estudos foram expostos através de teor qualitativo permanecendo na condição de forma descritiva, analítica e exploratória.

As categorias analíticas realizadas na planificação da revisão e ordenadas para coligir os dados. Na decorrência dessa organização acendeu cinco categorias que incidem no:

  1. Tipo de trabalho: Monografia, Teses (mestrado, doutorado), Iniciação científica, entre outros.
  2. Tipo de estudo: Descritivo, revisão, análise de caso, análise exploratório, entre outros.
  3. Método: Quantitativo, qualitativo, misto ou não se aplica.
  4. Ano de publicação.
  5. Área de publicação: Psicologia, enfermagem, medicina, e diversas extensões correlatas à saúde.

Ulterior à gênese desta apreciação, para alcançar o desígnio deste trabalho o pesquisador recorre através de estudos embasados em referências bibliográficas sobre acolhimento ao paciente versus humanização para obter a resposta a este tema tão discutido.

4. Resultados e Discussão

4.1 A Equipe da Enfermagem: Intervenções de Assistência

A equipe de enfermagem tem um papel muito importante nas intervenções de assistência. O acolhimento envolve o comprometimento de toda equipe em recepcionar, focar na escuta ao paciente e realizar um tratamento humanizado com o objetivo de atender suas necessidades para amenizar o sofrimento seja de ordem física, psíquica ou até mesmo espiritual.

Na questão da equipe da enfermagem e as intervenções de assistência é relevante sinalizar a importância do programa de humanização, devido ser comum ouvir a fala de insatisfações de pacientes que foram mal tratados em hospitais, vítimas da ação de um profissional que segundo Deslandes (2004, p.9) menciona que fez “[...] a negação do “outro” em sua humanidade”.

O acolhimento na assistência em saúde tem deixado muito a desejar e embora o Sistema Único de Saúde (SUS) vem ocorrendo “[...] importantes avanços e da considerável melhoria em relação ao acesso às ações e aos serviços, a qualidade do atendimento ao usuário ainda é caracterizada como precária”, o que é visível no cotidiano” [...] o que se concretiza nas filas de espera, no cuidado desumanizado, na presença de pacientes sendo atendidos nos corredores, entre outras realidades” conforme postula (PONTES et al, 2009, p. 500-507 apud COSTA e CAMBIRIBA, 2010 p.496).

Os que necessitam dos serviços de saúde visam à busca de “[...] atenção, apoio e resolução de seus problemas” conforme postula Scholze et al (2009, p. 440-452 apud Costa e Cambiriba, 2010 p.496).  Os mesmos autores descrevem “que o descaso ocorre em várias circunstâncias, chegando ao disparate de formar filas nas madrugadas para garantir ou não sua vaga, devido ter número de atendimento fixado, consolidando numa situação constrangedora” [...], pois muitas vezes saem da unidade sem receber a devida atenção, sem ser ouvidos com singularidade e sem receber uma resposta positiva ou um encaminhamento adequado (COELHO et al, 2009, p. 440-452 apud COSTA e CAMBIRIBA, 2010 p.496).

Conforme o paciente tem acolhimento de qualidade e isto depende da equipe de enfermagem realizando sua intervenção de assistência com qualidade, ele sairá satisfeito e retornará devido à forma que foi recebida e de acordo com Beck e Minuzi (2008, p.3) a qualidade no atendimento deve ser evidenciada e isto ocorre, “[...] quando o usuário recebe atenção, seja pelo atendimento prestado, pelo vínculo já estabelecido com os trabalhadores, ou ainda pela acolhida oferecida” (BECK e MINUZI, 2008, p.3).

Deslandes (2004, p.9) postulando que nesta linha discursiva coloca em destaque “[...] a humanização como oposição à violência, seja física e psicológica” que pode ser expressada nos maus-tratos ou de forma simbólica que se expressa nos “maus-tratos”, e delineia pela dor de não ter o entendimento de suas necessidades ou de suas expectativas.

E de acordo com Backes et al (2005, p. 429), “o compromisso com a humanização no ambiente hospitalar não deve ser considerado um ato passivo e estático”, envolvendo empenho para realizar mudanças que segundo a mesma autora, “requer um processo permanente e gradual de ação-reflexão e inserção na realidade através do esforço dinâmico e participativo” (BACKES et al 2005, p. 429).

Neste enfoque, Backes et al (2005, p. 429), pontua que, “o papel do trabalhador social que optou pela mudança deve ser o de estimular o processo de conscientização dos profissionais com quem trabalha”, objetivando” [...] no sentido de valorizar potencialidades, estimular e provocar novas possibilidades de resgate dos valores humanos e sociais” (BACKES et al 2005, p. 429).

Neste processo de inovação, que envolve a humanização e inclui o acolhimento de forma humanizada vale ressaltar que o hospital moderno tem traços marcantes do sistema biomédico e conforme cita em referência alguns autores Foucault (1977, 1979); Rosen (1979) apud Deslandes (2004, p.9):

O hospital moderno teve como marca histórica de sua constituição organizacional impor aos “pacientes” o isolamento, a despersonalização e a submissão disciplinar de seus corpos (e subjetividades) a procedimentos e decisões que sequer compreendem (FOUCAULT, 1977, 1979; ROSEN, 1979 apud DESLANDES 2004, p.9).

E o sistema biomédico vem de longas datas desde o duelo estabelecido entre medicina e religião, e o objetivo do programa de humanização de acordo com Ferreira 2005, p. 117 é em relação “[...] ao tratar e o cuidar”, na procura de estabelecer um equilíbrio que supõe e propõe romper a divisão e estar superando os resquícios de outrora implantados “[...] a dicotomia alma/corpo, em que o corpo passou a ser domínio dos médicos e a alma, dos religiosos” (FERREIRA 2005, p.117).

Embora de acordo com Ferreira 2005, p. 117 “a dicotomia alma/corpo foi reconstruída de tal forma que, se originalmente o corpo era domínio médico e a alma, dos clérigos, hoje esses limites foram transpostos”, e hoje se tem uma nova maneira de se ver e tratar o paciente, mas mesmo assim carrega alguns traços dessa dicotomia.

E por isso ainda que seja comum uma visão de cunho religioso que são citados “[...] em alguns discursos e práticas dos profissionais, pode-se vislumbrar a percepção de que o humano só pode ser resgatado se houver bondade ou doação” (FERREIRA 2005, p.117) ou até mesmo o médico é o detentor de todo conhecimento que visa o bem-estar do paciente e os outros profissionais são apenas seus subordinados que estão ali para realizarem seus pedidos que julgam necessários.

E nesta evolução, na superação da dicotomia, de acordo com Bourdieu, 1987, p.187 apud Ferreira 2005, p. 118, antes havia um campo religioso que sobressaia e, no entanto ocorreu a transposição do mesmo e que não é mera casualidade que “[...] um grande número de clérigos se torna psicanalista, sociólogo, trabalhador social etc., exercendo novas formas de cura com um estatuto laico” (BOURDIEU, 1987, p.187 apud FERREIRA 2005, p. 118).

Contribuindo, assim, nas formas mais variadas possíveis e ser participante quanto ao tratamento ao paciente de forma humanizada.

Ferreira (2005, p.117) relata que nos serviços de saúde alguns anos vêm à exigência para a humanização no atendimento aos pacientes, isto não quer dizer que outrora não existia a humanização.

Antes mesmo em se pautar na humanização como modo de intervenção, alguns profissionais questionavam a respeito do tratamento ao paciente e de acordo com Ferreira (2005, p.117) “os hospitais sempre encontraram condições difíceis de trabalho que culminavam com uma deterioração da relação com os usuários”, e naquela época seus agentes levantavam questionamentos sobre isso.  

Ferreira 2005, p.117 ressalta que há muitos profissionais que, mesmo sem uma formulação teórica da proposta, ou mesmo sem utilizar o termo, praticam a “humanização” em seu quotidiano, o que a autora menciona que já existia este tipo de trabalho nos bastidores que apenas não havia sido oficializado em forma de um programa específico para poder ser aplicado.

E através da inovação que os serviços de saúde vêm passando, propõe um novo tipo de atendimento:

A proposta de humanização, ao sugerir a substituição das formas de violência simbólica, constituintes do modelo de assistência hospitalar, por um modelo centrado na possibilidade de comunicação e diálogo entre usuários, profissionais e gestores, busca instituir uma “nova cultura de atendimento” (DESLANDES 2004, p.9).

E a instauração desse novo sistema que está configurado no PNHAH (Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar), levará certo tempo para ser inserido no atual modo de atendimento que é prestado ao paciente/cliente como outrora mencionado devidos quesitos necessários que precisam ser revistos de forma que venha atender as necessidades dos pacientes/clientes e dos profissionais de saúde, ou seja, que na visão do PNHAH para que se estabeleça de forma equilibrada pontua Deslandes (2004, p.10), “[...] dois aspectos diferenciados que precisam ser reunidos: tecnologia e a boa administração de relacionamentos”.

De forma geral, a humanização é apresentada da seguinte forma conforme cita Beck et al (2007, p.113):

[...] ela aparece como a necessária redefinição das relações humanas na assistência e mesmo da compreensão da condição humana e dos direitos humanos, segundo o entendimento de que os usuários têm o direito de conhecer e decidir sobre os seus diagnósticos e tratamentos (BECK et al 2007, p.113).

Como bem ressalta Deslandes (2004, p.8-14) apud Beck et al (2007, p.113), “tal programa constitui uma política ministerial bastante singular, uma vez que busca introduzir “uma nova cultura de atendimento à saúde” tendo como foco a sensibilização de seus profissionais” (BRASIL, 2000).

De acordo com Beck et al 2007, p.113, o que ocorre na realidade é “[...] a tendência coorporativa das profissões de saúde, as várias formas de degradação da medicina de mercado e a burocratização excessiva das organizações estatais limitam a capacidade resolutiva dos serviços de saúde”, que segundo a mesma autora pontua que é a maneira enfática e excessiva ao se fixar, “[...] na técnica é a regra da maioria desses serviços”.

Sendo que “[...] na maior parte das situações, os profissionais de saúde não estão preparados para lidar com as questões sociais e subjetivas dos usuários, o que culmina na fragilização de suas práticas de atenção” (BECK et al 2007, p.113).

Isto dificulta, o processo de modificação da cultura, o despreparo do profissional de saúde, comprometendo a equipe de enfermagem no que tange em suas intervenções assistenciais.

4.2 A Questão do Acolhimento na Assistência em Saúde

A questão do acolhimento na assistência em saúde de acordo com Silva Jr. e Mascarenhas (2004, p.241-257) apud Takemoto e Silva (2007, p.332), é um reformulador do processo de trabalho, facilita na identificação de problemas e proporciona soluções e respostas pela identificação das demandas dos usuários que são sinalizadas.

 E de acordo com Franco et al (2003, p. 37-54) apud Takemoto e Silva (2007, p.332) “consideram que o acolhimento modifica radicalmente o processo de trabalho, em especial dos profissionais não médicos que realizam a assistência”, isto ocorre porque são eles que estão em contato em maior tempo com o paciente.

As autoras Takemoto e Silva (2007), citam que os autores Franco et al, (2003) quanto à aplicabilidade da proposta de implementada no Município de Betim, em Minas Gerais repercutiu de maneira significativa principalmente no quesito no trabalho de enfermagem. As enfermeiras ficaram incumbidas no acolhimento e responsáveis pela supervisão no atendimento efetivado pelas auxiliares de enfermagem e incluindo as orientações sobre as condutas e utilização dos protocolos, organizadas pela equipe e que sugeriam as condutas a serem tomadas diante das queixas julgadas comuns que eram sinalizados pelos usuários que iam à unidade e as respectivas atribuições de cada membro da equipe.

Segundo Franco et al, (2003, p. 45-46) apud Takemoto e Silva (2007, p.333) o (a) Auxiliar de Enfermagem outrora a implementação do acolhimento “[...] resumia-se às atividades próprias da sua função (curativo, injeção, vacina, distribuição de medicamento) e apoio aos médicos” e conforme tais autores, posteriormente a implementação do acolhimento, os mesmos passaram a assumir a plenitude da sua profissão em benefício do atendimento com qualidade.

Segundo estes autores supracitados, o acolhimento resulta na:

[...] reversão do modelo tecnoassistencial, mas pode ainda contribuir com o acúmulo de outros ganhos, já que tem potencial para reorganizar os serviços de saúde por intermédio do processo de trabalho, e construir dispositivos auto analíticos e autogestionários, além de provocar mudanças estruturais na forma de gestão do serviço (FRANCO et al., 2003, p. 45-46 apud TAKEMOTO e SILVA, 2007, p.333).

O programa de Humanização, de acordo com Beck et al 2008, p. 34 apud Costa e Cambiriba, 2010 p.496 objetiva:

[...] contrapor-se ao modelo hegemônico - biomédico e hospitalocêntrico - existente no Brasil, foram elaboradas diversas propostas, entre as quais se destaca o acolhimento enquanto estratégia que deve permear todo o sistema, reorganizando as relações entre profissionais e usuários e propiciando assistência mais resolutiva e humanizada, com a construção de sujeitos valorizados, autônomos e criativos (BECK et al 2008, p. 34 apud COSTA e CAMBIRIBA, 2010 p.496).

A questão do acolhimento no que tange na assistência em saúde de acordo com Beck e Minuzi (2008, p.3), assume a condição de reorganizador do processo de trabalho, identificando demandas dos usuários e replanejando o atendimento dos mesmos.

Favorecendo a ampliação e qualificação do acesso dos usuários, humanizando o atendimento e impulsionando a reorganização do processo de trabalho nas unidades de saúde (BECK e MINUZI, 2008, p.3).

De acordo com Beck e Minuzi (2008, p.3) menciona a supremacia do acolhimento que transcende uma triagem qualificada ou uma escuta interessada, pressupondo um conjunto formado por atividades de escuta que deva objetivar na identificação de problemas e intervenções resolutivas para seu enfrentamento” (BECK e MINUZI, 2008, p.3).

Neste enfoque, Silva e Santos (2003) apud Beck e Minuzi (2008, p. 3) postulam que a necessidade de cuidar, a humanização, o carinho, a atenção, o respeito e a responsabilidade são tão necessários quanto à assistência técnico-científica, ou seja, ambas não podem estar separadas.

Em continuidade com as autoras supracitadas, a questão é como o usuário é acolhido. Esta reflexão tende a fortalecer a relação entre trabalhador e usuário, evidenciando a necessidade do preparo dos trabalhadores para lidar com a população assistida, isto em seu conceito “independente da instituição de saúde, na busca da otimização destes serviços” (BECK e MINUZI, 2008, p.3).

Conforme o paciente tem acolhimento de qualidade, ele sairá satisfeito e retornará devido à forma que foi recebido. De acordo com Beck e Minuzi (2008, p.3) a qualidade no atendimento deve ser evidenciada e isto ocorre, quando o usuário recebe atenção, seja pelo atendimento prestado, pelo vínculo já estabelecido com os trabalhadores, ou ainda pela acolhida oferecida (BECK e MINUZI, 2008, p.3).

Segundo Beck e Minuzi (2008, p.4), o acolhimento tem a potencialidade de inverter a lógica de organização e funcionamento do serviço de saúde, que possa atender todos os pacientes/clientes que procuram os serviços, concedendo a acessibilidade universal. 

Beck e Minuzi (2008, p.4), postulam que o serviço de saúde cumpra sua função principal que é de acolher, escutar e dar uma resposta positiva, e que seja capaz de intervir sobre os problemas de saúde da população, ou seja, reorganizar o procedimento de trabalho, de forma que deixa de ser centralizado ao médico e passa ser direcionado a uma equipe multiprofissional que se encarrega da escuta do usuário, comprometendo-se a intervir sobre seu problema de saúde (BECK e MINUZI, 2008, p.3).

4.3 Humanização Hospitalar: o Acolhimento e a Assistência da Equipe de Enfermagem

Por longos anos, durante o adoecimento e hospitalização de um paciente, o foco da equipe de enfermagem era para a doença e não para o sujeito enfermo e isto ocorria devido o resquício herdado pelo modelo biomédico. No entanto, a saúde vem passando por inovações e há cerca de uma década vem trazendo a versão que engloba a humanização que neste contexto está inserido o acolhimento ao paciente que objetiva respeitar a subjetividade do paciente.

Segundo Morais (2009, p.324) a humanização apresenta-se como uma demanda crescente no resgate ao cuidado como um processo de respeito e valorização do ser humano e a saúde futura continuarão sendo pautada nestas questões para se estabelecer este regaste mencionado ao paciente que visa ao respeito e valorização do ser humano.

De acordo com Morais (2009, p.324) humanizar significa acolher o paciente em sua essência, a partir de uma ação efetiva traduzida na solidariedade, na compreensão do ser doente em sua singularidade e na apreciação da vida. De acordo com Amestoy (2006, p. 444) apud Morais (2009, p.324) no que condiz na esfera hospitalar, é de suma importância que os profissionais desenvolvam as habilidades emocionais, e que sejam capazes de sensibilizar-se com as situações vivenciadas em seu cotidiano, evitando prestar um cuidado tecnicista, o que se propõe que os profissionais estejam capacitados para prestar um atendimento humanizado ao cliente.

No entanto, a expressão humanização conforme postula Bettinelli et al (2004, p. 87-100) e Silva et al (2007, p.9-11) apud Morais (2009, p.324), vem sendo comumente empregada no sentido de associação dos recursos tecnológicos ao reconhecimento da individualidade do paciente, ou seja, versando na compreensão do sujeito em sua integralidade e concomitantemente na sua singularidade e suas necessidades.

Na questão do âmbito do cuidado para, Bettinelli et al (2004, p. 87-100) e Silva et al (2007, p.9-11) apud Morais (2009, p.324) a humanização encontra respaldo na prática profissional responsável, no esforço de tratar as pessoas respeitando suas reais e potenciais necessidades, com o intuito de ver o paciente como coparticipante em seu processo de cura e reabilitação (BETTINELLI et. al, 2004, p. 87-100 e SILVA et al, 2007, p.9-11 apud MORAIS, 2009, p.324).

Morais (2009, p. 324) sobre o cuidado humanizado postula que além da habilidade técnica do profissional de saúde no campo da sua atuação, da competência pessoal, há um quesito importante que o profissional de saúde deve ter que é a capacidade de perceber e compreender o ser paciente em sua experiência existencial, satisfazendo suas necessidades intrínsecas, ou seja, propiciar o enfrentamento positivo do momento vivenciado, conservar a sua autonomia, que abarca o direito de se governar por si mesmo e de decidir o que é melhor, para sua saúde e seu corpo, por serem estes direitos uma das primeiras coisas diminuídas ou perdidas quando se adoece (MORAIS, 2009, p.324).

Para Morais (2009, p. 324), isto tem relevância devido à humanização ter seu vínculo direto com o respeito e à subjetividade da pessoa que mesmo que venha pender para a percepção holística da doença e extrapolando a compreensão biologicista da doença e contemplando os aspectos psicológicos, sociais e espirituais que, indireta ou indiretamente, influenciam no processo saúde-doença (MORAIS, 2009, p.234).

Destarte o acolhimento está vinculado à humanização e conforme Teixeira (2003 p. 49-61) apud Takemoto e Silva (2007, p.331-332) postula que o acolhimento não é necessariamente uma atividade em si, mas conteúdo de toda atividade assistencial que incide na procura contínua do reconhecimento das necessidades de saúde dos usuários e das formas possíveis de satisfazê-las (TEIXEIRA, 2003 p. 49-61 apud TAKEMOTO e SILVA, 2007, p.331-332).

Na questão da equipe da enfermagem e as intervenções de assistência é relevante pontuar as questões do programa de humanização. Deslandes (2004) versa em analisar o discurso do Ministério da Saúde sobre a humanização da assistência hospitalar sabendo que em maio do ano de 2000, ocorreu a regulamentação do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH) através do Ministério de Saúde e no mesmo ano só que em dezembro também a humanização foi inclusa na pauta da 11ª Conferência Nacional de Saúde.

O PNHAH foi instituído pelo Ministério da Saúde, através da portaria nº 881, de 19 /06/ 2001, no âmbito do Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2002).

Segundo Salicio e Gaiva (2006, p.3), o PNHAH está vinculado ao trabalhador da saúde, pacientes e familiares e cujo processo de discussão e implementação de projetos de humanização do atendimento a saúde e de melhoria da qualidade (SALICIO e GAIVA, 2006, p.3)

O PNHAH se torna um notório programa que vem fomentar uma inovação na cultura de atendimento à saúde, e este programa vincula à questão do acolhimento, que tem um elo com a humanização.

O significado da palavra humanização segundo, Ferreira (1988, p. 346) apud Salicio e Gaiva (2006, p.3), é tornar-se humano, humanar-se. Tornar benévolo, afável, tratável, humano. Fazer adquirir hábitos sociais polidos; civilizar.

Na diretiva da humanização, de acordo com Deslandes (2004 p.9), a humanização é vista como a capacidade de oferecer atendimento de qualidade, articulando os avanços tecnológicos com o bom relacionamento.

E de acordo com Brasil (2000) apud Deslandes (2004 p.8), o objetivo a priori do PNHAH versava em aquilatar as relações entre profissionais, entre usuários/profissionais (campo das interações face-a-face) e entre hospital e comunidade (campo das interações sociocomunitárias), objetivando estabelecer a qualidade e à eficácia dos serviços prestados por estas instituições.

Porém o PNHAH, Deslandes (2004, p.8) postula que foi substituído por uma perspectiva transversal, constituindo uma política de assistência e não mais um programa específico (provisoriamente intitulado “Humaniza SUS”).

Em concordância com Deslandes (2004, p.8) a palavra humanizar implica uma estranheza quanto ao seu significado implícito que o exercício em saúde era de forma (des) humanizada e tais provocações não raro ainda são feitas, revelando o estranhamento que o conceito propicia.

Deslandes (2004, p.8) postula que:

Geralmente emprega-se a noção de “humanização” para a forma de assistência que valorize a qualidade do cuidado do ponto de vista técnico, associada ao reconhecimento dos direitos do paciente, de sua subjetividade e referências culturais (DESLANDES, 2004, p.8).

Incluindo neste conceito sugere Deslandes (2004, p.8) que a valorização do profissional e do diálogo intra e interequipes vão além da valorização da qualidade do cuidado do ponto de vista técnico, associado ao reconhecimento dos direitos do paciente, de sua subjetividade e referências culturais, mas colocar em pauta a valorização do profissional das mais variadas formas (renumeração valorizada, planos de cargos e carreiras reformulados, jornada de trabalho equilibrado, incentivo a cursos de aperfeiçoamento) e além do diálogo intra e interequipes que é primordial.

Configura, neste contexto, segundo Deslandes (2004, p.8), que a fundamentação teórico-prática neste campo necessita, ainda, de exploração e investimento.

Não é raro ouvir, a fala de insatisfações de pacientes que foram mal tratados em hospitais, vítimas da ação de um profissional que segundo Deslandes (2004, p.9) menciona fez a negação do “outro” em sua humanidade.

Abrolhou a necessidade da humanização dos cuidados na esfera hospitalar segundo Barbosa e Silva (2007, p.546) devido existir:

 [...] em um contexto social no qual alguns fatores têm contribuído para a fragmentação do ser humano como alguém compreendido com necessidades puramente biológicas: a tecnologia, a visão de que é a equipe de saúde que detém todo o saber e, não ter a percepção da integralidade do Ser Humano são exemplos destes fatores (BARBOSA E SILVA, 2007, p.546).

Levando ao atendimento de maneira mecanicista, ou seja, resumindo-se muitas vezes na aplicabilidade conforme postula Miranda, 2000, p. 101-116 apud Barbosa e Silva (2007, p.546-547), de um procedimento técnico, como puncionar um acesso venoso, aplicar uma medicação ou realizar determinado exame.

Para Barbosa e Silva (2007, p.547) o ser humano não deve ser visto simplesmente a um ser com necessidades biológicas, mas na sua amplitude, ou seja, de forma holística conforme descreve, como um agente biopsicossocial e espiritual, com direitos a serem respeitados, devendo ser garantida sua dignidade ética e em sua visão isto será necessário para direcionar à humanização dos cuidados de saúde.

No conceito Pessini (2004, p. 12-30) apud Barbosa e Silva (2007, p.547), humanizar os cuidados envolve respeitar a individualidade do Ser Humano e construir um espaço concreto nas instituições de saúde, que legitime o humano das pessoas envolvidas.

Neste prisma, continuando com os mesmos autores supracitados, o profissional que estabelece uma proximidade ao paciente nos cuidados, insere-se o respeito ao paciente quando se trata de cuidados humanizados. Deve ser capaz de entender a si mesmo e ao outro, ampliando esse conhecimento na forma de ação e tomando consciência dos valores e princípios que norteiam essa ação (Barbosa e Silva, 2007, p. 547).

Devido à amplitude do conceito de respeito, Fernandes (2005, p. 87(8): 375-9) apud Barbosa e Silva (2007, p.547) postula que o respeito correlaciona com a escuta:

Respeitar envolve ouvir o que o outro tem a dizer, buscando interpretar o que ouvimos, ter compaixão, ser tolerante, honesto, atencioso, é entender a necessidade do autoconhecimento para poder respeitar a si próprio e, então, respeitar o outro (FERNANDES p. 2005; 87(8): 375-9 apud BARBOSA e SILVA, 2007, p.547).

Para Houaiss, Villar e Franco (2001) apud Barbosa e Silva (2007, p.547), o respeito seria a forma de considerar a individualidade e a subjetividade do paciente, tratando-o com atenção, consideração e deferência, além de proporcionar cuidados integrais e humanizados.

E quanto à escuta, envolve a comunicação e esta comunicação pode ser verbal ou não verbal, e a interpretação da fala do paciente é muito importante, seja ela verbal ou não verbal e estudos evidenciaram que alguns enfermeiros ainda não valorizam à comunicação não verbal do paciente e com isto desvalendo o cuidado, pois é um recurso que promove o entendimento do que o paciente verbaliza e sinaliza o que o profissional de saúde sente por ele (SOUZA, PINTO, SILVA, 1998. P.43-48 apud BARBOSA E SILVA, p. 547).

Segundo Malta et al (2001), apud Matos (2013, p.4), ato de escuta é diferente de ato de bondade, é um momento de construção de transferência e continuando com o mesmo autor, o acolhimento requer que o trabalhador utilize seu saber, para a construção de respostas às necessidades dos usuários.

De acordo com Arruda e Silva, 2012, o acolhimento caracteriza-se especialmente pela escuta sensível, que segundo a mesma autora, levam-se em consideração as preocupações do paciente, desde a sua entrada ao longo do seu acompanhamento pelos profissionais.

A escuta propicia o entendimento do que está ocorrendo com o paciente e demonstra que está se importando com sua dor e interesse em ajudar. É por meio dela que se pratica a humanização favorecendo o bem estar ao paciente, lembrando que no acolhimento a postura de escuta denota o comprometimento com o usuário.

O acolhimento é uma ação peculiar da classe dos profissionais de enfermagem, os quais desempenham um papel de grande importância no cuidado ao indivíduo na configuração da humanização.

No setor da saúde, segundo Arruda e Silva (2012, p. 759), a humanização diz respeito à atitude de usuários, gestores e trabalhadores de saúde comprometidos e corresponsáveis, ocasionando um processo criativo e sensível de produção da saúde e de subjetividades incluindo ainda a organização social e institucional das práticas de atenção e gestão na rede do SUS.

E de acordo com a mesma autora Brasil (2008) apud Arruda e Silva (2012, p. 759):

O compromisso ético, estético e político da humanização assenta-se nos valores de autonomia e protagonismo dos sujeitos, de corresponsabilidade entre eles, de solidariedade nos vínculos estabelecidos, dos direitos dos usuários e da participação coletiva no processo de gestão (BRASIL, 2008 apud ARRUDA e SILVA, 2012, p. 759).

Na pontuação de Arruda e Silva (2012, p. 759) essa é a base sobre a qual toda atenção realizada pela enfermagem deve estar assentada, ou seja, deverá estar pautada.

Na atenção à Humanização Hospitalar em referência ao acolhimento e a assistência da equipe de enfermagem o ato omisso de humanização nos serviços oferecidos prodigaliza a integração profissional de saúde-sujeito, circunstância na qual é bastante apreciada pelo paciente e de acordo com Matos (2013, p.3) é relevante que o trabalhador tenha o entendimento que o acolhimento não se resume em uma simples triagem, mas que seja uma ferramenta que não pressupõe, hora nem profissional específico para utilizá-la, mas que tenha uma percepção integral do que é acolher (MATOS, 2013, p.3).

O autor ressalta a importância da relevância de se ter a percepção integral do que é acolher postulando que Brasil (2006, p. 164) apud Matos, (2013, p.3), isso implica ao trabalhador ficar atento às necessidades dos usuários que buscam o sistema de saúde para juntos elaborarem estratégias minimizadoras e resolutivas dentro da realidade tecnológica empregada.

Segundo Brasil (2008) apud Arruda e Silva, (2012), o acolhimento é um processo constitutivo das práticas de produção e promoção de saúde que implica responsabilização do profissional pelo usuário, ouvindo sua queixa, considerando suas preocupações e angústias continuando com a mesma autora, ou seja, fazendo uso da escuta uma ferramenta propiciando uma escuta qualificada que possibilite analisar a demanda e, colocando os limites necessários, garantir atenção integral, resolutiva e responsável por meio da articulação das redes internas dos serviços e redes externas com outros serviços de saúde para a continuidade da assistência, quando necessário.

Segundo Matos (2013, p. 3), menciona que o acolhimento tem como objetivo proporcionar uma gama de atividades que buscam desenvolver a capacidade individual e coletiva dos trabalhadores, identificando e responsabilizando suas ações.

Lima (2005, p. 504) apud Matos, (2013, p.3), ressalta que “o usuário é portador de direitos e opções de vida que devem ser respeitadas e compreendidas pelo trabalhador, sendo assim, deve-se gerar uma conexão de integralidade no atendimento, rejeitando qualquer possibilidade de desamparo ao usuário ou a seguir sua sina.

Beck e Minuzi (2008) postulam que “o acolhimento não deve restringir-se aos limites da atenção básica, mas expandir suas fronteiras e configurar-se em uma prática na qual o usuário passa a ser o sujeito central do processo assistencial.”

Em referência ao acolhimento, segundo Matos (2013, p. 4) implica-nos compreender que acolhimento está presente em todas as ações de interação pessoal nos diferentes modos de pensar e agir em comunidade, tendo essa compreensão tem-se a dimensão da importância do acolhimento.

O autor Matos (2013, p.5 postula), o que ocorre é uma:

 [...] relação de compromisso com o usuário, requer do profissional máxima atenção às necessidades apresentadas naquele momento tanto como saber que o usuário busca ouvir do profissional uma resposta resolutiva para seus problemas e enfrentamentos em seu âmbito coletivo ou individual (MATOS, 2013, p.5).

 Segundo Pereira et al (2010, p.56), a atenção à saúde vem ampliando os debates pela valorização da singularidade humana por meio do diálogo e acolhimento como possibilidades interativas, pois sabemos que segundo a Constituição, a saúde é um direito de todos e os profissionais de saúde de acordo com a mesma autora devem garantir uma saúde digna e humana para todos, com profissionais comprometidos com o ser humano como um todo.

Então o que o acolhimento pode proporcionar? Basta entendermos o propósito do acolhimento conforme Pereira et al (2010, p. 56) menciona o acolhimento significa a humanização do atendimento, o que pressupõe a garantia de acesso a todas as pessoas.

Envolvendo assim fatores que já foram citados por outros autores, mas reforçando Pereira et al (2010, p. 56) coloca também em destaque a escuta e a resolução dos problemas apresentados pelo paciente, à escuta de problemas de saúde do usuário, de forma qualificada, dando-lhe sempre uma resposta positiva e responsabilizando-se pela resolução do seu problema.

De acordo com Solla (2005, p. 493-503) apud Pereira et al (2010, p. 56), o acolhimento deve garantir a resolubilidade que é o objetivo final do trabalho em saúde, resolver efetivamente o problema do usuário e a questão de culpar o problema de saúde vai um pouco além do atendimento, tem haver também com a vinculação que deve ser estabelecida entre o serviço e a população usuária.

O que a autora deixa bem explícito que na questão do acolhimento que está vinculado a humanização e conforme postula Faiman et al (2003, p.27) apud Pereira et al (2010, p. 56) deve ocorrer:

[...] na transformação da cultura assistencial, a fim de que sejam valorizados os aspectos subjetivos, históricos e culturais dos profissionais e usuários para melhorar as condições de trabalho e a qualidade do atendimento. (FAIMAN et al 2003, p.27 apud PEREIRA et al 2010, p. 56)

E quanto esta transformação da cultura assistencial é uma questão que tem sua relevância e que visa valorizar os aspectos subjetivos, históricos e culturais não apenas dos profissionais, mas também dos usuários e para estar promovendo esta transformação deverá estar baseada nos princípios da humanização é fundamental uma investigação do processo de trabalho enquanto instrumento que proporcionará informações chave para os assuntos pertinentes (PEREIRA et al 2010, p. 56).

Ocorre a modificação na cultura que implica comprometimento dos profissionais envolvidos, o que requer um comprometimento dos profissionais envolvidos no processo de cuidado com estímulo à criatividade e iniciativas individuais (PEREIRA et al 2010, p. 56).

Neste contexto, não deixa de fazer parte do novo cenário da saúde conforme Backes et al (2007, p.452-459) apud Pereira et al (2010, p. 56) postula:

Logo, faz parte do novo cenário da saúde repensar e reinterpretar o conceito de saúde para além da biologia e principalmente a valorização de uma política de cuidado integral em sua dimensão física, psíquica, social e espiritual (BACKES et al 2007, p.452-459 apud PEREIRA et al 2010, p. 56).

E embora não se tem atentado a isto de maneira que venha atender de maneira holística, é importante salientar que no estabelecimento da cultura da humanização requer uma densa valorização do potencial humano e uma compreensão de equipe, na qual todos os membros da coletividade se sentem beneficiados e beneficiários (PEREIRA et al 2010, p. 56).

Em concordância com as autoras Pereira et al (2010, p. 56) quanto ao atendimento humanizado, afirmam que o atendimento humanizado ao usuário deve caminhar de mãos dadas com o atendimento humanizado ao profissional de saúde, e neste contexto deve organizar um ambiente de cuidado humano que abarque a gestão, equipes de trabalhadores e usuários, ou seja, um ambiente que venha envolver a todos e propiciar um ambiente onde todos cuidam e são cuidados (PEREIRA et al 2010, p. 56).

A humanização conforme menciona Pereira et al (2010, p. 56), deve ser vista como uma das dimensões fundamentais, não podendo ser entendida como apenas um “programa” a mais a ser aplicado aos diversos serviços de saúde. Assim, a autora quer dizer que se ficar na visão de apenas como um “programa” poderá cair no risco de ser meramente uma meta a ser cumprida pelos profissionais de saúde, ou seja, “por meio de ações pautadas em índices a serem cumpridos e em metas a serem alcançadas independentemente de sua resolutividade e qualidade” (PEREIRA et al 2010, p. 56).

Fica explícito que será pouca a importância ao paciente, apenas cumprindo o que é exigido e será lamentável se ocorrer isto, perdendo todo propósito do programa de humanização.

Embora no momento, a priori, sempre se destaque o acolhimento ao paciente e de acordo com Souza et al (2008, p. 24) apud Costa e Cambiriba, (2010 p.495):

[...] Dentro do modelo de saúde vigente o acolhimento torna-se um desafio na construção da integralidade do cuidado, e em virtude disso, destacamos, além da atenção ao usuário, atenção especial também ao profissional de saúde, que muitas vezes vivencia sobrecarga de trabalho, o que gera estresse, cansaço físico e mental (SOUZA et al, 2008, p. 24 apud COSTA e CAMBIRIBA, 2010 p.495).

Diante do exposto Souza et al (2008, p. 24) apud Costa e Cambiriba, (2010 p.495), propõe que o acolhimento seja uma prática inserida no processo de trabalho das equipes, e que haja programas de capacitação e espaços de escuta pela gestão e também incentivos salariais e cuidado ao cuidador.

 Neste contexto evidencia que o (a) profissional realizará um bom acolhimento se ele/ela estar capacitado e ter incentivo salarial, para que isso ocorra devem-se ter também cuidados com o cuidador, o que na prática pouco se faz, apenas exige qualidade do acolhimento ao profissional sem atender as questões citadas que promoverá a motivação do profissional para a realização no acolhimento.

5. Considerações Finais

Na atenção à Humanização Hospitalar em referência ao acolhimento e a assistência da equipe de enfermagem o ato omisso de humanização nos serviços oferecidos prodigaliza a integração profissional de saúde-sujeito.

Na humanização, deve acolher o paciente em sua essência, respeitando sua subjetividade e colocar sempre em foco a escuta, sem ela o profissional ficará no oculto e não terá a percepção ou compreensão o que realmente o paciente está sentindo ou necessita.

No acolhimento, tem que haver o comprometimento de toda equipe em recepcionar, focar na escuta ao paciente e realizar o tratamento humanizado procurando atender suas necessidades para amenizar o sofrimento seja de ordem física, psíquica ou até mesmo espiritual.

No acolhimento, ao observar o paciente, é possível o captar nas entre linhas, o que o paciente está sinalizando, seja ela de forma verbal ou não e a interpretação da fala não deve ser ignorada.

Diante das questões que abrangem humanização e o que sempre se destaca é o acolhimento ao paciente, ficando de lado o profissional que realiza o acolhimento. Tais questões precisam ter prioridade, tais como: o preparo do profissional no período acadêmico ensinando a focalizar o paciente não apenas o cuidado com o corpo, mas em sua totalidade; a questão da sobrecarga de trabalho dos profissionais da saúde nos hospitais, aumentando o efetivo para atender a demanda; o reconhecimento profissional da saúde em todo aspecto e um planejamento de cargos e carreira com equidade, objetivando a falta de humanização para com o profissional da saúde e investimento em treinamentos na capacitação multiprofissional.

O que se evidencia que o (a) profissional realizará um bom acolhimento se ele/ela estar capacitado e ter incentivo salarial, para que isso ocorra devem-se ter também cuidados com o cuidador, o que na prática pouco se faz, apenas exige qualidade do acolhimento ao profissional sem atender as questões citadas que promoverá a motivação do profissional para a realização do acolhimento.

Cada profissional de saúde deve prezar pelo o bem estar do paciente, sendo que este deposita toda confiança no profissional que o acolhe e ele depende deste acolhimento com qualidade para superar o momento de sofrimento, ao praticar a humanização através de um acolhimento de qualidade estará exercendo a cidadania.

É indispensável à presença e a contribuição do psicólogo (a) na equipe de saúde atuando em unidades hospitalares no tratamento do paciente primando pelo o acolhimento. 

Embora o psicólogo (a) é uma profissão emergente na esfera hospitalar, pode-se observar que são poucos os profissionais especializados em psicologia hospitalar, ainda encontram muitas dificuldades no trabalho em equipe em alguns momentos suas observações clínicas são até mesmo descartadas, isto é claro depende da equipe multiprofissional em que está inserida, há resistência em algumas equipes multiprofissionais, mas já existem equipes multiprofissionais mais flexíveis que veem a importância do psicólogo (a) atuando no âmbito hospitalar.

Tonetto e Gomes, (2007), p.94 ressalta que tem algumas equipes de enfermagem tem expectativas bem definidas em relação ao profissional da Psicologia integrada às equipes multiprofissionais, esperando da mesma o retorno em assessorar “na definição de condutas e tratamentos, trazendo conhecimentos sobre a influência dos aspectos emocionais no quadro clínico dos pacientes” que segundo as mesmas, através deste assessoramento objetiva em promover a qualificação da equipe tornando autônoma, para estar aptas em tomar decisões condizentes em situações pertinentes aos pacientes, devido à figura do profissional da Psicologia nem sempre ter a disponibilidade para atendê-la, isto caracteriza muitas vezes estar ocupados com várias demandas hospitalares, em alguns momentos atendendo pacientes ou familiares do paciente.

Como Citar Este Artigo:

ESPINOLA, Henrique Lopes. A Equipe da Enfermagem e o Acolhimento ao Paciente: Humanização Hospitalar. Orientadora: Prof.ª Fabiana Marchetti Castro. Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Psicologia Hospitalar Centro Universitário de Araraquara – Uniara, 2014.

Sobre o Autor:

Henrique Lopes Espinola - Licenciatura em Geografia, FINAV (Faculdade Integrada de Naviraí - MS), graduação em Psicologia e especialização em Psicologia Organizacional, Faculdade Anhanguera de Dourados - MS, especialização em Psicologia Hospitalar, UNIARA (Centro Universitário de Araraquara SP) e Pós graduando em Docência do Ensino Superior da Universidade Católica Dom Bosco de Campo Grande MS. Como citar o artigo: ESPINOLA, Henrique Lopes. A Equipe da Enfermagem e o Acolhimento ao Paciente: Humanização Hospitalar. Orientadora: Prof.ª Fabiana Marchetti Castro. Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Psicologia Hospitalar Centro Universitário de Araraquara – Uniara, 2014.

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