A Importância do Brincar no Ambiente Hospitalar: da Recreação ao Instrumento Terapêutico

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Resumo: O presente artigo apresenta o estudo realizado sobre a importância do brincar no ambiente hospitalar, aprofundando as questões referentes à hospitalização da criança e ambiente hospitalar, os efeitos do brincar no hospital e na subjetividade da criança hospitalizada. Para tanto, procurou apresentar os recursos utilizados para o brincar no hospital, os objetivos do brincar para a criança enferma, assim como efeitos do brincar na subjetividade da criança hospitalizada. Foi utilizada uma pesquisa bibliográfica através do levantamento de artigos científicos produzidos entre os anos 2000 e 2010, utilizando como ferramentas Scielo (Scientific Electronic Library Online), Google Acadêmico; Lilacs (Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), além de referências disponíveis nos próprios artigos levantados. A pesquisa demonstrou como aspecto relevante à apreensão de muitos artigos de áreas profissionais distintas no que se refere à saúde que abarcam o tema do brincar e suas implicações para a criança hospitalizada e procurou analisar se existem diferenças entre os recursos e objetivos da utilização de atividades lúdicas por parte do psicólogo quando comparado aos demais profissionais da saúde, corroborando para a investigação das particularidades do brincar e sua importância na subjetividade da criança hospitalizada, além de ampliar a sua utilização.

Palavras-chave: brincar no hospital, brinquedo terapêutico, hospitalização infantil e atividades lúdicas.

Introdução

O processo da internação pode gerar impactos devastadores na vida de qualquer ser humano tornando-se importante a criação de estratégias terapêuticas a fim de promover o bem estar e atender às dimensões físicas, psíquicas, culturais, espirituais, sociais e intelectuais, favorecendo a expressão do paciente e possibilitando a humanização e valorização do sujeito inserido no contexto hospitalar (BRASIL e SCHWARTZ, 2005). O paciente não pode ser visto apenas como alguém em busca de um tratamento médico, mas sim como um indivíduo que possui subjetividade e necessita estar implicado na participação do seu processo de adoecimento e cura.

No caso de crianças, a criação de estratégias como forma de atenuar o processo de hospitalização decorrente do estresse e ansiedade devido à doença, além do sofrimento físico, procedimentos médicos e rotina hospitalar desgastante, torna-se de fundamental relevância. Dessa forma, o brincar no hospital surge como um poderoso recurso que possibilita à criança o resgate da sua vida antes do processo de hospitalização e, segundo Silva (2006), favorece a sociabilidade, interação e dinamismo mesmo com a restrição do espaço físico e das limitações provenientes do adoecimento.

Guerrelhas, Buenos e Silvares (2000 apud REIS, 2008) apontam a brincadeira como uma possibilidade que a criança encontra de aprender maneiras de se comportar diante de novos estímulos presentes no ambiente, tomando consciência de si e do local em que se encontra. É importante também salientar as contribuições da brincadeira para o desenvolvimento infantil, que pode encontrar-se fragilizado em decorrência da doença e os benefícios que o brincar pode proporcionar ao infante, já que se encontra num ambiente restrito, limitado, cheio de regras e que impossibilita a criança de atuar da mesma forma que antes da doença.

A brincadeira no contexto hospitalar é então um instrumento de intervenção utilizado como forma da criança construir estratégias de enfrentamento em relação à doença, hospitalização, comunicação e resolução de conflitos. Através do brincar, a criança pode se expressar melhor, assim como demonstrar os seus sentimentos e resgatar a si mesma (FORTUNA, 2007).

Diante dessa questão, torna-se relevante compreender a partir dessa pesquisa as particularidades do brincar no contexto hospitalar, assim como verificar as maneiras como o brincar pode ser utilizado, seja como ocupação do tempo ocioso, servindo como recreação, ou como um recurso terapêutico utilizado pelo psicólogo e demais profissionais da área de saúde, como forma de ajudar a criança a enfrentar o processo de hospitalização, revelando suas angústias, inquietações e crenças sobre o hospital e a enfermidade que possui.

O brincar pode ser oferecido tanto como um recurso terapêutico com objetivos definidos, como exemplo melhor expressão da criança frente à enfermidade, quanto como algo livre sem objetivos concretos, apenas como um fator de diversão.

Diante da importância que a literatura emprega ao brincar no hospital e devido aos seus benefícios, torna-se importante compreender a sua utilização no espaço hospitalar na perspectiva da intervenção do psicólogo, bem como, o que particulariza a intervenção deste, contrapondo com as outras áreas profissionais da saúde, que também utilizam o brincar como recurso terapêutico indispensável para o tratamento da criança em sofrimento.

Este projeto visa descrever a função do brincar na subjetividade da criança hospitalizada, buscando analisar as principais diferenças entre o brincar visto como recreação ou distração e o brincar como instrumento terapêutico através da visão do psicólogo, procurando-se entender o quanto o brincar pode ser importante para a construção da subjetividade da criança enferma, ao proporcionar uma melhor expressão no que diz respeito a seus pensamentos, sentimentos e angústias decorrentes da doença, como também descrever os principais recursos lúdicos utilizados no ambiente hospitalar como forma de diminuir o sofrimento imposto pela hospitalização. A relevância do mesmo está em aprofundar a questão do brincar terapêutico a serviço da intervenção na saúde da criança, ampliando a sua utilização.

1. Fundamentação Teórica

1.1 A Hospitalização Infantil e o Ambiente Hospitalar

A hospitalização infantil é verificada como um momento de grande sofrimento físico e psíquico para a criança, acarretando mudanças estruturais e singulares na construção de sua subjetividade. A criança hospitalizada, além de ser submetida aos constantes procedimentos e rotinas hospitalares, encontra-se distanciada da família, escola, brinquedos, amigos, de todo um ritmo de vida anterior que dá lugar a sentimentos como dor, angústia, tristeza e medo da hospitalização e do ambiente hospitalar.

De acordo com Silva (2006), a hospitalização da criança pode causar graves prejuízos para o seu desenvolvimento. Fato que se agrava a depender do tempo de internação e da gravidade da doença. A autora relata que as restrições do ambiente hospitalar referente ao espaço físico e às próprias limitações decorrentes da enfermidade causam a ausência de estímulos e diminuição das possibilidades de exploração do meio, podendo dessa forma comprometer o desenvolvimento da criança.

O hospital é estruturado não para ver o paciente como ser humano em sua natureza complexa, mas para tratá-lo de forma idêntica, fragmentária e especializada, uniformizando e numerando tudo e todos. O atendimento é despersonalizado e desumanizado em nome da tecnologia e competência científica. Tudo isso instaura um processo de destituição subjetiva dos pacientes, cujo efeito é paradoxal: aquilo mesmo que cura acaba também, por adoecer, já que esta dessubjetivação representa uma situação de risco para a saúde (FORTUNA, 2007, p.37).

Cunha (2007) ressalta todo o impacto que a internação da criança acarreta em sua rotina de vida, já que por um lado existe a expectativa da recuperação e por outro a tristeza e a ansiedade pelo trauma que uma hospitalização pode acarretar. De acordo com a autora, nessa situação o emocional vem à tona dificultando alguns aspectos na vida da criança que podem acabar interferindo no desdobramento da sua doença e posterior recuperação. O temor da solidão e o entristecimento diante da ausência da família, por exemplo, tornam a situação dramática, criando fantasias amedrontadoras a respeito do ambiente hospitalar.

De acordo com Ferro e Amorin (2007), a hospitalização pode se tornar uma experiência traumática para a criança, já que a maioria dos enfermos não são preparados para os constantes procedimentos médicos e nem sabem o porquê da realização de determinado exame. O que a equipe de saúde costuma dizer é apenas como a criança deve se comportar durante o procedimento. Além disso, as autoras salientam o fato da constante exploração do corpo infantil, a realização de inúmeros exames médicos, muitos deles dolorosos, e as restrições a que a criança é obrigada a submeter-se.

Soares (2001) aponta alguns problemas existentes na hospitalização infantil como exemplo o descuido de questões referentes aos aspectos psicológicos, pedagógicos e sociológicos envolvidos no processo. De acordo com a autora, deve-se levar em consideração se tratando de criança, que os efeitos da hospitalização podem variar em decorrência da idade, experiências anteriores de hospitalização, e de variáveis individuais em função das habilidades de enfrentamento presentes em cada um.

No caso de crianças, a humanização hospitalar torna-se um recurso poderoso e preciso, pois às crenças e fantasias do pequeno paciente, seus medos e suas angústias são tratadas de forma humana e com todo o respeito necessário ao estado de sofrimento que se encontra. De acordo com Winnicott (1988 apud OLIVEIRA e MATTIOLI, 2005), quando uma criança é tratada compreensivamente “o retorno a saúde pode ser acelerado.” Isso demonstra o quanto o processo de humanização pode auxiliar a criança no resgate de um melhor bem estar e acolhimento durante a hospitalização.

Segundo Motta e Enumo (2004), entre os possíveis recursos utilizados como forma de humanização no ambiente hospitalar pediátrico, encontra-se o brincar. Essa estratégia ajuda a criança a enfrentar condições estressantes durante a hospitalização e possibilita o reconhecimento do paciente infantil como um ser em sofrimento, merecedor de cuidados não apenas físicos como também de caráter psicológico, procurando promover a sua melhora, seu bem estar e valorizando o sujeito enquanto pessoa e não apenas em relação à sua doença. O brincar no hospital segundo Silva (2006, p.127), surge como uma maneira que a criança encontra de “resgatar as brincadeiras, que realizava em casa e na rua; expressar e desenvolver habilidades psicomotoras; resgatar sentimentos mais íntimos; vivenciar momentos alegres e prazerosos”.

1.2 Efeitos do Brincar no Hospital e na Subjetividade da Criança

No contexto hospitalar, durante a internação, a preocupação com o bem-estar da criança diante da rotina desgastante e dos inúmeros procedimentos invasivos que lhe acontecem, torna-se um fator merecedor de atenção e surgem algumas medidas indispensáveis como forma de aliviar o seu sofrimento.

O brincar é uma medida imprescindível ao desenvolvimento e bem-estar da criança. Segundo Almeida (2007), dentre as inúmeras funções da brincadeira para a criança, destacam-se algumas como, a possibilidade de conhecer o mundo a sua volta, brincar pelo prazer de brincar, como um ato recreativo e prazeroso que satisfaz sua necessidade de atividade e ocupação do seu tempo, permite-lhe estimular para aprender novas habilidades, facilita a socialização, atua como válvula de escape aliviando a ansiedade e atende necessidades afetivas por meio do contato físico.

As atividades lúdicas também propiciam a imaginação, iniciativa, criatividade, comunicação e por isso o brincar é reconhecido pelo “Estatuto da Criança e do Adolescente” e defendido pela Declaração dos Direitos da Criança das Nações Unidas, “que considera fundamental, tal como a alimentação, o abrigo, o tratamento médico, a educação e o amor parental”. (ALMEIDA, 2007, p.133).

Levando em conta esses fatores, o brincar surge como um direito e oportunidade para a criança hospitalizada expor seus sentimentos mais profundos e aliviar suas tensões e estresse decorrentes da hospitalização. Para Goldenberg (2007, p.86),

O brincar na sociedade contemporânea, nasce como oportunidade para o resgate dos nossos valores mais essenciais; como potencial da cura psíquica e física; como forma de comunicação entre iguais e entre as várias gerações; como instrumento de desenvolvimento e ponte para a aprendizagem; como possibilidade de resgatar o patrimônio lúdico cultural dos diferentes contextos socioeconômicos. Por meio do brincar a criança consegue manter viva e ativa a sua história de vida, dando vazão ao seu mundo interno, externalizando emoções e sentimentos que colaboram para a sua recuperação.

Assim, o brincar permite à criança o desenvolvimento de inúmeras habilidades, fato que se torna importante quando se discute a hospitalização infantil. Pesquisas sobre o quanto o brincar faz bem no desenvolvimento da criança apontam, que o brincar proporciona o desenvolvimento físico, de habilidades e coordenação, além de aumentar o desenvolvimento cognitivo propiciando a imaginação, criatividade, comunicação, desenvolvimento social, memória, capacidade de assumir regras, desenvolvimento da auto-estima e auto conceito, aprender a identificar suas emoções e assumir o ponto de vista do outro. (JOHNSON, 1999 apud FORESTI e BOMTEMPO, 2006).

Devido às questões referentes aos benefícios das atividades lúdicas no contexto hospitalar pediátrico, surgiu a necessidade da implantação de brinquedotecas em todos os hospitais que atendam crianças. A Lei Nº 11.104, de 21 de Março de 2005, “‘obriga’ todos os hospitais que ofereçam atendimento pediátrico a implantarem brinquedotecas em suas dependências”. 

De acordo com Goldenberg (2007), as atividades na Brinquedoteca Hospitalar atendem às diversas faixas etárias, desde bebês até jovens por volta dos 18 anos. A Brinquedoteca Hospitalar surge como um exemplo de humanização, onde os profissionais envolvidos atuam em conjunto, demonstrando a multidisciplinaridade do serviço. Goldenberg (2007) diz que “os resultados mostram que as taxas de adesão ao tratamento aumentam muito após a implantação da Brinquedoteca Hospitalar”. Segundo o autor, o resultado demonstra que a brincadeira ajuda na vontade de viver e se recuperar da criança enferma.

No espaço da brinquedoteca as crianças podem encontrar jogos, brinquedos variados, desenhos, modelagens, recorte, colagens, fantoches, livros de histórias, além de outros recursos para desenvolver a criatividade. Os recursos da Brinquedoteca Hospitalar podem fazer a criança esquecer a doença (já que ela sai de uma rotina de inúmeras regras e procedimentos médicos) e lhe trazer recordações de caráter positivo de como brincava antes de ser internada no hospital.

As brincadeiras podem ser classificadas como um meio de recreação ou como um recurso terapêutico. Almeida (2007) caracteriza a brincadeira como recreação quando a criança pratica o brincar por absoluta espontaneidade, a fim de obter prazer sem necessariamente possuir alguma meta explícita, podendo ser um meio de ocupação do tempo ocioso ou liberdade imaginativa. Já o brincar terapêutico corresponde a atividades direcionadas e especializadas por profissionais, que consiste em desenvolver meios para compreender a singularidade da criança, além de propiciar o seu bem estar físico e emocional que podem se encontrar abalados devido ao processo de hospitalização.

A autora afirma ainda que a brincadeira terapêutica pode ser classificada em: ludoterapia, que corresponde a “uma técnica psicológica utilizada por terapeutas treinados e qualificados como um método interpretativo para crianças emocionalmente perturbadas” (ALMEIDA, 2007, p.134), necessitando assim de um ambiente controlado e específico, possuindo metas explícitas; e o brinquedo terapêutico que pode ser desenvolvido por qualquer profissional, podendo ser realizada em diversos lugares, desde o leito da criança hospitalizada até momentos antes da espera da realização de um exame, por exemplo.

Almeida (2007) salienta que o brinquedo terapêutico é indicado a qualquer criança que esteja passando por um momento de tensão ou crise e pode se apresentar através de dramatização, instrução (como fazer a criança entender alguns procedimentos hospitalares a que será submetida) ou capacitando funções fisiológicas (permitindo que a criança realize atividades para beneficiar a sua saúde por meio de exercícios físicos, transformados em brincadeira).

De acordo com Enumo e Moraes (2008), as estratégias de enfrentamento na hospitalização infantil refletem ações, comportamentos e pensamentos utilizados pelas crianças como forma de combater os agentes estressores presentes na internação. As autoras salientam que as estratégias que as crianças utilizam estão relacionadas ao desenvolvimento das habilidades cognitivas, sociais e regulação da emoção. Quanto a isso, Mota e Enumo (2004) complementam e reafirmam o brincar como recurso utilizado tanto pela criança, quanto pelos profissionais do hospital para lidarem com as adversidades decorrentes do processo de hospitalização.

Vale ressaltar que “as fantasias imaginativas e as brincadeiras podem compensar as pressões do cotidiano” (SILVA, 2006 p. 130). Este fato pode vir a beneficiar crianças hospitalizadas já que as tensões devido à enfermidade tomam grandes proporções. Dessa forma, a autora explica que a situação imaginária criada pela criança serve como um auxílio para reduzir conflitos e frustrações que enfrenta na vida real. Um exemplo disso é que qualquer desejo da criança, mesmo aqueles irrealizáveis podem se tornar possíveis de serem efetivados.

2. Método

Com a necessidade de descrever as particularidades do brincar na perspectiva da intervenção do psicólogo e sabendo que a utilização do brincar durante o processo de hospitalização da criança é empregado tanto pelos psicólogos quanto por outros profissionais da área de saúde, esta pesquisa visou investigar o que particulariza a intervenção do ponto de vista do psicólogo. Para isso, foi realizada uma pesquisa exploratória objetivando proporcionar uma maior familiaridade com o assunto e investigar a produção bibliográfica e informações disponíveis sobre o mesmo.

Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica com o levantamento de artigos científicos em português, publicados no período de 2000 a 2010, utilizando os seguintes periódicos eletrônicos para pesquisas acadêmicas: Scielo (Scientific Electronic Library Online), Google Acadêmico, Lilacs (Sistema Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) e BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), além de referências disponíveis nos próprios artigos levantados.

Os descritores empregados para a busca foram: brincar, brinquedoteca hospitalar, hospitalização infantil, atividades lúdicas, brinquedo terapêutico, brincar no hospital e criança hospitalizada. Dos artigos identificados no levantamento, utilizou-se como critério de escolha o fato de apresentar pesquisa de campo.

Foram analisadas vinte e sete publicações, em algumas delas houve publicação conjunta de profissionais diversos: doze de psicologia; oito de enfermagem; um de terapia ocupacional e psicologia; um de terapia ocupacional, pedagogia e economia; um de enfermagem, medicina ocupacional e psicologia e quatro de enfermagem e psicologia.

3. Resultados e Discussão

Por meio da revisão de literatura, levantamento e análise dos dados dos artigos científicos, foram separados os seguintes eixos temáticos: recursos utilizados para o brincar no hospital, objetivos do brincar para a criança enferma e efeitos do brincar na subjetividade da criança hospitalizada. A separação em categorias objetivou uma melhor análise comparativa entre os artigos encontrados, bem como explicitar as particularidades presentes na intervenção do psicólogo em comparação com as demais áreas profissionais que também empregam o brincar dentro do contexto hospitalar.

3.1 Recursos Utilizados para o Brincar no Hospital

O objetivo desta categoria de análise foi o de listar os tipos de recursos lúdicos utilizados no cuidado à criança hospitalizada através dos artigos levantados e verificar se existe diferença entre os recursos utilizados pelo psicólogo quando comparado a outros profissionais de saúde.

Percebeu-se que são inúmeras as atividades lúdicas utilizadas pelas diferentes áreas no que se refere ao brincar no hospital. Além da brinquedoteca, que deve estar presente em todos os hospitais que atendam crianças e regida pela Lei Nº 11.104, de 21 de Março de 2005, que “‘obriga’ todos os hospitais que ofereçam atendimento pediátrico a implantarem brinquedotecas em suas dependências”, notou-se através do levantamento bibliográfico o emprego dos seguintes recursos lúdicos apresentados no Quadro 1:

Quadro 1- Recursos utilizados para o brincar no hospital.

Tipos de brinquedo

 Recursos

 

 

 

Recursos e brinquedos de entretenimento

Brinquedos, personagens de desenhos, bonecas, jogos (de tabuleiro, quebra-cabeças, educativos, memória, dominó com temática do corpo humano, jogo de memória com objetos e instrumentos médicos, jogo de encaixe com peças do corpo humano, Jogo Doutor Opera Tudo, jogo de perguntas e respostas sobre temáticas de saúde, alimentação e higiene e adaptação do Jogo Perfil para o contexto de tratamento onco-hematológico, peças de encaixe com vários níveis de complexidade), videogame, velotrol, revistas em quadrinhos, filmes infantis, livros de histórias, carimbo de letras e números, livros infantis (com conteúdos relacionados à doença, à expressão de sentimentos e a intervenções no contexto da saúde), livros de colorir e com atividades educativas, aparelho de som, música.

Bonecos e fantoches

Família de fantoches (pai, mãe, duas crianças, avó e avô), equipe médica de fantoches (médico, médica, enfermeiro e boneca de pano representando a enfermeira, bonecos de pano de animais domésticos e enfermeira), bonecos de pano representando a família (avó, avô, mãe, pai, duas crianças e dois bebês).

 

Recursos de expressão gráfica, artística e artesanal

Desenho, recorte, colagem, pintura, papéis, lápis de cor, hidrocor, modelagem, origami, escrita criativa, construção, gravura, estojo de maquiagem, papel sulfite, canetinhas, tesoura, cola, giz de cera, folhas de papel A4 e folha de papel pardo, massa de modelagem.

Expressão dramática e corporal

Dança, show, teatro no palco ou fantoches, dramatização, dinâmica de grupo, vestimenta de palhaço.

Brinquedoteca

Sessões de brinquedo, quimioteca.

 

 

Sucata/material hospitalar

Seringas e scalps limpos e sem agulhas , gorros, máscaras, aventais, luvas, boneca com curativo cirúrgico de fita adesiva em local de lábio superior e com braceletes em membros superiores, berço hospitalar infantil, suporte, frasco e equipo de soro vazios e limpos, maleta de médico com instrumentos infantis, algodão, agulha de insulina, kit dextrostix, tubo de ensaio, esparadrapo,algodão, port-a-cath, almotolia com soro fisiológico, micropore, pinças de curativo, talas, torneirinha, garrote, gelco, cuba rim, frasco de medicamentos, copos para medicação, estetoscópio, otoscópio.

Brinquedos de objetos de uso cotidiano, animais, comidas e profissões em miniatura

Cavalo, carrinhos, avião, animais, bombeiro, panelinhas, fogão, jogo de cozinha, telefone, mamadeira, brinquedos de casinha, chocalhos, móbiles, pratos, talheres, panelinhas, tigelas, ovo frito, salsicha, revólver, tijolinhos de madeira, pianinho

Por meio da análise dos principais recursos utilizados para o brincar no hospital, percebeu-se a prevalência de um variado número de brinquedos que costumam ser utilizados tanto pelos profissionais de psicologia como também de outras áreas da saúde. Isso demonstra que, quando se trata do brincar para a criança hospitalizada, os diferentes profissionais procuram utilizar a sua própria imaginação e criatividade, não medindo esforços para que a criança tenha garantido o seu lazer e divertimento através das atividades lúdicas, mesmo que os objetivos na utilização do brincar sejam diferentes.

Notou-se também que, embora não haja distinção específica, a psicologia costuma empregar o brinquedo de forma mais livre, utilizando como principais recursos as história infantis, desenhos, atividades artísticas, brinquedos diversos (carrinhos, bonecas, jogos, etc) como forma da criança se expressar e comunicar, enquanto a área da enfermagem tende a utilizar com mais frequência a sucata ou material hospitalar (máscaras, aventais, luvas, esparadrapo, berço hospitalar, etc) para que a criança possa se acostumar aos instrumentos hospitalares ou com o objetivo de preparar a criança para algum procedimento médico.

Percebeu-se que a maioria dos artigos levantados da área de enfermagem utilizou recursos lúdicos específicos para facilitar a adesão ou preparar a criança para um determinado procedimento médico. Este fato indicou a predominância do emprego do brinquedo terapêutico por parte da enfermagem que, de acordo com Medrano, Padilha e Vaghetti (2008), tem como principal característica a peculiaridade de servir a diversos objetivos ou intencionalidades na intervenção sobre a criança hospitalizada, seja como forma de humanização hospitalar, como forma de expressão de sentimentos e emoções ou ainda adaptação da criança aos procedimentos e instrumentos presentes na rotina hospitalar. O brinquedo terapêutico, segundo Almeida (2007), corresponde a atividades direcionadas e especializadas por profissionais, consistindo em desenvolver meios para compreender a singularidade da criança, além de propiciar o seu bem estar físico e emocional que, devido ao processo de hospitalização, podem se encontrar abalados.

Apesar da pesquisa bibliográfica demonstrar uma predominância do uso do brinquedo terapêutico por profissionais da área de enfermagem, ele pode ser desenvolvido por qualquer profissional e ser realizado em diversos lugares, desde o leito da criança até momentos antes da espera para a realização de um exame.

Como exemplo da utilização do brinquedo terapêutico por diferentes profissionais, o artigo de enfermagem produzido por Fontes e outros (2010) demonstra a utilização de bonecos e instrumentos hospitalares (luvas de procedimento, máscara, berço hospitalar, suporte, frasco, etc.) como recursos terapêuticos empregados no preparo à criança que será submetida à cirurgia. Já no artigo de psicologia dos autores Souza, Camargo e Bulgacov (2003), são empregados desenhos e bonecos de fantoches como brinquedos terapêuticos visando proporcionar a expressão da emoção da criança hospitalizada. Assim, percebe-se que diferentes áreas podem utilizar diferentes recursos como formas de brinquedos terapêuticos a serviço da criança hospitalizada.

Essa questão fica evidente no artigo de enfermagem produzido por Ribeiro, Sabatés e Ribeiro (2001) onde as autoras empregaram como recursos uma boneca, uma seringa, um tubo de ensaio, algodão e esparadrapo no preparo a criança submetida à coleta de sangue, indicando que qualquer objeto usado na rotina hospitalar pode se tornar um brinquedo, proporcionando um melhor conhecimento do ambiente hospitalar como também da rotina e procedimentos médicos que constantemente a criança se submete.

Da mesma forma, foi notável o número de artigos referentes à área da psicologia que utilizam brinquedos como fantoches, dramatização e desenhos com fins de exteriorização dos sentimentos, regulação das emoções e estratégias de enfrentamento da hospitalização.  No artigo de psicologia que ressalta a expressão e interiorização das vivências da criança hospitalizada através de atividades de recreação em sala de espera (COSTA JUNIOR, COUTINHO e FERREIRA, 2006), os autores utilizaram tanto jogos diversos de quebra-cabeça e memória, como objetos e instrumentos médicos (jogos de encaixe com peças do corpo humano, Jogo Doutor Opera Tudo, maleta de médico), demonstrando que a psicologia também utiliza jogos ou brinquedos que simulam instrumentos hospitalares, assim como a área da enfermagem.

No artigo de Melo e Leite (2008) foi constatado que, ao empregar bonecos de pano representando tanto a família quanto a enfermeira, além de jogos de memória, dominó, materiais hospitalares, etc, a enfermagem também tem voltado o olhar para a facilitação e exteriorização das emoções, crenças e concepções da criança a respeito da hospitalização e procedimentos hospitalares. Isso pode demonstrar que, apesar de áreas profissionais distintas, psicologia e enfermagem podem utilizar recursos lúdicos para fins semelhantes.

Embora a enfermagem seja percusora em utilizar materiais e instrumentos hospitalares presentes na rotina da criança como brinquedos terapêuticos, a revisão de literatura demonstrou que, quando se compara artigos de psicologia com outras áreas profissionais da saúde, não existem diferenças específicas em relação aos recursos utilizados para o brincar no hospital.

Psicologia e enfermagem podem utilizar as mesmas ferramentas como atividades lúdicas, embora cada área possua uma tendência a empregar de forma mais corriqueira determinados tipos de recursos que a outra. Para ilustrar, no artigo de psicologia “A criança hospitalizada: análise de um programa de atividades preparatórias para o procedimento médico de inalação” onde as autoras Soares e Bomtempo (2004) utilizaram brinquedos e miniaturas de objetos hospitalares, assim como livros infantis com conteúdos relacionados à doença, lápis de cor, papel sulfite, etc. para facilitar a criança ao procedimento médico de inalação. Em geral a diferença pode consistir na finalidade ou função que determinada atividade lúdica possui ao ser realizada e não no recurso em si.

Em relação à brinquedoteca, Jesus e outros (2010) referem-se à quimioteca Fundação Orsa, no Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP) como similar à brinquedoteca possuindo o objetivo de humanizar o tratamento de crianças com câncer.  A quimioteca “foi reestruturada a partir de um projeto arquitetônico criativo, aliado ao uso de estratégias pedagógicas e lúdico-terapêuticas para auxiliar as crianças, os adolescentes e os seus familiares a enfrentar o desconforto desse tratamento”. (JESUS; et al 2010, p.176), possuindo um ambiente colorido, acolhedor e com muitos brinquedos e jogos mostrando-se eficaz ao promover atividades lúdicas durante a administração de quimioterápicos Os jogos e brinquedos são oferecidos no local em que as crianças recebem os medicamentos, procurando respeitar os interesses, limitações e disponibilidades de cada criança. As atividades desenvolvidas são planejadas gerando uma série de oficinas, como de palitos, origami, bexiga, artes visuais, etc.

Ainda cabe ressaltar a utilização da arteterapia como recurso terapêutico em benefício da criança em processo de hospitalização, como o artigo de enfermagem “A arteterapia e o desenvolvimento do comportamento no contexto da hospitalização” (VALLADARES e CARVALHO, 2006) que procurou utilizar técnicas lúdicas e de atividades artísticas como desenho, pintura, colagem, modelagem, origami, etc como formas de aliviar os fatores negativos da hospitalização.

Já no artigo “A arteterapia no contexto da hospitalização pediátrica. O desenvolvimento da construção com sucata hospitalar”, também das autoras Valladades e Carvalho (2005), os sujeitos puderam construir sucata hospitalar através de caixas e embalagens de medicamentos, além de materiais de desenho, pintura, colagem, modelagem, etc, utilizados de forma livre e espontânea como um meio de expressão e criação de crianças hospitalizadas na construção de objetos com sucata hospitalar.

3.2 Objetivos do Brincar Para a Criança Hospitalizada

Esta categoria de análise teve como objetivo principal identificar através da revisão bibliográfica os principais objetivos ao se propor o brincar para a criança hospitalizada, procurando dessa forma, investigar as finalidades possíveis do emprego do brincar no contexto hospitalar, como também se existem diferenças entre os objetivos do brincar propostos pela psicologia em relação a outras áreas profissionais da saúde.

Assim, foram verificados diferentes objetivos ao se utilizar o brincar no hospital, principalmente em relação às áreas profissionais, que por serem distintas, tendem a dimensionar o seu olhar para o seu próprio campo de atuação. A exemplo da enfermagem, que utiliza o brincar para facilitar a adesão ou preparar a criança para um determinado procedimento médico, como o artigo de Faleiros, Sadala e Rocha (2002), onde a utilização do brinquedo e da dramatização tem como finalidade facilitar a explicação dos procedimentos e dos objetos presentes no hospital para a criança enferma.

O artigo de enfermagem produzido por Ribeiro, Sabatés e Ribeiro (2001), seguiu esse mesmo viés ao utilizar o brinquedo terapêutico no preparo da criança submetida à coleta de sangue, como forma de adaptá-la ao procedimento, na tentativa de diminuição de seus temores e fantasias, e reconhecimento por parte da mesma sobre a necessidade desse procedimento invasivo e doloroso no seu processo de tratamento.

Melo e Leite (2008), em “O brinquedo terapêutico como facilitador na adesão ao tratamento de diabetes mellitus tipo 1 na infância”, além de utilizar bonecos, jogos e material hospitalar com o objetivo de corrigir concepções errôneas sobre a hospitalização e procedimentos médicos, também procurou através do brinquedo terapêutico facilitar a exteriorização de crenças, sentimentos e emoções da criança acerca do tratamento de diabetes. Isso pode demonstrar que a enfermagem também tem procurado estudar o processo de elaboração que a criança enferma faz da situação da doença e dos mecanismos que ela possui para a exteriorização dos seus sentimentos em relação à hospitalização.

Um relevante dado encontrado demonstra que, diferentemente da enfermagem, a maioria dos artigos da área da psicologia não procura focar necessariamente a adesão ou facilitação do tratamento por parte da criança, mas sim como expressão das emoções, crenças e sentimentos ou como estratégia de enfrentamento da hospitalização para redução dos medos, angústias e temores que a hospitalização pode acarretar.

Souza, Camargo e Bulgacov (2003), no artigo de psicologia “Expressão da emoção por meio do desenho de uma criança hospitalizada”, propõem como finalidade do brincar a expressão das emoções através de desenhos realizados pela criança em sessões de psicoterapia. O uso do desenho teve como finalidade a materialização da expressão emocional da criança como meio de externalizar a sua realidade, permitindo compreender através das imagens que a criança traz, o momento em que vive e o que a doença representa para ela.

No artigo de psicologia de Oliveira e outros (2009), o brincar tem como objetivo a promoção do bem estar físico e emocional, assim como uma estratégia na tentativa de amenizar possíveis desequilíbrios advindos da doença e hospitalização, contribuindo para o desenvolvimento da criança. Isso demonstra que mesmo que a psicologia não procure dimensionar a sua visão à adesão ao tratamento por parte da criança, este pode ser um efeito secundário, pois na medida em que a criança consegue lidar melhor com a sua hospitalização, ao externalizar seus medos, angústias e preocupações, ela pode ter uma melhor participação no tratamento, podendo influenciar na sua posterior recuperação.

Embora encontrada essa distinção entre as áreas profissionais com relação aos objetivos, o artigo de psicologia de Soares e Bomtempo (2004) utilizou recursos de expressão gráfica e material hospitalar com o objetivo de facilitar a adaptação da criança diagnosticada com doença respiratória ao procedimento médico de inalação. Isso demonstra que a psicologia também pode se interessar pelo estudo da facilitação ou adesão por parte da criança a um determinado tratamento.

Da mesma forma, a enfermagem pode voltar o seu olhar à questão da exteriorização das emoções e sentimentos como no artigo “Vivenciando um mundo de procedimentos e preocupações: experiência da criança com Port-a-Cath” cujo principal objetivo na utilização do brinquedo terapêutico foi o de propiciar à criança com câncer portadora do Port-a-Cath alívio da tensão e melhor comunicação, quando ela pode reconhecer a real necessidade dos procedimentos a que é submetida. (RIBEIRO et al, 2009).

Outro artigo de enfermagem que retrata essa questão é o de Kiche e Almeida (2009) onde boneca e materiais hospitalares foram utilizados como estratégia na redução do medo, tensão e dor da criança durante o curativo, demonstrando que quando a criança conhece melhor o procedimento médico que irá submeter-se ela pode elaborar e cooperar positivamente no seu tratamento, pois à medida em que a criança hospitalizada reconhece a necessidade do tratamento e dos procedimentos médicos que constantemente se submete, ela passa a elaborar melhor a sua condição de doente e a seriedade e importância que determinado procedimento possui para a sua posterior recuperação.

A pesquisa bibliográfica demonstrou também que alguns artigos utilizaram o brincar com o objetivo de contribuir para “um decurso satisfatório do desenvolvimento infantil” (OLIVEIRA, DIAS e ROAZZI, 2003), atuando como uma possibilidade para que a criança possa apreender novos conteúdos e construir significados importantes sobre si e suas emoções dentro e fora do hospital. Nesse sentido, Mitre e Gomes (2004) empregaram o brincar como um meio de propiciar o desenvolvimento da criança, assim como Oliveira e outros (2009), que objetivavam a continuidade do desenvolvimento desta, mesmo se encontrando na condição de hospitalização.

Percebeu-se que os objetivos do brincar no hospital podem ser variados e dependentes da finalidade da utilização de determinada atividade lúdica em prol do tratamento da criança hospitalizada.  Quando se trata do emprego do brincar, apesar de algumas áreas da saúde como a enfermagem costumarem utilizar objetivos específicos, como facilitar a adaptação da criança a um determinado procedimento médico, ou no caso da psicologia que procura investigar a exteriorização das emoções e sentimentos decorrentes da hospitalização infantil, ambas as áreas podem ter os mesmos objetivos, não existindo uma finalidade exclusiva e específica de áreas profissionais da saúde, mas sim uma tendência que tem a ver com a especificidade de cada área de atuação.

3.3 Efeitos do Brincar na Subjetividade da Criança Hospitalizada

A categoria de análise efeitos do brincar na subjetividade da criança hospitalizada procurou identificar os efeitos percebidos durante as atividades lúdicas que influenciaram no tratamento da criança, assim como listar as principais consequências encontradas nos artigos de psicologia em comparação com as demais áreas da saúde, identificando se existem ou não diferenças específicas relacionadas aos campos profissionais.

Dessa forma, foi verificado que os efeitos do brincar para a criança hospitalizada podem ser inúmeros, variando de acordo com os objetivos da sua utilização e área profissional, porém notou-se que tanto psicologia quanto enfermagem ao utilizar o recurso lúdico podem obter efeitos semelhantes, demonstrando que a preocupação maior centra-se em visar uma melhor qualidade de vida e desenvolvimento integral para a criança enferma.

No artigo de psicologia de Pedrosa e outros (2007), foi percebido que o emprego do brincar na contribuição da humanização e do enriquecimento do ambiente hospitalar teve como consequência a estimulação da comunicação e independência através da escolha de determinado brinquedo, além de criar uma possibilidade para que a criança possa liberar sentimentos de raiva e hostilidade provocados pela hospitalização, assim como procedimentos invasivos e dolorosos que a criança muitas vezes é obrigada a se submeter.

Outro efeito encontrado no artigo em questão foi o da ampliação dos conhecimentos que a criança tem sobre o próprio corpo, contribuindo para o entendimento da sua doença e dos procedimentos terapêuticos por que passa. (PEDROSA et al, 2007). Este efeito também pode ser observado no artigo de enfermagem das autoras Faleiros, Sadala e Rocha (2002), onde através da utilização do brinquedo e da dramatização para facilitar a explicação dos procedimentos e dos objetos hospitalares, verificou-se que através da brincadeira a criança pode compreender melhor a sua situação e captar de maneira mais fácil as mensagens que lhe eram enviadas diminuindo o estresse e proporcionando uma melhor compreensão da sua condição.

Ribeiro, Sabatés e Ribeiro (2001) também abordaram essa questão ao utilizar o brinquedo terapêutico no preparo da criança submetida à coleta de sangue e, como resultado, foi comprovado que ao brincar a criança elaborava suas fantasias e colaborava mais durante o procedimento. Além disso, a atividade lúdica pode favorecer a compreensão e controle por parte da criança da situação vivenciada.

Este fato demonstra a preocupação tanto por parte da psicologia como da enfermagem em utilizar o recurso terapêutico com o fim de possibilitar um melhor entendimento da criança e consequentemente melhor adaptação à rotina e procedimentos terapêuticos na sua estadia no hospital.

Em “O lúdico e suas implicações nas estratégias de regulação das emoções em crianças hospitalizadas” foi percebido, através do uso de fantoches e histórias semi estruturadas, que o brincar possibilitou à criança a elaboração dos diversos conteúdos e significados que emergem no contexto hospitalar, construindo significados em relação a si mesmo como também referente a suas emoções, tanto dentro como fora do hospital. (OLIVEIRA, DIAS e ROAZZI, 2003).

Melo e Leite (2008) evidenciaram como efeito em seu artigo sobre brinquedo terapêutico como facilitador na adesão ao tratamento da diabetes mellitus tipo 1, a oportunidade da criança entender melhor acerca da sua hospitalização através do brincar, bem como dos procedimentos médicos, agindo como uma ferramenta para que o paciente ao perceber sua realidade, torne-se um agente ativo na elaboração de sua doença, já que ao entender sua condição ele consegue colaborar em beneficio do seu tratamento.

Essa questão evidencia que o brincar age como uma importante ferramenta no entendimento da criança sobre a sua hospitalização, demonstrando que quando a criança compreende sua doença e procedimentos terapêuticos, ela pode conseguir elaborar melhor a sua condição e contribuir de maneira positiva em seu tratamento, já que ela passa a executar um papel ativo durante a hospitalização.

A revisão de literatura também demonstrou que a atividade lúdica tem o efeito de tornar a criança mais independente, como no artigo de Carvalho e Begnis (2006), onde através da escolha de jogos, revistas, filmes e bonecas, por exemplo, a criança demonstrou ter uma postura pró-ativa e uma maior autonomia, pois além de escolher por conta própria os tipos de brincadeiras que queria ela também podia inserir-se em um grupo possibilitando o contato com outras crianças em condição parecida com a sua.

O efeito relacionado à autonomia e iniciativa da criança também foi verificado em “A arteterapia no contexto da hospitalização pediátrica. O desenvolvimento da construção com sucata hospitalar”, demonstrando que a utilização de materiais de desenho, pintura e colagem permitiu ampliação da imaginação da criança, além de autonomia na escolha dos materiais para confecção da sucata hospitalar, proporcionando uma atuação ativa em relação à sua produção e a si mesma.

No artigo “A brinquedoteca como possibilidade para desvelar o cotidiano da criança com câncer em tratamento ambulatorial”, as autoras verificaram que enquanto a criança brincava ela passava a enxergar novas perspectivas, sentindo-se acolhida diante da doença e colocando-a como colaboradora ativa do seu próprio tratamento, da mesma forma, foi evidenciado que o brincar também pode possibilitar enfrentamento da realidade do hospital. (MELO e VALLE, 2010)

Outro dado verificado através dos artigos em relação aos efeitos do brincar na subjetividade da criança hospitalizada refere-se à oportunidade que o brincar possibilita à criança enferma ao expressar os sentimentos e emoções vivenciados durante o processo de hospitalização.

Moraes, Buffa e Motti (2009), ao procurar identificar os benefícios das atividades expressivas e recreativas nos períodos pré e pós operatório de crianças com fissuras labiopalatinas, verificaram que as atividades lúdicas possibilitaram à criança a oportunidade de brincar livremente, amenizando as consequências da hospitalização já que divertem, alegram e acalmam o pequeno enfermo, gerando como efeito momentos de felicidade e calmaria que, como consequência, acabam desviando a atenção da situação hospitalar, ao mesmo tempo em que tem o caráter de desenvolver a socialização, acelerando o processo de recuperação e amenizando o sofrimento.

No artigo de Valladares e Carvalho (2005),    a arteterapia foi utilizada com o objetivo de aliviar fatores negativos da hospitalização. Assim, percebeu-se que o brincar atua como um meio que possibilita à criança interpretar e expressar suas emoções, além de favorecer a exteriorização da subjetividade, na medida em que propicia “tranquilidade, respeito, obediência, comunicação, solicitude, relaxamento, independência e controle” (VALLADARES e CARVALHO, 2005). A arteterapia, nesse sentido, atuou proporcionando tranquilidade e calma, estimulando a criança através de atividades divertidas e proporcionando descontração e alívio ao estresse proveniente da hospitalização.

 Ainda em relação aos efeitos do brincar na subjetividade da criança hospitalizada, o levantamento bibliográfico demonstrou através dos estudos de Motta e Enumo (2004 a.), Motta e Enumo (2004 b.) e Moraes e Enumo (2008) que o brincar pode atuar como estratégia facilitadora no que diz respeito ao enfrentamento da criança diante a hospitalização.

No Instrumento de Avaliação das Estratégias de Enfrentamento da Hospitalização (AEH) Mota e Enumo (2004 a.), utilizaram o conjunto de pranchas A: enfrentamento da hospitalização, que correspondia à maneira que a criança enfrenta o seu processo de hospitalização, caracterizada por 21 cenas em preto e branco que buscavam demonstrar os determinados tipos de enfrentamento: brincar; chorar; brigar; assistir TV; esconder; ficar triste; cantar e dançar; rezar; desanimar; estudar; fazer chantagem; pensar em fugir; conversar; ouvir música; sentir culpa; sentir medo; ler gibi; tomar o remédio; pensar em milagre; dormir e buscar informações.

Já o conjunto de pranchas B : brincar no hospital, procurava investigar por meio de 20 cenas em preto e branco “a importância atribuída ao brincar pela criança no seu processo de enfrentamento da hospitalização” (MOTA e ENUMO, 2004 b.). As pranchas representavam as seguintes brincadeiras: bola; tocar, fantoches; palhaço; desenhar; médico; montagem; modelagem; recorte/colagem; quebra-cabeça; baralho; minigame; dominó; bingo; dama; assistir TV; ler gibi; ouvir histórias; vários brinquedos; cantar e dançar.

O resultado desse estudo demonstrou que a utilização de pranchas desenhadas representando brincadeiras possuiu um padrão de respostas de enfrentamento mais facilitador (brincar, conversar, tomar remédio e rezar) do que não-facilitador (esconder-se, brigar, sentir culpa, fazer chantagem), mostrando que o brincar pode ser um importante recurso para a adaptação da criança no hospital. (MOTA e ENUMO, 2004 b.)           

Moraes e Enumo (2008), em seu estudo com o Instrumento de Avaliação Informatizada do Enfrentamento da Hospitalização (AEHcomp), também procuraram utilizar de pranchas contendo cenas facilitadoras e não facilitadoras para entender melhor a respeito das estratégias de enfrentamento utilizadas pelas crianças dentro do hospital. As autoras verificaram que na aplicação do instrumento informatizado AEHcomp ocorreram como efeito mais respostas facilitadoras a hospitalização do que respostas não facilitadoras. Assim, as estratégias mais frequentes utilizadas na hospitalização foram ruminação e distração e as menos frequentes: afastamento social e negação. (MOTA e ENUMO, 2008).

Também foi possível verificar nesse instrumento os comportamentos mais utilizados pelas crianças referentes ao enfrentamento de situações geradoras de estresse dentro do hospital. Sendo elas: o apoio social, planejamento de soluções para os problemas e distração, indicando a necessidade que a criança possui em buscar uma melhoria para suportar os infortúnios decorrentes da hospitalização. (MOTA e ENUMO, 2008).

Com isso, percebeu-se que tanto os estudos com o instrumento AEH quanto com o AEHcomp, além de demonstrar novas possibilidades de recursos para o entendimento dos efeitos do brincar para a criança hospitalada, puderam corroborar para  o conhecimento das respostas facilitadoras exibidas pelas crianças hospitalizadas, como também daquelas não facilitadoras. Atuando como uma ferramenta em benefício de uma melhor qualidade de vida, já que também possibilita uma compreensão do que pode trazer sofrimento para a criança durante sua hospitalização.

O levantamento bibliográfico demonstrou também novas possibilidades de atuação em relação ao brincar encontradas em alguns estudos, como no artigo “O brincar na hospitalização de crianças com paralisia cerebral” (SOUZA e MITRE, 2009), onde as autoras investigaram a função do brincar como linguagem própria da infância, na hospitalização de crianças com paralisia cerebral.

Nesse estudo foi verificado que o brincar pode adquirir funções referentes à facilitação de desejos e necessidades; auxílio no processo de elaboração de situações desprazerosas; resgate de atividades envolvendo o cotidiano da família; favorecimento do processo de construção de vínculo entre criança, acompanhante e equipe médica; possibilidade de experimentar sentimentos positivos e postura mais ativa e relaxada da criança; assinalar habilidades desconhecidas na criança e construção de novas habilidades; facilitar a comunicação; motivar acompanhante e equipe de saúde a continuar investindo na criança, além de promover a percepção de novas possibilidades de atuação e mediação do processo de re-ssignificação da paralisia cerebral, saúde e brincar na infância. (SOUZA e MITRE, 2009).

Esses efeitos foram obtidos através da valorização de vocalizações, gestos e movimentos espontâneos que a criança realizava a partir da relação lúdica, tornando possível compreender a expressão subjetiva da criança, à medida que a atenção do pesquisador não se limitava ao desempenho de habilidades motoras tido como adequadas, mas sim a valorização das expressões que a criança realizava, mesmo se tratando de crianças com paralisia cerebral que permaneciam mais restritas ao leito. (SOUZA e MITRE, 2009).

Jesus e outros (2009) também realizaram um estudo de caráter inovador ao implantar uma Quimioteca a fim de oferecer atividades lúdicas durante a administração de quimioterápicos, como uma ferramenta para colaborar no bem estar das crianças hospitalizadas em tratamento. Como efeito, verificaram que o brincar atua possuindo o caráter de distração já que a criança esquece, mesmo que temporariamente, o hospital e o tratamento; influenciando no humor (acalmando, tranquilizando, divertindo e parando de chorar); diminuindo o estresse; amenizando o sofrimento; ocupando a criança, fazendo com que o tempo passe mais rápido; incentivando a criança quanto ao tratamento, já que ela gosta de ir à Quimioteca; aceitando o tratamento e diminuindo o medo. (JESUS et. al, 2009).

O ambiente da Quimioteca colorido e repleto de brinquedos atuou como influência positiva para uma melhor qualidade do tratamento quimioterápico proporcionando principalmente o bem-estar da criança apesar do desconforto que o tratamento acarreta. Dessa forma, foi possível verificar o esquecimento da hospitalização e até mesmo da dor diante o tratamento em meio à Quimioteca, além de um incentivo para colaborar no tratamento da criança. (JESUS et. al, 2009).

Em relação ao brincar como forma da criança emergir como sujeito da sua história, Goulart e Sperb (2003) no artigo de psicologia “Histórias de criança: As narrativas de crianças asmáticas no brincar”, verificou ao auxiliar a criança no processo de construção por meio de narrativas permeadas por significados da doença e informações que recebe acerca da hospitalização que, o brincar possibilita a simbolização e organização da experiência da criança por meio de narrativas contribuindo para a elaboração de conteúdos presentes no processo de hospitalização contando algo sobre sua história e permitindo que o profissional atuante nesse contexto possa conhecer a maneira que o seu paciente significa as situações e momentos que vivencia no hospital.

Diante disso percebeu-se que em relação aos efeitos do brincar na subjetividade da criança hospitalizada, não existiram resultados específicos esperados em relação à determinada área de atuação profissional da saúde ao empregar atividades lúdicas no tratamento da criança enferma. O que pode existir são objetivos e recursos empregados em relação ao brincar que embora sejam utilizados de forma mais corriqueira por um determinado campo de atuação que o outro, podem resultar em efeitos semelhantes.

Os efeitos do brincar encontrados na revisão de literatura demonstram que tanto psicologia quanto enfermagem buscam utilizar o brinquedo no hospital como possibilidade da criança vir a expressar melhor suas emoções e sentimentos, estimular a comunicação, independência, socialização, compreender melhor a respeito do seu tratamento e enfermidade, além de possibilitar a elaboração dos conteúdos e significados que podem emergir no contexto hospitalar. Esse estudo demonstrou que independe da área profissional da saúde que emprega o brincar, o que está em foco é a humanização hospitalar, visando entender o brincar como uma possibilidade de melhorar a qualidade de vida e garantir o desenvolvimento integral a que toda criança tem direito.

4. Considerações Finais

O estudo mostrou que o brincar dentro de um hospital torna-se um elemento importante no que diz respeito ao desenvolvimento, saúde e bem estar da criança enferma. Verificou-se que as atividades lúdicas podem contribuir atuando como uma ferramenta facilitadora no processo de tratamento da criança, além de auxiliar no resgate de algo tão natural e necessário na infância.

Um dado marcante encontrado na revisão de literatura foi o fato das pesquisas apontarem que, ao brincar, a criança melhora sua comunicação, socialização, expressão de sentimentos e emoções além da compreensão dos procedimentos médicos, de sua doença e da hospitalização. Assim, todos os estudos apontaram que o brincar influencia positivamente no comportamento da criança e entendimento da mesma sobre a sua situação.

Ficou evidente nos estudos encontrados que o uso do brinquedo terapêutico auxilia não apenas o psicólogo como também profissionais de outras áreas da saúde, como a enfermagem, cujo objetivo, independente do campo de atuação profissional, é o de favorecer a melhora, desenvolvimento e qualidade de vida da criança hospitalizada, atuando como mais uma ferramenta terapêutica no seu processo de recuperação.

Também foi percebido que mesmo se tratando de crianças com alguma limitação física ou motora, o brincar não possui um uso restrito, já que ele pode ser utilizado no próprio leito respeitando a condição da criança e seu estado de saúde. Dessa forma não há impedimentos em utilizar o brincar, mas sim respeito às limitações que a criança apresenta no momento.

Em relação à Brinquedoteca hospitalar que é assegurada por lei e deve estar presente em todos os hospitais que atendam crianças, percebe-se que sua utilização é de fundamental relevância. Porém o estudo demonstrou que, não necessariamente é a presença física da Brinquedoteca que assegura o brincar, já que a criança através de sua capacidade imaginativa pode se relacionar com qualquer objeto e fazer dele o seu brinquedo.

Esse estudo também verificou que independente do modo como a criança e profissionais da saúde empregam o brincar no que se refere à distração ou como uma ferramenta de uso terapêutico, o que importa é o sentido que a criança extrai enquanto brinca e a elaboração que faz dos conteúdos emergentes através da brincadeira.

No que se refere a áreas profissionais que utilizam o brincar dentro do hospital, a pesquisa demonstrou que embora cada uma procure focalizar seu olhar ao seu próprio campo de atuação, não existem restrições em relação aos instrumentos e objetivos de utilização do brincar específicos em cada campo profissional. Embora haja uma tendência em utilizar determinado recurso por parte de cada área, não existe algo exclusivo apenas da psicologia ou da enfermagem. Demonstrando que o que importa é o efeito positivo encontrado após a brincadeira.

Assim, ficou evidente o papel que o brincar possui no desenvolvimento da criança e sua reabilitação. A pesquisa demonstrou uma tendência maior das áreas profissionais da saúde que empregam o brincar no hospital a utilizarem as atividades lúdicas para fins terapêuticos, como mais um recurso disponível para diminuir a tensão, estresse e sofrimento decorrente da hospitalização. Dessa forma, o profissional da saúde precisa ter uma postura ética e entendimento claro das melhorias que o brincar possibilita a recuperação, bem estar e saúde da criança hospitalizada.

Sobre o Autor:

Renata da Silva Oliveira - Concluinte do Curso de Psicologia da Universidade Salvador

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