As Principais Limitações Biopsicossociais Decorrentes da Insuficiência Renal Crônica

As Principais Limitações Biopsicossociais Decorrentes da Insuficiência Renal Crônica
(Tempo de leitura: 18 - 35 minutos)

Título completo: As Principais Limitações Biopsicossociais Decorrentes da Insuficiência Renal Crônica, Relatadas por Mulheres na Fase Jovem Adulto, Entre 20 a 40 Anos, que Estão em Tratamento de Hemodiálise no Hospital Philadelfia de Teófilo Otoni - MG

Resumo: Este artigo foi baseado em um Trabalho de Conclusão de Curso, inserido na área da Psicologia Hospitalar e resultado de uma pesquisa, que objetivou verificar as principais limitações biopsicossociais decorrentes da Insuficiência Renal Crônica relatadas por mulheres na fase jovem adulto (20 a 40 anos), que estão submetidas ao tratamento de hemodiálise no Hospital Philadelfia da cidade de Teófilo Otoni – MG. A partir dos temas “Insuficiência Renal Crônica”, “Hemodiálise”, “Fase jovem adulto”, “Limitações biopsicossociais de pacientes com Insuficiência Renal Crônica” e “Atuação do psicólogo na hemodiálise”, fez-se um levantamento teórico para a compreensão do fenômeno estudado. A pesquisa teve caráter descritivo, de abordagem qualitativa e utilizou como instrumento a entrevista semi estruturada. Os dados obtidos foram analisados e demonstraram que a Insuficiência Renal Crônica ocasiona diversas limitações tais como na disposição física, no trabalho, no lazer e consequentemente alterações emocionais que interferem na fase jovem adulto destas mulheres. Este trabalho tratou-se de um esforço para contribuir na atuação do psicólogo frente às questões relatadas pelas pacientes.

Palavras-chave: Insuficiência Renal Crônica, Hemodiálise, limitações biopsicossociais.

1. Introdução

A Psicologia Hospitalar, segundo ALAMY (2007), se caracteriza como um conjunto de ações psicoterapêuticas com intuito de eliminar, minimizar ou prevenir riscos à saúde mental e de intervir na maneira do paciente conceber e vivenciar os problemas ocasionados pela patologia orgânica, pela hospitalização, pelos tratamentos e pela reabilitação, proporcionando ao paciente uma assistência mais humanizada. Dentre as áreas de atuação do psicólogo no ambiente hospitalar, está o Serviço de Terapia Renal Substitutiva (STRS), onde consta a modalidade de tratamento hemodialítico.

Este artigo foi baseado em um Trabalho de Conclusão de Curso, e os dados levantados foram embasados nas experiências de mulheres na fase jovem adulto, entre 20 a 40 anos, com Insuficiência Renal Crônica (IRC) e que estão em tratamento de hemodiálise. Teve como objetivos identificar as principais limitações biopsicossociais decorrentes desta doença, verificar as limitações que causam maior impacto na qualidade de vida das mulheres entrevistadas e ressaltar a importância do psicólogo no contexto hospitalar, especificamente no tratamento da Insuficiência Renal Crônica.

Quanto às questões metodológicas, a princípio foi feito uma solicitação de autorização à administração geral e diretoria técnica da Unidade Renal do Hospital onde o estudo foi desenvolvido (Anexo A). Logo após, foi realizada uma pesquisa de campo descritiva e de abordagem qualitativa, através de entrevistas individuais, semi-estruturadas, gravadas com a participação de cinco pacientes do sexo feminino que estão vivenciando a fase jovem adulto.  As pacientes escolhidas deveriam satisfazer os seguintes critérios de inclusão: Ter insuficiência renal crônica terminal; Ser paciente do sexo feminino na fase jovem adulto, com idade entre 20 a 40 anos; Ser cadastrada no STRS do Hospital Philadelfia de Teófilo Otoni - MG; Estar submetida ao tratamento específico de Hemodiálise (HD); Apresentar maior tempo de IRC e HD; Apresentar boas condições clínicas e cognitivas para a compreensão do material apresentado; Consentir em participar do estudo e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo B); A participação dos sujeitos na pesquisa ocorreu de forma voluntária e todas as informações e esclarecimentos a respeito da pesquisa foram prestados aos participantes pelas investigadoras. Devidamente esclarecidos, os sujeitos receberam, leram, e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

De acordo com a análise dos dados da pesquisa foram identificadas alterações na vida das pacientes, tais como a diminuição na disposição física, maior incidência de sentimentos como tristeza e insegurança e dificuldades relacionadas aos aspectos sociais, como trabalho e lazer. É possível perceber que a fase jovem adulto é impactada por tais limitações, por ser considerada a fase mais ligada às realizações do ser humano.  Desta forma, percebe-se uma relação direta da doença com as questões biológicas, psicológicas e sociais que afetam a qualidade de vida das pacientes entrevistadas.

2. Referencial Teórico

A Insuficiência Renal Crônica ou doença renal terminal, caracteriza-se pela perda irreversível da função renal, em que os rins não conseguem mais manter a normalidade, ou seja, deixam de fazer a filtração das impurezas do organismo, podendo levar a morte.

Segundo GOLDMAN e AUSIELLO (2005) a Insuficiência renal crônica é um processo progressivo de deterioração da função renal ao longo de anos (declínio da taxa de filtração glomerular) associado à perda da capacidade de manter níveis normais de produtos do metabolismo das proteínas (GOLDMAN e AUSIELLO 2005, p. 818).

Conforme LAZZARETI (2004) a insuficiência renal crônica afeta todas as funções e órgãos do corpo humano. Desse modo, “não se pode entender a doença como mera retenção de substâncias, como uréia, por exemplo, e de líquidos, mas como uma situação que prejudica a função de múltiplos órgãos, o que contribui para a sua gravidade” (CARVALHO 1992, p.3 apud LAZZARETI).

Existem tratamentos que aliviam os sintomas da doença e preservam a vida do paciente. LIMA apud TERRA (2007), ressalta que dentre as modalidades terapêuticas, a HD é a mais utilizada e é considerado um procedimento complexo, no qual a adequação de materiais e equipamentos, o preparo e a competência técnico-científicos dos profissionais que dele participam são muito importantes para se evitar riscos e garantir melhores resultados na manutenção da vida do cliente e do seu relativo bem - estar. MELLETI (2003, p. 150) complementa dizendo que:

[...] este é um tratamento de alto custo financeiro, encontrado em centros especializados em HD, disponibilizados em hospitais-escolas, ou em instituições vinculadas à Previdência Social, sendo raras as instituições privadas que prestam essa assistência.

A partir de observações na prática, é possível perceber várias limitações biopsicossociais enfrentadas pelos pacientes em HD, inclusive na fase jovem adulto; bem como as dificuldades vivenciadas, tais como: um cotidiano restrito, monótono e limitação das atividades após o início do tratamento; necessitam dos cuidados da família, da equipe hospitalar, da máquina de HD, o que muitas vezes os fazem ter uma vida sedentária, além de vivenciarem várias perdas, limitações na vida social, alterações de humor, entre outros. Entre estas perdas podem ser destacadas também outras dificuldades como: lazer, realizar viagens prolongadas, dar continuidade ao trabalho e aos estudos, manter uma vida sexual ativa, restrições quanto à gravidez, atividades físicas, alimentação e ingestão de líquidos.

PAPÁLIA; OLDS e FELDMAN (2006) enfatizam que os jovens adultos, geralmente, estão no auge de sua força, energia e resistência e que na fase entre os 20 e os 40 anos, é construída a base para grande parte do seu posterior desenvolvimento.

Esse é o período em que as pessoas costumam sair da casa dos pais, iniciar sua vida profissional, casar-se ou formar outros relacionamentos íntimos, ter e criar filhos e começar a contribuir significativamente para suas comunidades. Elas tomam decisões que afetarão o resto de suas vidas, sua saúde, sua felicidade e seu sucesso. PAPÁLIA; OLDS e FELDMAN (2006, p.512).

No processo de tratamento hemodialítico, é importante, ressaltar a importância da atuação do Psicólogo, visando proporcionar um tratamento humanizado ao levar em consideração os aspectos biopsicossociais do ser humano. Segundo OLIVEIRA (2010), dentro do Serviço de Terapia Renal Substitutiva, as atribuições do psicólogo envolve a elaboração de recursos cognitivos e emocionais, o equilíbrio psicológico entre pacientes e familiares e desenvolvimento da humanização, além de estabilizar a autoestima e trabalhar nesse paciente e seus familiares a aceitação frente às limitações impostas pela doença e seu tratamento.

3. Pesquisa de Campo

Participaram da pesquisa cinco pacientes do sexo feminino na fase jovem adulto que estão em tratamento de hemodiálise no Hospital Philadelfia de Teófilo Otoni – MG. Para uma melhor compreensão e organização deste conteúdo e da sua discussão, foram inseridos alguns comentários das participantes que auxiliaram na demonstração dos temas referidos.

Tabela 1: Informações Pessoais e Sociais

Informações Pessoais e sociais

Paciente 1

Paciente 2

Paciente 3

Paciente 4

Paciente 5

Idade

27

30

31

32

39

Estado Civil

União estável

Solteira

Solteira

Casada

Casada

Numero de Filhos

0

0

1

2

2

Escolaridade

2° Grau Completo

2° Grau Completo

2° Grau Incompleto

Superior Completo

2° Grau Completo

Ocupação

Do lar

Do  lar

Do lar

Do lar

Do lar

Componentes Familiares

2

3

7

4

4

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa

A tabela 1 apresenta aspectos pessoais e sociais das entrevistadas e comprova que todas estão vivenciando a fase jovem adulto, pois corresponde a faixa etária entre 27 e 39 anos de idade. De acordo PAPALIA; OLDS e FELDMAN (2006) os jovens adultos se caracterizam entre a faixa etária de 20 a 40 anos de idade.

Em relação a escolaridade, identifica-se que quanto ao Ensino Médio, 80% das participantes concluíram e apenas uma, o que caracteriza 20%, não concluiu, sendo que destes 80%, apenas uma chegou a cursar e concluir o Ensino Superior.

Atualmente, nenhuma delas exerce uma atividade profissional. Verifica-se que 40% das entrevistadas são casadas, 20% tem união estável e 40% são solteiras. Dentre estas, 60% tiveram filhos antes da IRC.

Feita a apresentação das entrevistadas, segue as seguintes análises e discussões a respeito das informações sobre a doença e aspectos biopsicossociais.

Os dados do Gráfico 1 foram extraídos da pergunta nº. 7 da entrevista em anexo. (Anexo C)..

Gráfico 1: Reações perante o diagnóstico

Gráfico 1: Reações perante o diagnóstico

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa

Os dados do gráfico 1 indicam que 60% das participantes sentiram-se impactadas negativamente com o diagnóstico. Dentre as justificativas apresentadas sobre este impacto, está o fato de algumas já conhecerem a IRC devido casos na família ou por terem ouvido falar sobre a doença, o que se confirma a partir das seguintes declarações:

 “Eu assustei né, eu não pensava que um dia ia precisar de uma máquina. Eu não conhecia, mas ouvia os outros falarem que hemodiálise é muito perigoso, então dá um aperto né”. (Paciente 3)

 “Eu ainda não tinha recebido e já estava traumatizada porque já tive problemas na família. Já perdi uma mãe e um irmão e após um tratamento eu já perdi um primo no carro de viagem... Não aceitava de jeito nenhum”. (Paciente 4)

 “Foi um baque para mim... porque eu tinha uma cunhada que já fazia e eu já sabia mais ou menos como que era”. (Paciente 5)

A partir dos relatos, pode-se considerar que o diagnóstico de IRC geralmente causa uma reação negativa nos pacientes. Neste mesmo sentido, PEREIRA e GUEDES (2009, p. 691) ressaltam que “A experiência de receber o diagnóstico de doença renal crônica revela-se, em muitos casos, como um dos momentos mais difíceis para o paciente.” Sobre o diagnóstico de IRC, MARTINS (2002, p.21) afirma que ocasiona uma primeira agressão ao indivíduo, ao atingir o seu “eu” mais intimo, sua autoestima e seu auto-conceito, podendo acarretar várias emoções tais como medo, angústia e insegurança. “Sofre a ameaça de duas palavras fatais: "insuficiência" e "crônica". Está-se a dizer a essa pessoa que é um doente e que o será para toda a vida”.

De acordo com os outros relatos, 40% das participantes relatam que aceitaram o diagnóstico neste primeiro momento por não conhecerem a doença, mas que, ao se informarem sobre ela e suas restrições, sentiram-se impactadas, conforme as seguintes declarações:

“No começo eu não reagi não, eu pensava que iria tomar uma vacina e iria embora para casa... A única coisa que eu senti bastante foi quando disseram que eu não poderia jogar futebol... eu amava esporte... isso me abalou muito” (Paciente 1)

 “Quando eu comecei, eu não sabia o que era hemodiálise, talvez se eu soubesse eu chorava bastante... não sabia que era um tratamento que só saia depois de um transplante, ou nem saia né.. o choque não foi tão grande por que eu não entendia do tratamento... aí sim, como tempo que eu fui saber o que é o tratamento, fui ver que a coisa era mais séria né.. minha vida acabou.. minha vida parou... a pessoa fica bem para baixo, desanimada” (Paciente 2)

Ao analisar todas as respostas é possível observar que as diferenças entre as reações de impacto frente o diagnóstico estão relacionadas aos níveis de conhecimento e experiências vivenciadas por estas pacientes com a IRC e HD ao longo de suas vidas. MALDANER et al. (2008, p.648) afirma que “A vivência de cada indivíduo interfere na maneira de visualizar sua patologia em seu contexto de vida, e desta forma também em como ele adere ao tratamento”.

No que se refere aos hábitos de vida antes da IRC, as pacientes fizeram os seguintes relatos:

 “Minha vida era assim, eu levantava às 7hs da manhã e ia pro trabalho... do trabalho mesmo eu arrumava e ia jogar uma bolinha, ir pro esporte, do esporte eu voltava, tomava um banho e ia estudar a noite... bebia uma cervejinha lá de vez em quando...ia para as festas nas cidades vizinhas, quando tinha JIME ia jogar fora”. (Paciente 1)

 “Era normal. Eu saia, passeava, trabalhava, quando podia viajava. Era uma vidinha boa!”. (Paciente 2)

 “Era normal a vida né, hoje ela é normal, mas não tanto quanto antigamente... Ia aonde queria, trabalhava fora, estudava...”. (Paciente 3)

 “Só trabalho que modificou”. (Paciente 4)

 “Era dona de casa mesmo. Eu tinha mais ânimo antes, pra sair, pra ir na rua, festa, agora hoje em dia eu não tenho mais este ânimo”. (Paciente 5)

Ao analisar os relatos de hábitos de vida anteriores a IRC, é possível observar que a maioria retrata uma vida ativa, pois trabalhavam, estudavam e saíam para festas e viagens entre outros lazeres. Ao iniciar o tratamento hemodialítico, várias restrições são impostas aos pacientes, o que acaba por modificar os hábitos de vida. “As mudanças nos hábitos de vida e a necessidade de deixar de fazer o que proporciona prazer pela vida são ressaltadas pelos pacientes como dificuldades decorrentes da doença” (PEREIRA e GUEDES 2007, p.691).

Em relação a influência da IRC na rotina, as participantes disseram:

“Tranquilo, por que lá em casa nós dois que temos problema renal, no dia em que amanheço bem ruim mesmo, ele já sabe e aí ele toma conta de tudo, da casa, do almoço. Ás vezes nem sinto que tenho problema renal, porque minha vida é normal... claro, a gente tem um lado de que não é todo o dia que a gente ta boa”. (Paciente 1)

 “Atrapalha sim... Tira metade de seu tempo... influencia em tudo o que você quer fazer, você quer viajar, tem que ter os dias... você quer ir numa festa hoje, mas amanhã você tem que viajar, tem que vim para aqui, ou então você quer comer tal coisa, também tem que comer bonitinho... Não tem como não influenciar”. (Paciente 2)

 “Eu gostava de poder trabalhar, saia cedo e chegava tarde. Tenho vontade de terminar os estudos não estou podendo terminar por causa do horário”. (Paciente 3)

 “Praticamente mudou bastante... a questão do trabalho, porque imediatamente eu já perdi o trabalho... estaria estudando a noite... na vida profissional e psicológica também, porque já tive trauma familiar”. (Paciente 4)

 “Só em serviço de casa, hoje em dia mesmo eu não consigo mais fazer, eu sinto tonteira né, então para abaixar, pra varrer, pra passar um pano, lavar roupa já é mais difícil para mim”. (Paciente 5)

A partir dos relatos, pode-se afirmar que estas pacientes se deparam com dificuldades em vivenciar e exercer atividades anteriormente comuns no dia a dia, tais como arrumar a casa, devido à indisposição física, dificuldade para estudar, trabalhar e no lazer, como realizar viagens de longa duração, restringindo a liberdade de ir e vir devido à rotina obrigatória do tratamento que exige muito tempo do paciente no ambiente hospitalar. Também há interferência no âmbito psicológico, como a falta de ânimo para realizar atividades corriqueiras.

Estas questões exemplificam, de modo geral, as limitações biopsicossociais destas pacientes renais crônicas, confirmando que todos os aspectos do seres humanos estão interrelacionados, como as limitações físicas que influenciam no social e no psicológico.Sobre este mesmo prisma, CAMPOS e TURATO (2010, p. 800) afirmam que a IRC pode “apresentar diversas complicações de ordem fisiológica, impondo ao indivíduo limitações que extrapolam esse âmbito, afetando também aspectos psicológicos e sociais.”

Tabela 2: Informações das pacientes sobre a IRC e a HD

Doença e Tratamento

Paciente 1

Paciente 2

Paciente 3

Paciente 4

Paciente 5

Tempo de IRC

6 anos

4 anos

4 anos

3 anos

11 anos

Tempo de HD

6 anos

4 anos

4 anos

3 anos

4 anos

Sessões semanais de HD

3

3

3

3

3

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa.

Quanto ao tempo de IRC e HD, 40% informaram que há quatro anos tem IRC e durante este mesmo tempo faz o tratamento de HD. Na maioria dos casos o tratamento hemodialitico se faz necessário no momento em que os sintomas da IRC são identificados (LUGON 2003 apudRIELLA 2003).

Conforme apresentação dos dados fornecidos, 80% das participantes receberam o diagnóstico e iniciaram o tratamento ao mesmo tempo e apenas a paciente 5 iniciou o tratamento após o diagnóstico, justificando que:

 “Antes de entrar na hemodiálise eu já fazia tratamento renal a 6, 7 anos... Eu acho que eu descobri em 2000 que eu tava com problema renal”. (Paciente 5)

Ao identificar a diferença entre o tempo de IRC e o início do tratamento hemodialítico da paciente supracitada, verifica-se esta possibilidade, levando em consideração os vários estágios pelos quais podem passar o indivíduo com IRC. O médico determina o estágio da insuficiência renal com base na presença de afecções renais e na taxa de filtração glomerular (TFG), que é uma medida do nível da função renal. O tratamento se baseia no estágio da insuficiência renal” (SYSTEM 2006, p.1).

PINHEIRO (2009) esclarece que os dois rins filtram em média 180 litros de sangue por dia, mais ou menos 90 a 125 ml por minuto. Esta é a chamada taxa de filtração glomerular ou clearance de creatinina. Segundo este mesmo autor, existe cinco estágios da insuficiência renal crônica que são divididos de acordo com a taxa de filtração, que pode ser estimada através dos valores da creatinina sanguínea.

Estágio 1 – Pacientes com clearance de creatinina maiores que 90 ml/min, que têm doenças como diabetes, hipertensão, rins policísticos, têm sempre algum grau de lesão renal, porém, ainda, são apenas fatores de risco.

Estágio 2 – Fase de início da redução de clearance de creatinina (entre 60 e 89 ml/min). Nesta fase, o rim ainda consegue manter suas funções básicas e ainda não há complicações clínicas.

Estágio 3 – Fase onde as primeiras complicações da doença começam a se desenvolver.  (pacientes com clearance de creatinina entre 30 e 59 ml/min).

Estágio 4 – Pacientes com clearance de creatinina entre 15 e 29 ml/min. Este é o estágio pré-dialítico.

Estágio 5 – Pacientes com clearance de creatinina menor que 15 ml/min. Está é a chamada fase de insuficiência renal terminal (estágio dialítico).

No que diz respeito às sessões de HD, foi identificado que todas as pacientes fazem três sessões por semana. Esta informação coincide com o que relata o autor TERRA (2007), ao afirmar que geralmente são três sessões de hemodiálise que o paciente renal crônico é submetido por semana, com duração aproximada de 4 horas por sessão.

Gráfico 2: Reações mais freqüentes durante e após as sessões  de HD

Gráfico 2: Reações mais freqüentes durante e após as sessões  de HD

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa

O gráfico 2 mostra que dentre as reações presenciadas durante e após as sessões de HD, foram identificadas reações tanto fisiológicas quanto psicológicas. Dentre as reações mais freqüentes, 60% das pacientes relataram a hipotensão e ansiedade, 40% as reações como câimbra, fraqueza e nervosismo e 20% hipertensão, cefaléia, tontura e irritabilidade. O relato a seguir exemplifica algumas destas reações:

“Câimbras, queda de pressão... quando a gente tá em casa, a gente só sente fraqueza, muita fraqueza mesmo... O que mais a gente reclama é dos horários pra gente, o horário, porque a gente sai muito tarde e quando você passa mal, lá pras nove horas que levam a gente pra poder ir embora... pego um livro e vou ler... vou lendo, escuto minha musiquinha, canto e quando penso que não to xingando também... a gente que faz hemodiálise fica muito nervoso... ansiedade pra ir embora...” (Paciente 1)

De acordo CASTRO (2001 apud TERRA, 2007), apesar da evolução das máquinas de hemodiálise no intuito de manter e prolongar a vida do pacientes, 30% das sessões desta modalidade terapêutica pode ocorrer determinadas complicações que ocasionam reações físicas e emocionais.

Reações estas já apresentadas por BERKO e FLETCHER (1995 apud TERRA 2007) que apontam entre as complicações, a hipotensão, sendo umas das mais freqüentes, além de outras como câimbras, náuseas e vômitos, cefaléia, inquietação, espasmos musculares, arritmia cardíaca e hipertensão.

Em relação a reações como a ansiedade e nervosismo HIGA et al. (2007) ressalta que as pacientes submetida as condições estressoras da hemodiálise, ocasiona reações de ansiedade e tensão afetando no entanto a qualidade vida.

Gráfico 3 :  Interferência da IRC na vida social

Gráfico 3:  Interferência da IRC  na vida social

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa

Ao investigar a influência da IRC em aspectos relacionados a vida social destas participantes, pode-se afirmar que a mesma foi muito modificada e todas as participantes sentiram grandes impactos nestas mudanças. Todas afirmaram ter ocorrido alterações no estudo e no lazer e 80% identificaram influência no trabalho devido a IRC.

Em relação ao prosseguimento dos estudos, alguns relatos mostram as dificuldades encontradas devido a IRC:

“Ás vezes a gente quer estudar e não consegue por causa do tempo”. (Paciente 1)

 “Eu já tinha terminado o segundo grau. Eu pensei em continuar os estudos, mas na época eu parei porque minha família não tinha condições de me ajudar no tratamento e o dinheiro que eu tinha eu fui gastando com o tratamento...”. (Paciente 2)

 Neste mesmo sentido, SILVA e SILVA (2011, p.48) afirmam que “dentre as atividades que são dificultadas pela hemodiálise, encontram-se os estudos, de extrema importância, tanto para o seu desenvolvimento social, quanto para o seu aprimoramento psicointelectual”.

No que diz respeito ao lazer, todas as entrevistadas identificaram que a IRC ocasionou modificações, como as exemplificações nos relatos seguintes:

“Interferiu, por exemplo, viajar, a gente tem que ter o dia de sair e o dia de voltar porque não pode passar do dia de fazer HD, pra sair tem que ter muita cautela, por causa que pode pegar muito peso e acabar passar mal... a gente ir em uma festa de aniversário, nunca é igual de quando a gente ta sã”. (Paciente 3)

 “Antes eu podia viajar, ir em uma roça e hoje eu não tenho mais esta liberdade, de certa forma foi tirada... fico mais em casa”. (Paciente 4)

De acordo CUNHA et al. (2009), as limitações fisiológicas decorrentes da IRC podem interferir no lazer e em outros aspectos relacionados ao social, impactando principalmente as pessoas jovens devido a fase produtiva que estão vivenciando e os vários compromissos sociais como estudo e trabalho.

Esta pesquisa identificou que 80% das participantes afirmaram que a IRC interferiu na suas atividades laborais. Alguns relatos demonstram de que forma ocorreu esta interferência, como a Paciente 4 que relatou não ter passado na avaliação médica para “tomar posse” de um emprego resultante de um concurso público, devido a anemia e a fístula em função da IRC e HD:

Isso foi o que mais me abalou. De certa forma eu fiquei muito chateada porque eu estou viva ainda e não consegui nem tomar posse... era um sonho, ainda é até hoje”. (Paciente 4)

 “Ninguém vai ‘pegar’ uma pessoa que faz HD três vezes por semana, porque eles não vai querer liberar os dias de fazer HD, e o dia que não tiver passando bem, como vai trabalhar né?”. (Paciente 3)

Sobre os fatores que podem prejudicar a vida profissional de pacientes renais crônicos submetidos a HD, BRITO e BARROS (2008, p.144) afirmam que:

A vida profissional também é particularmente prejudicada, seja pelo baixo estado motivacional quanto pelas exigências reais do próprio tratamento que dificultam o vínculo empregatício, uma vez que existe a necessidade de se ausentar do trabalho durante várias horas semanais, além de poder desencadear sintomas como mal estar, pressão arterial baixa e fraqueza.

Os dados do Gráfico 4 foram extraídos da pergunta nº 18 da entrevista em anexo.

Gráfico 4: Relações Interpessoais

Gráfico 4: Relações Interpessoais

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa

O gráfico 4 refere-se as relações interpessoais das participantes, identificando que 80% se sentem á vontade para se relacionar com outras pessoas e estão satisfeitas com suas relações pessoais.

Na literatura sobre a IRC, são encontrados vários autores considerando que os pacientes renais crônicos em tratamento de HD podem se sentir afetados nos seus relacionamentos pessoais.  Conforme MACEDO, BATISTA e BRASILEIRO (2010, p. 8) as relações interpessoais são interferidas, pois “... infelizmente ainda existem pessoas com vários preconceitos e com o pensamento que pelo fato dos renais crônicos possuírem limitações se tornam pessoas dignas de incomodo para a sociedade.”

Esta informação não confere com os resultados desta pesquisa, pois a grande maioria relatou estar muito bem com os relacionamentos de seu meio social, como familiares e amigos, conforme relato da paciente 1:

“... ás vezes o pessoal nem sabem que a gente faz hemodiálise, só vai saber quando olham no braço... cada dia que passa a gente faz mais amizades".

Tabela 3: Interferência da IRC na vida sexual e aparência física

Vida sexual e Aparência física

SIM

NÃO

Vida sexual ativa

4

1

Vida sexual ativa

anterior a doença

4

1

Satisfação da aparência física

1

4

 

 

 

Modificação da aparência física durante a IRC

5

0

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa.

Quanto à vida sexual ativa a tabela 3 mostra que 80% das pacientes têm e tinha vida sexual ativa anterior a doença. Em relação à aparência física 100% das pacientes relatam que sofreu modificações durante a IRC, quando se trata da satisfação na aparência física 80% das pacientes diz não estar satisfeita com sua aparência.

Pode-se constatar diante de alguns relatos das entrevistadas que tem vida sexual ativa, que a IRC pode interferir na vida sexual:

“Atrapalha sim, porque não é todo o dia que a gente tá bem, tá cansada ... porque parece que tem dia que te deu uma ‘surra de paulada’, fica lá desanimada ... tem dia que a gente sai da hemodiálise rastejando mesmo... às vezes tem, mas é aquela coisa véia, ‘mixuruca’, não é aquele fogão”. (Paciente 1)

“Eu acho que deu uma diminuída, tanto na força física quanto na vontade”. (Paciente 2)

COUTINHO (2010) assegura que em pacientes em HD, dificuldades sexuais são comuns, podendo ter influencia de diversos fatores, dentre os quais podem-se destacar os psicológicos, farmacológicos, hematológicos,  neurológicos e endócrinos.

Em relação a aparência física, 80% das entrevistadas relataram não estar satisfeitas com estas mudanças ocasionadas pela IRC. O seguinte relato apresenta a resposta de uma destas entrevistadas a este respeito:

“Se eu falar que tô, eu tô mentindo, porque eu quero engordar um pouquinho né. Eu emagreci muito, fiquei muito magrinha, eu tinha um corpo que hoje eu não tenho mais... o que mais me incomoda é o braço... mutilado, né”. (Paciente 2)

MENDES e SHIRATORI (2002 apud TERRA 2007) relatam que vários procedimentos utilizados no processo de hemodiálise, como o cateter que quando situado na subclávia ou jugular são visíveis, e a fístula que, devido as punções repetidas, acarreta aneurismas, caracterizado por vasos dilatado e hematomas que ocorrem devido erro na punção, acarretando  alteração em  sua aparência física e, consequentemente, problemas psicológicos.

Afirmando os relatos das pacientes PEREIRA e GUEDES (2009) ressaltam que as condições do tratamento de hemodialítico podem ocasionar alteração da imagem corporal, diminuição da atividade física e sexual, entre outros fatores que proporcionam o aparecimento de desconfortos psicológicos.

Gráfico 5: Desejo de ter filhos ou mais filhos

Gráfico 5: Desejo  de ter filhos ou mais filhos

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa.

Em relação ao desejo de ter filhos ou mais filhos, foi identificado que 80% das participantes não têm este desejo. É importante ressaltar que 60% das entrevistadas já tinham um ou mais filhos antes da IRC, conforme apresenta a tabela 1.

Dentre as limitações impostas pela IRC encontra-se a não indicação da gravidez entre as pacientes, visto que a gestação pode acarretar riscos tanto ao feto quanto a própria paciente. ROMÃO JÚNIOR (2001, p.50) afirma que:

[...] a gravidez nestas pacientes permanece arriscado tanto para as mães, que têm hipertensão arterial e anemia agravadas, além de problemas hemorrágicos mais freqüentes que gestantes normais, quanto para os fetos, com alta morbidade e mortalidade.

O fato de a gravidez ser contra indicada nestas pacientes, pode gerar sentimentos contraditórios, visto que as mulheres em idade fértil geralmente desejam a maternidade (NAZARIO e TURATO, 2007). Mas, de acordo com esta pesquisa, a maioria (80%) não tem este desejo. Os seguintes relatos exemplificam as justificativas quanto ao fato de não quererem ter (mais) filhos:

“Se eu for olhar agora, eu não queria ter não, se eu olhasse pra trás antes de ter problema renal eu queria, mas agora eu não quero mais não, porque eu não vou ter condições de cuidar dele e eu não vou querer ter um filho pra deixar nas costas de minha mãe... porque minhas colegas quando tinha criança, a gente ficava bestinha, aquela coisa ‘ah que bonitinho, ah eu também quero ter um’, mas depois que eu vi meu problema renal... não me afetou em nada”. (Paciente 1)

“Esse caso aí eu não sofri muito porque eu nunca quis. Quando dava eu até queria ter porque eu grávida chegar nos trinta, qualquer uma tem que ter... mas eu nunca falei ‘ah eu quero ser mãe, quero ter um filho, adora criança’, não, eu nunca fui, é tanto que não me atrapalhou”. (Paciente 2)

Gráfico 6: Reações emocionais decorrentes da IRC

Gráfico 6: Reações  emocionais decorrentes da IRC

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa.

Os dados do gráfico 5 mostram que as reações emocionais decorrentes da IRC são as mais variadas, sendo a “tristeza” e a “insegurança” as mais vivenciadas pela maioria das mulheres entrevistadas. Apenas 20% relata ter reações de ansiedade, impaciência, alegria e injustiça.

Percebe-se através dos relatos que a maioria das reações emocionais sentidas pelas pacientes são características de impacto negativo na qualidade de vida dessas pessoas. No tocante a alegria, este foi o único sentimento  de aspecto positivo relatado por uma paciente que diz:

Eu acho que de tudo um pouco, sabe por quê? Porque às vezes eu fico triste, eu acho injusto porque eu era a única que dava muita atenção para minha mãe e de repente, né, eu me vejo quase que na mesma situação que ela, eu tenho muita lembrança triste dela – pedia até pra matar ela de tanto que ela sofria. Tem essa insegurança, há dúvidas se eu vou chegar a esse ponto, mas por outro lado também eu fico alegre porque eu vejo que estou passando por tudo isso e não tá me afetando, não tá me debilitando, minhas forças a cada dia se renovam, mais voltadas a Deus. (Paciente 4) 

Gráfico 7: Restrições com maior impacto

Gráfico 7:  Restrições com maior impacto

Fonte: LIMA; SCHAPER e VIANA a partir dos dados da pesquisa

Dentre as restrições causadas pela IRC, foi observado que as que mais impactam as pacientes entrevistadas são relacionadas à alimentação, limitação na liberdade de ir e vir e indisposição física. MACHADO e CAR (2003, p. 31) afirmam que:

Embora o tratamento tenha surgido na vida do doente e transformado o seu cotidiano, ele em si traz diversas realidades reveladas por alterações físicas, sociais e até de simples prazeres como o de se alimentar com a comida que gosta ou beber água à vontade, conforme a sede o exige.

Pode-se confirmar a hipótese levantada sobre a possibilidade de encontrar nos relatos de mulheres na fase jovem adulto (20 a 40 anos) em tratamento de HD, relações diretas entre a IRC e questões biológicas, psicológicas e sociais, visto que, conforme MARCO (2006), no modelo biopsicossocial há uma visão integral do ser humano, ou seja, não se pode considerar a doença física como um fator isolado mas algo que interfere e é interferido por todas as dimensões que perpassam o ser humano.

Foi possível identificar nos relatos das participantes, alterações nos seus hábitos de vida anteriores a IRC, como por exemplo, a vida laboral, estudo, lazer (passeios, viagens prolongadas, festas e prática de esporte) e atividades corriqueiras, tais como arrumar a casa é ir a rua. Desta forma é perceptível como esta doença e o tratamento hemodialítico ocasionam limitações que interferem na fase jovem adulto, ao considerar que geralmente estas atividades fazem parte do seu cotidiano e consequentemente afeta a qualidade de vida, visto que as esferas biopsicosociais são essenciais para vivenciá-la de forma plena.

3. Considerações  Finais

A Insuficiência Renal Crônica é uma doença que pode comprometer a qualidade de vida de seus portadores. Os pacientes submetidos à hemodiálise vivenciam várias transformações nos seus hábitos de vida e uma série de restrições devido ao procedimento deste tratamento.

Sobre as limitações biopsicossociais, algumas limitações biológicas foram identificadas, sendo as de maior impacto na alimentação, na disposição física e na alteração da imagem corporal. Na vida social, as maiores dificuldades relatadas estão associadas à ocupação no trabalho, estudo, lazer e a restrição na liberdade de ir e vir, devido o fato de seguirem uma rotina obrigatória de tratamento, como por exemplo, viajar por um longo período de tempo. Todas estas questões interferem nos aspectos psicológicos, sendo que as reações emocionais mais frequentes nos relatos foram tristeza, insegurança e nervosismo.

Ao caracterizar a fase jovem adulto como a etapa, em que as pessoas geralmente almejam novos objetivos, encontram-se no auge da saúde física, buscam uma independência emocional e financeira, realizações profissionais e formação de família, ou seja, uma etapa mais voltada para a produtividade, pode-se afirmar que a IRC interfere nas realizações relacionadas a esta fase, pois as condições biopsicossociais se veem limitadas  frente a esta grave doença em que os portadores necessitam de uma terapia renal substitutiva para sobreviver, neste caso, a hemodiálise, implicando desta forma, em um desafio constante a estas jovens adultas.

Ao considerar que a qualidade de vida está diretamente relacionada aos fatores biopsicossociais, e, identificando que estes fatores foram limitados pela IRC, pode-se afirmar que houve impacto negativo na qualidade de vida das pacientes submetidas ao tratamento hemodialítico.

O principal objetivo deste trabalho foi alcançado ao verificar nos relatos que existem limitações biopsicossociais, impostas pela IRC, nas mulheres submetidas à hemodiálise e que estão vivenciando a fase jovem adulto.

A relevância desta pesquisa se deu ao fato de que foram identificadas informações relevantes deste grupo específico de pacientes, visando contribuir para a atuação do psicólogo no setor de hemodiálise e, consequentemente, para toda a equipe interdisciplinar, visto que para se alcançar um atendimento mais humanizado é essencial conhecer não somente a doença, mas o ser da doença e todos os aspectos que o permeia.

Referências:

Rosilane Macedo Lima - Psicóloga - Graduada em Psicologia pelas Faculdades Unificadas DOCTUM de Teófilo Otoni - MG, Pós Graduada em Saúde Mental e Atenção Psicossocial. Atua na área da Psicologia Hospitalar, no Serviço de Terapia Renal Substitutiva. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Professor Orientador: Jonas Carvalho Gonçalves - Médico - Psiquiatra. Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Barbacena. Pós-Graduação em Psiquiatria pelo Centro de Estudos Abuchaim - porto Alegre, RS. Especialista em Dependência Química pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, RS.

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