Atuação do Psicólogo Hospitalar em Centro Obstétrico: Possibilidades e Limitações

Resumo: Este estudo apresenta a atuação do psicólogo hospitalar no centro obstétrico e descreve as possibilidades e limitações de atuação neste contexto. E objetivou saber como o psicólogo hospitalar atuará no centro obstétrico dando suporte emocional às parturientes que apresentam demanda. O psicólogo nesse contexto visa proporcionar alívio emocional às parturientes, para que a ansiedade e angústia sejam amenizadas por meio do acolhimento e da escuta, isso se dá através da realização uma escuta atenta e de uma avaliação psicológica para identificar possíveis situações de desorganização emocional. É necessário fazer o acolhimento das parturientes na sua chegada ao centro obstétrico, propiciando um espaço para que elas expressem suas emoções, suas expectativas e sua subjetividade. Este trabalho favorece a construção de uma relação de confiança. Dentre estas possibilidades de atuação há fatores que podem limitar essa atuação, geralmente relacionados ao ambiente em si, por se tratar de um setor de urgências e emergências, a falta de comunicação e integração entre as equipes. O psicólogo deve atuar priorizando ações conjuntas com as equipes de forma que o trabalho seja complementar. E que o atendimento às parturientes seja global e interdisciplinar. Para a elaboração desse estudo foi realizada uma pesquisa bibliográfica em livros e artigos da área para a construção deste trabalho

Palavras-chave: Psicólogo Hospitalar, Parturientes, Centro Obstétrico, Psicologia da Saúde.

1. Introdução

O psicólogo hospitalar possui uma extensa área de atuação. E esta amplitude requer do profissional um preparo e formação específica, bem como uma flexibilidade a fim de poder atender de forma objetiva e de permitir o favorecimento e expressão das emoções pelo paciente. É importante que o psicólogo tenha conhecimento do histórico de adoecimento para que esse atendimento seja interdisciplinar. Conforme Gaspar (2011) a psicologia hospitalar necessita prestar um atendimento integrado e que incorpore outros saberes para um entendimento dos sintomas clínicos. Assim, sua atuação visa fazer um levantamento das reações emocionais frente ao adoecimento/hospitalização, mecanismos de defesa, estratégias de enfrentamento, ansiedade, medo e temores. Sua atuação será guiada por uma avaliação psicológica que para Lopes e Amorim (2011) contribui na elaboração do diagnóstico psicológico e é realizada através da escuta das questões emergenciais. Lopes e Amorim (op. cit.) ainda salienta que o importante é que o paciente possa ser ouvido e acolhido em sua dor e em seu sofrimento.

O psicólogo hospitalar no centro obstétrico em atendimento às parturientes que vivenciam um período de expectativas e fantasias em relação ao parto, norteará seu atendimento conforme as demandas surgidas. Sabe-se que a ansiedade acompanha o período gestacional até o parto. Pois, diante de situações novas é natural surgir este sentimento.

Conforme Dalgalarrondo (2008) a ansiedade caracteriza-se por um estado de humor desconfortável, uma compreensão negativa em relação ao futuro que gera uma inquietação interna e um mal-estar físico e psíquico. A atuação do psicólogo no centro obstétrico se faz necessária para proporcionar um suporte emocional às pacientes que irão passar pelo trabalho de parto. Ainda que a gravidez tenha sido planejada a ansiedade e o medo estão presentes gerando uma angústia que pode dificultar na realização do parto seja ele normal ou cesáreo.

A finalização da gestação e o início da maternidade são ligados pelo parto em si e pode gerar uma fragilidade psíquica ao ser enfrentado de qualquer maneira, ou seja, sem um suporte emocional. Pois, por não saber exatamente como irá transcorrer o trabalho de parto, nem como controlar esse processo e nem como lidar com esse turbilhão de emoções, temores e fantasias estes fatores podem predispor o aumento da ansiedade.

Dentro dessa perspectiva, a atuação do psicólogo será um atendimento de apoio, de forma que acolha os sofrimentos das parturientes. Isso a partir das demandas levantadas junto às gestantes sobre seus medos, preocupações e temores frente ao parto e a maternidade, o psicólogo fará o acolhimento a fim de proporcionar-lhes segurança e apoio no momento do parto.

Diante do exposto: como o psicólogo hospitalar atuaria no centro obstétrico dando suporte emocional às parturientes que apresentam demanda? O psicólogo nesse contexto atuará com o objetivo de proporcionar alívio emocional para que a ansiedade e angústia sejam amenizadas através do acolhimento e da escuta.

Observando que questões ambientais do contexto hospitalar, aqui especificamente do centro obstétrico, podem interferir nessa atuação, é necessário realizar um trabalho em conjunto com as equipes médica e de enfermagem sobre técnicas de respiração profunda e relaxamento muscular que poderiam ser utilizadas durante o trabalho de parto e que proporcionasse algum alívio e bem-estar para as parturientes. Para que elas se sintam livres para expressar seu desconforto, sua dor e suas frustrações relacionadas ao parto.

Dessa forma, o artigo aqui apresentado tem como objetivo descrever como o psicólogo pode atuar no centro obstétrico dando suporte emocional as parturientes que apresentam demanda de forma que elas não se sintam desamparadas.  Ademais expor as limitações profissionais no contexto bem como a relevância da atuação do psicólogo na obstetrícia e como os fatores ambientais poderiam limitar essa atuação. Verificando se o atendimento psicológico nesse contexto contribui para o enfrentamento da demanda.

Falar dessa atuação se dá por não encontrar tantos textos específicos nessa temática. São trabalhadas as atuações do psicólogo hospitalar no acompanhamento às gestantes no pré-natal, as que já apresentam demanda e suporte às mães com os filhos na UTIN e no pós-parto. Portanto, é relevante trazer essa reflexão sobre as possibilidade e limitações que o psicólogo hospitalar pode enfrentar nesse contexto.

2. Revisão de Literatura

2.1 Atuação do Psicólogo Hospitalar

Estudos apontam que a psicologia hospitalar derivou da psicologia da saúde. Conforme Lazzaretti et al (2007): a Psicologia Hospitalar pode ser entendida como um desdobramento da psicologia clínica dentro da instituição hospitalar, visando assim à promoção da saúde do ser humano em diversos contextos da vida.

A inserção do psicólogo no hospital geral visa trabalhar todos os aspectos psicossociais do sujeito. Angerami–Camon (2010) pontua que a psicologia hospitalar objetiva minimizar o sofrimento gerado pela hospitalização/ internação e mais que isso trabalhar também a relação que a pessoa estabelece com seu momento de internação, as sequelas emocionais e como lida com elas na hospitalização. Dessa forma o psicólogo deve priorizar como paciente elabora essa situação de hospitalização.

Dessa forma, o psicólogo atuando no hospital busca observar quais estratégias o paciente utiliza para a promoção, prevenção e recuperação do seu bem-estar. Campos (1995) afirma que o psicólogo, por ser um profissional de saúde, exerce um papel importante de humanização no hospital. Acrescenta ainda que seus objetivos de atuação, ou seja, de assistência psicológica, abrange não só os pacientes, mas também se estende aos familiares e os profissionais de saúde inseridos neste contexto.

Chiattone corrobora a Campos ao afirmar que:

A atuação junto aos pacientes objetiva fundamentalmente a diminuição do sofrimento inerente ao processo de hospitalização e doença. Dessa forma, a equipe de saúde deve atuar procurando fazer com que a hospitalização e a situação de doença sejam bem compreendidas. (CHIATTONE, 2003, p. 55).

Assim, acredita-se que devam ser trabalhados as angústias, as emoções, o medo e o quanto a rotina hospitalar interfere na subjetividade do sujeito.

Chiattone (2011) pontua que com a hospitalização o paciente interrompe sua forma habitual de vida e consequentemente vivência uma ruptura na sua história. Daí a atuação do psicólogo hospitalar deve favorecer a expressão no que tange as dúvidas frente à internação e diagnóstico, pois permitindo este espaço e também os esclarecimentos sobre os procedimentos que serão submetidos, estes pacientes tendem a ficar menos ansiosos e mais colaborativos com a equipe de saúde.

Os psicólogos inseridos num contexto maior irão atuar a partir da análise do que se apresenta das demandas psicológicas e da urgência subjetiva. Embora sua atuação seja limitada pelo contexto institucional, pelas regras, rotinas, condutas específicas e as dinâmicas de trabalho. Sua atuação necessita ser objetiva e flexível atentando-se para o estado de crise e as características específicas determinadas pela hospitalização que interferem diretamente nas emoções dos pacientes. Conforme Chiattone (2011) as emoções podem ser afetadas pelo isolamento das pessoas que geram insegurança, a iminência da morte, despersonalização, perda da privacidade e individualidade e da perda da noção do tempo e espaço.

O local de trabalho do psicólogo hospitalar é diferente da tranquilidade dos consultórios, pois sua atuação se dá ao lado dos leitos dos pacientes nas enfermarias, que geralmente são coletivas, nos corredores ou em alguma sala de prescrição médica. O atendimento individual pode sofrer as interferências ambientais com outro paciente ou familiares compartilhando do que é exposto, a realização de algum procedimento pelos profissionais da saúde e limpeza e assepsia da unidade. Dessa forma no atendimento esses fatores devem ser levados em consideração bem como outros que possam surgir no contexto hospitalar (ANGERAMI-CAMON, 2010).

Chiattone, (2011) salienta que devido a essas circunstâncias, o caminho mais seguro para o atendimento é visar à demanda do sujeito. A saber: sua atuação deve ser respaldada em objetivos formulados e bem definidos e próprios para o contexto hospitalar, levando em consideração as limitações e peculiaridades, o tempo de internação, espaço físico, tempo disponível para o atendimento, as rotinas e a dinâmica da instituição.

Ao se falar de atuação no contexto hospitalar deve-se levar em consideração o fator tempo, e essas intervenções podem ser breves em um único atendimento iniciar e terminar o atendimento devido à rotatividade.  

No hospital, o tempo do paciente é distinto e específico. Pela própria situação de doença e internação, o tempo cronológico e habitual se modifica, definindo-se em tempo de doença, dos exames, das condutas terapêuticas, da visita médica, do horário de visitas ou de alimentação. Vive-se um outro tempo que demanda um outro ritmo o ritmo da doença e do tratamento. (CHIATTONE, 2011, p. 190)

Portanto, o psicólogo deve empreender esforços para realizar seu trabalho no período de internação do paciente. Pois, quase na totalidade dos casos o paciente é o foco prioritário (LOPES E AMORIM, 2010). 

Contudo, para que a atuação do psicólogo hospitalar possa ser realizada de forma efetiva ele precisa estar inserido na equipe de saúde, interagindo com ela e não sendo apenas mais um componente da equipe. A sua participação nos casos bem como a troca de informações, a avaliação psicológica compartilhada e o registro nos prontuários sobre o atendimento contribui tanto para a delimitação do papel do psicólogo, na construção de sua identidade bem como na construção da comunicação (Angerami-Camon, 2003). E este diálogo entre a equipe traz benefícios para o paciente que é visto como um todo e melhor atendido em suas necessidades.

2.2 Atuação do Psicólogo Hospitalar no Centro Obstétrico 

A atuação do psicólogo hospitalar no Centro Obstétrico objetiva em prestar assistência às parturientes de forma global. Estabelecendo com a parturiente atendida uma comunicação que vá realmente ao encontro das necessidades emocionais daquelas. Arrais e Mourão (2013) diz que o atendimento às gestantes e puérperas é oferecido às que vivenciam um sofrimento com a atual situação.

Sabendo-se que o ser humano é um ser biopsicossocial, a mulher nesse contexto não pode ser vista apenas como um ser biológico nem o parto como uma função meramente biológica. Teixeira, Sá e Arrais (2009) desmistificam isso, citam de que o parto é uma função biológica do organismo e reitera que também uma

reestruturação psicológica e social. Portanto, nesse contexto, o psicólogo deve levar em consideração aspectos significativos para estas mulheres como: sua história de vida, suas expectativas, seus medos, suas angústias e o que ela traz de aprendizado.

Donelli (2008) afirma que o psicólogo ao se colocar numa situação receptiva tem a capacidade de apreender o clima emocional da situação. Dessa forma ele poderá estabelecer com a parturiente uma relação simétrica que propõe respeito, igualdade e confiança mútua. Maldonado (2002) salienta que se isso não ocorrer o relacionamento terá um caráter impessoal e limitará a possibilidade oferecer uma assistência global.

O trabalho do psicólogo no Centro Obstétrico não poderá acontecer de forma isolada. O psicólogo deverá atuar interagindo com a equipe de saúde construindo seu espaço, haja vista que o paciente é de toda equipe e não de um único profissional. Portanto as informações concernentes às parturientes bem como as intervenções devem ser compartilhadas e discutidas. Chiattone (2011) diz que psicólogo deve inserir-se na equipe como um movimento de fixar-se e interagir. Condernonsi e Stalba (2007) apud Teixeira, Sá e Arrais (2009) afirmam que uma equipe interdisciplinar facilitaria tanto o relacionamento como a tomada de decisões, não ficando aquele restrito ao obstetra e a gestante.

O atendimento da parturiente inicia-se com sua chegada ao Centro Obstétrico e o psicólogo juntamente com a equipe de saúde iria recebê-la e apoiá-la já que ela chega trazendo consigo o medo, a ansiedade e as incertezas sobre o parto. E esta atuação está amparada pela política de humanização do parto conforme o programa do Ministério da Saúde. Brasil (2002). Franklin e Bittar (2015) reiteram que a humanização do parto traz vantagens tanto para as mães como para os bebês, pois o processo permite que ela seja mais participativa no ponto de vista emocional.

Arrais e Mourão (2013) afirmam que o psicólogo deve estar onde os acontecimentos estão. Neste primeiro contato o psicólogo se apresentará e fará o acolhimento dessas parturientes. Falará do seu trabalho, fornecerá informações sobre sua atuação neste contexto e se colocará a disposição para ajudá-la, se assim ela o queira e/ou apresente demanda para atendimento. De acordo com Donelli (2008) ao ser apoiada, a mulher pode reforçar em si sentimentos que a capacite assumir sua identidade materna. Na oferta do atendimento psicológico caso a paciente o recuse, sua decisão deverá ser respeitada. É preciso certificar se a parturiente compreende qual é o papel do psicólogo naquele contexto, pois, Angerami-Camon (2010) pontua que para aceitar ou recusar alguma coisa é preciso compreender o seu significado.

O psicólogo pode orientar a gestante a tirar suas dúvidas sobre o parto e o bebê junto à equipe médica e a informá-los sobre o que estiver sentindo. Bem como a focar sua atenção para si e para o bebê. Conforme Sarmento e Setubal (2003) essa relação inicial tem uma intensidade emocional e mobilizadora.

No atendimento, a parturiente além de ser acolhida, orientada e incentivada a colaborar com o processo que antecede o parto, deve ser permitido a ela a escuta como um espaço que favoreça a expressão de suas emoções, ou seja, que ela possa verbalizar seus medos, suas angústias, seus temores, suas dúvidas e o que seja importante para ela naquele momento.

Através da escuta, o psicólogo poderá ajudá-la a buscar estratégias para enfrentamento da situação. As questões trazidas devem ser discutidas a fim de favorecer tranquilidade e alívio do sofrimento caso esteja sendo vivenciado no momento. Arrais e Mourão (2013) salientam que o psicólogo deverá lidar com as emoções da parturiente no parto e no trabalho de parto a fim de facilitar esse processo. Pois, aqueles fatores apresentados pelas mesmas e as questões ambientas podem interferir no trabalho de parto atrapalhando ou favorecendo esta evolução. Diante disto o psicólogo será mediador destes aspectos. Principalmente na relação médica e paciente, familiar e parturiente.

Contudo, deve ser esclarecido para a paciente que o psicólogo não está ali para fazer psicoterapia, mas, dar-lhe apoio e suporte para que ela entenda e ocupe seu lugar de sujeito ativo no processo de nascimento de seu filho, e incentivá-la a questionar sobre os procedimentos, dirimir suas dúvidas a fim de compreender o que se passa com ela. Auxiliando também na comunicação entre a parturiente e o obstetra incentivando seu esforço e trabalho. Carpara e Franco (1999) apud Teixeira, Sá e Arrais (2009) fala que a relação médico-paciente deve ser comunicacional, ou seja, que vai além do direito à informação. Para Teixeira, Sá e Arrais (2009) a relação deve ser empática e participativa. A saber, que nesta relação não haja distanciamento, mas que o médico obstetra favoreça uma escolha compartilhada em que seja permitido um espaço para a vivência das emoções.

Ainda sobre a Política Nacional de Humanização (BRASIL, 2005) em que fala que é direito da mulher ter um acompanhante no parto, cabe ao psicólogo incentivar,

principalmente a presença do pai do bebê ou de outro acompanhante conforme a vontade da parturiente. Arrais e Mourão (2013) dizem que o atendimento se estende também aos familiares que estejam acompanhando a gestante nesta fase dando-lhe um suporte por vivenciar um evento incomum e por estar em meio a uma rotina hospitalar. Carvalho e Meyer (2007) falam que cabe a psicologia ajudar aos familiares a se apropriarem da situação que vivenciam. Assim, deve ser também no momento do parto normal ou cesariana e no pós-parto imediato, principalmente se o desfecho deste ocorra fora do previsto, ou seja, aconteça alguma intercorrência como: do bebê nascer com anomalias ou natimorto. O psicólogo no Centro Obstétrico pode auxiliar no processo de estimular os pais no contato com o bebê na elaboração do luto. E no caso do bebê que nasça com alguma doença estimular o contato para que seja estabelecido o vínculo mais precocemente, desmistificado a fantasia do bebê ideal e o bebê real.

3. Metodologia

Esta pesquisa se baseia na revisão bibliográfica de textos que se adequem ao problema estudado. Foram utilizados livros, revistas acadêmicas e artigos científicos para construção do trabalho, que tem o intuito de refletir sobre a atuação do psicólogo hospitalar atuando no centro obstétrico, bem como verificar o que favorece essa atuação e o que a limita.

É de natureza qualitativa, pois permite uma análise mais profunda daquilo que está sendo abordado. Desta forma, a fim de contemplar os objetivos deste estudo, classifica-se como exploratória e descritiva para favorecer uma familiaridade com o problema e torná-lo explícito com intuito de construir hipóteses.

Assim, permitiu uma análise mais profunda do tema proposto de forma a contribuir para reflexão acerca da temática e elucidação de alguns aspectos ainda não explorados nos trabalhos acadêmicos.

4. Resultados e Discussão 

Com base no estudo apresentado o psicólogo hospitalar é de suma importância, pois irá promover saúde emocional. Angerami-Camon (2010), Campos (1995) e Chiattone (2003) concordam que lidar com as questões emocionais dos pacientes é promover saúde e acrescentam que essa é a humanização da assistência.

A atuação do psicólogo hospitalar tem sido reconhecida devido a sua importância na promoção da saúde e melhora da qualidade de vida das pessoas vinculadas às instituições hospitalares (LAZZARETTI et al, 2007).

Assim, o psicólogo hospitalar deve ter autonomia para atender as demandas psicológicas que surgem. Arrais e Mourão (2013) salientam que o psicólogo deve atender as parturientes que vivenciam um sofrimento emocional e Donelli (2008) corrobora com os autores que ele pode apreender o clima emocional vivenciado pelas parturientes para intervir de forma pontual.

Desse modo, ao proporcionar uma escuta atenta e realizar a triagem para identificar possíveis situações de desorganização emocional, o psicólogo, deve sistematizar seu trabalho assistencial para identificar as necessidades das parturientes. Lopes e Amorim (2010) afirmam que o foco prioritário é a demanda que se apresenta.

Fazer o acolhimento como postura e prática nas ações de atenção para a construção de uma relação de confiança. Maldonado (2002) pontua que é essa relação que favorece uma assistência global.

No contexto do Centro Obstétrico o psicólogo irá preparar psicologicamente as parturientes para lidarem com suas emoções para enfrentarem o trabalho de parto e o parto facilitando este processo.

Portanto, o psicólogo deverá atuar priorizando ações conjuntas com as equipes de forma que o trabalho seja complementar, ou seja, ser um elo de comunicação. Chiattone (2011) salienta que o psicólogo hospitalar desenvolverá seu trabalho interagindo com os demais profissionais da equipe interdisciplinar. Condernonsi e Stalba (2007) apud Teixeira, Sá e Arrais (2009) corroboram a autora acima citada e acrescenta que o psicólogo integrando a equipe contribuirá de forma  positiva na comunicação. Para Arrais e Mourão (2013) o psicólogo será um mediador na relação da equipe com a parturiente.

As possibilidades de atuação do psicólogo hospitalar no Centro Obstétrico são possíveis, porém poderá apresentar limitações. E estas podem estar relacionadas ao ambiente em si, a percepção que a equipe de saúde tem sobre o papel do psicólogo neste contexto bem como se ele está preparado para atuar de forma conjunta na troca de informações na cooperação e valorização do trabalho de cada um.

Assim, vale salientar que o psicólogo tenha um contato maior com a equipe esclarecendo sobre a sua atuação e para que sua presença não seja vista como um entrave na dinâmica do serviço. Sugere-se que este contato favoreça uma sensibilização para a importância do seu trabalho sendo colaborativo um com o trabalho do outro.

É necessário que o psicólogo tenha conhecimento da rotina hospitalar para que possa ser capaz de esclarecer as dúvidas sobre essas rotinas para as pacientes e que tenha conhecimento sobre os temas que surjam no Centro Obstétrico, bem como conhecimento sobre a área médica que está inserido.

Sobre o direito a acompanhante que é preconizado pela Política de Humanização (Brasil, 2005). Sabe-se que os familiares que acompanham as parturientes durante o trabalho de parto e pós-parto precisam ser acolhidos através de uma escuta diferenciada que visa manter o equilíbrio e bem-estar destes naquele momento. Carvalho e Meyer (2007); Arrais e Mourão (2013) ratificam esse direito.

Diante do exposto, acredita-se que o psicólogo deverá favorecer a socialização e interação da paciente e da família com a equipe. Bem como acolher os pais que precisam ser estimulados a participar dos acontecimentos, pois pode acontecer de sentirem-se ameaçados, inseguros e preocupados.

6. Considerações Finais 

A partir do presente trabalho, pode-se perceber que a atuação do psicólogo hospitalar difere da atuação clássica do profissional de psicologia. No contexto hospitalar essa atuação ocorre geralmente junto aos leitos dos pacientes. Ao atuar no centro obstétrico, o atendimento pode não se restringir somente aos leitos, mas também pode ser conduzido na sala de espera, na sala de parto, de cesárea, junto à equipe médica sendo que essa intervenção também é feita com os acompanhantes das parturientes.

Dentro dessa perspectiva, a prática de atuação do psicólogo no centro obstétrico será pautada na escuta. Ao fazer o acolhimento das parturientes na sua chegada ao centro obstétrico, o psicólogo, propiciará a elas um espaço para que expresse suas emoções, sua subjetividade de forma que atenda às necessidades delas naquele momento. Sabe-se que o trabalho de parto pode ser permeado pela dor e ansiedade devido à sensação de não saber como terminará. Assim, o psicólogo no centro obstétrico ao permitir às parturientes falarem sobre o que vivenciam, permite-se pensar que sua estratégia de intervenção nesse contexto é viável e desejável.

Consonante ao que foi exposto acima, lançar mão da avaliação psicológica permitirá ao psicólogo identificar o estado emocional e psíquico das parturientes, bem como as angústias que vivencia. E assim, conhecer como elas lidam com essa situação e quais estratégias utiliza para o transcorrer deste processo. E posto que, o psicólogo possa se comunicar efetivamente com as pacientes e que possa vê-las de outra forma respeitando a individualidade, o ritmo e as necessidades de cada uma.

Dentre estas possibilidades de atuação há fatores que podem limitar essa atuação. Fatores estes que estão relacionados ao ambiente em si, por se tratar de um setor de urgências e emergências, a falta de comunicação e integração entre as equipes. Pois o atendimento deve ser realizado dentro de um padrão interdisciplinar. Portanto o psicólogo hospitalar atuando no centro obstétrico deve se inserir na equipe, somando com seu saber.

Entretanto, vale ressaltar a dificuldade em encontrar pesquisas sobre a atuação do psicólogo hospitalar no centro obstétrico para dar embasamento e fundamentação sobre esta atuação. Assim posto, seria necessário que as pesquisas realizadas na área contemplassem as necessidades das parturientes em trabalho de parto e quais técnicas poderiam ser utilizadas no transcorrer deste processo que favorecessem alívio e bem-estar para as parturientes.

Assim, estando o psicólogo inserido nesse contexto deve refletir sobre a importância do seu trabalho e ser motivado a buscar alternativas para que a sua atuação atenda as necessidades das parturientes.

Sobre o Autor:

Erica Acácia dos Santos Matos - Psicóloga graduada pela Faculdade de Tecnologia e Ciências - FTC de Feira de Santana-BA. 

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Como citar este artigo:

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MATOS, Erica Acácia dos Santos. Atuação do Psicólogo Hospitalar em Centro Obstétrico: Possibilidades e Limitações. Psicologado, [S.l.]. (2019). Disponível em https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-hospitalar/atuacao-do-psicologo-hospitalar-em-centro-obstetrico-possibilidades-e-limitacoes . Acesso em .

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Matos, E. A. S., 2019. Atuação do Psicólogo Hospitalar em Centro Obstétrico: Possibilidades e Limitações. [online] Psicologado. Available at: https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-hospitalar/atuacao-do-psicologo-hospitalar-em-centro-obstetrico-possibilidades-e-limitacoes [Acessed 11 Jul 2020]

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MATOS, Erica Acácia dos Santos. Atuação do Psicólogo Hospitalar em Centro Obstétrico: Possibilidades e Limitações [online]. Psicologado, (2019) [viewed date: 11 Jul 2020]. Available from https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-hospitalar/atuacao-do-psicologo-hospitalar-em-centro-obstetrico-possibilidades-e-limitacoes