Do Ventre Materno ao Leito da UTI Neonatal: a Formação do Vínculo Mãe-Bebê – Aspectos Psicológicos Envolvidos

(Tempo de leitura: 24 - 47 minutos)

Resumo: O vínculo afetivo mãe-bebê se desenvolve durante a gravidez e se estende após o nascimento numa interação recíproca, fortalecendo-se a cada momento. Este estudo tem como objetivo identificar os sentimentos das mães diante da internação do bebê na UTI neonatal logo após o nascimento, suas dificuldades e estratégias de enfrentamento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, explorada mediante análise de conteúdo, em que foram entrevistadas quatro mães de diferentes municípios do Oeste Catarinense no momento em que seus bebês estavam na UTI neonatal. Utilizou-se como norteadora entrevista com roteiro semiestruturado da qual emergiram seis categorias. Evidenciou-se que neste período as mães vivenciam um sofrimento psíquico intenso, encontravam-se despedaçadas emocionalmente, porém mesmo com muita tensão acompanhando seus filhos à distância, demonstraram acreditar na recuperação do filho, com expectativas positivas.

Palavras-chave: Mãe-bebê, Sentimentos Envolvido, Vivências, UTI Neonatal

1. Introdução

“O primeiro vínculo a se formar na existência de qualquer ser humano consiste na inter-relação do bebê com sua mãe” (ZIMERMAN, 2010, p. 21). O vínculo mãe/bebê começa a se desenvolver ainda no início da gestação, porém vai se firmar a partir do nascimento, que é onde começa uma interação recíproca entre ambos (CARDOSO et. al. 2011). A relação estabelecida nesse primeiro momento será a base para a relação mãe e filho depois do nascimento e ao longo do desenvolvimento da criança (BORSA, 2007).

Para o bebê a mãe é a continuidade de si mesmo, o primeiro vínculo afetivo que ele estabelece, além de sua fonte de alimentação e cuidados, e para a mãe, o significado de gerar um novo ser e tornar-se mãe. A relação mãe-bebê é segundo Winnicott (2013) uma relação de dependência, em que os bebês precisam de uma mãe que esteja identificada com eles e que seja capaz de atender suas necessidades. Zimerman (2010) complementa que não é somente o bebê quem depende maciçamente da estrutura de maternagem da mãe, visto que a mãe também depende fortemente de ser reconhecida pelo bebê: de que ela seja amada pelo seu filho, de que seu leite materno seja de boa qualidade nutritiva, que exista um vínculo harmônico corporal e afetivo entre ambos.

O processo de vinculação mãe-bebê segundo Klaus e Kennell (1989) divide-se em duas fases: a gestacional, na qual envolve o planejamento da gravidez, sua confirmação e aceitação, e o neonatal, onde após o nascimento, o filho pode ser visto, tocado, acariciado e cuidado. Assim, manter mãe e filho juntos logo após o nascimento assegura para ambos a continuidade do vínculo afetivo, permitindo uma sequência de interações.

É por meio dessa interação estabelecida antes e depois do nascimento, que se desenvolve o amor materno e este não é um instinto, mas um sentimento que, como todos os demais, está sujeito a imperfeições, oscilações e modificações (MALDONADO, 2002).

Diversos fatores podem se apresentar como barreiras dificultando e afetando diretamente a interação mãe-bebê, como por exemplo, a prematuridade e todas as adversidades neonatais que culminam numa internação em UTI neonatal. Esse contexto sugere uma vivência particular para os pais, principalmente para a mãe e é marcada por uma série de condições como frustração, desamparo, culpabilização, angústia de morte, ansiedade, entre outros (CAMARGO et.al., 2004; KLAUS e KENNELL, 1992; OLIVEIRA et.al., 2011).

Esta pesquisa, portanto, aborda a relação mãe-bebê e os sentimentos envolvidos nas mais diversas realidades enfrentadas nos casos em que o bebê é internado na UTI neonatal logo após o nascimento, ficando restrito o contato estabelecido entre eles, fator este que abala o estado emocional das mães. Isso se faz necessário pela fragilidade em que o bebê se encontra ao nascer, por apresentar alguma patologia ou prematuridade. Assim, busca-se também compreender e analisar como as mães de bebês internados em UTI neonatal percebem e significam este ambiente.

O período pós-parto, ou período puerperal, é descrito como uma etapa de delimitação entre o perdido – a gravidez – e o adquirido – o filho. Também de delimitação entre fantasia inconsciente e realidade. Esta múltipla delimitação é realizada por um lento e gradual processo elaborativo, o qual apresenta alternância depressiva (pelas ilusões não concretizadas e fantasias de perda e impotência), persecutória (mantidas nos elementos difíceis apresentados pela realidade) e maníaca ou de negação (SOIFER, 1986).

Depois do parto a mulher será denominada mãe, mas para que ela possa se apropriar desse bebê e se constituir enquanto mãe precisará percorrer um longo caminho. Inicialmente, terá uma prevalência de sentimentos de perda, em função da separação, ou seja, dois seres que até então viviam juntos, um dentro do outro, agora estão separados. É o momento de uma grande alteração, com a perda de um estado e passagem a outro, o que desperta na mulher profundas ansiedades. Tais ansiedades, que se estruturam sobre a reativação do trauma do nascimento, são: de perda, de esvaziamento, de castração, de castigo pela sexualidade e de defrontação com um desconhecido, o filho. Além disso, ainda a mãe terá que enfrentar todas as dificuldades colocadas pela situação de internação na UTI neonatal (GOMES, 2004; SOIFER, 1986).

A internação do recém-nascido em UTI neonatal é uma situação marcante e constrangedora, pois estabelece uma quebra no relacionamento entre mãe e filho. Importante ressaltar que há pouco tempo esse filho fazia parte do corpo da mãe e, no entanto, a partir de sua internação na UTI neonatal, além do desligamento corporal, o contato físico entre os dois se torna limitado e à distância (CAMARGO et.al., 2004).

A UTI neonatal é considerada um ambiente hostil e pouco amigável, em que permeia aparelhos e equipamentos tecnológicos de alta sofisticação, muita luminosidade, barulho de alarmes, além do trânsito constante de pessoas, em atribuições profissionais (CRUZ et. al, 2010).

É essencial que a mãe com o bebê na UTI neonatal, o veja tão logo seja possível para que se minimizem as fantasias assustadoras que ela pode alimentar e para ajudá-la a começar  o processo de lidar com a lacuna emocional que qualquer nova mãe experimenta durante o início de seu relacionamento com o bebê (KLAUS e KENNELL, 1992).

Nos primeiros encontros da mãe com seu filho é preciso que esteja com acompanhamento psicológico, uma vez que pode não estar preparada para o encontro, bem como presenciar condutas terapêuticas e procedimentos dolorosos (CRUZ et. al, 2010). É possível que a mãe, diante da situação também se veja como insuficiente, produtora de um bebê falho. A ansiedade e a culpa podem ser as emoções mais aparentes, pois ela pode pressupor que alguma coisa que fez ou deixou de fazer, durante a gravidez, afetou o bebê e provocou a prematuridade (KLAUS e KENNELL, 1992).

Outro fator relevante para a mãe é o fato de fisicamente, ter que se manter separada de seu filho, sem poder amamentá-lo, tocá-lo constantemente, principalmente, quando o recém- nascido encontra-se em incubadora, com sondas, cateteres, monitores, considerados fatores que diminuem o toque afetivo (CRUZ et. al, 2010).

A UTI neonatal será por um bom tempo o lugar onde mãe e filho irão conviver num limiar de incertezas, onde terão que “tecer fios”, criar laços, construir vínculos que poderão estar fortemente abalados a partir daquele momento (OLIVEIRA et.al. 2011). Durante esse período, também vem à saudade de casa e de outros filhos, saudade do marido, culpa pela internação e estado de saúde do filho, cansaço por permanecer no hospital, descrédito, problemas internos com a equipe ou algum membro do hospital, negação, enfim todos esses fatores são relevantes e podem afetar o estado emocional da mãe (ANGERAMI - CAMON, 2003).

As mães são vitalmente importantes na vida do bebê, especialmente no início, e na realidade, é tarefa da mãe proteger seu filho de complicações que o bebê ainda não pode compreender, e continuar a prover constantemente aquela parte simplificada do mundo que o bebê virá a conhecer por meio dela (DAVIS; WALLBRIDGE, 1982). Portanto, quando a mãe é privada de cuidar de seu filho tendo que deixar a cargo dos profissionais do hospital, pode causar nela um sofrimento psíquico muito intenso.

Winnicott (2001) ressalta bem essa questão quando fala da preocupação materna primária que é o que faz com que a mãe sabe como o bebê está se sentindo e do que precisa a cada minuto, essa preocupação se caracteriza como um estado de verdadeira fusão emocional com seu bebê, em que ela é o bebê e o bebê é ela.

Segundo Iungano (2009) entre mãe e bebê há um estilo próprio de interação. Quando se introduz cortes na relação, novos elementos entram em sua constituição. A mãe, que em geral atua em função da identificação com o bebê e da percepção intuitiva de suas necessidades, pode ser impedida de proporcionar e viver sensações para as quais se preparou. É possível que o bebê não esteja pronto para viver essa interação sem se desorganizar. Suas necessidades ultrapassam as possibilidades da maternagem e seu ambiente familiar não pode se adaptar a elas.

Diante de tantos fatores vivenciados pela mãe nesse período, a Psicologia é de extrema importância, e o psicólogo, no contexto hospitalar, deve manter-se, simplesmente à disposição da mãe e familiares, de forma silenciosa e empática, permitindo que a mãe compartilhe seu sofrimento, sua dor, sua angústia (ANGERAMI - CAMON, 2003; OLIVEIRA et.al., 2011).

Qualquer caso de hospitalização de um filho em UTI neonatal traz para a mãe uma complexidade de sentimentos bastante intensos. O psicólogo, precisa estabelecer um vínculo satisfatório com a mãe, capaz de cumprir seu papel básico: empatia, continência, apoio. Este momento dará a ela suporte emocional para prosseguir no contexto hospitalar até que se faça necessário (ANGERAMI - CAMON, 2003).

2. Método

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada com mães que após o parto tiveram seus filhos internados na UTI neonatal. Foram entrevistadas mães que naquele momento estavam com o(s) bebê(s) internado na UTI neonatal.

As entrevistas aconteceram numa casa de apoio, situada próximo ao hospital na qual os bebês encontravam-se internados. A casa de apoio é um local disponibilizado para familiares de pessoas que se encontram internadas, bem como para pacientes em procedimentos que não exige internação e que não reside na cidade. É nessa casa que a maioria das mães acaba ficando após receber alta do hospital enquanto aguarda a alta do bebê. O hospital bem como a casa de apoio localiza-se no Extremo Oeste Catarinense.

Os dados foram coletados por meio de entrevistas com roteiro semiestruturado, em que foram entrevistadas quatro mães. Primeiramente, foi exposto as participantes os objetivos da pesquisa e, após a concordância por parte dessas, coletadas assinatura em um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em duas vias, uma para o pesquisador e a outra para a entrevistada. As entrevistas foram gravadas para registrar na íntegra o discurso das mães e posteriormente transcritas.

A entrevista foi norteada por perguntas, organizadas da seguinte forma: Como foi o período gestacional e o significado desse para você? Houve planejamento para que esta acontecesse? Como você descreve a relação familiar? Como se deu o momento do diagnóstico situacional e a ida para a UTI neonatal? Como são as visitas e a amamentação? Como enfrenta a situação? Qual o significado da relação mãe-bebê para você? Quais os sentimentos existentes em estar em ambiente hospitalar e os cuidados recebidos pelos profissionais do hospital? Se sente bem informada sobre o real estado de saúde e desenvolvimento do seu bebê?

A fim de manter o anonimato das entrevistadas foi escolhido pseudônimo para identificá-las, em que se usou M1, M2, M3 e M4.

Posterior às entrevistas, o desenvolvimento desta pesquisa deu-se mediante análise de conteúdo dos dados obtidos. A análise de conteúdo é utilizada para estudar material de tipo qualitativo. Deve-se primeiro fazer uma leitura para organizar as ideias incluídas para depois analisar os elementos e as regras que as determinam.

A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter,  através  de  procedimentos  sistemáticos  e  objetivos  de  descrição  do  conteúdo   das mensagens, indicadores que permitam inferir conhecimentos relativos às condições de produção-recepção dessas mensagens (BARDIN, 1977).

3. Apresentação e Discussão dos Resultados

As participantes desta pesquisa são mães com faixa etária entre 20 e 37 anos, residentes em diferentes cidades do Extremo Oeste Catarinense, instaladas provisoriamente na casa de apoio da cidade na qual seu bebê encontra-se na UTI neonatal. O tempo de permanência na casa variou de 1 a 45 dias, sendo que uma das entrevistadas, a M2, tinha recebido alta no dia anterior ao da entrevista. A M3 estava há 15 dias na casa, a M1 há 41 dias e a M4 há 45 dias, todas na espera da alta do bebê da UTI neonatal. Elas estavam sozinhas, sem a presença de outro familiar, o que também é uma política da casa de apoio na qual estão instaladas. A família geralmente vem no domingo que é o dia da visita no hospital, no entanto, uma das mães, por residir em uma cidade próxima, o marido está presente a cada dois dias para acompanhá-la nas visitas da noite na UTI neonatal. As mães têm três horários diários de visita, um em cada turno do dia, e o tempo de permanência na UTI neonatal é de 30 minutos em cada visita. Nessa ida ao hospital as mães tiram leite por meios mecânicos para que o bebê seja alimentado posteriormente. Todas as entrevistadas eram mães de meninos sendo que a M2 havia tido gêmeos.

Da análise das entrevistas emergiram seis categorias divididas da seguinte forma: gravidez/parto; alta da mãe do hospital X ida para a casa de apoio; sentimentos das mães com as rotinas da UTI neonatal; sentimentos decorrentes do estado de saúde e internação do bebê; percepção da mãe com relação ao bebê e formação do vínculo afetivo entre eles; formas de aceitação e enfrentamento X expectativas.

3.1 Categoria 1: Gravidez/Parto

Klein (1996) menciona que desde criança as meninas já possuem forte desejo consciente ou inconsciente de ter seus próprios bebês. Isso se dá devido à ligação da mãe com o filho e desta com sua própria mãe, e ao brincar com bonecas como se fossem seus bebês as meninas treinam o papel de mãe ainda na infância, criando uma simbiose imaginária com relação a este papel. Segundo Faria (2010) ser mãe está vinculada à essência feminina, misturando-se muitas vezes fertilidade com o ser mulher, isso faz com que muitas mulheres procurem encontrar-se e preencher-se através da maternidade, criando grande expectativa em ser mãe e ter o seu próprio filho.

[...] foi uma gravidez bem planejada e desejada, não foi fácil engravidar, 14 anos eu esperei por ele (M3).

Percebe-se nas falas das mães que ter esse bebê além de uma realização parece ser  uma completude do ser.

[...] já fazia um ano que eu estava tentando engravidar, foi emocionante, ele estava sendo esperado e desejado (M1).

O período da gestação é caracterizado por inúmeras mudanças e, ainda, por sentimentos ambivalentes que estão intimamente relacionados à história e as expectativas vividas pela gestante ao longo da sua vida (BORSA, 2007). Portanto, é preciso que os profissionais de saúde estejam preparados para orientar e lidar com as gestantes, principalmente se a gestação for de risco ou alguma intercorrência venha a acontecer, a fim de que não causem ainda mais sofrimento e ansiedade para as futuras mães que esperam ansiosas pelo seu bebê, como relatado pela M1.

[...] cada médico que chegava no plantão me dizia alguma coisa, se o bebê nascer você sabe que ele é prematuro e ele pode não aguentar aí o coração da gente ia a mil (M1).

O sentimento de perda vivido nesse momento é intenso, a mãe esperou muito por esse bebê e de repente se vê diante da ideia de poder perdê-lo, bem como, ver que seu estado de saúde também está em risco. Tal momento, que foi tão esperado, pode tornar-se o mais traumatizante para a mãe, lembrado para sempre como o mais dolorido e difícil.

[...] eu sentia muita dor, muita dor mesmo, eu achava que ia morrer, os bebês se mexiam muito, eu tinha a sensação que eles iam rasgar a minha barriga, eu não sei como não morri eu e os bebês, foi horrível (M2).

[...] dês do inicio da gestação foi difícil, era de risco e eu corria o risco de ter um aborto a qualquer momento (M4).

Tradicionalmente, a gravidez e o parto foram desde sempre considerados como processos fisiológicos naturais, que deveriam acontecer sem problemas para a mãe e para o feto. Contudo, sabemos bem que tanto um como outro podem ser motivo de complicações sérias que, infelizmente, podem conduzir a um aumento da morbilidade e mortalidade materno-fetal (RATO, 1998).

3.2. Categoria 2: Alta da Mãe do Hospital X Ida para Casa de Apoio

Após o nascimento o bebê vai para a UTI neonatal e a mãe, assim que se recuperar do parto, recebe alta do hospital. O que acontece nesse caso é que a mãe vai para casa sozinha, enquanto que o bebê permanece na UTI neonatal. Este momento f i considerado o mais difícil para as mães, algo que elas não conseguem descrever. Nos relatos isso ficou bem evidente, toda mãe imagina sair do hospital com seu filho nos braços, poder ir para casa e curtir essa fase, porém nesse caso é preciso esperar, o bebê precisa ganhar peso, conseguir sobreviver sem os aparelhos da UTI neonatal.

[....] quando eu tive alta, nossa, aquela ansiedade, aquele aperto no peito, ter que sair do hospital e deixar ele lá, toda visita eu saia chorando (M1).

Conforme cita Tronco (2012) para a mãe dar a luz a um filho e não poder levá-lo consigo na saída do hospital representa ameaça, a mãe teme que seu filho não sobreviva e o medo da morte se torna eminente. O sentimento de perda a aterroriza, a mãe já vem desde a gestação com medo de perder esse filho e esse sentimento se torna cada vez mais difícil suportar.

[...] (choro) ontem eu tive alta e foi muito difícil sair e deixar eles lá chorei muito. Tenho muito medo de eles não aguentar, meu Deus me ajuda, é difícil demais (choro) (M2).

Percebe-se que nesse momento o choro é bem frequente, há muita carga emocional envolvida, as mães encontram-se despedaçadas psiquicamente pela situação na qual são atiradas e “obrigadas” a enfrentar. Esse momento é internalizado como mais uma separação, um distanciamento entre ela e seu bebê.

[...] me deu até recaída, fiquei dois dias bem mal, achei que ia entrar em depressão (M3).

Segundo Gomes (2004) toda mãe sofre um processo de separação já com o próprio nascimento, o que pode ser um trauma, pois antes ela sentia o bebê dentro dela, afinal ele  fazia de fato parte dela, com o nascimento, que também ocorre de forma abrupta, ela não tem mais a barriga, o bebê já não faz mais parte dela, mas a simbiose psíquica ainda continua. Em situações em que o parto ocorre normalmente, a mãe acaba suprindo esse trauma da separação por meio do toque com o bebê, do cheiro, da amamentação, em que ela concretiza a existência do que se instalava dentro dela, e conforma-se que agora são duas vidas e não mais uma só. Com a internação na UTI neonatal esse trauma é ainda maior, nada disso ocorre, a mãe não tem o bebê nos braços e acompanha seu filho a distância, perdendo momentos com os quais tanto sonhou, o primeiro banho na chegada em casa, o quartinho que ela preparou, as visitas no período da maternidade, enfim a mãe vai para casa e muitas dessas etapas são queimadas, o que faz com que ela se sinta perdida, desamparada, como se um vazio se instalasse dentro dela no lugar do bebê que nasceu.

[...] me sinto perdida sem o meu bebê aqui comigo, é muito difícil aceitar que ele precisa ficar lá (M4).

Além de a mãe estar vivenciando toda uma situação difícil ela recebe alta e por residir em uma cidade distante do hospital em que seu filho está internado, fica abrigada na casa de apoio, um lugar estranho e novo para as mães.

[...] aqui é bom porque se não fosse isso para onde a gente ia, mas é complicado, cada dia tem pessoas diferentes aqui, não é fácil, fora de casa, sem dinheiro e sozinha nessa situação,  é preciso ser forte, eu moro muito longe e nem temos condições financeiras para minha família vir sempre (M4).

Primeiro a mãe sofre o trauma da separação pelo nascimento e depois precisa elaborar a ideia de que seu filho está sendo cuidado por pessoas estranhas em um lugar estranho e, posterior a isso ela precisa adaptar-se a uma casa desconhecida, com pertences que não são seus, dormindo em uma cama que não é a sua e convivendo também com pessoas nunca  vistas. Nessa fase, as mães encontram-se extremamente vulnerável e num sofrimento intenso, o que facilmente pode contribuir para um estado depressivo pós-parto.

Essa situação traz consigo significativas repercussões emocionais, que são agravadas por uma sobreposição de perdas: a perda da barriga e do filho idealizado, o berço vazio, a própria internação do bebê, a ida para uma casa que não é a sua, enfim, o desconforto por ser tudo imposto de forma abrupta, causa nas mães sentimentos de intenso fracasso, de incapacidade e de inferioridade interior que são mobilizados, de uma forma geral, pela impossibilidade de gerar o próprio filho, aquele filho que ela planejou e tanto esperou ter.

3.3 Categoria 3: Sentimentos das Mães com as Rotinas da UTI Neonatal

Nessa categoria foram agrupados os sentimentos das mães com as rotinas da UTI neonatal e, como estas são distintas, foi dividida em quatro subcategorias para o melhor entendimento e compreensão do leitor, sendo elas: primeira visita na UTI neonatal, horários de visita e amamentação, relação com os médicos e vínculo estabelecido com outras mães.

O sonho de todos os pais é poder ver seu filho nascer e em pouco tempo levá-lo para o aconchego do lar. Realidade que nem sempre é possível. Quando o recém-nascido exige cuidados especiais este  momento  pode  levar  meses.  Além do mais, o ambiente  da UTI neonatal significa instabilidade do estado de saúde do bebê, momento angustiante principalmente para as mães.

3.3.1 Sub-categoria 1: Primeira visita na UTI neonatal

Na primeira visita percebe-se que as mães viveram um momento intenso porque a vivência da UTI neonatal pode ser assustadora num primeiro momento e talvez continue sendo posteriormente. A primeira visita pode ser aquela que traz a realidade de forma avassaladora.

[...] Quando eu entrei na UTI meu Deus sabe, é um lugar assustador que só dele estar lá a gente pensa que está mal, que é grave [...] nem sei explicar o que senti, dá uma angústia, um medo, ele é tão pequenininho (M1).

A UTI neonatal é um ambiente que dificulta e até mesmo impossibilita o contato  físico entre pais e bebê, há fios e barulhos muito íntimos à equipe e desconhecidos para a família que ingressa neste ambiente, há procedimentos de mínimo toque no bebê que nem sempre soam bem aos ouvidos das mães que o tiveram por meses no próprio corpo, dentro do útero (RIANI, 2009).

[...] ver eles na UTI ao mesmo tempo em que foi emocionante por ver que estavam bem e vivos foi um choque, eu chorei muito e era uma mistura de sentimentos, a UTI é horrível, tem muito barulho e eles cheios de sondas e aparelhos (M2).

Estar na UTI neonatal e ver seu bebê lá desencadeia nas mães sentimentos intensos de medo, impotência, insegurança frente à situação, frustração, fracasso e culpa por gerar um bebê real diferente do idealizado, permeado de angústia e de risco de morte elevado. Foi possível perceber a presença do luto materno diante da perda simbólica do bebê imaginário contradizendo o bebê real, acompanhado de intenso sentimento de culpa, associado à frustração (SILVA, 2008). Além disso, a mãe em sua fantasia criou um cenário para a chegada do seu filho, sonhou com um berço arrumadinho, com a roupinha especial que ela separou para o momento e ao entrar na UTI neonatal a realidade é diferente, o ambiente visto é diferente do imaginado, e o bebê também é diferente do idealizado, portanto, tudo nesse lugar parece assustador e novo para as mães, elas não se reconhecem nesse ambiente, nas  falas elas verbalizam este sentimento de forma bem intensa.

[...] você ver teu filho lá (silêncio e suspiro forte) é difícil (choro), é bem complicado (M3).

Apesar de as mães vivenciarem esse lugar como assustador, elas relatam se confortarem ao pensarem que lá seus bebês estão bem cuidados e vivos. Esta é uma forma de negar os fatos, bem como uma estratégia de enfrentamento na tentativa de amenizar o sofrimento do momento e se acostumar com o que está posto.

[...] Eu sei que enquanto meu bebê está lá na UTI ele está bem cuidado por isso que já não me deram ele, não é fácil, mas tem que levantar a cabeça e pensar que amanhã vai ser melhor que hoje (M3).

[...] Você sabe que é para o bem dele, que precisa, então estamos aí (M4).

Na maneira que se expressam percebe-se que não estão conformadas, mas não há outra maneira [...] Então, estamos aí (M4) pensando que amanhã vai ser melhor que hoje (M3), como dito por elas nas falas reescritas. Fica claro que está insuportável ter que aceitar, mas precisam mostrar-se fortes, o que embasado na cultura regional pode-se associar a ideia de  que sofrer é para os fracos, é preciso engolir o choro e seguir em frente.

3.3.2 Sub-categoria 2: Horários de Visita e Amamentação

As mães tem uma rotina de ir e vir do hospital diariamente, não tem períodos de descanso, mas os horários de visita parecem ser o que as mantém melhores, mesmo que por um curto espaço de tempo. Elas esperam ansiosas pela próxima visita para poder ver o bebê, porém o toque limitado imposto pelo ambiente/rotina hospitalar é o que causa nelas certo desconforto, pois demoram a acostumar-se com certas rotinas, ou até mesmo nunca chegarão a se acostumar.

[...] toda vez é aquela ansiedade, aquele sentimento ter que sair e deixar ele lá, você sabe que é pro bem deles, mas quando estou com ele passa tão rápido, no início eu sempre saia chorando, aí aquela coisa você só pode encostar a mão, não pode pegar no colo (M1).

As rotinas e os procedimentos hospitalares acabam dificultando o contato entre mãe/bebê. As mães tem meia hora por visita sendo uma em cada turno, o que na opinião delas é muito pouco tempo. Além disso, elas ficam extremamente ansiosas pela espera e desejo de poder pegar o bebê no colo.

[...] é muito pouco tempo que a gente pode ficar e se pudesse pegar no colo, mas com uma luva você só pode entrar com a mão na incubadora, é difícil conter a vontade de pegar eles  no colo, sentir o cheirinho deles, poder amamentar, beijar (M2).

A amamentação é outro fator que angustia as mães, pois nesse período não podem amamentar, apenas tiram seu leite que é dado aos bebês pela equipe do hospital através de sondas. A amamentação é o ponto chave de aproximação entre a mãe e o bebê, que faz com que ela o sinta novamente parte dela. A falta da amamentação é um ponto importante que as distancia dos filhos do ponto de vista psíquico.

Klein (1996) cita que os primeiros sentimentos do bebê surgem em conexão com estímulos externos e internos e a primeira gratificação que a criança obtém do mundo externo é a satisfação que obtém ao ser alimentado pela mãe, sentindo prazer quando sua boca é estimulada ao sugar o seio da mãe, o que também é prazeroso para a mãe. A autora menciona que o desmame é o primeiro trauma psíquico que a criança sofre, equivalente da castração, sendo um período crítico para a criança, pois ela perde seu objeto bom. Então, nesse caso,  com a situação da UTI neonatal o desmame é traumaticamente adiantado, sendo um momento difícil para o bebê, bem como para a mãe, pois a mãe, logo que o bebê nasce, o associa como uma posse sua totalmente dependente de sua ajuda.

Mantendo esse contato à distância, pode ocorrer uma ruptura no processo de vinculação mãe/bebê já que muitas mães sentem-se receosas de tocar ou conversar com seu bebê, como relata a M1.

[...] eu sempre ficava com medo, tão pequenininho que dá aquela sensação que você vai machucar, agora já 41 dias, eu estou mais a vontade, já mexo na fralda pra ver se fez xixi, dou uma mexidinha nele, mas no começo parece que a gente vai machucar (M1).

Nesse caso, o medo não é nem tanto de machucar, mas sim, o medo de amar é proporcional ao medo de perder, por isso essa demora em tocar, em sentir-se mais a vontade de mexer no bebê. Aparentemente fica um pouco a questão que a mãe inconscientemente vive esse dilema, como me apegar a alguém que posso perder a qualquer momento? Houve uma espera imensa para ter esse bebê, o sonho de ser mãe e todo o planejamento, e diante da situação a mãe troca o sonho pela incerteza, uma vez que, estando o bebê na UTI neonatal tudo se torna incerto. Essa troca do sonho pela incerteza deixa cicatrizes que por muito tempo tendem a machucar, o que pode vir a prejudicar o desenvolvimento do vínculo mãe/bebê futuramente.

Bowlby (1988) ressalta que, nesses casos, pode ficar comprometida a questão  do apego na relação da mãe com seu filho, que poderá ter dificuldades futuras em estabelecer um vínculo seguro com ele.

Apesar do medo que se instala as mães tem um investimento psíquico muito forte e importante para a recuperação do filho, portanto, não há como deixar de falar da função materna que Winnicott (2013) cita em que ele menciona que só as mães sabem do que seu filho precisa e que conseguem sentir-se no lugar do bebê correspondendo as suas necessidades, que no início, são necessidades corporais, e aos poucos, vão se transformando em necessidades do ego. Enfatiza ainda, que a mãe é capaz de oferecer um meio-ambiente facilitador no qual o bebê seja capaz de ser e crescer.

Baptista e Dias (2012) em pesquisas na área da vinculação mãe-bebê reforçam que é importante que o hospital forneça condições para que as mães possam participar mais ativamente de alguns cuidados com o filho, como o banho, a troca da fralda, dentre outros cuidados básicos, pois conseguiram atestar que esta questão diminui a ansiedade da mãe e melhora o processo de vinculação entre ambos, bem como pode favorecer numa evolução do quadro clínico do bebê.

3.3.3 Sub-categoria 3: Relação com os Médicos e Demais Profissionais do Hospital

A equipe de saúde ao lidar com os pais precisa assumir uma postura honesta e sincera, isso fará com que os mesmos se sintam mais seguros, reduzindo os níveis de estresse e ansiedade. O diálogo entre os profissionais de saúde e os pais é fundamental para esclarecer as dúvidas que os pais venham a ter com relação ao estado de saúde do filho e diminuir a ansiedade (FAVARATO; GAGLIANI, 2012). Quando este momento não ocorre tende a causar ainda mais danos no sofrimento psíquico dos pais, a forma de se expressar de alguns médicos foi o que se mostrou bem forte para as mães.

[...] tem dias que você não sabe o que pensar, se acredita no que os médicos estão falando, porque cada médico fala uma coisa ai você fica sem saber no que acreditar, tem uns que tem jeito para falar as coisas, já tem outros que tem uma maneira bem drástica que te jogam lá  no chão, você sai num desespero que não sabe nem o que fazer (M1).

As mães se encontram em uma fase de incertezas e medos, confiar nos profissionais da saúde é um passo muito importante a fim de que amenize o sofrimento vivido. Winnicott (2013) ressalta esta questão quando fala que a mãe deve ter confiança nos médicos e se esta confiança estiver ausente, ela terá medo de delegar responsabilidades, e na verdade, terá medo da situação em que se encontra, culpando-os por qualquer coisa que não dê certo, sejam eles culpados ou não.

[...] eu não suporto um dos médicos do plantão, então toda vez que ele está eu fico sem saber notícias de como está o meu bebê, já todos os outros médicos e o pessoal da enfermagem são uns amores, se não fosse por eles eu não ia confiar de deixar o meu bebê aqui, sempre fico insegura quando é o plantão daquele médico, saio sempre chorando do hospital (M4).

Cabe aqui uma intervenção da Psicologia. O trabalho do Psicólogo no ambiente hospitalar, além de dar apoio aos pacientes, é fazer o “meio campo” entre a equipe médica e os familiares. O Psicólogo precisa, além de fortalecer os pacientes, também fortalecer os médicos e demais profissionais do hospital, principalmente aos que tem acesso aos serviços  da UTI neonatal. Esse ambiente é cercado por um limiar de incertezas e de procedimentos doloridos em que não só a família fica vulnerável, mas também os profissionais da saúde que nele circulam e que, além de tudo, lidam com a morte frequentemente.

É preciso que haja, nos ambientes hospitalares, um atendimento multiprofissional para que todos sejam tratados de forma humanizada, pois este tem um papel fundamental no fortalecimento das relações interpessoais, devendo em todas as situações ser prioridade no tratamento hospitalar e familiar, a fim de que não cause mais danos a saúde psíquica das pessoas neste momento de vulnerabilidade (CRUZ et. al, 2010).

3.3.4 Sub-categoria 4: Vínculo Estabelecido com Outras Mães

A permanência no hospital é para as mães uma experiência de perdas e ganhos. Por  um lado, a mulher perde ao se distanciar da família, de sua cotidianidade e de suas atribuições como mulher, mãe e esposa. Por outro, ela tem a possibilidade de conviver com outras mulheres que se encontram na mesma condição e de adquirir confiança e habilidade para o cuidado do filho (TRONCO, 2012). Isso faz com que criem um vínculo de amizade entre as mães, pois são nesse momento as pessoas que entendem o que ela está sentindo.

[...] uma sempre dando força pra outra e isso acaba criando um vínculo bastante grande de amizade (M1).

Diante da dor, elas empaticamente entendem o que as demais estão sentindo e acabam dividindo emoções umas com as outras, sofrendo juntas em momentos de dor. Isso dá a elas um suporte emocional bem importante nesse momento difícil.

[...] o ambiente hospitalar faz com que a gente saia todo dia com o coração apertado e às vezes, não é nem só pela gente, a gente acaba criando um vínculo com as outras mães que estão ali, então a gente sofre pela outra também, quando acontece o pior a gente sofre como se fosse o teu, porque de certa forma poderia ter sido (M1).

Não só em momentos de dor, mas também em momentos de alegria elas vibram com os bons momentos.

[...] ontem um bebê teve alta, eu chorei de alegria junto com a mãe, você se coloca no lugar da outra (M3).

Longe da família e de casa elas muitas vezes só contam com o apoio uma da outra. Como ficam na casa de apoio a vida ali vira rotina entre o ir e vir   ao hospital, não tendo com quem contar e dividir suas angustias e tristezas, então acabam se tornando próximas, numa relação que pode ser apenas de compreensão, mas que representa muito psiquicamente.

[...] todas estão no mesmo barco, então nem sempre uma tem força pra passar pra outra, acho que o que mais fazemos é chorar juntas (M3).

A compreensão e o apoio que dividem e trocam entre elas parece ser confortante e ajuda para que essa caminhada não seja tão desgastante e tenuosa. Essa relação estabelecida entre as mães pode ser chamada de identificação que segundo Freud (1996) é conhecida pela psicanálise como a mais remota expressão de um laço emocional com outra pessoa, o laço mais poderoso que se pode estabelecer com outro ser humano.

Essa identificação ocorre entre as mães por elas colocarem-se na mesma posição, e por terem vivências semelhantes. Nesse caso, cabe ressaltar que esse laço estabelecido é de extrema importância já que as mães estão longe de casa e da família, e como os bebês encontram-se praticamente na mesma situação elas acabam trocando experiências e sabem  que serão entendidas, justamente pela identificação estabelecida. O que os profissionais da Psicologia clínica hospitalar podem contribuir diante deste fato é aproveitar esse vínculo que as mães estabelecem e formar grupos com encontros semanais. A formação de grupos seria de extrema importância e significância para as mães, pois teriam uma oportunidade para esclarecer suas dúvidas, conhecer melhor as histórias das outras mães, ser acolhidas pela equipe e ter seus sentimentos reconhecidos, poder falar dos seus medos e angústias que como bem expressado nas falas elas já estabelecem uma relação empática e esse trabalho teria uma eficácia bem importante para as mães que precisam ser fortalecidas e amparadas nesse momento.

3.4 Categoria 4: Sentimentos Decorrentes do Estado de Saúde e Internação do Bebê

Estudos mostram que após o nascimento do bebê e durante sua internação na UTI neonatal, as mães apresentam ansiedade elevada (FRAGA et. al, 2008). Nas falas, fica bem evidente quando trazem suas vivências e expressam seus sentimentos com relação ao estado saúde e internação do bebê.

[...] É difícil viu, a gente fica com o coração na mão porque todo dia você vai lá e espera receber uma notícia boa e nem todos os dias é assim (M3).

Nesse período são orientadas para viver um dia de cada vez, pois no ambiente da UTI neonatal o que prevalece é a incerteza e a instabilidade está sempre presente. Elas relatam que precisam apenas esperar.

[...] a espera é bem desgastante (M1). [...] dói muito viu (choro) (M2).

As mães vivem uma espécie de “montanha russa”, o estado de saúde do bebê apresenta-se instável o tempo todo e esta vivência gera grande ansiedade nelas. Relatam tentar se controlar pelo bebê, ficar forte para dar força a ele e não afetar o leite. Relatam ainda, que precisam apenas esperar, mas demonstram sofrer muito com essa espera. Evidenciou-se o quanto estão despedaçadas psiquicamente, sem forças para aguentar, mas verbalizando que precisam se manter bem, ser forte, o que demonstra que há um grande investimento psíquico contido nessa relação, pois estão buscando forças que já não tem.

[...] Eu preciso ter paciência, viver um dia de cada vez, procuro não ficar nervosa e não me manter tanto ansiosa porque isso afeta no leite (M3).

[...] procuro nem pensar no que estou vivendo para não afetar o leite porque ele precisa muito de mim nesse momento (M4).

As mães verbalizam viver um dia de cada vez, porém relatam que a espera é desgastante e dolorida, ficando claro que existe muita ansiedade quanto ao dia de amanhã. Diante das considerações, percebe-se a complexidade de emoções e sentimentos vividos com a internação do bebê na UTI neonatal, pois esse ambiente significa risco de morte. Assim, o medo da perda iminente e do desconhecido transforma, provavelmente, a alegria em dúvidas e incertezas sobre o futuro próximo.

[...] Então assim, cada dia é um dia e cada dia uma vitória vencida, meu Deus não é fácil (M1).

Diante deste fato, exige-se especial atenção as mães, pois, essa fase é permeada de ansiedade e expectativas, sobretudo, quanto ao diagnóstico e tempo de permanência do bebê. A ansiedade com relação a esse aspecto vem acompanhada de sentimentos de insegurança, ao vivenciar a preocupação do estado de saúde do seu filho (CRUZ, et. al, 2010). Neste contexto, a Psicologia tem um papel fundamental, pois pode mostrar-se presente ajudando e compartilhando as angústias e medos apresentados pelos pais, a fim de minimizar essa experiência tão dolorosa, também pode ajudar os pais a enfrentar as mudanças decorrentes dessa situação, bem como a reorganizar suas vidas. A escuta diferenciada do psicólogo em momentos como este é de grande valia, pois permite que os pais expressem o reprimido e o insuportável (FAVARATO; GAGLIANI, 2012).

3.5 Categoria 5: Percepção da Mãe com Relação ao Bebê e Formação do Vínculo Afetivo Entre Eles

A relação mãe-bebê é de grande importância por dar formação ao vínculo afetivo. O bebê já está representado no psiquismo dos pais muito antes de sua concepção e muitas são as expectativas depositadas numa gestação. Pode-se dizer que este bebê já nasce com uma  grande responsabilidade: terá que ser o mais perfeito, o mais bonito e o mais saudável para  dar conta de todos os planos e sonhos que estão sendo feitos ao longo do período gestacional. No caso do bebê nascer prematuro ou com algum problema de saúde muito destas questões sofrem interferência e pode surgir uma espécie de luto pela perda do bebê dos seus sonhos, os pais lamentam os defeitos dos seus filhos e culpam-se por esta razão, consciente ou inconscientemente. (FAVARATO, GAGLIANI, 2012).

[...] eu imaginei algo bem diferente para o nascimento deles, sempre sonhei que quando eu fosse ter os bebês as pessoas pudessem ir me visitar no quarto, conhecer meus filhos e tudo aconteceu diferente de como eu imaginei (M2).

Percebe-se na fala da mãe o quanto ela sonhou com o momento do parto e  foi diferente, assim também ocorre com relação ao bebê por esse não ser perfeito como  o sonhado.

[...] eles são tão frágeis, tão pequenininhos, um deles tem os pezinhos que não está bem formadinho ainda (M2).

Os autores (CAMARGO et.al., 2004; KLAUS e KENNELL, 1992; OLIVEIRA   et.al.,

2011) apontam que esse contexto sugere uma vivência particular para os pais, principalmente para a mãe e é marcada por uma série de condições como frustração, desamparo, culpabilização.

[...] eu fiz o que o médico mandou, mas como era a primeira gravidez não sabia muita coisa, então fico me perguntando se fiz algo de errado durante a gestação para que isso  acontecesse (M1).

Com relação a esse sentimento de culpa, Winnicott (2013) menciona que mães e pais culpam-se e de fato eles costumam culpar-se por quase tudo, pelo que nenhum deles certamente pode ser considerado responsável. Entretanto, apesar de haver uma culpa por tudo ter saído diferente do planejado, as mães veem os bebês lindos e procuram achar traços da qual elas imaginaram durante a gestação, os olhos do pai, o nariz da mãe. A M2 relata anteriormente que eles são frágeis, pequenos e não tem os pés bem formadinhos, mas seguida e essa fala ela relata:

[...] eles são tão lindos (riso misturado com choro) a boca, o nariz, o rostinho, sabe (M2).

A M3 também relata essa mistura entre perfeição/imperfeição que ao olhar delas é perfeito.

[...] quando vi eu nem acreditei que era meu, ao mesmo tempo em que era tão pequenininho, todo roxinho, indefeso, é a coisa mais linda que eu já vi, sabe aquela coisa, você pensa, saiu de mim (M3).

Nessa fala, assim como em outras trazidas pode-se dizer que as mães pelo seu próprio narcisismo como postulado por Freud (1996) buscam confirmar-se através do bebê em conformidade com o que ela própria é, ou foi, ou mesmo gostaria de ser e mais alguém que  foi uma vez parte dela mesma, atribuindo sob compulsão, todas as suas perfeições ao filho, que uma observação sóbria não permitiria, e de ocultar e esquecer todas as deficiências dele. Além disso, sentem-se inclinados a suspender, em favor da criança o funcionamento de todas as aquisições culturais que seu próprio narcisismo foi forçado a respeitar, e a renovar em  nome dela as reivindicações aos privilégios de há muito por eles próprios abandonados. As falas desta categoria parecem não permitir que o narcisismo seja “quebrado” pela situação, por isso as mães tem essa distorção da imagem do bebê, em que elas mesmas relatando que são pequenos, que estão roxinhos e cheios de aparelhos acham eles lindos e verbalizam “saiu de mim” confirmando esse narcisismo.

3.6 Categoria 6: Formas de Aceitação e Enfrentamento X Expectativas

As mães acabam se apegando com Deus e confiando que essa fase instável passe e possam curtir seu bebê como imaginaram e sonharam durante o período de gestação.

[...] A gente acaba se apegando muito com Deus, rezando, rezando, rezando, porque não é fácil, é bem desgastante mesmo, tem horas que a gente pensa será que eu vou ter força para aguentar tudo isso? (M1).

Nessa fé em Deus elas acreditam sempre em dias melhores, e essa fé é uma estratégia de enfrentamento em que para amenizar o sofrimento vivido hoje pensam que o amanhã será melhor, o que de alguma forma, também é uma maneira de expiar a culpa por tudo ter saído diferente do planejado como mencionado anteriormente e colocar a responsabilidade em outro lugar, bem distante inclusive.

[...] Acredito que o pior já tenha passado (M3).

Nessa fala parece que ela quer amenizar o sofrimento vivido, tentar ser forte, pois ela verbaliza como uma forma de dizer para si própria: chega de sofrimento, não aguento mais, então, que venham dias melhores. A M4 encontra-se na fase da negação, 45 dias depois que seu bebê está na UTI neonatal ela questiona-se.

[...] porque Deus fez isso comigo, o que eu fiz de errado, eu sempre confiei nele e agora acontecer isso comigo (M4).

As mães passam pelas mesmas fases do luto, luto pelos diversos acontecimentos ter sido diferente do imaginado. É comum que nas primeiras semanas haja negação, revolta, e muito disso ocorre em função da troca do sonho pela incerteza.

Apesar de o nascimento não ter ocorrido como os pais imaginaram, o poder de superação culmina em expectativas e esperanças de convivência futura com o filho. Percebe- se na fala das mães a reação de alegria no desejo de recuperação do filho, desejo de pegar no colo, amamentar e de levá-lo para casa.

[...] não vejo a hora de pegar ele no colo e poder amamentar, sentir ele pertinho de mim de verdade (M3).

É interessante analisar que mesmo sentindo-se impotentes, conformando-se com a espera, as mães demonstram atitudes positivas diante da real situação, uma vez que acreditam no tratamento e na recuperação da saúde do filho. Esses sentimentos parecem perdurar pelo período da internação, pois diante dessa perspectiva de alta hospitalar, as sensações negativas dão lugar à alegria. Portanto, o que mantém as mães bem é essa expectativa de uma melhora e de dias melhores, quando poderão ir para casa com o bebê saudável nos braços.

5. Considerações Finais

O momento da maternidade e o ser mãe é uma etapa muito importante na vida da mulher, pois ali está presente a construção de uma história de vida inteira, em que muitos sonhos foram depositados e todo um planejamento foi feito. Nesse caso, com a internação do bebê na UTI neonatal ficou bem evidente que elas vivenciam um turbilhão de emoções das mais diversas naturezas e os sentimentos existentes são os mais variados, sendo este um momento difícil e com uma carga emocional intensa, tanto para as mães que vivem o momento como para os profissionais que estão inseridos nesse ambiente. Toda essa carga emocional também me afetou tanto no período das entrevistas como no decorrer do trabalho em contato com as falas das mães, sendo que, este estudo foi concretizado com total emoção e comoção.

Os achados da presente pesquisa reforçam ainda mais a necessidade e importância de uma equipe multidisciplinar inserida e atuante nos ambientes hospitalares, principalmente em momentos como este, de total vulnerabilidade e fragilidade emocional, ressaltando principalmente a importância da Psicologia, que pode ajudar verdadeiramente nessa fase difícil, mas cabe ressaltar que é preciso que estes estejam preparados e preocupados em cuidar de fato da saúde mental das pessoas.

Nota-se que as mães, diante de tudo o que enfrentam nesse ambiente e do estado de saúde do bebê, encontram-se despedaçadas psiquicamente e é gritante a necessidade de apoio, bem como uma escuta diferenciada nesse momento. O que percebe-se nesse caso é que a Psicologia encontra-se inserida dentro desse ambiente hospitalar, entretanto, há pouco contato entre os profissionais e as mães, que em vários momentos relataram ter esse acompanhamento somente se solicitado e já quando se encontravam em profunda depressão.

Assim sendo, é importante ressaltar que os profissionais nesse caso, devem ter maior aproximação com as mães, bem como com a equipe em geral, uma vez que sua participação e apoio são fundamentais no fortalecimento emocional, devendo, portanto, mudar o olhar e a postura com relação à forma na qual estão atuando. Cabe aqui mencionar também, que o trabalho do Psicólogo nesse ambiente é extremamente delicado e pesado, uma vez que a carga emocional presente ali é imensa, sentido também no contato com as mães em curto espaço de tempo durante o estudo realizado.

Acredita-se que nesse ambiente é válida a formação de grupos com as mães, já que possuem tempo livre e vão para o hospital em determinados momentos do dia. O trabalho de grupo seria extremamente importante, pois, além de ajudar as mães, seria uma maneira de os profissionais identificarem o que mais precisa ser trabalhado e aonde se encontram as maiores dificuldades e vulnerabilidades das mães. Acredita-se que esse trabalho associado com a identificação que as mães adquirem uma para com as outras teria bastante eficácia, pois essa identificação e ajuda mútua amenizam o trabalho que o Psicólogo sozinho não consegue fazer. Este estudo, portanto, é de grande relevância e acredita-se na necessidade de novos estudos que abordem o tema de forma mais ampla, envolvendo inclusive outras realidades.

Sobre os Autores:

Luciane Mara Turatti - Acadêmica do curso de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Campus de São Miguel do Oeste – SC. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Juliano Côrrea da - Orientador. Psicanalista (CEP de PA), Mestre em Psicologia Clínica (PUCRS). Professor da Universidade do Oeste de Santa Catarina. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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