Humanização Hospitalar: dos Primórdios à Atualidade, um Breve Relato

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Resumo: A proposta de humanização nasce como forma de oposição à violência institucional existente nos hospitais brasileiros, e isso se concretiza com atos em que se nega a subjetividade dos sujeitos e a sua completude, quando lhes reduzem a meros objetos. Desta forma, humanizar é modificar o modo de se fazer e produzir assistência hospitalar. É modificar toda a sua estrutura. E partindo deste princípio foi que objetivamos analisar a construção histórica da humanização hospitalar no Brasil, perpassando pela história do hospital enquanto modelo europeu adotado pelo Brasil, afim de que pudéssemos analisar os principais sentimentos dos sujeitos em relação ao hospital, culminando assim na tentativa de conceituar a humanização hospitalar, denotando a importância que se é humanizar a assistência hospitalar. Para tanto realizamos uma pesquisa de cunho bibliográfico em livros publicados no Brasil, artigos científicos, esta fundamentada no método qualitativo.  Concluiu-se que a humanização hospitalar é uma tarefa difícil e de grande complexidade, pois denota mudanças no modo de atuação da equipe, das estruturas do hospital e nem sempre os envolvidos no processo hospitalar estão abertos a mudanças. Mesmo diante do investimento promovido pelos órgãos competentes em propor uma atenção a saúde humanizada encontramos ainda muitos estabelecimentos hospitalares distantes do que vem a ser uma instituição humanizada, mas uma instituição altamente violenta.

Palavras-Chaves: Humanização, Hospital, Paciente, Psicologia Hospitalar

1. Introdução

O alvorecer dos séculos XIX e XX veio acompanhado de mudanças sociais significativas, dentre elas podemos destacar a entrada da medicina no hospital, apontada por muitos teóricos como o mais importante acontecimento ocorrido nos últimos séculos na área da saúde.

A entrada da medicina no hospital imprimiu-lhe uma nova face. Antes marcado pela caridade cristã, agora é modificado por uma nova política de atuação, que se volta para as preocupações com saúde e doença, e o que antes era lugar de hospedagem/prisão torna-se um lugar para um ambiente médico, que agora muda sua estrutura, administração, modo de ser e fazer.

Atualmente, o ambiente hospitalar passa por constantes reestruturações, com a inserção de novas tecnologias e novas práticas de intervenção multidisciplinar. Este novo ambiente, proporciona a medicina uma nova forma de se produzir saúde, graças a informática e  às máquinas que são capazes de ver além dos olhos, além da descoberta de fármacos que possibilita tratar mais precisamente as doenças, o que tem tornado a intervenção dos profissionais de saúde cada vez mais específica.

Com a tecnologia, a medicalização da medicina, nasce um hospital desumanizado, despreocupado com o lado humano dos sujeitos, que vai desde a equipe técnica do hospital aos pacientes. Todas estas mudanças trouxeram graves problemas ao hospital, e a relação médico-paciente sofreu drásticas mudanças.  O hospital agora é capaz de cuidar, tratar, salvar, porém incapaz de vê e reconhecer os sujeitos além de objetos, doenças, e máquinas, com uma visão cada vez menos holística sobre o paciente.

A partir do exposto decidimos investigar de forma breve a Humanização Hospitalar desde os primórdios até a atualidade, com o objetivo de investigar a contribuição do processo de hospitalização na construção da (des)humanização hospitalar, perpassando pelos sentimentos e percepção sofridos pelos sujeitos, analisar os principais fatores que influenciam na desumanização hospitalar, perpassando a origem do hospital a atualidade, uma construção histórica. origem do hospital culminando com a ideia de humanização da atualidade.

Esta pesquisa norteou-se sobre o olhar investigativo da construção da história do hospital e sua influência na (des) humanização, para tanto nos referenciamos nas duas obras intituladas, História da Loucura (1961) e Microfísica do Poder (1979, 2010), ambas de Michael Foucault.

 Investigamos também os sentimentos mais comuns imbuídos nos sujeitos em processo de hospitalização ou a própria hospitalização, por fim buscamos considerações a respeito da história da humanização na tentativa de conceituá-la.

2. Metodologia

Trata-se de uma pesquisa classificada segundo Mancini (2006) como um estudo de revisão bibliográfica, por realizar uma análise e síntese de informações disponibilizadas por estudos relevantes sobre determinado tema, e que foi fundamentada a partir da leitura e compreensão da literatura já existente presente em livros do acervo pessoal e artigos científicos especializados encontrados através de busca nos bancos de dados SciELO, BIREME, e  Google Acadêmico, além das fontes Medline e LILACS, onde foram utilizados termos como Humanização, Psicologia, e hospitalização, onde foram escolhidos os trabalhos que dissessem a respeito do tema proposto, e que trouxessem informações relevantes de serem discutidas aqui.

3. Referencial Teórico

3.1 Um breve relato histórico do hospital.

Para Foucault (2010) a história do hospital pode ser dividida em dois períodos. O primeiro anterior ao século XVIII, no qual o hospital é caracterizado como uma instituição de assistência aos pobres, como eram classificados aqueles que se encontravam a margem da sociedade europeia que os consideravam a sua parcela anormal, e que para se preservar a ordem e a normalidade era necessário retirá-los das ruas, colocando-os em um ambiente que os mantivessem em ordem e não se caracterizasse como uma ameaça a norma, estes eram submetidos a uma variedade enorme de regras, propostas nos regulamentos gerais destes ambientes descritos por Foucault na obra intitulada História da Loucura (1972) onde o hospital era figura de exclusão e separação dos sujeitos da sociedade.

Neste período no hospital não havia preocupação com a saúde dos internos, e segundo Brasil (1965) estas instituições eram responsáveis por um grande número de óbitos, devido a falta de cuidados médicos, a precariedade estrutural, o desconhecimento da medicina bacteriologista e virologista, ao tempo que os internos sadios conviviam diretamente com os enfermos.

Os hospitais enquanto ambiente de hospedaria, (pois em nada eles se caracterizavam com a ideia de hospital o qual é concebido na atualidade.), eram mantidos e administrados pelas instituições religiosas da época, e diferentemente do hospital que conhecemos este não tinha a figura do médico. Neste período a medicina era regalia dos mais ricos, que recebiam as visitas dos médicos em suas casas, quando estavam necessitados. (FOUCAULT, 2010).

O segundo momento da história do hospital que corresponde ao período posterior ao Século XVIII e início do século XIX e XX, é marcado pelo rompimento entre administração hospitalar e religião, passando agora a responsabilidade de administrar os hospitais às municipalidades.(FOUCAULT, 2010).

Com a entrada da medicina no hospital o médico tornou-se o novo administrador, este fator é considerado por Brasil (1965) como à mudança mais importante e significativa; no entanto esta não foi uma conquista da população e nem tão pouco foi concebida se pensando nela, mais pelo fato de que com o avanço tecnológico e com ele o surgimento do fuzil no exercito, que tornavam o treinamento dos soldados mais onerosos aos cofres públicos, viu-se que não se podiam perder soldados feridos em combate, por ferimentos que poderiam ser curados com a ajuda de um especialista, neste caso o médico, e foi a partir desta necessidade imposta pelo sistema capitalista que o médico tornou-se peça fundamental no hospital, desencadeando assim uma variedade de mudanças, que partiam desde as estruturas físicas às tecnológicas.

Aos poucos as mudanças ocorridas nos hospitais do exercito, foram também alcançando a sociedade civil, de forma bem lenta. (FOUCAULT, 2010)

Estas mudanças ficaram mais evidentes com a 2ª e 3ª Revolução cientifica e técnica, que promoveu várias conquistas no tangente da saúde. Houve assim o domínio da bioquímica, da farmacologia, etc., com implicações tanto no diagnóstico como na terapêutica e na reabilitação, eis que o hospital ficou impregnado pelas tecnologias. (GRAÇA, 1996)

Com a técnica houve a necessidade das especializações. Os médicos agora se especializavam em doenças específicas, em órgãos, sistemas, etc., porém segunda afirma Graça (1996, p. 10)”... o hospital de ontem, dá lugar a um mundo de botas brancas e de tecnologia de ponta, asséptico mas desumanizado.”

E assim o hospital passou a ser o centro da saúde. A idéia de saúde coletiva acabou sendo esquecida ou colocada em segundo plano enquanto houve investimentos em massa numa medicina técnica e tecnológica. O médico ganhou poder, passou a ser o centro da relação saúde-doença, isto é não existe saúde/cura sem a presença do médico. (GRAÇA 1996).

Segundo Goldenstein (2006, p. 42):

Criou-se um verdadeiro mito da medicina tecnológica, do poder dos hospitais e dos médicos, como se fosse possível curar todas as doenças através de tecnologia ou de transplantes cardíacos.

Esta nova aurora no hospital traz ao seu contexto inúmeras mudanças, principalmente no que se faz referência ao diagnóstico e tratamento de doenças. A tecnologia que ganha poder após a Segunda Guerra Mundial, toma espaço nos hospitais, proporcionando aos médicos maior poder de diagnóstico e em consequência, de tratamento, a descoberta dos fármacos e a sua administração dentre outros fatores traz um novo modo de se fazer saúde, e se pensar doença (GOLDENSTEIN, 2006).

Outra característica que nasceu com o alvorecer da medicina no hospital, foi à construção de um hospital comércio, criada por grandes empresários que viram no hospital, nos médicos e nos pacientes uma promissora fonte de renda e economia, graças às grandes descobertas que precederam este século, como a descoberta do antibiótico e de outros fármacos para se tratar patologias de forma pontual. (AMIN, 2001)

Assim o hospital passa a representar o mercado, o médico o produtor e por fim o paciente aquele que consome e paga a conta. Com este novo modelo o médico é sobrecarregado de funções, de consultas, procedimentos, afetando diretamente aquele que precisa do cuidado e atenção o paciente, que vê toda essa situação com desconfiança. (GOLDENSTEIN, 2006)

Diante de toda a pressão investida no médico pelo modelo capitalista que a saúde vive, ele se coloca diante das suas próprias pressões, pois segundo Goldenstein (2006) a medicina e o médico ganhou poder e destaque nos últimos tempos, e com isso há uma excessiva confiança dos pacientes no médico e do médico nos seus próprios meios terapêuticos, ou seja o médico não pode errar, errando ele quebra com toda a crença depositada pelo paciente no médico.

Cobra-se um diagnóstico pontual, uma terapêutica eficiente, etc., e este comportamento acaba por gerar uma cisão entre o médico e todos os sujeitos imbuídos no hospital, “já que a obrigação de fazer o máximo para alcançar a cura e a exigência excessiva da competência se antepõe a qualquer gesto de humanidade” (AMIN, 2001).

O hospital enquanto instituição teve sua história dividida em dois períodos, com transformações e características distintas e peculiares a cada um, observamos em Foucault (2010) um hospital segregador que separavam os sujeitos por classes sociais, e um segundo hospital também segregador, porém com o objetivo de curar e tratar. Portanto a história do hospital é marcada por mudanças, estas significativas à vida da sociedade, porém estas construídas sob a óptica da desumanização, da exclusão.

3.2 O Sujeito e a hospitalização

Anterior ao período da hospitalização os sujeitos eram tidos e percebidos como tal, ou seja, com poder de decisão, autônomos, que cuidam das suas vidas, do seu corpo, e pouco dependem de outras pessoas para realizar atividades rotineiras (AMIN, 2001).

Com o adoecimento e em consequência a hospitalização, os sujeitos são lançados em outro mundo até então desconhecido e levados a viver uma nova realidade, esta dirigida e ordenado sob a responsabilidade de outras pessoas, muitas vezes estranhas ao seu convívio social (GOLDENSTEIN, 2006).

Durante o processo de hospitalização os sujeitos perdem as características que lhes são próprias, e passam a ser tidos e esperados como pacientes, ou seja, daqueles de quem se espera passividade, respeito às regras, aceitação ao tratamento que lhe é imposto, visto que este está sendo realizado por um bem maior, que é a recuperação e preservação da sua vida (AMIN, 2001).

Desta forma, percebe-se logo de início um tendencionismo de transformar os sujeitos em meros objetos manipuláveis, palpáveis, e de acordo com Amin (2001) e Goldenstein (2006) para a equipe técnica do hospital, se o paciente não falar não reagir, não perguntar, estará colaborando para eficiência do pessoal de internação, e claro, com a manutenção da rotina pacificamente.

Esquece-se que este que agora está doente, preso ao leito hospitalar, deixou sua vida, sua família, suas responsabilidades fora do ambiente hospitalar e lhes obrigam a viver uma realidade que não é sua (GOLDENSTEIN, 2006) .

Tende-se a reduzi-lo a patologias. Ignora-se o homem como um ser completo, que muito além de um corpo doente ele é, um ser social, psicológico e espiritual (AMIN, 2001).

Negam-lhe ainda sua história, causando-lhe segundo Amin (2010) sentimentos de angústia, frustração, medo, etc., na tentativa de serem específicos no diagnóstico e tratamento, porém como afirma Goldestein (2006) de nada valerá um diagnóstico e dados objetivos de patologias, seu prognóstico e técnicas de intervenções, se não for considerado que não se trata de uma doença, mais sim de pessoas doentes e nesse sentido, desconhecer a história da pessoa equivale a negligenciar o próprio sentido desse trabalho.

O processo de hospitalização ocasiona ao sujeito hospitalizado uma cisão da sua vida normal. Eis que ao tornar-se paciente, ele torna-se vulnerável, parte externa de um processo ao qual ele está inserido, ou melhor, é parte fundamental deste, no entanto impõe-lhes procedimentos invasivos sem que lhes peçam autorização e consentimento.

Com as rotinas de tratamento, o paciente sente-se, se quisermos falar do aspecto físico, agredido e invadido (invasão que ocorre, por exemplo, através de sondas, cateteres, drenos, etc.), gerando sentimentos de dúvidas, medo, expectativas, sensações estranhas em sua corporeidade,etc., atingindo e, até comprometendo sua identidade.” (SANTOS E SEBASTIANI 2003, p. 153). 

É importante salientar que no processo de hospitalização além do medo, da angústia e da ansiedade em relação ao internamento e tratamento, o paciente sofre um dos fatores mais penosos na hospitalização,que de acordo com Camon (2010) é o processo de despersonalização, o qual “o paciente deixa de ter o seu próprio nome e passa a ser um número de leito ou então alguém portador de alguma determinada patologia”.

Isso se dá pelo fato de que com o avanço tecnológico no hospital, ocorreu uma “fragmentação ocorrida a partir dos diagnósticos cada vez mais específicos que, além de não abordarem a pessoa em sua amplitude existencial, fazem com que apenas determinados sintomas existam naquela vida”. (CAMON, 2010).

Desta forma como expressa Goldenstein (2006, p.48) a hospitalização faz com que haja a fragmentação do sujeito proposta pela medicina atual que “confia extremamente na eficiência da medicação química, e [...] cirúrgica”, negando a importância da anamnese.

Este último capaz de proporcionar ao médico/paciente uma relação agradável e necessária para ambos no processo saúde/doença, acreditando que esta nova forma de se fazer saúde proporcione aos sujeitos maiores chances na sua recuperação.

Porém, seguindo o pensamento de Amin (2001) este processo acarreta aos sujeitos hospitalizados uma série de sentimentos que podem ao contrário do que se pensa, agravar ainda mais a sua situação atual, pois “o paciente sente-se um morto-vivo, ao ser lhe dado o nome da doença, como se ele fosse, a partir daquele momento, aquele nome, e não mais ele.”

3.3 A humanização hospitalar no Brasil

Diretamente influenciado pelo modelo europeu, o Brasil, no que se faz referência à saúde, adota as mesmas características do modelo de saúde europeu, o mesmo ocorre com o modelo hospitalar da época, em que as Santas Casas de Misericórdia, instituídas pela Igreja recebiam a parcela mais pobre da sociedade, os hospitais do exercito cuidavam dos feridos em guerra ou acometidos de alguma doença, os mais abastados tinham os médicos que atendiam em casa e quando se precisava de procedimentos cirúrgicos os cirurgiões barbeiros tratavam de operá-los nas suas próprias residências (HELITO E KAUFFMAN, 2007).

Em 1542, Braz Cubas inicia em Santos a construção da primeira Santa Casa de Misericórdia, daí foram sendo construídas outras casas espalhadas pelo pais, o exército se conveniou com as Santas Casas, porém com afirma Helito e Kauffman (2007) devido as precariedades destas instituições o exército decide construir aquele que seria o primeiro hospital militar do Brasil, este atendia tanto soldados como a população civil, quando por qualquer motivo as Santas Casas não podiam fazer, porém o hospital do exército acabou vivendo as mesmas condições precárias das Santas Casas.

A grande parte dos hospitais brasileiros foi erigida sob a óptica da filantropia, a enfermagem era assumida pelas irmãs de caridade, muitas vezes sem nenhuma formação e\ou capacitação, tanto é que apenas em 1921 foi que teve inicio por iniciativa de Carlos Chagas o primeiro curso superior da moderna enfermagem.(HELITO E KAUFFMAN, 2007)

O cenário começou a passar por mudanças por volta dos anos 80, quando devido à incrementação das campanhas sanitaristas patrocinadas pelo Estado tornou-se necessário criar hospitais públicos, para que pudessem tratar tal realidade com maior precisão, essa realidade também modificou os cuidados dispensados aos doentes mentais, onde D. Pedro II “penalizado com as condições subumanas vividas pelos alienados, assinou um decreto para a construção de um hospício no Rio de Janeiro” (HELITO e KAUFFMAN, 2007, p. XIVI) sendo o mesmo concretizado em 1852.

Este período fora caracterizado pelo auto índice de óbitos que ocorriam nos hospitais, devido a precária infra-instrutora e conhecimentos médicos precários, tanto que o hospital ficara conhecido e assimilado pela população como lugar destinado a morrer, deste cenário nasce o que mais tarde seria conhecido como o hospital privado, pois diante de tantos acontecimentos médicos instituíram “casas de saúde” uma espécie de hospital nas suas próprias residências se contrapondo ao sistema hospitalar vigente visto como “ante-câmara da morte” (REGO, 1993).

Desta forma podemos observar que os primeiros passos da implantação do hospital no Brasil, fora influenciado diretamente pelo modelo hospitalar europeu, estes primeiros estabelecimentos de saúde no Brasil, era caracterizado pela precariedade existente, tanto em recursos técnicos e humanos, Helito e Kauffman (2007) citam como exemplo dessa precariedade a Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo, que fora construído como “o principal centro de recepção, triagem e abrigo dos imigrantes estrangeiros, chegando a alojar até 9 mil pessoas e contar com um único médio para assisti-las”.

Poucos eram os estabelecimentos hospitalares, e só na década de 1930 fora que mudanças começaram a serem sentidas com a criação de novos hospitais neste mesmo período houve o fortalecimento do sistema previdenciário, onde o acesso a saúde seria fruto da contribuição do empregado com a previdência, agora os hospitais serão reservados aqueles que tinham o plano previdenciário ou vínculo com a previdência social.

O sistema de saúde previdenciário se entendeu até o ano de 1988, onde na reformulação da constituição brasileira, a saúde foi instituída como direito de todos os cidadãos e dever do estado no artigo 196 da nova constituição federal (MELLO, 2008).

Da saúde como dever do Estado nasce o Sistema Único de Saúde (SUS), que pretendia oferecer saúde a todos os brasileiros, sem distinção de qualquer gênero, que ofereceria saúde não só curativa mais pautada sobre os eixos, promoção que buscam eliminar ou controlar as causas das doenças, Proteção que procuram prevenir riscos e exposições das doenças atuando diretamente na vida das pessoas e por fim a recuperação que são as ações que evitam mortes e sequelas quando já estão com o patógenos estalado. (MELLO, 2008).

A criação do SUS marcou a década de 80 numa proposta de oferecer a população brasileira saúde de qualidade, pautadas na nos princípios de integralidade, universalidade e equidade. Já os anos 90 mostraram as dificuldades em se implantar o SUS e com elas cresceram as críticas, a desumanização e impessoalidade da atenção à saúde (JUNGES e DODE, 2009).

Desde a criação e implantação do SUS, existem várias criticas a sua metodologia, prática e execução. Críticas ao atendimento desumano, a falta de recursos necessários para os procedimentos mais básicos, infraestrutura precária, precariedade em recursos humanos e técnicos, a baixa remuneração a equipe hospitalar (BRASIL, 2001).

Em resumo, o modelo de sistema único de saúde (SUS) proposto para o nosso meio é universal, humanizado e de qualidade, tendo recebido elogios de inúmeros países. No entanto, embora tenha obtido algumas conquistas desde que foi criado, enfrenta grandes dificuldades para efetivar sua total implantação (MELLO, 2008, p. 29).

No ano 2000 quando em Brasília se realizava a 11º Assembléia Nacional de Saúde, a humanização foi apontada como uma necessidade para que o SUS funcione como proposto, ao mesmo tempo que representa um grande desafio na sua implantação, pois humanizar equivale a mudança, não somente no corpo técnico, mas mudanças organizacionais, humanizar é mudar a forma de se promover saúde, é mudar o rosto do hospital enquanto instituição. (RIOS, 2009).

Oposto ao processo de humanização, encontramos a tecnologia, a medicalização da medicina, apontadas por Rios (2009); Graças (1996); Goldenstein (2006); Amim (2001) dentre outros, como responsável pelo processo conhecido como desumanizador da área hospitalar. No entanto Mello (2008) apresenta a saúde brasileira em descompasso com o desenvolvimento científico-tecnológico, cultural e político. Assim podemos observar a grandiosidade do que pode ser considerado como fator desumanizador no hospital, pois a tempo que o profissional não dispõe de meio de diagnóstico, de precisar um tratamento através da técnica fica difícil sua atuação diante da problemática.

    O Ministério da Saúde do Brasil, diante dos resultados das pesquisas propostas para investigar o nível de aceitação dos usuários do SUS, concluiu que “a qualidade da atenção aos usuários é uma das questões mais críticas do sistema de saúde brasileiro” (Brasil, 2001, p.5), apontou ainda que os usuários que “a forma de atendimento, a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender suas demandas e suas expectativas são fatores que chegam a ser mais valorizados que a falta de médicos, etc.”

Diante das criticas investidas ao Sistema de Saúde, das propostas geradas na 11ª Assembléia Nacional de Saúde, das pesquisas realizadas para medir o nível de qualidade do SUS, o então ministro da saúde, Sr. José Serra, convidou um grupo de profissionais da área de saúde mental com o intuito de gerar um projeto que pudesse ajudar a mudar esta realidade no país, daí nasceu o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar – PNHAH, que de principio foi aplicado como projeto piloto em vários hospitais da rede pública de saúde, propondo “um conjunto de ações integradas que visam mudar substancialmente o padrão de assistência aos usuários nos hospitais públicos melhorando a qualidade e a eficiência dos serviços prestados” (BRASIL, 2001, p.7).

O programa demonstra a necessidade de se promover ações que sejam capazes de transformar a forma de atendimento no hospital, no melhoramento da relação equipe/paciente apontada como algo de fundamental importância, e acima de tudo ajudar a equipe a se pautar na tecnologia como fundamental para a saúde, sem se perder no distanciamento que a mesma promove entre médicos e pacientes, este apontado por muitos teóricos como o princípio da desumanização no hospital (RIOS, 2009);

Com o desenvolvimento das atividades propostas no programa fora observado que em alguns estabelecimentos hospitalares já existiam atividades consideradas humanizadoras, só que de forma isoladas, sem que modificasse de forma veemente a estrutura hospitalar ou provocasse nos médicos, pacientes e equipe sentimentos de mudanças em relação a realidade.

Pode-se observar que o PNHAH no seu desenvolvimento foi envolvido em sentimentos de gratidão e de repulsa por parte de alguns profissionais, visto que alguns profissionais finalmente se sentiram reconhecidos pelo fato de que já vinham desenvolvido atividades humanizadoras, de outro lado profissionais se sentiam ofendidos com a proposta, questionando-o, e afirmando ser o mesmo sem necessidade, pois a humanização já faz parte da prática de saúde, porém como afirma Brasil (2001), a crítica investida ao programa de humanização da assistência hospitalar, nasce por que propor humanização é propor mudanças nas bases administrativas daquela instituição, que em consequência causará certo mal estar entre profissionais, administradores que ainda se encontram resistentes a mudanças.

Ao fim da realização do projeto piloto que se pendurou por cinco meses, concluiu-se que havia sim a necessidade gritante de se desenvolver uma cultura de atendimento a saúde, refletindo o desejo da instituição de oferecer “um novo modo de ser e fazer saúde pautada no respeito à vida humana” (BRASIL, 2001, p. 11).

Diante desta necessidade de se humanizar o hospital, em 2003 o ministério da saúde vislumbrou  a necessidade de se humanizar toda a rede de saúde brasileira, com o intuito de impregnar uma cultura humanizadora em toda a rede de saúde. (BRASIL, 2004).

Do desejo de uma rede de saúde humanizada, nasce a Política Nacional de Humanização, que se descentraliza do hospital e ganha conotação não, mais de projeto, mas de política, como afirma Brasil (2004, p.1) “ela deve ser vista como uma das dimensões fundamentais, não podendo ser entendida como um programa”, pois o risco de concebermos a humanização como mais um programa seria a de aprofundar relações verticais, relações estas que implicam em executar uma determinada exigência, no intuito de se cumprir índices e alcançar metas.

Partindo do princípio de que se assumirmos a humanização como relações verticais, podemos cair na tentação de se executar ideias, de outrem, pensada numa realidade diferente daquela de quem se executa, foi contra a ideia de relações verticais que o Ministério da Saúde do Brasil, pautado na humanização como política transversal que lançou no ano de 2003 a Política Nacional de Humanização, o humaniza SUS, descentralizando-a do hospital, que até então era concebido como programa passando a ser tido e executado como política, não mais restrito a um ambiente ou especialidade mais em todos os níveis de atenção do SUS.

Humanização como política pública, implica em “traduzir princípios e modos de operar no conjunto das relações entre profissionais e usuários, entre os diferentes profissionais, entre as diversas Unidades de Saúde” (Brasil, 2004, p. 2).  Devendo estas contribuírem para a missão ultima e fundamental a construção de saúde e a construção de sujeitos, Brasil (2004) afirma que é neste ponto indissociável que a humanização se define: “aumentar o grau de corresponsabilidade dos diferentes atores que constituem a rede SUS no cuidado a saúde implica mudança na cultura da atenção dos usuários e da gestão dos processos de trabalho” .

Mesmo diante das mudanças significativas no próprio modo de se pensar humanização no Brasil, das ações desenvolvidas, observamos através de pesquisas recentes, que a humanização é uma construção lenta que enfrenta grandes dificuldades, e que ainda os pacientes são vistos e tratados como meros objetos, plausíveis manipulação e transformação.

Como prova disto relatou a pesquisa realizada por Gomes e Nations (2007), intitulada: Cuidado, “cavalo batizado” e crítica da conduta profissional pelo paciente-cidadão hospitalizado no Nordeste brasileiro, nele os autores apontam a partir das pesquisas realizadas, a precariedade do atendimento ofertado pelo SUS no Brasil, em especial no Nordeste Brasileiro onde fora desenvolvido a pesquisa, apontando as formas mais desumanas e cruéis como os pacientes são tratados pelos médicos, enfermeiros, e outros profissionais.

Os autores salientam que a prática desumanizadora dos hospitais nasce desde a precariedade estrutural, a gestão hospitalar centralizadora, o difícil acesso ao sistema, desorganização, tecnicismo e poder hegemônico da Biomédica.

Outro estudo de grande relevância produzido no Nordeste brasileiro que se pautou na investigação da qualidade de saúde oferecida aos nordestinos intitulada: “Pisada como Pano de Chão: experiência de violência hospitalar no Nordeste Brasileiro.” Esta pesquisa desenvolvida na cidade de Fortaleza capital do Ceará, mostra o atendimento hospitalar como, repleto de iniquidades e violência institucional. (GOMES et al. 2008)

A pesquisa demonstrou insatisfação por parte dos pacientes em 83,6% apontando como desprezo e humilhação por parte da equipe, somente 16,4% perceberam como zelo pelo paciente, contribuindo para a recuperação da sua saúde. Desta forma a pesquisa demonstrou que a insatisfação dos pacientes em relação ao contato médico-paciente, do paciente instituição é de grande relevância, demonstrando assim também a insatisfação do médico em relação a instituição. (GOMES et al., 2008).

Percebe-se desta forma que apesar da tentativa de se promover uma cultura humanizadora na rede de saúde brasileira, principalmente no âmbito hospitalar, porém observamos pautados nas pesquisas de Gomes e Nations (2007) e Gomes et al. (2008) pesquisas estas recentes, de que a humanização precisa ainda ser deflagrada em todo o sistema e adotada por todos os profissionais e feito modo de prática pelos gestores.

4. Resultados e Discussões

Os séculos XIX e XX marcaram definitivamente a história do hospital, que passa por grandes transformações, entre elas a mais significativa foi à entrada da medicina no hospital, que transformou definitivamente a ideia e estrutura de hospital concebidas até então. Esta corroborou e proporcionou um novo modo de se fazer administração hospitalar e saúde.

Porém estas mudanças trouxeram ao âmago do hospital graves problemas, entre eles destacamos o distanciamento entre equipe de saúde e paciente e entre as próprias equipes, o que resultou numa medicina técnica e desumanizada.

O hospital técnico, a medicina elitizada, imposta pelo sistema capitalista que cobra dos sujeitos produção, da indústria medicamentosa que influencia diretamente o fazer médico, impondo-lhe características comerciais, passa a serem produtoras de ações desumanizadoras.

O fazer médico passa a ser puramente técnico. A anamnese é esquecida, o contato com o paciente é tido como desnecessário, o diagnóstico é realizado sem que seja perguntado nada ou quase nada ao doente.Um ambiente de humanos passa agora a ter características de ambiente de máquinas que executam tratamentos, consultas, investigação individualmente, sem que haja qualquer contato, mesmo o mais simples possível entre qualquer um desses sujeitos.

É no hospital desumanizado e desumanizador que pessoas são negadas como sujeitos, perdendo o que lhe é próprio, passando a ser objeto manipulável do desejo médico. Fragilizado pela doença ele permite ser explorado, manipulado, invadido, sem que esboce qualquer característica contrária a tal ação, afinal, ele espera do médico a cura e o médico espera dele a passividade para lhe proporcionar o que tanto deseja.

Há um grave reducionismo onde o sujeito perde espaço para a doença, não importa para a equipe, quem ele é, o que pensa e o que sente. O importante nesta relação é a sua doença, pois é conhecendo-a que se pode tratar e devolver-lhe a sua saúde, mesmo que seja preciso usar procedimentos altamente invasivos, ações constrangedoras e negação total deste sujeito, a ponto de lhe negar informações sobre o seu processo de adoecimento e tratamento, invadindo os sujeitos sem pedir licença e/ou consentimento.

A esta negação de subjetividade, sujeição dos indivíduos, relações de controle, de alienação, Rios (2009) dá o nome de violência institucional, esta favorecedora de uma estrutura institucional caracterizada pela rigidez hierárquica, pela ausência de direito ou de recursos das decisões superiores, ou seja, existe a prevalência da administração vertical, a administração dos que “pensam e dos que obedecem, levando-se ao estado de alienação dos sujeitos”.

Diante do exposto Rios (2009) salienta que como resultado desta forma de violência, acontece o inverso no hospital, ao invés de promover cuidado e cura ele passa a ser produtor de doenças.

Foi contra esta forma de violência institucional que nasce a ideia de humanização, no intuito de “recuperar o lugar das varias dimensões discursivas dos sujeitos que atuam ou recorrem as instituição [...] desconstruindo relações de dominação-submissão” proporcionando assim a quebra de administração vertical para horizontal, onde todos são protagonistas do fazer saúde.

A necessidade de humanizar a atenção à saúde foi manifestada em vários momentos da história e comprovado pelas inúmeras ações consideradas humanizadoras, que vinham sendo realizadas de forma individual, isoladas, tais como atividades lúdicas, lazer, entretenimento ou arte, melhorias na aparência física dos serviços, etc.

Estas acabavam por tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor, porém incapaz de abalar ou modificar a organização do trabalho, e acabavam por funcionar como válvulas de escape, diminuindo assim o sofrimento que o ambiente hospitalar provoca em pacientes e equipe.

Vale salientar que estas eram ações desenvolvidas pelos próprios trabalhadores, independente de gestores e de incentivo. Era uma resposta clara a necessidade de mudança no modo de fazer saúde no hospital.

No Brasil a necessidade de se humanizar o serviço de saúde foi suscitada no ano 2000 quando representantes dos vários estados brasileiros, profissionais e  governantes, estavam reunidos na 11ª Assembleia Nacional de Saúde, sendo esta apontada como uma necessidade e um desafio para o SUS e neste mesmo ano fora lançado o PNHAH, com ações humanizadoras voltadas para o hospital.

Mais tarde viu-se a necessidade de que esse programa fosse convertido em política pública e que descentralizasse do hospital, na tentativa de impregnar uma cultura de atendimento humanizador em toda a rede de saúde.

E assim de ações isoladas a humanização passa a ser tida como necessidade, como eixo de funcionamento da saúde, uma nova forma de ser e fazer hospital, medicina, e saber pautar-se sobre o aparato técnico, porém fundamentos no respeito, na solidariedade, no diálogo, no reconhecimento de subjetividade, no ver além da patologia.

Humanizar impõe transformação estrutural, organizacional e cultural na instituição hospitalar, fazer com que todos sejam protagonistas deste fazer saúde, e todos inclui médicos, enfermeiros, técnicos, enfim toda a equipe desde o zelador ao médico, incluindo o paciente e a própria administração hospitalar.

Mudar implica muitas vezes resistência por parte dos profissionais, como aponta Rios (2009) muitos profissionais, estudantes de medicina, de outras graduações em saúde, tem uma vaga noção do que vem a ser humanização, vendo-a como algo sem relevância, e que não é função sua humanizar mais dos voluntários, voltamos à ideia de humanização enquanto caridade, em tornar o ambiente hospitalar mais acolhedor, percebe-se por parte deles uma vaga e pobre noção da importância do que vem a ser humanização, de que não existe saúde, produção de saúde sem reconhecer a necessidade de praticá-la pautada no respeito, na construção de subjetividade, no fazer humanização.

É preciso mudanças significativas no todo, principalmente na formação dos profissionais de saúde, que devem ser pautados “dentro dos princípios da humanização e o desenvolvimento de ações institucionais visando ao cuidado e à atenção às situações de sofrimento e estresse decorrente do próprio trabalho” (RIOS, 2009). É preciso oferecer formação permanente aos profissionais, recursos necessários a execução do seu trabalho, valorização dos profissionais.

Muitas ações na tentativa de oferecer um ambiente hospitalar humanizado são realizadas em todo o território, porém de forma tímida e superficial. E isto fora reafirmado nas pesquisas realizadas por Gomes e Nations (2007) e Gomes et. al. (2008) ambas no nordeste brasileiro, demonstram que a humanização é uma prática ainda distante em muitos estabelecimentos hospitalares, que vêem nos sujeitos hospitalizados simples objetos manipuláveis, negando-lhes sua subjetividade, negando-lhes a vida ao tratá-los com desumanização e desdém.

 É preciso mudanças e que haja uma conversão dos gestores para a necessidade de se oferecer uma saúde pautada no respeito mutuo e acima de tudo promover uma administração horizontal, onde todo o sujeito tem direito e voz e vez, sendo assim protagonistas do fazer saúde.

Considerações Finais

A partir dos resultados dessa pesquisa foi possível analisar como está se fazendo e propondo humanização hospitalarno Brasil, incluindo o grande desafio que se encontra atualmente, no que se faz referência a implantação desta política pública nas redes de saúde e principalmente no hospital, como também a importância e a necessidade de se ter um ambiente hospitalar humanizado e consequentemente uma atenção de qualidade.

Ao realizar uma análise completa podemos observar a construção histórica do hospital, e de que forma esta construção ainda continua a implicar quando se trata de assistência hospitalar na atualidade, pois seguindo os passos do hospital anterior ao século XVIII temos um hospital segregador, que não detinha atenção a saúde da população, mas como preservação a “normalidade” social daquela época.

Posterior ao século XVIII observamos um hospital preocupado com a saúde da população, porém desumanizador, possivelmente graças a tecnologia apontada por muitos teóricos como princípio desencadeador da desumanização.

Identificamos ainda diante deste hospital desumanizado, os principais sentimentos vividos pelos sujeitos na hospitalização, expressados por medo angústia, impotência, dependência, dentre outros, que se desencadeiam devido a crescente violência institucional, proposta pelo modelo hospitalar vigente. Sentimentos estes que prejudicam ainda mais a saúde dos hospitalizados, podendo agravar sua situação já precária.

Concluímos desta forma que se fazer humanização e principalmente humanização hospitalar, é entrar em choque com profissionais, gestores, governantes, pois humanizar é sinônimo de mudanças, investimentos, formação e infelizmente nem todos estão abertos a tais mudanças.

A certeza é que a população merece e precisa ter um hospital que possa oferecer atendimento, mas atendimento de qualidade, que seja enriquecido com a técnica, com os novos meios de tratamento e diagnóstico, e que se possa ver o doente como um sujeito, um ser em completude, que precisa ser respeitado como tal.

Da mesma forma concluímos que os profissionais precisam ser valorizados somo sujeitos também, que não sejam considerados como máquinas pelo sistema capitalista vigente que exige produção, independente de qualidade e/ou eficiência, sem lhes oferecer qualidade, meios técnicos, etc. é preciso oferecer formação permanente e de qualidade a todos os profissionais.

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