O Câncer e as Diferentes Maneiras dos Pacientes Lidarem com a Doença: Uma Visão Psicológica

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Resumo: O presente artigo será constituído de um breve histórico sobre a psicologia no mundo e no Brasil e a mesma na área hospitalar, uma breve descrição do que é o câncer, será colocado como é a relação psicologia e o câncer, no artigo será descrito como os pacientes enfrentam o câncer e terá as considerações finais e as referências bibliográficas no referente artigo.

Palavras-chave: psicologia, área hospitalar, câncer, pacientes.

1. Breve Histórico da Psicologia no Mundo

A psicologia conseguiu seu reconhecimento quando emigrou para a Inglaterra e Estados Unidos através dos estudos científicos dos alunos de Wundt, desde esse momento a psicologia adquiriu reconhecimento em todos os países do mundo. As duas pontes de contato da psicologia são a filosofia e a fisiologia.

À medida, porém, que a Psicologia se consolida, dentro dos marcos de sua especificidade, aceitando as suas limitações que lhe são impostas pelos seus métodos e pelos imperativos dos dados de ordem superior, próprios da experiência humana, abre-se definida, entre as ciências de analise e de síntese, a moldura em que se vai, a pouco e pouco, inserindo, definitiva, a ciência do comportamento. De fato, não se faz psicologia sem fisiologia e sem filosofia, vez que os fatos psíquicos estão vinculados, inseparavelmente, com os biológicos, sem, entretanto com eles se confundirem. São, ainda, os fatos psíquicos o pressuposto e o resultado de um pensamento que, por ser peculiaridade humana, é portador do caráter humano irredutível, por isso mesmo, ao especificamente biológico (SOARES, 2010).

A psicologia não depende da filosofia e sim a primeira é influenciada pela segunda através da questão que o homem sente e age de acordo com o que ele pensa e esse processo ocorre de acordo com uma cultura. A psicologia é independente da filosofia em relação ao objeto e método de cada uma.

As várias escolas psicológicas existentes são a Gestalt, Behaviorismo, Funcionalismo, Psicofísica, Psicofisiologia, Psicanálise e a Psicologia Compreensiva. Essas escolas têm critérios e finalidades diversas. A Psicofísica e a Psicofisiologia abordam mais o conteúdo da vida psíquica. A Gestalt busca os diversos fatos psicológicos. O Funcionalismo, Psicologia compreensiva e o Behaviorismo são mais concretos e práticos nas suas pesquisas e a Psicanálise está relacionada com os fenômenos inconscientes.

2. Breve Histórico da Psicologia no Brasil

No Brasil a psicologia teve contribuições de estudo oferecidas por médicos. Esses estudiosos traziam informações e conclusões não só para o filósofo e historiador, mais também para o homem enquanto ser que vive em cultura. Os estudiosos e profissionais eram do Rio de Janeiro e da Bahia e faziam essas conclusões baseadas em uma leitura filosófica e racional.

No Rio de Janeiro, os estudos da Faculdade de Medicina tendiam para a Neuropsiquiatria, a Psicofisiologia e a Neurologia. Dentro dessas instâncias, se situava a maioria das teses defendidas, entretanto, não raro, a Psicologia a ser analisada em suas relações com aqueles campos de estudo e pesquisa (SOARES, 2010).

 Depois do inicio das atividades de Wundt e seus discípulos no Rio de Janeiro, começam a aparecer teses de doutoramento como: de José Estelita Tapajós com a sua tese Psicofisiologia da Percepção e das Representações e Veríssimo de Castro com a dissertação chamada Das Emoções.

3. Breve Histórico da Psicologia na Área Hospitalar

A psicologia em relação à área hospitalar será analisada com base na cultura brasileira. Nessa perspectiva a psicologia irá está inserida em um contexto de desesperança, desrespeito, sofrimento, dor, desamparo, submissão cultural, falta de dignidade humana e entre outras precariedades existentes na cultura brasileira que se apresentam desde a época da colonização do Brasil.

Existem duas maneiras diferentes de encarar o surgimento da psicologia no contexto hospitalar em relação ao trabalho do psicólogo na atualidade. A primeira está relacionada ao mercado que começou a exigir que o psicólogo procurasse outros espaços de intervenção psicológica e a segunda se refere a busca que procura compensar a reprovação do vestibular de medicina.

Segundo Camon (2004, p. 8) “a necessidade de atendimento psicológico do paciente hospitalizado, que é indiscutível e está acima de qualquer balizamento teórico-filosófico que se queira fazer, surge como uma pequena variável delineada ao longo do caminho”.

A psicologia, assim, se relaciona com outras áreas do saber que está também inserida em outras realidades sociais e acaba se distanciando das especificidades brasileiras. A entrada da psicologia na área hospitalar deve atender as demandas sociais da cultura brasileira para que ela possa se tornar coadjuvante no processo de transformação social.

4. Câncer

O câncer é uma doença que tem origem nos genes de apenas uma célula. Essa doença se prolifera até se formar em uma massa tumoral no local e a distância. Várias mutações devem ocorrer para que chegue à esse estágio de malignidade.

Qualquer célula do corpo pode se formar e originar em um tumor maligno. Esse tumor é chamado de câncer, o mesmo tem origem genética e causa várias confusões no indivíduo. O diagnóstico do câncer traz consigo a ideia de morte.

Muitos tipos de câncer, contudo, podem ser curados por procedimentos cirúrgicos, quando diagnosticados a tempo. Casos avançados de tumores de ovário, testículos, linfomas, leucemias também podem ser curados pela quimioterapia (CARVALHO, 2003, p. 22).

A radioterapia somente pode curar câncer de cordas vocais, tumores de pele, linfomas localizados e entre outros tipos de câncer. Depende do tipo de câncer e sua relação com órgão, tecido de origem, aspectos morfológicos e estruturais envolvidos e o grau de comprometimento de tecidos vizinhos e distantes.

5. A Relação da Psicologia com o Câncer

O papel do psicólogo em relação ao paciente com câncer é de escuta-lo resgatando a subjetividade do paciente, ou seja, escutar as suas necessidades, desejos, medos e fantasias. O papel desse profissional também será de ajudar a equipe á tomar consciência das diversas situações que acontecem dentro da instituição hospitalar.

Segundo Carvalho (2003, p. 61) “o psicólogo na instituição hospitalar contribui e colabora para a política de ação em saúde”. O psicólogo não deve entrar no contexto hospitalar querendo corrigir as falhas que acontecem dentro do próprio, nem querer impor regras e maneiras de atendimento ou propor estratégias para implantar mudanças num espaço de tempo curto e sim ele deve se adaptar nessa instituição recheada de limitações e dificuldades.

Trucharte e Rodrigues (2010, p. 10) dizem que “a Psicologia Hospitalar tem como objetivo principal a minimização do sofrimento provocado pela hospitalização”.

O psicólogo não pode ter a sua atuação no contexto hospitalar baseada na psicoterapia, mais ele deve atuar na minimização do sofrimento provocado pela hospitalização. O mesmo terá que observar as sequelas que a mesma provocou no emocional do paciente.

6. As Diferentes Formas dos Pacientes Enfrentarem o Câncer

As maneiras de cada paciente enfrentar o câncer são diferentes depende da subjetividade de cada paciente e também do organismo de cada um. Alguns lidam de maneira tranquila, outros ficam angustiados, nervosos e outros preferem dizer que estão bem como uma forma de não sofrerem.

O organismo dos pacientes também lidam de forma diferente, alguns demoram para se recuperarem e outros têm uma recuperação rápida, isso depende claro do grau do câncer do paciente. De acordo com a minha experiência de estágio em um hospital de referência em Belém-PA observei a difícil luta dos pacientes em relação ao câncer e como essa luta se torna ainda mais difícil com as condições precárias das instituições hospitalares na minha região.

O contexto hospitalar dista de forma significativa daquela idealização feita nas lides acadêmicas. Assiste-se, nesse contexto, á condição desumana a que a população, já bastante cansada de sofrer todas as formas possíveis de injustiças sociais, tem de se submeter em busca do recebimento de um tratamento adequado. (TRUCHARTE; RODRIGUES, 2010, p. 9).

Apesar de cada paciente vivenciar o câncer de forma diferente todos estão tendo que lhe dar com a despersonalização, pois quando a pessoa passa á conviver em um hospital ela começa a ser identificada por um número ou por um caso do órgão tal. Isso faz com que o sujeito se debilite mais e perca a sua identidade ficando angustiado e depressivo. O psicólogo então deve ouvir cada paciente e procurar atender e acolher as necessidades de cada paciente, pois todos estão em estado de aflição.

7. Considerações Finais

O psicólogo inserido dentro de uma instituição hospitalar principalmente no Brasil está lidando direto com ajustamentos aflitivos, então ele deverá escutar as necessidades de cada paciente para que possa acolher as mesmas tentando atender essas necessidades. O psicólogo não deve fazer psicoterapia na área hospitalar e sim acolher e dar suporte para o paciente e a sua família lutar nessa trajetória de enfrentamento do câncer, pois quanto mais o paciente estiver bem psicologicamente mais isso irá contribuir de maneira positiva para a melhora da doença.

Referências:

CAMON. Atualidades em psicologia da saúde. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

CARVALHO. Introdução á psiconcologia. Editora livro Pleno. Campinas-SP, 2003.

SOARES. A psicologia no Brasil. Psicol. cienc. prof. vol.30 no. Spe Brasília Dec, 2010.

TRUCHARTE, Rodrigues. Psicologia hospitalar: teoria e prática/ Fernanda Alves Rodrigues Trucharte, Rosa Berger Knijnik, Ricardo Werner Sebastiani; Valdemar Augusto Angerami-Camon (organizador). – 2. Ed. Revista ampliada – São Paulo: Cengage Learning, 2010.

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