Parto Humanizado na Percepção da Psicologia Hospitalar: a Importância da Presença do Acompanhante

Parto Humanizado na Percepção da Psicologia Hospitalar: a Importância da Presença do Acompanhante
5           Avaliação 5.00 (5 Avaliações)
(Tempo de leitura: 4 - 8 minutos)

Resumo: Trata-se de um estudo bibliográfico com objetivo de apontar os benefícios psicológicos do acompanhante no parto natural humanizado. Para o acervo bibliográficos foi realizada uma busca com as palavras-chave mencionadas abaixo na base de Livros e sites. O parto natural é processo fisiológico, nele a mulher resgata sua independência sendo a principal personagem de sua própria história. O parto natural humanizado é saudável para mãe e bebê, esse acontecimento ocorre sem a necessidade de procedimentos indevidos, sendo para a parturiente uma experiência segura e agradável, e a presença de um acompanhante torna esse momento mais especial. O acompanhamento psicológico vem ganhando espaço e tornando a assistência mais humanizada, respeitando e ajudando a parturiente em todo processo parto natural dando mais segurança à mãe nesta hora tão importante.

Palavras-chave: Parto Natural, Acompanhamento Psicológico, Parto Humanizado, Acompanhante.

1. Introdução

O parto é evento que já passou por grandes transformações no decorrer de décadas. Silva (2009) aponta que antigamente não existiam técnicas que minimizavam a dor no parto e muito menos exercícios que favoreciam esta atividade. O que de fato acontecia era que as mulheres se isolavam para parir, geralmente sem nenhuma assistência ou cuidado, apenas seguiam seus instintos.

O parto se tornou institucional após a segunda guerra mundial. Houve novos acontecimentos e com as habilidades adquiridas, têm-se diminuindo consideravelmente os riscos de mortalidade materna e infantil, mas, com isso, também vêm-se ocorrendo grandes números de intervenções cirúrgicas desnecessárias (MORAES, 2006).

Humanizar é garantir uma melhor integralidade na assistência para mãe e bebê, prestando atendimento necessário de forma individualizada (SILVA, 2006). É normal que durante a gravidez  muitos fatores emocionais estejam envolvidos e também é comum que muitos medos permeiem a cabeça das futuras mamães, assim como da família como um todo.

A principal preocupação de muitas parturientes é sentir dor na hora do parto natural, mas é possível ter um parto natural totalmente sem dor, através da anestesia peridural ou usando métodos não farmacológicos, como caminhada, banho de imersão, acupuntura e massagens. Mas é importante que a mulher faça o pré-natal e acompanhamento para saber se tem algo que a impeça de realizar o parto normal (SHEILA, 2012). A Psicologia se insere, então, neste contexto com a “Psicologia Perinatal”, um campo de estudos sobre o psiquismo da gestante, da parturiente e da puérpera (IACONELLI, 2012).

É importante que durante trabalho de parto a parturiente esteja acompanhada com um familiar ou acompanhante lhe transmitindo confiança e tranquilidade. A equipe de saúde deve estar preparada para dar atenção para este momento (MOURA et al. ,2007).

O psicólogo deve levar em conta que, para cada mulher e cada família, a experiência da gestação é única e muito particular, assim como o momento do parto e também pós-parto. “O papel do psicólogo na maternidade é propiciar um espaço de escuta para que a família possa nomear e atribuir significados àquela situação. A importância deste lugar de escuta deve ultrapassar as fronteiras do contexto hospitalar, os serviços psicológicos e sociais devem facilitar o caminho para que as mulheres possam pedir ajuda para lidar com os fragmentos, “buracos” segundo Szejer e Stewart (1997) da história de cada gestação e maternagem” (IACONELLI, 2012).

Outras questões ainda muito relevantes serão consideradas pelo psicólogo que assiste este momento, como o eventual nascimento de um bebê com deficiências, nascimento prematuro, envolvimento emocional da família, o vínculo da gestante com o bebê, as dúvidas e dificuldades que surgirão após o parto, a idealização em contraste com a realidade da gestação, do parto ao pós-parto.

Esta idealização é construída socialmente muitas vezes pelo mito de que toda mulher deve ser mãe e de que a gravidez é um período maravilhoso, o que, em vários casos, não é real. Como já citado, essa experiência é muito particular para cada mulher e é preciso que aquelas mulheres que não consigam engravidar ou que tenham experiências negativas com suas gestações, sejam igualmente ouvidas e compreendidas com naturalidade, sem julgamentos ou pré-conceitos que reforcem sentimentos de culpa desnecessários.

Novamente, o papel do psicólogo perinatal se faz importante, auxiliando a mulher a lidar com estes contextos e reconhecendo seus sentimentos de forma legítima. Além de considerar que nem todo quadro apresentado pela mulher será necessariamente patológico, muitas vezes a questão é a adaptação ao novo momento, às dificuldades e, de novo, a desconstrução de uma idealização para que ela possa lidar com a realidade da maternidade. Portanto, este estudo tem como objetivo apontar os benefícios do papel do psicólogo no parto humanizado e saber a importância do acompanhamento neste momento tão especial na vida das mulheres.

2. Metodologia

Trata-se de uma revisão bibliográfica que visa entender os benefícios do acompanhamento psicológico no parto natural humanizado, e a importância da presença de acompanhante no momento do parto. Para o alcance do objetivo proposto, foi selecionado como método para a presente investigação a revisão da literatura; esta se trata de uma técnica de pesquisa que reúne e sintetiza o conhecimento científico produzido, por meio da análise dos resultados já evidenciados nos estudos de muitos autores especializados. A análise dos estudos é feita segundo os objetivos, a metodologia e os resultados, sendo possível chegar a conclusões acerca de um corpo de conhecimentos. A pesquisa foi realizada utilizando dados online como revistas, e leitura de artigos científicos publicados SCIELO (Biblioteca Eletrônica Cientifica Online), e Google acadêmico, relacionados ao tema: o papel do psicólogo; parto natural humanizado; e com presença de acompanhante.

3. Desenvolvimento do Trabalho

O conceito de parto humanizado defende e respeita a individualidade das gestantes buscando uma adaptação e assistência a crenças, cultura, valores e posição dessas pessoas (CASTRO; CLAPIS, 2005). Desse modo, a assistência ao parto precisa de profissionais que respeitem a fisiologia, que não façam intervenções desnecessárias e ofereçam suporte para família e para a mulher antes e após o parto (ROLIM; CARDOSO, 2007).

Para um bom trabalho de parto é necessário que a parturiente se sinta segura e à vontade, ajudando assim a reduzir as complicações, o apoio do acompanhante é essencial para dar conforto e transmitir segurança sendo importante para formação de vínculo familiar (MOURA et al., 2007). No Brasil, as parturientes têm o direito à presença de uma acompanhante durante o trabalho de parto segundo a Lei Nº 11.108/2015. A presença de um acompanhante no trabalho de parto oferecendo conselhos, medidas de conforto físico e emocional são formas de ajuda à parturiente durante o trabalho de parto (BRUGGERMANN et al., 2005).

É de suma importância o papel do psicólogo auxiliando a mulher a lidar com estes contextos e reconhecendo seus sentimentos de forma legítima. Além de considerar que nem todo quadro apresentado pela mulher será necessariamente patológico, muitas vezes a questão é a adaptação ao novo momento, às dificuldades e, de novo, a desconstrução de uma idealização para que ela possa lidar com a realidade da maternidade.

3. Considerações Finais

Conforme o que foi pesquisado, o parto natural é evento fisiológico que não necessita de intervenções cirúrgicas para o acontecimento. O termo humanização, neste contexto, significa criar condições melhores, respeitando limites e necessidades da parturiente. No parto humanizado, a presença de um(a) acompanhante pode proporcionar alívio e conforto, fazendo com que o nascimento do seu bebê seja um momento agradável e especial. As enfermeiras obstetras fazem muita diferença no parto natural humanizado, pois além do apoio em todo aspecto do parto, estas priorizam o bem-estar da parturiente acima de tudo.

Sobre a Autora:

 Maria Bianca Lopes Alves

Referências:

  1. IACONELLI, V, O que é psicologia perinatal: definição de um campo de estudo e atuação, Área de Estudos do Instituto Brasileiro de Psicologia Perinatal, 2012, disponível em http://www.institutogerar.com.br/
  2. FORTES, R. C. A ESCUTA CLÍNICA NA MATERNIDADE: O importante papel do psicólogo, 2012, disponível em http://www.institutogerar.com.br/
  3. VIANA, L.V.M.; Ferreira K. M.; Mesquita M.A.S.B.; Humanização do parto normal: Uma revisão Literatura Rev. Saúde em foco, Teresina, V.1: n. 2; art 1; 134-148, (2014) www4.fsanet.com.br/revista. Acesso em: 22/10/2018.
  4. Longo CSM, Andraus LMS, Barbosa MA. Participação do acompanhante na humanização do parto e   sua relação com a equipe de saúde. Rev. Eletr. Enf. v.12 n.2   386-391 (2010) http://dx.doi.org/10.5216/ree.v12i2.5266. Acesso em: 22/10/2018.
  5. BRUGGEMANN, Odaléa Maria; PARPINELLI, Mary Angela; OSIS, Maria José Duarte. Evidências sobre o suporte durante o trabalho de parto/parto: uma revisão da literatura. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.21, n.5, out. 2005.
  6. CASTRO, J. C.; CLAPIS, M. J. Parto humanizado na percepção de enfermeiras obstétricas envolvidas com assistência ao parto. Revista Latino Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 13, n. 6, p. 960-967, 2005
  7. TAKEMOTO, A.Y.; Corso M.R.; Parto Humanizado e a assistência de Enfermagem: Uma revisão da Literatura Arq. Ciênc. Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 17, n. 2, p. 117-127, (2013) revistas.unipar.br/index.php/saude/article/viewFile/5002/2912. Acesso em 24/04/2017.

Informar um Erro Publique Seu Artigo