Relação entre Informação e Redução da Ansiedade em Pacientes a Serem Submetidos ao Cateterismo Cardíaco

Relação entre Informação e Redução da Ansiedade em Pacientes a Serem Submetidos ao Cateterismo Cardíaco
(Tempo de leitura: 23 - 45 minutos)

Resumo: Este estudo exploratório e com abordagem quantitativa teve como objetivo verificar como as informações acerca do exame auxiliam na redução da ansiedade em pacientes a serem submetidos ao Cateterismo Cardíaco. Participaram da pesquisa 14 pacientes, sendo que 7 receberam informações sobre o exame e os outros 7 não. Utilizou-se o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) como instrumento de avaliação dos dois grupos. Observou-se que o grupo de pacientes que recebeu informações sobre o procedimento apresentou níveis de ansiedade menor do que aqueles não informados. No entanto, somente com os dados coletados não foi possível afirmar com consistência que as informações dadas pelo profissional psicólogo reduzem significativamente a ansiedade, já que outros dados importantes, como a hipertensão, apareceram no decorrer da pesquisa. Sugere-se uma continuidade desse trabalho como forma de elucidar o que aqui se iniciou.

Palavras-chave: cateterismo cardíaco; ansiedade; informação.

1. Introdução

NEDER (apud. MIRANDA, 2004) define a psicologia hospitalar como sendo um conjunto de ações desenvolvidas pelo profissional psicólogo junto a pessoas em tratamento reequilibrador de doenças. Tem como objetivo trabalhar a instância “psico” da pessoa doente, visando à recuperação da saúde integral. No entanto, “para que haja atenção integral à saúde, a instituição hospitalar deve compor-se de uma equipe multiprofissional centrada no paciente e que promova a cooperação deste através do respeito e confiabilidade” (ANGERAMI, 2002, pp. 104-105).

Fica evidenciada, portanto, a necessidade de uma assistência global ao paciente, em que se procura dar atenção a todas as esferas. Profissionais trabalhando juntos, porém não integrados, cada qual valorizando apenas sua parte, pode gerar insegurança nos pacientes, já que orientações contraditórias dificultam sobre a escolha de qual se deve seguir (LAMOSA, 1990).

Na percepção do paciente, a doença e seus sintomas são sentidos como ameaça ou desequilíbrio da integridade biopsicossocioespiritual. Sendo assim, os exames invasivos são vistos como uma avaliação da extensão dessa ameaça (MIRANDA, 2004). Tem-se por exames invasivos qualquer procedimento diagnóstico que, de alguma forma, utiliza-se de materiais que adentram ao corpo do paciente e sejam capazes de provocar dor e/ou desconforto. Em se tratando desses tipos de exames, a equipe deverá estabelecer um vínculo com o paciente, como gerador de confiança, para que o mesmo se entregue ao procedimento de maneira participativa (MIRANDA, 2004). Tal situação possibilita que o paciente tire dúvidas e expresse sua ansiedade, bem como facilita a construção de um repertório de comportamentos colaborativos que acaba se generalizando para a situação real do procedimento.

Sob o aspecto físico, o paciente sente-se agredido e invadido (invasão que ocorre, por exemplo, através de sondas, cateteres, drenos, etc.), gerando sentimentos de dúvida, medo, expectativas, sensações estranhas em sua corporeidade, etc., atingindo e, até, comprometendo sua identidade, que é representada didaticamente pelo Eu Físico. A identidade se forma baseada e a partir da estruturação da Consciência do Eu (tanto do Eu Físico, quanto do Eu Psíquico), compreendendo, por assim dizer, a importância da apreensão das vivências corporais (Eu Físico) e sensoperceptivas (Eu Psíquico) (ANGERAMI, 2002, p.154).

Trata-se aqui de uma questão de dignidade humana. Ao hospitalizar-se, estranhos manipulam o corpo do paciente. Para a equipe esse comportamento é tido como técnico e natural. Para o paciente, no entanto, pode parecer quebra de tabus morais e religiosos, podendo ele ter uma sensação de perda do controle sobre seu próprio corpo.

“Nesta situação de hospitalização o indivíduo sente-se invadido e privado do seu espaço vital, ou seja, vai sendo quebrada uma espécie de barreira invisível e semipermeável que a pessoa cria em sua volta” (ANGERAMI, 2002, p. 154). A adaptação às regras pode conduzir o paciente a comportamentos tidos como inadequados pelos membros da equipe e da família. Entregar-se, ficar passivo no leito o tempo todo, chorar assustado ou ser agressivo são comportamentos que podem ser decorrentes dessa despersonalização da rotina diária (LAMOSA, 1990).

Alguns dos procedimentos tidos como invasivos são realizados no setor de Hemodinâmica (estudo dos movimentos e pressões da circulação sangüínea), dentre eles está o Cateterismo Cardíaco.

O cateterismo cardíaco é um método de diagnóstico no qual se introduz um tubo comprido e fino (chamado cateter) em um vaso sangüíneo, para se chegar ao coração e determinar se existem bloqueios ou estreitamentos nas artérias coronárias (as artérias do coração) e também para verificar com precisão como estão funcionando as válvulas cardíacas e o músculo cardíaco (MANGIONE, 1976, p. 2).

Há uma diversidade de indicações para o Cateterismo Cardíaco, dentre as quais cita-se: Insuficiência Valvular , Insuficiência Coronariana,  Cardiopatia Congênita, Arritmias Cardíacas e Hipertensão Pulmonar. Pode ser realizado em paciente de quaisquer idades após avaliações médicas.

Embora seja um procedimento invasivo, o Cateterismo pode ser realizado em um ambiente ambulatorial, exigindo preparo prévio e um período de observação pós-exame de quatro a 24 horas, dependendo da via de acesso radial ou femoral, respectivamente. Durante o exame, podem ocorrer complicações, tais como: arritmias cardíacas, infartos do miocárdio, paradas cardiorrespiratórias ou rompimentos de artérias, devido à manipulação de vasos.

O paciente, então, é conduzido ao Serviço de Hemodinâmica do Hospital, onde as enfermeiras revisam seus dados. Logo após é transferido para a mesa do cateterismo e sus sinais vitais são verificados. As enfermeiras também fazem a assepsia do local (braço ou perna) e o paciente é coberto por lençóis estéreis, enquanto o cardiologista se prepara (MANGIONE, 1976).

Durante o exame, o médico responsável aplica um anestésico local onde será introduzido o cateter. Um corte de menos de meio centímetro será feito no local onde será introduzido um filamento flexível até o coração, que ficará na posição correta com a ajuda de monitores e leitores da pressão arterial. Depois, injeta-se um meio de contraste nos vasos sangüíneos e nas câmaras do coração para que essas imagens se tornem visíveis. Durante a injeção de contraste, o paciente pode sentir uma sensação de calor durante 15 a 20 segundos. O tempo total do exame varia de 30 a 60 minutos, desde o preparo até o final (MANGIONE, 1976).

Após o término do exame, a enfermeira colocará uma atadura, pressionando no local da punção, e o paciente deverá permanecer deitado com a perna esticada até o dia seguinte em que receberá a alta. 

Se por um lado os problemas físicos e mecânicos do coração foram melhorados, por outro, houve também um aumento da insegurança emocional destes pacientes devido a um contexto de tensões históricas acerca do papel deste órgão e a ambivalência entre a sensação de onipotência e o medo advindo da insegurança que conflitava sobre a estrutura psicológica das pessoas (VARGAS, 1983, citado por ROMANO, 2002, p.42).

Dentre as alterações emocionais possíveis de serem encontradas nesses pacientes, no momento que precede o exame, destaca-se: agitação psicomotora, ansiedade, medo, estresse emocional, hostilidade, conformismo, tristeza e desejo de esquivar-se ou fugir do exame.

A agitação psicomotora é um “comportamento observável no qual há ocorrência de movimentos que fogem ao controle voluntário do indivíduo, podendo ser resultante de alterações orgânicas ou psicológicas” (ANGERAMI, 2003, p.49).

O estresse emocional e a ansiedade do tipo reativa (tipo que mais se verifica no hospital) pode se manifestar “pelas expectativas, medos e fantasias que podem ocorrer à pessoa hospitalizada, advindas da situação vivencial concreta da doença, tratamento e internação” (ANGERAMI, 2003, p. 42). A vivência da possibilidade de morrer é um exemplo do contato com o medo (ANGERAMI, 2003).

A ansiedade pode resultar de causas subjetivas e objetivas. Dentre as causas subjetivas, pode-se citar o medo, a tensão e a ameaça de morte, causada geralmente pelo desconforto sentido pelo paciente. As causas objetivas resultam da “agressão” sofrida pelos procedimentos diagnósticos e terapêuticos a que poderá estar sujeito (LAMOSA, 1990).

Quando a hostilidade aparece, pode dar indício de descontrole sobre a impulsividade, bem como a noção que a presença do outro é tida como invasiva ao paciente e a aparente força proporcionada pela hostilidade pode indicar fragilidade, sendo uma forma de resposta reativa frente à situação ameaçadora (ANGERAMI, 2003, p. 44).

Pacientes com esse tipo de alteração emocional esperam, na verdade, que os profissionais de saúde demonstrem acessibilidade e capacidade de compreendê-los em sua fragilidade. Dessa maneira, torna-se possível uma aproximação capaz de fazê-lo expressar seus conteúdos mais latentes, geralmente referentes ao medo de entregar-se.

Já o conformismo ocorre quando o paciente apresenta um comportamento preenchido pela passividade, falta de questionamento, resignação frente ao evento da doença, tratamento e hospitalização, podendo acompanhar o estado depressivo e aparentar aceitação da crise atual, que muitas vezes encobre dúvidas, medos fantasias mórbidas entre outras coisas, gerando desconforto psíquico intenso (ANGERAMI, 2003, p.46).

Existem pacientes capazes de desenvolver habilidades para o domínio das situações que provocam diversas alterações emocionais e essas habilidades são denominadas de coping. Este é definido como todos os esforços de controle e de resposta às alterações emocionais, com a finalidade de reduzir as suas qualidades aversivas (ANGERAMI, 2000).

Porém, há aqueles pacientes que não conseguem utilizar o coping como forma de enfrentamento e acabam por recorrer àmesquiva, adiando exames. Recorrem também  à fuga, não aderindo ao tratamento (ANGERAMI, 2000). É muito comum, na Unidade de Hemodinâmica, pacientes agendarem seus exames, logo após indicação médica e, por decisão própria, entenderem que não se faz necessário o exame, já que apresentam, no momento, um quadro assintomático.

A perda do sentimento de onipotência faz com que lance mão de mecanismos de defesa com maior intensidade com o objetivo de manter seu ego afastado do fenômeno que ameaça. Geralmente a negação, a regressão ou a racionalização aparecem como recursos adaptativos (ROMANO, 2002, p.41).

A negação é um “mecanismo de defesa cuja característica é a não-inclusão de afetos ameaçadores à estrutura egóica do indivíduo diante de uma situação atual” (ANGERAMI, 2003, p. 43-44).

A negação da doença pode ser classificada em simples e patológica. A negação simples é observada na maioria dos pacientes e pode ser interpretada como uma tentativa de rejeitar a doença, imaginando que dessa maneira poderá afastá-la. Na negação patológica, o indivíduo, além de negar a possível ameaça, ainda tenta provar ao médico e aos familiares a não existência da mesma, expondo-se a riscos desnecessários pela não observância das recomendações médicas (LAMOSA, 1990).

A necessidade de negação aparece principalmente no início de uma doença crônica. Pode inclusive aparecer no momento da indicação do Cateterismo Cardíaco, quando o paciente, por defesa, se recusa à realização do mesmo. Evidencia-se, assim, a negação do tipo patológica, já que caracteriza riscos para o andamento do tratamento e para a saúde do paciente.

Tem-se por regressão o “aspecto comportamental de retorno a uma forma de se relacionar com o meio ambiente, do ponto de vista de maturidade emocional” (ANGERAMI, 2003, p. 45). O paciente, sem forças para lutar contra a situação de dependência na hospitalização, regride como forma de suportar e aceitar tal situação.

Já a racionalização se dá quando o paciente busca esgotar informações sobre o procedimento a ser realizado, como forma de redução e aceitação do mesmo (ANGERAMI, 2003).

Diante do que os pacientes trazem ao se depararem com esse tipo de exame invasivo é muito comum surgirem colocações referentes ao “medo do desconhecido” e a ansiedade desencadeada por essa situação. Isso evidencia a importância de termos profissionais capacitados e interessados em orientar os pacientes para enfrentar intervenções como estas (ROMANO, 2002).

Visualizar-se com a possibilidade de um adoecer é uma tarefa para a qual não se está preparado: o confronto com a vulnerabilidade, com a temporalidade da vida. Esta é a questão primordial para o psicólogo que atua em unidades hospitalares: conhecer a dimensão disso na vida do paciente e de sua família (LAMOSA, 1990).

Dentro dessa perspectiva este trabalho tem como objetivo medir os níveis de ansiedade nos pacientes a serem submetidos ao Cateterismo Cardíaco através do Inventário de Ansiedade de Beck (BAI) (Anexo 1), bem como descrever a importância da preparação e acompanhamento psicológico a esses pacientes, de forma a criar um clima de confiança entre os mesmos e a equipe de saúde, permitindo que estes verbalizem os fantasmas suscitados pelas perspectivas do exame e, dessa maneira, reduzir a ansiedade identificada.

2. Revisão da Literatura

2.1. Ansiedade

“... meu coração perambula, sem descanso, como o vento inquieto e relutante do entardecer...”.

Adsett e Bruhn

Antes de se apresentar uma definição do que seja ansiedade, construir-se-á um paralelo evolucionista sobre a ansiedade na Idade da Pedra e nos dias atuais. Em documentário, BBC (2003), pesquisadores evolucionistas descreveram a ansiedade como o mecanismo primordial para a preservação da espécie humana, desde os primeiros ancestrais do homem, mas essa característica transmitida ao homem  moderno, que não precisa mais caçar ou defender a si e ao seu bando de ameaças ambientais ou predadores, é vista como a desencadeadora de reações exacerbadas frente a estímulos cotidianos e sendo, da mesma forma que em seus primórdios, o organismo preparado para uma reação de luta ou fuga que, frente às pressões sociais impostas ou expectativas criadas (ameaças subjetivas), contribuem para um descontrole interior, indicativo de falha nos mecanismos de adaptação empregados, e conseqüentemente dano aos sistemas cardíaco, muscular, respiratório, imunológico, endócrino e outros pela ação do SNA no organismo humano (IGNÁCIO, 2004, p.31).

“Existe uma sensação difusa experimentada pela maioria dos seres humanos que denominamos ansiedade ou angústia. A ansiedade controlada e canalizada resulta num estímulo para a ação, mas a ansiedade excessiva empobrece psicologicamente” (CALLE, 1990).

A ansiedade é um sinal de alerta, que permite ao indivíduo ficar atento a um perigo iminente e tomar as medidas necessárias para lidar com a ameaça. Em outras palavras, é um sentimento útil. Sem ela estaríamos vulneráveis aos perigos e ao desconhecido. É algo que está presente no desenvolvimento normal, nas mudanças e nas experiências novas e inéditas (NUNES FILHO, BUENO & NARDI, 2001, p. 131).

A ansiedade, quando bem canalizada, torna-se vantajosa para o indivíduo pois gera expectativa sobre um futuro, auxiliando na elaboração de estratégias quando se trata de eventos aversivos.

Uma vez que é vantajoso responder com ansiedade a certas situações ameaçadoras, podemos falar de ansiedade normal contrastando com a ansiedade anormal ou patológica. Essa é uma resposta inadequada a determinado estímulo, em virtude de sua intensidade ou duração (NUNES FILHO et al., 2001, p. 132).

Dessa maneira, o indivíduo pode apresentar sintomas, por vezes, desconfortáveis que caracterizam essa ansiedade dita patológica e que causam uma variedade de prejuízos, perdendo a função natural de preparação para um evento futuro.

Assim, a ansiedade pode representar segundo CALLE (1990, p. 49), uma sensação desagradável de maior ou menor intensidade e que se experimenta como indisposição, intranqüilidade, confusão, mal-estar, agitação, indecisão, profunda insatisfação, incerteza, mania de perseguição, apreensão, inquietação difusa, angústia profunda, sensação de dissolução ou fragmentação, desconcerto e desintegração.

Dentre as hipóteses etiológicas da ansiedade patológica estão as teorias psicanalíticas, as teorias comportamentais, as teorias existenciais e as teorias biológicas.

GENTIL et al (1997), citado por IGNÁCIO, 2004 (p.31) coloca que a ansiedade foi traduzida de forma errônea quando passaram os escritos de Freud do alemão (Angst) para o inglês, onde Freud trabalhava o termo que significa medo e sua tradução deu origem a uma nova terminologia, que aborda uma resposta orgânica e comportamental frente a um estímulo não reconhecido ou inespecífico.

Dessa maneira, as teorias psicanalíticas referem que a ansiedade é um sinal para o ego de que um instinto inaceitável está exigindo representação e descargas conscientes. A ansiedade desperta o ego para que tome medidas defensivas contra as pressões interiores. Se a repressão não for bem sucedida, outros mecanismos psicológicos de defesa podem resultar em formação de sintomas (NUNES FILHO et al., 2001, p. 132).

Em 1871, Da Costa descreveu a “síndrome do coração irritável” como um transtorno cardíaco mais freqüente, caracterizado por palpitações, síncopes e dor torácica, síndrome precursora do transtorno do pânico. Freud ressaltou os papéis fundamentais da ansiedade, elevando-a à categoria de síndrome, descrevendo o conceito de “neuroses” com a psicopatologia da ansiedade, distinguindo a ansiedade objetivada do medo, daquela objetivada de conflitos inconscientes, devido a mecanismos de defesa que fracassaram em sua intenção de manter o complicado equilíbrio psíquico, dando lugar a sintomas neuróticos (SANTOS et al, 2000, citado por IGNÁCIO, 2004, p. 32).

Já as teorias comportamentais sugerem que a ansiedade é uma resposta condicionada a estímulos ambientais específicos. A teoria cognitiva da ansiedade patológica sugere que padrões de pensamentos incorretos, distorcidos, incapacitantes ou contraproducentes acompanham ou precedem os comportamentos desadaptados (NUNES FILHO et al., 2001).

As teorias existenciais apontam que as pessoas ficam ansiosas ao se tornarem conscientes de um profundo vazio em suas vidas. A ansiedade é a resposta a este imenso vazio de existência e significado (NUNES FILHO et al., 2001).

As teorias biológicas são baseadas em medições objetivas que comparam a função cerebral de pessoas normais com indivíduos ansiosos. Os três principais neurotransmissores associados à ansiedade são a noradrenalina, o ácido gama-aminobutírico (Gaba) e a serotonina (NUNES FILHO et al., 2001).

Com a ansiedade, a visão falseia e deforma. A mente resiste ao instante presente e gera toda sorte de embaraços mentais, obsessões, preocupações e fantasmas, os quais, por sua vez, geram ansiedade. Assim, faz-se um ciclo (CALLE, 1990).

Certo grau de ansiedade é inerente à criatura humana e, possivelmente, foi necessário para a evolução da espécie. Em seus níveis levemente desagradáveis previne contra ameaças, mobiliza, estimula. Quando ela fica acima desse nível não só envolve desagradavelmente o indivíduo como cria toda sorte de bloqueios, tensões e aflições, os quais, por sua vez, desenvolvem mais quantidade de angústia (CALLE,1990).

Segundo CALLE (1990), a ansiedade em níveis altos provoca inquietação motora, tiques, rigidez, taquicardia, transtornos gastrintestinais, opressão, hipertensão, inquietação motora e numerosos transtornos psicossomáticos.

Destacam-se duas formas de angústia: a Existencial e a de Morte. A primeira enquadra-se no rol de todos os processos de angústia que o indivíduo pode enfrentar ao longo da vida. No contexto hospitalar, as perdas, os sentimentos de impotência e de abandono são os mais freqüentes desencadeadores desse processo (ANGERAMI, 2003, p. 41).

Já a angústia de morte está associada à vivência específica da experiência de morte iminente, ou seja, a pessoa se vê repentinamente nesse estado, o que gera uma condição emocional fragilizada (ANGERAMI, 2003).

Faz-se necessário, no entanto, diferenciar a ansiedade, devida à situação vivenciada, daquela presente nos Transtornos de Ansiedade. Segundo o DSM IV, a ansiedade está ligada à presença de sintomas, como inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele, fatigalidade, dificuldade em concentrar-se ou sensações de “branco na mente”, irritabilidade, tensão muscular e perturbação do sono. No entanto, para caracterizar esses sintomas como sendo constituintes de um Transtorno de Ansiedade instalado, é preciso que os mesmos tenham persistido nos últimos seis meses.

Já de acordo com o que propõe o CID 10, a Ansiedade Generalizada e persistente não ocorre forma exclusiva nem de modo preferencial numa situação determinada. A ansiedade é "flutuante". Os sintomas essenciais são variáveis, mas compreendem nervosismo persistente, tremores, tensão muscular, transpiração, sensação de vazio na cabeça, palpitações, tonturas e desconforto epigástrico. Medos de que o paciente ou um de seus próximos podem brevemente ficar doente ou sofrer um acidente são frequentemente expressos. Incluem estado ansioso, neurose ansiosa e reação de angústia.

Os transtornos de ansiedade estão entre os transtornos psiquiátricos mais freqüentes na população geral, com prevalências de 12, 5% ao longo da vida, 7,6% ao ano e 6% ao mês. Além dos transtornos serem muito freqüentes, os sintomas ansiosos estão entre os mais comuns, podendo ser encontrados em qualquer pessoa, em determinados períodos de sua existência, principalmente quando há uma situação desencadeante (ANDRADE e GORENSTEIN, 1998).

A definição de ansiedade adotada para o desenvolvimento deste trabalho é a de que a ansiedade é uma sensação de profundo mal estar gerado pela expectativa de um evento desagradável, com apresentação de sintomas, como inquietação, medo do pior acontecer, desconforto intestinal, nervosismo, sensação de sufocamento, incapacidade de relaxar, taquicardia, dentre outros, conscientemente percebidos.

Dessa forma, a avaliação dos níveis de ansiedade possibilitará qualificar a ansiedade em sua manifestação, se reativa ou neurótica, e avaliar o grau de comprometimento que a presença desta acarreta ao indivíduo e à sua relação com o processo de internação e tratamento da doença propriamente dita (ANGERAMI, 2003).

2.2.Informação e Preparação Psicológica

“Existe no silêncio uma tão profunda sabedoria que às vezes ele se transforma na mais perfeita das respostas”.

Fernando Pessoa

Na prática hospitalar, é possível observar que os pacientes, ao darem entrada na unidade de Hemodinâmica para a realização de algum procedimento invasivo, nesse caso o Cateterismo Cardíaco, trazem pouca ou nenhuma informação a respeito do procedimento a ser realizado.

A atuação do psicólogo, diante desse paciente, está na preparação e acompanhamento psicológico ao mesmo, como forma de minimizar os desconfortos físicos e psíquicos decorrentes principalmente da ansiedade.

 Em relação ao que os pacientes trazem ao se depararem com esse tipo de exame invasivo é muito comum surgirem colocações referentes ao “medo do desconhecido”. Isso evidencia a importância de termos profissionais capacitados e interessados em orientar os pacientes para enfrentar intervenções como estas (ROMANO, 2002).

O paciente nem sempre se queixa do medo da dor física, mas sim de uma dor emocional. Percebe-se nessa dor, insegurança, tensão e medo, porque ele ainda não compreende o que irá acontecer.

A preparação psicológica consiste em, primeiramente, avaliar as formas de enfrentamento do paciente frente às situações ansiogênicas em geral. Em segundo lugar, ouvir o que o paciente conhece a respeito do procedimento a ser realizado e, dessa forma, passar as informações necessárias sobre o exame. Essas informações incluem explicações que vão desde a preparação pela enfermeira, entrada do médico, procedimento a ser realizado por esse profissional, possibilidade de o paciente sentir dor ou algum tipo de desconforto até o momento do curativo e preparação para a alta.

Nesse momento deverá ser revertido o quadro de impotência do paciente, já que quando se estabelece o vínculo de confiança, há a autorização e entrega participativa, de forma que o paciente passa a dar dicas de como gostaria de ser trabalhado e se sente à vontade em expressar seus medos em relação ao exame.

É necessário também verificar quais as formas de enfrentamento utilizadas pelo paciente, decodificando sua linguagem emocional e detectando seus mecanismos de defesa, de forma a utilizá-los a seu favor.

Durante o acompanhamento, o profissional psicólogo, deverá atuar também como facilitador do vínculo entre paciente e equipe multiprofissional para que a entrega aconteça pela confiança.

Através de observações realizadas no ambiente hospitalar, percebe-se que a maioria dos medos citados pelos pacientes, no momento que precede o Cateterismo, não são fantasiosos. Trata-se sim de medos reais, tais, como medo de morrer, medo de sentir dor e não suportar, medo do tratamento pela equipe de saúde da unidade, perda da autonomia, perda da intimidade, medo do resultado, dentre outros.

Ao receberem as informações necessárias e desmistificadas sobre o exame, os pacientes relatam melhoras de alguns sintomas, já que não há mais temores sobre o incerto, mas a tentativa da real compreensão daquilo que se realizará.

Além disso, quando são orientados, sentem-se parte da equipe e sujeitos ativos no processo, havendo, dessa maneira, entrega participativa e segura ao procedimento. Assim, o contato com o psicólogo torna-se a circunstância favorável ao estabelecimento de vínculo com o paciente. Ao se deparar com a realidade, tal qual a descrita durante a preparação, a confiança se estende à equipe, percebida como competente por desempenhar corretamente seu papel.

Acredita-se que a cultura em que vivemos faz com que a doença cardíaca seja, muitas vezes, acompanhada de maiores temores do que outras até mais graves. Como se vê, as fantasias e crendices populares sobre a doença e também sobre os exames invasivos são muitas e podem interferir com bastante intensidade na maneira com que os pacientes as enfrentam (ROMANO, 2002).

Sabe-se, pela prática hospitalar, que pacientes bem orientados terão vantagens em quaisquer procedimentos, mas também que, além das orientações objetivas, é importante que possam ter apoio e compreensão de suas ansiedades por parte da equipe técnica que o assiste (ROMANO, 2002).

Por outro lado, a “falta de movimentação interior”, de inquietação, faz com que o paciente tenha até dificuldade em apreender as orientações verbais que lhe são transmitidas pela equipe, o que corresponderia a um alto grau de ansiedade.

Com o intuito de limitar os riscos físicos e psíquicos nos pacientes antes, durante e após o Cateterismo, gerados pela insegurança e, principalmente, pela ansiedade, se propõe, aqui, a preparação e o acompanhamento dos mesmos, com o intuito de observar o nível de ansiedade existente.

Pode-se observar, dessa forma, a importância que assume a atenção ao paciente a ser submetido ao Cateterismo Cardíaco.

A intervenção deixa de ser um ato meramente mecânico e deve assumir o seu impacto junto ao ser total. Lidar com a variedade de sintomas, dificuldades e expectativas é a única forma de garantir-se essa abrangência (ROMANO, 2002, p. 64).

Apesar de não ser possível eliminar as situações hospitalares produtoras de estresse a que estão expostos pacientes e seus familiares, o psicólogo pode modificar ou adaptar o ambiente do paciente através do acompanhamento e orientação a todas as pessoas envolvidas no processo.

As informações, portanto, devem procurar limitar os riscos; devem reduzir a incerteza e aumentar a capacidade do paciente de agir de acordo com o que mais lhe convém; deve-se também fortalecer seu relacionamento com a equipe terapêutica (BELLAK, 1990 citado por LAMOSA, 1990, p. 94).

Aqui, as informações não têm o papel de eliminar os sintomas ansiosos apresentados pelos pacientes no momento que antecede o exame. Na verdade, as orientações técnicas e o acolhimento pelo psicólogo visam reduzir essa ansiedade, proporcionando uma melhor adesão ao procedimento e a um possível tratamento.

2.3. Mensuração da Ansiedade

“mesmo antes do surgimento das escalas de avaliação, a observação cuidadosa sempre foi a mais valiosa técnica de coleta de informações sobre os fenômenos psíquicos” (BERNIK, citado por IGNÁCIO p. 46).

Ainda, segundo BERNIK (1998), embora as manifestações fisiológicas induzidas pelos estados de ansiedade sejam passíveis de mensurações objetivas e diretas, escalas e inventários de sintomatologia ainda são os instrumentos de mensuração mais comumente usados em pesquisa.

A própria definição de mensuração já permite uma compreensão das imprecisões obtidas com as observações clínicas, pois essa se caracteriza como forma organizada de observação, na qual os fenômenos a serem observados estão previamente definidos (BERNIK e FERREIRA, 1998 citados por IGNÁCIO, 2004 p. 46).

Enquanto os clínicos estão acostumados a comparar clientes com sua condição prévia ou, ainda, pacientes entre si, gradientes de gravidade costumam ser também de fácil aplicação e alta confiabilidade. Dessa forma acrescentam-se uma segunda dimensão à escala, o que aumenta muito a possibilidade de escores e a sensibilidade e utilidade do instrumento. Trata-se agora não mais de um check-list de sinais e sintomas e sim de uma escala de avaliação (BERNIK 1998, citado por IGNÁCIO, 2004, p. 47).

Numerosos esforços têm sido feitos na tentativa de definir operacionalmente e avaliar o construto ansiedade. As escalas de ansiedade medem vários aspectos que podem ser agrupados de acordo com os seguintes tópicos: a) humor – apreensão em relação a alguma catástrofe possível ou não identificada; b) cognição – pensamentos persistentes de inadequação ou de incapacidade de executar adequadamente suas tarefas; c) comportamento – inquietação, movimento de aperto das mãos ou outros movimentos repetitivos sem finalidade; d) estado de hiperalerta – aumento da vigilância, exploração do ambiente, dificuldade de adormecer; e) sintomas somáticos – espasmo muscular, dor, taquicardia, sudorese, aumento da freqüência urinária; f) outros – esta categoria residual pode incluir estados como despersonalização, baixa concentração e esquecimento.

As escalas para avaliação têm sido divididas em escalas de auto-avaliação e escalas de avaliação clínica. Dentre as escalas de auto-avaliacao estão o Inventário de Ansiedade Traço-estado – IDATE, escala de ansiedade de Zung, escala hospitalar de ansiedade e depressão, dentre outros. Dentre as de avaliação clínica estão a escala de ansiedade de Hamilton, escala clínica de ansiedade, escala de ansiedade de Beck etc. Nesse estudo será utilizado o Inventário de Ansiedade de Beck (BAI).

O BAI é uma escala de auto-relato que mede a intensidade de sintomas de ansiedade. A escala foi construída com base em vários instrumentos de auto-relato, usados no CCT (Center for Cognitive Therapy), dos quais foram selecionados os itens que passaram a compor o Inventário (CUNHA, 2001).

O inventário é constituído por 21 itens com afirmações descritivas de sintomas de ansiedade e devem ser avaliados pelo sujeito com referência a si mesmo, numa escala de quatro pontos, que, conforme o Manual refletem níveis de gravidade crescente de cada sintoma: 1) Absolutamente não; 2) Levemente: não me incomodou muito; 3) Moderadamente: foi muito desagradável, mas pude suportar; 4) Gravemente: dificilmente pude suportar (CUNHA, 2001).

Os itens incluídos no Inventário utilizado são os seguintes: 1) Dormência ou formigamento; 2) Sensação de calor; 3) Tremores nas pernas; 4) Incapaz de relaxar; 5) Medo que aconteça o pior; 6) Atordoado ou tonto; 7) Palpitação ou aceleração do coração; 8) Sem equilíbrio; 9) Aterrorizado; 10) Nervoso; 11) Sensação de sufocação; 12) Tremores nas mãos; 13) Trêmulo; 14) Medo de perder o controle; 15) Dificuldade de respirar; 16) Medo de morrer; 17) Assustado; 18) Indigestão ou desconforto no abdômen; 19) Sensação de desmaio; 20) Rosto afogueado; 21) Suor (não devido ao calor) (CUNHA, 2001).

A aplicação do Inventário não oferece dificuldades importantes, podendo ser lido pelo próprio paciente ou pelo pesquisador. Nesse estudo, a leitura será feita pelo pesquisador, já que, no momento da aplicação, o paciente estará hospitalizado e por vezes impossibilitado de escrever. Nesse tipo de aplicação, são usadas as seguintes instruções:

Este questionário contém 21 sintomas. Eu vou ler cada sintoma em voz alta, um por um. Depois de cada sintoma que eu ler, quero que você me diga se você não se incomodou absolutamente, se incomodou levemente, moderadamente ou gravemente por causa desse sintoma, durante a última semana, incluindo hoje. Isso inclui agora (CUNHA, 2001, p.14).

Ainda que as alternativas de resposta oferecidas ao examinando sejam de caráter qualitativo, na realidade constituem uma série escalar, de 0 a 3 pontos. Assim, para cada item atribui-se um escore individual. A soma dos escores individuais representa o escore total, que pode variar entre zero e 63.

 

Tabela 1. Níveis dos escores do BAI

Nível

Escores

Mínimo

0 – 10

Leve

11 – 19

Moderado

20 – 30

Grave

31 - 63

FONTE: CUNHA, 2001

O BAI foi escolhido como instrumento de avaliação dos sintomas de ansiedade no estudo em pauta, por tratar-se de uma escala com a possibilidade de administração oral, ou seja, pelo aplicador.

3. Metodologia

3.1. Participantes

Participaram do estudo 14 sujeitos de ambos os sexos, sendo 05 do sexo feminino (35,7%) e 09 do sexo masculino (64,3%). Todos de diferentes níveis de ocupação, renda e escolaridade, com idade entre 38 e 82 anos, internados em um hospital geral (enfermarias, apartamentos ou leito-dia) para os quais foram solicitados o Cateterismo Cardíaco para fins diversos. Dentre os 14 participantes, sete receberam informações acerca do exame e os outros sete fizeram parte do grupo controle, ou seja, não receberam informações sobre o procedimento.

3.2. Material

Como instrumento de avaliação dos objetivos propostos utilizou-se um questionário sócio-demográfico (Apêndice 1), subdividido em quatro partes, que possuía ao todo 15 questões objetivas, bem como o Inventário de Ansiedade de Beck para a mensuração do nível de ansiedade. A identidade dos sujeitos foi preservada. A aplicação foi feita no leito do hospital no qual o paciente encontrava-se internado. Para tanto foram utilizadas folhas de aplicação da escala escolhida, além de folhas de papel A4, prancheta, caneta esferográfica e um álbum de fotografias, as quais apresentam a imagem da sala onde o exame foi realizado, a equipe e os instrumentos a serem utilizados durante o procedimento (Anexo 2).

3.3. Procedimento

Este é um estudo exploratório, descritivo, correlacional, comparativo, com abordagem quantitativa, realizado com pacientes a serem submetidos ao procedimento de Cateterismo Cardíaco, em um Laboratório de Hemodinâmica de um hospital geral de médio porte, localizado no município de Goiânia, onde a maioria da demanda da área de Cardiologia.

No período da coleta de dados (cerca de um mês) uma rotina diária foi seguida, envolvendo desde anotação dos nomes de pacientes a realizarem o Cateterismo, verificação dos respectivos leitos, até a ordem estabelecida dos pacientes para a realização dos exames.

No momento em que o paciente era chamado pela secretária do setor de Hemodinâmica para preencher uma ficha de rotina dessa unidade, era feita uma sucinta apresentação do serviço, bem como verificada a disponibilidade do paciente em aceitar o atendimento do serviço de Psicologia.

Ao ser abordado em seu leito foi estabelecido o vínculo com o paciente, bem como com os familiares, quando presentes. Em seguida foi pedida a permissão para se aproximar e explicar sobre a pesquisa a ser realizada.

Caso o paciente estivesse de acordo em participar da pesquisa, pedia-se ao mesmo que fizesse a leitura e assinasse o “Termo de Compromisso Livre e Esclarecido” (Apêndice 2). Quando o paciente não conseguia fazer a leitura, o pesquisador a fazia e fornecia explicações quando solicitadas.

Não restando dúvidas e havendo disposição em colaborar, foi pedida a permissão ao paciente para a aplicação do questionário sócio-demográfico. Aos pacientes era permitido optar apenas por uma alternativa por questão.

Primeiramente, buscou-se conhecer quais as informações sobre o exame eram trazidas pelo paciente desmistificando-as, quando houvesse necessidade, para que as informações apresentadas fossem melhor compreendidas.

Com um álbum de fotos em mãos, mostrou-se ao paciente a sala onde seria realizado o exame, a aparelhagem, a forma como se posicionaria para o procedimento, além de alguns membros da equipe que encontraria na unidade.

Em seguida, as informações necessárias acerca do exame foram passadas na seqüência em que ocorreriam, desde a preparação pela enfermeira (assepsia, isolamento do campo com lençóis estéreis), desconfortos decorrentes do procedimento (anestesia local, corte, efeito do contraste), curativo (pressão sobre o local da punção), repouso e alta. Além das informações técnicas sobre o procedimento, ao paciente foi prestado suporte psicológico pelo pesquisador.

Ao primeiro grupo foram dadas as informações necessárias sobre o exame e, em seguida, o Inventário de Ansiedade de Beck foi aplicado. Já ao segundo grupo, a escala era aplicada antes que as informações fossem passadas.

Tabela 2: Número e percentual de pacientes que possuía ou não informações sobre o Cateterismo           

INFORMAÇÕES SOBRE O CATETERISMO

FREQUÊNCIA

PERCENTUAL

Sim

10

71,4

Não

4

28,6

Total

14

100

Fonte: Pesquisa – 2006.

É importante ressaltar que tanto os pacientes do primeiro, quanto do segundo grupo foram aleatoriamente selecionados. No primeiro dia de coleta de dados, os pacientes receberam informações, no segundo dia, não receberam informações, no terceiro dia receberam informações e assim sucessivamente.

A coleta de dados encerrou-se após a aplicação do Inventário e com os devidos agradecimentos aos participantes.

4. Resultados

Os resultados obtidos no presente estudo demonstraram que, somando-se os dois grupos, houve predominância de pacientes do sexo masculino (64,3%), com idade entre 43 e 82 anos, vindos de outros estados (64,3%) e com Ensino Fundamental incompleto (64,3%). Houve predominância também da religião católica (85,7%) e de pacientes casados (92,9%). Vide tabelas correspondentes no Apêndice 3.

Ao serem perguntados, no momento da entrevista, se já possuíam informações, ainda que inadequadas, sobre o Cateterismo, 71,4 % dos pacientes disseram possuir algum tipo de informação e 28,6% afirmaram não terem nenhuma informação sobre esse procedimento.

Tabela 3: Número e percentual de pacientes que recebeu ou não informações e preparação psicológica para o Cateterismo

RESULTADO DO BAI

 

Mínimo

Leve

Moderado

Grave

Total

 

INFORMAÇÃO E PREPARAÇÃO PSICOLÓGICA

Sim

6

1

0

0

7

 

Não

1

2

2

2

7

TOTAL

 

7

3

2

2

14

Fonte: Pesquisa – 2006.

Os pacientes da amostra estudada foram divididos em dois grupos iguais, sendo que 50% recebeu informações sobre o exame e preparação psicológica e os outros 50% não receberam essas informações.

Tabela 4: Resultado do BAI em pacientes que receberam e que não receberam informação e preparação psicológica

INFORMAÇÃO E PREPARAÇÃO PSICOLÓGICA

FREQUÊNCIA

PERCENTUAL

Sim

7

50

Não

7

50

Total

14

100

Fonte: Pesquisa – 2006.

Dos 7 pacientes do grupo que recebeu informação e preparação psicológica, 6 apresentaram nível Mínimo de ansiedade e 1 apresentou nível Leve de ansiedade de acordo com o Inventário de Ansiedade de Beck. Já entre os 7 pacientes do grupo que não recebeu informações e preparação psicológica, 1 paciente apresentou nível Mínimo de ansiedade, 2 apresentaram nível Leve, 2 nível Moderado e 2 apresentaram nível Grave de ansiedade medindo pela escala de Beck. O nível de ansiedade em pacientes informados variou entre o Mínimo e o Leve, enquanto nos pacientes não informados, houve variância entre o nível Leve, passando pelo Moderado, até o Grave.

Tabela 5: Relação entre informação / preparação psicológica, hipertensão e nível de ansiedade

informação / preparação Psicológica

NÚMERO DE PACIENTES

média dos escores do bai

DESVIO PADRÃO

Sim

7

7,4286

4,72077

Não

7

24,7143

14,96345

Fonte: Pesquisa – 2006.

Observou-se que, no grupo de pacientes que não foram preparados, houve uma predominância de hipertensos e a média dos escores do BAI, entre esses indivíduos, ficou em torno de 24,71, o qual corresponde a um nível Moderado de ansiedade de acordo com essa escala. No grupo em que os pacientes receberam informações, houve a incidência de apenas um hipertenso e a média dos escores apresentadas foi de 7,42, aproximadamente, correspondente ao nível Mínimo de ansiedade.

Tabela 6: RELAÇÃO ENTRE MÉDIAS DOS ESCORES DO BAI, INFORMAÇÃO E DESVIO PADRÃO

informação / preparação Psicológica

antecedentes de hipertensão

média dos escores do bai

Nível de ansiedade

Sim

1

7,42

Mínimo

Não

5

24,71

Moderado

FONTE: Pesquisa – 2006.

Aqui, pode-se observar que, em pacientes do grupo preparado, as médias dos escores do BAI, mostraram-se menores (7,4286), bem como o desvio padrão (4,72077). Já as médias do grupo que não recebeu informações mostraram-se maiores que as primeiras (24,7143), assim como o desvio padrão (14,96345). Esses valores indicam que o primeiro grupo trata-se de uma amostra mais homogênea.

H0: Média do BAI em pacientes informados = Média do BAI em pacientes sem informação;

H1: Média do BAI em pacientes informados ≠ Média do BAI em pacientes sem informação.

Aplicou-se o “Teste t” para diferença de médias com margem de erro α = 5%. O tcalculado = -2,92 < tcrítico = -1,96. Assim, H1 é real, já que a Média dos escores do grupo que recebeu informações e preparação para o Cateterismo é diferente do grupo que não as recebeu.

5. Discussão

Durante a pesquisa buscou-se verificar a relação entre informação e redução da ansiedade em pacientes a submeterem-se ao Cateterismo Cardíaco, bem como as possíveis variáveis intervenientes e a função do profissional psicólogo no papel de orientador no ambiente hospitalar.

O questionário utilizado trata-se do primeiro ponto a ser discutido nesse estudo. Observou-se que a forma de abordagem e, principalmente, o momento da entrevista mostrou-se como estratégia para o estabelecimento de uma relação caracterizada pela confiança. Mesmo que tenha sido uma entrevista curta e com dados, em sua maioria, de identificação, apresentou-se eficiente como criadora de vínculo entre paciente e psicólogo e, por extensão, ao restante da equipe.

O paciente ao relatar seus dados pessoais, antecedentes familiares e presença de outras doenças sente-se mais seguro, já que a equipe passa a conhecê-lo e a identificar possíveis dificuldades no procedimento e, além disso, sente-se agente ativo e participante. Aqui, é importante observar as dicas que o paciente dá quanto à maneira como a equipe deve abordá-lo, sem que este se sinta agredido e/ou invadido em seu espaço vital.

Nos dois grupos pesquisados houve predominância de pacientes do sexo masculino, reiterando que, apesar do aumento da incidência de doenças cardiovasculares na população feminina, a maioria dos cateterismos é realizada em homens.

O estudo mostrou que, a maioria dos pacientes veio do interior de outros estados, por carência de condições de saúde nesses municípios. Pesquisas realizadas no Brasil demonstram que, quanto menor o nível de escolaridade e condição sócio-econômica, maior é a exposição aos fatores de risco para doenças cardiovasculares, entre eles a hipertensão, o tabagismo, o alcoolismo, a obesidade e o sedentarismo, elevando a incidência dessas moléstias em regiões fora da área urbana. Os fatores ambientais, a baixa renda familiar, o baixo nível educacional, a atividade profissional, exposição ao stress, sedentarismo, falta de lazer, sono e repouso, excesso de peso e vínculo familiar influenciam na manutenção dos fatores de risco (Ferreira, 1999 citado por Grazziano, 2004). Os dados obtidos confirmam a afirmação anterior, tendo em vista o baixo grau de escolaridade dos pacientes, situação que freqüentemente está associada ao baixo nível sócio-econômico.

É sabido que algumas ocupações expõem o trabalhador a um nível mais elevado de stress, o que, como afirmado anteriormente, colabora para a manutenção dos fatores de risco relacionados às doenças cardiovasculares. No grupo de pacientes que não recebeu informações acerca do exame, não houve predominância de nenhuma profissão. No entanto, apareceram profissões que apresentam considerável nível de estresse, tais como: professor, supervisor contábil, feirante e gráfico (produção) no grupo de pacientes que não recebeu as informações adequadas.

O grupo de pacientes que recebeu as informações necessárias e desmistificadas sobre o exame, relatou melhoras de alguns sintomas, já que não havia mais fantasias e temores sobre o incerto, mas a real compreensão daquilo que se realizaria. Na análise do nível de ansiedade nesse grupo pesquisado, o estudo demonstrou predominância de nível mínimo de ansiedade (M=7,43) nos pacientes que receberam informações e preparação psicológica no momento anterior ao exame. Já no grupo de pacientes que não recebeu informações sobre o exame, houve predominância de nível moderado de ansiedade (M=24,71).

Houve uma diferença significativa quanto aos antecedentes patológicos da doença atual, quesito hipertensão. No grupo que não recebeu informações sobre o exame, houve predominância de pacientes hipertensos, o que é fator determinante para o desencadeamento de sintomas ansiosos e vice-versa. Pode-se somar esses dados àqueles referentes à rapidez com que os hipertensos reagem a eventos estressantes (Lamosa, 1990), supondo a possível interferência desse fator no aumento significativo da ansiedade nesse grupo. Esse dado faz-nos intuir que os sintomas ansiosos podem ser desencadeados tanto pela escassez de informações corretas quanto pela presença da hipertensão nesses pacientes.

A maioria dos pacientes, quando abordados no momento em que precedeu o procedimento, relatou que, da expectativa à espera do exame, emergem alterações emocionais, apresentadas principalmente quando há pouco ou nenhum conhecimento com relação ao procedimento a ser realizado. Dentre as alterações mais relatadas estão os sintomas de ansiedade.

No entanto, observou-se que a maioria dos pacientes entrevistados possuía algum tipo de informação sobre o exame (internet, amigos, parentes, outros profissionais). Quando solicitados a reproduzirem as informações obtidas, apresentaram informações distorcidas com relação ao procedimento.

Assim, torna-se importante salientar que, por diversas vezes, a ansiedade verificada no momento anterior ao exame pode originar-se de informações equivocadas sobre o Cateterismo e não somente pela falta dessas.

Além disso, foi muito freqüente o relato de preocupações com o resultado e/ou tratamento, já que o paciente percebe o pedido de exames como um recurso médico para a avaliação da extensão de uma doença existente. Quando orientados, percebem duas possibilidades em relação ao resultado: a detecção de um problema ou a detecção de normalidade. Com relação ao tratamento, passa a entender que nem sempre a cirurgia é necessária e que outras alternativas, como o uso de medicamentos também são indicadas.

É válido ressaltar ainda que as informações referentes ao procedimento, quando dadas por um psicólogo, apresentam além de orientações técnicas sobre o exame, a preparação do aparelho psíquico para a situação-crise em que o paciente encontra-se enredado.

O psicólogo permite que o paciente se expresse e assim se conscientize de suas ansiedades frente ao Cateterismo, favorecendo sua elaboração e evitando, desse modo, que recorra a defesas rígidas e empobrecedoras do ego.

Com olhar clínico, o profissional supracitado, é capaz de identificar a estrutura psíquica do paciente, compreendendo se o mesmo poderá receber as informações detalhadas sobre a intervenção ou se de forma mais superficial e valorizando outros tipos de assuntos.

É comum encontrar pacientes que tratam com hostilidade o pedido do Cateterismo, como forma de negação dos incômodos suscitados pelo mesmo. Manifestam verbalmente uma tranqüilidade surpreendente e um aparente desprendimento ao serem informados do exame, enquanto o corpo demonstra sinais de agitação psicomotora e ansiedade.

Para o psicólogo é possível reconhecer e avaliar quais as formas de enfrentamento do paciente que chega ao setor de Hemodinâmica. Se para alguns há a facilidade em elaborar estratégias para suportar suas alterações emocionais, para outros os mecanismos de defesa parecem os melhores aliados nesse momento. Cabe ao serviço de Psicologia compreender qual a maneira que cada paciente, em sua individualidade, “escolheu” utilizar para se poupar de sofrimentos maiores. Dessa forma, esse profissional poderá reforçar os mecanismos adotados, se adequados e tentar, caso haja condições no paciente, auxiliá-lo a encontrar novas maneiras, mais saudáveis de suportar a crise vivenciada.

Em vários momentos a intenção de preparar o paciente com uma lista de informações foi diluída em longos assuntos e conversas rotineiras. Essa cumplicidade conquistada foi motivo de retribuições, as mais valiosas. Foram abraços de agradecimentos, sorrisos de alívio e até choros emocionados por receber atenção.

Pequenas e simples modificações na estrutura e procedimento produzem efeitos grandes e imediatos, como identificar-se ao paciente e identificá-lo, explicar o que está acontecendo e, sobretudo, permitir ao paciente perguntar e interessar-se por seus sentimentos. É lógico que esses contatos devem ser breves, mas claros, acessíveis e satisfatórios. Em outras palavras, criar e manter canais simples e adequados de comunicação (ROMANO, 2002).

A função do psicólogo não se restringe, portanto, apenas a repassar meras informações técnicas e de maneira automática. Isso qualquer profissional de saúde com conhecimento sobre o assunto faria. Cabe ao psicólogo, antes de tudo, compreender o paciente em sua essência, deixar de enxergar mais um candidato à cardiopatia e abrir os olhos para a pessoa. Ser capaz de acolher e mostrar que à sua frente, antes de um profissional, existe também um ser humano disposto a ajudar e a permanecer inteiro ao seu lado.

6. Conclusões

A literatura relacionada aos aspectos emocionais decorrentes do Cateterismo Cardíaco ainda é escassa. Assim, esse trabalho, além de explicitar sobre a influência da ansiedade em pacientes a submeterem-se a esse exame invasivo e o papel do psicólogo diante dessa problemática, também vem contribuir para a complementação teórica sobre um assunto que, na prática, tem mostrado bons resultados.

Somente com os dados coletados não foi possível afirmar com consistência que as informações dadas pelo profissional psicólogo e que a boa comunicação intra-hospitalar reduzem significativamente a ansiedade, já que outros dados importantes, como a hipertensão, apareceram no decorrer da pesquisa. Além disso, no momento da coleta de dados, a máquina da Hemodinâmica quebrou e, dessa forma, a amostra não pôde ser considerada significativa.

Do mesmo modo, para uma avaliação precisa do paciente, seria necessária a aplicação do Inventário de Depressão de Beck (BDI) juntamente com o BAI, já que os sintomas descritos nesses dois inventários estão muito próximos. Pacientes clinicamente avaliados com sintomas depressivos apresentaram escore muito alto de ansiedade, o que dificulta a conclusão efetiva dessa pesquisa. A aplicação do BDI não foi realizada por tornar a pesquisa pouco parcimônica para um ambiente hospitalar. Além disso, pesquisas muito extensas podem elevar o nível de estresse do paciente.

Sugere-se, portanto, a repetição desse estudo, dividindo-o em outros dois grupos: pacientes hipertensos com informação adequada e, pacientes hipertensos sem informação adequada, bem como a intervenção em uma amostra maior. Através dessa pesquisa será possível concluir se, de fato, a hipertensão é fator determinante para os sintomas ansiosos ou se, na verdade, a ansiedade é ocasionada unicamente pelas dúvidas e/ou desinformação.

Apêndice 1 – Tabelas Complementares:

Tabela 7: ESTADO CIVIL DA AMOSTRA ANALISADA

Estado civil do paciente

Freqüência

Percentual

Casado

13

92,9

Divorciado

1

7,1

Total

14

100

FONTE: Pesquisa – 2006.

 

Tabela 8: GRAU DE INSTRUÇÃO NA AMOSTRA ANALISADA


GRAU DE INSTRUÇÃO DO PACIENTE

FREQUÊNCIA

PERCENTUAL

Analfabeto

1

7,1

Ensino Fundamental

9

64,3

Ensino Médio

1

7,1

Ensino Superior

3

21,4

TOTAL

14

10

FONTE: Pesquisa – 2006.

 

Tabela 9: ANTECEDENTES DE DIABETES NA AMOSTRA ANALISADA


antecedentes de diabetes

FREQUÊNCIA

PERCENTUAL

Sim

6

42,9

Não

8

57,1

Total

14

100

FONTE: Pesquisa – 2006.

 

Tabela 10: PROFISSÕES DOS PACIENTES DA AMOSTRA ANALISADA


PROFISSÃO DO PACIENTE

FREQUÊNCIA

PERCENTUAL

Aposentado

8

57,1

Autônomo

2

14,3

Funcionários da Rede Privada

4

28,6

TOTAL

14

100

FONTE: Pesquisa – 2006

 

Tabela 11: RELIGIÃO DOS PACIENTES NA AMOSTRA ANALISADA


RELIGIÃO DO PACIENTE

FREQUÊNCIA

PERCENTUAL

Católico

12

85,7

Evangélico

2

14,3

Total

14

100

FONTE: Pesquisa – 2006.

 

Tabela 12:  ANTECEDENTES FAMILIARES DE CARDIOPATAPIAS NA AMOSTRA ANALISADA


antecedentes FAMILIARES de cardiopatias

FREQUÊNCIA

PERCENTUAL

Sim

9

64,3

Não

5

35,7

Total

14

100

FONTE: Pesquisa – 2006.

 

 Tabela 13: NATURALIDADE DOS PACIENTES NA AMOSTRA ANALISADA

NATURALIDADE DO PACIENTE

FREQUÊNCIA

PERCENTUAL

Goiânia

1

7,1

Interior do Estado de Goiás

4

28,6

Outros Estados

9

64,3

TOTAL

14

100

FONTE: Pesquisa – 2006.

 

Tabela 14: ANTECEDENTES DE CARDIOPATIAS NOS PACIENTES DA AMOSTRA ANALISADA


antecedentes de cardiopatias

FREQUÊNCIA

PERCENTUAL

Sim

5

35,7

Não

9

64,3

Total

14

100

FONTE: Pesquisa – 2006.

 

Apêndice 2 – Questionário Sócio-demográfico:

Questinário Sócio-demográfico

I. Dados de Identificação:
Data 1º Atendimento: ___/___/____   Nº do Paciente: _______   Nº do Prontuário: ____
01) Idade: _______ anos
02) Estado Civil:    1)Solteiro (  )      2)Casado (  )       3)Viúvo (  )       4) Divorciado (  )
03) Grau de Instrução:  1)Analfabeto (  )     2)1º Grau (  )    3)2º Grau (  )    4)3º Grau (  )
04) Religião: 1)Católico (  )  2)Evangélico (  )  3)Espírita (  )  4)Ateu (  )  5)Outra (  ) __
05) Profissão: __________________________
06) Naturalidade: _______________________
07) Sexo:                                                        1) Feminino (  )               2) Masculino (  )
08) Recebeu Atendimento Psicológico:         1) Sim (  )           2) Não (  )

 

II. Antecedentes Patológicos de Saúde Física:
01) Diabetes                 1) Sim (  )             2) Não (  )
02) Cardiopatias           1) Sim (  )             2) Não (  )
03) Hipertensão            1) Sim (  )             2) Não (  )
04) Outro (s)                1) Sim  (  )             2) Não (  )         Qual (is)? _______________

 

III. Antecedentes Históricos:
01) Houve casos de cardiopatias na família?     1) Sim (  )      2) Não (  )    Quem? _____

 

IV. Informações sobre o Cateterismo Cardíaco
01) Possui                                                1) Sim (  )            2) Não (  )
02) Se possui, qual(is)?
_________________________________________________________________
_________________________________________________________________

Apêndice 3 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido:

Termo de consentimento livre e esclarecido

Seção de Psicologia

 

Prezado(a) Sr.(a),

      Meu nome é Carolline Silva Borges. Sou aluna da UNISA – Universidade de Santo Amaro – psicóloga, cumprindo carga horária para a conclusão do curso de pós-graduação em Psicologia Hospitalar nesse hospital, sob supervisão do psicólogo Fábio Riemenschneider.
      Estou interessada em aprimorar o conhecimento sobre a relação entre informação e redução da ansiedade em pacientes a serem submetidos ao Cateterismo Cardíaco.
      Convido o Sr.(a) a participar dessa pesquisa e, para isso preciso de sua autorização para que possa entrevistá-lo. Os cuidados necessários serão tomados para que fique em sigilo os dados de quem participou. Fica-lhe reservado o direito de interromper esta avaliação a qualquer momento, sem que isto atrapalhe o seu tratamento médico e/ou psicológico.
                                               Atenciosamente,

                              _______________________________
                                             Carolline Silva Borges

 

Eu, __________________________________________________ estou de acordo em participar da pesquisa realizada pela psicóloga Carolline Silva Borges sob orientação do psicólogo Fábio Riemenschneider.

____________________________________

 

Referências:

Angerami-Camon, V. A. E a Psicologia entrou no Hospital. São Paulo: Pioneira, 2003.

___________________, V. A. Psicologia da Saúde. São Paulo: Pioneira, 2000.

ANDRADE, Laura Helena S. G.; GORENSTEIN, Clarice. Aspectos gerais das escalas de avaliação de ansiedade. Revista de Psiquiatria Clínica. São Paulo, v. 25, n. 6, p. 285-294, Edição Especial. 1998.

CALLE, Ramiro A. Ansiedade – técnicas de auto-ajuda para superar a angústia e o estresse. São Paulo: Editora Gaia, 1994.

CUNHA, Jurema Alcides. Manual da versão em português das Escalas de Beck. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.

GRAZZIANO, Eliane da Silva e BIANCHI, Estela Regina Ferraz. Nível de ansiedade de clientes submetidos à cineangiocoronariografia e de seus acompanhantes.Revista Latino-Americana de Enfermagem. São Paulo, v. 12, n. 2, p. 168-174, mar./abr. 2004.

IGNACIO, Daniela Sarreta. Ansiedade e Angioplastia Coronária Transluminal Percutânea (ACTP): Uma contribuição para a Enfermagem. Ribeirão Preto, 2004. 302p. Dissertação (Mestrado em Enfermagem Fundamental). Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2004.

Lamosa, B. W. R. (1990). Psicologia Aplicada à Cardiologia. São Paulo: Fundo Editorial Byk.

Mangione, J. A. (1976). Guia passo a passo para o cateterismo cardíaco. São Paulo, Departamento de Hemodinâmica e Angiocardiografia da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Miranda, A. M. C. (2004). Curso Básico de Psicologia Hospitalar. Goiânia, Instituto de Ensino e Pesquisa da Associação de Combate ao Câncer de Goiás.

NUNES FILHO, Eustachio Portella; BUENO, João Romildo; NARDI, Antonio Egídio. Psiquiatria e saúde mental: conceitos clínicos e terapêuticos fundamentais. São Paulo: Editora Atheneu, 2001.

Romano, B. W. (2002). A Prática da Psicologia nos Hospitais, (pp. 41-42). São Paulo: Pioneira.

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