UTI Neonatal: Ambiente de Expectativas ou de Estresse?

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Resumo: O presente artigo tem como objetivo identificar, através de produções acadêmicas, os fatores de estresse presentes na UTI neonatal e como estes influenciam no bem-estar da equipe de saúde e dos pais de recém-nascidos internados, contextualizando o ambiente da UTI neonatal, esclarecendo o que se compreende por fatores de estresse e partindo para uma análise reflexiva acerca da presença destes fatores na rotina de pais e profissionais envolvidos. Para tal, recorreu-se à abordagem qualitativa, sendo que foram analisados livros, artigos, periódicos e teses relevantes ao tema datados entre 1997 e 2010. Com o intuito de ilustrar este trabalho, foram realizadas duas entrevistas: com uma mãe que vivenciou o período de internação dos filhos e com uma profissional que atua neste ambiente.  Sabendo-se que os fatores de estresse prejudicam a saúde e o bem-estar psíquico dos pais e equipe de saúde, a identificação, análise e compreensão deste fenômeno tornam possível a criação de meios que possibilitem o alívio dos diversos sintomas negativos gerados por eles, podendo vir a tornar a estadia e o ambiente de trabalho aos quais se constituem a UTI neonatal em um local menos doentio.

Palavras-Chave: pais, equipe de saúde, estresse, fatores de estresse, UTI neonatal.

Introdução

A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal constitui-se em um ambiente estressor tanto para os pais de recém-nascidos internados, quanto para a equipe de saúde que a compõe. Ambas as partes têm a exigência de, para lidar bem com as situações adversas, fazerem um exercício de controle emocional. Neste sentido, a UTI Neonatal para a equipe se constitui o local de trabalho que impõe a convivência com o sofrimento de bebês e seus familiares, para os pais um ambiente passageiro embora com intenso estresse.  

A escolha deste tema foi feita a partir do interesse pessoal em compreender a dinâmica da UTI neonatal para a equipe de saúde e pais de bebês ali internados. Desde então, foi feita a constatação da escassez de materiais presentes na literatura sobre os fatores de estresse que os acometem, e de como estes fatores afetam e influenciam a rotina e a saúde psíquica destas pessoas, que lidam diretamente com recém-nascidos que demandam um cuidado especializado e atenção diferenciada.

A fim de dar conta da proposta de identificar estes fatores de estresse, este trabalho se configura então em uma revisão bibliográfica, com caráter explicativo, sendo que sua elaboração se dá a partir de materiais já publicados, compreendidos principalmente por livros, artigos, periódicos e publicações acadêmicas. Os dados coletados se caracterizam por produções datadas entre 1997 e 2010, cujo principal objetivo constitui a apresentação da informação disponível na literatura sobre a influência dos fatores de estresse na rotina de pais e profissionais de saúde da UTI neonatal.

Esta revisão bibliográfica, com cunho qualitativo, envolve interpretações e abre espaço para questionamentos, viabilizando a compreensão deste fenômeno e sugerindo meios que possam vir a elucidar o alívio das consequências negativas trazidas pelos fatores de estresse.

No intuito de se obter uma melhor compreensão acerca dos fatores de estresse que acometem os pais e a equipe de saúde na UTI neonatal, é necessário contextualizar este ambiente e nortear os conceitos sobre fatores de estresse, possibilitando assim uma visão mais ampla e diversificada sobre o tema.

1. A UTI Neonatal e os Seus Fatores de Estresse

Ao propor uma perspectiva histórica da parturição, Gandra (1998) nos remete ao tempo onde os nascimentos eram vividos em casa, e os filhos nasciam rodeados por uma atmosfera conhecida e, até certo ponto, previsível. Assim, a gravidez e o parto transcorriam dentro de um ambiente acolhedor e conhecido. Atualmente, com o advento dos hospitais/maternidades, cada vez mais especializados em termos de tecnologia, equipamentos e profissionais, um novo modelo de UTI neonatal toma forma.

Kimura, Koizumi e Martins (1997) entendem que a UTI constitui um importante recurso para o tratamento de pacientes graves ou potencialmente graves que necessitam de cuidados contínuos e especializados, em consequência de uma ampla variedade de alterações fisiopatológicas. Leite e Vila (2005) trazem os objetivos da UTI como sendo concentrar recursos humanos e materiais para o atendimento de pacientes graves que exigem assistência permanente, além da utilização de recursos tecnológicos apropriados para a observação e monitorização contínua das condições vitais do paciente e para a intervenção em situações de descompensações.

Advinda da preocupação em isolar pacientes recém-nascidos em estado grave, Valansi e Morsch (2004) caracterizam a UTI neonatal por receber pacientes na faixa etária de zero a dois meses de idade, nascidos pelo menos a partir da 23ª semana de gestação. Em sua maioria, as internações são feitas imediatamente após o parto.

De acordo com Druon (1999 apud Valansi e Morsch, 2004),

“a qualidade da sobrevivência do bebê geralmente depende dos primeiros instantes: com alguns minutos de vida, logo que chega ao centro de medicina neonatal, o bebê é monitorado e, quando necessário, colocado no respirador e depois instalado numa incubadora, pesado, medido e submetido a múltiplos exames” (Druon, 1999).

Pedroso e Bousso (2003) definem a UTI Neonatal como a área destinada ao atendimento de recém-nascidos de alto risco, com o objetivo de proporcionar ao bebê toda a assistência que garanta melhores condições para sua sobrevivência, com um foco no cuidado, exigindo assim de toda a equipe um preparo que sustente a complexidade das atividades desenvolvidas.

Em um contexto de UTI neonatal, os bebês são observados constantemente. Aspectos como a cor da pele, a reatividade, os parâmetros cardíacos e respiratórios, são permanentemente observados pela equipe de saúde, e, ao menor sinal de complicações, ocorrem intervenções visando melhores condições para o bebê.

A UTI, por si só, é um ambiente que pode ocasionar estresse não só ao paciente, mas também a equipe de saúde que a compõe e aos pais que acompanham o recém-nascido. De acordo com Strumm et al. (2008), a existência de inúmeros equipamentos, controles rigorosos, aliados ao afastamento da pessoa de seu ambiente, o confronto com o sofrimento próprio e/ou do outro, a possibilidade de morte, entre outras situações, podem se constituir em estressores.

Gaiva e Scochi (2004) reforçam o fato de que, por ter passado por diversas transformações, principalmente devido ao advento de novas tecnologias, a assistência neonatal atinge também a finalidade do trabalho da equipe nas unidades neonatais, que não se dá só na perspectiva da sua racionalidade e na recuperação do corpo anátomo-fisiológico do recém-nascido, mas passa a preocupar-se com a família e qualidade de vida.

As observações feitas por Leite e Vila (2005) mostram que a realidade vivenciada pela equipe multiprofissional que atua em terapia intensiva é permeada por variados sentimentos e emoções e, ainda, que a rotina exige uma excelente capacitação técnico-científica e preparo profissional para lidar com a perda, com a dor e com o sofrimento.

Estudos realizados por Pafaro e de Martino (2004) apontam que atualmente o estresse significa pressão, insistência, e estar estressado significa estar sob pressão ou estar sob ação de um determinado estímulo insistente. Pode ser definido como um desgaste geral do organismo, causado pelas alterações psicofisiológicas que podem ocorrer quando o indivíduo é forçado a enfrentar situações que o irritem, excitem, amedrontem, ou mesmo que o façam imensamente feliz.

Os pais também acabam sendo afetados pela estadia do recém-nascido na UTI neonatal. Após o nascimento do recém-nascido com doença de alto risco, os pais entram num estágio definido por Baldini e Krebs (1998) como um luto pelo filho saudável que esperavam, provocando sentimentos de choque, negação, raiva, culpa, depressão, desesperança, impotência, perda, isolamento, confusão e ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, distúrbios do sono e do apetite, configurando-se muitas vezes um estado constante de estresse. 

Na UTI neonatal, a equipe multiprofissional convive com diversos fatores desencadeadores de estresse, tais como: a dificuldade de aceitação da morte, a escassez de recursos materiais (leitos e equipamentos) e de recursos humanos e a tomada de decisões conflitantes relacionadas com a seleção dos recém-nascidos que serão atendidos.

Segundo Lipp e Tanganelli (2002), o determinante da ocorrência de estresse é a capacidade do organismo de atender às exigências do momento, independentemente da natureza das mesmas. A resistência aos obstáculos enfrentados é também influenciada consideravelmente pelas estratégias de enfrentamento, ou coping, presentes no repertório da pessoa. Estes mesmos autores dividem o processo do stress em três fases: alerta ou alarme, resistência e exaustão, sendo que os sintomas se diferenciam dependendo da seriedade do estresse. 

O estresse, de acordo com Lipp e Tanganelli (2002), pode produzir efeitos negativos, que afetam não só a esfera profissional da vida do individuo, como também diversas outras. Fadiga, tensão muscular, decréscimo da concentração e atenção, deteriorização das memórias de curto e longo prazo e diminuição da autoestima são exemplos de sintomas trazidos pelo estresse.

Cooper, Sloan e Williams (1988, apud Ayres, Brito e Feitosa, 1999) categorizam os agentes ocupacionais, considerados potencialmente estressantes, da seguinte forma: (1) fatores intrínsecos ao trabalho (condições de salubridade, jornada de trabalho, ritmo, riscos potenciais à saúde, sobrecarga de trabalho, introdução de novas tecnologias, natureza e conteúdo do trabalho); (2) papel organizacional (ambiguidade e conflitos de papéis); (3) inter-relacionamento (para com os superiores, colegas e subordinados); (4) carreira (congruência de status e segurança e perspectivas de promoções); (5) clima da organização (ameaças potenciais à integridade do indivíduo, sua autonomia e identidade pessoal); (6) Interface casa/trabalho (aspectos relacionais de eventos pessoais fora do trabalho e dinâmica psicossocial do stress).

Ao considerar os fatores ambientais e individuais como desencadeadores de estados de estresse em suas pesquisas, Cooper et al. (1988) salienta que a exposição excessiva a fatores de estresse pode vir a produzir uma deteriorização do equilíbrio dos processos fisiológicos nos diferentes sistemas orgânicos até lesar o funcionamento orgânico, levando a enfermidade.

Expostos as principais categorias ambientais relacionadas ao trabalho citadas por Cooper et al. (1988), a equipe de saúde da UTI neonatal, ao focar seus esforços na recuperação e alta dos recém-nascidos internados, encontra-se em um ambiente propício ao aparecimento de fatores de estresse, tornando-se necessária a identificação, compreensão e elucidação de propostas de alívio dos mesmos.

2. Fatores de Estresse para a Equipe de Saúde na UTI Neonatal

Segundo Silva (2006), embora seja o local ideal para o atendimento a pacientes agudos graves recuperáveis, a UTI neonatal parece oferecer um dos ambientes mais agressivos, tensos e traumatizantes do hospital. O autor, ao citar os fatores de estresse presentes neste contexto, apresenta uma realidade de certa forma contraditória. Por um lado a equipe de saúde vivencia o prazer e a realização proporcionados pela possibilidade de cuidar de pacientes graves e poder melhorar o prognóstico deles. Por outro, convive com angústias intensas pelo fato de terem que realizar um grande número de procedimentos complexos, manipular inúmeros equipamentos e realizar todas as atividades num ritmo bastante intenso.

 Oliveira (2006) aponta ainda que as equipes de saúde que trabalham em UTIs neonatal são confrontadas diariamente com questões relacionadas à morte e se utilizam muitas vezes de mecanismos de defesa para lidar com o estresse advindo da convivência com o sofrimento do paciente.

Nesse processo, o estresse pode ser potencializado pela forma como está organizado o trabalho, jornadas prolongadas, ritmo acelerado, falta de descanso ao longo do dia, ou até mesmo a jornada dupla de serviço, intensa responsabilidade na realização de tarefas para um paciente que não expressa suas angústias, irritações e medos. 

Oliveira (2006) ressalta ainda outro aspecto importante que influencia no desenvolvimento de fatores de estresse no ambiente de trabalho: o fato de a equipe, geralmente, estar vinculada a mais de um emprego, dobras de plantões, horas extras, sobrecarga de trabalho sem descanso, acabam resultando em fadiga, tensão e irritação. Devido ao esforço físico diário, repetições de tarefas, e a necessidade do trabalho ser realizado em pé, os trabalhadores podem sofrer com o desgaste físico.

A vivência cotidiana com essa realidade pode levar a sentimentos de frustração, raiva, falta de confiança em si próprio, diminuição da satisfação com o trabalho, podendo, inclusive, desencadear sintomas de depressão.

Ao realizar uma pesquisa sobre os principais fatores de estresse em enfermeiras nas UTIs neonatal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, Santini et al (2005) identificam como fatores de estresse: a relação dos profissionais com os recém-nascidos, o cuidado de bebês que choram muito; no contato com os familiares dos RN, a necessidade de transmitir notícias de agravamento do estado de saúde ou morte. Ruídos sonoros contínuos, carência de recursos materiais e jornada de trabalho excessiva foram outros fatores de estresse identificados.

Visando aliviar os sintomas acarretados pelos fatores de estresse que acometem os profissionais de saúde em um contexto de UTI neonatal, Oliveira (2006) propõe então que os profissionais estejam instrumentalizados para lidar com as situações do cotidiano, recebendo auxílio psicológico e aprendendo a administrar sentimentos vivenciados na prática assistencial. Silva (2006) sugere uma revisão das jornadas de trabalho dos profissionais de saúde. Santini e outros (2005) sugerem que, para amenizar as situações de estresse, a equipe de saúde exercite relações que oportunizem verbalizar seus sentimentos, expor suas angústias e exteriorizar suas preocupações. Segundo os autores, esta atividade alivia e acalenta o interior humano, reduzindo, assim os fatores causadores de estresse e consequentemente um melhor atendimento aos pacientes internados e seus familiares.

3. Fatores de Estresse para os Pais na UTI Neonatal

No contexto de um hospital geral, Gandra (1998) traz a idéia do berçário ou a unidade de neonatologia tido quase como um “oásis”, uma ilha que, segundo a autora, se diferencia do todo contextualizado em sofrimento, dor e morte. O senso comum entende o nascimento de uma criança como algo que deve ser saudável e propiciar alegria e satisfação aos pais e familiares. O Ministério da Saúde (2000) compreende que

“a notícia da chegada de um bebê determina mudanças importantes tanto nos diferentes membros da família como no grupo social dos pais, avós e irmãos. Surgem expectativas, planos e projetos junto a novas exigências de tarefas e de funções para cada uma dessas pessoas, provocando a reorganização desse grupo que possui a familiaridade como seu grande elo de ligação” .

O nascimento prematuro de um bebê ou uma situação de emergência que possa vir a ocorrer ao longo do processo do parto configura-se em um evento estressante para a família, a qual, segundo Padovani et al (2004), se depara com uma situação imprevisível e ansiogênica. Devido às condições de instabilidade orgânica do bebê e à necessidade de cuidados médicos especializados oferecidos na UTI neonatal, a família passa a experenciar a separação do bebê prematuro e a incerteza sobre sua evolução clínica e sobrevivência.

Padovani et al (2004) acrescentam ainda as dificuldades relacionadas à distorção da "imagem ideal" do bebê, criada pela família, em contraposição à imagem real do bebê inserido na UTI neonatal, fazendo com que a família passe por um processo de reorganização do seu quadro imaginário a fim de ajustá-lo à imagem de um bebê muito pequenino e frágil, que corre risco de morte.

Naturalmente, ao se depararem com esta realidade, os pais passam a vivenciar diversos fatores de estresse. Braga e Morsch (2003) relatam que, ao entrarem na UTI pela primeira vez, os pais experimentam um misto de sensações, dentre as quais perplexidade e medo em face de uma realidade tão distante daquela idealizada inicialmente para o bebê.

Mesmo quando avisados previamente sobre a necessidade de internação de seus filhos logo após o nascimento, ou mesmo aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer o ambiente da UTI neonatal antes, experimentam, de acordo com Braga e Morsch (2003), certo atordoamento, difícil de diminuir ainda nas primeiras visitas.

Segundo Siefert (1994 apud Mittag e Wall, 2004):

“a maioria dos pais reagirá ao nascimento de uma criança comprometida com choque e torpor. Eles experimentarão sensações de confusão e abandono, podendo comportar-se de modo irracional, chorar sem controle ou, até mesmo, tentar fugir. Seus espectros de atenção serão pequenos, sendo que terão dificuldade em absorver informações ou tomar decisões. Alguns pais descrevem sensações como se “estivessem ficando loucos” durante este período” (Siefert,1994).

Um dos principais fatores de estresse vividos pelos pais está no contexto da UTI neonatal. Braga e Morsch (2003) caracterizam o ambiente da UTI neonatal como aquele repleto de aparelhagem, ruídos de alarmes, ir e vir de desconhecidos profissionais, que utilizam palavras estranhas aos pais, sucessão de berços e incubadoras com crianças aparentemente tão diferentes da maioria dos bebês nascidos saudáveis. Segundo Reichert, Lins e Collet (2007), o ambiente da UTI neonatal propicia uma experiência ao recém-nascido bastante diferente daquela do aspecto uterino, uma vez que este é o ideal para o crescimento e desenvolvimento fetal, pois possui características distintas, como temperatura agradável e constante, aconchego, e os sons extra-uterinos são filtrados e diminuídos.

Apesar da importância deste local para os neonatos doentes, essa unidade passa a ser entendida então, por excelência, como um ambiente nervoso, impessoal e até temeroso para aqueles que não estão adaptados às suas rotinas. Reichert, Lins e Collet (2007) entendem que, por ser um local repleto de luzes fortes e constantes, mudanças de temperatura, interrupção do ciclo do sono, visto que são necessárias repetidas avaliações e procedimentos, a estadia na UTI neonatal, acaba acarretando muitas vezes em desconforto e dor para o bebê e corroborando para um sentimento de irrealidade para os pais.

Uma dificuldade presente constantemente no período de internação do recém-nascido na UTI neonatal está, segundo Lamy, Gomes e Carvalho (1997), no reconhecimento do bebê enquanto sujeito. Segundo estes autores, há uma culpa implícita que os pais impõem a si mesmos pela situação do recém-nascido, fazendo com que, de acordo com Braga e Morsch (2003), os pais esqueçam que ali está o seu filho, que necessita ser cuidado por eles de forma integrada.

Outro fator de estresse para os pais salientado por Braga e Morsch (2003), consiste na ameaça da perda da vida do bebê, além da crença de ter “fracassado” como genitores ao colocar no mundo uma criança incapaz de sobreviver sem os cuidados oferecidos por profissionais de saúde. Estudos realizados por Lamy, Gomes e Carvalho (1997) demonstram ainda que a necessidade de enfrentar a possibilidade da morte trazia, para alguns pais, uma dificuldade maior em se ligar ao bebê. Braga e Morsch (2003) trazem o fato de que não é improvável que, em diversas ocasiões, os pais se questionem se “vale a pena investir em uma relação cujo fio de ligação com a vida é tão tênue”.

Braga e Morsch (2003) trazem ainda a “preocupação médico-primária” como outro fator de estresse que, segundo as autoras, se manifesta quando “os pais se concentram quase que exclusivamente no acompanhamento da evolução clínica da saúde de seu filho, encontrando dificuldades em desenvolver o estado de preocupação materno-primária”. Outros fatores de estresse enfrentados pelos pais, descritos por Braga e Morch (2003) estão na espera por um movimento ou expressão do bebê, pelo aumento de peso, e preocupações com alimentação e temperatura que ele vem apresentando.

Lamy, Gomes e Carvalho (1997) ressaltam que o entendimento da doença e gravidade enfrentada pelo recém-nascido pode constituir-se em um grave fator de estresse. De acordo com os autores,

“a percepção que os pais tinham sobre a doença também influenciava a forma como eles percebiam seus filhos internados. A identificação da gravidade de uma doença que parece tão clara para quem trabalha em uma UTI-Neonatal, não o é para os pais. Pais e médicos têm valores diferentes para medir gravidade. Para os pais, os valores e crenças se manifestavam no seu modo de ver e encarar acontecimentos. A doença era algo que deveria trazer marcas” (Lamy, Gomes e Carvalho, 1997).

Por supor, equivocadamente, que ocupam um papel secundário durante a hospitalização do filho, surgem fatores de estresse tangíveis a visão do atendimento que está sendo prestado ao seu filho. Molina (2007) salienta que

“os pais percebem a hospitalização do filho através da interação com os membros da equipe de saúde e do cuidado prestado ao filho. Valorizam a tecnologia e a dedicação dos profissionais, mas, acima de tudo, as atitudes de respeito e consideração, julgando-as indispensáveis na relação interpessoal” (Molina, 2007).

Lamy, Gomes e Carvalho (1997), em seus estudos, concluíram que quando os pais têm uma visão do atendimento oferecido ao seu filho, e quando este engloba a família e tem um caráter humanizado, é possível para eles compreender melhor a gravidade e a patologia que o recém-nascido enfrenta, fazendo com que o grau de estresse diminua entre os pais.

Souza e Ferreira (2010) trazem então a importância do oferecimento de um atendimento integral, ampliado e da promoção do conforto por parte da equipe de saúde aos pais, uma vez que, segundo Braga e Morsch (2003), a integração entre a equipe e família servirá como base para a continuidade do cuidado quando o bebê estiver em casa.

Mittag e Wall (2004) ressaltam a necessidade de muitos pais em ter um apoio para iniciar uma relação afetiva com seus filhos, que estão em um ambiente tão desconhecido para eles. Faz-se necessária então a presença de um profissional por perto no momento em que se aproximam pela primeira vez de seu filho, um profissional que possa lhes oferecer apoio, esclarecer suas dúvidas e compreender, sem criticar, as suas reações.

Braga e Morsch (2003) sugerem que o alívio dos sintomas causados pelos fatores de estresse que acometem os pais com recém-nascidos internados na UTI neonatal pode vir na promoção de uma maior comunicação entre pais e filho. As autoras ressaltam, por exemplo, a função de alívio que o colo, o mamar no seio e a troca de olhares podem assumir. Outra sugestão de forma de comunicação entre bebês e seus pais dada pelas autoras é “a colocação de objetos como presentes, bilhetes ou fotos dentro da incubadora ou do berço. Assim, é sinalizado tanto para a equipe quanto para o recém-nascido, formas especiais da história familiar.”

Atividades em grupo sugeridas ainda por Braga e Morsch (2003), como o compartilhamento de angústias e histórias que permitam o dar-se conta dos pontos de semelhança entre elas, também se constituem em um importante meio de enfrentamento dos fatores de estresse.

Apesar da vivência de diversos fatores de estresse, inúmeros estudos, de acordo com Gaíva e Scochi (2005), mostram a importância da presença dos pais na UTI neonatal e da participação deles nos cuidados ao filho hospitalizado, não só para o estabelecimento do vínculo afetivo mãe-filho, mas também para a redução do estresse causado pela hospitalização e no preparo para o cuidado à saúde no domicílio.

4. Método

Trata-se de uma revisão bibliográfica, com caráter explicativo, cujo principal objetivo constitui a apresentação da informação disponível na literatura sobre a influência dos fatores de estresse na rotina de pais e profissionais de saúde da UTI Neonatal. Este trabalho foi elaborado a partir de materiais já publicados, compreendidos por livros, artigos, periódicos e publicações acadêmicas. Os dados coletados se caracterizam por produções datadas entre 1997 e 2010.

Tem como objetivo geral identificar a influência que os fatores de estresse presentes na UTI Neonatal exercem na saúde psíquica dos pais de bebês internados e dos profissionais que atuam neste ambiente; e como objetivos específicos descrever a UTI neonatal, analisar quais são os fatores de estresse presentes nesse ambiente e relaciona-los com o bem-estar dos pais dos RN presentes e profissionais envolvidos.

Configura-se em um artigo de cunho qualitativo, envolvendo interpretações e abrindo espaço para questionamentos, viabilizando a compreensão da influência dos fatores de estresse na UTI neonatal para pais e equipe de saúde, e sugerindo meios que possam vir a elucidar o alívio das consequências negativas trazidas pelos mesmos.

Após uma coleta diversificada de materiais bibliográficos, leituras exploratórias foram realizadas, a fim de verificar em que medida a obra consultada interessa à pesquisa. A próxima etapa constituiu-se de leituras seletivas, possibilitando a retomada do mesmo material com propósitos diferentes ao projeto. Posteriormente, foi procedida à leitura analítica, com a finalidade de classificar e codificar as informações contidas nas fontes, de forma que estas possibilitem a obtenção de respostas e hipóteses ao problema de pesquisa, permitindo um produto final coeso e passível de interpretações.

Como forma de ilustrar os dados encontrados na revisão de literatura, foram realizadas duas entrevistas semi-estruturadas: a primeira com uma mãe de múltiplos, que vivenciou o período de internação dos filhos em uma UTI neonatal, e a segunda com uma enfermeira que atua em UTI Neonatal.

Os dados das entrevistas foram transcritos, categorizados e apresentados em formas de figura para facilitar a compreensão. Foram considerados os aspectos éticos previstos na Resolução 196/96 para pesquisas com seres humanos e as entrevistadas foram informadas sobre os objetivos da pesquisa, a participação voluntária e a garantia de sigilo da identidade.

5. Resultados e Discussões

Este estudo apresentou um recorte do que tem sido produzido sobre o ambiente de UTI na perspectiva dos pais de bebês internados e da equipe que lá trabalha. Identificou alguns fatores de estresse vivenciados nesta unidade e as repercussões destes sobre a saúde e bem-estar de pais e equipe. Apresentou também, de forma empírica, uma ilustração sobre esta vivência, a partir da experiência de uma mãe de múltiplos que vivenciou o período de internação dos filhos em uma UTI neonatal e de uma enfermeira que atua em UTI Neonatal.

Fatores de Estresse na UTI neonatal

Figura 1 – Fatores de Estresse presentes na UTI neonatal para mãe e profissional.

A mãe elegeu a insegurança quanto à evolução das crianças como principal fator de estresse durante o período de internação dos filhos. Identificou também o nível de ruído dos monitores como algo “bastante estressante”, e citou outras fontes estressantes experienciadas por ela: imaginar que as crianças estavam sentindo dor, voltar para casa à noite e deixá-los no hospital “sem a certeza que teriam amor e atenção suficientes”, e não poder contar com o apoio de amigos e família, uma vez que apenas a presença dos pais era permitida na UTI neonatal.

A entrevista realizada com a enfermeira traz pontos concordantes tanto com o que foi dito pela mãe, como o que pode ser constatado na literatura, como o ruído emitido pelos equipamentos. A enfermeira identificou outros fatores de estresse, como coletas ou punções difíceis, insuficiência respiratória em recém-nascidos com patologias graves, lidar com pacientes terminais, esclarecimento de diagnóstico e presenciar o sofrimento da família.

De acordo com a profissional entrevistada, os pais podem permanecer no local em tempo integral e a equipe de saúde se predispõe a estar lidando com as dúvidas, informando a evolução do recém-nascido e orientando nos cuidados com o bebê e na lactação, processo tido pela mãe como “doloroso”.

Quando questionada sobre o que acredita ser mais estressante para os pais a enfermeira identificou: a perda de peso do bebê; procedimentos que causam dor; desconhecer o diagnóstico; o próprio ambiente da UTI neonatal; o uso de leite artificial quando necessário; e, quando a mãe recebe alta do hospital e tem que deixar o recém-nascido na UTI. Este último foi referido pela enfermeira como a principal fonte de angústia e estresse para os pais, o que coincide com o depoimento da mãe.

Assim como na literatura, foi relatada pela enfermeira a dificuldade em lidar com a morte em um ambiente onde se espera bebês nascidos com saúde. Esta referência foi feita a partir da sua prática em que, quando ocorre um falecimento, há também uma “quebra de um sonho idealizado pelos pais para aquela criança”, sendo necessário o apoio de familiares e amigos neste momento.

Na opinião da enfermeira entrevistada, a redução dos ruídos, a criação de métodos menos invasivos para resultados laboratoriais e de procedimentos, a presença de um psicólogo na UTI neonatal, para oferecer apoio e suporte emocional para a família e equipe de saúde e confraternizações fora do ambiente de trabalho são possíveis meios de alívio para os fatores de estresse identificados.

Fazendo uma comparação com as entrevistas realizadas e com o que foi pesquisado na literatura científica, nota-se que há uma concordância sobre os fatores de estresse que podem ser identificados em um ambiente de UTI neonatal, elucidando assim a necessidade da promoção de meios que possam aliviá-los.

6. Considerações Finais

O presente artigo pretendeu identificar os fatores de estresse dentro de um ambiente de UTI neonatal que recaem sobre pais de recém-nascidos internados e equipe de saúde envolvida. A literatura trouxe implicações na identificação, análise e interpretação destes fatores.

Compreendendo a UTI neonatal como um ambiente propício ao desenvolvimento de fatores de estresse diversos, pode vir a instituir-se então em um local doentio, exigindo das pessoas envolvidas bem-estar físico e psíquico, atrelado a um equilíbrio, para que estes possam viabilizar os cuidados necessários de forma saudável.

Deste modo, a hipótese de que o ambiente da UTI neonatal gera fatores diversos de estresse, que podem afetar as condições biológicas e emocionais da equipe de saúde e dos pais de bebês internados, se confirma, ressaltando assim a importância da atenção ao tema, causador de sofrimentos diversos aos seres humanos em questão.

Dentre as sugestões obtidas pela entrevista e por meio da literatura, pode-se indicar, visando a promoção do alívio dos sintomas provocados por fatores de estresse para os pais, uma maior participação da família, grupos de apoio entre pais que estejam passando por situações similares e suporte psicológico. No que tange a equipe de saúde, o auxílio psicológico também se faz necessário, além de atividades laborais, jornada de trabalho flexível, e fortalecimento do vínculo entre os integrantes em ambientes externos.

A identificação de fatores de estresse na UTI neonatal possibilita análises da interferência dos mesmos na rotina e cotidiano dos pais dos recém-nascidos internados e dos profissionais de saúde, permitindo assim a promoção de um enfrentamento mais eficaz destes fatores, a diminuição da angústia e ansiedade provocadas, visando uma estadia mais saudável seja no ambiente de trabalho ou no acompanhamento ao tratamento dado ao filho, cultivando assim o bem-estar físico e mental para todos os envolvidos: equipe de saúde, pais e recém-nascido.

Sobre o Autor:

Mariana Matos Nascimento - Concluinte do Curso de Psicologia da Universidade Salvador.

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