Pedofilia na Internet

(Tempo de leitura: 24 - 48 minutos)

Resumo: O que a sociedade nos oferece para que estejamos sempre findos em nosso desejo, porém ao mesmo tempo estamos sempre à procura de algo que nos sacie? Somos nós os perversos ou a sociedade nos obriga a tal conduta? O que procuramos nas relações on-line que não encontramos nas relações sociais, naturais ou cara-a-cara? Quem os predadores, agressores sociais e sexuais que estão à espreita esperando o próximo click dado por uma criança desavisada, desestruturada ou mesmo carente de normas e leis? Este sujeito é o pedófilo que agora encontrara na internet ou meio obscuro, torpe, frio e perverso para atrair, assediar e molestar suas vítimas que, muitas das vezes não compreendem o perigo a que estão se submetendo ao aceitar e compartilha sua vida social, familiar e, até mesmo, íntima nas redes sociais. Evidenciaremos no decorrer do texto que não pretendemos esgotar as questões levantadas acerca do comportamento tanto das vítimas quanto de seus algozes, tampouco oferecer chavões ou receitas para tal problemática que perpassa questões Éticas, sociais, técnicas cujo fórum social, antropológico, psicológico e psicanalítico a que está intrínseco. A pedofilia na internet é uma realidade em nossa sociedade e merece ser discutida sob o crivo da razão tanto para que seja de fato compreendida, desmitificada para tanto combatê-la com mais eficácia. Nosso interesse será analisar o comportamento pedófilo em nossa sociedade: seus fatores preponderantes, suas vicissitudes e possíveis soluções para tal comportamento. Tudo à luz da Psicanálise, da Sociologia criminal e Criminologia. O impacto deste comportamento na Internet, suas ações, métodos, recursos para minimiza esse comportamento e possíveis consequência que podem acarretar no comportamento da criança ou adolescente vítima desta agressão.

Palavra-chave: Pedofilia, Internet, agressão sexual, abuso sexual

1. Introdução

Como a sociedade pode ser tão perversa se estamos sempre dispostos a gozar do melhor para nós mesmos? O que a sociedade nos oferece para que estejamos sempre findos em nossos desejos, contudo, ao mesmo tempo à procura de algo que nos satisfaça? Somos mesmo perversos?

Essas e outras perguntas inerentes à essa questão foram feitas por inúmeros pensadores e não são questões novas. Todavia, evidenciamos crescentes casos de pedofilia, sobretudo pela internet levando-nos a questionar as origens da perversidade social e, por conseguinte, humana. Casos que são muitas das vezes tratados com banalidade e sem referencial teórico-racional; casos que aterrorizam a opinião pública. No decorrer deste texto não temos a pretensão de esgotar as questões apresentadas e nem tampouco oferecer chavões ou receitas para tal problemática que perpassa a Sociologia, Antropologia, a Psicanálise, a Psicologia e, portanto, carrega um intricado complexo teórico.

Contudo, é-nos claro que durante o século XX quando Freud, em sua conferência na universidade de Clark de Worscester em Massachusetts, discorrera sobre as investigações histeria durante os idos de 1890. Nesta ocasião Freud indaga seus céticos interlocutores:

Não seria a infância o período da vida marcada pela ausência de pulsão sexual. A criança tem instintos e atividade sexuais desde o princípio; ela vem ao mundo com elas; e, depois de um percurso que atravessa muitas fases ela se dirige para o que conhecemos como sexualidade normal do adulto (Freud, p 42).

Porém, os senhores devem estar pensando o que a perversidade da sociedade e as vicissitudes da sexualidade humana, sobretudo a infantil, têm haver com nosso tema – pedofilia na internet. Compreendemos que a sexualidade humana decorre de fases a que chamamos de variantes, isto é – a sexualidade tem conotações neutras de diferença e normas sem que aquela tenha motivação psicológica. Sendo assim, a sexualidade humana ganhará inúmeras formas durante suas vicissitudes. Não obstante, basta-nos saber que, para Freud a ontogenia da sexualidade é difásica, sendo a primeira das fases, cessando no período de latência (por volta dos 12 anos de idade).Neste período o sujeito pubescente teria mais facilidade de aprender com a realidade do que com suas experiências corporais e as fantasias sexuais. É a primeira fase deste desenvolvimento que será o alicerce do psiquismo adulto: suas fantasias, sublimações e relações sociais e culturais.

A metodologia usada foi uma revisão bibliográfica cuja base de dados é a obra sociológica de Sigmund Freud, pesquisas em sites especializados sobre pedofilia e Internet e artigos publicado sobre o assunto.

As bases de dados utilizadas para o levantamento bibliográfico são o SCIELO e o Domínio Público. Após o levantamento das obras existentes nessas bases a partir das palavras chave, são descartadas aquelas que fogem ao âmbito definido no projeto. Os materiais selecionados são objeto de leitura e fichamento das pesquisadoras, que destacam as principais contribuições encontradas segundo o interesse desta pesquisa, articulando-as de modo a contextualizar e justificar sua realização, além de subsidiar a posterior análise de dados.

2. As Variantes do Desenvolvimento Psicossexual

2.1 A Fase Oral

Não é de se assustar que no início do século XX as pessoas não compreendiam o que Freud afirmava quanto à sexualidade humana. Dizer com propriedade que crianças inocentes teriam em sua gênese aspectos sexuais que até mesmo adultos tinham vergonha de comentar e relutavam a expressar não fazia parte do contexto social daquela época; daquela sociedade. No entanto, percebe-se que não é muito diferente hoje por parte de alguns mais ortodoxos (Pajazckowska, 2005, p 18).

A compreensão do desenvolvimento sexual humano não se limita à genitalidade, mas é uma atividade instintiva e, não se resume à reprodução da espécie. Ela faz parte do corpo, não se concentra no pênis ou na vagina. Ela é fluída está em diversos órgãos e zonas erógenas e, um delas é a zona oral (Pajazckowska, 2005, p 20).

Ela é expressa com atividade, sobretudo, de sucção e mordedura. Esta atividade ou como já comentamos esta variante do desenvolvimento do ego (e também cognitivo) serve ao bebê (e mesmo ao feto) não só como modo de alimentar-se; porém e, especialmente de encontrar prazer. A Psicanálise chama essa atividade de libidinal ou sexual. Essa variante libidinal primeva organiza-se entorno da cavidade oral do bebê e toda sua extensão: língua, garganta, dentes, gengiva. Incorporar, ingerir, fundir, tudo isso está associado, por assim dizer, à variante da fase oral. Tais experiências primevas que formaram as primeiras representações do ego e suas delimitações (Pajazckowska, 2005, p 21).

A catexia dessa vivência e sua repetição deixarão fendas no aparelho psíquico e que, por sua vez formaram representações objetais no sujeito. Será esse objeto psíquico a representação do ego e do ideal do ego – poderá ser uma pessoa, uma fantasia, um objeto propriamente dito. Firma-se então, neste ponto a capacidade de perceber o mundo real. (Freud, 1901).

Esse mundo limita-se inicialmente entre a relação mãe-bebê. Neste ponto o objeto é a mãe; mãe esta que satisfaz todo o desejo do bebe; que supri que alenta. O bebê então está em plena conexão com a mãe; o bebê está acoplado ao seio materno, pois, este é que lhe dá prazer. Não se distingue neste ponto, o que são catexias libidinais (autoerotismo); necessidade de sobrevivência, pulsão de vida (Eros) e pulsão de morte (Tanatos) são todos inerentes. (Pajazckowska, 2005).

2.2 A Pulsão e seus Componentes

Em seu pequeno artigo intitulado “perversão” a professora da Universidade de Middlesex Claire Pajazckowska nos chama a atenção para os componentes pulsionais que são quatro: a fonte, a pressão, o alvo e um objeto. Esses componentes não são separados ou vivem sozinhos e independentes eles pertencem ao quantum da energia psíquica a que dispomos.

A fonte é sempre somática, um órgão ou um conjunto de órgãos dos quais emerge a pulsão. A fonte na fase oral é uma mistura de sensações de fome, do prazer da mamada e da oralidade como zona erógena.

A pressão corresponde, a representação mental do estímulo feita nas fantasias de intensidade do apetite. A pressão pode ser avassaladora, intensa ou passageira. Essa pressão é sentida pelo bebê como intruso violento, um desprazer que corrompe a paz, o repouso. Em franca fase narcísica o bebê cria mecanismo de defesa e entende que esta pressão só pode vir de fora do mundo externo.

Nesta fase compreendemos o alvo que pode ser passivo ou ativo segundo a autora. Restituir o equilíbrio é capital para a psique. O ego, por sua vez, deve escolher o objeto o mais rápido possível para restaura aquela paz e uma ação para tal deve ser traçada o quanto antes.

O alvo relaciona-se intimamente com o objeto - que pode ser algo, um evento, uma pessoa ou parte dela ou mesmo uma fantasia ou ação. O mamilo, na fase primitiva do desenvolvimento infantil é o objeto. O alvo ativo, em direção ao objeto é o desejo de morder, entender como o desejo de ser acariciado, ouvido, entendido, falado. (Pajazckowska, 2005).

2.3 A Fase Anal

Sucedânea da fase oral a fase anal implica no gozo do reprimido; no gozo pela ordem; no gozo pelo rigor e controle. Predomina o humor acre e as fantasias que envolvem orifícios. As atividades de domínio e preservação do objeto estão presentes neste momento. Não é de nos assustar que Freud observara que os impulsos destrutivos, agressivos e sádicos estão mais latentes na fase anal. O apego e a sensação de controle dá à criança de poder como forma de construção e delimitação do Eu e Não-eu. A ideia de limpeza é clara nos pensamentos antissemitas, racistas e preconceituosas. O domínio físico e os mecanismos de separação pressupõem a obscura forma de depreciação e idealização de atributos projetados, patologicamente, no “outro”. (Freud, 1901).

2.4 Os Heróis dos Narcísicos

Quantos heróis conhecemos? Vira e mexe surge um novo ícone com capa (ou não) usando roupas apertadas, de máscaras (mesmo que sejam reconhecidos por outras pessoas). Portadores de super poderes: sabem voar, tem força sobrenatural. Bem, nós estamos habituados a ver na TV esses heróis de forma passiva, aceitamo-los sem o mínimo de críticas. E se, ao invés de apenas vê-los e nos deliciarmos (narcisicamente) com tais super-humanos não passarmos a observar seus atos; passamos a analisa-los mais profundamente. Mas antes de entrarmos neste mundo fantasioso e narcísico dos heróis temos que compreender o termo Narcisismo sobre a luz psicanalítica. A Psicanálise compreende o narcisismo sob três categorias: narcisismo libidinal ou primário, narcisismo destrutivo ou secundário e o narcisismo saudável. (Pajazckowska, 2005).

O primeiro é o que compõem as primeiras fases do desenvolvimento humano, tal como o descrevemos acima. A criança pensa somente nela mesma e em satisfazer suas pulsões libidinais. Sua catexia são meramente objetais e o objeto escolhido é o seio – a mãe. (Pajazckowska, 2005).

Há também o narcisismo destrutivo ou secundário no qual impera a inveja, o ódio à ânsia de destruir o objeto. Só há um objetivo: destruir o outro. O bebê que quer satisfazer seus desejos e não é atendido plenamente “procura algum meio” (“meio mais rápido e objetivo”) de destruir o seio mau. O seio mautem que ser eliminado. A premissa válida é: triunfar (ainda que grosseiramente).

Heinz Kohut considera o narcisismo saudável como o amor-próprio e o objeto de amor como se fossem duas linhas distintas que caminham com seus medos, problemas, patologias (Kohut, 1960).

Abraham identificara, em 1922, o narcisismo negativo no qual os pacientes são tão satisfeitos consigo mesmo que se encontram num estado constante de auto insatisfação. “Estão presos ao ódio por si mesmo” como cita Jeremy Holmes (2005).

Para tais pacientes o ideal do Ego é tão distante do Ego real que tentar alcançá-lo pode parecer fútil. Holmes ainda fala: “só a perfeição satisfaz”. No entanto, cria-se uma resistência para que o conforto deste estado narcísico permaneça e para que não haja mudança, pelo contrário – há um medo de mudança e, por pior que pareça encontra-se satisfação no sofrimento; agarra-se e acomoda-se ao que há, por mais doloroso que seja. O Gozo pervertido na dor. (Freud, 1901)

Para o pai da Psicanálise no narcisismo secundário o sujeito se vê como objeto primordial. Suas relações são patológicas, não se ocupam do outro, salvo quando lhe convêm, quando existe algo neste outro que o interessa. Sobretudo são egoístas. (Freud, 1901).

Não é difícil pensar como a sociedade compõe este sintoma. Pessoas que recorrem à drogatição, autoagressão, crimes sexuais, latrocínio, homicídios tudo para tamparem, em vão, o hiato que os atormenta. Não faltam exemplos vistos nos jornais: cracolândia, casos de autoagressão como brigas, acidentes de carros e mesmo casos de pedofilia, efebofilia entre outros tantos crimes.

Como eles, os heróis se encaixam neste perfil? Não seriam eles tão perfeitos, ideais do ego, desprovidos de injúria, defeitos, fraquezas? Outros heróis narcisistas nos aparecem sai após dia como, o Batman. Seu egocentrismo inegável não lhe permitira formar parceria. Habilidoso e explorador Wayne incorpora o papel de bom moço – cercado de mulheres bonitas, financia festa beneficentes, caridoso. No entanto é como Batman que sua personalidade vem à tona: é incapaz de amar o outro e nunca se preocupa com o sentimento alheio salvo quando lhe convêm (geralmente para preservar sua identidade e suas empresas). Não se pode deixar de citar o ápice do narcisismo destrutivo – O justiceiro, o ícone do narcisismo destrutivo, é a patologia do amor-próprio. Ao contrário dos outros heróis citados o Justiceiro não é rico nem possui empresas, fora e continua sendo simples nem mesmo conserva um atitude solipsista. No entanto, nos dias de hoje é o salvador dos problemas sociais. Não há sentimento pelos outros apenas os atropela arrogante e egoistamente na vã esperança (narcísica) de que aquela mortandade trará justiça à sua família (Holmes, 2005).

Pode-se traçar o perfil desses e outros “super heróis” indefinidamente. Poderíamos citar outros como Jumper, Wolverine, Huck, Gavião Arqueiro, Lanterna Verde, Hancock. Mas devemos compreender onde esses heróis se aplicam em nossa sociedade, onde podemos encontrá-los? Ele não usam roupas coladas ao corpo nem tem super poderes, mas, estão de terno e gravata, estão nas redes sociais, na mídia, em nosso trabalho, em nossa vizinhança. São camaleões, suas máscaras são a internet, os feeds das redes sociais. Essa é a representação do abusador de criança e adolescente que, incomodado com o hiato de suas vidas tentam preenchê-las com a juventude do outro. Roubando-as, abusando-as perversamente (Freud, 1921).

A falta de interesse pelo passado e pelo futuro deixa a sociedade a mercê desses facínoras já que não se preocupam com a punição. Como já foi dito existe um Gozo na perversidade de seus atos e uma das maneiras de goza é encontrando a punição, o sofrimento. Assim como o pedófilo estabelece suas relações no poder. Poder esse que ele exerce sobre o adolescente – a coerção social. A falta de interesse pelo outro o leva a “devorá-lo”. É evidente que não tenho a menor pretensão de comparar esses facínoras com os heróis em quadrinhos. Todavia, o mecanismo que os rege são os mesmos. Não obstante, as catexia libidinais é que são diferentes. Assim como os motivos e os investimentos libidinais que movem um herói não é o mesmo que sustenta o outro. A diferença esta no início do narcisismo: “o narcisismo começa no espelho - espelho que é a mãe” (J. Holmem, 2005).

O autor ainda fala da sedução claustrofóbica da superproteção dos pais. Todos nós somos formados pelo espelho, porém, o que vimos ao olhar para ele? O narcisista, diante deste espelho usa o poder e a coerção que, lhe proporciona satisfação e segurança, ainda que à custa do outro. Mas nos parece que este caminho nos sugere um conflito: o poder pela coerção nos proporciona satisfação e segurança em contraposição à custa do sofrimento do outro e mesmo do nosso sofrimento (Holmes, 2005).

A justiça, segundo Barros (1997, p. 42) urge como instrumento que possibilita e permite a convivência adequada entre os sujeitos cuja existência dos mesmos desejos tornam-se idênticos. Ainda para Barros o conceito de justiça sofre variações segundo cada indivíduo e a sociedade a que ele está inserido. Porque não amamos uns aos outros e não podemos viver em uma sociedade harmoniosa é que se faz necessário o mandamento da lei. Por que a lei há, também, uma estrutura social e cultural manca e a lei possibilita preencher essa lacuna, lacuna essa que pertence ao sujeito desejante.

Pode-se compreender que conflito nos remete ao posto de congruência. Para a Psicologia é algo “inerente à vida, não se encerra, transforma-se” fonte. Todavia com a complexidade das relações sociais; modificações significativas e rápidas e sem dar chance ao sujeito de adaptar-se às novas demandas, às relações sociais. Essas mudanças sociais a que temos assistido com assiduidade em telejornais e revistas e mesmo em reality show pode conduzir a severos conflitos intrapsíquicos. Adaptar-se e/ou abandonar posições as quais estamos confortáveis pode favorecer a ocorrência de conflitos. Não obstante devemos lembrar que algumas mudanças são almejadas como estratagemas para lidar com outros conflitos e, caminhando mais longe, podemos criar conflitos para superar outros e assim indefinidamente.

A história do sujeito dirá sobre essa dinâmica e dependerá do contexto sociocultural a que este sujeito está inserido. Um bom exemplo é pensarmos que as mudanças podem ser vantajosas e não necessariamente gerar conflitos.

2.5 A Fase Fálica.

O corpo encontra outro caminho narcísico para ostentação do gozo. Agora não é mais a boca ou o anu. É o próprio órgão sexual da criança – pênis e clitóris. São eles os elementos da vez. O pênis, por sua vez, visível e aguerrido torna-se peculiar. Aqui os elementos voyeurísticos e exibicionistas tomam forma para distinguir o que é macho e o que fêmea. É a época do núcleo edípico. (Pajazckowska, 2005).

Há elemento de fracasso, posto que os órgãos, neste momento, não são genitais – mas carregam um componente da “castração”. Segundo Pajazckowska (2005, p 31) “É um golpe no narcisismo”.

Se tal golpe é elaborado positivamente pelo ego temos a repressão das aspirações edípicas a identificação com o pai-modelo. Instaura-se a aprendizagem dos modelos sociais – suas regras, leis, trocas e tudo que compõem suas relações. A menina, não obstante, tem um trabalho a mais: deve tornar-se a “menininha do papai” para então reprimir o desejo de possuí-lo e sublimar suas aspirações edípicas içando suas ambições no munda da cultura, atividades esportivas e “brincadeiras de meninas”.

Nos adultos este escopo torna-se evidente na dificuldade de seguir regras ou leis. As relações sociais e culturais pobres, carentes de imagos ou referencias e atitudes agressivas coadunam com sintomas perversos. Crianças sem pretensões cujas relações edípicas que não sucumbiram à repressão e ressurgem na sua mais vã atitude social: o crime. As soluções arcaicas para os conflitos perduram, persistem durante a fase adulta como apêndice da imaturidade do relacionamento outrora empobrecido pelas relações sociais e afetivas. O autoerotismo infantil permitido pelos pais de hoje é o sintoma da falha edípica da repressão e a base da perversão deste infante quando estes forem adultos. (Pajazckowska, 2005).

3. Um Ferramenta de Sedução

3.1 A Internet

A internet é uma das ferramentas mais usadas em nossa sociedade para fins de comunicação. Sua acessibilidade, facilidade de manuseio, praticidade e conforto são alguns itens que levam as pessoas a aderirem à esse instrumento. Como tudo a internet tem seus pontos positivos e negativos. Seu uso deve ser feito com atenção para que sua vida, a vida de terceiros e de familiares não seja exposta levando a transtornos dos quais dificilmente serão apagados. Nesta rede mundial de computadores não há patenteadores ou controladores ou mesmo juízes que impeçam ou filtrem ou auxiliem o que é postado. O próprio usuário é seu árbitro. Ele é quem decide o que será visto por ele mesmo ou o que os outros virão dele em qualquer lugar do mundo a qualquer hora por qualquer pessoa. Essa configuração de rede global é não só um aliado da vida moderna com o estopim para a desgraça de muitas pessoas. (Vasconcelos, 2208).

O espaço virtual esta organizado como sítios ou sites estes sítio ou sites acomoda arquivos, textos, vídeos baseado em hipertexto permitindo a navegação por computadores ligados à web (World Wide Web). (Vasconcelos, 2008).

Toda essa gama de informações dispostas em sítios acomoda conteúdos específicos disponíveis para empresas, pessoas, organizações, órgãos governamentais. Esses sítios são atrativos quase sempre ligados à interatividade como vídeos cujo objetivo é atrair internautas para o próximo clique. (Vasconcelos, 2008).

Não obstante, segundo dados do IBOPE, de 2005 a 2008 o acesso pela internet feito por crianças e adolescentes mais que dobrou. Portanto, há grandes chances de o próximo clique ser feito por uma criança ou adolescente na faixa dos 11 anos de idade segundo os dados da mesma pesquisa. (www.ibope.com.br).

Mas como crianças e adolescente são atraída tão facilmente para esses sítios? Sem dúvida alguma há muito prós a serem considerados, no entanto podemos apontar algumas peculiaridades. Segundo Ana Maria Pinheiro (Vasconcelo, 2008) a eficiência, rapidez e a economia (tempo e dinheiro) são os pontos mais importantes na hora de optar por este meio de comunicação. A mesma autora aponta outro item “comunicação sem intermediários e sem barreira de tempo e espaço" (Vasconcelos, 2008, p.15).

Têm-se boas razões para acreditar que esta afirmação sustenta a afirmação de que a ausência de fronteiras de tempo e espaço, a comunicabilidade sem mediadores aliados com o baixo custo são uma porta para aliciadores perversos que encontram crianças ingênuas cujas relações parentais estão acaudilhadas à terceirização de papeis.

Assim como qualquer relação, as relações no mundo virtual carregam seus prós e contras. A troca de informações, sem dúvida é uma das maravilhas do mundo web pode-se fazer de tudo: compartilhar vídeos, fotos, enviar e receber mensagens, participar de fóruns e discussões com pessoas de outras cidades e mesmo países. Serviços bancários, estudos e notícias diárias são resolvidos num único clique. (Vasconcelos, 2008).

Mas por traz de toda essa gama de facilidade “existem sites [...] criminosos cujo objetivo é seduzir, aliciar ou incitar crianças e adolescente a acessar conteúdos inadequados.” Crianças e adolescente são cooptadas, aliciadas ou exploradas sexualmente dentro deste mercado perverso e suas ferramentas não são complexas: chats, jogos, e-mails e mais recentemente redes sociais. (Vasconcelos, 2008, p. 16). Não obstante é bom deixar claro que independentemente do uso da internet a pornografia infanto-juvenil e a pedofilia sempre existiram. (Vasconcelos, 2008).

3.2 Negar, Consentir ou Compartilhar o Poder?

Uma das questões que envolvem o comportamento de crianças e adolescente frente à web é o que fazer com essa ferramenta uma vez que esses jovens cresceram com a mesma e, para eles – os jovens – o máximo de exploração que se pode extrair da Internet ainda é pouco. A Internet é um instrumento de poder e como todo poder merece atenção e cuidados específicos. Diante dessa poderosa arma os pais não sabem se negam, se aceitam ou e dividem tal poder com seus filhos. É diante do poder que nascem as diferenças.

Classes dominam classes e é assim que nasce a idéia

De liberdade; homens se apoderam de coisas das quais eles têm necessidade para viver, eles lhes impõem uma duração que elas não têm, ou eles as assimilam pela força − e é o nascimento da lógica (Foucault, 1970, p 17).

Segundo o mesmo autor em cada momento da história somos obrigados a ater-nos a determinados ritos os quais nos infligem coações e direitos que, por sua vez instituem metodologias que nos situam sob marcas nos responsabilizando pelos débitos. “Universo de regras que não é destinado a adoçar, mas ao contrário a satisfazer a violência.” (Foucault, 1970. p. 17).

A pergunta é: os pais estão prontos para tal responsabilidade, uma vez que o momento histórico destes pais não configura com o momento histórico de seus filhos. Ritos, obrigações, direitos e deveres instituídos pela geração Baby Bust não são as mesmas instituídas pela geração Next. (Tapscott, 2010).

Conectar-se é a ordem-do-dia. Não há com que se preocupar. Pessoas viram propriedades, situações coisificam-se (isso vale para as pessoas também que se coisificam frente às teles, “coisas” vendo “coisas”) e essas pessoas-coisas e situações-coisas desaparecem diante das telas tão surpreendentemente velozes quanto à própria Internet. Para Bauman, isso não faz diferença. Deixar ir é o “imperativo” (Bauman, 2005).

Tal molúria não é uma escolha do jovem, mas um predicado do poder que a ferramenta (web) infligem. O que se tem, neste momento “deixar de ser o que se é e de se tornar o que ainda não se é” (Bauman, 2005, p. 12).

Foucault nos traz de outra forma a mesma indolência juvenil: “a regra é o prazer calculado da obstinação” É por meio deste jogo de dominação (que envolve pais e usuários da web) que se impõem cenas de violência rotineiras e meticulosamente tácitas. Segundo Foucault a regra permite a perversão.

Elas [as regras] podem ser burladas ao sabor da vontade de uns ou de outros. O grande jogo da história será de quem se apoderar das regras, de quem tomar o lugar daqueles que as utilizam, de quem se disfarçar para pervertê−las, utilizá−las ao inverso e voltá−las contra aqueles que as tinham imposto; de quem, se introduzindo no aparelho complexo, o fizer funcionar de tal modo que os dominadores encontrar−se−ão dominados por suas próprias regras. As diferentes emergências que se podem demarcar não são figuras sucessivas de uma mesma significação; são efeitos de substituição, reposição e deslocamento, conquistas disfarçadas, inversões sistemáticas. Se interpretar era colocar lentamente em foco uma significação oculta na origem, apenas a metafísica poderia interpretar o devir da humanidade. Mas se interpretar é se apoderar por violência ou sub−repção, de um sistema de regras que não tem em si significação essencial, e lhe impor uma direção, dobrá−lo a uma nova vontade, fazê−lo entrar em outro jogo e submetê−lo a novas regras, então o devir da humanidade é uma série de interpretações. (Foucault, 1970, p. 17).

Entre tudo isso há um hiato nas relações entre pais e filhos – pais que não sabem o que é melhor para seus filhos e pecam pelas extremidades (seja proibindo, seja permitindo) e filhos que acompanham esse jogo histórico, apoderando-se das regras e de ferramentas que estão ao seu alcance utilizando-as de perversamente. Segundo Bauman, esse comportamento é:

Suficientemente impiedoso ou desesperado a ponto de tentar desafiar as probabilidades contrárias e se arriscam a enfrentar a sorte dos excluídos e rejeitados, e a pagar por sua audácia com o alto custo da miséria corporal e do trauma psíquico. (Bauman, 2005, p. 13).

Nestes dois extremos do poder há uma profunda tensão de identidade e no cerne da questão as inúmeras possibilidades de intervenção. Todavia essa intervenção não deve ser muito frouxa não revelar o escondido, porém, não pode ser apertada por demais para não desfazer o que será mostrado doravante.

No fundo [...] é apegar-se [...] à única identidade possível e manter juntos os pedaços [...] enquanto se enfrentam as forças erosivas e as pressões dilaceradoras, consertando os muros que vivem desmoronando e cavando trincheiras cada vez mais profundas. [...] O problema é a mistura das duas coisas. (Bauman, 2005, p. 13, 14)

Uns 15, 20 anos atrás se caminhava mais lentamente. A lentidão era o alvará-do-dia. Não se tinha pressão, tudo não era para ontem. Não se tinha medo do devir-a-ser. Tudo podia esperar. Afinal, a certeza da imortalidade prorrogava as atitudes dando-nos a esperança de que algo nos providenciava o melhor e os limites do corpo e da alma deveriam ser obedecidos.

Hoje não se reconhece limites; não os admitimos. A aceleração que a Internet nos impõe permitindo-nos adicionar ou excluir cada vez um número maior de pessoas ou coisas ou mesmo situações condiciona-nos a levar isso para nossas relações sem contar ganhos e perdas estabelecendo cognações compulsivas e obsessivas recondicionando-nos a restaurar ou reciclar identidades tão facilmente quanto criamos perfis sociais na web transformando-nos no que não somos e relacionando-nos com quem não reconhecemos. (Bauman, 2005).

Neste contexto há um sujeito adequado-para-consumo. O sujeito não só consumista, mas, o próprio objeto de consumo. Biodegradável e descartável tanto quanto. Assim são as relações via web. Não há embaraços, mas há vigilância no sentido de que não podemos perder o próximo link, o próximo post, a próxima curtida, os próximos comentários, as próximas notícias. Adaptar-se ao sujeito adequado-para-consumo exige dos pais, em contrapartida, uma sólida de remoção de “lixo”. O desafio é: enfrentar e resolver. (Bauman, 2005).

Não obstante, o erro é constituído pelos regimes impostos tanto pelos pais quanto pela própria cultura narcisista que impera neste sentido. A questão repousa menos nos desafios e mais nas claudicações cometidas.

Formado por uma série de regimes que o constroem; ele é destroçado por ritmos de trabalho, repouso e festa; ele é intoxicado por venenos − alimentos ou valores, hábitos alimentares e leis morais simultaneamente;
Ele cria resistências (Foucault, 1970 p. 18).

O que se nota é um ambiente sócio-familiar vivendo-para-o-lixo. Relações efêmeras e geridas por reversões de papeis que se fundem e confundem entre afirmações distorcidas e realidades fluidas. O contexto é quase sempre o mesmo: pais desnorteados, filhos com ausência de Lei e educação terceirizada Mesmo para Bauman não é sabido qual a origem de tal comportamento (se o consumismo ou mesmo a fragilidade das relações sócio-familiar). Contudo ele cita “o medo intensifica o desejo”. Não deveríamos nos concentrar na atenção ao objeto consumido; o risco não está no vigor da proibição ou da lei. Mas no valor instrumental, no desejo negado e no que se espera das transformações sociais vindas a partir de dentro do sujeito (Bauman, 2005). “A finalidade da educação [...] é contestar o impacto das experiências do dia-a-dia, enfrenta-las e por fim desafiar as pressões que surgem do ambiente social” (Bauman, 2005 p. 21).

A pergunta é o que deve fazer os pais cujos filhos cresceram em meio a tanta informação (líquida), dentro de uma perspectiva cujas relações afetivo-sociais se dão de forma fria e muitas das vezes, descontextualizada da realidade destes pais? Deve-se negar ou proibir essa demanda, deve-se consentir com o mesmo ou compartilha juntamente com os pequenos esse mundo cibernético, esse ciberespaço? Bauman nos dá uma pista:

Numa sociedade de indivíduos, cada um desse ser um indivíduo. A esse respeito, pelo menos, os membros dessa sociedade são tudo, menos indivíduos diferentes e únicos. São, pelo contrário, estritamente semelhantes a todos os outros pelo fato de terem de seguir a mesma estratégia de vida e usar símbolos comuns – comumente reconhecíveis e legíveis – para convencer os outros de que assim estão fazendo. Na questão da individualidade, não há escolha individual nem dilemas do tipo “ser ou não ser”. A individualidade se refere ao espírito de grupo e precisa ser imposta por um conjunto. Ser indivíduo é ser igual a todos no grupo – na verdade idênticos aos demais. (Bauman, 2005 p 26).

A incerteza desta individualidade deixa numa perplexidade prática numa sociedade que exige uma tradução diferente para o próprio “eu” e o que nos resta é buscar indícios de como se aprofundar cada vez mais no interior de nós mesmos, localizando a individualidade como autenticidade ou fidelidade a si mesmo tolerando restos e restaurado excessos. (Bauman, 2005).

4. O Pedófilo

4.1 Quem é esse Sujeito

Quem é esse sujeito cujo desejo o trai? Esse sujeito que só encontra uma forma de demonstrar seu desejo perverso – dedicando-se às relações sensuais e sexuais. Sujeito esse que percebe na criança ou no adolescente uma representação natural de sua sensualidade, que sempre entra em contra mão à sexualidade reprimida do adulto. Os atos de força, não-consentimento, violação e violência coloca esse sujeito como refém de seu próprio desejo e perversão, uma vez que ele, o pedófilo, tem escolha, isto é – ele tem registro de seus atos, de seus conflitos. (www.amaivo.com.br).

A pedofilia foi descrita de modo detalhado por Havelock Ellis e Krafft-Ebing , no século XIX, e geralmente é considerada como pertencendo à esfera da perversão, ao lado de comportamentos tomados por desvios sexuais como o fetichismo, a prostituição infantil, a necrofilia, o sadismo, o masoquismo etc. Todavia, ainda que a pedofilia possa ser colocada no quadro das tendências perversas, é preciso situar aquilo que especifica o drama subjetivo do sujeito pedófilo. Freud introduz uma abordagem das perversões, cedendo ao enfoque etiológico, e que ainda se encontra vigente para muitos ainda hoje, que era fundado em critérios morais, sociais e médico-legais, contrapondo que não devemos compreender a conduta dos perversos como se ele fosse exterior ao da espécie humana. Nesta direção, se considerarmos que a perversão é a experiência de uma paixão humana, na qual o desejo se suporta no ideal de gozo de um objeto inanimado, qual seria o objeto que especifica a pedofilia? Qual a paixão do pedófilo? (Freud, 1916).

A pedofilia se define como o amor pelas crianças, segundo o sentido literal da palavra: paidos+filia, e consiste na perversão que leva um indivíduo adulto a se sentir sexualmente atraído por crianças. Não obstante, é preciso saber qual é a figura desse amor que se orienta para um tipo particular de criança. O pedófilo não necessariamente está envolvido com a prostituição infantil, ainda que juridicamente deve-se considerar como sendo abuso e violação sexual as relações sexuais de um adulto com uma criança abaixo de certa idade. Em geral, um pedófilo não se atenta com atos de violação, pois seu discurso pressupõe a situação em que a criança tolere as relações que tem com ele, e até mesmo que ela queira isso. Por isso, a acuidade das formas de aproximação do pedófilo, que visam seduzir a criança, assegurando-lhe que é apreciada e desejada. “Parece ser muito relevante para o pedófilo que a criança se apresente em uma espécie de sexualidade natural, expressão do desejo de gozar, oposta à sexualidade reprimida e deformada do mundo adulto.” (Fleig, 2008). É comum o pedófilo suster a teoria de que os pais, de preferência o pai, é o abusador impondo-lhes pela força seu modelo de sexualidade, impedindo-os de fazer amor e obrigando-os à condição de voyeur do erotismo do casal parental. É raro que um pedófilo abuse de seus próprios filhos, e acontece frequentemente de serem bons pais e terem filhos que não seguem o caminho da perversão. (Fleig, 2008).

4.2 O Gozo do Pedófilo

O pedófilo parece estar convencido do que seja o verdadeiro amor paterno e, por isso, é alguém que sinceramente se dedica a querer fazer o bem da criança por meio de relações sensuais, amorosas e sexuais. Mostra-se, geralmente, o melhor educador, contrapondo-se aos costumes rígidos e frios da família, difundindo uma paixão que exige reciprocidade ao propor uma função paterna e educativa fundada na idealização da pulsão, mais do que na idealização do desejo. Enfim, o pedófilo acredita que a iniciação da criança no gozo é de importância capital. (Fleig, 2008).

A distinção da pedofilia de outras formas de perversão não é difícil de ser feita. Basta termos claro qual é o objeto escolhido da perversão pedófila. A criança torna-se ou toma o lugar de objeto, assim, a pedofilia se assemelharia ao fetichismo. (Não é de nos assustar que, assim como no fetichismo, como Freud nos colocou em 1927, que é o substituto para o pênis, isto é um pênis peculiar e assaz admirável na infância). A criança torna-se o substituto do novo Gozo, o Gozo que não pertence ao sexo apropriado. “A crianças são objetos sexuais exclusivos, em geral, passam a desempenhar esse papel quando um indivíduo covarde ou impotente presta-se a usá-la como substituto [...] Ou quando não pode apropriar-se [...] de nenhum objeto mais adequado.” (Freud, 1905, p. 140). Em outras palavras, a criança em seu estado de objetal de inocência é condição indispensável (na prostituição infantil ou na pederastia), colocando-se como significado sexual para o adulto (visto que a criança ou o púbere em geral estão cientes do significado sexual da aproximação do adulto).

A criança é um objeto sexuado para o pedófilo, encarnar a recusa (Verleugnung) contraposta ao reconhecimento da diferença dos sexos e, ao mesmo tempo, descortina a promessa de uma sexualidade completa, a ser alcançada por meio da iniciação ao gozo. A criança inocente e ignorante de sua sexualidade seria então introduzida na verdade da Lei perversa, que se caracteriza por pretender reduzir o desejo ao gozo supremo, contemplando a estrutura comum das perversões, que assim efetiva a radical recusa da castração, ou seja, da diferença sexual. Segundo, Freud, 1905, “a valorização psíquica do objeto sexual, alvo desejado da pulsão sexual não se restringe à genitália; ela se propaga, antes, por todo o corpo, e tende a abranger todas as sensações provenientes do objeto sexual” (Freud, 1905, p. 140).

4.3 Classificações

Uma vez estabelecida a conduta pedófila o elemento crucial da descrição, fala-se em preferência sexual por crianças. Não obstante, o Manual Diagnóstico Estatístico de Doenças Mentais (DSM IV)-, refere-se como transtorno parafílico, cuja.

O foco parafílico da Pedofilia envolve atividade sexual com uma criança pré-púbere (geralmente com 13 anos ou menos). O indivíduo com Pedofilia deve ter 16 anos ou mais e ser pelo menos cinco anos mais velho que a criança. Para indivíduos com Pedofilia no final da adolescência, não se especifica uma diferença etária precisa, cabendo exercer o julgamento clínico, pois é preciso levar em conta tanto a maturidade sexual da criança quanto a diferença de idade. Os indivíduos com Pedofilia geralmente relatam uma atração por crianças de uma determinada faixa etária. Alguns preferem meninos, outros sentem maior atração por meninas, e outros são excitados tanto por meninos quanto por meninas. Os indivíduos que sentem atração pelo sexo feminino geralmente preferem crianças de 10 anos, enquanto aqueles atraídos por meninos preferem, habitualmente, crianças um pouco mais velhas. A Pedofilia envolvendo vítimas femininas é relatada com maior frequência do que a Pedofilia envolvendo meninos. Alguns indivíduos com Pedofilia sentem atração sexual exclusivamente por crianças (Tipo Exclusivo), enquanto outros às vezes sentem atração por adultos (Tipo Não-Exclusivo). Os indivíduos com Pedofilia que atuam segundo seus anseios podem limitar sua atividade a despir e observar a criança exibir-se, masturbar-se na presença dela, ou tocá-la e afagá-la. Outros, entretanto, realizam felação ou cunilíngua ou penetram a vagina, boca ou ânus da criança com seus dedos, objetos estranhos ou pênis, utilizando variados graus de força para tal. Essas atividades são geralmente explicadas com desculpas ou racionalizações de que possuem "valor educativo" para a criança, de que esta obtém "prazer sexual" com os atos praticados, ou de que a criança foi "sexualmente provocante" — temas comuns também na pornografia pedófila. O transtorno geralmente começa na adolescência, embora alguns indivíduos com pedofilia relatem não terem sentido atração por crianças até a meia-idade. A frequência do comportamento pedófilo costuma flutuar de acordo com o estresse psicossocial. O curso em geral é crônico, especialmente nos indivíduos atraídos por meninos.

Seus critérios diagnósticos são:

Ao longo de um período mínimo de seis meses, fantasias sexualmente excitantes recorrentes e intensas, impulsos sexuais ou comportamentos envolvendo atividade sexual com uma (ou mais de uma) criança pré-púbere (geralmente com 13 anos ou menos). As fantasias, impulsos sexuais ou comportamentos causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. (DSM IV, 1995).

Como vimos DSM IV no introduz um sujeito cujas fantasias e impulsos sexuais são direcionados à criança ou adolescente, mas que tal comportamento o leva ao sofrimento clínico e, ainda, levando-o ao prejuízo social e ocupacional.

No artigo alguns tipos de caráter encontrado no trabalho psicanalítico Freud nos fala de dos caráteres encontrados com seus estudos. Segundo Freud, há indivíduos que, sob pressão de um sentimento de culpa inconsciente, busca, por meio de atos criminosos, o alívio e a justificação de tal culpa; portanto, a punição seria parte integrante do sintoma (o abuso, o crime). Podemos levantar com esses dizeres que o sofrimento clínico e o suposto prejuízo sócio-ocupacional do pedófilo é parte de seus sintoma; é parte de seu teatro. (Freud, 1916).

Os atos ilícitos relatados por seus pacientes em análise chamam a atenção do pai da Psicanálise por terem sido cometidos por pacientes em idade muito posterior à puberdade. Ele constata a preexistência de um penoso sentimento de culpa anterior à transgressão propriamente dita.

Em 1931, Freud traça uma classificação definida pela organização libidinal. Essa caracterização interessa-nos na medida em que o pedófilo estabelece algumas linhas psicológicas mais ou menos organizadas essenciais à sua conduta (criminosa). (Freud, 1931).

O tipo erótico, que especialmente nos chama a atenção, cuja libido é voltada à vida amorosa, com angústia de perda do amor, dependência do objeto é segundo Freud, “facilmente caracterizado” (Freud, 1931).

Eróticos são aqueles cujo principal interesse, [...] está voltado para o amor. Amar [...] é a coisa mais importante para ele. São dominados pelo temor da perda do amor e acham-se dependentes de outros que podem retira seu amor deles. [...] do ponto de vista social e cultural, esse tipo representa as exigências instituais elementares do id. (Freud, 1931, p. 226).

O tipo obsessivo é dominado pela ação do superego e pela angustia moral, o que o limita e o coloca na dependência interna das instâncias interditoras.

Distingue-se pela predominância do superego, que se separa do ego sob grande tensão. [...] Desenvolvem alto grau de autoconfiança e, do ponto de vista social, são os verdadeiros predominantemente conservadores veículos da civilização (Freud, 1931, p. 226).

O Terceiro e último tipo Freud o coloca com o Narcisista,

Sem tensão entre ego e superego. [...] Seu ego possui um grande quantidade de agressividade à sua disposição, a qual também se manifesta na presteza à atividade. Em sua vida erótica, amar é preferido ao ser amado. [...] impressionam os outros [...] são atores e assumem papeis de líderes e a darem um novo estímulo ao desenvolvimento cultural ou danificarem o estado de coisas estabelecido. (Freud, 1931, P. 226).

Nesta qualidade de ser transgressivo às normas, o pedófilo pode ser tanto a figura do “herói” quanto do criminoso. Na condição de criminoso ele se aproxima muito da figura do psicopata cujas funções narcisistas vigoram. Na conduta de “herói” ele se estabelece na figura do “pai protetor”, na figura do “bom marido”, “exímio professor” “bem sucedido empresário” ou mesmo o “santo padre”.

Mesmo com tais delineamentos ainda podemos nos perguntar quem é esse sujeito cujo interesse sexual delimita-se a objetar a criança como fonte mor de seus desejos. Que sujeito é esse que elege obsessivamente como objeto sexual algo que assexuado? Que tipo erótico depende deste “objeto” para retirar seu amor dele?

Quem é esse alguém que busca realizar um ideal de amor que teria acontecido na infância, de modo que esta se eterniza. Deixando a infância de ser um tempo transitório e, na lógica pedófila, constituindo a criança de uma recusa da divisão do sujeito entre desejo e gozo, entre Lei e proibição. O pedófilo reedita o mito da completude natural na qual o desejo se harmonizaria em um gozo sem falhas. O desejo do pedófilo é de manter a criança no lugar de inocência que viria encobrir o insuportável da castração e da diferença sexual. (Freud, 1931).

5. A Ação pela Internet

5.1 Pedofilia pela Internet

Como vimos no capítulo anterior ainda não há consenso acerca do perfil do pedófilo. Todavia, seu comportamento nos deixa uma pista de seus indícios criminosos. Um lugar cujos rastros deixam marcas quase que inapagáveis é a internet. Como já dissemos esse meio de comunicação é usado por muitas crianças e jovens em idade púbere. Funcionando como se fosse um sítio onde há lugar que podem ser visitado e lugar que não podem ser vistos. Estes lugares estão separados por cômodos (links) nos quais cada cômodo hospeda alguém ou alguma coisa que nem sempre é de bom grado, lícito ou sadio. Ao deixa uma criança ou um adolescente ingênuo ou desaviado entrar num desse cômodos a história se complica. Segundo a Lei Nº 11.829, de 25 de Novembro de 2008 que visa aprimorar o combate à produção, venda e distribuição de pornografia infantil, bem como criminalizar a aquisição e a posse de tal material e outras condutas relacionadas à pedofilia na internet no Artigo 240 que cita: “Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente” é crime e a pena é de 4 a 8 anos de prisão. (Brasil, Lei Nº 11.829, de 25 de Novembro De 2008, 2008).

O aumento no número de denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes são um alerta para a sociedade brasileira. A prática, ao que parece, tem se tornado mais intensa e, assim, acaba facilmente mais exposta. O problema carece ser afrontado e arguido de frente pelas autoridades, pelos pais e pelos sistemas de ensino e educação no País.

A pedofilia não é um fato novo. Ela está inserida em nossa sociedade e, na maioria das vezes, em doloroso silêncio. A impressionante sequência de denúncias nos últimos dias tem causado perplexidade e tirado o sono de famílias por todo o Brasil. Pais e padrastos têm sido acusados de engravidar garotas de até nove anos de idade. Há 15 anos presente na vida do brasileiro, a internet mudou os hábitos também de crianças e adolescentes. A atual geração, considerada como “tecnologicamente nativa”, já nasceu com o computador da casa conectado à web. Mas, com o maior acesso às informações, vem a grande responsabilidade na navegação. Para que os jovens internautas possam utilizar a internet com segurança, é possível tomar alguns cuidados na hora de utilizar sites e redes sociais. Há softwares que ajudam os pais a verificar se há alguma coisa errada acontecendo. Todavia, o mais importante é identificar como agem esses facínoras pelas redes mundiais.

5.2 A Ação, Os Heróis e A Fuga da Realidade.

O aliciamento de menores pela internet é crime. Em Geral as crianças e adolescente são enganadas por pessoas inescrupulosas que estabelecem contato virtual fazendo-se passar por jovens ou crianças da mesma idade com o intuito de atrair o interesse e partilhar dos mesmos assuntos agradando-as e preparando o terreno para investidas mais concretas como: compartilhar fotos e vídeos muitas vezes de conteúdo pornográfico ou sensual. (Brasil, Lei Nº 11.829, de 25 de Novembro De 2008, 2008).

O que está em jogo é a curiosidade natural da criança e seu encantamento alimentado pela web acerca de ciosas, situações e pessoas novas. Essa conduta tem um propósito: conhecer os pontos fracos da criança. Estes pontos fracos podem ser vários: ausência dos pais, lacunas ou insuficiências parentais, curiosidade por determinado assunto entre outros. Toda essa gama de informações é recolhida dentro de um estratagema a qual a própria criança fornece, muitas das vezes de forma ingênua ou mesmo propositalmente na tentativa de suprir os espaços em branco existentes na sua relação intrafamiliar. Este estratagema tem a intenção inicial de identificar e afeiçoar-se com a criança criando, a partir daí um laço afetivo perigoso e difícil de desatar. A impotência da criança em identificar que é e quem não “amigo” anula sua capacidade de decisão alimentando o pacto silencioso que doravante tornar-se-á ameaças. (Vasconcelos, Pinheiro. Navegar com segurança. 2006. WFC – Brasil. disponível em: http://www.turminha.mpf.gov.br/multimidia/cartilhas/cartilha-pedofilia.pdf).

Uma vez instaurado o constrangimento a criança reage estupefata e o aliciador sabe de suas circunstâncias, posto que já “pesquisara” anteriormente e recolhera informações suficientes mantendo a criança em cárcere on-line. Esse cárcere é sustentado com promessas ou vantagens que, por conseguinte, são nutridas pela baixa autoestima da criança ou adolescente que carecem de diálogos ou mesmo a presença dos pais. Uma dessas vantagens é uma falsa “proteção” on-line, isto é, a criança se sente protegida no universo perverso da internet em que suposto “coleguinhas” tendem a exclui-la ao passo que seu novo “amigo” a “ama” ou a “considera” ou mesmo a “valoriza”. Está criado o universo sedutor propício para um abusador em potencial calcar seus truques de aliciamento. (Vasconcelos, Pinheiro. Navegar com segurança. WCF- Brasil, 2006. Disponível em: http://www.turminha.mpf.gov.br/multimidia/cartilhas/cartilha-pedofilia.pdf).

Salas de bate papo, redes sociais com temas infantis, MSM ou aplicativos utilizados para conversas são suas armas favoritas. Seus temas vão graduando de meros assuntos escolares, de moda ou vídeo games, incidindo pela relação estabelecida entre a criança e seus pais e coleguinhas até chegar ao ápice da perversão: temas sexuais. Mas esses temas tem um intento: acabar com a inibição da criança e do adolescente. Os contatos telefônicos são feitos depois de ganhada a confiança e o interesse da criança ou do jovem. Depois do contato telefônico, o contato físico é uma questão de tempo.

Falamos de alguns heróis logo no início de nossa discussão e gostaria de voltar a essa temática no intuito de justifica-los. Evidentemente os heróis não são os agressores, todavia, as crianças, inicialmente, veem os mesmo como heróis que aparecem para salvá-las das intrigas familiares e sociais a que estão acometidas. Assim como os heróis da TV esses agressores pertencem a um grupo agressivo que manifesta total indiferença quanto às consequências de seus atos. Devemos entender que, “a falta de independência do Superego” pressupõem a ausência de culpa nestes agressores, fica fácil compreender as razões pelas quais eles (pedófilos) de forma muito fria e racionalista cupabillizam as crianças que foram molestadas ou ainda encontram um sem números de ensejos ou motivações para seus atos. (Shine,2002. p. 27). Suas ações e padrões de comportamentos ditados pela compulsão à repetição tem características especificas e não-controláveis daí a característica egossintônica da personalidade desses agressores. Isto é, a pulsão que os move é tensa variando em tipo e intensidade, sendo completamente dependente das circunstâncias externas. Não é difícil perceber, uma vez que seus atos são racionalizados compondo uma história acessível impregnada de sentidos. O Ego tem precárias egressões frente à coação das pulsões predominando um comportamento marcado por atuações, isto é, ele age dentro de um universo cénico. Portanto, a culpa, quando existente, tem uma função masoquista, o Superego está malformado. Um trabalho psicodinâmico realizado por Mellita Schmideberg, filha de Melanie Klein nos ilustra os comportamentos antissociais. Schmideberg interpreta o comportamento agressivo como substituto dirigido aos objetos parciais (seio, anus, genitais) estes objetos são substitutos do falo, da lei cujos impulsos sexuais sádicos são projetados em atos agressivos delimitando um círculo viciosos de ansiedade. Por tanto, a passagem ao ato (acting-out) seria a reação imediata às situações que causam ansiedade diferindo de alguns pedófilos que nunca passaram ou ato, satisfazendo-se por meio de fantasias. (Shine, 2002).

A princípio não há culpa uma vez que o Superego está localizado fora do mundo externo apaziguado por meio dos objetos os quais foram projetados seus impulsos idílicos. Há, em alguns casos, uma relação tênue entre a impulsividade e a dificuldade de fantasiar, derivada da inclemência à tensão levando-os à gratificação pulsional contígua havendo dificuldade de abdicar ao prazer uma vez que está abnegação só é possível frente à capacidade de gratificação postergada ou substituta, não obstante essa disposição é dependente da capacidade de fantasiar. Considerando assim, vemos que o pedófilo tem um mundo afetivo-sexual pobre com grande inépcia de inibir seus impulsos e impossibilitado de insight essa incapacidade se deve à egossintonia de suas condutas antissociais residida numa fraqueza do ego. Tal sintoma revela um ego falho em reconhecer conflitos entre a realidade externa e a realidade psíquica o resultado é um sujeito dependente do objeto (a criança) com intuito de fugir à realidade. Não difícil de perceber esta relação quando observamos casos de pedófilos e encenam suas choradeiras, oferecem explicações racionalizadas, ou mesmo culpabilizando a criança ou adolescente e ainda justificando que crianças pré-pubescentes ou pubescentes os atraíram ou seduzira levando-os a cometer tal ato.

6. Considerações Finais

Como pode se observar não é fácil lidar, descrever ou compreender a conduta de um pedófilo ou mesmo compreendê-lo. Não obstante, dados referentes ao período de Novembro de 2011 e Abril de 2013 levantados pela 4º Delegacia de Repressão à Pedofilia DHPP - única no Brasil especializada nesse tipo de crime - criara o primeiro cadastro de pedófilos do Brasil. A Polícia Civil de São Paulo está formando um banco de dados inédito do perfil dos pedófilos e das vítimas do Estado. Segundo a delegacia, 40% desses criminosos têm entre 18 e 40 anos, 25% estão acima dos 40 e 35% têm até 17 anos. O número de pedófilos com parentesco com a vítima chega a 40%. Dos outros 60%, grande parte tem alguma relação com a família da vítima ou são amigos ou vizinhos. A delegacia não foi autorizada a informar o número total de pedófilos cadastrados. Das vítimas, 80% são meninas, e 60% têm de 7 a 13 anos.

Infelizmente esses dados referem-se apenas ao Estado de São Paulo, contudo, basta-nos para nos oferecer o perfil estatístico deste tipo de agressor, quais são as suas potenciais vítimas.

Lidar com um pedófilo é lidar com a problemática de sua conduta. Diante de um indivíduo que encarna a bestialidade humana ficamos frente a frente com as nossas próprias tendências perversas. Reatualizarmos nossas conduta quanto ao tratamento compulsório, atendimento psicoterápico ou técnicas de castração química é a égide do desafio quando se trata de uma pessoa que não só coloca em risco a integridade física e psíquica de uma criança ou adolescente, mas também colocam em xeque os valores sociais e culturais a que estamos cultivando; valores sociais e culturais a que estamos passando de geração em geração sem ao menos contestá-la ou contextualizá-la. Podemos realmente tratar uma pessoa contra sua própria vontade? Há possibilidade de uma recuperação nas diversas instituições correcionais e prisionais onde encontramos vários perfis de pedófilos – no que diz respeito à idade, valores culturais e sociais e econômicos e graus de parentescos diversos em relação à sua vítima.

Não existem respostas fáceis a estas questões; para alguns, não existe nem uma resposta afirmativa ou plausível para estas questões. Vimos, no entanto que a possibilidade de uma intervenção psicanalítica é possível,ainda que para descrever, compreender o perfil da vítima e do agressor. O desafio está em aberto. O senso comum nos adverte que o melhor tratamento para estas pessoas é bani-las, enviando-as a um lugar inóspito e distante, todavia poder-se-ia questionar se uma sociedade que se utiliza de tais meios é moralmente correta. Para além das questões Éticas, Técnicas e clínicas, está uma preocupação das condições antissociais deste agressor para que não proliferem. Para Winnicott uma sociedade democrática pressupõem indivíduos que tenha alcançado certo nível de maturidade para que não caiam nem na transgressão e bem na aceitação incondicional da autoridade. O mesmo autor acrescenta que há condutas antissociais ocultas, aquele que segue sem contestar o que dita à autoridade, sendo este tão daninho para a sociedade quanto os abertamente agressivos. (Winnicott, 1987).

Talvez tenha especulado por demais, no entanto creio que as condições que verberam a conduta pedófila devem passar pela Ética levantando questões de políticas de segurança, como valores sociais e culturais. Espero ter contribuído para uma melhor apreciação do assunto que há muito nos afligem – seus limites, impasse e desafios.

Referêcias:

Anjos do sol. Direção: Rudi Lagemann. Produção: Luiz Leitão, Juarez Precioso e Rudi Lagemann. Interpretes: Antonio Calloni, Chico Diaz, Darlene Glória, Otávio Augusto, Vera Holtz, Fernanda Carvalho e Bianca Comparato. Fotografia: Tuca Moraes. Trilha Sonora: Felipe Radicetti, Flu, Nervoso. Downtown Filmes. 2006. DVD (92 min).

Bauman, Z. Vida líquida. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2001.

Confiar. Direção: David Schwimmer. Interpretes: Clive Owen, Liana Liberato, Catherine Keener, Viola Davis, Noah Emmerich. Trilha Sonora: Nathan Larson. Mundial. 2011. (106 min).

.Shine, S. Psicopatia. S.P: ed. Casa do Psicólogo. 2000. (Clínica Psicanalítica).

Menina má.com. Direção: David Slade. Interpretes: Ellen Page, Patrick Wilson, Sandra Oh, G.J. Echternkamp, Odessa Rae. Roteiro: Brian Nelson. Trilha Sonora: Molly Nyman, Harry Escott. AT Cinema June. 2005. (103 min).

Topscoot, D. A hora da geração digital: como os jovens que cresceram usando a internet estão mudando tudo, das empresas ou governo. RJ: Agir Negócio, 2010.

Foucault, M. Microfísica do Poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

FREUD, S. Três Ensaios sobre a Sexualidade. RJ: Edição Standart Brasileira das Obras Psicológica Completas de Sigmund Freud, volume VII 1901.

_____. Mal-Estar na Civilização. RJ: Edição Standart Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, volume XXI 1927.

_____. Além do Princípio do Prazer. RJ: Edição Standart Brasileira das Obras Psicológica Completas de Sigmund Freud, volume XVIII 1920.

_____. Psicologia de Grupo. RJ: Edição Standart Brasileira das Obras Psicológica Completas de Sigmund Freud, volume XVIII 1921.

_____. Reflexões para os tempos de Guerra e Morte. RJ: Edição Standart Brasileira das Obras Psicológica Completas de Sigmund Freud, volume XIV 1915.

Winnicott, D. W. Agressão e suas raízes. S.P. Martins Fontes, 1987.

Scientific Eletronic Library Online: www.scielo.br

www.dominiopublico.gov.br