As Definições de Grupos de Trabalho no Contexto Organizacional nas Estratégia de Saúde da Família (ESF's)

Resumo: O presente artigo tem por si o objetivo de esclarecer brevemente acerca dos conceitos de grupos, a importância da constituição destes, e os fenômenos que se dão dentro das instituições, principalmente nas ESF´s. Essa pesquisa se deu pela inicial indagação das autoras acerca dos grupos de trabalho constituídos nas ESF´s, nas quais se desenrola um processo de estágio do curso de Psicologia que tem como ênfase a Psicologia Organizacional e do Trabalho. Assim como se pretende também propor uma reflexão sobre a teoria e prática da Psicologia na área da saúde, levando em conta as dificuldades encontradas diante do trabalho coletivo nestas instituições

Palavras-chave: Grupos, Equipes, Psicologia, ESF (Estratégia de Saúde da Família).

1. Introdução

Foi a partir do envolvimento em grupos de trabalho no estágio vigente, que achamos necessário pesquisar um pouco mais quanto as formas de grupos e suas peculiaridades, bem como a importância destes, e os fenômenos que podem apresentar.

Sabemos que como futuros profissionais, necessitamos fazer uma reflexão quanto a estruturação do campo de trabalho, o comportamento das pessoas envolvidas nos processos laborais em grupos, buscando formas de favorecer e buscar o bem-estar dos trabalhadores que se situam dentro desse organismo social, levando em consideração as relações de desempenho envolvidas nessa interação. 

O ser humano por sua natureza social necessita obrigatoriamente do outro para se estruturar. Sendo um ser social inevitavelmente acaba vivendo em grupos, mesmo que essa condição muitas vezes passe despercebida em seus contextos.

Sabe-se que o primeiro grupo em que o ser humano se vê inserido é a família, posteriormente vai passando ao social e aos seus grupos, como a escola, a igreja, o trabalho e consequentemente aos pequenos grupos organizacionais. Portanto, durante toda a vida somos incluídos e vinculados a vários grupos, pelos quais sofremos influências, pois estes têm o poder de até mudar o comportamento dos indivíduos que o compõe sem que muitas vezes os sujeitos se dêem conta disto.

Cada grupo tem seu modo próprio de comportar-se, o que se reflete na maneira de ser dos indivíduos que se comportam. Esse modo próprio é que caracteriza o grupo e referencia os indivíduos nele presentes.

Os grupos têm um papel fundamental na vida do indivíduo, assim como o indivíduo em sua particularidade tem papel diferenciado no grupo. E esse papel é definido e pode ser colocado em cena de forma ativa, passiva e/ou ativa-passiva.

Em cada nova inserção em um grupo o indivíduo se vê em um estado de ansiedade e tensão, pois a angústia para sair do lugar de estrangeiro e procurar semelhantes, é um grande desafio. É notável que todo e qualquer grupo possua regras, direitos e deveres que são explícitos na organização e, outros que se tornam implícitos. Para além disso, em sua organização sempre há o reconhecimento de um poder, os benefícios e a punição por não cumprimento das regras, e a forma particular para conseguir prestígio em seu meio.

2. Algumas Considerações Teóricas Sobre o Conceito de Grupo

No material usado para a pesquisa deste artigo, trouxe uma diversidade ampla de teorias sobre o conceito de grupo. Segundo o dicionário Aurélio da língua portuguesa, grupo se define por “Número de pessoas ou de coisas que formam um todo.” Fazendo uma busca etimológica da palavra, encontramos sua procedência em diversas línguas. Na língua francesa (groupe) era utilizada para designar, em uma obra de arte, a disposição dos objetos ou pessoas; do Italiano (gruppo) significa “nó”; do Latim (grex) significa “rebanho.”

Uma definição breve e sucinta de grupos seria a de que é formado por duas ou mais pessoas que de alguma forma interagem por certo período de tempo, tendo em comum um objetivo determinado. As noções de igualdade, a união entre os membros, e o somatório das características destes criarão uma identidade para o grupo. Porém há uma distinção notável entre grupo e agrupamento, a qual podemos visualizar de forma clara no exemplo dos autores Puente – Palácios e Albuquerque(2014): 

Um conjunto de pessoas esperando um ônibus em uma parada não constitui um grupo por que o objetivo a alcançar depende unicamente de cada uma delas em separado, podendo ocorrer que algumas destas pessoas nem cheguem a tomar seu ônibus, o que não traria qualquer impacto para o objetivo das outras. Já amigos que se reúnem nos fins de semana para jogar futebol podem ser considerados um grupo, na medida em que necessitam uns dos outros para poder se divertir. Há um objetivo comum que não pode ser atingido se cada um não fizer sua parte no jogo (Pg. 387)

Segundo Zimmerman (1997), um grupo se distingue basicamente, por ter um objetivo comum entre os membros, conter identidade e leis próprias, por preservar a comunicação, ter espaço, tempo e regras para organizar as atividades propostas, e apresentar duas forças contraditórias: uma tendente à coesão e outra à desintegração. Já o agrupamento é caracterizado por ter pessoas compartilhando o mesmo espaço e tendo interesses em comum, porém não contêm tarefa nem objetivo definido. 

Segundo a teoria de Lewin, a característica essencial de um grupo é a interdependência de seus membros, ou seja, o grupo não se constitui pela soma de características dos seus membros constituintes, e sim resultado dos processos que ali ocorrem. Por exemplo, o grupo agora se apresenta de uma forma, mas depois poderá chegar um novo membro que alterará a dinâmica do grupo.

Para Pichón-Rivièree, grupo se define por um conjunto restrito de pessoas, ligadas por constantes de espaço e tempo, e articuladas por mútua representação interna, as quais se propõem (implícita ou explicitamente) a realização de uma tarefa; há nesse processo uma passagem do ‘eu’ para o ‘nós’, da ‘afiliação’ para a ‘pertença’.

Já para Freud, em Psicologia das Massas e Análise do Eu (1920-1923), o sujeito que se encontra inserido nas massas é incapaz de preservar sua singularidade, e age de forma que contradiz suas atitudes se este estivesse sozinho. Segundo Freud, “[...] não é tão notável que vejamos um indivíduo numa massa fazendo ou aprovando coisas que teria evitado nas condições normais de vida” (ib., p. 95). O sujeito massificado tem suas emoções intensificadas, se torna impulsivo, e passa a se comportar e pensar tal qual seus companheiros de grupo. Este sujeito passa a ser conduzido conforme os padrões estabelecidos pela massa.

Nesta linha de pensamento, Freud explica que o que faz emergir e caracteriza as massas é a existência de laços libidinais que unem os membros do grupo, onde o sujeito é levado a desfazer-se de sua singularidade para entrar em harmonia com o restante dos membros.

(...) se um indivíduo abandona sua distintividade num grupo e permite que seus outros membros os influenciem por sugestão, isso nos dá a impressão de que o faz por sentir necessidade de estar em harmonia com eles, de preferência a estar em oposição a eles, de maneira que, afinal de contas, talvez o faça ‘ihnen zu Liebe’ 2 ” (ib., p.103).

Neste contexto, é necessário trazer a discussão, a importância da figura do líder e a idealização desta em Freud, sendo a idealização por esta figura responsável pela sujeição e desvanecimento de iniciativa própria por parte dos indivíduos do grupo, onde o sujeito abandona seu ideal do eu e substitui pelo ideal do grupo, o qual é representado pelo líder.

(...) A seleção do líder é muitíssimo facilitada por essa circunstância. Com freqüência precisa apenas possuir as qualidades típicas dos indivíduos interessados sob uma forma pura, clara e particularmente acentuada, necessitando somente fornecer uma impressão de maior força e de mais liberdade de libido. Nesse caso, a necessidade de um chefe forte freqüentemente o encontrará a meio caminho, e o investirá de uma predominância que de outro modo talvez não pudesse reivindicar” (ib., p. 139). 

Portanto, nota-se com este trecho que são os próprios indivíduos do grupo que escolhem seu líder, o qual eles obedecerão e idealizarão. 

Ainda na temática de grupos, temos também a contribuição de Bion, o qual vai trabalhar o conceito de grupo de forma abrangente e significativa na sua Teoria de Funcionamento dos Grupos. Bion distingue um grupo de trabalho como sendo a reunião de indivíduos que tenham um objetivo comum de realizar uma tarefa especifica, onde há cooperação dos membros, contribuindo para um bom espírito de grupo.

Um bom espírito de grupo, segundo Bion, define-se por: liberdade e valorização por contribuição individual dos membros dentro do grupo; existência de um objetivo comum; capacidade de respeitar e reconhecer os limites e sua posição em relação a subgrupos maiores; capacidade de enfrentar e lidar com descontentamentos que possam surgir no grupo. Funcionando assim, o grupo se encontra em trabalho terapêutico por ter adquirido experiência e conhecimento para manter o espírito de grupo.

Bion ainda traz em sua teoria a Mentalidade de Grupos, a qual seria responsável pelo fracasso dos grupos, referido a expressão unânime do desejo do grupo, onde o indivíduo não se dá conta que está sendo influenciado de forma desagradável, regido por seus impulsos e frustrações. Por exemplo, ausência de juízo crítico, conversas fúteis, e tudo que foge do objetivo do grupo.

Desta maneira, o grupo segundo Bion, se apresenta como tendo um lado positivo e um negativo, sendo o positivo por terem todos um objetivo comum, e o negativo por ser constituído por membros regidos por impulsos, estes que se manifestam quando os indivíduos estão reunidos no grupo.

Estudando os grupos, Bion distingue 3 tipos de padrão de comportamento, ou fenômenos de grupo, os quais são: dependência, acasalamento e luta-fuga. A dependência se refere a demanda do grupo por um líder, o qual será responsável pela segurança e estabilidade do grupo. O acasalamento diz sobre o apego a uma esperança futura, que tal pessoa ou ideia irá solucionar todas as questões do grupo, não se criando nada, pois a realidade está baseada na esperança. Luta-fuga, então, é o que une o grupo para lutar por alguma coisa, ou dela fugir.

Como vimos pelos autores citados até aqui, há diversas maneiras de se pensar a constituição de um grupo e seu funcionamento. Outros autores também contribuíram discutindo acerca da personalidade e da mudança de comportamento dos indivíduos que se encontram em grupos, ou seja, sobre as influências sociais.

Alguns como Le Bon, Mc Dougall entendiam o grupo como uma espécie de consciência coletiva a qual sobrepuja a consciência dos indivíduos que o compõem. Já Floyd Allport entende o individuo como ser com identidade e comportamento próprios, sendo o único objeto possível para explicar a sociedade, pois seu desenvolvimento e aprendizados são únicos e individuais.

Em 1930 foi realizado um experimento psicológico por Sherif (1966) que contribuiu para as discussões vigentes. Neste experimento, várias pessoas eram submetidas individualmente a um estimulo visual, sendo que após todas terem o contato com o elemento estimulante, eram colocadas em dupla para falar acerca do experimento. Desse modo, percebeu-se que as pessoas inconscientemente criavam um padrão do estímulo a qual foram submetidas, nas discussões em grupo, esquecendo-se da experiência e percepção que tiveram individualmente. A conclusão é de que: 

(...)A maneira como as pessoas percebem o mundo é mais resultado do processo de interação e construção coletiva do que de sua individualidade; Então o comportamento não se deve nem a um extremo, nem ao outro. Se as pessoas fossem unicamente influenciadas pelos grupos, elas dariam as respostas que o outro queria. Com o experimento, também foi constatado que as pessoas não são unicamente fruto de suas próprias aprendizagens, pois o que antes elas tinham aprendido havia se modificado, dando lugar a imagem desenvolvida quando trabalharam em dupla. Quer dizer, existia uma terceira forma de explicar o comportamento, a qual refletia um processo misto, em que tanto um individuo quanto o outro, seja ele um grupo ou uma norma, contribuem, dando lugar a uma nova construção interpretativa, que a partir desse momento irá ocupar lugar privilegiado de influência comportamental. (Puente – Palácios e Albuquerque – Pg. 391)

Considerando o apanhado de discussões e pensando no contexto atual das organizações de trabalho, percebemos que o papel de gestor e/ou administrador do grupo é de grande importância para fazer com que os sujeitos se referenciem cumprindo as regras para que os objetivos e metas sejam alcançados. Podemos perceber que o comportamento dos indivíduos do grupo são produtos da própria individualidade/personalidade, bem como das interações dos sujeitos no grupo. Gerenciar estes indivíduos requer que o gerente ou administrador a compreensão de que o grupo é maior do que os indivíduos que o compõem, bem como conhecer de modo mais intensamente seus comportamentos para que as regras e normas que estejam de acordo, buscando aperfeiçoar o alcance das metas e a harmonia com as necessidades de cada individuo.

3. Grupos em ESF's (Estratégias em Saúde da Família)

Para entrar na discussão e reflexão sobre os grupos no ESF, primeiramente precisamos destacar o que é ESF, como se estrutura, quais seus objetivos e como essa estratégia surgiu no SUS (Sistema Único de Saúde), para posteriormente falar dos grupos que compõem esse ESF e como esse se articulam.

A Estratégia de Saúde Da Família (ESF) é um projeto dinamizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) que visa a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Essas equipes acompanham um número definido de famílias que se localizam numa determinada área geográfica, e promovem ações de promoção de saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e manutenção da saúde.

A estratégia de saúde da família é uma reformulação do antigo Programa de Saúde da Família (PSF) implantado no Brasil em 1994. A ESF visa rever o modelo assistencial vigente no qual predominava o atendimento emergencial ao doente, passando a considerar a família como o objeto de atenção além de considerar o ambiente do sujeito, visando compreender melhor os processos de saúde/doença.

A Saúde da Família é uma das principais estratégias, propostas pelo Ministério da Saúde do Brasil, para reorientar o modelo assistencial do Sistema Único de Saúde, a partir da atenção básica (BRASIL, 1997). Ela procura reorganizar os serviços e reorientar as práticas profissionais na lógica da promoção da saúde, prevenção de doenças e reabilitação, enfim, da promoção da qualidade de vida da população, constituindo-se em uma proposta com dimensões técnica, política e administrativa inovadoras. Ela pressupõe o princípio da Vigilância à Saúde, a inter e multidisciplinaridade e a integralidade do cuidado sobre a população que reside na área de abrangência de suas unidades de saúde (BRASIL, 1998).

As ações propostas pelo ESF abrangem vigilância, promoção, prevenção e controle de doenças e agravos tendo como base os conhecimentos de cada profissional pertencente a equipe multiprofissional, além de técnicas da epidemiologia. Entre os profissionais que compõem essa equipe estão: enfermeiro, médico, dentista, auxiliar de enfermagem, agentes comunitários de saúde, e agentes epidemiológicos. 

O funcionamento do ESF está pautado pelos princípios e diretrizes do SUS, visando implementar o melhor funcionamento e a democratização. Sendo assim se baseia na Integralidade e Hierarquização; Territorização e Adscrição da clientela; Equipe Multiprofissional e Caráter Substitutivo.

Sabe-se que um dos grandes desafios desse novo modelo assistencial, é o trabalho em equipe, que pressupõe trocas e preparo para atender as mais diversas situações. O ESF precisa estar equipado de profissionais com formação generalista que possam atuar frente a complexas demandas da comunidade abrangente.

Para além das questões básicas e técnicas do profissional, estes tendem a lidar com situação que provocam sofrimento, como a desvalorização de seu serviço, a falta de materiais e a sobrecarga de trabalho. E isso tudo é ressignificado grupalmente o que faz com que surjam sintomas.

Freud nos diz, em Psicologia das Massas e Análise do eu, que é através da identificação que um grupo se forma, e é essa identificação que possibilita a formação do ideal de ego grupal e que forma o vínculo entre os indivíduos. Esse fenômeno acontece inconscientemente assim como a formação dos traços grupais e dos sintomas.

Assim como as empresas, os ESF´s se estruturam como uma organização, pois há igualmente nesses ambientes uma demanda coletiva.Podemos definir organizações como "sistemas de pessoas, que se associam para realizar propósitos, mediante estruturas e funções e por meio de processos, no contexto humano, interorganizacional e social, e em continuidade temporal. " (PEREIRA,2004, p. 103)

Com funcionamento relativamente contínuo os integrantes da organização interagem entre si e criam processos simbólicos e de relações públicas, que permitem a manutenção e o crescimento da organização. Para além das construções físicas, as organizações são realidades socialmente construídas e reformuladas dia-a-dia através das relações interpessoais e das influências culturais do meio em que a organização está inserida.

Inevitavelmente dentro das organizações se formam grupos, que se diferenciam estruturalmente de uma equipe. Sobre grupos, Le Bon nos traz que:

A peculiaridade mais notável apresentada por um grupo psicológico é a seguinte: sejam quem forem os indivíduos que o compõem, por semelhantes ou dessemelhantes que sejam seu modo de vida, suas ocupações, seu caráter ou sua inteligência, o fato de haverem sido transformados em grupo coloca-os na pose de uma espécie de mente coletiva que os faz sentir, pensar e agir de maneira muito diferente daquela pela qual cada membro dele, tomado individualmente, sentiria, pensaria e agiria, caso se encontrasse em estado de isolamento. Há certas ideias e sentimentos que não surgem ou que não se transformam em atos, exceto no caso de indivíduos que formam um grupo. (...). (LE BON,1920)

Há algumas particularidades nos grupos, como a distintividade que se apaga e surge no seu lugar uma posição inconsciente comum entre os membros. Le bon também acredita que três características começam a surgir quando se estrutura um grupo: um sentimento de poder invencível que tomam grupo fazendo desaparecer o sentimento de responsabilidade; a sugestionabilidade que torna o contágio - seu efeito - e que ganha força na reciprocidade e por fim, o contágio que faz com que os interesses pessoais sejam sacrificados em nome dos interesses coletivos.

Vemos então que o desaparecimento da personalidade consciente, a predominância da personalidade inconsciente, a modificação por meio da sugestão e do contágio de sentimentos e ideias numa direção idêntica, a tendência de transformar imediatamente as ideias sugeridas em atos, estas, vemos, são as características principais do indivíduo que faz parte de um grupo. Ele não é mais ele mesmo, mas transformou num autômato que deixou de ser dirigido pela sua vontade. ( LE BON, 1920, p.35)

Pode-se declarar também que o indivíduo isolado e o indivíduo incluído num grupo têm características diferentes. Aquele que é isolado pode ser oculto, já o outro vira um bárbaro regido pelos seus instintos, com violência e heroísmo dos seres primitivos.

A mente grupal, segundo Le Bon, é semelhante a mente dos povos primitivos e das crianças, indicando que há nessas condições uma redução da capacidade intelectual. Para além disso, o grupo também caracteriza-se como impulsivo, mutável e irritável guiado exclusivamente pelo inconsciente.

Os impulsos grupais tornam-se tão fortes que nenhum interesse pessoal é capaz de ser sentido. A premeditação some e surge uma urgência na realização dos desejos, não tolerando espera, além do desaparecimento da impossibilidade.

Nos grupos há uma clara identificação com a vida mental inconsciente das crianças e dos neuróticos, pois aceitam que ideias contraditórias existam lado a lado. 

E, finalmente, os grupos nunca ansiaram pela verdade. Exigem ilusões e não podem passar sem elas. Constantemente dão ao que é irreal precedência sobre o real; são quase tão intensamente influenciados pelo o que é falso quanto pelo o que é verdadeiro. Possuem tendência evidente a não distinguir entre as duas coisas. (LE BON,1920, p.77).

Le Bon também nos traz que, o grupo é conduzido a eleger um líder. Seja esse grupo formado por humanos ou animais, jamais poderiam viver sem um senhor. Esse líder deve ser fascinado por uma fé, e grande vontade para que o grupo assim o siga. O líder, geralmente, tem de ser dotado de ideias fanáticas.

Tanto o líder, como suas ideias fanáticas devem ser detentores de um poder misterioso e irresistível que é dominado de “prestigio”. Logo esse “prestigio” torna-se uma forma de domínio. 

4. Possibilidades de Intervenção do Psicólogo Organizacional 

A composição dos grupos se dá por indivíduos que tem experiências diferentes, que se estruturam de formas diferentes e que em algum momento vão deixar claro suas diferenças. É aí que surgem os conflitos grupais e/ou entre os grupos. Segundo Bleger(1984),

(...) o conflito é um elemento normal e imprescindível no desenvolvimento e em qualquer situação humana: a patologia do conflito se relaciona, mais do que a existência do próprio conflito, com a ausência dos recursos necessários para resolvê-los ou dinamizá-los. Nesse contexto seria função do psicólogo, mobilizar os conflitos existentes na instituição e fazer com que eles se manifestem. 

A função do psicólogo organizacional é estar atento as manifestações que ocorrem dentro da organização, assim como proporcionar aos trabalhadores um espaço de escuta , abrindo espaço para que o sujeito reflita sobre sua condição de trabalhador e qual o valor simbólico do trabalho em sua vida.

“O psicólogo institucional pode se definir, neste sentido, como um técnico da relação interpessoal ou como um técnico dos vínculos humanos e (..) pode-se dizer também que é o técnico da explicitação do implícito. A ajuda a compreender  os problemas e todas as variáveis possíveis dos mesmos, mas ele próprio não decide, não resolve nem executa. O papel do assessor ou consultor deve ser rigorosamente mantido,deixando a solução e execução em mãos dos organismos próprios da instituição : o psicólogo não deve ser em nenhum caso nem um administrador nem um diretor nem um executivo, nem deve sobrepor-se na instituição como um novo organismo.” (BLEGER, JOSÉ 1984) 

A construção desse lugar como um lugar de saber embasado em teorias específicas e utilizando-se de técnicas e intervenções próprias é um desafio. Observar, escutar e proporcionar um espaço de escuta do grupo e para o grupo, para assim poder desenhar possíveis intervenções e devolutivas é um trabalho árduo e demorado.

“Quanto ao trabalhador o psicólogo visa melhorar as condições de vida e de saúde dos trabalhadores. O psicólogo do trabalho também pode criar avaliações para treinamento do pessoal e fazer orientações profissionais. Ele também poderá atuar na melhoria do bem-estar dos trabalhadores criando programas para melhorar a qualidade de vida para evitar doenças. Formula estratégias para melhorar o clima organizacional e participa de projetos, para garantir o bom desempenho dos trabalhadores e melhor rendimento para a empresa” (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2001).

É através da intervenção do psicólogo organizacional que trabalhadores e organizações tem a possibilidade de se organizar, visando uma melhor qualidade de vida para ambos, respeitando suas peculiaridades e demandas. Nesse contexto, as funções do psicólogo podem incluir atividades como: analista de recursos humanos, consultores internos de recursos humanos, gestão de pessoas, recrutamento e seleção e desenvolvimento

5. Conclusão

A partir desse estudo é possível destacar a importância dos processos grupais, assim como uma boa leitura e intervenção com o intuito de proporcionar ao trabalhador uma maior satisfação no seu grupo de trabalho, buscando a realização das metas buscada por estes, bem como a realização pessoal de cada individuo participante deste processo.

Dessa forma, entendemos a importância do psicólogo em situação de trabalho dentro de organizações, entender como se dão os processos grupais, buscando a melhoria destes no âmbito organizacional e suas metas, incorporando nesta dinâmica a interação e o diálogo entre a gestão, os grupos e as pessoas. Assim como cita Puente – Palácios e Albuquerque,

(...) uma vez que o psicólogo trabalha basicamente com a palavra, cabe a ele, detentor de uma visão sistêmica e com conhecimentos sobre o funcionamento dos grupos, articular esse liame entre as percepções grupais e as normas organizacionais, de modo a favorecer a vinculação e a integração das pessoas “no” e “com” o processo decisório organizacional.(pg. 392) 

É de grande relevância também tomar uma com pilar de pesquisa o contexto social da organização, sua história, seus marcos, para entender o porquê de tais fenômenos, e como lidar com eles nos grupos de trabalhos compostos nas instituições.

O psicólogo organizacional deve estar atento a todas essas questões, para poder realizar uma escuta de qualidade, aliada a observação e utilização de instrumento, sob o regimento de uma ética profissional.

Sobre as Autoras:

Andrieli Regina Sehnem Padilha - Psicóloga , egressa da Unijui/Ijui, Pós Graduada em Neuroaprendizagem.

Sabrina Gois dos Santos - Psicóloga, egressa da Unijui/Ijui

Referências:

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Disponível em: http://www.crpsp.org.br/portal/default.aspx Acesso em : 15/08/2015

BASTOS, Antonio Virgilio Bittencourt. “Psicologia, Organizações e Tabalho” –2ª Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2014.

BRASIL; Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Coordenação de saúde da comunidade. Saúde da família: uma estratégia para a orientação do modelo assistencial. Brasília. Ministério da Saúde

FREUD, Sigmund. (1995). “Psicologia das massas e análise do ego”. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. vol. 18. Tradução de Cristiano Monteiro Oiticica. Rio de Janeiro: Imago. Original publicado em 1921.

A Psicologia e o Trabalho em Equipe no Contexto Saúde Pública Autor: Wesley Fernando Felício. Publicado na Edição de: Abril de 2013; Disponível em https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-da-saude/a-psicologia-e-o-trabalho-em-equipe-no-contexto-saude-publica

Grupos e Equipes de Trabalho nas Organizações; Autor: Maria Emília de Melo Boto. Publicado na Edição de: Fevereiro de 2014. Disponível em https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/grupos-e-equipes-de-trabalho-nas-organizacoes

BLEGER, José. Psico-higiene e Psicologia Institucional, Artes Médicas: Porto Alegre, 1984.

PUENTE-PALACIOS, Katia, ALBUQUERQUE, Francisco José Batista de; “Grupos e Equipes de Trabalho” (pg. 385 a 412) Orgs: ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo;

Como citar este artigo:

Seguindo normatização ABNT para citação de sites e artigos online:

PADILHA, Andrieli Padilha Sehnem; SANTOS, Sabrina Gois dos. As Definições de Grupos de Trabalho no Contexto Organizacional nas Estratégia de Saúde da Família (ESF\'s). Psicologado, [S.l.]. (2019). Disponível em https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/as-definicoes-de-grupos-de-trabalho-no-contexto-organizacional-nas-estrategia-de-saude-da-familia-esf-s . Acesso em .

Seguindo normatização APA para citação de sites:

Padilha, A. P. S. & Santos, S. G., 2019. As Definições de Grupos de Trabalho no Contexto Organizacional nas Estratégia de Saúde da Família (ESF's). [online] Psicologado. Available at: https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/as-definicoes-de-grupos-de-trabalho-no-contexto-organizacional-nas-estrategia-de-saude-da-familia-esf-s [Acessed 07 Jul 2020]

Seguindo normatização ISO 690/2010 para citação de sites:

PADILHA, Andrieli Padilha Sehnem; SANTOS, Sabrina Gois dos. As Definições de Grupos de Trabalho no Contexto Organizacional nas Estratégia de Saúde da Família (ESF's) [online]. Psicologado, (2019) [viewed date: 07 Jul 2020]. Available from https://psicologado.com.br/atuacao/psicologia-organizacional/as-definicoes-de-grupos-de-trabalho-no-contexto-organizacional-nas-estrategia-de-saude-da-familia-esf-s