Avaliação da Vulnerabilidade ao Estresse Entre os Funcionários de uma Unidade Básica de Saúde da Família de Rolim de Moura-RO

(Tempo de leitura: 12 - 24 minutos)

Resumo: O estresse têm se revelado atualmente, um dos principais motivos de afastamento do trabalho, causando consequências físicas e psicológicas no indivíduo quando exposto por um longo prazo a situações estressantes. Visando compreendê-lo dentro do local de trabalho, o presente estudo tem como objetivo, investigar a vulnerabilidade ao estresse entre os funcionários de uma Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF) do município de Rolim de Moura-RO, através da Escala de vulnerabilidade ao estresse no Trabalho (EVENT), bem como definir o estresse e conceituar o estresse organizacional e apresentar os dados obtidos na aplicação da EVENT. Participaram desta pesquisa onze funcionários, sendo que os critérios de inclusão foram: ser funcionário da UBSF, ter entre 17 e 54 anos de idade e assinar o Termo de Consentimento Pós Informado. Os resultados obtidos através da pesquisa de campo mostram-se coerentes com a revisão literária, apontando os profissionais da área da saúde como uma classe vulnerável a desenvolver o estresse, e que o fator que mais proporciona a vulnerabilidade foi relativo à infraestrutura e rotina. Fator que em que os participantes obtiveram maior pontuação.

Palavras-chave: Estresse, Estresse Ocupacional, EVENT.

1. Introdução

Atualmente a competição e o acúmulo de tarefas, nos ambientes de trabalho, vêm favorecendo o desenvolvimento de várias doenças físicas e psicológicas nos trabalhadores, principalmente o estresse, que têm se revelado uma das principais causas de afastamento do trabalho. Dentre os ambientes que mais proporcionam o desencadeamento do estresse estão as Unidades Hospitalares e as Unidades Básicas de Saúde, onde nos deparamos com diversos pacientes em busca de solução para seus problemas, sejam estes de ordem física ou psicológica, e em contrapartida a essa demanda cada vez maior, muitas vezes nos deparamos com equipes cada vez mais reduzidas para atender a esta demanda, além da precariedade de materiais e da estrutura física, aliados ao constante contato com pessoas doentes e por vezes em fase terminal, que desencadeia nestes funcionários a vulnerabilidade ao estresse que pode culminar no desenvolvimento de várias doenças.

Devido a esta realidade, esta pesquisa foi realizada em uma Unidade Básica de Saúde da Família no município de Rolim de Moura - RO. Onde se buscou avaliar a vulnerabilidade ao estresse entre os profissionais que trabalham no local.

Este estudo trouxe como problematização à seguinte questão: Pensando no indivíduo dentro do seu local de trabalho, será que os profissionais que trabalham em Unidades Básicas de Saúde têm uma vulnerabilidade alta para desenvolver o estresse?

Com relação às hipóteses testadas, trazem-se aspectos relacionados aos fatores de que: O fator de estresse pode estar relacionado com a pressão no trabalho; a infraestrutura precária seria uma fonte causadora de estresse e o clima e o funcionamento organizacional influência no desenvolvimento do estresse.

Como justificativa o tema torna-se extremamente importante, por proporcionar a oportunidade de verificar as consequências do estresse na vida das pessoas, e a melhor forma de intervir, podendo colocar em prática o que se aprende na teoria, além de oportunizar uma experiência que será de grande utilidade e que poderá ser usada depois da graduação.

O tema proposto também traz benefícios para a sociedade, visto que auxilia a quebrar o paradigma de que apenas os pacientes são afetados pelos fatores estressores do ambiente hospitalar.

Em uma perspectiva científica, se justifica por ser utilizado um instrumento validado, que trará uma grande contribuição, uma vez que outras pessoas poderão usá-lo como base para aprimorar o tema, e através deste, formular novos dados e iniciar novas pesquisas, a fim de contribuir com o conhecimento e melhor forma de manejo do estresse, bem como valer-se dele para projetos de intervenção.

O presente estudo está estruturado em três etapas, uma seguida da outra, sendo que primeiramente irá definir o estresse e conceituar o estresse ocupacional e posteriormente, serão abordados os principais sinais e sintomas do estresse. A segunda é destinada à Metodologia, cuja responsabilidade é revelar os procedimentos e os instrumentos que proporcionaram a análise dos dados e principalmente os resultados e discussões da presente pesquisa. E por fim, na terceira, serão apresentados os resultados obtidos na pesquisa com análise dos fatores e feitas às considerações finais deste estudo.

2. Estresse

Atualmente ouvimos muito falar em estresse. É um assunto comum até mesmo em conversas informais de roda de amigos, neste enfoque de pensamento o estresse é tido como sinônimo de cansaço, fadiga, enfim é visto somente como aspectos negativos que nenhum indivíduo deveria experimentar (MARQUES; ABREU, 2011).

A palavra estresse nos direciona à pressão, tensão sendo estas insistentes em uma situação da vida de um indivíduo, ou ainda estar sob um estímulo insistente de ação estressante (CABRAL et al., 1997).

O estresse leva-nos a um estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional desestabiliza o controle do indivíduo em um processo de adaptação, que pode ocorrer em qualquer ambiente, sendo, por exemplo, no contexto familiar, social ou organizacional, caracterizado, entre outras alterações, pelo aumento de secreção da adrenalina produzindo diversas manifestações sistêmicas, com distúrbios fisiológicos e psicológicos (SILVEIRA, 2011).

O estresse é conceituado ainda como perturbações, que causam distúrbios no bem- estar dos indivíduos e podem ser ocasionados por motivos físicos ou psicológicos. Tornando- se esta perturbação incômoda à pessoa quando a forma de responder a este estímulo não contribui para o seu bem-estar, ocasionando reações comportamentais, físicas e emocionais indesejáveis seguidas de efeitos negativos no organismo seja na esfera física ou psíquica, instaurando o quadro de estresse (FIORELLI, 2006).

Há ainda uma distinção entre estresse bom (eustresse) e o estresse ruim (distresse). Segundo Jacques e Codo (2002, p. 117, grifo do autor): “[...] o eustresseé a quantidade de

estresse  que  melhora  o  desempenho  do  indivíduo,  enquanto  o  distresseé  o  excesso  ou insuficiência desse estado, que paralisa o sujeito ou leva a ter respostas inadequadas”.

França e Rodrigues (2009 apud CASTRO, 2010) abordaram os desdobramentos do eutresse do distress: “[...] Eustress: fascínio do stress, tensão para competitividade, revigoramento, engajamento social, atitude empreendedora”. Sendo assim, o eutressseria o estresse “bom”, pois impulsiona o indivíduo a desenvolver o seu trabalho e a competir por um melhor desempenho em suas funções. E “[...] o distress: eclosão de doenças, sobrecarga pessoal e profissional, envelhecimento precoce desorganização do projeto de vida, trabalho compulsivo”. O distress seria o estresse ruim decorrente do acúmulo de pressão sofrida ao longo do tempo que pode culminar em doenças.

O estresse apesar de ser muito conhecido por provocar sensações desagradáveis nas pessoas, sendo visto como algo ruim pode ser também bom para o indivíduo, uma vez que estando o eustress agindo no organismo atua no ramo parassimpático do sistema nervoso autônomo liberando acetilcolina e promovendo estados de bem estar e relaxamento (HERNANDES, 2008).

3. Estresse Ocupacional

Existem três tipos de estresse: o situacional, o pessoal e o profissional, que podem ocorrer em dois níveis: físico e/ou psicológico. O estresse situacional é resultado de características como: privação de comida, de sono, fadiga. O estresse pessoal está relacionado a características e situações individuais, como sexo, características de personalidade, situação econômica, eventos de vida, entre outros. E o estresse profissional é associado aos processos de profissionalização, a rotina e o desenvolvimento das atividades laborais bem como, o desenvolvimento da sociedade (LENTINE; SONODA; BIAZIN, 2003).

Fiorelli (2006) relata o estresse ocupacional apontando que as causas no ambiente de trabalho são de várias naturezas. Sendo que estas podem ser investigadas em quatro áreas distintas, mas relacionadas uma com a outra: tarefas, normas, processos e relações interpessoais. Sobre as tarefas, este fator abarca a competência técnica, o peso psíquico do trabalho e outros relacionados à tarefa executada no trabalho. As normas compreendem todos os tipos de instruções, regulamentos, política da empresa e as diretrizes. Os processos dizem respeito à qualidade das informações assim como a qualidade e a precisão. Relações interpessoais é a interação do indivíduo com os demais funcionários e clientela da empresa (FIORELLI, 2006).

Por um melhor entendimento sobre a relação do estresse e trabalho é importante não somente para a questão social, mais também dos interesses da empresa, uma vez que um trabalhador saudável proporciona muitos ganhos à empresa, como maior produtividade, eficiência em suas funções, menor número de faltas (absenteísmo), além de menor número de atestados médicos e licenças (JACQUES; CODO, 2002).

O estresse é uma forma normal de o organismo adaptar-se ao ambiente diante de situações novas, mesmo estas sendo positivas. Torna-se patológico apenas quando o estímulo estressor for muito forte e permanente, o que culmina em um estado de esgotamento do organismo com o risco de desenvolver doenças (CASTRO, 2010).

No que se refere a estressores associados ao trabalho França e Rodrigues (2009 apud CASTRO, 2010) apontam como fatores estressantes: liderança do tipo autoritária, execução de tarefas sob-repressão, carência de autoridade e de orientação, excesso de trabalho e grau de interferência na vida particular do trabalhador. Estes aspectos podem ser observados no indivíduo, nos grupos e nas organizações. No indivíduo reflete na queda da eficiência, nas faltas repetidas, insegurança em relação a decisões, frequentemente irritabilidade, tensão, além de sentimentos de onipotência, desconfianças, frustração e também o agravamento de doenças. Nos Grupos intensifica a competição não saudável, o comportamento hostil com os colegas, discussões desnecessárias, isolamento e pouca contribuição no trabalho. Nas organizações culminam em greves, atrasos, sabotagens, absenteísmo, alta rotatividade, alto nível de doenças, pouco esforço e relacionamento entre os funcionários marcado por rivalidade e desrespeito.

O indivíduo acometido pelo estresse exprime sentimentos negativos como a ineficácia, o sentimento de desvalorização, tudo perde o valor, e isto interfere em seu desempenho profissional, no relacionamento com as pessoas causando graves prejuízos para o indivíduo e para a empresa (FIORELLI, 2006).

4. Sinais e Sintomas do Estresse

As manifestações físicas causadas pelo estresse são várias, podendo o indivíduo estressado apresentar uma ou mais dessas manifestações quando acometido pelo estresse. Os sinais e sintomas que geralmente acometem o indivíduo em nível físico são: a tensão muscular, hipertensão, aperto da mandíbula bem como ranger de dentes, náuseas, mãos e pés frios e taquicardia (SEGANTIN; MAIA, 2007).

Lazarus e Folkman (1999 apud JACQUES; CODO, 2002) definem o estresse psicológico como a relação entre o ambiente e a pessoa, que é medido por esta como prejudicial ao seu bem-estar.

Se tratando do estresse em nível psicológico, Camelo e Angerami (2004 apud SEGANTIN; MAIA, 2007) apontam que diversos sintomas podem ocorrer: sentir-se ansioso, além dos sentimentos de tensão, angústia e insônia. Acoplados a problemas de relacionamento com as pessoas e nas relações interpessoais; além da dificuldade de concentrar-se em outros assuntos que não estejam relacionados ao estressor ou situação estressante, preocupação em excesso, dificuldade de relaxar, raiva e hipersensibilidade emotiva.

Segundo Castro (2010), o estresse é percebido por dois eventos que acontecem em consonância um com o outro, o estímulo externo e a reação física e emocional ao estímulo. Sendo que estes eventos levam ao estresse, podendo causar doenças físicas em todo o corpo. As mais comuns são as alterações cardiovasculares, as hormonais, musculares, pulmonares, entre várias outras. Sendo que quando o estresse é negativo e acumulado ao longo do tempo, ocasiona doenças que podem levar o sujeito a morte.

Não é o estresse que causa as doenças, mas ele favorece o aparecimento de doenças para as quais o indivíduo já tinha propensão ou, ao reduzir a defesa imunológica, abre espaço pode facilitar o aparecimento de doenças, e assim o indivíduo pode ir a óbito. Portanto, estando o indivíduo estressado, este pode desenvolver várias doenças que podem fazer com que este indivíduo chegue a falecer (SEGANTIN; MAIA, 2007).

5. Metodologia

Sujeitos

O lugar escolhido para a realização da pesquisa foi uma Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF), situada no município de Rolim de Moura, estado de Rondônia. Os participantes da pesquisa foram os profissionais que trabalham na UBSF, e a seleção da amostra foi do tipo não probabilístico.

O quadro de funcionários é composto por 13 pessoas, sendo utilizados para a pesquisa onze funcionários, que tem a faixa etária de 29 a 52 anos. Em relação ao nível de escolaridade dos participantes, foi levantado que 1 possui Ensino Médio Incompleto, 6 possuem Ensino Médio Completo, 2 possuem Ensino Superior Incompleto e 2 possuem Ensino Superior Completo, conforme a tabela 1

Tabela 1- Nível de escolaridade dos funcionários da UBSF, Rolim de Moura - RO, 2012.

ESCOLARIDADE

QUANTIDADE

Ensino médio incompleto

01

Ensino médio completo

06

Ensino superior incompleto

02

Ensino superior completo

02

Total

11

Fonte: A autora, (2012).

A UBSF funciona de segunda a sexta-feira, das 07:00 às 13:00 horas. Os funcionários trabalham em média de 30hs semanais. A UBSF conta com variados profissionais, conforme demonstra à tabela I:

Tabela- 2: Funcionários da UBSF, distribuição por cargos, Rolim de Moura – RO, 2012.

FUNÇÃO

HOMEM

MULHER

TOTAL

Recepcionista

01

02

03

Tec. Enfermagem

0

04

04

Enfermeiro

0

01

01

Médico

0

01

01

Diretor

0

01

01

Zelador

0

01

01

Total Funcionários

01

10

11

Fonte: A autora, (2012).

Esses dados foram coletados no mês de Setembro de 2012, sendo assim, neste período havia funcionários que estavam de 1 (um) e meio a 10 (dez) anos trabalhando nesta Unidade de Saúde.

Instrumento

O instrumento de mensuração utilizado para obter os dados da pesquisa foi a Escala de Vulnerabilidade ao Estresse no Trabalho (EVENT). A EVENT tem por objetivo avaliar o quanto as circunstâncias do cotidiano do trabalho influenciam a conduta da pessoa, a ponto de caracterizar certa fragilidade. O instrumento relaciona-se com medidas de estresse, e grupos profissionais podem se diferenciar em relação à intensidade com que percebem sua vulnerabilidade. (SISTO et al., 2007).

Segundo Sisto  et  al.  (2007)  a  EVENT  é  uma  escala  composta  por  40  itens relacionados a situações geradoras de estresse dentro do ambiente de trabalho, em que o

sujeito deve marcar o quanto cada uma delas o incomoda, registrando sua opção na folha de resposta. A correção é realizada pelo total de pontos, através da avaliação quantitativa e qualitativa, atribuindo-se zero (0) ponto às respostas “nunca”; um (1) ponto para “às vezes” e dois (2) pontos para as respostas “frequentemente”. Sendo assim, a escala pode variar de um mínimo de zero (0) pontos a um máximo de oitenta (80) pontos. Sendo que quanto maior o resultado, maior é a vulnerabilidade ao estresse.

A escala EVENT é divida em três fatores. O Fator I – corresponde ao Clima e Funcionamento Organizacional, tem 16 (dezesseis) itens, e está relacionado com o ambiente de trabalho e aspecto da função, como por exemplo, salário, plano de cargo e salário, plano de carreira e relacionamento com a chefia. (SISTO etal., 2007). O Fator II – É composto por 13 (treze) itens, corresponde à Pressão do Trabalho, e nesse fator entra situações como o trabalho que o colega realiza, novas obrigações e falta de solidariedade dos colegas de trabalho. (SISTO etal., 2007). O Fator III – Conta com 11 (onze) itens e corresponde a Infraestrutura e Rotina, ou seja, esse fator é marcado por situações como salários atrasados, licença de saúde dos colegas e si próprio, jornadas duplas de trabalho, problemas com materiais e equipamentos de trabalho.

O instrumento é destinado a pessoas de 17 a 54 anos e pode ser aplicado individual ou coletivamente. Sendo que quando a aplicação for realizada em grupo, deve ter no máximo 60 pessoas e não se deve ultrapassar o tempo de 20 (vinte) minutos. (SISTO et al., 2007).

Este instrumento é uma ferramenta de uso exclusivo do psicólogo, encontra-se favorável para o uso do respectivo profissional, e foi publicado em 2007 pela Vetor.

Método

Foi realizada uma pesquisa de campo e posteriormente os dados foram analisados de acordo com a abordagem quantitativa, de cunho descritivo e exploratório. Para melhor compreensão dos dados foi utilizado o método dedutivo.

Procedimentos

No primeiro momento foi feita uma reunião, onde foram expostos os objetivos e solicitada à diretora da UBSF a autorização para a realização da pesquisa. Em seguida foi solicitada a participação dos funcionários, explicando-lhes a finalidade da pesquisa e

confirmada  à  participação  mediante  a  assinatura  de  um  Termo  de  Consentimento  Pós Informado. A escala foi aplicada individualmente, cada participante recebeu uma folha de resposta, que continha 40 situações de trabalho onde ele assinalava o quanto cada uma delas o incomodava.

Os resultados obtidos foram tabulados utilizando o formulário da EVENT, computando-se os escores de cada participante através da soma de cada fator e posteriormente da soma total. Na análise dos dados, foi utilizada uma amostra de referência do mesmo grau de escolaridade e do cargo que exercia; que avalia o clima e funcionamento organizacional, pressão no trabalho e infraestrutura e rotina; a fim de saber qual a vulnerabilidade ao estresse dentre de cada fator (SISTO et al., 2007).

Os dados obtidos estão expostos em gráficos, para melhor entendimento do leitor, seguido da análise desses dados com base em referencial teórico para comparação entre os resultados, e as medidas numéricas estão expostas em percentual, para que os dados sejam compreendidos com facilidade pelo leitor.

6. Resultados e Discussão

Os resultados da pesquisa de campo demonstram a incidência da vulnerabilidade ao estresse entre os participantes. O resultado geral mostra a ocorrência dessa vulnerabilidade em relação aos níveis da vulnerabilidade ao estresse, sendo que poderia variar de baixa vulnerabilidade até ao estresse. Os gráficos irão apresentar os resultados em porcentagem.

Grafico 1 - Fator 1 Clima e funcionamento organizacional, Rolim de Moura/RO, 2012.

Grafico 1 - Fator 1 Clima e funcionamento organizacional, Rolim de Moura/RO, 2012.

Fonte: A autora, (2012).

O gráfico 1 mostra em porcentagem os resultados do fator 1, relacionado ao clima e funcionamento organizacional, desencadeando a vulnerabilidade ou o estresse nos participantes. Os resultados deste fator apontaram que um (9,09%) dos participantes, apresentou resultado Inferior, demonstrando que não possui nenhuma vulnerabilidade ao estresse. Quatro (36,36%) dos participantes apresentaram resultado Médio Inferior, caracterizando uma baixa vulnerabilidade ao estresse. Três (27,27%) dos participantes apresentaram resultado Superior caracterizando uma alta vulnerabilidade ao estresse. E três (27,27%) dos participantes apresentaram resultado Superior, caracterizando o estresse.

Os dados do Fator I apresentaram analogia com a pesquisa realizada por Oswaldo (2009), onde os resultados deste fator revelaram o número de 10,21 de média (de um total de 108 participantes); onde o resultado apontou a Média Inferior, caracterizando uma baixa vulnerabilidade ao estresse. Sendo assim, os dados desta pesquisa se mostraram semelhantes à pesquisa realizada por Oswaldo, mostrando que a maioria dos participantes (36,36%) da população estudada apresentou uma baixa vulnerabilidade ao estresse. Porém, 27,27% apresentaram uma média superior o que já caracteriza o estresse neste indivíduo. O fator I Clima e Funcionamento Organizacional está relacionado aos aspectos relativos à função da pessoa no local de trabalho, bem como a remuneração, plano de carreira e relacionamento com a chefia. Com base nos resultados para este fator podemos inferir que este fator oferece grau de risco considerável e merece atenção especial e que as relações interpessoais no ambiente de trabalho interferem diretamente na motivação das pessoas, e podem favorecer o seu adoecimento. A presença de vulnerabilidade na variável Clima e Funcionamento Organizacional fornece indicativos de descontentamento com o trabalho dificuldade de relacionamento com colegas e liderança deficitária. (MOLINA; CALVO, 2009).

Gráfico 2 - Fator 2: Pressão no trabalho, Rolim de Moura/RO, 2012.

Gráfico 2 - Fator 2: Pressão no trabalho, Rolim de Moura/RO, 2012.

Fonte: A autora, (2012).

O gráfico 2 mostra os resultados do fator 2, que está relacionado à Pressão no Trabalho. Que é a pressão sofrida pelo indivíduo dentro do seu local de trabalho. Os resultados apontaram que um (9,09%) dos participantes apresentou resultado Inferior caracterizando: nenhuma vulnerabilidade ao estresse. Cinco (45,45%) dos participantes apresentaram Média Inferior, caracterizando-os com uma baixa vulnerabilidade ao estresse. Um (9,09%) dos participantes, apresentou Média Superior indicando que ele está altamente vulnerável ao estresse no trabalho. E quatro (36,36%), apresentaram resultado Superior, indicando estresse nestes participantes.

Em comparação com pesquisa realizada por Oswaldo (2009), os resultados obtidos neste fator “Pressão no Trabalho” apontaram uma diferença. Uma vez que na pesquisa do autor acima citado, esta variável apresentou o maior resultado para a Média Superior, e nesta pesquisa apenas 9,09% dos funcionários obtiveram uma alta vulnerabilidade ao estresse, sendo que o maior resultado revelou que 45,45% dos participantes obtiveram a Média Inferior, que caracteriza uma baixa vulnerabilidade ao estresse. Sendo resultados compatíveis aos resultados obtidos por Molina e Calvo (2009), onde 27% dos participantes também obtiveram a média inferior. Esta variável esta relacionada à pressão que o trabalho exerce sobre o funcionário, bem como a falta de solidariedade dos colegas, o acúmulo de funções e o trabalho que o colega exerce. (SISTO etal., 2007).

Gráfico 3 - Fator 3: Infraestrutura e rotina, Rolim de Moura/ RO, 2012.

Gráfico 3 - Fator 3: Infraestrutura e rotina, Rolim de Moura/ RO, 2012.

Fonte: A autora, (2012).

O gráfico 3 apresenta em porcentagem os resultados obtidos no fator 3, relacionado à infraestrutura e rotina dos participantes. As condições de trabalho, a carga horária, a demanda que atendem que podem agir como influência para desencadear o estresse ou a vulnerabilidade nos participantes.

Neste fator dois participantes (18,18%) apresentaram Média Inferior, caracterizando uma baixa vulnerabilidade ao estresse. Dois (18,18%) apresentaram Média Superior indicando uma alta vulnerabilidade ao estresse. E sete dos onze participantes (63,63%) apresentaram resultado Superior, indicando a presença do estresse, com relação à infraestrutura e rotina do trabalho.

Comparando os resultados deste fator com os resultados obtidos na pesquisa de Oswaldo (2009), percebemos uma diferença significativa nos dados. Na pesquisa do autor citado acima, os participantes obtiveram a Média Inferior que indica nenhuma vulnerabilidade ao estresse. Já nesta pesquisa os resultados apontaram que 63,63% dos participantes obtiveram a Média Superior que indica o estresse nesses funcionários. Resultados alarmantes, que mostram a necessidade de um acompanhamento especial. O fator 3 Pressão no Trabalho diz respeito a situações como salários atrasados, licença de saúde dos colegas e si próprio, jornadas duplas de trabalho, falta de materiais, falha nos equipamentos de trabalho. (SISTO et al., 2007).

Gráfico 4 - Resultado geral dos fatores avaliados pela EVENT, Rolim de Moura/RO, 2012.

Gráfico 4 - Resultado geral dos fatores avaliados pela EVENT, Rolim de Moura/RO, 2012.

Fonte: A autora, (2012).

Com relação ao gráfico 4, apenas um dos onze participantes (9,09%) teve vulnerabilidade Inferior ao estresse, caracterizando nenhuma vulnerabilidade, ou seja, a ausência de estresse. Dois participantes (18,18%) obtiveram resultados Médio Inferior, caracterizando uma baixa vulnerabilidade ao estresse. Três participantes (27,27%) apresentaram resultado Médio Superior, caracterizando uma alta vulnerabilidade ao estresse. E cinco participantes (45,45%) apresentaram resultado Superior, caracterizando o estresse.

Observando os resultados gerais percebemos que 45,45% dos participantes apresentaram uma Média Superior, o que caracteriza a presença do estresse desencadeado por estressores no local de trabalho. Comparando os resultados gerais com os resultados da pesquisa de Molina e Calvo (2009), percebemos que o estresse também esteve presente nos resultados gerais da pesquisa realizada por eles, onde 15% dos participantes também obtiveram Média Superior.

Os resultados das pesquisas revelam a presença de muitos estressores no local de trabalho dos profissionais que trabalham em UBSF, sendo importante salientar que em todos os fatores, os resultados apontaram médias superiores que caracterizam a presença do estresse nestes indivíduos, e ressalta a importância do auxílio de profissional especializado para esses participantes.

7. Considerações Finais

Com a aplicação da EVENT, verificou-se que o fator que teve a maior pontuação, foi o fator 3: Infraestrutura e Rotina. Onde mais da metade dos participantes (63,63%) obtiveram resultados acima da média, totalizando uma pontuação “Superior” caracterizando a presença do estresse.

Os resultados obtidos através da pesquisa mostram-se coerentes quanto às apresentadas pela revisão literária, mostrando que os profissionais da área da saúde são uma classe vulnerável ao estresse. Porém o fator com maior pontuação na escala mostrou-se diferente da realizada por Suehiro etal. (2008), que utilizou a escala no interior de São Paulo, com uma equipe de UBSF e esta revelou que a maior pontuação foi no fator pressão no trabalho, “[...] em relação aos fatores que compõem a escala, Pressão no trabalho (M=0,95; DP=0,45), foi o que apresentou a maior pontuação média e Infraestrutura e Rotina (M=0,46; DP=0,30), a menor.” (SUEHIRO etal., 2008, p. 211).

Através do teste, foram encontradas respostas com resultados altos, a respeito dos fatores que geram vulnerabilidade ao desenvolvimento do estresse no trabalho, sendo possível perceber que os funcionários submetidos à escala apresentaram maior vulnerabilidade no fator “Infraestrutura e Rotina” que totalizou mais de 60% da população pesquisada, apontando que estes funcionários já estão com a presença do estresse e que podem adoecer se não receberem o devido acompanhamento profissional especializado.

Conforme Carvalho e Malagris (2007), o profissional de saúde pública é um exemplo de categoria que parece estar submetida ao estresse, porque além de estar frequentemente atento à sua função frente ao paciente para atendê-lo, depara-se com vários problemas estruturais como falta de infraestrutura e de materiais básicos para o trabalho.

Entretanto é importante salientar as limitações da pesquisa, que além de ter sido realizada em apenas uma UBSF conta com um número pequeno de funcionários e alguns se opuseram em participar dela.

Atualmente o estresse é um dos temas em saúde mental que mais vêm preocupando médicos, psicólogos, administradores, entre outros. Pois além de colocar em risco a saúde do indivíduo, também ocasiona uma grande dificuldade na empresa, em decorrência da irritação com os colegas, do elevado número de atestados e também do aumento do absenteísmo.

No Brasil, pesquisas nesta área ainda são muito escassas; o que dificultou a comparação dos resultados, por ainda não ter muitos artigos publicados com o público pesquisado. Por isso esta pesquisa procurou investigar a vulnerabilidade do estresse no trabalho, visando contribuir não apenas como material de pesquisa, mas também como estímulo para que demais pesquisadores aprofundem o tema.

Sobre o Artigo:

Trabalho apresentado à Faculdade de Rolim de Moura – FAROL, como requisito final de avaliação para conclusão do curso de Graduação em Psicologia, 2012, sob orientação do(a) Professor(a) Especialista Maria Izabel Pereira Carneiro.

Sobre os Autores:

Vanessa Soares da Silva - Especialista em Psicologia do trânsito. Graduada em Psicologia na Faculdade Rolim de Moura. E-mail:Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. .

Maria Isabel Pereira Carneiro - Orientadora - Graduada em Psicologia pela Universidade Vale do Rio Verde UNINCOR (2006), especialização em PSF (Programa Saúde da Família) pela Faculdade Victor Hugo (2007), Especialista em Psicologia do Trânsito, pela Universidade Católica de Brasília, UCB-DF, Brasil (2012); especialização em Psicoterapia Breve pela FUNORTE (Faculdades Unidas do Norte de Minas) Associação Educativa do Brasil - SOEBRAS -2013.

Referências:

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