Estudo Sobre Satisfação no Trabalho com Professores de uma Escola Pública e suas Consequências Físicas, Psicológicas e Profissionais

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Resumo: Embora seja um conceito de difícil definição a satisfação no trabalho pode ser entendida como uma atitude, possuindo assim componentes afetivos, cognitivos e comportamentais. A satisfação é resultado de um conjunto de fatores e tem grande influência no desenvolvimento das atividades do trabalhador dentro e fora do ambiente de trabalho impactando a saúde física e mental. Por meio desse trabalho, buscou-se analisar a satisfação no trabalho dos professores, utilizando o método estudo de caso (quali-quanti) com professores de uma Escola do Ensino Médio no município de Cachoeira-BA, buscou-se também identificar as principais causas da satisfação e insatisfação no trabalho docente e como a (in) satisfação influencia na saúde do mesmo.

Palavras-chaves: satisfação, trabalho, satisfação no trabalho, insatisfação.

1. Introdução

O trabalho, segundo Vaz (1998), corresponde a toda prestação de serviço que tenha valor econômico e que ocupa quase a metade, se não mais que isso, do tempo de vida de uma pessoa. Esse trabalho é marcado pelo sucesso, fracasso, medo, desafio, conflito, tédio, entre outros fatores que levam o indivíduo a amá-lo ou odiá-lo (WHITE, 1992).

Minicucci (2001), afirma que através do trabalho o indivíduo alcança diversas formas de satisfazer suas necessidades, mas ao discutir sobre esse assunto é possível notar que poucas pessoas estão realmente satisfeitas com o trabalho que desempenham. White (1992, p. 14), diz que “os conflitos pessoais, trabalho e ambição excessiva, pressões financeiras, receio de desemprego, tédio, falta de oportunidade e incontáveis outros problemas atormentam sua existência”.

Essa “satisfação” é definida por Oliveira (2009, p. 196), como “um conjunto de sentimentos favoráveis ou desfavoráveis com os quais os empregados veem seu trabalho”. Satisfação do trabalho pode referir-se às atitudes de apenas um empregado, bem como ao nível geral de atitudes dentro de determinado grupo (OLIVEIRA, 2009).

A partir da década de 30 passaram a existir algumas controvérsias entre as definições dadas à satisfação do trabalho pela Psicologia Social e pela Psicologia Organizacional (PEDRO; PEIXOTO, 2006).

Para a Psicologia Social satisfação no trabalho é conceituada como “um conjunto de sentimentos positivos ou negativos que o indivíduo manifesta em relação ao seu trabalho” (SMITH; KENDALL; HULIN, 1969 apud SECO, 2000 apud PEDRO; PEIXOTO, 2006).

No campo da Ciência e da Educação, Bastos (1995 apud PEDRO; PEIXOTO, 2006) defende que a satisfação no trabalho pode ser entendida como “uma cognição, ainda que ornamentada de componentes afetivos, que aparece associada a aspectos como a autoestima, o envolvimento no trabalho e o comprometimento organizacional”.

A satisfação no trabalho, por ser uma parcela da satisfação de vida, também pode influenciar outras áreas da vida dos indivíduos, como por exemplo, a autoconfiança, atitudes em relação à família, etc.. Nota-se também uma relação da satisfação do trabalho com a saúde, tanto física quanto psíquica (OLIVEIRA, 2009).

Chopra (1991, p. 134), diz que “as pessoas vivem melhor se estiverem satisfeitas no trabalho”. Segundo ele, pessoas que não gostam do que fazem, que não estão satisfeitas com seu trabalho, tendem a apresentar sintomas como dor de cabeça, insônia, ansiedade, obesidade, hipertensão, etc.

Por perceber a importância da satisfação no trabalho, vários estudos foram realizados nas últimas décadas sobre o assunto surgindo teorias, fatores que contribuem pra a satisfação ou insatisfação no trabalho e suas consequências.

Assim, por meio desse trabalho, buscou-se analisar a satisfação no trabalho dos professores de uma Escola do Ensino Médio no município de Cachoeira-BA, além de identifica as principais causas da satisfação e insatisfação no trabalho docente e como a (in) satisfação influencia na saúde do mesmo.

2. Marco Teórico

A satisfação no trabalho e a capacidade para o trabalho são de suma importância para quem o desenvolve. Assim, uma maior satisfação no trabalho, sem ansiedade, sem medo, faz com que o trabalhador encontre significado em suas atividades e apresente atitudes positivas frente à vida (MARQUEZE; MORENO, 2009).

Nos últimos 20 anos pesquisadores têm desenvolvido estudos com uma grande diversidade de categorias profissionais, identificando assim o trabalho também como gerador de sofrimento psíquico (GAZZOTTI; CODO, 2002, apud MARQUEZE; MORENO, 2009).

O interesse pelo estudo dos professores e da carreira docente também é um fenômeno recente, sendo que os primeiros estudos acerca da satisfação profissional docente nos remetem para o início dos anos 70, sendo direcionado a partir da década de 80, nas relações estabelecidas entre a satisfação profissional, a qualidade de vida, a saúde mental e o meio familiar (SECO, 2000 apud PEDRO; PEIXOTO, 2006).

Ao investigar as publicações mais recentes, como revistas, livros e jornais, percebe-se que o interesse no estudo do professor e da carreira docente pode ser explicado, segundo Huberman, Thomson e Weiland (1997 apud LÓPEZ, MARTÍNEZ e CARBALHO, 2000), pelo reconhecimento cada vez maior da profissão e pela importância do impacto que a dedicação, a energia e os conhecimentos dos professores têm para o sucesso das instituições de educação.

 A Satisfação profissional dos professores, segundo Cordeiro-Alves (1994 apud PEDRO; PEIXOTO, 2006), é um sentimento e forma de estar positivos dos docentes diante da profissão, que surgem a partir de fatores contextuais e/ou pessoais e que são externados pela dedicação e até mesmo pela felicidade.

A relevância e o interesse acerca da satisfação no trabalho surgem pelo fato desta estar associada a variáveis importantes como o bem-estar mental, a motivação, o envolvimento,o desenvolvimento, o empenho, o sucesso e a realização profissional dos sujeitos (PEDRO; PEIXOTO, 2006).

Esteve (1992 apud PEDRO; PEIXOTO, 2006), define o mal-estar docente “como o conjunto de efeitos permanentes de caráter negativo que vão afetando a personalidade dos professores em virtude das condições psicossociais em que estes exercem a sua profissão.” O mesmo autor alerta que as várias consequências que o mal-estar docente pode trazer aos professores, não estão apenas no âmbito de sua prática educativa, mas atinge também sua saúde.

Essas consequências podem exercer forte influência para pedido de transferência, desinvestimento no trabalho, desejo de abandono, faltas, esgotamento, estresse, ansiedade permanente e autodesvalorização (ESTEVE, 1992 apud PEDRO; PEIXOTO, 2006). Cordeiro-Alves (1994, apud PEDRO; PEIXOTO 2006), acrescenta a essa lista o aumento dos pedidos de aposentadoria, a solicitação por trabalho de meio período, o abandono da profissão, as doenças psicossomáticas, a inibição do professor frente ao trabalho e o desenvolvimento de um estilo mais rígido e conservador.

A partir do que foi exposto será analisado brevemente alguns conceitos, que propõe três grupos de aspectos que influenciam na satisfação no trabalho: diferenças de personalidade, diferenças no trabalho e diferenças nos valores atribuídos ao trabalho (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

As características de personalidade que mais têm sido apontadas como de poder influente sobre a satisfação no trabalho são o locus de controle, quando indivíduo acredita que os resultados são determinados por esforços e habilidades pessoais mais do que por eventos externos, como sorte e oportunidades. O comportamento do tipo A caracterizado por impaciência, hostilidade, irritabilidade, envolvimento como o trabalho, competitividade e esforço para realizações (PARKES, 1994 apud MARTINEZ; PARAGUAY, 2003) e a capacidade de enfrentamento ou coping que se refere aos esforços, incluindo estratégias defensivas, direcionados para lidar com as demandas ambientais e internas do indivíduo e com os conflitos (COHEN, 1987 apud MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

Segundo a teoria de Locke podemos identificar os fatores causais da satisfação no trabalho relacionados ao ambiente de trabalho como eventos e condições, e agentes.

Eventos e condições:trabalho, que seja pessoalmente interessante e significativo; pagamento, que compreende a igualdade, em comparação ao que outros estão recebendo, se é suficiente para suas despesas; promoção, inclui oportunidades, justiça e clareza no sistema de promoções; reconhecimento, receber créditos pelas realizações e condições; e ambiente de trabalho, englobam recursos disponíveis para realização do trabalho (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

Agentes:colegas e subordinados, onde envolve relações de confiança, competência, colaboração e amizade; supervisão e gerenciamento, empregados esperam que seus supervisores sejam atenciosos; empresa/organização, como as empresas demonstram respeito (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

O valor dado ao trabalho é compatível com valores pessoais. Para alguns é uma parte muito importante e para outros é apenas um aspecto que lhe permite suprir necessidades (CAVANAGH, 1992 apud MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

Confirmando as citações acima, Esteve (1999 apud MARQUEZE e MORENO 2009), sugere que os principais fatores contribuintes para insatisfação no trabalho são a falta de recursos, os problemas nas condições de trabalho, violência nas instituições e a acumulação de exigências sobre o professor. Pode-se citar também Lourtie (1975 apud LÓPEZ; MARTÍNEZ e CARBALHO 2000), que considera o fator relacional como uma das razões que mais contribuem para a satisfação profissional dos professores e essas razões estão associadas ao relacionamento com os alunos. “Esta relação é grandemente influenciada pelo comportamento dos alunos” (DUNHAM, 1981 apud LÓPEZ; MARTÍNEZ e CARBALHO, 2000).

Essa relação professor-aluno, segundo Gazzotti e Codo (2002 apud MARQUEZE; MORENO 2009), pode causar sofrimento psicológico tanto por não darem atenção a seus alunos quanto por dar-se atenção demasiada, o que por vezes é sentido como culpa.

Alguns autores trazem uma breve revisão sobre as teorias da satisfação do trabalho e serão destacados aspectos de algumas dessas teorias.

Maslow baseou sua teoria da motivação humana na hierarquia das necessidades humanas básicas que parte do princípio de que todo ser humano tem necessidades comuns que motivam seu comportamento no sentido de satisfazê-las. Nessa teoria Maslow classifica, hierarquicamente, as necessidades em cinco níveis: 1- necessidades básicas ou fisiológicas - aquelas que estão diretamente relacionadas à existência e a sobrevivência do ser humano, elas são primordiais, se referem às necessidades biológicas do indivíduo; 2- necessidades de segurança - são as necessidades ligadas à proteção individual contra perigos e ameaças; 3- necessidades sociais – tem haver com vida em sociedade, incluindo necessidades de convívio, amizade, respeito amor, lazer e participação. São as necessidades de convívio social referindo as necessidades de afeto das pessoas; 4- necessidades do ego (estima): tem relação com a autosatisfação, são as necessidades de independência, apreciação, dignidade, reconhecimento, igualdade subjetiva, respeito e oportunidades; 5- necessidades de autorrealização - expressam o mais alto nível das necessidades estando diretamente relacionadas à realização integral do indivíduo. Neste grupo estão as necessidades de utilização plena das potencialidades, de capacidade e da existência de ideologias. São necessidades de crescimento revelando uma tendência de todo ser humano para realizar plenamente o seu potencial. Essa tendência pode ser expressa como o desejo de a pessoa tornar-se sempre mais do que é e de vir a ser tudo o que pode ser (REGIS; PORTO, 2006).

De acordo com esta teoria, pode-se entender que o trabalho tem papel importante para os indivíduos na medida em que os aspectos psicossociais do trabalho favoreçam ou dificultem a satisfação das necessidades humanas (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

Herzberg estrutura a teoria da motivação higiene. Os fatores de higiene quando levados em consideração fazem desaparecer a insatisfação, porém não promovem satisfação. Estão ligados aos dois primeiros níveis da pirâmide de Maslow. Os fatores motivadores quando não são levados em consideração não provocam insatisfação, mas quando estão presentes promovem a satisfação. Estão intimamente ligados às possibilidades de carreira, reconhecimento, realização pessoal e ao próprio conteúdo do trabalho (TERROSO, 2006).

De acordo com esta teoria, os fatores que levam a satisfação no trabalho, os fatores higiênicos, estão relacionados às condições que rodeiam o empregado: são as condições físicas no trabalho, salário, benefícios, segurança no trabalho, dentre outros. Herzberg colocou que a satisfação no trabalho garante uma maior estabilidade na organização, ajuda a diminuir a rotatividade e atua na manutenção de uma produtividade estável, porém baixa, além de permitir criar atitudes positivas para o desenvolvimento da motivação; no trabalho por sua vez, a motivação faz com que o indivíduo torne-se mais responsável com seu trabalho repercutindo consequentemente em um aumento da produtividade e da qualidade do trabalho. A satisfação seria determinada por fatores motivadores, aqueles que se referem à tarefa e a sua execução, como a liberdade de criar, de inovar, de procurar formas próprias e únicas de atingir os resultados de uma tarefa, envolvem ainda sentimentos de crescimento individual ou até mesmo de reconhecimento profissional. São fatores que estão focalizados na autorrealização do indivíduo (BEZERRA et al., 2009)

A teoria da satisfação no trabalho proposta por Locke (a Teoria do Estabelecimento de Metas), tem seu fundamento na relação de certos fatores determinantes do comportamento humano, como os valores, que se referem à importância que a pessoa atribui aos objetivo que deseja alcançar, e as metas, que são os objetivos desejados. Tais fatores dão impulso ao comportamento dirigido para determinadas metas almejadas; estas, por sua vez, são indutoras do processo, cuja última etapa se constitui em fator reforçador e em feedback para seu reinício (RAMOS, 1990).

“O trabalho não seria uma entidade, mas uma interação complexa de tarefas, papéis, responsabilidades, relações, incentivos e recompensas em determinado contexto físico e social” (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003), assim, o fenômeno da satisfação no trabalho não pode ser entendido como o resultado de um único fator, mas sim da interligação de diversos fatores (ALVES,1997 apud LÓPEZ; MARTÍNEZ; CARBALHO, 2000).

A satisfação no trabalho se manifesta sobre a saúde, qualidade de vida e até mesmo sobre o comportamento do indivíduo, com consequências para os mesmos e para as instituições (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

A saúde do trabalhador vem sendo associada à satisfação no trabalho, onde indivíduos mais satisfeitos com seu trabalho apresentam melhor qualidade de saúde e menor índice de aparecimento de doenças, tanto físicas quanto mentais (LOCKE, 1976; ROCHA, 1996; ZALEWSKA, 1999A, 1999B apud MARTINEZ; PARAGUAY, 2003). Também tem sido associada à longevidade (FRASER, 1983; LOCKE, 1976; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999 apud MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

Pelo fato do trabalho representar uma parte significativa da vida do indivíduo, a satisfação no trabalho tem grande influencia sobre a satisfação com a vida. Assim, emoções do trabalho também podem afetar, especificamente, as relações sócio familiares (LOCKE, 1976). Segundo Zalewska (1999a, 1999b) “a satisfação global no trabalho é um dos principais componentes da satisfação geral com a vida, ou de uma avaliação de bem-estar subjetivo” (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

O comportamento também acaba sendo afetado pelo nível de satisfação no trabalho. Queda da produtividade, greves, acidentes de trabalho, dependência de álcool ou drogas podem ser consequência da insatisfação profissional (LOCKE, 1976; PÉREZ-RAMOS, 1980; ZALEWSKA, 1999A, 1999B apud MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

3. Método

A pesquisa foi fundamentada no método quali-quanti.

3.1 Participantes

A amostra foi composta por 32 professores do município de Cachoeira, 27 responderam ao questionário que equivale aos dados quantitativos e 5 foram entrevistados para coleta de dados qualitativos.

3.2 Instrumentos

Foi utilizado um questionário auto aplicável com escala Likert 5 composto por 40 itens relacionados a satisfação no trabalho e foi realizada uma entrevista estruturada com 12 itens.

3.3 Procedimentos de Coleta de Dados

Os participantes foram abordados na sala dos professores durante o período do intervalo (em Cachoeira). Foi solicitado a 27 professores que respondessem ao questionário de uma pesquisa, cujos objetivos estavam explicados na folha de rosto. Foram dadas informações adicionas quando solicitadas. As entrevistas foram realizadas individualmente e gravadas sendo transcritas na íntegra posteriormente.

3.4 Procedimento de Análise de Dados

Os dados quantitativos foram analisados pelo programa SPSS 18 onde foram encontrados 4 fatores. O primeiro corresponde a benefícios, o segundo ao ambiente externo e segurança, o terceiro a higienização e o quarto a relacionamento interpessoal. Foram tiradas as médias e desvio padrão de cada fator considerado como causador da satisfação no trabalho. Os dados qualitativos passaram pela análise de conteúdo de Bardin. Foram encontradas 4 categorias : Cat. 1 Satisfação com as subcategorias – realização pessoal, reconhecimento e evolução dos alunos; Cat. 2 Insatisfação com as subcategorias – desinteresse dos alunos e desvalorização; Cat. 3 Trabalho e saúde com a subcategoria – desgaste mental no trabalho e a Cat. 4: Relações interpessoais no trabalho com as subcategorias – relações com pares, relações com a direção e relação com os alunos.

4. Resultados

4.1 Quantitativos

Benefícios

Ambiente Externo e Segurança

Higienização

Relações Interpessoais

Os benefícios que recebo me ajudam a economizar a renda salarial

Percebo higienização dos corredores.

A temperatura do ambiente é adequada para a realização do trabalho.

Tenho contatos cordiais com meus colegas.

Os benefícios que recebo ajudam a suprir as necessidades de tratamento de saúde pessoal

Os ruídos externos a sala de aula são controlados.

A luminosidade do ambiente é adequada.

Consigo construir amizades com outros professores.

Os benefícios que recebo ajudam a suprir as necessidades de tratamento de saúde para a família.

Há uma quantidade satisfatória de monitores para garantir segurança.

Percebo a higienização nos banheiros.

Tenho liberdade para opinar sobre as decisões da instituição.

Os benefícios que recebo contempla toda a demanda de locomoção necessário para ir e voltar do trabalho.

O sistema de controle de entrada e saída de visitantes é satisfatória.

Percebo a higienização das salas.

Tenho acessibilidade a chefia.

Os benefícios que recebo são suficientes para realizar as refeições satisfatoriamente.

Percebo que a localidade onde a instituição esta, garante um perímetro de segurança.

Percebo a higienização dos corredores.

 

Tabela 1. Fatores e seus respectivos itens

Variáveis

N

Média

Desvio Padrão

Benefícios

27

2,80

2,35

Ambiente Externo e Segurança

27

2,80

0,80

Higienização

27

3,21

0,90

Social

27

4,29

0,61

Global

27

3,21

0,91

Tabela 2. Análise geral dos fatores.

Ao fazer a análise os dados quantitativos foram encontrados 4 fatores que podem ser visualizados na tabela 1. O primeiro corresponde a benefícios, o segundo ao ambiente externo e segurança, o terceiro a higienização e o quarto a relacionamento interpessoal. Após tirar a média o fator identificado como mais influente para a satisfação no trabalho dos professores foi o fator social com média = 4,29. E no fator geral a média foi igual a 3,21, ou seja, permaneceram neutros não mostrando nem satisfação nem insatisfação, esses dados são mostrados na tabela 2.

4.2 Qualitativos

Os dados fornecidos pelas entrevistas foram submetidos à técnica de Análise de Conteúdo de Bardin com modificações propostas por Minayo (2007). A aplicação desta técnica consistiu em operacionalizar as falas agrupando-as em categorias com vistas à classificação dos elementos constitutivos de um conjunto, por distinção, e posteriormente agrupando-os por afinidade, convergências e aproximações. Após transcrição foi realizada uma leitura minuciosa e atenta do material coletado nas entrevistas e em seguida efetuado o recorte dos conteúdos, em função de suas significações, os quais se constituíram em unidades de análise sugerindo as seguintes categorias e subcategorias:

Quadro 01: Distribuição das categorias e subcategorias

CATEGORIAS

SUBCATEGORIAS

CATEGORIA I

Satisfação

  • Realização pessoal
  • Reconhecimento
  • Evolução dos alunos

CATEGORIA II

Insatisfação

  • Desinteresse dos alunos
  • Desvalorização

CATEGORIA III

Trabalho e saúde

  • Desgaste mental no trabalho

CATEGORIA IV

Relações Interpessoais no Trabalho

  • Relações com os pares
  • Relações com a direção
  • Relações com os alunos

5. Análise e Discussão dos Resultados

5.1 Análise e Discussão dos Questionários

Percebe-se a relação dos resultados encontrados com a teoria da motivação de Herzberg. Segundo a teoria da higienização, quando os fatores de higiene são levados em consideração fazem desaparecer a insatisfação, porém não promovem satisfação. Os fatores higiênicos estão relacionados às condições que rodeiam o empregado: são as condições físicas no trabalho, salário, benefícios, segurança no trabalho, dentre outros (TERROSO, 2006)

5.2 Análise e Discussão das Entrevistas

A primeira categoria apreendida a partir das falas das participantes da pesquisa, está relacionada ao que traz “satisfação no trabalho” a qual se subdividiu em três subcategorias distribuídas a seguir com a ilustração de suas unidades de análise e ladeadas pela frequência de verbalizações.

Quadro 02 - Distribuição das subcategorias e unidades de análise da  Categoria I

SUBCATEGORIAS

UNIDADES DE ANÁLISE

F

Realização pessoal

Profº 1 – “sempre gostei de lecionar, então quando se faz aquilo que você gosta acaba tendo satisfação”.

Profº 2 – “... quanto eu tô dando aula pra mim é um momento muito importante pra minha vida né, então me dá uma satisfação muito grande em estar ensinando... porque eu amo o que eu faço...”

Profº 5 – “O que eu faço, faço por amor, e se não fosse por isso agente desiste...”

3

Reconhecimento

Profº 2 – “... a questão da valorização, o profissional ser valorizado por aquilo que ele esta apresentando... o reconhecimento desse trabalho...”

Profº 3 - “... satisfação é quando agente vê um aluno reconhecer...”

Profº 4 – “... é gostoso poder entrar no banco e as pessoas gritar professor! professor!”

3

Evolução dos alunos

Profº 2- “.. .me traz satisfação em saber que eu posso estar contribuindo um pouco na vida dos alunos né, na transformação deles no que eles podem fazer na sociedade e inclusive também ajudar no crescimentos deles como pessoa, também profissionalmente...”

Profº 3 – “... quando agente vê um aluno sair do ensino médio e procurar né passar no vestibular, continuar estudando ou até dentro da própria sala de aula traçar objetivos metas pro futuro com relação a educação, com relação ao aprendizado...”

Profº 4 – “... trabalho para fazer com que outras pessoas cresçam como eu cresci... Olha é ver os alunos mais tarde a gente pode entrar no hospital e poder ver o aluno um medico que passou pelas minhas mãos, né? ”

Profº 5 – “A maior satisfação do professor é saber que ele vai fazer parte da história de alguém, porque por mais que a gente esteja de passagem é amanhã ou depois a gente vai ser atendida por pessoas que passaram pela gente...”

4

Verificou-se na subcategoria “Realização pessoal” que muitas narrativas mostram que o principal fator causador da satisfação é o de trabalhar por amor, por vocação e por fazer o que gostam fazer. Como disse o Profº 1 – “sempre gostei de lecionar, então quando se faz aquilo que você gosta acaba tendo satisfação”.

Segundo Souza, 1996, a vocação é um atributo para a permanência no magistério. Em estudos realizados por esta autora, os professores demonstram grande orgulho por gostarem da profissão. Sentem prazer no trabalho, sendo este o responsável pela permanência na profissão. Sem este “gosto” o trabalho docente seria insuportável. Pode-se confirmar o que foi colocado acima na fala do Profº 2 – “... quanto eu tô dando aula pra mim é um momento muito importante pra minha vida né, então me dá uma satisfação muito grande em estar ensinando... porque eu amo o que eu faço...” e pela fala do Profº 5 – “O que eu faço, faço por amor, e se não fosse por isso agente desiste...”.

Ainda segundo Souza (1996), na realização do trabalho docente é necessária essa “virtude” que é a fonte da satisfação pessoal.

Na subcategoria “Reconhecimento” as entrevistas mostram a necessidade que o profissional tem de ser reconhecido. É relatada a alegria que é sentida quando são reconhecidos e respeitados principalmente pelos alunos. Dos cinco educadores entrevistados três apontam esse fator como de importância pra sua satisfação profissional. Como diz o Profº 4 – “... é gostoso poder entrar no banco e as pessoas gritar professor! professor!”

Segundo Mendes (2007), em troca do empenho no trabalho, os trabalhadores buscam e esperam gratidão e reconhecimento do que fazem. Como visto no relato do Prof 2 “... a questão da valorização, o profissional ser valorizado por aquilo que ele esta apresentando... o reconhecimento desse trabalho...”

O prestígio, a reputação, o reconhecimento, a realização e o desenvolvimento pessoal e profissional, a necessidade de crescimento, são fundamentais para maioria dos teóricos da motivação e da satisfação profissional. (RUIVO et al, 2008)

A subcategoria “Evolução dos alunos” também se mostra influente na satisfação dos professores. As entrevistas expressam a felicidade por perceber o resultado do seu trabalho. Sentem orgulho quando os alunos conseguem entender os assuntos, passar no vestibular, conquistar uma carreira profissional.

Segundo a teoria de Locke podemos identificar como fatores causais da satisfação no trabalho o pagamento, que compreende a igualdade, em comparação ao que outros estão recebendo, se é suficiente para suas despesas e o reconhecimento, receber créditos pelas realizações (MARTINEZ; PARAGUAY, 2003).

A subcategoria “Evolução dos alunos” foi colocada como um dos fatores que muito influencia na satisfação do professor. Como foi dito pelo Prof 4. “... trabalho para fazer com que outras pessoas cresçam como eu cresci... Olha é ver os alunos mais tarde a gente pode entrar no hospital e poder ver o aluno um medico que passou pelas minhas mãos...” ou ainda na fala do Profº 2- “... me traz satisfação em saber que eu posso estar contribuindo um pouco na vida dos alunos né, na transformação deles no que eles podem fazer na sociedade e inclusive também ajudar no crescimentos deles como pessoa, também profissionalmente...”

Para Ramos (2008), o desenvolvimento acadêmico dos alunos pode constituir uma importante fonte de motivação para o professor. Expectativas em torno dos alunos, em relação a objetivos a atingir fazem parte da relação. É no êxito de seus alunos que o professor encontra compensação e mesmo a justificação do seu trabalho, traduzidas num natural júbilo e satisfação. Essa declaração pode ser percebida na fala do Profº 3 – “... quando agente vê um aluno sair do ensino médio e procurar né passar no vestibular, continuar estudando ou até dentro da própria sala de aula traçar objetivos metas pro futuro com relação a educação, com relação ao aprendizado...”

O sucesso ou insucesso dos alunos constituem importantes fatores de motivação do trabalho docente e estão permanentemente no cerne das preocupações do professor, são geradores de satisfação ou insatisfação (GORTON, 1982; FRIESEN et al., 1984; DUNHAM, 1984).

A segunda categoria apreendida a partir das falas das participantes da pesquisa, está relacionada ao que traz “insatisfação no trabalho” a qual se subdividiu em duas subcategorias distribuídas a seguir com a ilustração de suas unidades de análise e ladeadas pela frequência de verbalizações.

Quadro 03 - Distribuição das subcategorias e unidades de análise da Categoria II

SUBCATEGORIAS

UNIDADES DE ANÁLISE

F

Desinteresse dos alunos

Profº 2 – “As vezes dá um pouco de tristeza saber que alguns não estão ouvindo o que você esta falando...”

Profº 3 – “Primeiro é essa falta de estimulo dos alunos que acaba desmotivando... infelizmente são pouquíssimos que vêm pra aqui querendo, alguma coisa querendo realmente estudar... vem a escola por vir é a questão da cultura, tem que ir a escola e acabou e isso acaba tornando o trabalho da gente desmotivado...”

2

Desvalorização

Profº 1 – “... a questão salarial também interfere muito.”

Profº 2 – “... a desvalorização que infelizmente nós temos na área de educação...”

Profº 3 – “o trabalho da gente desmotivado, sem contar a questão salarial que hoje é a pior parte, os salários baixíssimos essa falta de valor da educação em qualquer lugar que você chegue se você diz que é professor eu já ouvi varias vezes “sofredora”...”

Profº 5 – “... por conta do salário baixo...”

4

Na subcategoria “Desinteresse dos alunos” as entrevistas trazem relatos de que a maioria dos alunos vão à escola por obrigação e por isso não se interessam pelas atividades acadêmicas, não prestam atenção nas aulas, não realizam as atividades e assim não evoluem, isso desmotiva o profissional deixando-o frustrado como disse o Profº 3 – “Primeiro é essa falta de estímulo dos alunos que acaba desmotivando... infelizmente são pouquíssimos que vêm pra aqui querendo, alguma coisa querendo realmente estudar... vem a escola por vir é a questão da cultura, tem que ir a escola e acabou e isso acaba tornando o trabalho da gente desmotivado...”

Segundo Ramos, o fracasso ou o insucesso do aluno são causas das preocupações profissionais, acompanhadas de desilusão e de grande insatisfação.

A subcategoria “desvalorização do professor” mostra que embora seja uma das profissões mais importantes, é uma das mais desvalorizadas. É relatado que essa desvalorização talvez seja a causadora de vários outros problemas relacionados à profissão e a educação. A falta de estrutura e suporte para os professores, os salários baixíssimos levando-os a acumularem carga-horária para conseguir manter um bom nível de vida.

A profissão docente ocupou o seu espaço, porém a desvalorização tem ocorrido no meio social porque a maioria dos indivíduos vê a profissão do professor de forma preconceituosa, até mesmo pela forma como a profissão é constituída, por não ter propriedades específicas, como código de ética ou associação profissional. Essa declaração pode ser vista na fala do Profº 2 – “... a desvalorização que infelizmente nós temos na área de educação...”

 Isto favoreceu para o declínio da qualidade da docência, com relação às outras profissões. Essa desvalorização profissional tem causado a desmotivação para os que atuam nesta profissão. Outro fator percebido que influencia na desvalorização do profissional é a baixa remuneração (MORAIS et al, 2011)

Segundo Morais et al (2011), muitas vezes o professor sente-se insatisfeito por não ter uma remuneração compatível, o que acaba gerando uma revolta e descomprometimento com a profissão.   Isso pode ser visto na declaração do Profº 3 – “o trabalho da gente desmotivado, sem contar a questão salarial que hoje é a pior parte, os salários baixíssimos essa falta de valor da educação em qualquer lugar que você chegue se você diz que é professor eu já ouvi varias vezes “sofredora”...”

A terceira categoria, apreendida a partir das falas das participantes da pesquisa é “Trabalho e Saúde” a qual se subdividiu em apenas uma subcategoria, apresentada a abaixo.

Quadro 03 - Distribuição das subcategorias e unidades de análise da Categoria III

SUBCATEGORIAS

UNIDADES DE ANÁLISE

F

Desgaste mental do trabalho

Profº 1 – “... a gente fica muito tenso, muito irritado os problemas tendem a aparecer...”

Profº 2 – “... é mais a questão da ansiedade né...”

Profº 3 – “... com a carga de estresse muito grande...”

Profº 4 – “...a gente fica muito preocupado com o aluno e as vezes isso leva a uma coisinha chamada estresse né...”

Profº 5 – “...O estresse, acima de tudo o estresse...”

5

Na subcategoria “Desgaste mental do trabalho” verificou-se que o estresse e a tensão aparecem na maioria dos relatos como os principais fatores que causam impacto à saúde do professor, sendo esses os causadores de outros problemas de saúde. Como relatado pelo Profº 1 – “... a gente fica muito tenso, muito irritado e os problemas tendem a aparecer...”

De acordo com King (2002), as profissões de natureza empática, que exigem um contato prolongado com as pessoas, são mais estressantes que outras.  De acordo com especialistas os profissionais que lidam diretamente com o ser humano são naturalmente mais estressados. 

O trabalho do professor se enquadra perfeitamente neste modelo. O trabalho diário com os alunos, relacionamento com colegas, chefia e funcionários, além do atendimento aos pais.  Assim o professor acaba sendo o receptor de situações que às vezes fogem do seu controle por despreparo (PINOTTI, 2005/2006 apud KING, 2002). Podemos perceber essa questão de ter que lidar com os alunos na fala do Profº 4 – “...a gente fica muito preocupado com o aluno e as vezes isso leva a uma coisinha chamada estresse né...”

O estresse provoca o desgaste do organismo, que é causado pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa é forçada a enfrentar uma situação que a irrite, amedronte, etc. qualquer situação que desperte uma forte emoção (OSWALDO, 2012).

A quarta e última categoria, apreendida a partir das falas das participantes da pesquisa, está relacionada às “relações interpessoais” a qual se subdividiu em três subcategorias, distribuídas, a seguir, com a ilustração de suas unidades de análise e ladeadas pela frequência de verbalizações.

Quadro 04 - Distribuição das subcategorias e unidades de análise da Categoria IV

SUBCATEGORIAS

UNIDADES DE ANÁLISE

F

Relações com pares

Profº 1 - “... a relação com os colegas com a direção com os funcionários, tudo, toda a unidade escolar interfere bastante...”

Profº 3 – “...Há essa relação aqui dentro é boa e tem influenciado de forma positiva...”

Profº 4 – “...mas como aqui há um companheirismo muito grande e isso as vezes, as vezes não com certeza isso não traz insatisfação... traz muita satisfação pra nós no trabalho certo...”

3

Relações com a direção

Profº 1 – “...acho que interfere muito porque...não é só trabalho os outros aspectos também lhe deixa satisfeito, um deles é você ser tratado com carinho, ser tratado com atenção...”

Profº 2 – “...saber que agente esta trabalhando lá na sala de aula mas a qualquer momento que agente precisar da direção, a direção esta pronto pra nos acolher, nos ajudar aqui, então isso com certeza traz pra gente essa certa tranquilidade e segurança...”

Profº 3 – “Porque existe uma parceria né, da direção com os nossos trabalhos... existe sim uma satisfação pela questão de haver essa parceria de trabalhar junto de tá tendo o apoio o respaldo naquilo que agente necessita da direção.

Profº 4 – “...falar agora dessa direção a gente já tá trabalhando com mais liberdade, com mas autonomia, mais dialogo, um bom senso então isso nos traz muita satisfação...”

Profº 5 – “.. aqui pelo menos agente passa por esse processo é administração democrática eu vejo que todos os profissionais aqui tem um tratamento igualitário agente tem o poder de dizer o que pensa  né são analisados é... o diretor ele tem essa...esse lado dele que abre  muitas perspectivas.”

5

Relações com os Alunos

Profº 1 - “Eu acho que é complicado é até insuportável você está dentro de uma sala de aula onde você percebe que um aluno... não gosta de você, é, não se dá bem com você, não tem um bom relacionamento com você, pra mim isso é terrível...”

Profº 3 – “... tem um laço de amizade entre, eles e eu... acho que o que ainda me segura em sala de aula é esse relacionamento bom relacionamento tanto aqui dentro da escola quanto fora...”

2

Na subcategoria “relação com pares” as entrevistas demonstraram a importância de ter boa convivência com os demais professores e em estar num ambiente agradável, como é relatado pelo Profº1 “... a relação com os colegas, com a direção, com os funcionários, tudo, toda a unidade escolar interfere bastante...”

A relação com os colegas e subordinados, envolvendo questões como confiança, competência, colaboração e amizade são também fatores causadores da satisfação o trabalho (MARTINEZ E PARAGUAY, 2003 apud LOCKE).

Os professores, sentindo-se bem no ambiente de trabalho, estão propícios a obterem níveis mais elevados de satisfação no desempenho das suas funções (realização pessoal e profissional), minimizando, consequentemente, os aspectos de insatisfação profissional (LOUREIRO, 1997).

Como realçam Rodrígues et al. (2005), estes níveis de satisfação são fatores determinantes na qualidade do desempenho docente no campo educativo, tornando-se necessários diagnósticos que busquem conhecer o tipo de incentivo que orienta a atuação do professor.

A subcategoria “relação com a direção” traz também a importância de ser respeitado, ouvido, valorizado e ter liberdade de se dirigir à direção da instituição.

Existe grande relevância na relação amigável e comprometida entre os professores e o gestor escolar, levando em consideração que uma boa parte da satisfação do professor provém justamente dessa influência positiva que uma direção democrática exerce sobre os profissionais que lá trabalham. Como foi dito pelo Profº1 “...acho que interfere muito porque...não é só trabalho os outros aspectos também lhe deixa satisfeito, um deles é você ser tratado com carinho, ser tratado com atenção...”

De acordo com Oliveira (2009) “a liderança é uma habilidade que pode ser desenvolvida e exercida a cada dia” e “o gestor escolar deve agir como líder, pensando no progresso de todos que fazem parte de sua equipe”. Desta forma, entende ainda que “o gestor deve ser democrático, opinar e propor medidas que visem o aprimoramento dos trabalhos escolares, o sucesso de sua instituição, além de exercer sua liderança administrativa e pedagógica, visando a valorização e desenvolvimento de todos na escola”.

Ao analisar as falas dos professores foi notória a importância do trabalho em equipe, tendo apoio e respeito por parte da direção, esses fatores contribuem para que o professor trabalhe com mais segurança, como relatou o Profº 2“... saber que agente esta trabalhando lá na sala de aula, mas a qualquer momento que agente precisar da direção, a direção esta pronto pra nos acolher, nos ajudar aqui, então isso com certeza traz pra gente essa certa tranquilidade e segurança...”

A terceira subcategoria “Relações com os alunos” foi colocada como fator fundamental para um bom desempenho do professor bem como do aluno.

Segundo Morales (1999), o modo como se dá a relação do professor com o aluno influencia positiva ou negativamente o aprendizado dos mesmos e a própria satisfação pessoal e profissional. E diz ainda que a relação do professor com seus alunos pode ser determinante para que o educador consiga seu objetivo profissional.

Quando consegue manter boa relação com seus alunos, o professor pode tornar-se mais feliz, mais realizado como pessoa e como profissional (RUIVO et al, 2008). Como disse o Profº 1 “Eu acho que é complicado é até insuportável você está dentro de uma sala de aula onde você percebe que um aluno... não gosta de você, é, não se dá bem com você, não tem um bom relacionamento com você, pra mim isso é terrível...

Pode-se citar também Lourtie (1975 apud MARTÍNEZ e CARBALHO 2000), que considera o fator relacional como uma das razões que mais contribuem para a satisfação profissional dos professores e essas razões estão associadas ao relacionamento com os alunos.

Segundo Vila (1988), podemos afirmar que as relações com os alunos representam um dos aspectos da profissão docente que maior satisfação pode dar aos professores, mas, por sua vez, constituem uma das mais importantes fontes de insatisfação.

6. Considerações Finais

A partir dos resultados encontrados verificou-se que o principal fator responsável pela satisfação no trabalho é o fator social. As relações interpessoais são consideradas como fundamentais para um bom desenvolvimento do trabalho e para a satisfação desses profissionais.

A partir dos dados quantitativos os participantes mostraram-se neutros quanto à satisfação ou insatisfação com o trabalho, no entanto, analisando os dados qualitativos, o fator “desvalorização” do professor, assim como em vários outros trabalhos, mostrou-se como principal causa da insatisfação docente.

Este trabalho proporcionou a aquisição de informações relevantes sobre a satisfação dos professores com relação ao trabalho, obtendo resultados semelhantes ao de estudos realizados anteriormente. Pode-se identificar os principais fatores que exercem influência sobre a (in) satisfação, atingindo o objetivo proposto.

Notou-se deficiência no aporte teórico ficando como sugestão, maior aprofundamento do mesmo em trabalhos posteriores bem como maior amostra.

Sobre os Autores:

Ana Carolina Cutrim é aluna do curso de Psicologia da Faculdade Adventista da Bahia.

Caroline dos Ishigaki é aluna do curso de Psicologia da Faculdade Adventista da Bahia.

Jéssica da Silva Aires é aluna do curso de Psicologia da Faculdade Adventista da Bahia.

Margarete Knupp Araújo é aluna do curso de Psicologia da Faculdade Adventista da Bahia.

Noemi Ribeiro dos Santos Lopes é aluna do curso de Psicologia da Faculdade Adventista da Bahia.

Ravena Oliveira Araújo é aluna do curso de Psicologia da Faculdade Adventista da Bahia.

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