Fatores Desencadeantes do Estresse em Funcionários do Setor Administrativo

Fatores Desencadeantes do Estresse em Funcionários do Setor Administrativo
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Resumo: O estresse organizacional gera efeitos negativos dentro do ambiente de trabalho causando danos e prejuízos para os próprios funcionários como também para a organização. Partindo desse conceito o presente estudo teve como objetivo analisar os principais fatores vivenciados no trabalho que desencadeiam o estresse em funcionários do setor administrativo de uma Instituição de Ensino Superior localizada no interior do Estado de Rondônia. Utilizando um estudo descritivo com abordagem quantitativa, a pesquisa foi realizada com 15 funcionários do setor administrativo da Instituição. Como instrumento para a coleta de dados foi utilizada a Escala de Estresse no Trabalho (EET) juntamente com uma ficha elaborada para coleta dos dados sócios demográficos. O instrumento é composto por 23 afirmativas negativas as quais tem por objetivo analisar a frequência com que cada situação incomoda o trabalhador que possa vir a desencadear o estresse. Os resultados revelaram que 7% da população pesquisada apresentaram estresse, 40% dos colaboradores apresentaram risco de estresse e 53% apresentaram-se sem sintomas de estresse. De acordo com os resultados obtidos os colaboradores do setor administrativo apresentaram baixo índice de estresse, no entanto, boa parte entre eles estão correndo risco de desenvolvê-lo. Assim, conclui-se que se faz necessário na organização uma atenção preventiva para que esses colaboradores não necessitem vivenciar esse problema evitando assim prejuízos para os funcionários como também para própria organização.

Palavras-chave: Estresse, Estresse ocupacional, Organização.

1. Introdução

O estudo sobre o estresse tem ganhado grande atenção por estar sendo considerado causador de graves problemas tanto na saúde física e mental como também no ambiente de trabalho. O estudo sobre o fenômeno estresse organizacional vem crescendo cada vez mais na literatura científica, uma razão para esse aumento deve-se ao fato de estar gerando consequências negativas dentro do ambiente de trabalho afetando o desempenho como também a produtividade dos funcionários dentro da organização.

Entende-se que os fatores que levam ao desencadeamento do estresse são vivenciados diariamente nas organizações e são marcados por situações as quais o colaborador não consegue solucionar ou enfrentar de forma adequada, podendo gerar insatisfação no trabalho. Muitas organizações visam apenas o bom funcionamento e o desenvolvimento dos funcionários dentro do ambiente de trabalho, mas não procuram identificar o porquê muitos colaboradores deixam de produzir e diminuem seu desempenho dentro da organização.

A reflexão aqui proposta juntamente com a literatura pesquisada demonstra como as organizações perdem por não saberem lidar com o estresse surgido por problemas ocorridos dentro da própria empresa prejudicando a si como também aos próprios funcionários.

Para alcançar o objetivo proposto desse estudo foi feito o uso da abordagem quantitativa juntamente com a pesquisa descritiva.  A pesquisa utilizou como instrumento de mensuração a Escala de Estresse no Trabalho (EET) (PASCHOAL e TAMAYO, 2004).

O objetivo dessa pesquisa foi buscar identificar os fatores que venham desencadear o estresse nos funcionários dentro do setor administrativo de uma instituição particular de ensino localizada no interior de Rondônia. A pesquisa visou primeiramente conceituar o termo estresse e o estresse no trabalho e no segundo momento buscou identificar os possíveis fatores desencadeantes do estresse dentro do ambiente de trabalho pesquisado.

2. Organização

Segundo Chiavenato (2009) organização é um sistema formado por duas ou mais pessoas, onde ambas desenvolvem atividades cooperando entre si para alcançarem um objetivo em comum. Para que haja a existência da organização essas pessoas têm que ser capazes de se comunicarem e estarem dispostas a participar e a contribuir com ação conjunta.

As organizações têm como função trabalhar em grupo cumprindo objetivos que os indivíduos sozinhos não podem alcançar em face das suas limitações individuais, a mesma permite satisfazer diferentes tipos de necessidades das pessoas como emocionais, espirituais, intelectuais, econômica, etc (CHIAVENATO, 2009).

De acordo com Bastos et al. (2004) a organização é um fenômeno ao qual todos se deparam e convivem no cotidiano e ao longo de toda a vida, desde o hospital que nascem até a escola que estudam, ir ao cinema e até mesmo ao supermercado, tudo está relacionado a distintas organizações. A qualidade de vida de cada um pode ser afetada pela qualidade dos processos que configuram essa organização.

Gibson et al. (2006) afirmam que as organizações devem estar preparadas para atenderem as necessidades do consumidor visando sempre à uma boa cidadania, responsabilidade social e também à gestão e liderança responsáveis.

As organizações exigem de forma geral que todos os seus colaboradores pratiquem as atribuições direcionadas pela empresa como uma simples tarefa administrativa em organizar os papéis de cima da mesa como também atividades mais rígidas direcionadas a opiniões e decisões importantes para um bom funcionamento da organização (BARROS, 2001).

O setor administrativo das empresas tem buscado cada vez mais tecnologias para dentro de suas organizações, uma vez que esses profissionais trabalham em função de um bom desenvolvimento da empresa e das atividades que nelas são realizadas, onde acabam desenvolvendo uma grande tensão devido às pressões decorrentes de suas atividades (PEREIRA; BRAGA; MARQUES, 2008).

De acordo com a literatura as organizações estão sendo vítimas do estresse ocasionado por diversos fatores dentro do ambiente de trabalho, segue adiante uma definição mais ampla sobre o estresse e posteriormente sobre o estresse no trabalho o que está gerando grande impacto nos estudos e pesquisas científicas.

2.1 Estresse

“O estresse tem sido considerado como um dos problemas que mais frequentemente agem sobre o ser humano, e interfere na homeostase de seu organismo, devido à grande quantidade de tensões que enfrenta diariamente” (CAMELO; ANGERAMI, 2008, p. 232).

Segundo Lipp e Novaes (1996) o primeiro a estudar o estresse foi o médico austríaco Hans Seyle na década de 20 que também definiu Síndrome de Adaptação Geral (Síndrome do estresse) onde o indivíduo apresenta vários sintomas relacionados a certas situações que exigem a adaptação do organismo para que esse consiga enfrentá-las. A síndrome pode ser dividida em três fases:

  1. Alerta: essa fase inicial ocorre quando o indivíduo entra em contato com o estressor como uma situação tensa que o deixe ameaçado e começa a apresentar sensações como sudorese excessiva, taquicardia, entre outras sensações;
  2. Resistência: nessa fase o organismo tenta se recuperar de todo o desequilíbrio que sofreu na fase de alerta, gastando assim um elevado nível de energia e dessa forma vão começando a aparecer alguns sinais como cansaço excessivo, esquecimento e auto-dúvidas, a recuperação acontece quando o sujeito consegue resistir e eliminar esses estressores, encontrando assim o reequilíbrio, caso isso não ocorra ele pode chegar à próxima fase considerada a mais perigosa (Exaustão).
  3. Exaustão: aqui começam a aparecer os sintomas que o sujeito apresentou na fase de alerta, dessa vez os sintomas são mais fortes comprometendo-o fisicamente e gerando o aparecimento de doenças.

Uma segunda definição apresenta o estresse como uma condição dinâmica, em que o indivíduo é deparado com uma situação de oportunidade a qual ele deseje e considera o resultado importante e incerto. O estresse pode ter seu lado tanto negativo quanto positivo, em determinadas situações adversas, um evento estressor, após seu término, pode oferecer ao sujeito ganhos e benefícios pessoais e posteriormente ser analisado como um desafio positivo. (ROBBINS, 2005).

Para Gibson et al. (2006)  o estresse é o resultado  do enfrentamento de algo que cause pressão especial exercida sobre o indivíduo, sendo que o especial seria relacionado como algo incomum, física ou psicologicamente ameaçadora ao conjunto normal de experiências que o indivíduo costuma passar, como por exemplo ocupar um novo cargo em outro país, perder vôo, mudar de chefe, passar por uma avaliação de desempenho pelo próprio chefe.

O estresse também pode se originar de fontes externas e internas. De acordo com as afirmativas de Pafaro e Martino (2004), as fontes externas se resumem nos acontecimentos de nossas vidas, como um trabalho desgastante, pessoas com as quais convivemos, família em conflitos, amigos, tensões diárias. E ao oposto, as causas internas são aquelas que se referem a como pensamos, ao que atribuímos valor, em que acreditamos e como interpretamos o mundo ao nosso redor.

Também para Gonzáles (2001) os determinantes do impacto do estresse são associados com diversos elementos da vida humana, como os valores culturais, condições de trabalho, padrões familiares, nível educacional e a posição do indivíduo na organização social em que ele vive.

Ainda para Gonzáles (2001, p. 43) “Os agentes produtores de stress constituem estímulos que afetam a homeostase do organismo e podem ser classificados de acordo com a sua origem em: físicos, biológicos e psicossociais”.

Segundo Lipp e Novaes (1996) o estresse surge quando a quantidade de exigências e tensões aumenta e torna-se excessiva para a resistência da pessoa, toda mudança seja para melhor ou para pior traz a necessidade de uma adaptação a uma nova condição.

De acordo com Lipp (2000 apud PAFARO; MARTINO, 2004) o estresse está relacionado com a produtividade do indivíduo, uma pessoa que não passa por alguns tipos de estresse acaba não produzindo, mas quando o estresse passa dos limites do indivíduo sua produtividade começa a diminuir e começam a surgir consequências negativas para o mesmo.

Contudo quanto maior o nível de estresse relacionado ao indivíduo menor será a sua produtividade o que pode gerar sérios danos à saúde como também acabar prejudicando o indivíduo dentro de seu ambiente de trabalho (PAFARO; MARTINO, 2004).  Segue adiante a definição sobre o estresse no trabalho e alguns fatores que levam a esse possível desencadeamento.

2.2 Estresse no Trabalho

O estresse no trabalho vem gerando grande interesse na literatura científica nos últimos anos, sendo que a razão para esses determinados estudos devem-se ao impacto negativo que o estresse ocupacional causa nos empregados, podendo afetar em diversos aspectos como a saúde, o bem estar, o funcionamento e a efetividade dos colaboradores dentro da organização (PASCHOAL; TAMAYO, 2004).

Limongi-França (2002 apud OLIVEIRA; BARDAGI, 2009) definem o estresse no trabalho quando o indivíduo percebe alguma situação ocorrida como ameaçadora dentro de seu ambiente de trabalho, a qual ele não consegue lidar podendo ser prejudicial ao seu crescimento pessoal, profissional e também a sua saúde física e psíquica.

De acordo com Gibson et al. (2006) o excesso de estresse aumenta a insatisfação no trabalho, ocasionando várias consequências ao profissional como aumento de rotatividade, absenteísmo e redução do desempenho dentro da organização.

 “Os principais fatores psicossociais geradores de estresse que podem estar presentes no meio ambiente do trabalho envolvem aspectos de organização, administração, sistema de trabalho e a qualidade das relações humanas” (CAMELO; ANGERAMI, 2008, p. 238).

Robbins (2005) destaca três conjuntos de fatores que agem como fontes potenciais ao estresse:

  1. Fatores ambientais: as incertezas ambientais acabam influenciando o nível de estresse dos funcionários dentro da organização sendo ela políticas, econômicas e tecnológicas.
  2. Fatores organizacionais: existem vários fatores dentro de uma organização que podem levar o funcionário ao estresse, alguns desses fatores estão relacionados às demandas de tarefas, demandas de papéis, demandas interpessoais, estrutura organizacional, liderança organizacional e o estagio de vida de uma organização.
  3. Fatores individuais: são os fatores provocados no próprio indivíduo como problemas econômicos, familiares, pessoais, conjugais e também da própria personalidade do indivíduo.

De acordo com o pensamento de Hanzelmann e Passos (2010) o estresse afeta a vida pessoal como também o desempenho profissional do indivíduo, e ele está presente em toda situação desenvolvida e vivenciada pelo ser humano sendo que cada um reage a formas diferentes aos agentes estressores. A forma como cada ser humano reage a esses estressores é o que vai direcionar o nível de estresse ao qual esta sendo submetido, e as consequências e mudanças que o mesmo poderá causar. Uma vez que duas pessoas podem passar pelo mesmo evento estressor, mas em uma delas o efeito pode ser menor do que na outra, isso irá depender de como o indivíduo recebe e percebe o evento estressor.

São vários os fatores geradores de estresse dentro do ambiente de trabalho. Em uma pesquisa realizada por Pereira, Braga e Marques (2008) mostram em seus resultados que os fatores mais importantes relacionadas à tensão excessiva no trabalho que causam o estresse estão relacionados à insegurança na relação de trabalho, no convívio com indivíduos de personalidade difícil podendo gerar discriminação entre os colegas, na dificuldade da administração do tempo e trabalhar com funcionários que vão além das necessidades da empresa. De acordo com Pafaro e Martino (2004, p. 159) “É fundamental descobrir a causa do problema e desenvolver estratégias de enfrentamento para lidar não só com o episódio presente, mas também com futuras ameaças de estresse excessivo”.

3. Metodologia

3.1 Sujeitos

 A pesquisa foi realizada no setor administrativo de uma faculdade particular localizada na cidade de Rolim de Moura/RO. Participaram da pesquisa 15 colaboradores de ambos os sexos com faixa etária maior de dezoito anos. O número de participantes era previsto em 20 colaboradores do setor administrativo, entretanto, não foi possível a participação total desse número, pois 5 sujeitos não aceitaram a participar da pesquisa. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Pós-Informado (TCPI), e estiveram de acordo com os procedimentos adotados.

3.2 Instrumentos

 Para a avaliação dos fatores desencadeantes do estresse foi utilizada como instrumento a Escala de Estresse no Trabalho (EET) validada por Paschoal e Tamayo (2004), a escala é constituída por 23 afirmativas negativas avaliadas por uma escala de cinco pontos: “Discordo Totalmente”, “Discordo”, ”Concordo em parte”, ”Concordo”, ”Concordo Totalmente”. Para a análise dos dados encontrados na escala são utilizadas estatísticas descritivas, pode-se calcular a média do sujeito, grupo ou grupos para todos os itens da escala encontrando um indicador geral de 1 a 5.  Um indicador de estresse pode ser considerável quando o valor da média for igual ou maior que 2,5. A média também pode ser calculada para cada item identificando aqueles com maior pontuação e os estressores mais presentes de acordo com a percepção dos trabalhadores.

Segundo Paschoal e Tamayo (2004) esse instrumento tem como objetivo avaliar os estressores organizacionais de natureza psicossocial bem como as reações psicológicas ao estresse ocupacional. A escala possui características psicométricas satisfatórias podendo contribuir também no diagnóstico do ambiente organizacional.

Para o levantamento dos dados sócio demográficos foi utilizado uma ficha de fácil aplicação com duração máxima de três minutos, a ficha não apresentou nenhum risco por serem marcadas sem a identificação do participante contando apenas com três itens: sexo, idade e tempo de trabalho do colaborador. Esta foi preenchida ao mesmo tempo com a aplicação da escala (EET).

3.3 Método

A fim de alcançar os objetivos propostos, foi utilizado o uso da abordagem quantitativa. De acordo com Oliveira (2007) essa abordagem quantifica dados e opiniões para coleta de informações e também são utilizados recursos e técnicas estatísticas desde as mais simples como também as mais complexas. Utilizou-se também a pesquisa descritiva onde segundo Andrade (2006) a pesquisa descritiva observa-se os fatos registrando-os, para serem analisados, classificados e interpretados.  

3.4 Procedimentos

Inicialmente foi desenvolvido o projeto de pesquisa através de orientações e supervisões, onde após a aprovação do mesmo foi dado início a pesquisa de campo, posteriormente, com a autorização concedida pelo diretor da empresa à pesquisa foi apresentada aos participantes aos quais fizeram parte aqueles que concordaram e aceitaram os procedimentos adotados assinando o Termo de Consentimento Pós Informado em duas vias iguais, sendo uma para a posse do participante e a outra para a do pesquisador. Logo em partida deu-se início a coleta de dados, onde foi aplicada individualmente a Escala de Estresse no Trabalho (EET) juntamente com o preenchimento de uma ficha elaborada para coleta dos dados sócios demográficos de cada participante.

Após o término da coleta de dados foi realizado a mensuração dos resultados seguindo as orientações e interpretações das normas de correção da escala na supervisão da orientadora responsável pelo projeto. Os resultados foram apresentados em forma de gráfico e tabela através de uma análise de frequência de acordo com os escores propostos pela escala de estresse no trabalho, bem como o levantamento dos dados sócio demográficos dos participantes apresentados na tabela através de números absolutos.

4. Apresentação e Discussão dos Dados

A tabela abaixo apresenta através de números absolutos os dados sócios demográficos dos participantes relacionados ao estresse. Os resultados obtidos através da análise dos dados podem ser considerados positivos, uma vez que o estresse foi encontrado em um número pequeno entre os participantes da pesquisa.

Tabela 1– Dados Sócios demográficos dos participantes, Rolim de Moura/RO, 2012.

GÊNERO

Estresse

Risco de estresse

Sem estresse

Feminino

01

04

07

Masculino

00

02

01

IDADE

 

 

 

18-30 anos

00

03

07

31-40 anos

01

00

01

Mais de 41 anos

00

01

02

TEMPO DE TRABALHO

 

 

 

De zero a seis meses

 

 

01

De seis meses á um ano

 

01

01

De um á cinco anos

01

03

06

Mais de 5 anos

 

 

02

Fonte: A autora (2012).

Fizeram parte 15 funcionários do setor administrativo sendo apenas 3 homens e 12 mulheres, a maioria dos participantes do sexo feminino apresentaram-se sem estresse perfazendo um total de 7 mulheres e do  sexo masculino a maior parte mostrou-se com risco de estresse perfazendo um total de 2 homens.

Observa-se na tabela 1 que as variáveis sexo, idade e tempo de trabalho apresentaram-se sem estresse perfazendo a maioria dos participantes.

A variável idade apresentou maior impacto entre os colaboradores de 18 a 30 anos considerando alguns participantes com risco de estresse.

Como também demonstrado na tabela 1 a variável relacionada ao tempo de trabalho mostra que a maioria dos funcionários enquadram-se entre um a cinco anos de trabalho onde também a maior parte dos colaborados demonstraram-se sem sintomas de estresse perfazendo um total de 6 pessoas, sendo que o restante permaneceu em minoria entre aqueles com sintomas de estresse ou em risco de estresse. Esses resultados podem ser comparados aos de Romero, Oliveira e Nunes (2007) que utilizaram a escala EET aos quais chegaram aos resultados em que os funcionários mais jovens sofrem mais estresse do que os mais velhos, observa-se, também, em seu estudo que os funcionários com maior tempo de trabalho desenvolvem menores índices de estresses, o que os leva a uma adaptação conforme o passar do tempo dentro da organização.

Estudos realizados por Pereira, Braga e Marques (2008), mostram em seus resultados que, a pesquisa relacionada ao gênero do sexo feminino tem um aumento superior de estresse comparado ao do sexo masculino dentro do ambiente de trabalho, isso porque a maioria das mulheres além de trabalharem fora tem uma jornada de trabalho mais desgastante do que os homens, pois ao chegarem em casa cuidam dos afazeres domésticos e dos filhos.

Quanto a variável sexo dos participantes do presente estudo, não foi possível levar em consideração os resultados obtidos, pois o número de participantes do sexo feminino foi superior ao do sexo masculino como mostra a tabela 1, não sendo possível a comparação entre os dois relacionados ao estresse.

O gráfico 1 apresenta o nível de estresse dos participantes da pesquisa aos quais fazem parte do setor administrativo da instituição, onde 53% da população pesquisada apresentaram-se sem estresse, 40% com risco de estresse e apenas 7% com estresse.

Conforme o gráfico 1 apresentado abaixo a maior parte da população pesquisada apresentou-se sem estresse o que desempenha pontos positivos para a organização.

O resultado que chamou a atenção foram os colaboradores que apresentaram risco de estresse ao qual ganhou considerável porcentagem entre eles, como mostra o gráfico 1.  Nos estudos de Paschoal e Tamayo (2004) mostram algumas situações de risco as quais podem gerar estresse dentro da organização sendo elas as de natureza física ou psicossocial, destacando-se os de origem física aquilo que esta relacionada ao ambiente de trabalho como a iluminação do local, barulhos, ventilação, e os de origem psicossocial como, aspectos de relacionamento interpessoal, autonomia ou controle no trabalho e os fatores relacionados ao desenvolvimento da carreira.

Os sintomas de estresse atingiram um baixo índice entre os participantes do estudo conforme apresentado no gráfico 1. Esse resultado pode demonstrar que os colaboradores do setor administrativo estão com um percentual mínimo para serem considerados como trabalhadores estressados, o que ganha pontos positivos para o setor, pois este tem maiores chances de desenvolvimento e produtividade do que um setor que apresenta estresse entre os colaboradores. Assim como mostra os estudos de Stefano e Roik (2005) onde enfatizam que o estresse pode trazer resultados negativos para a organização como: absenteísmo, queda na produtividade, custos hospitalares, falha na execução das tarefas, entre outros.

Os itens da escala que apresentaram maiores índices de estresses entre os colaboradores foram os itens 05 (sinto-me irritado com a deficiência na divulgação de informações sobre decisões organizacionais), o item 07 (a falta de comunicação entre mim e meus colegas de trabalho deixa-me irritado) e o item 12 (fico irritado com discriminação e favoritivismo no meu ambiente de trabalho).

Gráfico 1 – Resultado da escala de estresse no trabalho, Rolim de Moura/RO, 2012.

Resultado da escala de estresse no trabalho, Rolim de Moura/RO, 2012.

Fonte: A autora (2012).

O presente estudo teve como um de seus objetivos principais analisar os principais fatores vivenciados no trabalho que mais causavam estresse nos colaboradores, com os resultados obtidos através da análise dos dados um dos itens apresentados acima confirmou uma das hipóteses em que a discriminação e o favoritivismo no ambiente de trabalho acaba gerando certo desconforto entre os colaboradores podendo assim chegar ao estresse.

Estudos realizados por Romero, Oliveira e Nunes (2007) que também utilizaram a Escala de Estresse no Trabalho (EET) mostram que a discriminação e os problemas de favoritivismo causados pelos próprios colegas de trabalho provocam um grau de estresse considerável em relação aos trabalhadores dentro da própria organização.

Outro item considerável nos resultados citados acima, encontrados na escala, refere-se à falta de comunicação entre a equipe, o que também chama a atenção para o desenvolvimento do estresse entre os mesmos. Tal constatação pode ganhar sustentação nas afirmativas de Vigneron (2000) de que a comunicação dentro da empresa permite maior desenvolvimento e produtividade entre os colaboradores, sendo que a mesma ajuda a resolver os problemas com mais facilidade evitando conflitos quando aparecem. Em relação ao item sobre a deficiência na divulgação de informações sobre decisões organizacionais, Gibson et al. (2006) colocam que a falta de feedback com os funcionários dentro da organização pode ser considerado um estressor organizacional, muitas vezes faltam  informações significativas sobre os funcionários que os mesmos esperam saber e os diretores ou gerentes deixam de comunicar ou passam de maneira inadequadas proporcionando expectativas e o desencadeando o estresse.

Contudo nota-se que o estresse está presente nas organizações por diferentes motivos, Robbins (2005) destaca algumas estratégias que podem ser utilizadas para ajudar a solucionar esse problema como, o replanejamento das tarefas no ambiente de trabalho, o aumento do envolvimento dos funcionários, a melhoria da comunicação dentro da organização e a implantação de programas corporativos de bem estar.

5. Considerações Finais

O estresse vem apresentando grande ênfase na literatura científica. Um dos campos de investigação é o ambiente de trabalho uma vez que o estresse é um fenômeno que tende ocorrer cada vez mais entre os colaboradores e diretoria no campo organizacional. Tal fato promove o surgimento de aspectos negativos dificultando assim o desenvolvimento e desempenho em suas atividades a serem desenvolvidas, sendo que o mesmo pode ser desencadeado por diversos fatores.

Com base nos resultados obtidos e com a fundamentação teórica que embasa esse estudo, conclui-se que a análise do estresse dentro da Instituição pesquisada foi positiva, uma vez que o os sintomas de estresse foram apresentados em um pequeno número entre os colaboradores do setor, embora alguns dos colaboradores enquadraram-se com risco de desenvolver o estresse, os quais necessitam de uma atenção preventiva da Instituição para que não venha a se transformar em um quadro de estresse entre esses colaboradores.

Assim sendo observa-se também que uma das situações que causa estresse entre os colaboradores do setor administrativo confirma uma das hipóteses proposta pelo estudo, em que a discriminação e o favoritivismo dentro do ambiente de trabalho podem gerar o desencadeamento do estresse. Mediante a essa confirmação a empresa poderá investir em um sistema de otimização estrutural e ambiental para a melhoria da qualidade de vida do colaborador evitando o aparecimento do estresse dentro da organização.

Percebe-se através da análise das respostas da Escala de Estresse no trabalho que a comunicação entre os colaboradores está sendo fonte de possíveis desencadeamentos do estresse entre os mesmos, sendo identificado como um ponto negativo para a Instituição.

Esse estudo possibilitou a identificação das situações que mais estão causando estresse entre os colaboradores, auxiliando em novas ideias e sugestões através dos resultados aqui encontrados para possíveis intervenções que venham auxiliar em  soluções para a amenização do estresse ou no desaparecimento do mesmo.

Diante dos resultados gerados a partir desse estudo sugere-se pesquisa futuras em outros setores da Instituição pesquisada, para que se possa averiguar o estresse nos demais departamentos da Instituição e se obter um diagnóstico total da organização, oferecendo maiores oportunidades para realização de intervenções nos setores que apresentarem estresse e necessitarem de ajuda.

Sobre o Autor:

Gabriela Oliveira Zanette - Acadêmica do décimo período do curso de Psicologia da Faculdade de Rolim de Moura – FAROL. E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. .

Sobre o Artigo:

Trabalho apresentado à Faculdade de Rolim de Moura – FAROL, como requisito final de avaliação para conclusão do curso de Graduação em Psicologia, 2012, sob orientação da Professora Ms. Fernanda Heringer Moreira Rosa.

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