Gestão de Pessoas e a Singularidade dos Indivíduos: uma Reflexão sobre o Trabalho e a Subjetividade

5 1 1 1 1 1 Avaliações 5.00 (1 Avaliação)
(Tempo de leitura: 10 - 20 minutos)

Resumo: O propósito deste artigo é o de apresentar temáticas relevantes para a compreensão do funcionamento das organizações junto ao seu corpo de colaboradores, observando-se a influência que a subjetividade tem sobre o desenvolvimento individual no ambiente organizacional. Assim, para tal foi realizada um levantamento bibliográfico, a fim de perceber que o mundo subjetivo e a forma como se compreende e responde à realidade é de fundamental relevância para o entendimento do movimento/andamento dos colaboradores dentro da organização, possibilitando assim, criar estratégias de intervenção fundamentada na Gestão de Pessoas com a finalidade de prevenir possíveis distorções que comprometam a vida profissional saudável.

Palavras-Chave: Trabalho, Subjetividade, Ambiente de Trabalho, Gestão de Pessoas.

Abstract: The purpose of this article is to present relevant themes to the understanding of the functioning of organizations with the employees’ body, observing the influence that subjectivity has on individual development in the organizational environment. Thus, a bibliographical survey was carried out in order to understand that the subjective world and the way it is understood and responds to reality holds a fundamental relevance for the understanding of the movement / progress of the employees within the organization, thus creating strategies for based intervention in the Management of People with the purpose of preventing possible distortions that compromise healthy professional life.

Keywords: Labor. Subjectivity. Work Environment. People Management.

1. Introdução

Pensar sobre o mundo do trabalho se torna um exercício de desgaste porque geralmente se associa à ideia de sofrimento (físico e mental), trazendo um sentido de desesperança e inutilidade. Diante de tais pensamentos questionou-se sobre o real sentido que o indivíduo dá ao trabalho, sendo que esta atividade é por sua vez tão necessária para o sustentáculo de toda uma arquitetura social. Desta forma, seria justo classificar o Trabalho apenas como uma atividade degradante?

Diante do questionamento acima relatado tem-se instalado uma discussão sobre tal temática a fim de se considerar como a Subjetividade, Trabalho e a Gestão de Pessoas influenciam ou mesmo interferem no movimento organizacional. Assim, conhecer a construção da ideologia do Trabalho, e observar como esse processo aconteceu, se fazem de extrema necessidade para compreender a construção destes significados.

Cada pessoa, à sua maneira, explora seu potencial a fim de firmar-se profissionalmente direcionando sua motivação para obter resultados concretos no que se refere à satisfação pessoal, realizando-se plenamente dentro das expectativas criadas, além de testar e validar percursos traçados, habilidades, tendências e necessidades individuais.

Portanto, o foco permanece no processo do trabalho e da gestão como forma de subjetivação, constituídos num determinado momento histórico e sociopolítico específico que interferem no meio de constituição dos “produtos e produtores” gerados dentro do ambiente organizacional, sendo estes o resultado da ação de um sobre o outro a fim de engendrarem-se entre si para dar forma à significação do produtor/colaborador do seu conhecimento e suas habilidades, e por que não pensar também sobre sua aceitação e acreditação no processo de trabalho até então consolidado.

Este estudo foi dividido em partes para maior compreensão do leitor, desta forma se encontra na alguns questionamentos persistentes sobre o Trabalho e a maneira que ele influencia a vida diária das pessoas, além de fornecer indicações sobre as próximas divisões do estudo, embasando o discurso em fundamentações teóricas de forma a analisar as questões levantadas.

No tópico O que é o Trabalho? os discursos permeiam sobre a construção histórica e a conceituação que serão utilizadas em todo decorrer do texto sobre o conceito de Trabalho, para tanto utilizou-se a visão de Dejours sobre a concepção do Trabalho e suas implicações.

No capítulo Subjetivar (...), é realizada uma breve reflexão histórica sobre a subjetividade a fim de que os leitores possam ter uma compreensão mais realista sobre este assunto que permeia todo o estudo. Já em A subjetividade no Trabalho, a linguagem se expressa no sentido de buscar significado para o ato de trabalhar e perpassa pela compreensão de como cada indivíduo vivencia essa etapa de significação e subjetivação, além de descobrir durante a pesquisa que o trabalho e o homem são inseparáveis, pois se complementam mutuamente, não havendo um limite delimitado entre um e o outro.

Em Gestão de Pessoas é descrito o desafio em gerenciar as relações de trabalho junto às pessoas envolvidas em todo esse processo organizacional, onde está mobilizado todo um conjunto de habilidades individuais dos sujeitos coordenando suas inteligências, conhecimentos e recursos pessoais que tornam o resultado do trabalhar único para cada colaborador deste processo. No capítulo Gerenciar (...), encontra-se o momento ideal de atuação da mediação que se faz presente através da Gestão de Pessoas, onde as ações se mobilizam em torno de equilibrar as individualidades para o bem coletivo.

Já nas Considerações Finais é feito uma análise à luz de todo o aporte teórico utilizados, de autores renomados e atualizados como: Dejours, Lane e Zanelli entre outros, na busca de compreender a maneira como se estrutura o trabalho, se tornando uma possibilidade de análise.

2. O Que é o Trabalho?

Com o advento do capitalismo, surgindo em uma situação socioeconômica desigual, na qual a população desprovida de recursos financeiros necessitava vender seu esforço físico/intelectual como uma mercadoria, a fim de sustentar-se, e de forma inconsciente sustentar este novo sistema financeiro, nasceu a noção de contrato de trabalho, visto pela ótica de que tinha valor de troca. Com o crescimento do capitalismo, seus objetivos tornaram-se buscar modos de aumentar a produção exigindo menor quantidade de trabalho, se utilizando do maior número de recursos tecnológicos.

Assim, percebe-se a necessidade urgente de definir sob qual ótica de Trabalho este estudo será dirigido, avaliando as várias Ciências que se propõem a discutir sobre este tema, uma vez que cada uma o explora sobre com um olhar distinto, algumas ressaltando apenas a relação salarial, outros como uma produção social e ainda existem os que defendem, apenas, a visão de emprego. Faz-se indispensável, então, traçar uma definição sobre o Trabalho, o significado que se explorará nesse estudo. Destarte foi resgatado o conceito de Christophe Dejours (p. 28, 2004):

O trabalho é aquilo que implica, do ponto de vista humano, o fato de trabalhar: gestos, saber-fazer, um engajamento do corpo, a mobilização da inteligência, a capacidade de refletir, de interpretar e de reagir às situações: é o poder de sentir, de pensar e de inventar, etc.

Dessa forma, o trabalhar consiste ultrapassar as instruções, as regras e os procedimentos rígidos para se acrescentar mais do componente humano, visto que em todos os processos encontrarão acontecimentos inesperados. É impossível atingir a perfeição de um processo cumprindo apenas a normatização rígida. A participação humana no processo de concepção do Trabalho vai além de apenas gerenciá-lo, se faz necessária a doação de si para o cumprimento dos objetivos iniciais ou ainda a modificação dos mesmos durante este percurso.

Analisando o cenário, ao redor, percebe-se que o trabalho deixou a muito tempo atrás de ser apenas uma mera repetição de rotina para se tornar uma “arte”, sendo um ato de depositar significado humano à natureza que mantém a relação homem x seu produto, assim, o seu produto o representa através da manifestação do seu interno/subjetivo nas formas de produção.

2.1 Subjetivar

A subjetividade permeia o dia-a-dia das pessoas sem que estas, em sua maioria, consigam perceber a influência que exerce em sua vida, em seu comportamento e relacionamento com o outro, segundo Davel e Vergara (2001), consiste na formulação de pensamentos, condutas, emoções e ações do individuo, sujeito único, que ao relacionar-se com o meio, formula um conhecimento e gera concepções. Entretanto, precisa-se desenvolver o equilíbrio nestas relações para que a pluralidade e heterogeneidade das linguagens, espaços e práticas que nos governam diariamente, sejam evidenciadas e despertem assim, a criticidade e o posicionamento diante da vivência, segundo princípios e valores norteadores próprios, e não a mera repetição acrítica. Além disso, a mesma exerce na vida dos trabalhadores uma influência na vida e no seu comportamento interpessoal e intrapessoal.

Em pressupostos mais aprofundados, tem-se que a subjetividade pode ser entendida como o espaço íntimo do indivíduo (mundo interno) com o qual ele se relaciona com o mundo social (mundo externo), resultando em marcas singulares em sua formação e na construção de crenças e valores próprios. É, pois, o mundo interno de todo e qualquer ser humano, composto por emoções, sentimentos e pensamentos, através dos quais o indivíduo traça relações sociais.

Subjetividade e trabalho constituem um campo de conhecimento que busca analisar o sujeito trabalhador, definido a partir das vivências e experiências adquiridas, sendo, pois, um importante elemento de discussão nas novas práticas de gestão de pessoas (NARDI et al., 1997). Dessa forma, percebe-se que estes componentes são primordiais para a construção do todo, o trabalhar.

2.2 A Subjetividade no Trabalho

Diante do cenário descrito sobre trabalho, observa-se que os modos de produção estão intrinsecamente ligados à forma pela qual este mecanismo regula os processos de trabalho ou de produção, por sua vez, atualmente este sistema demanda um trabalhador/colaborador crítico, inovador, criativo, dinâmico entre outras características que compõem a subjetividade.

Iniciou-se com a Escola Clássica, que teve como principais percussores Taylor e Fayol, cuja característica fundamental é a organização dos sistemas e métodos de uma empresa, a fim de racionalizar processos, e simplificar o trabalho. Enfim, pode- se definir essa Escola, como mecanicista e com alto rigor cientifico no trato organizacional, abstendo-se da figura humana no eixo fundamental do processo produtivo.

Desta forma, é necessário que se defina sob qual ótica da subjetividade será tratada neste estudo. Subjetividade como se trata aqui, tem a característica que Foucault (1979) sugere: “Sujeito e objeto se engendrando no ato de conhecimento,

construindo-se e modificando-se mutuamente, não havendo nenhuma anterioridade de qualquer um dos dois.” Sendo pensada como forma de viver o mundo em todos os seus aspectos sociais, políticos, econômicos, ambientais e etc.

Em geral, a ideia que se tem do sistema organizacional é sobre uma ótica de construção de um mundo diferenciado, isolado do real, do particular dos indivíduos, quase como se ocorresse um recorte/separação em sua vida para se exercer um mundo distante do seu ser subjetividade, visto que tal olhar nunca poderá se concretizar, pois este rompimento de realidades não se pode conceber em um mundo que se estrutura sobre construções mútuas e diárias diante das realidades individuais e objetivas ao mesmo tempo, principalmente, diante do que se pôde constatar sobre o sofrimento e a criação através da inteligência individual para a concretização das atividades laborais.

Neste sentido, observa-se que a experiência do trabalho intensifica o desenvolvimento da subjetividade e vice-versa, porque não existe a construção de um e desconstrução do outro, mas sim, o engendramento dos dois, dessa forma sendo impossível de separar um do outro, tornando-os complementos mútuos neste processo produtivo. A psicodinâmica do trabalho se apropria da ideia de que o trabalho nunca poderá se reduzir a uma simples atividade objetiva. Dejours (p. 30, 2004) corrobora nesse sentido quando diz:

Trabalhar constitui, para a subjetividade, uma provação que a transforma. Trabalhar não é somente produzir: é, também, transformar a si mesmo e, no melhor dos casos, é uma ocasião oferecida à subjetividade para se testar, até mesmo para se realizar.

Importante é salientar que os mais recentes estudos têm se concentrado em aprofundar nas questões subjetivas para o entendimento da concepção do sujeito nas relações de trabalho, haja vista a amplitude da dinâmica da subjetividade, considerando-os como mecanismos integradores dos processos de trabalho. Portanto, acredita-se que questões atinentes à subjetividade precisam ser amplamente admitidas e discutidas no âmbito das estratégias, ações e processos organizacionais. Segundo Dejours (1999):

Os mecanismos de defesa são deflagrados mediante o conflito subjetivo vivido pelo trabalhador exposto às imposições organizacionais. Em outras palavras, para assumir o papel exigido pela organização, um processo de despersonificação é iniciado pelo indivíduo para que o exercício da função proposta pela empresa seja cumprido, gerando assim um comportamento modelado e adaptado quando se tem uma visão apenas de realização das normas estabelecidas.

2.3 Gestão de Pessoas

O contexto da gestão de pessoas é formado por pessoas e organizações, pois sem estes elementos não haveria tal gestão. Percebe-se que boa parte da vida passa- se dentro do ambiente de trabalho, dentro das organizações e estas dependem das pessoas para poderem funcionar e alcançar sucesso, assim, o trabalho torna-se essencial para a subsistência e sucesso pessoal, pois é o meio de atingir objetivos comuns cultivados na sociedade. Separar o trabalho da existência das pessoas é muito difícil, diante da importância e do impacto que o trabalho nelas provoca e vice- versa. De outro lado, as organizações dependem direta e irremediavelmente das pessoas para operarem, produzirem seus bens e serviços, atenderem seus clientes, competirem nos mercados e atingirem seus objetivos globais e estratégicos.

A Gestão de Pessoas torna-se peça-chave nesta dinâmica (organizações e colaboradores/pessoas) servindo de mediadora neste processo extremamente mutável devido à demanda de Mercado Atual, onde se impera um mundo tecnológico ávido por descobertas e evolução instantânea versus o Homem com sua subjetividade e crenças enraizadas, porém cheio de criatividade. O grande desafio é coordenar as inteligências individuais a fim de estabelecer um direcionamento para se atingir as metas estabelecidas. Assim, como Dejours (p.32, 2004) indica em seus estudos:

De fato, as inteligências singulares podem franquear vias fortemente diferenciadas em saber-fazer, habilidades e técnicas individuais, apresentando, em contrapartida, um poder de divergência entre os estilos de trabalho, com forte risco de desestabilizar a coesão do coletivo de trabalho. Para corrigir os temidos riscos de contradição e de conflito entre as inteligências, se é forçado a compensar o poder de desorganização dos estilos muito singularizados de trabalho, pela coordenação das inteligências.

Dessa forma é preciso considerar que a organização do ambiente de trabalho se faz necessidade de primeira ordem visto que a mediação e coordenação são prerrogativas da efetividade nas atividades laborais. Assim, Chiavenato (2004), define de forma precisa o que é Gestão de Pessoas:

A gestão de pessoas é contingencial e situacional, pois depende de vários aspectos, como a cultura que existe em cada organização, da estrutura organizacional adotada, das características do contexto ambiental, do negócio da organização, da tecnologia utilizada, dos processos internos e de uma infinidade de outras variáveis importantes. A Gestão de Pessoas é o conjunto de políticas e práticas necessárias para conduzir os aspectos da posição gerencial relacionados com as “pessoas” ou recursos humanos, incluindo recrutamento, seleção, treinamento, recompensas e avaliação de desempenho.

A Gestão de Pessoas é a função que permite a colaboração eficaz das pessoas, funcionários, recursos humanos, talentos ou qualquer denominação utilizada para alcançar os objetivos organizacionais e individuais. As pessoas podem aumentar ou reduzir as forças e fraquezas de uma organização dependendo da maneira como

elas são tratadas. Para que os objetivos da Gestão de Pessoas sejam alcançados, é necessário que as pessoas sejam tratadas como elementos básicos para eficácia organizacional.

2.4 Gerenciar

Gerenciar consiste em desafios ainda maiores dentro das organizações de trabalho, pois demandam, além, de uma mediação constante dentro dos processos estabelecidos, uma supervisão constante e compreensão das individualidades (subjetividades particulares dos indivíduos envolvidos no sistema organizacional), o compromisso individual empenhado no trabalhar é o que de fato fará a diferença na resolução das falhas produtivas, tornando compatível a efetivação e alcance das metas envolvidas.

Com isso, fomentar um espaço de criação e debate dentro do ambiente de trabalho é a melhor saída para a concretização das atividades cotidianas, nas quais cada trabalhador, individualmente, dará testemunho de sua experiência vivenciada e abstraída da organização em questão, doando-se ao engajamento da subjetividade, da cooperação, do seu conhecimento particular, do compartilhar em grupo das expectativas em comum em prol da transformação e criação de soluções. Percebe-se que o ambiente extrapola o limite organizacional tornando-se em um lugar comum de vivências sociais, formação da relação social, tal fato beneficia o sentimento de pertencimento a um coletivo em comum, no qual se contribui e se compartilha voluntariamente.

É o sentimento de pertença que permeia o mercado de trabalho configurando, além da garantia de um salário, a conquista de uma identidade social pela qual o reconhecimento surge, possibilitando ao indivíduo pertencer a uma comunidade, a um mundo cultural e nele definir um status, no qual ele passa a ser visto pela sociedade de acordo com seu cargo e suas atribuições na organização. Contudo, nem sempre é fácil obter o sentimento de pertença, segundo Júnior (2007):

Uns sofrem por não terem trabalho ao mesmo tempo em que outros sofrem em função de trabalhos exaustivos, demonstrando, assim, que há um desequilíbrio estrutural cujas causas são evidenciadas tanto pelas questões macroeconômicas e políticas quanto pela falha nos processos de organização do trabalho.

Para que este cenário se modifique é importante que a empresa se preocupe em organizar suas tarefas e atividades de modo que favoreçam a eficiência e o cumprimento de seus objetivos, ao mesmo tempo em que envolvam todos os trabalhadores nesse processo. Dessa forma, estará atribuindo significado e valor ao trabalho realizado, condição indispensável para que se crie espaço para o exercício da subjetividade.

3. Considerações Finais

O sistema atual do mercado de trabalho exige que o trabalhador seja dinâmico, criativo e principalmente crítico diante de suas atividades e, ao mesmo tempo, que cumpra as normas rígidas que regulamentam o processo produtivo. O trabalhador tem um funcionamento bem complexo ao se comparar com máquinas, ele se constitui de saberes e competências adquiridos em suas experiências de vida, diferenciando-o de qualquer outro componente empresarial. O homem é único, pois tem seu modo próprio de pensar, agir e sentir. Modo de afetar e ser afetado, integrando e engendrando-se à produção com sua própria marca pessoal. Doando o seu subjetivo ao mercado de trabalho.

Então, é necessário considerar que os três aspectos estudados até então, de fato, são componentes persistentes dentro da organização: o Trabalho, a Subjetividade e a Gestão de Pessoas. Existe uma troca constante entre os três, onde cada um se constitui mutuamente de forma singular para cada organização. Tais elementos precisam ser organizados de maneira que se comuniquem constantemente para obterem, além de crescimento na produtividade, a saúde do sistema como um todo, valorizando, também, a saúde psicodinâmica do trabalho – incluindo o homem e sua estrutura psíquica.

Tem-se como princípio a preocupação com o sujeito e o coletivo em situações de vulnerabilidade no trabalho mostrando que a falta do lugar de discussões sobre este tema traz consequências sérias ao mundo ocidental, como o desenvolvimento da violência no trabalho, a agravação das patologias da sobrecarga, a explosão de patologias do assédio e em última instância o suicídio nos próprios locais de trabalho.

Assim, a ideologia de pertencimento no trabalho vem sendo, hoje, mais um objeto de estudo nas organizações, uma vez que mobiliza o homem, engessando suas ações e expandindo sua capacidade criativa e intelectual. Torna-se urgente que se fomente espaços de discussão onde os trabalhadores possam ser ouvidos e possam se expressar, trazendo à tona seus sentimentos, significados, contradições e entendimentos sobre o trabalhar, para que seja possível simbolizar o funcionamento trabalhadores, revelando seus desejos e vontades, criando, então, um lugar para a Construção da Identidade de cada um, dando-lhes capacidade de pensar relações saudáveis nas quais a subjetividade e o trabalho possam ser reajustados conceitualmente.

Sobre os Autores:

Suéllen Dias Negreiros - Psicóloga (FACIME-UESPI) Especialista em Gestão de Pessoas (IFPI) e Graduanda em Bacharelado em Administração (UESPI). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5750705446989171

Felipe Moura Oliveira Graduando em Bacharelado em Administração (UESPI). Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7504944909510607

Emanuel Alcântara da Silva - Graduado em Comunicação Social (UFPI) e Graduando em Bacharelado em AdAdministração (UESPI). Currículo Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4381159D8

Referências:

ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução a metodologia do trabalho científico.

5ª Ed. São Paulo: Atlas 2001.

___________________________. Como preparar trabalhos para cursos de pós- graduação: noções práticas. 6ª Ed. São Paulo: Atlas 2004.

ARAUJO, L. C. Organização, Sistemas e Métodos e as modernas ferramentas de gestão organizacional: arquitetura, benchmarking, empowerment, gestão pela qualidade total, reengenharia. 1 Ed. São Paulo: Atlas, 2001.

BORGES, MARIA ELISA SIQUEIRA. Trabalho e gestão de si – para além dos “recursos humanos”. Cad. psicol. soc. trab. v.7 São Paulo dez. 2004. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1516-37172004000100005&script=sci_arttext, acesso em: 18/07/2018.

FONSECA, Tania Mara Galli. Trabalho, gestão e subjetividade. Arq. bras. psicol., Rio de Janeiro, v. 55, n. 1, p. 02-11, jun. 2003. Disponível em

<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672003000100002&lng=pt&nrm=iso>. acesso em 18 jul. 2018.

CHIAVENATO IDALBERTO. Gestão de Pessoas: O novo papel dos Recursos Humanos nas Organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

DAVEL, E. VERGARA, S.: Gestão com Pessoas e Subjetividade. 3 ª Ed., São Paulo: Atlas, 2001.

DEJOURS, C: O fator humano. 2ª. Ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1999.

DEJOURS, CHRISTOPHE. Subjetividade, trabalho e ação. Revisa Produção, v. 14, n.3, p.027-034, Set./Dez. 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/prod/v14n3/v14n3a03.pdf, pesquisado em: 18/07/2018.

FONSECA, TANIA MARA GALLI. Trabalho, gestão e subjetividade. Arq. bras. psicol. v.55 n.1 Rio de Janeiro jun. 2003. Disponível em:

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1809-52672003000100002&script=sci_arttext&tlng=es, acesso em: 18/07/2018.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

JUNIOR, T.: Gestão Empresarial: o fator humano. São Paulo: Atlas, 2007.

LANE, Silvia. T. M. A Dialética da Subjetividade Versus Objetividade. In: FURTADO, Odair e MANGAN, Anita. We´re not bank´s: Exploring self-discipline, subjectivity and co-operative work. Human Relations. Vol. 62, 93-117, 2000.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 7ª Ed., 4 reimpr. São Paulo: Atlas 2009.

NARDI, Henrique C.; TITTONI, Jaqueline; BERNARDES, Jefferson S. Subjetividade e trabalho. In:CATTANI, Antonio D. Trabalho e tecnologia: dicionário crítico. Petrópolis: Editora Vozes, 1997.

ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antonio Virgílio Bittencourt. Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2004.

Curso online de

Recrutamento e Seleção

 Recrutamento e Seleção

Curso 100% online e com certificado de 60 Horas

Recém Revisados

Psicologia Organizacional
(Tempo de leitura: 2 - 4 minutos)
A Psicologia Hospitalar
(Tempo de leitura: 4 - 8 minutos)
Abordagem Médica e Psíquica na Dispepsia Funcional - Gastrite Nervosa
(Tempo de leitura: 8 - 16 minutos)
Psicologia Industrial
(Tempo de leitura: 3 - 5 minutos)
O Período Sensório-Motor de Piaget
(Tempo de leitura: 6 - 11 minutos)