Jovens no Programa de Aprendizagem na Empresa Gerar em Foz do Iguaçu: Análise psicológica de fatores envolvidos no trabalho

Jovens no Programa de Aprendizagem na Empresa Gerar em Foz do Iguaçu: Análise psicológica de fatores envolvidos no trabalho
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Resumo: O jovem não se desenvolve isoladamente, mas sim a partir de um contexto social-cultural e também profissional, com ajuda de programas de inserção do jovem no trabalho, como exemplo, o Aprendiz Legal. Com o presente trabalho buscou-se identificar os fatores que facilitam ou dificultam no trabalho dos jovens inseridos no programa Aprendiz Legal, junto à empresa GERAR em Foz do Iguaçu – PR. Realizou-se uma pesquisa de caráter quantitativo com 18 jovens de ambos os sexos, com idades entre 18 e 24 anos. Com os resultados desta pesquisa levantamos informações para ajudar os próximos participantes do programa se situarem melhor no âmbito profissional, já que a mesma nos trouxe fatores norteadores que prejudicam ou contribuem para o exercício do trabalho.

Palavras-Chave: Aprendiz Legal, Trabalho, Psicologia do Trabalho, Facilitantes, Dificultantes.

1. Introdução

A maioria dos jovens nos programas de aprendizagem ainda está na adolescência, (por terem idade a partir de 14 anos), que segundo a definição da UNICEF (2002, apud SILVA, 2012) é a “fase específica do desenvolvimento humano caracterizada por mudanças e transformações múltiplas e fundamentais para que o ser humano possa atingir a maturidade e se inserir na sociedade no papel de adulto”.

Nesse sentido, avaliou-se a necessidade de estudar o trabalho do aprendiz, pois ao mesmo tempo em que eles se encontram em um período de desenvolvimento físico, psicológico e social também se deparam com os novos desafios do ambiente de trabalho e a aprendizagem de uma nova função, deparando-se com fatores de dificuldades em relação ao seu trabalho e também com fatores os quais ajudam no processo laboral do trabalho destes. Assim, pretendemos identificar tais fatores e discutir a relação dos mesmos com os fatores socioeconômicos de cada indivíduo.

Pretende-se por meio da pesquisa de variável quantitativa, identificar se os fatores: Habilidade em comunicação verbal; O relacionamento de um aprendiz com o outro; O fato de se receber ordens; As expectativas; Lidar com responsabilidades; Controlar horários e pontualidade; Conciliar o trabalho com os estudos; A presença ou ausência da autoconfiança; O treinamento que estes aprendizes recebem ou que já haviam recebido; Conciliar trabalho e lazer; A remuneração; O conhecimento na área de atuação; A questão da competitividade; Conciliar trabalho e cuidados com a saúde; Experiências anteriores; Incentivo da comunidade; A relação com os efetivos da empresa; As tarefas exercidas no trabalho; Relação com o supervisor; Cooperação entre os colegas e o Ambiente físico de trabalho, são facilitadores ou dificultantes para a maioria dos aprendizes, dada a frequência de respostas obtidas.

Com base nos resultados da pesquisa verificaremos quais são as possibilidades de atuação do psicólogo junto ao aprendiz esclarecendo duvidas, medos e incertezas ao que cerca toda a realidade vivenciada em seu meio de trabalho.

O presente artigo divide-se inicialmente em quatro seções teóricas formuladas a partir de revisão teórica. As seções teóricas apresentadas intitulam-se: “Mercado de Trabalho e juventude”, “A Importância do Trabalho para o Jovem”, "O Programa Jovem Aprendiz” e “O Jovem no Programa de Aprendizagem”. Em seguida, será discutida a metodologia aplicada para a pesquisa. Em um passo posterior, serão demonstrados os resultados encontrados.

2. Fundamentação Teórica

2.1 Mercado de Trabalho e juventude

O mercado de trabalho está cada vez mais exigente e seletivo, dificultando que os jovens consigam seu primeiro emprego, visto que os jovens “normalmente já estão em situação de desvantagem devido às suas características específicas, como a falta de experiência e a busca de experimentação” (ROCHA, 2008, p. 533).

Entre os diversos motivos pelos quais os jovens buscam ingressar no mercado de trabalho estão, além de autonomia financeira, também a busca do reconhecimento de suas capacidades produtivas, a busca pela garantia de seus direitos como adulto e deixar de ser dependente dos pais (MATHEUS, 2011).

No entanto, para que os objetivos dos jovens em relação ao trabalho consigam ser supridos, é necessário que os empregadores os deem oportunidades, para isso verificamos ser fundamental a existência de programas sociais, que trabalhem com os jovens no sentido de profissionalizar, prepará-los para o mercado de trabalho competitivo, e também para colocá-los a par da legislação trabalhista vigente, bem como dar para eles a estrutura de que precisam para o começo de uma atividade ainda nova e desconhecida, a primeira experiência de trabalho.

O Brasil necessita de uma política para a juventude que compreenda educação, trabalho, cultura, saúde e lazer, de modo a garantir melhoras na qualidade de vida de nossos jovens e criar condições para o desenvolvimento sustentado do país (SILVA e KASSOUF, 2002).

2.2 A importância do trabalho para o jovem

O trabalho realizado por adolescentes e jovens carece de mais ênfase tanto por pesquisadores quanto por empregadores, pois segundo Bock (2001, p. 106) é através da inserção ou preparação para o mundo do trabalho, que os projetos de vida estabelecidos após a formação da personalidade são concretizados na juventude e conectam o indivíduo com a realidade.

Bock (2001) conceitua os termos adolescência e juventude relacionando-os relacionados ao trabalho: “Dá-se o nome de adolescência ou juventude à fase caracterizada pela aquisição de conhecimentos necessários para o ingresso do jovem no mundo do trabalho e de conhecimentos e valores para que ele constitua sua própria família”.

O trabalho forçado e exploratório de crianças é de grande prejuízo em vários âmbitos do desenvolvimento infantil. “A legislação brasileira proíbe o trabalho noturno perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo nas condições de aprendiz, a partir de 14 anos” (BRASIL, 1999 apud OLIVEIRA, 2005, p. 1).

Embora em condições precárias o trabalho na adolescência seja prejudicial, em condições adequadas e estáveis pode apresentar diversos benefícios aos jovens. Mauro (1995, apud GUIMARÃES e ROMANELLI, 2002) defende que, “o trabalho pode propiciar o amadurecimento psicológico e intelectual dos adolescentes”.

Segundo Guimarães e Romanelli (2002) o trabalho propicia para o adolescente a aprendizagem em formas de sociabilidade as quais irão nortear seu processo de busca de autonomia e de independência, além de suprir as necessidades afetivas e de apoio geradas pelo sentimento de pertencimento a um grupo. Alves-Mazzotti (1994, apud Oliveira, 2005) ainda afirma que além do trabalho ser uma atividade necessária para o sustento ou ajuda à família, os adolescentes, ao trabalhar, se sentem úteis e com certa independência econômica, o que resulta em uma autoestima elevada, possibilitando associações positivas em relação ao futuro.

2.3 O Programa Aprendiz Legal

Pela legislação, o adolescente com idade acima dos 14 anos tem a possibilidade de entrar em contato com o mundo do trabalho através de contratos de trabalho especiais, esse direito está garantido na Constituição federal de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. (Lei 8.069 de 1990). (Ministério do Trabalho e Emprego [MTE], 2014).

O Aprendiz Legal é um programa de aprendizagem técnico-profissional destinado aos jovens de 14 a 24 anos (exceto em caso de deficiência). É uma alternativa que viabiliza o primeiro contato do adolescente e jovem adulto com o mundo do trabalho, e que, além disso, “respeite a condição de pessoa em desenvolvimento e garanta seus direitos trabalhistas e previdenciários sem deixar de estimulá-los a continuar os estudos e o desenvolvimento profissional” (Ministério do Trabalho e Emprego [MTE], 2014).

2.4 O jovem no programa de Aprendizagem

A busca por conhecer o processo de inserção do jovem no mercado de trabalho e se possível através de programas de aprendizagem, está embasado na preocupação de preparar o jovem a estas realidades, para que sua experiência seja a mais próspera possível, pois segundo Codo (1992, apud AMAZARRAY, 2009, p. 329) o trabalho é positivo quando este proporcione aprendizado e crescimento ao adolescente, mas este depende das condições laborais favoráveis.

Como em toda experiência nova, o ingresso ao mercado de trabalho também tem fatores que facilitam ou dificultam esta vivência. Segundo Fischer e cols. (2005, apud AMAZZARAY, 2009) um conjunto de fatores negativos no trabalho do jovem seria a falta de experiência anterior, a sobrecarga de tarefas (e baixo controle sobre elas), exigências exageradas, e ter menos tempo de sono, estudos e lazer.

Estes fatores seriam referentes a “muita responsabilidade” e as mudanças repentinas na rotina. O ambiente de trabalho também se transforma em um desafio para o jovem, pois segundo Mattos (2008) o jovem muitas vezes se sente deslocado e não pertencente à equipe. Porém, o ambiente de trabalho pode ser positivo na formação do jovem, já que “o ambiente de trabalho representa um novo contexto no qual os jovens passam a interagir diariamente com outros adultos, além de seus familiares, que ocupam funções de supervisores e colegas” (MATTOS, 2008, p. 92).

Um fator que está envolvido ao bom desempenho do jovem no trabalho é o treinamento de habilidades necessárias à função que irá exercer que deve ser proporcionado a eles pela empresa, mas que segundo Madeira (2004, p. 83) “os empregadores tendem a investir pouco no treinamento dos empregados subsidiados por saberem que o subsídio termina logo”. E ainda, “os jovens pouco qualificados têm, naturalmente, maiores dificuldades de inserção no mercado, o que se reflete em menor taxa de atividade” (ROCHA, 2008, p. 546). Deve ser ressaltada a influência do trabalho do jovem também em relação aos estudos e à saúde e seus cuidados:

O trabalho desenvolvido precocemente por adolescentes pode ser fator decisivo em suas vidas, podendo ter consequências positivas e também negativas ao seu desenvolvimento físico e psicossocial, especialmente em função da competição que se estabelece entre as atividades de trabalho extraescolar ou domiciliar e as atividades escolares, de esporte e lazer, portanto aquelas que possibilitam um meio saudável de formação psicológica e social do jovem. [...] [O trabalho é] positivo para o desenvolvimento psicossocial e a constituição da identidade, e os problemas que decorrem de uma carga física e psicológica precoce. Os comprometimentos para a saúde fazem parte dessa representação, ora se apresentando em forma de autoculpabilização, ora associados às condições de trabalho e à privação do sono (FISHER, OLIVEIRA e TEIXEIRA 2003).

Ainda sobre conciliar trabalho e estudos, Mattos (2008, p. 100), descreve que:

O desafio de conciliar trabalho e escola, passa pela superação da falta tempo para estudar e para realizar as atividades escolares. Depois que os jovens começam a trabalhar, torna-se necessário reorganizar a  rotina diária para acomodar a atividade laboral, que ocupa boa parte do dia, em turno oposto à escola.

Há, no entanto, outros fatores que influenciam no trabalho, porém não estão ligadas ao trabalho em si e, portanto aparecem como secundárias, mas não mesmo importantes. São eles, os fatores sociais, econômicos e culturais. Estes fatores podem determinar, por exemplo, a motivação dos jovens ao trabalho.

Há casos onde os jovens se veem obrigados a trabalhar para ajudar no sustento da casa, mantendo-se no trabalho com a única finalidade de usar o salário para ajudar nas despesas familiares, e não realizam uma reflexão sobre o futuro profissional (MATTOS e CHAVES, 2010). Outro fator do adolescente buscar um trabalho é a vontade de adquirir bens que os pais podem oferecer (FORTUNATTI e LUCAS, 2013).

Segundo Papalia (2009, apud FORTUNATTI e LUCAS, 2013, p. 161):

[...] muitos fatores influenciam as aspirações vocacionais dos jovens, entre eles estão a capacidade individual, personalidade, educação, os ambientes econômicos e étnicos, o conselho de orientadores educacionais, as experiências de vida e os valores sociais.

E ainda, o apoio social recebido pelos familiares, amigos e educadores, é essencial para os jovens superarem os desafios que implicam no trabalho. (Mattos & Chaves, 2010).

3. Metodologia

Essa pesquisa é de variável quantitativa, pois foi empregada quantificação na coleta dos dados e no tratamento deles, por meio do tratamento estatístico. Foi a variável mais adequada às expectativas do projeto por possibilitar a coleta de dados objetivos que podem ser facilmente interpretados pela frequência de respostas adquiridas. A pesquisa também é explicativa, por identificar fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência de fenômenos e é pesquisa participante devido a seu objetivo de gerar autonomia das pessoas envolvidas na identificação, análise crítica e resolução dos problemas.

3.1 Instrumento

O instrumento escolhido foi um questionário autoaplicável, composto de 10 (dez) questões objetivas, sendo nove (nove) questões socioeconômicas e a 10ª (décima) uma questão que consiste em uma lista de fatores aos quase os aprendizes deveriam marcar “F” caso considerasse facilitador ou “D” caso considerasse dificultante em relação ao seu trabalho em diversos aspectos. Utilizamos vocabulário de simples compreensão e questões curtas, para proporcionar melhor compreensão por parte dos participantes e para que não se tornasse exaustivo.

O questionário foi elaborado pelo grupo a partir da fundamentação teórica, pois tivemos dificuldade em encontrar um instrumento adaptável aos objetivos a serem investigados. Realizou-se o pré-teste com alunos do 1º (primeiro), 2º (segundo) e 3º (terceiro) período de psicologia, os quase apresentavam a mesma faixa etária dos aprendizes, para verificar a compreensão das questões e possíveis falhas no instrumento. Obtivemos êxito no pré-teste, o que nos proporcionou a segurança de aplicar o instrumento no público-alvo do projeto.

3.2 Participantes

Realizou-se a aplicação com uma amostra de 18 aprendizes com idade entre 18 e 24 anos, incluídos no programa Aprendiz Legal pela empresa Gerar – Foz do Iguaçu, empregados no Hotel Mabu Thermas Grand Resort.

4. Resultados

Foi feita uma pesquisa através de um questionário para coleta de dados dos fatores que facilitam e/ou dificultam o trabalho para o Aprendiz Legal. O questionário foi aplicado em 18 aprendizes do Hotel Mabu Thermas Grand Resort sendo 10 deles do sexo Masculino e 8 do sexo Feminino.

Tendo em vista que são diversos setores, inicialmente foi analisado um grupo que consiste em cinco dos aprendizes. Destes cinco aprendizes, quatro tem entre 18 e 19 anos, dois estão cursando o ensino médio e dois tem o ensino médio concluído, uma das cinco aprendizes tem 23 anos e tem apenas o ensino fundamental completo. Nem todos demonstram interesse na área que atuam, todos contribuem na renda da família, apenas um deles não. E um dos setores em que foi mais encontrado fatores dificultantes, como exemplo, o fato de Conciliar o trabalho com os estudos foi marcado por 90% dos aprendizes da área.

Em outros setores foi analisado uma aprendiz de 20 anos, cursando o ensino superior; é seu primeiro emprego, contribui um pouco na renda da família, se interessa muito pela área em que atua. Neste caso os fatores dificultantes foram maiores que os facilitadores, isto pode ser dado ao motivo de ser seu primeiro emprego, tendo marcado como dificultante fatores como lidar com responsabilidades, expectativas, e ambiente físico de trabalho. Outro aprendiz de 18 anos tem o ensino médio concluído, contribui um pouco na renda familiar, e tem interesse na área em que atua. Aparenta ter dificuldade apenas nos fatores de remuneração e conciliar o trabalho com o lazer e os estudos.

Há dois aprendizes com diferenças relevantes para pesquisa sendo ambos do sexo masculino, um deles está cursando o ensino superior, e tem 22 anos, não contribui na renda familiar, tem muito interesse na área que atua e mostrou não ter dificuldade nenhuma no trabalho, pois todos os fatores foram marcados como facilitadores para o seu trabalho. O outro aprendiz tem o ensino médio concluído, e tem 18 anos de idade, contribui com metade da renda familiar, não tem interesse na área em que atua, os fatores dificultantes marcados pelo mesmo foram os de remuneração e de conciliar o trabalho com o lazer e os estudos também foram marcados como dificultante o fator de controlar o horário e a pontualidade.

Foram analisados quatro aprendizes, todos com o ensino médio concluído, dois destes aprendizes contribuem na renda familiar. Três tem interesse na área em que atuam, porém os fatores que se mostram dificultantes para estes aprendizes são os mais diversos, para um dos aprendizes, o único fator dificultante foi à experiência anterior, tendo assim todos os outros fatores como facilitadores para sua atuação no seu trabalho. Outros dois aprendizes assinalaram como dificultantes, conciliar o trabalho e saúde, competitividade e remuneração. Um deles mostrou ter dificuldade na relação com os colegas e na execução de suas tarefas, já o outro mostrou ter dificuldades na relação com os supervisores e com o ambiente físico do trabalho. Já o outro aprendiz, contribui um pouco na renda familiar, e tem pouco interesse na área que atua. Assinalou como dificultantes os fatores relacionados a expectativas, falta de conhecimento da área, treinamento e ambiente físico de trabalho.

Dois aprendizes, um está cursando o ensino médio e tem 19 anos, não contribui na renda da família, tem pouco interesse na área em que atua e é seu primeiro emprego, assinalou como fatores dificultantes a conciliação do trabalho com estudos, lazer e saúde, também como dificultante em lidar com responsabilidades. O outro aprendiz tem 18 anos, está cursando ensino superior, contribui um pouco na renda da família e tem muito interesse na área em que atua, não assinalou nenhum dos fatores apresentados como dificultantes e sim como facilitadores para seu trabalho, acrescentou um na opção de outros: ambientes para estudos.

Três aprendizes mulheres, duas tem o ensino médio concluído e uma está cursando, todas contribuem um pouco na renda da família e tem interesse na área em que atuam. Duas aprendizes assinalaram o treinamento e a competividade como dificultantes, entre alguns outros fatores, a outra aprendiz assinalou apenas a remuneração como dificultante para sua atuação no trabalho.

A remuneração mostrou-se o maior dificultante no trabalho dos aprendizes do hotel, levando a um total de 67% sendo que a maioria que assinalou como dificultante mora com mais de uma pessoa, geralmente com pai e mãe, e contribui pouco na renda familiar.

O fator seguinte é o qual 50% acredita ser dificultante os outros 50% não, é Conciliar trabalho e estudos, dadas estas informações é visível que nove dos aprendizes que não consideram o fator como dificultante não estão em seu primeiro emprego, já os outros nove sim, tendo em consideração que boa parte deles tem o ensino médio completo.

Outro fator que dividiu os aprendizes novamente em 50% facilitador e 50% dificultante, é o fator de Conciliar o trabalho com a saúde, 80% dos aprendizes que marcaram este fator como dificultante tem pouco interesse na área em que atuam. 78% dos aprendizes que marcaram como facilitante tem muito interesse na área em que atuam.

Fatores como Relação com outros aprendizes, Relação com efetivos da empresa, Autoconfiança, Tarefas exercidas no trabalho, Lidar com responsabilidades, receber ordens, tiveram um índice maior como facilitadores no trabalho, tendo em que conta que não é o primeiro emprego de 80% dos aprendizes, e nem todos trabalham no mesmo setor, é estabelecido um vinculo de harmonia satisfatório no ambiente de trabalho.

Gráfico 1

Gráfico 2

5. Conclusão

Em virtude dos fatos mencionados no presente artigo, conclui-se que há maior ocorrência de fatores facilitadores do que dificultantes o que leva a reflexão do trabalho que é desenvolvido no programa Jovem Aprendiz feita pela empresa Gerar, empresa responsável pelo programa na cidade de Foz do Iguaçu e que por meio de seleção insere aprendizes no mercado de trabalho, em empresas com um grande número de funcionários como o Hotel Mabu Thermas Grand Resort, empresa escolhida para execução do projeto de pesquisa.

Os fatores facilitadores que mais se destacaram em seus escores na tabulação de dados como apresentado foram: “Relação com os outros aprendizes”, “Autoconfiança” e “Incentivo de comunidade” o que foi interpretado pelos integrantes do projeto que o programa em si, o ambiente de trabalho, a didática do curso e a influência da família/amigos do jovem pode ser fatores que possibilitem emergir sentimentos positivos com o aprendizado, causando impacto no seu desempenho no trabalho e agregando valores para sua vida nesse período de contrato. Em contra partida, foi verificado que um fator determinante que pode dar indícios de dificultador no trabalho do aprendiz é a “Remuneração”, isso pode estar ligado a diversos outros aspectos implícitos que não foram constatados durante a pesquisa e não mencionados no questionário.

É interessante ressaltar que incentivos como esses de inclusão do jovem no mercado, são cada vez mais vantajosos para ambas as partes, e que se faz válido a reflexão e impacto na vida do jovem ao poder participar dessa plataforma de aprendizagem. A partir da análise dos dados obtidos, optou-se por intervir juntos aos aprendizes levando informações sobre os fatores coletados por meio de uma cartilha. Nosso objetivo com isto foi amenizar possíveis dúvidas.

Refletiu-se a importância da atuação do psicólogo para ajudar o aprendiz no ajustamento à rotina e ambiente de trabalho. Também é necessário o acompanhamento do psicólogo às dificuldades apresentadas pelos aprendizes, mas, além disso, a contribuição do psicólogo pode ser direcionada à prevenção de eventuais conflitos entre aprendizes.

Sobre os Autores:

Bruno Pereira da Silva - Estudante de Psicologia da Faculdade União das Américas. Foz do Iguaçu – PR.

Diane Yasmin Nunes de Souza - Estudante de Psicologia da Faculdade União das Américas. Foz do Iguaçu – PR.

Leticia Vieira Perico - Estudante de Psicologia da Faculdade União das Américas. Foz do Iguaçu – PR.

Maria Jaqueline Nandi - Estudante de Psicologia da Faculdade União das Américas. Foz do Iguaçu – PR.

Mohamed Riveros Fadel - Estudante de Psicologia da Faculdade União das Américas. Foz do Iguaçu – PR.

Silvia Keine Oenning Exterkotter - Estudante de Psicologia da Faculdade União das Américas. Foz do Iguaçu – PR.

Referências:

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