O Professor de Psicologia e Suas Motivações

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Resumo: Este artigo é o resultado do projeto de pesquisa sobre as motivações que levaram um profissional Psicólogo querer permanecer no meio acadêmico, tornando-se professor de disciplinas afins a Psicologia. Trata-se de uma pesquisa qualitativa/descritiva, que explana sobre os processos de escolha da profissão de Professor-Psicólogo, bem como a motivação para continuar lecionando. Afere o nível de satisfação dos sujeitos no exercício da mesma e discute sobre a possibilidade de conciliação com outras áreas de atuação da Psicologia. Os dados coletados são analisados de acordo o método qualitativo, por considerar as particularidades da subjetividade.

Palavras-chave: Motivação, Profissão, Professor, Psicologia.

1. Introdução

O presente artigo objetivou conhecer as motivações que levaram um psicólogo optar pela carreira acadêmica, ao se tornar professor de Psicologia. Assim como comparar como se deram os processos de escolha da profissão Professor- Psicólogo; identificar a motivação para continuação na vida acadêmica e aferir o nível de satisfação obtido no exercício da licenciatura em Psicologia.

A partir de determinadas habilidades inatas ou adquiridas ao longo do estudo da Psicologia, unido ao desejo de contribuir com as pesquisas psicológicas, surge à motivação por lecionar Psicologia. Então, a partir desse entendimento, o tema que conduziu este artigo foi “o professor de Psicologia e suas motivações”.

Sabendo que a atuação do Psicólogo não se limita apenas à Psicologia Clínica, mas, na verdade, há diversas áreas de atuação; dentre elas, a licenciatura em Psicologia, ou seja, ser um professor-psicólogo, assim, o objeto do artigo foi “a motivação do professor-psicólogo”, isto é, manter o foco nas razões pessoais para a escolha da permanência na vida acadêmica, contribuindo para a formação de novos profissionais psicólogos.

No entanto, vale destacar que o problema norteador foi a seguinte indagação: “quais os motivos que levaram psicólogos optarem pela carreira no campo acadêmico lecionando disciplinas da Psicologia?”. Mediante tal questionamento elegemos a hipótese que o professor-psicólogo escolhe ser professor devido  a vários fatores. Porém, ressaltamos que o desejo de contribuir com os avanços das pesquisas psicológicas, bem como poder proporcionar aos acadêmicos uma base teórico-prática sólida a ponto de que no exercício da profissão Psicologia, favoreça aos indivíduos o acolhimento psicológico de modo eficaz.

O profissional de Psicologia Clínica vivencia diversas situações em suas rotinas de atuação, observando comportamentos, evidenciando resultados inerentes às pessoas que buscam ajuda para a eliminação dos seus problemas. Através desta ciência, este profissional contribui para que o indivíduo encontre o equilíbrio que busca. Por ter a oportunidade de vivenciar essa prática, este profissional adquire inúmeras experiências as quais favorece o despertar para a realização de mais uma atividade profissional, dentre elas, a de ser um professor-psicólogo.

Deste modo, surgiu o interesse em conhecer e trazer para o público os motivos que desencadearam o desejo no profissional de Psicologia em lecionar disciplinas no curso de Psicologia. Visto que o conhecimento que possuímos acerca dessa temática ainda é muito primitivo, e através dessa experiência, nos será dada a oportunidade de ampliar o nosso conhecimento e possibilitar também a outras pessoas o acesso a essas informações, que talvez, para elas ainda sejam desconhecidas.

Neste sentido, o presente artigo buscou construir um perfil desse profissional, conhecendo a sua qualificação e formação acadêmica, além das razões que o conduziram para este caminho.

2. Referencial Teórico

Uma das perguntas mais recorrentes aos educandos é: o que você quer ser quando crescer? Fazendo referência a difícil escolha da profissão. Porém, essa escolha não é tão simples assim. Bock (1999) afirma que o processo de escolha da profissão é um processo de identidade do indivíduo, e neste muitos fatores são importantes para a sua consolidação, dos quais a autora destaca as expectativas, gostos, habilidades, exemplos, anseios materiais, limites e possibilidades, desejos, negações e afirmações. A partir desse entendimento, cai por terra ideia errônea da vocação para a escolha da profissão.

A vocação do ser humano é exatamente não ter vocação nenhuma (...) o que diferencia o homem de todos os outros animais é exatamente sua não especialização (biológica) para nenhuma atividade específica. (...) Não é vocação. São fatores biológicos, sociais, psicológicos e culturais que determinam a escolha da profissão e seu futuro” (BOCK, 1999, p. 8).

Uma vez a profissão escolhida, outro fenômeno que merece destaque por sua importância para a permanência de seu exercício é a motivação, um processo psicológico básico definido como sendo uma força, uma energia que nos impulsiona na direção de alguma coisa. Ele afirma que motivação é absolutamente intrínseca, ou seja, vem de dentro de nós e emerge para fora, nasce das necessidades interiores. Ou seja, cada pessoa tem motivação para uma determinada situação e em virtude disso, age ou não. Em contraponto, podemos sofrer influências externas, denominada de motivação extrínseca, que são os estímulos e incentivos que provocam nossa motivação, ou seja, aquilo que vem de fora para dentro. Logo, motivação vem de dentro e estimulo vem de fora (VERGARA, 2007).

Unindo Vergara (2007) e Bock (1999), encontramos respaldo para defender a hipótese de que os estudantes de Psicologia, ao final do curso, optam por continuarem no campo acadêmico cursando mestrado e, consequentemente, vindo a ser professor universitário, pelo motivo que são extremamente influenciados por fatores diversos que vêm desde a infância, culminando com toda a gama de influência obtida na vida acadêmica, unindo ao desejo de poder continuar realizando pesquisas científicas em Psicologia e, por fim, contribuir para o fortalecimento da Psicologia em toda sua abrangência.

Outro autor bastante conceituado em se falando de motivação é Abraham Maslow, que na década de 50, afirmou que motivação se aplica a todas as atividades da vida humana e que todos os homens aspiram à autorrealização plena das suas potencialidades, ao tempo em que elegeu a hierarquia das motivações ou necessidades, em ordem crescente (VERGARA, 2007).

“I. Necessidades fisiológicas: (fome, sede, sono, sexo, luz solar, alimento, oxigênio, etc.); II. Necessidades de segurança: sentir-se livre do medo e das ameaças, de não depender de ninguém, de autonomia, de não estar abandonado, de proteção, de confidencialidade, de intimidade, de viver num ambiente equilibrado (salário, casa própria, seguro-saúde, aposentadoria, emprego, etc.); III. Necessidades afetivo-sociais: (afiliação, afeto, companheirismo, relações interpessoais, conforto, comunicação, dar e receber amor); IV. Necessidades de estima: (prestígio, respeito pela própria dignidade pessoal, autoestima, individualidade, identidade sexual, reconhecimento); V. Necessidades de autorrealização: autoexpressão, realização do nosso potencial, utilidade, criatividade, produção, (diversão e ócio)” (VERGARA, 2007).

Desta hierarquia das motivações ou necessidades de Maslow, com relação à escolha que o profissional Psicólogo faz quando ingressa na licenciatura em Psicologia, vai além da necessidade de segurança, quando se refere à conquista de um emprego, salário, seguro-saúde e aposentadoria, na verdade, pois, a motivação que merece destaque aqui é a necessidade de autorrealização, visto que através da prática docente, o mesmo adquirirá a realização do seu potencial, tanto intelectual quanto na contribuição no aprendizado de seus alunos, e, ao final, entrará num estado de autorrealização profissional por contribuir socialmente, bem como na promoção do avanço científico.

“O envolvimento dos acadêmicos nos movimentos do professor como pesquisador tem sido, na sua maioria, para produzir uma literatura acadêmica” (...). (Kincheloeb(1991); Carr e Kemmis (1987); Winter (1987), citados em Zeichner (1998). Esse contato com os professores na realização dos trabalhos acadêmicos favorece o gosto pela permanência da vida acadêmica. Através da relação direta entre professor-acadêmico, é natural o aluno desenvolver admiração pelo trabalho de seu mestre, a tal ponto de querer seguir os seus passos. E a partir do acúmulo de conhecimento obtido, este se vê na obrigação de propagar tais conhecimentos a novos interessados pela Psicologia. Assim, a influência dos professores é de fundamental importância para a escolha da permanência no meio acadêmico, desta vez não como discípulo, mas como um mestre.

3. Metodologia

A pesquisa foi do tipo qualitativa/descritiva, na qual lidou com amostras não probabilísticas por conveniência, onde os sujeitos foram escolhidos para compor a amostra de acordo com a conveniência e facilidade da equipe pesquisadora.

No curso de Psicologia da Faculdade Pio Décimo, o quadro de professores é composto por 31 (trinta e um) mestres; destes, apenas 04 (quatro) não formados em Psicologia. Então, elegemos uma amostra de 04 (quatro) Professores-Psicólogos, um quantitativo que representa 14,80% dos 27 (vinte e sete) que compõem a comunidade docente.

Garret (1981) afirma que a entrevista se trata de uma “conversa formal” com alguém que se deseja obter informações sobre seus atos, ideias, vida, etc. Bem como seu objetivo principal deve ser a obtenção de conhecimento do problema que se deseja estudar e um entendimento considerável da pessoa e de seu problema relatado. Então, a partir dessa definição, elegemos a entrevista como instrumento de coleta de dados, que através de uma conversa formal, pautada em 03 (três) perguntas subjetivas o que favorecerá respostas livres. Portanto, através da pesquisa foi possível apurar as variáveis necessárias para a obtenção do objetivo almejado.

Em primeiro momento, mantivemos o contato com os professores selecionados para agendar a efetivação da entrevista. Então, a coleta de dados foi realizada por meio de entrevista registrada através de gravador de áudio. Utilizamos uma das salas de aula da Faculdade Pio Décimo para entrevistar os sujeitos da pesquisa. Foi informado o problema que norteou a pesquisa, bem como os objetivos, e, só após a assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, concordando com a sua participação na entrevista, iniciamos a entrevista propriamente dita.

A análise qualitativa foi o método utilizado, onde as respostas foram organizadas por categorias similares, a fim de efetivarmos as análises dos dados coletados, visto que este método levou em consideração as questões da subjetividade e do particular ao sujeito. No entanto, em se falando de uma amostra da comunidade docente composta por 04 (quatro) sujeitos, essa análise obedeceu aos critérios das unidades de registro e de contexto, categorias e, principalmente, correlacionamos todas as semelhanças e diferenças encontradas com o referencial teórico.

4. Análise dos Dados

Entrevistamos os 04 (quatro) Professores-Psicólogos do curso de Psicologia da Faculdade Pio Décimo, Aracaju/SE, amostra essa que nos permitiu vislumbrar as diversas motivações que levaram os mesmos a escolherem continuar na vida acadêmica, lecionando as disciplinas afins à Psicologia, o que nos favoreceu compreender como se deram os distintos processos da formação profissional dos mesmos.

A entrevista seguiu um modelo padrão com 03 (três) questionamentos apenas, no entanto, que nos permitiu coletar dados suficientes para a análise e discussão sobre as motivações tanto desde o processo de escolha da profissão quanto para a permanência na mesma. Então, seguem abaixo as discussões dos dados coletados organizados por categorias, ao tempo em que os correlacionamos com o referencial teórico bem como com o nosso ponto vista.

Antes de apresentarmos os dados propriamente ditos, se fez necessário apresentar a visão global do perfil da amostra entrevistada.

Ordem

Sujeito Entrevistado

Faixa-Etária

Sexo

25-30

30-35

35-40

40-45

M

F

01

L.N.

 

X

     

X

02

R.R.

     

X

 

X

03

E.V.

   

X

 

X

 

04

T.C.

 

X

   

X

 

Tabela 1: Perfil.

Conforme consta na tabela acima, escolhemos 02 (dois) sujeitos do sexo masculino e 02 (dois) sujeitos do sexo feminino, com faixa-etária bem diversificada, a fim de contemplarmos uma amostra que representasse todo o universo da comunidade docente do curso de Psicologia da Faculdade Pio Décimo.

A partir das três indagações realizadas aos sujeitos através da entrevista, elegemos três categorias a serem discutidas: “processo de escolha da profissão”; “motivação para continuar lecionando” e “nível de satisfação”.

4.1 Processo de escolha da profissão

Nesta categoria percebemos que os quatro sujeitos ao relatarem o processo de como se deu a escolha da profissão de Professor-Psicólogo, valeram-se da hierarquia das motivações ou necessidades de Maslow, visto que cada processo foi além da necessidade de segurança, pois nos casos dos mesmos, suas motivações para o ingresso na licenciatura da Psicologia, não se referiram a conquista de um emprego, salário, seguro-saúde e aposentadoria apenas, mas, na verdade, claramente percebemos que a motivação que se destacou, ainda de acordo com a hierarquia das motivações de Maslow, foi à necessidade de autorrealização, haja vista que através da prática docente, os mesmos foram em busca da realização do potencial intelectual, como também no sentimento de poder contribuir no aprendizado de seus alunos e poder permanecer em meio às pesquisas científicas em Psicologia. Logo, consideramos que foi a busca pela autorrealização profissional que levou os professores-psicólogos entrevistados optaram pela permanência no campo acadêmico, não mais como aluno, mas como um professor (VERGARA, 2007).

Destacamos a seguir partes das entrevistas dos sujeitos que reforçam tais considerações:

Foium processo natural... Assim aconteceu comigo. Porque foram oportunidades de emprego que foram aparecendo no começo da minha carreira há 17 (dezessete) anos atrás, e aí, mexeram com algumas questões internas”. E.V.

Através desta resposta do sujeito “E.V.”, percebemos que a priori ocorreu à motivação extrínseca, isto é, foram as influências externas, ou seja, as primeiras oportunidades de emprego, que levaram o mesmo a desenvolver a motivação intrínseca, quando menciona suas questões internas (VERGARA, 2007).

“[...] meu desejo na Psicologia sempre foi à clínica, né? Depois de passar por várias correntes teóricas, estudos, me aproximei de uma e de outra e acabei na psicanálise, e quando a gente trabalha com psicanálise, a gente se vincula a instituição de psicanálise. Nesse vínculo, a gente ministra seminários, cursos, né? Participa de atividades onde a gente está nessa função de mestre, né? De professor, e aí então comecei a gostar, e surgiu a ideia de fazer coisas que eu gosto”. R.R.

A partir dessa resposta, pudemos perceber que vários fatores contribuíram no processo de escolha da profissão Professor-Psicólogo, dos quais destacamos socioculturais e, principalmente, psicológicos. Concordando com o que afirma Bock (1999) ao dizer que a vocação humana é não ter vocação nenhuma, pois o que diferencia o homem dos outros animas é sua não especialização (biológica) para nenhuma atividade específica, assim, a entrevistada sempre foi influenciada  ao longo do curso de psicologia, onde enfatizou que foi a psicanálise sua grande influência que culminou na escolha da docência em Psicologia.

“Eu sempre gostei de ser professora, mas assim, eu não atuava como professora. Eu escolhi porque eu sempre gostei de ensinar e durante a faculdade eu gostava muito de fazer trabalhos com os alunos e, aí, fiz alguns trabalhos em psicologia escolar que eu tinha contato, e passava as informações para eles e aí eu fui descobrir que eu gostava, né? Dessa parte de ensino, e, aí, fui direcionando, né? Que aí todo um direcionamento, que todas as especializações que fiz. O mestrado, que como professora universitária, pelo menos temos que ter o mestrado, e agora estou fazendo o Doutorado pra poder me dedicar mais a parte acadêmica”. L.N.

Nesta afirmativa, constamos que o envolvimento com trabalhos acadêmicos, principalmente em psicologia escolar, e, através da relação direta entre professor- acadêmico, desencadeou um interesse em propagar os conhecimentos obtidos aos novos interessados pela Psicologia. Assim, a influência dos professores é de fundamental importância para a escolha da permanência no meio acadêmico, desta vez não como discípulo, mas como mestre (KINCHELOEB (1991); CARR e KEMMIS (1987); WINTER (1987), citados em ZEICHNER (1998).

“[...] Na minha graduação participei, por exemplo, de três grupos de pesquisas, e esses três grupos de pesquisas que eu participava. Acabei entrando cada vez mais em grupos de pesquisas porque eu me interessava mesmo em pesquisar, e aí tudo que implica, [...]. Eu gostava, então, quando eu podia vislumbrar uma profissão que pudesse encaixar tudo isso, não era apenas uma profissão de um psicólogo dentro de um contexto, é complicado, sem reflexão, academia por exemplo”. T.C.

Com base em Vergara (2007) e Bock (1999), podemos afirmar que  são fatores diversos que vêm desde a infância, culminando com toda a gama de influência obtida na vida acadêmica, que levam a um jovem Psicólogo optar pelo exercício da licenciatura ao final do curso, então, face ao exporto, percebemos que o entrevistado acima afirmou que seu processo de escolha da profissão Professor- Psicólogo se deu basicamente no desejo de poder continuar realizando pesquisas científicas em Psicologia e, por fim, contribuir para o fortalecimento da mesma.

Portanto, nesse processo de escolha, as principais razões que se destacaram foram: primeiro emprego refletindo em questões internas, influência da instituição psicanalítica, prática docente durante a graduação e desejo de permanecer realizando pesquisas científicas. Razões essas, que de uma forma ou de outra, reforçaram a necessidade de autorrealização descrita por Maslow, pois não foram questões meramente de âmbito profissional, mas de realização pessoal.

4.2 Motivação para continuar lecionando

Uma vez cientes do processo da profissão, se fez necessário conhecer quais as motivações que favoreciam a permanência na mesma. Dessa forma, as motivações mencionadas não foram tão distintas uma das outras, porém, todas confirmaram nossa hipótese de que o psicólogo escolheu ser professor-psicólogo devido a vários fatores, conforme já listados anteriormente. Porém, ressaltamos que o desejo de contribuir com os avanços das pesquisas psicológicas, bem como poder proporcionar aos estudantes de Psicologia o acesso às teorias e suas práticas, através de uma troca de conhecimentos, que favorecessem a efetivação da formação com qualidade de novos Nesse sentido, ressaltamos as respostas dos sujeitos, bem como apresentamos o entendimento das mesmas: Profissionais Psicólogos.

[...]Eu gosto de tentar colaborar com o processo de aprendizagem dos alunos e tentar colaborar com o processo de formação dos novos profissionais psicólogos, pra evitar erros que aconteceram comigo. Eu tento colaborar”. E.V.

Conforme já afirmado, através desta resposta o sujeito “E.V.” confirmou a hipótese  no  tocante  a  sua  colaboração  no  processo  de  formação  de  novos psicólogos. Ao ser membro da comunidade docente no curso de Psicologia, por si só já é motivador, todavia, o mesmo reintera que pretende evitar que os erros cometidos por seus professores sejam repetidos com seus alunos. Tais palavras ratificaram o que afirmavam (KINCHELOEB(1991); CARR e KEMMIS (1987); WINTER (1987), citados em ZEICHNER(1998), quando dizem que através do contato direto com o professor faz com que o aluno queira imitá-lo por admirá-lo, porém, esse mesmo contato pode ter o efeito contrário, e foi o que aconteceu com sujeito “E.V.” em relação a alguns de seus professores, e agora como Professor-Psicólogo objetiva evitar que tais erros sejam cometidos novamente.

“[...] Eu acho que é a relação que tenho com o saber. [...]”. R.R.

Com essa resposta, o sujeito “R.R.” se valeu da hierarquia das motivações de Maslow, no tocante a necessidade de autorrealização, ou seja, a realização pessoal de seu potencial de produção. Justificando que a abordagem psicanalítica requer de seus adeptos a incessante busca pelo saber, isto é, a busca pela autorrealização (VERGARA, 2007).

Eu gosto muito dessa parte de troca. [...] a gente consegue fazer algumas discussões muito ricas, e querendo ou não, a gente está sempre aprendendo. [...]” L.N. Ainda de acordo com Vergara (2007) sobre as hierarquias das motivações de Maslow, o sujeito “L.N.” se utiliza da necessidade afetivo-sociais, no tocante as relações interpessoais que se estabelecem nas ministrações das aulas, através da troca de conhecimento, como motivação para sua continuação na profissão de Professor-Psicólogo.

Oq ue me motiva a continuar é formar pessoas. Porque na medida em que formo pessoas, vou ter gente para trabalhar comigo, para desenvolver conhecimentos, [...]”. T.C.

A motivação aqui manifestada pelo sujeito “T.C.” também referiu-se a necessidade afetivo-sociais, das hierarquias de Maslow, mas, vale ressaltar que essa motivação não fixa apenas nas relações que se constroem entre professor e aluno, mas, sim, na construção conjunta de conhecimentos (VERGARA, 2007).

Portanto, em se falando de motivações para a continuação do exercício da profissão de Professor-Psicólogo, as principais motivações que se destacaram foram: colaborar com a formação de novos psicólogos, relação com o saber, trocar

conhecimentos  e  formar  pessoas    e  desenvolver   conhecimentos.  Motivações semelhantes, visto que o saber acadêmico sempre foi enfatizado.

4.3. Nível de satisfação

Quanto ao nível de satisfação, constatamos uma unanimidade nas respostas dos entrevistados, pois todos afirmaram que há um grau de satisfação em estarem inseridos no meio acadêmico, exercendo a profissão de Professor-Psicólogo. Constatamos que esse exercício não impediu de que os sujeitos atuassem em outras áreas da Psicologia. Pelo contrário, enfatizaram que a união da docência com as outras áreas deram certo, a ponto de uma completando a outra.

De acordo a esse contexto, destacamos as respostas dos sujeitos, bem como apresentamos a compreensão das mesmas:

Sim.Com certeza. A realização é parcial, assim, né? Muito pessoal, mas, para mim, sim. [...]”. E.V.

“[...] É outra vertente da minha profissão que me satisfaz também, [...]”. R.R. “Sim, sim. Me sinto muito realizada. Gosto muito do que faço. Gosto tanto quanto ser Psicóloga. Quanto mais atuo como psicóloga, né? Para mim, estou vendo a mesma satisfação. Acho que até um pouco mais.” L.N.

Eu tenho esse privilégio que é trabalhar a disciplina que é da minha área, e tenho esse respaldo que é trabalhar no contexto aplicado, que é está na clínica e também no consultório, que isso tudo me dá conhecimento suficiente para trazer para cá e fazer as correlações.”. T.C.

Diante dessas respostas, o que ficou evidenciado é que a motivação principal para continuar sendo Professor-Psicólogo não foi o fator salário, sendo assim, o que prevaleceu sendo foi a necessidade de autorrealização. Ou seja, a conquista da autoexpressão, realização do seu potencial, utilidade, criatividade e produção ao que se refere à aquisição conhecimentos, propagação dos mesmos e contribuição com a pesquisa científica em Psicologia na academia (VERGARA, 2007).

5. Considerações Finais

Consideramos, sem dúvidas, que os quatro sujeitos entrevistados foram as peças fundamentais  para  a  realização  deste  artigo,  que,  somente  através  dos mesmos, confirmamos a hipótese de que não existe apenas uma única motivação para a escolha da profissão de Professor-Psicólogo. Ou seja, são os estímulos externos aliados a motivações internas, bem como às influências diversas recebidas durante o curso de Psicologia, unido ao desejo de contribuir com as pesquisas em psicologia que levaram os recém-formados em Psicologia almejarem permanecer no meio acadêmico, agora como professor.

Através deste artigo confirmamos o que os teóricos apontavam, a respeito da importância do professor como mediador do conhecimento, e grande influenciador de seus discípulos para seguir seus passos no campo acadêmico. Vale ressaltar que os objetivos foram alcançados, de onde consideramos que o processo de escolha da profissão é multifacetado, e que, uma vez escolhida para si à profissão de Professor- Psicólogo, o nível de satisfação foi considerado elevado, confirmando assim a hierarquia das necessidades de Maslow, ou seja, a necessidade de autorrealização foi atingida.

Sobre os Autores:

Amanda Tayná Passos dos Santos  - Estudante  da  disciplina  Metodologia  da  Pesquisa  em  Psicologia  do  Curso  de  Psicologia  da Faculdade Pio Décimo. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Elaine Góes Alves  - Estudante  da  disciplina  Metodologia  da  Pesquisa  em  Psicologia  do  Curso  de  Psicologia  da Faculdade Pio Décimo. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Gedalva Bispo de Jesus  - Estudante  da  disciplina  Metodologia  da  Pesquisa  em  Psicologia  do  Curso  de  Psicologia  da Faculdade Pio Décimo. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Thiago de Oliveira Felizmino - Estudante  da  disciplina  Metodologia  da  Pesquisa  em  Psicologia  do  Curso  de  Psicologia  da Faculdade Pio Décimo. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Aline Rabelo - Professora  da  disciplina  Metodologia  da  Pesquisa  em  Psicologia  do  Curso  de  Psicologia  da Faculdade Pio Décimo. Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Referências:

BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. Psicologias: uma introdução ao estudo da Psicologia. São Paulo: Saraiva, 1999.

GARRET,  A.  A  Entrevista,  seus  princípios  e  métodos.  Tradução  de  Maria  de Mesquita Sampaio. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Agir, 1981. P. 51.

VERGARA, S. C. Gestão de pessoas. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

ZEICHNER,  Kenneth  M.  Para  além  da  divisão  entre  professor-pesquisador  e pesquisador acadêmico. Campinas, Mercado de Letras ABL, 1998. Acessível em:  http://www.aparecida.pro.br/texto1/pesquisador_academico.doc    (acessado      em 02/05/2014).

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