Pânico e Labor: Aspectos que afetam na Qualidade de Vida do Trabalho

Resumo: O objetivo deste trabalho foi investigar o comportamento dos colaboradores que exercem a função de caixas nas lotéricas da Caixa Econômica Federal, localizadas em Pelotas com questões de ansiedade, pânico e qualidade de vida no trabalho. A qualidade de vida no trabalho proporciona uma maior participação por parte dos funcionários, criando um ambiente saudável e que cause bem-estar aos colaboradores. O TP caracteriza-se por episódios repentinos e recorrentes de forte ansiedade e medo, acompanhados de uma série de sintomas físicos e cognitivos intensos e muito desagradáveis. Alguns episódios podem ocorrer espontaneamente, sem um gatilho motivacional aparente, enquanto outros aparentam estar predispostos por determinadas motivações situacionais, como, por exemplo, alguma ocasião de entrada de indivíduos ameaçadores no ambiente de trabalho. A ansiedade é muito presente nos sujeitos que apresentam o Transtorno do Pânico. Para Gabbard (2006) a ansiedade pode estar ligada a um medo consciente e aceitável que mascara uma preocupação mais profunda e menos aceitável. Como método utilizou-se junto aos funcionários das Casas Lotéricas a metodologia da pesquisa, sendo o questionário, onde, dos 21funcionários, 10 responderam o mesmo. A pesquisa foi realizada através da aplicação de um questionário composto por 8 perguntas, as quais foram respondidas com êxito por parte dos funcionários que participaram desta pesquisa. Esta experiência proporcionou uma maior compreensão do tema e posteriores elaborações de ações para a melhora da qualidade de vida dos trabalhadores e também condições de segurança para os mesmos.

Palavras-chave: Pânico, Ansiedade, Qualidade de vida.

1. Introdução

O trabalho é a atividade central da vida do ser humano. Seja ele qual for, a legislação brasileira, ainda que não seja a ideal, tem avançado no que diz respeito à coesão entre o desenvolvimento de doenças psíquicas e trabalho. Conforme dados do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas do Conselho Federal de Psicologia (CREPOP), o Ministério da Saúde define como critérios para tal relação a “natureza da exposição, história ocupacional, grau ou intensidade da exposição, tempo de exposição, tempo de latência, evidências epidemiológicas e tipo de relação causal com o trabalho.”

O labor na contemporaneidade, através de seus estudos tem comprovado sua participação como gerador de sofrimento psíquico e, mais ainda, determinadas categorias de trabalho estariam propiciando uma maior incidência em casos de Transtornos de Ansiedade, em especial o de Pânico. O presente estudo aborda a relação do trabalho de colaboradores de Casas Lotéricas da Caixa Econômica Federal com o possível desencadeamento do Transtorno do Pânico.

Neste sentido, em 1962 um Decreto do então presidente João  Goulart, definiu que as Lotéricas passariam a ser administradas pela Caixa Econômica Federal. As casas lotéricas passaram a ocupar um papel de um serviço que vem a somar aos serviços dos bancos, como por exemplo, pagamento de contas, recebimentos de boletos e até mesmo abertura de contas bancárias.

Hoje, são 6.500 casas lotéricas da Caixa Econômica Federal espalhadas pelo país. A primeira Casa Lotérica surgiu em tempos coloniais. Naquela época, a Capitania de Minas Gerais, com o objetivo de arrecadar recursos para o término das obras da Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, atual Ouro Preto, promoveu seu primeiro sorteio.

Infelizmente, em muitas destas Organizações os sujeitos trabalhadores ficam sujeitos a muitos riscos de vida, por ficarem expostos, atendendo diversas pessoas, não tendo, na sua maioria, portas giratórias (como nos bancos) e também não possuindo equipamentos de segurança e tão pouco serviço de vigilância de um ou mais profissional (ais) qualificado(s) para auxílio nesta questão, ficando à mercê mais facilmente de possíveis eventos que possam interferir na vida psíquica, bem como no labor.

Uma vez que a ansiedade está estreitamente relacionada com o transtorno do pânico, faz-se necessário defini-la. Segundo BARLOW (1999) e HOLMES (1997), a ansiedade é um estado de desassossego e agitação, sendo uma manifestação afetiva. É uma vivência de um estado singular de cada sujeito, diante de uma alguma situação. Quando a ansiedade deixa de ser motivadora de mudanças, ela se converte em um problema que só provoca respostas de recusa ou de inibição, fazendo com que o sujeito esteja sempre em estado de alerta.

De acordo com Castillo (2000) a ansiedade é um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho. A ansiedade e o medo passam a ser considerados como patológicos, na medida em que são exagerados.

Neste contexto, o Transtorno do Pânico é um dos mais comuns Transtornos de Ansiedade. O TP caracteriza-se por episódios repentinos e recorrentes de forte ansiedade e medo, acompanhados de uma série de sintomas físicos e cognitivos intensos e muito desagradáveis. Alguns episódios podem ocorrer espontaneamente, sem um gatilho motivacional aparente, enquanto outros aparentam estar predispostos por determinadas motivações situacionais, como, por exemplo, alguma ocasião de entrada de indivíduos ameaçadores no ambiente de trabalho.

O Transtorno de Pânico é uma psicopatologia bastante comum em consultórios e clínicas nos dias atuais. É caracterizado por ataques recorrentes e inesperados de pânico, acompanhados por um estado de ansiedade que se estende por pelo menos um mês acerca da possibilidade de novos ataques e das possíveis implicações ou consequências desagradáveis decorrentes dessas reações. O ataque de pânico é definido por terror ou medo intenso na presença de sintomas como taquicardia, hiperventilação, pressão arterial elevada, asfixia náusea, desconforto abdominal, tontura, dores no peito e sensações subjetivas de pavor e morte iminente (Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais, DSM-IV- TR, 2002).

Conforme alude o tema desta pesquisa, a questão da qualidade de vida no trabalho também está inserida na mesma. França (1997) esclarece que a origem do termo qualidade de vida vem da medicina psicossomática, que propõe uma visão integrada do ser humano, diferentemente da abordagem cartesiana, onde o ser humano é visto em partes.

Para França (1997:80),

“Qualidade de vida no trabalho (QVT) é o conjunto as ações de uma empresa que envolve a implantação de melhorias e inovações gerenciais e tecnológicas no ambiente de trabalho. A construção da qualidade de vida no trabalho ocorre a partir do momento em que se olha a empresa e as pessoas como um todo, o que chamamos de enfoque biopsicossocial. O posicionamento biopsicossocial representa o fator diferencial para a realização de diagnóstico, campanhas, criação de serviços e implantação de projetos voltados para a preservação e desenvolvimento das pessoas, durante o trabalho na empresa.”

Como objetivo geral deste trabalho, buscou-se investigar o comportamento dos colaboradores que exercem a função de caixas nas lotéricas localizadas no município de Pelotas, no estado do Rio Grande do Sul. Como objetivos específicos deste estudo procuraram-se analisar qualitativamente, até que ponto os colaboradores das lotéricas localizadas no município de Pelotas são influenciados pelas situações desencadeadoras de Pânico; Compreender os processos clínicos constituídos pelos colaboradores em relação ao desencadeamento da Síndrome de Pânico; Abordar a inter-relação entre a atividade de trabalho e as vivências de sofrimento dos trabalhadores em um contexto organizacional específico de atendimento ao público; Identificar o impacto do sofrimento no trabalho no bem-estar psíquico dos sujeitos das Casas Lotéricas.

Levando em consideração o elevado número de assaltos às Casas Lotéricas, torna-se relevante abordar questões relacionadas ao possível desencadeamento do Transtorno de Pânico, uma vez que os colaboradores destes estabelecimentos são expostos ao trabalho de atendimento ao público, o que poderá ser uma ameaça aos funcionários em algumas possíveis situações. Como problema, propus questões a serem refletidas, como quais os fatores que definem a relação do possível desencadeamento do Transtorno Pânico de trabalhadores de lotéricas e se existem situações causadoras de Pânico durante o trabalho.

A discussão teórica foi a partir de alguns eixos de reflexão: Transtorno de Pânico, Ansiedade, Qualidade de vida no Trabalho e Psicodinâmica do Trabalho. Dessa forma, foi possível delinear algumas destas marcas e relacioná-las ao foco dessa problemática. Este trabalho foi dividido em sete capítulos, começando pela fundamentação teórica, perpassando pela temática proposta e, por fim, vem a análise dos resultados da pesquisa com as considerações finais.

2. Fundamentação Teórica

2.1 Transtorno do Pânico - Histórico

O nome Pânico foi adaptado do grego “Panikon” e deriva do Deus Pã, figura mitológica Grega, Filho do deus Zeus e da ninfa Calisto ou de Hermes e da ninfa Dríope, de acordo com alguns autores. Esse ser habitava os bosques junto às fontes, mas tendo predileção pela Arcádia, local em que nasceu. Era um ser horrendo; da cintura para baixo como um bode peludo e da cintura para cima como homem, porém com chifres. Era uma divindade travessa e galanteadora, mas sempre rejeitado por sua feiúra; portava sempre uma flauta feita de caniço do brejo, infundia terror entre os camponeses e pastores com a sua aparição repentina, de onde surgiu a denominação Pânico, o terror repentino; protetor dos pastores e camponeses, Pã teve um templo erguido na cidade de Atenas, ao lado de uma praça do mercado denominada Ágora (MINEIRO, 1999).

2.2 Transtorno do Pânico - Características

Segundo Gentil (1997), o Transtorno de Pânico é definido como crises recorrentes de forte ansiedade ou medo. As crises de pânico são entendidas como intensas repentinas e inesperadas que provocam nas pessoas, sensação de mal estar físico e mental, somado a isso um comportamento de fuga do local onde se encontra.

O Transtorno do Pânico caracteriza-se por breves períodos de ansiedade excepcionalmente intensa. É um quadro clínico no qual ocorrem crises agudas de ansiedade, sem que haja um estímulo disparador compatível com a intensidade das crises. Essas crises desencadeiam diversas respostas, que variam de sintomas somáticos a sentimento de morte e/ou perda de controle (BAKER, 2000). O TP está associado a sensações de ansiedade, bem como ao prejuízo na qualidade de vida do indivíduo.

Conforme SCARPATO (2001) o Transtorno do Pânico (TP) atinge, atualmente, cerca de 4% a 5% da população mundial, na maioria pessoas jovens, na faixa etária de 21 a 40 anos, sendo observado um grau de incidência maior nas mulheres, na proporção de três mulheres para cada homem.

2.3 Ansiedade - Conceitos

Pelo Código Internacional de Doenças (CID) a Ansiedade está catalogada no item F.41. Segundo Ballone (2002), encontramos não apenas uma sintomatologia psíquica, mas, sobretudo, física. Associada ao Pânico podemos observar alguns sintomas presentes no transtorno, tais como: tremores ou sensação de fraqueza; tensão ou dor muscular; inquietação; fadiga; falta de ar ou sensação de fôlego curto; palpitações; sudorese, mãos frias e úmidas; boca seca; tonturas; náuseas, diarréia; rubor ou calafrios; polaciuria (aumento de número de urinadas); impaciência; resposta exagerada à surpresa; dificuldade de concentração ou memória prejudicada; dificuldade em conciliar e manter o sono; irritabilidade, dentre outros. “Ansiedade, é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja” (BALLONE, 2002).

A ansiedade tem extrema relação com a insegurança. Nos ataques de pânico a pessoa experimenta ansiedade e medo de apresentar próximos episódios da crise. É como se a pessoa ficasse ansiosa diante da possibilidade de ficar ansiosa. Por causa disso os pacientes passam a evitar situações possivelmente facilitadoras da crise, prejudicando-se socialmente e/ou ocupacionalmente em graus variados, como por exemplo, nas suas funções, no seu trabalho, nas suas relações, tanto pessoais, familiares, quanto profissionais.

2.4 Qualidade de Vida no Trabalho - Conceitos e Cenários

Segundo Vasconcelos (2001) a qualidade de vida no trabalho constitui-se peça chave do desenvolvimento humano e profissional, pois são nas organizações que o indivíduo, trabalhador, encontra seu sucesso ou sua frustração, situações estas que interferem diretamente no seu bem estar psicossocial, assim como no seu rendimento e desempenho profissional.

Walton apud Vasconcelos (2001) considera que a expressão Qualidade de Vida tem sido usada com crescente freqüência para descrever certos valores ambientais e humanos, negligenciados pelas sociedades industriais em favor do avanço tecnológico, da produtividade e do crescimento econômico.

No âmbito organizacional a Qualidade de Vida é uma temática de extrema relevância, pois interfere diretamente nas questões de produtividade, espaço físico e competitividade de mercado. A Qualidade de Vida no Trabalho também tem sido alvo de pesquisas, principalmente na área da Psicologia, em função de tratar-se de questões relacionadas à saúde dos trabalhadores, em especial, à saúde psíquica e emocional, com possíveis relações de aparecimento de doenças de ordem da saúde mental.

Quanto maior a satisfação dos funcionários, mais alta é a qualidade de vida no trabalho. Os funcionários podem estar mais ou menos satisfeitos, não apenas com os fatores motivacionais e higiênicos, mas também com outros fatores, como a sua própria educação formal, vida familiar e oportunidades para desfrutar de atividades culturais e sociais. Estes dois últimos estão claramente fora do ambiente de trabalho. No entanto, é inegável seu papel na saúde psicológica e na produtividade dos funcionários de todos os níveis (MAXIMIANO, 2001, p.272).

O termo QVT é bastante complexo, existem muitas conceituações e formas metodológicas de abordagem. Sob a ótica de facilitar e proporcionar satisfação e bem estar ao trabalhador no desenvolvimento de sua tarefa, a QVT pode ser dita como uma preocupação do homem desde os primórdios de sua existência, envolvendo tanto aspectos físicos e ambientais, como os aspectos psicológicos do local de trabalho.

2.5 Psicodinâmica do Trabalho- Características

Cabe ressaltar que a Psicodinâmica do Trabalho visa à coletividade do trabalho e não aos indivíduos isoladamente. Após diagnosticar o sofrimento psíquico em situações de trabalho, ela não busca atos terapêuticos individuais, mas intervenções voltadas para a organização do trabalho à qual os indivíduos estejam submetidos. Ela tem como uma de suas vertentes fundamentais as categorias da Psicanálise.

Para Dejours (1992), o trabalho contém vários elementos que influenciam a formação da auto-imagem do trabalhador que, por sua vez, é razão de sofrimento. As implicações do trabalho na identidade pessoal e social do trabalhador podem atingir também outras relações como as familiares e as demais formas de inserção social dos indivíduos. Para esse autor, o trabalho é um elemento central na construção da saúde e identidade dos indivíduos e sua influência ultrapassa o tempo da jornada de trabalho, se estendendo para a vida familiar e tempo livre.

2.6 Sofrimento Psíquico e Trabalho

Aqui, a Psicanálise nos ajuda a compreender como a Psicodinâmica do Trabalho pensa e apreende essa vivência no trabalho. Vai ser por meio do conceito psicanalítico de angústia que Dejours (1992) irá pensar a gênese do sofrimento que pré-existe ao trabalho. Vale lembrar que no sofrimento é possível encontrar uma mesclagem de prazer e dor, simultaneamente, porém, não vamos nos deter nesta questão, pois não faz parte do foco de nossa temática.

O trabalho, não somente em nossos dias, mas há longo tempo, desempenha uma função importante na vida do ser humano. Em virtude de sua relevância, grande parte de estudiosos tem dedicado vários anos de pesquisa na tentativa de melhor elucidar esse tema.

O trabalho abarca um significado maior do que o ato de trabalhar ou de vender sua força de trabalho em busca de remuneração. Além disso, o trabalho tem uma função psíquica: é um dos grandes alicerces de constituição do sujeito e de sua rede de significados.

Neste sentido, é importante reconhecer que o sofrimento (não só no trabalho, mas de uma forma geral), não tem uma manifestação igual para todos os sujeitos. O que é sofrimento para um, não é, necessariamente, para outro, mesmo quando submetidos às mesmas condições ambientais adversas. Ou ainda, aquilo que é sofrimento para alguém, pode ser prazer para outro e vice-versa. Um acontecimento, como algo capaz de provocar um espanto, em um determinado momento pode significar sofrimento; em outro, pode ser vivenciado como satisfação.

Para a apreensão das angústias vividas no ambiente de trabalho, Dejours (1992), propõe uma atividade de escuta, sendo esta de fundamental importância à fala dos trabalhadores. Não só a fala individual, mas principalmente a coletiva. Isso porque, para a Psicodinâmica do Trabalho, se o sofrimento é da ordem do singular, sua solução é coletiva. Para tanto é fundamental que se crie o que o autor chama de espaço público, um espaço de circulação onde a palavra pode ser dita coletivamente. É na escuta do que é expresso que se cria a possibilidade do sofrimento emergir e sua solução e, assim, ser refletida e analisada por todos.

Quando o sofrimento é manifestado na empresa, trabalhadores e gestores não sabem como lidar, ficam sem ação e referencial. Algumas vezes, representam o manifestado como perturbação mental ou desequilíbrio, uma vez que a ordem médica já se encontra interiorizada.

O grande mérito de Dejours (1992), ao considerar a significação e o sentido do sofrimento como dimensões essenciais no entendimento da relação saúde- trabalho, foi colocar-se à escuta do trabalhador para compreender o que lhe ocorria. Assim, a fala do trabalhador passou a configurar um privilegiado instrumento de pesquisa e de intervenção (UCHIDA, 1996).

Para Dejours (1997), o sofrimento, além de ter origem na mecanização e robotização das tarefas, nas pressões e imposições da organização do trabalho, na adaptação  à  cultura  ou  ideologia  organizacional,  representada  nas  pressões  do mercado, nas relações com os clientes e com o público, é também causado pela criação das incompetências, significando que o trabalhador se sente incapaz de fazer face às situações convencionais, inabituais ou erradas, quando acontece a retenção da informação que destrói a cooperação. Ainda para o autor, as novas formas de sofrimento estão associadas às atuais formas de organização do trabalho.

Para Júnior (2000), o trabalho de hoje é fisicamente mais leve devido ao desenvolvimento tecnológico, mas psicologicamente as pessoas sofrem mais, porque há menos solidariedade. Para Oliveira (2004), os trabalhadores estão cada dia mais vulneráveis, ameaçados, perdidos e vazios, sem saber a quem recorrer e confiar.

3. Atendimento ao Público

É necessário nos reportarmos à esfera que circunda este estudo, no que diz respeito ao local da sua aplicação, sendo este diretamente relacionado com o atendimento ao público. É no trabalho que o homem passa a maior parte do seu dia, sendo exigido, muitas vezes a produzir, assumir demandas e responsabilidades muitas vezes fora da sua alçada. Se tratando do trabalho de operador de caixa de lotérica, que é onde está nossa referência, os trabalhadores estão expostos a se relacionar com diversas pessoas e este, acaba deparando-se com situações que lhe desperta os mais variados tipos de emoções, o que poderá acarretar em um adoecimento psíquico.

Para Dejours (1998), as exigências do trabalho e da vida são uma ameaça ao próprio trabalhador. O autor afirma que as relações de trabalho, dentro das organizações, freqüentemente, despojam o trabalhador de sua subjetividade, excluindo o sujeito e fazendo do homem uma vítima do seu próprio trabalho.

O atendimento ao público constitui, freqüentemente, um serviço terminal que resulta da sinergia de diversos fatores: a conduta do usuário, as atividades dos funcionários envolvidos na situação, a organização do trabalho e as condições físico-ambientais/instrumentais.

4. Metodologia

O desafio de pesquisar a relação do colaborador com o seu trabalho e possíveis implicações patológicas é que nos deparamos com elementos que só podem ser compreendidos e analisados se forem de forma dinâmica, tal qual se fez. O trabalho é um fato social, é algo contingente, é relacional e qualitativo. Por isso, dificilmente poderá ser abordado como uma dinâmica quantitativa.

A opção pela Metodologia da Psicodinâmica do Trabalho deu-se por entendermos que ela permite uma maior compreensão dessas relações, bem como das vivências dos trabalhadores. Faz-se necessário enfatizar também, da subjetividade do pesquisador, pois como alude Dejours (1992, p. 45), “a subjetividade do pesquisador encontra-se diretamente envolvida na técnica da pesquisa.”

Esta foi uma pesquisa de campo, de ordem fenomenológica com caráter observacional, onde o objeto de estudo foram os trabalhadores de Casas Lotéricas do município de Pelotas, localizado no Sul do Estado do Rio Grande do Sul. A forma de abordagem dos participantes foi através de formulário. O critério utilizado para selecionar a amostra foi a disponibilidade e volição dos colaboradores. O Método Fenomenológico preocupa-se com a descrição direta da experiência tal como ela é. A realidade é construída socialmente e entendida como o compreendido, o interpretado, o comunicado. Então, a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações. O sujeito é reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento.

Definido o público-alvo a primeira ação foi de contatar os proprietários das Casas Lotéricas, solicitando autorização para realização da pesquisa, apresentando uma carta em nome da UCPEL e pedindo o carimbo da Organização e assinatura dos gestores. Além disso, foi feito um breve esclarecimento aos funcionários sobre suas participações na pesquisa, esclarecendo que só a fariam caso fosse de suas volições.

Somente três Casas Lotéricas se predispuseram a realizar a pesquisa, visto que mais algumas foram consultadas, mas não tendo autorização destas para realização da mesma. As Casas Lotéricas localizam-se na zona central do município de Pelotas-RS. A  participação na pesquisa foi voluntária e a concordância dos participantes com os termos da pesquisa foi registrado através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme Anexo I.

Devido não ter conseguido realizar a pesquisa com os 20 colaboradores (conforme exposto no projeto) por motivo de negação ao preenchimento do instrumento, será relatado apenas a participação de 10 funcionários, sendo 3 da Casa Lotérica X, 3 da Casa Lotérica Y e outros 4 da Casa Lotérica Z.

5. Coleta de Dados

Foram realizados o preenchimento do instrumento individualmente. Após a apresentação do tema foi solicitado que os caixas respondessem as perguntas do mesmo. As questões foram sobre o trabalho e um possível desencadeamento com o transtorno de pânico, o que afeta diretamente na qualidade de vida.

Os questionários foram aplicados entre o mês de janeiro e março, em três Casas Lotéricas do município de Pelotas. Foram 10 entrevistados, sendo dois homens e oito mulheres. Suas idades vão dos 21 aos 35 anos de idade. Todos os caixas exercem a função há mais de um ano e, três deles possuem curso superior.

6. Análise dos Dados

Quanto à análise dos dados, as observações, bem como, a própria aplicação do instrumento foram analisadas qualitativamente, referentes às atividades de atendimento ao público e das próprias condições de trabalho.

Os resultados foram analisados qualitativamente através do procedimento da análise dos questionários. Consoante Gil (2008), o questionário é uma técnica de investigação composta por um conjunto de questões que são submetidas a pessoas com o propósito de obter informações sobre conhecimentos, crenças, sentimentos, valores, interesses, expectativas, aspirações, temores, comportamento presente ou passado, dentre outros. Na maioria das vezes são dispostos aos respondentes na forma escrita.

O questionário desenvolveu-se a partir de um roteiro norteador que fora proposto no projeto, com questões relevantes para investigação da proposta temática. Os questionários ocorreram, de forma geral, nas próprias organizações, ao final do expediente ou nos seus horários de intervalo, nos locais que iriam fazer alguma refeição ou descansar.

Todos os participantes da amostra mostraram-se benevolentes à pesquisa, tanto ao serem contatados (procedimento realizado por apresentação pessoal pelos proprietários do local), como no momento da coleta de dados.

7. Resultados e Discussão

A partir da análise da atividade de atendimento ao público observou-se a possibilidade de construir um cenário explicativo da interrelação dos sujeitos com o trabalho, identificando e avaliando diferentes fatores externos e internos que caracterizam e fornecem elementos para a compreensão dos resultados obtidos nas vivências de prazer e sofrimento no trabalho.

Para preservar o sigilo optou-se chamar os sujeitos da pesquisa por codinomes, sendo assim, cada um será apresentado separadamente por ordem cronológica das entrevistas:

  • Sandro- 25 anos- Lotérica X
  • Denise-27anos- Lotérica X
  • Maria-32anos- LotéricaX
  • Bianca- 29 anos- Lotérica Z
  • Antônia- 25 anos- Lotérica Z
  • Isabel- 24 anos- Lotérica Y
  • Quélen- 35 anos- Lotérica Z
  • Silvana-28anos- Lotérica Y
  • Paulo- 29 anos- Lotérica Y
  • Jose-23 anos- Lotérica Z

Nos casos em que forem feitas citações de comentários dos participantes, será mantida a forma como foram falados pelos participantes. Passaremos então aos relatos das etapas desta pesquisa a partir de categorias de análise.

7.1 Categorias de Análise

A partir das respostas dos questionamentos feitos aos funcionários das organizações, foram elencadas cinco categorias de análise. Estas se referem ao tema desta pesquisa que é observar e relacionar o comportamento dos funcionários de Casas Lotéricas do município de Pelotas com questões de ansiedade, pânico e qualidade de vida no trabalho. Tais categorias serão descritas a seguir:

A atividade de atendimento ao público: um ritual cotidiano

O atendimento ao público é fonte de diversidade, com uma variabilidade interpessoal, com vários tipos característicos de clientes. As agressões verbais e morais da maioria da clientela são fontes de grandes dificuldades do trabalho e diretamente relacionadas ao sofrimento dos caixas. Quando questionado sobre as principais atividades desenvolvidas no seu trabalho, um caixa relata: “A  gente atende ao público, faz vendas de jogos, recebimento de boletos, chingamentos (...) é, tipo as pessoas te chingam, te humilham, não tem um pingo de consideração contigo, sabe...” (Sandro)

A falta de capacitação, de informação e treinamento aos funcionários é algo bem pertinente para abordarmos aqui, pois há uma grande incidência destes casos. Os problemas de falhas na comunicação dos caixas com a estrutura da organização também se expressam na desinformação deles sobre os serviços oferecidos da organização e no desconhecimento das alterações de procedimentos. “Ás vezes, o cara fica sem saber direito o que fazer, logo de cara, assim, no início não recebi nenhuma capacitação, curso, nada e já tô aqui há um ano.” (Sandro)

8. O Pânico e o Labor

Os colaboradores foram questionados sobre algum conhecimento do que é o Transtorno de Pânico. A relação entre o Transtorno do Pânico e o Trabalho pode variar de pessoa para pessoa, isso porque os fatores determinantes e estressores atingem as pessoas de maneiras diversas, além de se tratar de seres humanos com suas crenças, valores e psiques diferentes. Além disso, vai depender também de como cada indivíduo reagirá com determinadas situações de pavor oriundas do ambiente de trabalho.

O medo constitui uma das dimensões da vivência dos trabalhadores. Para Dejours (1992) algumas categorias profissionais são mais expostas a riscos relacionados à integridade física, como por exemplo, as que têm contato com o público externo. Podemos relacionar com a fala: “Ah, é medo, o cara fica com medo de sofrer outros assaltos...” (Sandro).

Ainda neste sentido, os caixas foram questionados se reconheciam alguma relação entre TP e trabalho. Desse modo, podemos inferir a posição de (Denise) quando diz: “Sim, é quando muitas e diferentes pessoas estão aglomeradas. Tem influência dos comportamentos que não sabemos com quem vamos lidar.”

Ainda acerca dessas discussões, outra caixa menciona: “Lidarcom dinheiro é complicado, tudo é possível de acontecer, tenho receio, pânico, pavor, muito medo de algum cliente suspeito.” (Maria)

8.1 Condições de trabalho que influenciam as atividades dos atendentes

Segundo Chiavenato, 2004, “o conceito de QVT envolve tanto os aspectos físicos e ambientais, como os aspectos psicológicos do local de trabalho”. Quando nos referimos à Qualidade de vida no Trabalho, devemos ressaltar a questão das condições apropriadas de trabalho, como jornada e carga horária de trabalho, materiais e equipamentos disponibilizados para a execução das tarefas e, ainda, o ambiente de trabalho seguro e saudável, preservando a vida do trabalhador.

Assim, podemos inferir a fala de (Paulo) quando diz: “Aqui a gente não recebeu nenhum treinamento, capacitação, nada. E ainda por cima, a gente fica inseguro aqui, fica exposto a todos os tipos de situações, situações de perigo, arriscando nossas vidas [...] não tem uma pessoa pra nos dá socorro, alguém que fique de guarda na porta, vigiando.”

8.2 Cenários contemporâneos acerca da qualidade de vida no trabalho

Para Chiavenato (2004, p. 449), a qualidade de vida no trabalho envolve um conjunto de fatores, a saber:

_ Satisfação com o trabalho executado;

_ As possibilidades de futuro na organização;

_ O reconhecimento;

_ A remuneração;

_ Os benefícios;

_ O relacionamento humano;

_ O ambiente psicológico e físico dentro do trabalho;

_ A liberdade e a responsabilidade de tomar decisões;

_ As possibilidades de participação.

Convém enfatizar que qualidade de vida necessita de qualidades adequadas para o trabalho, através de meios organizacionais, ambientais e comportamentais, que juntos irão possibilitar maior prazer e produtividade no trabalho. Percorrendo por essas questões, podemos referir a própria produção dos caixas das Casas Lotéricas quando questionados da qualidade de vida no seu trabalho, abordaram o tema com relação direta à Ergonomia: “Olha, a qualidade de vida no trabalho ta diretamente ligada com a ginástica laboral, principalmente pra mim, que sou formada em Educação Física, me sinto reprimida com isso, a gente tem muitos problemas de saúde, a gente fica com a postura mal quando ta atendendo, então é complicado.” (Denise)

Os caixas reclamam por não terem uma qualidade de vida adequada no trabalho, o que lhes causa bastante dor e sofrimento. Eles falam de um trabalho repetitivo, monótono, que exige muita atenção e memória, além de ser perverso e agressivo. Para lidar com isso, cada um elabora de uma maneira, usando artifícios subjetivos e mecanismos de defesa para continuar na tarefa.

Uma caixa afirmou que sua qualidade de vida no trabalho não existe. Ela diz: “Não tem. Uma vez eu desenvolvi uma cistite de urinar sangue, de tanto segurar para não ir ao banheiro, pra não deixar os colegas na mão e nem o cliente esperando, fora os problemas na coluna que tu adquire ao longo do tempo, principalmente eu que já to há nove anos nessa ocupação.” (Quélen).

8.3 Organizações analisadas- situações desencadeadoras de Pânico

Nas três Casas Lotéricas que fizeram parte desta pesquisa percebeu-se algumas falhas na comunicação da relação empregado/gestor, o que propicia angústia e frustração para os colaboradores. Além disso, alguns dos trabalhadores queixaram-se bastante em relação às questões de segurança no local de trabalho, o que lhes causa sofrimento e medo perante muitas situações.

Quando questionados para comentarem sobre situações difíceis vivenciadas no seu trabalho e que pudessem levar a um estado de pânico, podemos inferir alguns relatos: “Não tive muitas situações difíceis nesses meus cinco anos de profissão, mas me lembro de uma vez que eu era quem abria a lotérica, daí em seguida veio uns caras, a casa tava vazia, só eu de homem e mais uma colega (mulher)...] tive que passar o dinheiro, mas graças à Deus to aqui[...]” (Sandro)

O TP é caracterizado por alguns sintomas como ataques recorrentes e inesperados de pânico, acompanhados por um estado de ansiedade que se estende por pelo menos um mês acerca da possibilidade de novos ataques e das possíveis implicações ou consequências desagradáveis decorrentes dessas reações. O ataque de pânico é definido por terror ou medo intenso na presença de sintomas como taquicardia, hiperventilação, pressão arterial elevada, asfixia náusea, desconforto abdominal, tontura, dores no peito e sensações subjetivas de pavor e morte iminente (Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais, DSM-IV- TR, 2002).

Fazendo menção ao assunto, uma caixa refere: “Já. No dia do assalto do Bradesco. Parei com o dinheiro na mão, olhei para o cliente e ficamos pálidas, gelei, fiquei nervosa, com palpitação, dor de cabeça, sudorese. Aquele foi um dia atípico. Mexeu muito comigo uns dias depois.” (Bianca)

O Transtorno de Pânico é uma psicopatologia bastante comum em consultórios e clínicas nos dias atuais, muitas vezes tratado, principalmente em outras abordagens, pelo uso de medicamentos. Neste sentido, uma caixa relata: “Tive que ir embora duas vezes já, desde que fui diagnosticada com o TP pela psicóloga desde que fui assaltada trabalhando aqui[...]; eu tomo medicação e faço tratamento, mas agora já to bem melhor que antes, bah, sem dúvida, logo que aconteceu eu não conseguia sair de casa, achava que as pessoas tavam me perseguindo, eu suava muito, bah![...]”(Antônia)

Como já foi dito, os sintomas apresentados são variáveis de indivíduo para indivíduo, sendo os mais frequentes palpitação, sudorese, tremores ou abalos, sensação de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, dores abdominais, medo de enlouquecer, dor ou desconforto torácico, náusea, sentimentos persecutórios, despersonalização, dentre outros. Ainda sobre a mesma pergunta, outra caixa relata o seguinte: “Já, já, já aconteceu, sim. Ah, eu sofri um assalto, o ladrão vem em ti e daí o coração dispara, acelera, tu fica sem reação, gelada [...] e teve outro dia também que fiquei em choque, quando dois clientes na fila começaram a discutir e puxaram uma faca, aí eu me apavorei, chamamos o dono e ele chamou a polícia e tudo se resolveu, mas fiquei meio traumatizada por um tempo por causa disso.” (Maria)

Há, ainda, muitas questões a serem trabalhadas nestas Organizações, como a questão da comunicação entre colaborador e gestor, o que amenizaria o sofrimento do trabalhador em relação ao desempenho de suas atividades, afetando diretamente na sua qualidade de vida. Além disso, a questão da segurança dos funcionários é algo bastante pertinente para uma boa qualidade de vida no trabalho, o que proporciona mais confiança em si mesmo e controle subjetivo da ansiedade.

Os resultados dessas análises indicam que existe um predomínio da vivência de sofrimento psíquico no serviço de atendimento ao público nas organizações pesquisadas. Os resultados demonstram que o sofrimento se articula às situações externas e às situações internas de condições de trabalho. Isso significa que, para esse grupo, que vivencia o cotidiano do medo, como possível desencadeador do Pânico, o trabalho não é lugar de total realização e manutenção do bem-estar psíquico. A partir desses resultados, pode-se inferir que as situações de trabalho do grupo pesquisado são críticas e geradoras de vivências de sofrimento.

Esse resultado indica uma alerta, no sentido de serem desenvolvidas mudanças organizacionais para redução ou minimização dos fatores que causam ansiedade, medo, perda do controle e descontentamento com o trabalho.

9. Considerações Finais

A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) é um dos desafios do cenário atual das Organizações como um todo. Essas precisam estar atentas no que diz respeito à qualidade de vida das pessoas que dela fazem parte, pois só estando bem, com saúde física e psíquica é que o colaborador irá trabalhar com menos sofrimento.

Os resultados do estudo evidenciam que a inter-relação entre a atividade de caixa e o bem-estar psíquico dos sujeitos estão diretamente ligados. Diante disso, verifica-se a importância de haver uma modificação na organização de trabalho, onde a forma de pensamento dos administradores deve ser repensada, proporcionando melhores condições de trabalho aos seus colaboradores.

Para concluir, podemos destacar que o trabalho pode ser fonte de prazer e sofrimento, provocando uma contradição, que é norteada por um movimento de luta do trabalhador pela busca constante do prazer e pela evitação ou amenização do sofrimento, com a finalidade de manter seu equilíbrio psíquico.

Cabe mencionar aqui também, o quão importante a Psicologia se faz presente em espaços como esse, e buscar auxiliar na saúde desse trabalhador, que tem uma função tão importante e valorizada na sociedade, mas que, por outro lado, passa por situações estressantes, ansiogênicas e até mesmo de risco de vida no seu dia a dia, e, por isso, pode estar mais predisposto ao processo de adoecimento psíquico.

Sobre o Autor:

Giméli Guerra de Guerra- Psicóloga, Especialista em Gestão de Pessoas pela UCPEL.

Orientadora: Rosane K. Feijo - Psicóloga, Mestre e Professora Psicologia UCPEL

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