Possíveis Impactos Psicológicos Causados Pela Mudança na Trajetória Profissional

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Resumo: O possível desgaste físico e emocional ao qual a pessoa pode ser submetida nas relações com o ambiente de trabalho (carreira, estudos) é um fator muito significativo na determinação de transtornos de saúde relacionados às ânsias e expectativas que o indivíduo adquire ao se formar em um determinado curso. E o que fazer quando, depois de graduado, o indivíduo se vê realizando outras atividades, às quais o mesmo tem que exercer, não por vontade própria, mas por possíveis imprevistos da vida? O presente artigo pretende compreender quais são os possíveis impactos psicológicos, que podem se manifestar no indivíduo, quando o mesmo se vê atuando em uma área diferente da qual estudou ou ansiou atingir ( na vida profissional). Procuraremos buscar tal resposta através de estudo de caso, pesquisa exploratória, levantamento bibliográfico dos conceitos de trabalho, carreira, impactos no individuo, entrevista (não estruturada), aplicação de testes (stress, coping) para medir os níveis de impactos que podem ocorrer, com uma pedagoga que, no ano de 2011, trabalhava em uma empresa de cosméticos, especificamente na área de produção (chão de fabrica).

Palavras-chave: Impacto psicológico, carreira, trabalho.

Introdução

O homem é um ser histórico e social, isto é, ao mesmo tempo em que é constituído pelos acontecimentos  de  sua  história  de vida, que são determinados pelo meio social onde ele está inserido, ele também  afeta  esse  meio social através de suas respostas aos acontecimentos que formam a sua história de vida. Ao passar pela família, escola, comunidade e pelo ambiente de trabalho, o qual consome parte considerável de sua vida e no qual vive uma complexidade de relações interpessoais que afetam a sua personalidade mais do que qualquer outro ambiente, e em consequência , as  relações que se desenvolvem fora desse espaço social ímpar.

 Pode - se considerar  fundamental, um ambiente higido em todos os aspectos, garantindo ao trabalhador  uma existencia digna conforme os ditames da justiça social, porque as relações e reações que dele e nele fluem, afetam ou podem afetar toda a sociedade, inclusive (principalmente) aqueles próximos ou integrantes do ambiente privado do individuo, sua familia e outros no ambiente de sua intimidade.

Logo, o que acontece quando um determinado individuo, se vê atuando em uma atividade diferente ao qual almejou executar? Quais os possiveis impactos que este trabalhador(a) poderá sofrer?  Quais as intervenções que a sociedade ou o mesmo, poderá tomar para que ele não seja apenas mais um joguete do destino?  Quais serão  as frequências de possiveis assédios (moral ou sexual), que este trabalhador poderá sofrer, só pelo simples fato de estar inserido em um ambiente laboral, ao qual a mesma não estava preparada para atuar.

No ano de 2011, foi entrevistada uma trabalhadora, que na época tinha 29  anos, cuja  atividade remunerada baseava-se, em executar tarefas na área de produção (chão de fábrica), de uma industria de cosméticos, localizada na rodovia Rapozo Tavares – São Paulo. Foram aplicados testes de stress e coping, atrelada a entrevistas, para que fosse possivel compreender e indentificar, os possiveis impactos que podem ocorrer com a trabalhadora. A mesma se formou em pedagogía no ano de 2007.

Em meados de 2011, ao realizar a primeira entrevista com a candidata, pude perceber o quanto decepcionada e exausta, estava a nossa trabalhadora. E ao refletir sobre as influências das condições de vida e de trabalho à saúde, apresentarei os primeiros resultados encontrados, depois de mensurados os dados colhidos  através dos testes (lipp e coping) e entrevista, realizada no decorrer do  ano de 2011 com a nossa trabalhadora , cuja atividade remunerada, ao qual exercia, era diferente da qual almejou exercer.

Ou seja, além dos conflitos que fazem parte da vida do ser, a candidata em questão, sofría de duas maneiras. A primeira, pelo fato de estar inserida em uma atividade braçal, cujo o reconhecimento profissional é tão fácil, quanto ficar rico do dia para noite, pois o reconhecimento profissional desenpenha um papel fundamental no destino do sofrimento no trabalho e na possibilidade de transformar o sofrimento em prazer (fato que não ocorreu, coma nossa trabalhadora, enquanto permanecia na empresa).

A segunda pelos síntomas que foram se desenvolvendo com o decorreer do tempo, afinal alem dos impactos corporais (coluna, veias etc), haviam impactos psíquicos, como por exemplo a falta de perspectivas em relação a própria vida (pessoal e profissional).

A candidata

No dia 20 de Junho de 1983, nascia a nossa trabalhadora, filha de uma portuguesa, cuja atividade remunerada, era de secretaria. E um brasileiro, cuja profissão era de caminhoneiro (atividade que exerceu até o final de sua vida). A mesma foi criada em um lar humilde, junto com suas irmãs mais novas. Lar ao qual ,os paradoxos apareciam conforme o passar dos anos, pois de um lado vinha à simplicidade de um homem, cuja única ambição era de beber, dormir, comer e dar carinho para a família. E de outro uma mulher fria e esclarecida, com princípios de crescimento e educação herdados do pai (Ex – militar português, que detestava o povo brasileiro, pois de acordo com o mesmo, “... era um povo acomodado sem educação, que se contenta com pinga e farinha. ’).

A jovem trabalhadora foi a primeira das três filhas, que se interessou em adentrar em uma universidade, afinal a mesma tinha que se auto financiar, pois na ótica do pai, tudo que uma pessoa precisava:”... era de um bom emprego ao qual pudesse se aposentar”. A mãe apoiava, no seu intimo mais profundo, pois reconhecia a importância dos estudos, porem acreditava que a filha tinha que atingir os seus objetivos, sozinha (ato ao qual mais para frente, iria obriga-la a inserir-se em uma atividade ao qual lhe desencadearia um sofrimento psíquico e patológico).

No ano de 2002, a nossa trabalhadora se matriculou no curso de pedagogia, curso ao qual financiou (os primeiros anos), trabalhando como vendedora em algumas lojas no shopping da grande São Paulo. A mesma se formou em pedagogía no ano de 2007. Iniciou o seu primeiro estágio, logo no segundo semestre, estágio ao qual permaneceu por sete meses, pois devido a problemas financeiros, teve que abrir mão da oportunidade para ser auxiliar de classe, em uma escola infantil, escola ao qual a trabalhadora, permaneceu por um mês, pois a remuneração não foi tão satisfatória, e a diretora não a reconhecia como, uma univesitaria ,mas sim como uma babysister.

 Depois da decepção, com a segunda proposta (da carreira pedagógica), a mesma começou a passar por sérias dificuldades financeiras, pois já não conseguía adentrar no mercado pedagógico. Passado alguns meses, a nossa candidata recebeu um convite para trabalhar, em uma empresa de cosméticos, cuja a remuneração era o suficiente para quitar as dividas com a instituição de ensino, ao qual  estudava, e conquistar algum bem material. A final  o sonho de qualquer  trabalhador, é poder realizar bem mais do que o simples ato de comer, beber e vestir. 

O grande ‘problema’, deste ato de desespero (palavras da nossa candidata), foi que ao passar dos anos, as portas para  a retomada da carreira pedagógica, estavam a cada dia mais distante, pois as recrutadoras(o) não disponibilizavam a oportunidade de emprego para profissionais de nivel operacional, mesmo quando  a/o  mesma(o), fosse detentora de diploma e potencial o suficiente para exercer tal função.

Com o passar dos anos, a nossa candidata foi tomada pela descrença profissional e pelo laço imaginario do destino, pois a cada ‘não’ que ouvia, ela se encontrava extremamente fixada na área de produção. Afinal no primeiro ano de empresa a candidata, conseguiu financiar o seu primeiro carro e sanar a divida  para com a instituição de ensino. Como os leitores podem perceber, iniciou-se um ciclo vicioso, ao qual a  instintiva  tarefa de conquistar uma renda mensal, tornou- se o principal fator de sofrimento da nossa trabalhadora.

No mês de Dezembro de 2011, a trabalhadora conseguiu se desligar da empresa de cosméticos, através de um programa de demissão voluntaria, pois a industria em questão  mudou-se para o interior Paulista. Atualmente, a candidata exerce a função de monitora escolar, pelo estado e presta concursos para poder ministrar aulas.

Método

O nível de stress e sua sintomatologia foram avaliados através do uso do Inventário de Sintomas de Stress (ISS) elaborado com base nos conceitos de Selye e validado por Lipp e Guevara (1994). O ISS é composto de três quadros cada um se referindo a uma das fases do processo de stress, de acordo com o modelo trifásico de Selye (1956). Permite avaliar os sintomas de stress tanto ao nível cognitivo como ao nível somático e possibilita ainda identificar a fase de stress em que o indivíduo se encontra. O respondente é solicitado a indicar se tem tido o sintoma de stress especificado em cada quadro em 24 horas, 1 semana ou 1 mês.

Os dois primeiros quadros, que se referem às fases de alarme e resistência respectivamente, contam com 15 itens cada e o terceiro quadro, que permite o diagnóstico do stress já em fase de exaustão, possui 23 itens. A avaliação é feita em termos das tabelas percentuais do teste. A fim de verificar qual a percepção que a candidata tinha quanto ao possivel stress ocupacional, que o exercício operacional envolve, foi solicitado que a mesma desse uma nota de 1 a 10, sendo 10 a nota indicadora de “Extremamente estressante” e 1 “Pouco estressante” ao stress ocupacional da sua atividade.

O Inventário de Qualidade de Vida (IQV), publicado por Lipp e Rocha em 1995, é utilizado com o objetivo de identificar indicadores do nível de qualidade de vida dos participantes (neste caso a pedagoga). O IQV é composto por questões referentes a aspectos da vida referentes aos quadrantes: profissional, saúde, social e afetivo.

O conjunto de respostas dadas aos quadrantes indica o nível de qualidade de vida da pessoa avaliada pela presença de indicadores de problemas nestas áreas de funcionamento. Não pretende identificar a presença real de doenças, mas sim de indicadores que poderiam eventualmente contribuir para o desenvolvimento de problemas de saúde.Também foram aplicados testes para mensurar o nível de coping (stress and coping experience) .

Este teste foi desenvolvido pelo “Max – Planck – Institut”, na Alemanha, no âmbito de um extenso projeto (stress A) sobre o stress e medo, nas diversas esferas da vida cotidiana (família, trabalho e lazer), bem como nas dimensões de saúde e enfermidade. Antecedem esta versão atual do SCOPE cerca de 23 estudos empíricos (teses de doutorados) em ambas as dimensões e nas esferas citadas. Participaram do STRESS A, 13 países europeus e o Brasil através das pesquisas de Vasconcellos (1985).

O SCOPE foi validado no Brasil através do estudo feito com 750 sujeitos durante o ano de 1982, tendo como resultado: 0,91 p < 0,001 de consistência interna e 0,82 p<0,001 de precisão temporal. A coleta de dados foi realizada no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, tendo sido, porém, estatisticamente elaborada na Alemanha, no “Max-Planck-Institut”. A estrutura do SCOPE compreende: 12 fatores de Stress, 12 fatores de coping, 11 fatores de incompetência social e 10 fatores de competência social.

O instrumento é composto de 50 afirmações, utilizando uma escala de 0 a 3, para indicar o nível de concordância com as mesmas. O total mínimo de pontos nessa escala é de 50, e o máximo 150. Ao dividi-las em três categorias, temos na primeira categoria as reações do organismo diante dos estressores e, nesse caso, as respostas psicológicas e fisiológicas são consideradas como respostas ao estresse. Por exemplo, a conceituação de Selye (1976) apud Schmidt (1990) da "síndrome de adaptação geral" trata do preparo para a luta ou fuga, que consiste em três etapas. A primeira etapa, um brado de alerta, consiste em reconhecer o estressor e preparar-se para ação; a segunda é a preparação, pelo corpo, do dano físico causado pelo estresse.

 Quando as reações se tornam nocivas e podem conduzir a doenças graves, surge a terceira etapa, a exaustão. Atrelado aos testes (stress e coping) e pesquisa Exploratória, este artigo tomou – se de levantamento bibliográfico dos conceitos de trabalho, carreira, impactos no individuo. Para que alem de concluirmos os possíveis impactos, pudéssemos compreender quais as pressões que a candidata sofria na época.

Conceitos de Carreira

A noção de carreira é uma idéia historicamente recente, aparecendo no decorrer do século XIX. De acordo com o dicionário, carreira pode ser; “ ...um oficio, uma profissão que apresenta status, um progresso.”Porem há diferentes conotações que são atribuídas a palavra carreira. Na língua inglesa, a palavra correspondia originalmente a estrada para carruagens; e a partir do século XIX, foi utilizada no âmbito do trabalho, passando a designar “um canal para as atividades econômicas de alguém durante a vida inteira” (Sennett, 2006). Da mesma forma, Arthur, Hall e Lawrence (apud Arthur; Khapova; Wilderom, 2005) definem carreira como a seqüência indefinida de experiências relacionadas ao trabalho vivenciadas pela pessoa ao longo do tempo.

Antes de receber esse novo significado que ampliou o escopo e considerou a imprevisibilidade, a carreira correspondia ao curso de desenvolvimento profissional, restritamente ligado a progressão formal nos níveis hierárquicos (Arthur; Rousseau, 1996). Assim, tem-se o vínculo necessário da carreira com a organização, logo, advém disso o modelo tradicional de carreira corroborada pela existência do estado industrial (ARTHUR, 1994). O estado industrial é conhecido assim por caracterizar dominação de grandes corporações, até a década de 70, que presumidamente estavam ali para ficar, logo, as relações trabalhistas eram únicas e estáveis, pois o comprometimento organizacional preconizava a ligação contínua entre o indivíduo e a organização, emergindo a idéia de carreira organizacional.

Na carreira organizacional impera a previsibilidade, progressão e determinação (TIRY-CHERQUES, 2006). As tarefas eram bem definidas para garantir a padronização e produtividade máxima. Desde o ingresso na empresa já se conhece a trajetória devido a movimentação ser previsível à medida que ocorre em uma escala hierárquica estabelecida, sem abrir espaço para o planejamento individual do percurso profissional, que é determinado pela organização, sobretudo pelo tempo de serviço. Nesse contexto, predomina o contrato psicológico de longo prazo ou relacional, entre empregado e empregador. 

Um contrato psicológico, ou implícito, é caracterizado como um jogo de crenças individuais, formadas pela organização, quanto a termos de um acordo de troca entre os indivíduos e as organizações nas quais trabalham (ARTHUR; ROUSSEAU, 1996).

A relação entre a identidade individual com enfoque em uma única e representativa grande corporação, sofreu alterações em meados da década de 80, quando pequenas empresas mostraram-se mais flexíveis e resilientes, como as situadas no Vale do Silício, deixando de valer a máxima de quanto maior melhor (TOFFLER, 1992).

As grandes corporações passaram a alterar suas estratégias de expansão e verticalização, o que implicou também na diminuição do quadro de pessoal e na adoção de contratos temporários de trabalhos, desintegrando os planos de carreira tradicionais, assim, a estabilidade começou a perder espaço. Por conseguinte, o desenvolvimento da carreira deixou de ocorrer exclusivamente dentro das organizações. Nesse contexto, as organizações foram se modificando, e as funções de cada cargo foram delimitadas, tornaram – se imprecisas para que menos pessoas pudessem desempenhar vários papeis. Desta maneira, a descentralização promoveu flexibilidade diante das mudanças externas travadas, sobretudo, pela globalização da economia e acirramento da competitividade juntamente com o avanço tecnológico.

 O cenário que incidiu nos anos 90 foi resultante dessas transformações (COELHO, 2006), cujas implicações no mundo do trabalho são analisadas por Rifkin (2004), sobretudo em relação aos problemas estruturais sob o aumento do desemprego e declínio salarial. A partir disso surge um novo contrato entre os profissionais e as organizações, o contrato proteano. A denominação advém de Proteus, figura mitológica grega, que tinha o dom de se transformar e mudar de forma de acordo com a sua vontade em analogia a adaptabilidade, versatilidade e proteiformidade exigida ao novo modelo de carreira (HALL; MIRVIS, 1994).

O modelo proteano de carreira inclui três aspectos de destaque. Primeiro, ele abre novos modos de pensar o trabalho, pois as pessoas tendem a pensar no desenvolvimento de carreira como a ascensão dentro de uma única função ou empresa, mas o conceito proteano carrega a mobilidade consigo. 

Em segundo lugar, ele amplia o próprio conceito de carreira, pois existe uma tendência em associar carreira com o trabalho pago dentro de organização, ao passo que nesse novo contrato as atividades do trabalho são sobrepostas as fronteiras de uma empresa e de sua própria função, assim, ocorre o inverso, pois encerra a fronteira de uma instituição no momento que o trabalho pode ser feito em casa e não se restringe a uma única função.

Em terceiro lugar, esse conceito de carreira abre novos modos de pensar na relação entre empregadores e empregados, pois se tornou evidente que as pessoas competentes e ambiciosas passaram a tomar as rédeas de suas carreiras ao invés de entregar esse papel às organizações, o que as tornam mais requisitados, isto é, com auto nível de empregabilidade , autonomia e adaptabilidade para assumir novas funções (HALL; MIRVIS, 1994). É claro que devemos considerar que o conceito de empregabilidade pode ser discutido, pois se levarmos em consideração o perfil de um profissional “empregável”, iremos constatar que o mesmo não existe, pois devemos considerar outras variáveis, alem do currículo do individuo.

Devido a concepção do contrato proteano e das transformações do contexto macro-econômico emergiu a carreira sem fronteiras (HALL; MIRVIS, 1994), dentro de um contexto de competição global. Uma carreira sem fronteiras pode existir quando a carreira real ou a significação da carreira transcendem o limite de um empregador único. Isto pode resultar em uma carreira com muitos empregadores por modificações nos vínculos empregatícios e até ocupações, ou uma carreira que ganha a significação de exterior (não no sentido de outra nação, mas do ambiente externo), independente da organização (Arthur; Rousseau, 1996).

Nesse sentido, as carreiras sem fronteiras possibilitam, as movimentações dos indivíduos alem do limite de um único empregador. Nessa perspectiva a pessoa toma a responsabilidade pela sua própria carreira da mesma maneira da proteana, portanto, existem similaridades entre as mesmas, pois a carreira passa a ter um sentido subjetivo e com objetivo pessoal, com aspirações distintas daquelas direcionadas a ascensões hierárquicas em uma organização específica, comuns na carreira tradicional.

O Conceito “Trabalho”

Dos primórdios da Humanidade até aos nossos dias o conceito “trabalho” foi sofrendo alterações, preenchendo páginas da história com novos domínios e novos valores. Do Egito à Grécia e ao Império Romano, atravessando os séculos da Idade Média e do Renascimento, o trabalho foi considerado como um sinal de opróbrio, de desprezo, de inferioridade. Esta concepção atingia o estatuto jurídico e político dos trabalhadores, escravos e servos. Com a evolução das sociedades, os conceitos alteraram-se. O trabalho-tortura, maldição, deu lugar ao trabalho como fonte de realização pessoal e social, o trabalho como meio de dignificação da pessoa.

Começamos por apresentar alguns significados das palavras «trabalho» e «trabalhar» de acordo com o que é definido por um dicionário da língua portuguesa. «Trabalho» significa: “exercício de actividade humana, manual ou intelectual, produtiva”; “serviço”; “lida”; “produção”; “labor”; “maneira como alguém trabalha”. «Trabalhar» é “exercer alguma profissão”; “dar determinada forma a”; “fazer com arte”; “labutar”; “empenhar-se”; “executar alguma tarefa”; “desempenhar as suas funções”.Segundo R. Cabral (1983), a palavra «trabalho», na sua origem etimológica, significa “tripalium, instrumento de tortura composto de três paus ou varas cruzadas, ao qual se prendia o réu”.

 Na opinião de João Lobo (2004), fronteira que delimita o conceito de trabalho enquanto factor de realização humana daquele outro em que o trabalho contem em si a carga negativa opressora do tripalium (instrumento composto por três paus ou varas cruzadas, usado para prender animais e também como instrumento de tortura – que exprime, na sua origem semântica, a noção de trabalho e o sacrifício que a realização do mesmo implica) nem sempre é clara e necessita de diferenciação legal em homenagem à proteção dos valores fundamentais da pessoa humana.

Segundo Lobo (2004), a necessidade da delimitação de tal fronteira no que se refere à protecção de trabalho de menores vai de encontro àquelas situações especiais em que “o velho prolóquio de Lacordaire merece acolhimento, funda detença e larga consideração: entre o rico e o pobre, o forte e o fraco, é a Lei que liberta e a liberdade que mata”.

A palavra «trabalho», esclarece o historiador Jacques Le Goff, não existia antes do século XI. De acordo com Godelier, citado por Correia (1999), o significado da palavra «trabalho», conhecido como “obra a fazer, ou execução de uma obra”, surge somente nos finais do século XV e o significado da palavra «trabalhador» aparece nos finais do século XVII.

No século XVIII, o trabalho aparece como uma actividade que implica um esforço penoso. Aliás, José Alberto Correia (1999) refere esta noção sublinhando que ela está “relacionada com significados que nos referenciam o exercício de actividades penosas”. No dizer de Avelãs Nunes, citado por Barros Moura (1980), o trabalho é a “atividade inteligente do Homem em sociedade, preordenada ao objetivo de transformar e adaptar as forças da natureza com vista à satisfação de necessidades”. Para Brito Correia (1981), “ a palavra “trabalho’ é usada corretamente com vários sentidos; esforço, atividade, produto ou resultado, emprego, colocação. De acordo com Giddens (1997), “podemos definir o trabalho como a realização de tarefas que envolvem o dispêndio de esforço mental e físico, com o objectivo de produzir bens e serviços para satisfazer necessidades humanas”.

Ariès e Duby (1989) referem que, “o trabalhador era considerado socialmente inferior, mas também um ser ignóbil”. Estes autores referem também que são necessárias algumas chaves de leitura para a compreensão das atitudes antigas perante o trabalho: o desdém pelo seu valor significava desdém social pelos trabalhadores. Este desdem manteve – se por um certo tempo, seja para manter a hierarquia nas classes sociais, reduzindo sempre os conflitos, foi necessário saudar no trabalho um verdadeiro valor e um valor de todos; foi a paz social dos corações hipócritas. O mistério do desprezo antigo pelo trabalho reside muito simplesmente no facto de os acasos da guerra social não terem ainda conseguido este provisório armistício de hipocrisia. Uma classe social, orgulhosa da sua superioridade, canta a sua própria glória (é isto a ideologia).

De acordo com os mesmos autores, a partir de Marx e Proudhon, a noção de trabalho tornou-se um valor social universal, um conceito filosófico. Poder-se-ia dizer que o’trabalho’, tal como hoje o descrevemos, é historicamente recente, é a fonte de riqueza dos países. As sociedades desenvolveram-se, desde sempre, através do trabalho produzido por agricultores, pescadores, comerciantes, artesãos e operários.

Há uma característica comum, relativamente ao trabalho, que atravessa todos os tipos de sociedades, desde a esclavagista até à industrial passando pela feudal: a subordinação de quem vive do trabalho prestado a outrem, quer seja rei, imperador, senhor feudal, industrial ou entidade patronal. A História mostra-nos que só os países que se organizaram e apostaram nas forças de trabalho atingiram patamares de bem-estar elevados, mas sempre por força daqueles que produziram a riqueza - os trabalhadores, que raramente são valorizados ou colhem o fruto ao qual merecem.

Impactos no Individuo

Ao decorrer da historia, podemos constatar o quanto os conceitos de trabalho e carreira foram modificando-se, logo o individuo (trabalhador, funcionario, colaborador) modificou-se juntamente com os conceitos acima citados. Estes impactos foram alterando as suas formas com o evoluir da tecnologia e gestões, hoje a tendencia é a imposição de valores visando à subjetivação, à pressão psicológica que engendram sentimentos que vão criar novas condutas e novas culturas, pela disseminação do medo, a insegurança e a incerteza, o apagamento da justiça como valor fundamental, o individualismo que se sobrepõe a solidariedade.

Isto ocorre, devido a excessiva preocupação com o universo empresarial, o quanto a lógica presente no ambiente corporativo vem se inscrevendo na sociedade. Um bom exemplo deste impacto, é a  ideologia da excelência, que configura – se pela competitividade, pela flexibilidade, culto a velocidade e agilidade, pelo evitar sentimentos, o apagamento da ética. Estes e outros fatores, podem levar  a um sofrimento mental, com tendências a afetar sua estabilidade psiquica, causando transtornos mentais e fisicos. Não é muito dificil encontrarmos bancarios, profissionais de nível operacional (chão de fábrica) e tantos outros, sofrendo de depressão, ansiedade, incio de alcoolismo, transtornos psicossomaticos, stress etc.

Logo  podemos notar que estes impactos, alternam entre o fisico (que ainda é presente) e o psicológico.Vemos artigos de psicopatologias no trabalho, que sinalizam o adoecimento mental dos individuos, pois na atualidade, além do que se modificou no mundo do trabalho, várias grandes mudanças têm sido consideradas nos impactos produzidos sobre a sociogenese dos disturbios mentais; socioambientais, demograficas (migrações, aumento da população idosa),  urbanização desordenada, hipertrofia das metrópoles, intensificação da velocidade dos meios de transporte e de comunicação, aumento da violencia em muitos contextos, poder das midias, expansão  tecnologica em geral, além de tantas outras que afetaram a cultura, os modos de perceber o mundo e andar a vida.

Ao mensurar os testes de lipp e coping, atrelados as entrevistas, que foram realizadas com trabalhadora (pedagoga), que atuava na area de produção de uma industria de cosméticos. Foi possivel indentificar alguns pontos de estressores ocupacionais (causados pela pressão laboral e expectativas constituidas por teorias de carreira), pois em todos os testes que foram respondidos, ao colher os resultados, foi constatada, a exaustão psiquica da candidata, e como se não fosse o bastante, ao ter acesso alguns exames clinicos, foi possivel indentificar sintomas psicopatologicos e patologias. O nivel de resistência da mesma, era baixo, pois de acordo com a trabalhadora, até os afazeres que outrora lhe traziam alguma satisfação pessoal, ou pelo menos ajudava a relachar, já não funcionavam mais. Houve consideravel perda da libido, por parte da candidata (fato comprovado no teste Lipp e na entrevista).

A candidata utilizou-se da expressão: “eu não sei viver, estou consumida, para mim nada mais adianta’. Ao questiona-la sobre a frase citada, foi possivel constatar que a candidata, de fato, estavá com a vida social bastante precária, poucas distrações, poucos passeios e centros de interesse. Exatamente o oposto que a mesma deveria viver, afinal a candidata encontrava-se no auge da sua vida. Houve momentos que a candidata refletia sobre a sua existencia, e constatava, que levavá uma vida sem dinamismo, estava indiferente, sem energia, recusava-se tudo oque antigamente lhe atraía; a música, os bares, as amizades, os estudos, o cinema. Tinha a impressão que tudo estava acima do seu querer e poder.

Os estressores ocupacionais, quando persistentes, podem levar a sindrome de Burnout. Sindrome considerada por França e Rodrigues (1999) como uma resposta emocional a situações de estresse crônico em função das relações intensas em cituações de trabalho com outras pessoas. A trabalhadora pontuou, que uma das piores horas da sua função, era quando alguem à questionava, sobre a sua formação, pois os outros trabalhadores, zombavam pelo fato da mesma ser uma universitaria e estar carregando paletes, ao decorrer da madrugada.

De acordo com a candidata, este fato ocorreram diversas vezes, sendo que a cada piada de mal gosto, que hoje ela compreende que era uma espécie de autodefesa dos outros, por se sentirem inferiores para com a mesma, apesar de estarem exercendo a mesma função. Na maioria das vezes, os proprios lideres de produção insentivavam as retaliações, pois na area operacional, na maioria das empresas, os lideres (de armazem, operação,expedição), não são pessoas qualificadas para a gestão em si, são ex-ajudantes e conferentes que acabaram assumindo a função (o que é bom, se os mesmos tivessem um acompanhamento da parte do recursos humanos, com programas de desenvolvimento de lideres e equipe), logo os mesmos não fazem a distinção do politicamente correto (ético), ou na maioria das vezes não gozam de bom senso.

Apartir do  segundo ano de empresa, a candidata começou a sentir carência de energia, entusiasmo, uma especie de esgotamento de recursos. A nossa trabalhadora acreditava que já não possuia condições de despender mais energia pra exercer suas funções laborais e pessoais (o que mais lhe causa-va angústia, pois já não sentia-se atraida pelo parceiro, sexualmente falando). Ela chegou a afirmar, que havia momentos que a mesma era incapaz de organizar suas atividades em casa, desinteressava-se  completamente pelas tarefas domesticas, e “ deixava tudo em desordem’, ato que tambem  a  frustrava, pois não era de seu costume deixar as coisas em extrema desordem. A mesma sentia uma indiferença e uma especie de aversão por tudo, tinha momentos que ela se sentia submersa em extrema ignorância, não era capaz de sequer ler um livro ou algum informativo.

Foi a partir deste momento que a candidata, começou a se dedicar em sair da empresa, fato que iria ocorrer somente um ano depois. Ela conta que, chegou ha um certo momento, ao qual os familiares, colegas e até mesmo a organização, não passavam de objetos. Houve momentos que a trabalhadora desenvolveu um determinado grau de insensibilidade emocional, para com os parceiros (internos e externos).

Com isto as coisas foam  complicando-se de tal maneira, que a baixa realização profissional revelou-se uma tendência da trabalhadora em se auto avaliar de forma negativa. A candidata sentia-se infeliz com si mesma e insatisfeita com o seu desenvolvimento profissional. Afinal, quanto mais distante do mundo pedagógico, mais a nossa trabalhadora sentia-se incapaz e fracassada. E não conseguia entender, como em um estado tão grande como São Paulo, com tantas escolas, creches, instituições de ensino, não teriam um lugar para ela.

A cada dia que se passava, as angústias e sentimentos de impotência foram dividindo espaço com as dores, logo ao findar do segundo ano de empresa, a trabalhadora  viu-se obrigada a adentrar em uma rotina de exames médicos (clinicos). Exames ao qual identificaram uma gama de complicações nos vasos sanguinios das pernas, uma inflamação na coluna, artrites em diversas partes do corpo, bico de pato etc.

 Doenças até então desenvolvidas em pessoas com idade mais avançadas, informação que quando recebida, causou-lhe ‘...angústias inesplicáveis...’(palavras da candidata), pois uma jovem de vinte e nove anos ter problemas na coluna, joelhos e tendões, é no minimo apavorante.

Afinal, quando um individuo adentra no mercado de trabalho, a intenção é trabalhar para atingir um determinado grau de qualidade de vida, seja executando tarefas ao qual lhe faz bem, ou pelo simples fato de poder conquistar bens, antes impossiveis de adquirir, e não apenas para se frustrar pela falta de oportunidades, e sofrer consequências em seu próprio corpo, através de cicatrizes abstratas que somente estando na pele do individuo para compreender. È incrivel o quanto uma atividade laboral possui o poder de modificar a vida do ser.

Iniciou - se então, varias sessões de fisioterapia, RPG, micro cirurgias (para secar os vasos que estavam inflamados), a trabalhadora passou por outra cirurgia, antes de se desligar da empresa  (operação nos dedos do pé esquerdo, devido a uma inflamação causada pelo uso das botinas de bico de ferro).

Ao completar três anos de empresa, a trabalhadora foi convidada, a se inscrever no programa de demissão voluntaria, convite que veio como um presente, pois a mais de um ano a mesma vinha pedindo para ser desligada da empresa. E como não havia chances de a mesma ser reconhecida profissionalmente,e quem sabe, ser alocada em outra função. Pois, o reconhecimento não é uma reivindicação secundáriados que trabalham. Muito pelo contrário,mostra-se decisivo na dinâmica da mobilização subjetiva da inteligência e da personalidade do trabalho ( o que é classificamente designado em psicologia pela expressão ‘motivação no trabalho’).

 Atualmente a trabalhadora ainda, possui traumas relacionadas a esta época de dor e angústia, pois ainda frequenta as consultas de RPG, para amenizar as lesões na coluna. Os sentimentos de impotência (carência de energia), despersonalização ( tudo parece ser um objeto) e baixa realização profissional, estão se extinguindo com o passar do tempo. Atualmente a trabalhadora exerce a função de coordenadora escolar e pretende começar a ministrar aulas ainda neste ano (2012), está noiva e pretende casar-se.

Conclusões

Ao analisarmos os testes que foram aplicados na trabalhadora, mas o depoimento que a mesma concedeu podemos constar diferentes pontos estressores ocupacionais, que afetaram diretamente o bem estar da candidata. Dentre vários, podemos citar as longas jornadas de trabalho, o número insuficiente de pessoal, a falta de reconhecimento profissional (um dos principais fatores), a alta exposição do profissional a riscos físicos (o principal fator, segundo a candidata, que informou que no ultimo ano da sua dolorosa ‘estadia”, a mesma já sofria de infecções na coluna, joelhos), assim como o contato constante com o sofrimento e a dor de outras colegas de trabalho, que ao estarem insatisfeitas com o labor ao qual estavam submetidas.

Afinal os sofrimentos psíquicos e psicossomáticos, não ocorrem isoladamente, como se o individuo fosse um ser ‘único’, o meio ao qual o/a mesma(o) se encontra, influência nas suas frustrações e dores psíquicas. Pois ao vivenciar companheiras de trabalho, reclamando de assédio moral, falta de ferramentas e métodos de trabalho que simplificassem ou amenizassem os impactos laborais da área de produção, a trabalhadora sofre, pois ao vivenciar tamanho acontecimento, surge um sentimento de incapacidade e frustração, que somente ao habitar dentro da sua alma, para compreender tamanha angustia ( palavras da candidata).

Conceitos de carreira que nos bombardeiam por todos os lados, também tiveram seu papel, no nível de stress que a candidata se encontrava. Pois ao se influenciar, com teorias de carreiras   ( Proteana, sem fronteiras), ao qual prega que o individuo é dono da sua jornada profissional e que aquele que não possui controle da mesma, é tido como acomodado. A mesma se sentia frustrada, por não conseguir atuar na área, e cada zombaria dos outros colaboradores (fabrica ao qual trabalhava), a mesma se sentia pequena e ignorante.

Nestes momentos os significados antes usados para trabalho, caiam perfeitamente, para a nossa candidata. Afinal, assim como antigamente a palavra era sinônimo de tortura, para a mesma, este significado lhe caia, como uma luva.

Logo ao lermos este artigo (monografia), podemos afirmar, que o ambiente laboral, pode sim causar impactos psíquicos e corporal no individuo. Podem causar ânsias, frustrações e desenvolver doenças psicossomáticas, que mesmo depois de afastado (a) do ambiente nocivo, ainda ficam as marcas no corpo e mente. Ao pensarmos em algum tipo de intervenção, para tentarmos evitar passar por tal sofrimento, só poderemos contar com a sorte (oportunidade), ou não nos deixarmos influenciar por revistas corporativas, cuja principal função, é vender (divulgar) serviços de consultoria.

Afinal, se formos conversar com os empreendedores ou super executivos, que estas revistas gostam de exaltar, a grande maioria vivem para o trabalho, e não trabalham para viver!. Situação ao qual em algum momento da vida, não vale a pena. O trabalho (emprego) deve trazer liberdade e satisfação para o trabalhador, deve promover mudanças satisfatórias na vida do individuo. Apesar disto ser teoria, não podemos deixar que esta utópica ideia, seja enterrada no poço da ignorância e intolerância corporativa.

Se as organizações são constituídas por pessoas, nada mais justo e lúcido, do que elas serem feitas pelas mesmas, para as pessoas. Mas não no sentido humano da coisa, mas sim no sentido sentimental (valorização do ser), se alguns gestores começarem a olhar os parceiros (de trabalho), como a si mesmos, as empresas poderiam investir mais em estratégias de recursos humanos, para desenvolver o colaborador, aproveitando aqueles que possuem uma formação, como por exemplo a nossa candidata, ela é formada em pedagogia, se em algum momento algum dos seus lideres, tivessem investindo o mínimo de tempo o possível para o desenvolvimento da mesma, ela poderia se locomover para a área de recursos humanos, atuando como multiplicadora, podendo assim estruturar planos de aula, para o desenvolvimento de outros colaboradores, ou ate mesmo realizando a integração de novos colaboradores na área (produção).

Apesar de hoje o recursos humanos ser mais estratégico, do que em alguns anos atrás, aonde  a área era vista como um subsistema da contabilidade( no inicio até era), cuja a única função era emitir folhas (holerites), contratar e  dispensar funcionários. Hoje as empresas entendem que a função da área é muito mais estratégica, porem as atividades dedicadas à estratégias de desenvolvimento, ainda são voltados para os colaboradores (A e B), logo os colaboradores (C e D), ainda são vitimas de desprezos organizacionais e indiferenças.

Seja pelos paradigmas ou pelo fato mercadológico, pois quanto mais subdesenvolvidos, mais desempregados teremos, logo isto se torna, uma ótima ferramenta para controlar salários, mundo a fora.

Logo o presente artigo (monografia), atingiu o seu objetivo de buscar compreender os possíveis impactos, que ocorrem em um individuo que estuda para exercer uma função, e devido às peraltices do destino, se viu obrigada a atuar em uma atividade totalmente oposta, ao qual almejava estar (fato que acarretava na desestabilização do referencial em que se apoia a identidade). Foi possível mensurar tais impactos, como angustias, lesões corporais e psíquicas. Propusemos possíveis intervenções as atividades que são realizadas nas empresas, atividades ao qual devem ser re - pensadas, para que possamos ter profissionais, mais valorizados e aproveitados, em todos os níveis dentro das companhias.

Sobre o Trabalho:

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao departamento de pós- graduação, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial à obtenção do grau de especialista em psicologia organizacional e do trabalho.

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