Prevalência do Consumo de Substâncias Lícitas e Ilícitas entre Trabalhadores da Indústria

Prevalência do Consumo de Substâncias Lícitas e Ilícitas entre Trabalhadores da Indústria
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Resumo: A elaboração de um estudo sobre drogas lícitas e ilícitas na indústria é de grande importância, pois procura discutir algo que se apresenta na sociedade. Esta pesquisa trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e exploratório onde buscou-se investigar a prevalência do consumo de substâncias lícitas e ilícitas entre os trabalhadores da indústria de médio porte. A importância do assunto abordado reside por ser um tema da atualidade, tendo a necessidade de ser discutido, por ser esse um problema que atinge todas as classes sociais. Foram realizadas análises estatísticas, de acordo com os dados obtidos e constatou-se que a prevalência dos trabalhadores da indústria usuários de substâncias lícitas e ilícitas são compostos predominantemente por jovens, solteiros, sem filhos, a grande maioria do sexo masculino, moram com algum familiar e são praticantes de alguma religião. A frequência do uso de substância no último mês, mais utilizadas pelos trabalhadores da indústria que participaram da pesquisa, foi de 65%, e 33% nunca usaram droga, 2% não responderam à pesquisa. A mesma apontou a necessidade de as indústrias realizarem um trabalho em torno do tema, as organizações devem preocupar-se em trazer a discussão das drogas consideradas lícitas e ilícitas, a fim de estimular a não utilização das mesmas, com perspectiva à manutenção da saúde desse trabalhador. É importante reforçar e incentivar a participação em programa de promoção e prevenção da saúde, através de estratégias de sensibilização e conscientização, promovendo atividades que melhorem a qualidade de vida dos trabalhadores.

Palavras-chave: Prevalência, Drogas, Indústria, Psicologia Organizacional.

1. Introdução

A importância do assunto abordado reside por ser um tema da atualidade, tendo a necessidade de ser discutido, por ser esse um problema que atinge todas as classes sociais. Deste modo, a elaboração de um estudo sobre drogas lícitas e ilícitas na indústria é de grande importância, pois procura discutir algo que se apresenta na sociedade muito mais sobre a forma de “tabu” do que sobre os reais efeitos das drogas.

A pesquisa teve como objetivo geral investigar a prevalência do uso de substâncias lícitas e ilícitas entre trabalhadores da indústria. Já como objetivos específicos, averiguar o tipo de substância utilizada; identificar as condições socioeconômicas e demográficas dos sujeitos entrevistados; identificar se já houve retrabalho devido ao uso da substância na atividade desenvolvida; averiguar se já faltou ou chegou atrasado ao trabalho em função do uso desta substância; verificar se o sujeito utiliza algum tipo de medicação; averiguar se o sujeito utiliza o salário como recurso para o consumo da substância.

A formulação do problema é qual a prevalência do uso de substâncias lícitas e ilícitas entre trabalhadores da indústria. De acordo com Carrillo e Mauro (2003) o crescente consumo de drogas e suas enormes consequências tornaram-se um dos problemas mais graves da civilização contemporânea. A cada dia, aumenta gradativamente o número de pessoas que tornaram-se dependentes delas e que por elas são destruídas.

De acordo Figueiredo (1997) a questão do uso abusivo de drogas na contemporaneidade corresponde a um problema proeminente e abrangente, a nível mundial, envolvendo diversos interesses, uma vez que este não diz respeito apenas ao usuário de substâncias psicoativas, caracterizando-se, portanto, como um problema social e de saúde pública. A dependência de drogas corresponde a um estado mental, e muitas vezes, físico, que resulta da interação entre um organismo vivo e uma droga. Conforme Silveira (1995) caracteriza-se por comportamento que sempre inclui uma compulsão de tomar a droga para experimentar seu efeito psíquico e evitar o desconforto provocado por sua ausência.

Conforme Pulcheiro, Bicca e Silva (2002) a substância psicoativa é toda e qualquer substância que o indivíduo utiliza, que independente da via de administração, por ação no sistema nervoso central, altera o humor, a consciência, a cognição e a função cerebral. Estão incluídas aqui as drogas lícitas (álcool, cigarro e medicação) até as ilícitas (maconha, cocaína e outras). Todas estas substâncias são capazes de causar alterações de humor e dificuldade de aprendizagem, além de, outras práticas ou comportamentos compulsivos como jogos. O uso inadequado de medicação pode estar incluído nesse processo.

O termo droga abrange toda e qualquer substância não produzida pelo organismo que tenha a propriedade de atuar sobre um ou mais sistemas, produzindo alterações no seu funcionamento. A característica primordial da dependência de substâncias, para o DSM IV corresponde à presença de um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos, que evidencia que o indivíduo continua a utilizar uma determinada substância, apesar dos problemas significativos relacionados à mesma. Ressalta-se ainda que a dependência pode ser considerada como uma doença fatal, uma vez que a droga destrói diretamente o organismo, afetando a saúde do indivíduo, podendo provocar danos irreversíveis e até mesmo a morte por overdose. Além disso, o indivíduo dependente, estando sob o efeito da droga, pode envolver a si mesmo e aos outros em situações de risco. (DRUMMOND & DRUMMOND, 1998).

A relevância desta pesquisa está na possibilidade de verificação da prevalência do consumo de substâncias lícitas e ilícitas entre trabalhadores da indústria, a fim de, se necessário, planejar ações relacionadas a prevenções primárias e secundárias que venham ao encontro das necessidades dos trabalhadores, visando redução de danos e sanando possíveis fatores de risco.

2. Metodologia

O método de estudo utilizado é quantitativo, descritivo e exploratório, que conforme Fonseca (2002) os resultados da pesquisa podem ser quantificados.

Para a obtenção dos dados que suprirão as propostas dos objetivos, calculou-se uma amostra, considerando o número de funcionários ativos na data da pesquisa, do setor produtivo das indústrias de médio porte de uma cidade do noroeste do estado do Rio Grande do Sul. Depois de calculada, a amostra geral será dividida levando em consideração a relação de funcionários do setor produtivo de cada empresa com o intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 6% e após a população foi todos os colaboradores da indústria de médio porte. É importante destacar que conforme SEBRAI (2015) a empresa de médio porte na indústria se caracteriza por aquela que tem de 100 a 499 empregados.

Foram utilizados questionário autoaplicáveis, contendo trinta e sete questões, sendo que doze questões foram elaboradas pela pesquisadora, e quatorze questões são do instrumento DUSI-R autoaplicável validado em português e onze questões são da área VIII do instrumento DUSI-R, investiga a motivação para o trabalho. Este instrumento foi desenvolvido para avaliar e identificar o uso abusivo de substâncias psicoativas, lícitas e ilícitas, bem como avaliar fatores de risco subjacentes. A versão brasileira do instrumento DUSI-R foi validada por De Micheli e Formigoni (2002) e apresentou uma sensibilidade de 80% e especificidade de 90% que é composto por uma tabela que investiga: Uso de álcool e outras substâncias: Investiga a frequência do uso de treze substâncias no último mês, drogas de preferência e problemas em decorrência do uso. (GORENSTEIN, WANG e HUNGERBUHLER, 2016).

A pesquisa foi aplicada em duas indústrias da região noroeste do estado, sendo a indústria A do setor metalúrgico, com total de 437 colaboradores do setor produtivo e indústria B do setor alimentícios, com total de 239 colaboradores do setor produtivo. A indústria C não aceitou participar da pesquisa. As indústrias disponibilizaram os trabalhadores que executam o trabalho operacional durante o horário de expediente para responder a pesquisa, duzentos e vinte e três participaram da mesma.

A análise dos dados foi a partir de estatística descritiva e exposta através de gráficos para melhor explanar os resultados.

Os Procedimentos éticos foram os seguintes: foi encaminhado para o Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade. Após a sua aprovação foram contatados os responsáveis das indústrias pesquisadas, foram explicados os objetivos da pesquisa, e consequentemente disponibilizado o Termo de Coparticipação onde deram concordância através da assinatura e os participantes assinaram o TCLE.

3. Resultados e Discussões

A partir da pesquisa realizada nas duas indústrias no período de abril a maio de 2018, no total de duzentos e vinte e três trabalhadores do sexo masculino e feminino, sendo: 137 trabalhadores na indústria A e 86 trabalhadores na indústria B.

Tabela 1 - Dados referentes ao Uso de álcool e outras substâncias: Investiga a frequência do uso de treze substâncias no último mês dos trabalhadores da indústria. Santo Ângelo 2018 (T=223)

Indicador

T

%

Usei drogas

146

65%

Nunca usei drogas

72

33%

Não responderam

5

2%

Tabela 1 - Uso de álcool e outras substâncias 

Fonte: o autor (2018)

Na tabela 1 podemos observar do total dos trabalhadores que participaram de pesquisa, a frequência do uso de substância no último mês foi de 65% que usaram algum tipo de drogas, 33% nunca usaram droga e 2% não responderam à pesquisa.

Tabela 2 - Dados referentes às características sociodemográficas dos trabalhadores da indústria.

Indicador

T

%

Idade

 

 

Até 20 anos

83

37%

Até 30 anos

80

36%

Até 40 anos

35

16%

Acima de 40

25

11%

Sexo

 

 

Masculino

201

90%

Feminino

22

10%

Religião

 

 

Praticante

130

58%

Não Praticante

54

24%

Sem opinião

35

16%

Ateu

4

2%

Com quem vive

 

 

Familiar

159

71%

Namorada (o)

46

21%

Sozinho

16

7%

Amigos

2

1%

Estado civil

 

 

Solteiro (a)

126

57%

Casado (a)

90

40%

Separado (a)

6

3%

Viúvo (a)

1

0%

Há quanto tempo você trabalha na empresa

 

 

Menos de 1 ano

112

50%

De 01 a 03 anos

53

24%

De 04 a 06 anos

33

15%

De 07 a 10 anos

13

6%

Acima de 10 anos

12

5%

Quantos Filhos você tem?

 

 

Não tem filhos

125

57%

1 filho

51

23%

2 filhos

26

12%

3 filhos

11

5%

Mais de 3 filhos

8

4%

Tabela 2 - Características sociodemográficas Fonte: o autor (2018)

Na tabela 2 podemos observar a caracterização da amostra total do estudo referentes às características sociodemográficas dos trabalhadores da indústria de Santo Ângelo 2018 (T=223). Os sujeitos que responderam à pesquisa possuem idade média de 18 a 30 anos contabilizando 73%, a maioria dos participantes são solteiros contabilizando 57%, destes 71% moram com familiares e 58% são praticantes de uma religião, e 57% destes não tem filhos. Destes trabalhadores 50% tem menos de um ano de empresa e 90% são do sexo masculino. De acordo com os dados obtidos constatou-se que os trabalhadores da indústria são compostos predominantemente por jovens, solteiros, sem filhos, a grande maioria do sexo masculino, moram com algum familiar e são praticantes de alguma religião.

Entretanto, de acordo com Toscano (2001) apesar desta notoriedade assumida pelo uso de drogas nos dias atuais, o uso de substâncias psicoativas não é um evento novo na atualidade e sim uma prática milenar e universal, não sendo, portanto, um fenômeno exclusivo da época em que vivemos.

Tabela 3 - Automedicação

Indicador

T

%

Toma regularmente medicação?

 

 

Não

202

91%

Sim

21

9%

Se houve automedicação foi influenciada por:

 

 

Prescrição Anterior

23

50%

Publicidade

12

26%

Amigos

11

24%

Na execução do trabalho alguma vez houve necessidade de

refazer devido ao uso da substância?

Não

218

98%

Sim

5

2%

Tabela 3 - Automedicação Fonte: o autor (2018)

Demonstra-se na tabela 3 os dados referentes a automedicação e retrabalho. Observa-se no estudo que 91% dos trabalhadores da indústria não tomam medicação controlada, psicotrópicos, no entanto, 50% dos trabalhadores se automedicam. Identificou-se também que 98% dos trabalhadores não precisaram refazer o trabalho devido ao uso de substância tanto lícita como ilícita. Cabe dizer que droga abrange toda e qualquer substância não produzida pelo organismo que tenha a propriedade de atuar sobre um ou mais sistemas, produzindo alterações  no seu funcionamento. Para Pulcheiro, Bicca e Silva (2002) as drogas não são necessariamente maléficas, uma vez que podem até proporcionar benefícios consideráveis quando utilizadas com cautela e sob prescrição médica.

Figura 1 - Usuários de drogas por frequência

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Figura 1 - Usuários de drogas por frequência 

Fonte: o autor (2018) 

Com o instrumento utilizado no presente estudo (DUSI-R), foi possível identificar frequência de uso de substância no último mês, entre os trabalhadores da indústria nas empresas de médio porte. O questionário é composto por quatorze perguntas.

Observa-se como consta na figura 1, a droga mais utilizada no presente estudo foi o álcool (38%), seguido pelo analgésico (24%) e pelo tabaco (15%), sendo todas lícitas. Conforme o estudo realizado muito se tem a fazer com as drogas lícitas, o álcool, tabaco, automedicação, tantas drogas que estão presentes na sociedade atual que, de certa forma, são refúgios frente ao estresse, às angústias, às depressões e à própria violência.

Conforme a figura 1, o álcool é a substância mais utilizada pelos trabalhadores da indústria, em nossa sociedade o álcool é a substância psicoativa mais consumida na atualidade, por ser aceito culturalmente, ter baixo custo e ser de fácil acesso. No Brasil, o álcool é responsável por mais de 90% das internações hospitalares por dependência, (GALDURÓZ, NOTO e CARLINI, 1997). A Organização Mundial de Saúde considera o alcoolismo como uma das doenças que mais matam no mundo. (COSMAN, 2004).

De acordo com Noto (1999) é importante assinalar que o álcool, o tabaco e alguns medicamentos e especialmente ansiolíticos, embora não tão alardeados, continuam sendo as drogas mais consumidas e as que trazem maiores prejuízos à população.

Denota-se na figura 1 que a droga ilícita mais utilizada no presente estudo foi a maconha (6%) é a quarta droga mais utilizada pelos trabalhadores da indústria. No levantamento de 2001, realizado pelo Cebrid (2002) a maconha é a terceira droga mais usada. Conforme Galduróz, Noto e Carlini (1997) a maconha é considerada, por muitos jovens e muitas vezes por seus familiares, uma droga leve, e talvez por isso mais aceitável. Há evidências, entretanto, que o uso da droga tem implicações sérias para a saúde física e mental de seus usuários.

Quando avaliamos a figura 1 o ansiolítico (5%) é a quinta droga mais utilizada pelos trabalhadores da indústria. No levantamento de 2001, realizado pelo Cebrid (2002) em dez capitais brasileiras, aborda que, entre as drogas lícitas, há expressivo consumo de medicações como os ansiolíticos. Essa realidade pode ser vislumbrada no atual conceito de doença enquanto dimensão psicossocial, que está associado ao momento histórico-cultural, às motivações das pessoas, bem como a postura da sociedade perante essa prática.

Conforme Toscano (2001) as drogas foram utilizadas, através dos tempos, por grupos variados com fins religiosos, culturais, medicinais, de prazer místico, e até mesmo como forma de buscar a transcendência, as alterações do estado de ânimo e da própria consciência. Ressaltam Palha e Bueno (2001) que as drogas eram utilizadas com o propósito de obter força e coragem nas lutas do trabalho, ou até mesmo, nas lutas da honra pessoal ou coletiva. Isso porque o homem sempre buscou, ao longo dos tempos, maneiras de aumentar o seu prazer e diminuir o seu sofrimento. 

Figura 2 - Usuários de drogas por idade

prevalencia-do-consumo-de-substancias-licitas-e-ilicitas-entre-trabalhadores-da-industria-02

Figura 2 - Usuários de drogas por idade 

Fonte: o autor (2018) 

Observa-se no estudo, como consta na figura 2, os jovens entre dezoito e trinta anos de idade são os maiores consumidores de drogas entre os trabalhadores das indústrias pesquisadas, deste são 62%.

Cabe salientar que os efeitos produzidos pelas substâncias psicoativas variam de pessoa para pessoa, de acordo com a substância, a quantidade e a potência da droga utilizada. De acordo com Laranjeiras et al. (1996), os efeitos variam desde a mudança na percepção sensorial, a incapacidade de concentração, a redução da coordenação motora, aos reflexos reduzidos, a julgamento afetado, fala confusa, irritabilidade, ansiedade, entre outros fatores.

Figura 3 - Usuários de drogas por tempo de empresa

prevalencia-do-consumo-de-substancias-licitas-e-ilicitas-entre-trabalhadores-da-industria-03

Figura 3 - Usuários de drogas por tempo de empresa 

Fonte: o autor (2018)

Observa-se no estudo, como consta na figura 3, que os trabalhadores da indústria por tempo de empresa, predominantemente são os jovens com menos de um ano de empresa, que são 38%, e de um ano até três anos de empresa são 24%. Então pode se dizer que o trabalhador da indústria tem menos de um ano até três anos de empresa contabilizando assim 62%. De acordo com o gráfico 3, um fator que chama a atenção, é que os trabalhadores com mais de dez anos de empresa, sendo estes a minoria, consomem algum tipo de droga. Para Navarro (1999) e Valenzuela (2001), existem teorias que defendem a existência de fatores de natureza laboral como a causa fundamental dos consumos de drogas. Destacando-se alguns fatores como: trabalhos noturnos, jornadas de trabalho prolongadas, fadiga ao finalizar as atividades, estresse e insatisfação com a atividade desempenhada.

Laranjeira (2004) salienta que poucos fenômenos sociais acarretam mais custos com justiça e saúde, dificuldades familiares, e notícias na mídia do que o consumo abusivo de drogas. Diante da realidade do mercado de trabalho, onde torna-se mais competitivo a cada dia, alguns fatores que podem influenciar os funcionários no uso de substâncias são sobrecarga de trabalho, pressão para atingir metas, falta de qualidade de vida no trabalho, pouco reconhecimento e salário baixos em relação à função desempenhada nas empresas.

Figura 4 - Usuários de drogas por estado civil

prevalencia-do-consumo-de-substancias-licitas-e-ilicitas-entre-trabalhadores-da-industria-04

Figura 4 - Usuários de drogas por estado civil 

Fonte: o autor (2018)

Observa-se no estudo, como consta na figura 4, que os trabalhadores da indústria que usam drogas são predominantemente solteiros e em seguida os casados. Segundo Valenzuela (2001) a causalidade do uso e abuso de drogas é de caráter multifatorial, tendo por influência os diversos motivos, desde os relativos a situações e familiares e pessoais até outros de raízes culturais.

Conforme Caldeira (1999) considerando-se o grupo familiar como a instância onde se desenvolvem as primeiras relações do indivíduo, e com base no pressuposto de que a droga se estabelece a partir de uma dinâmica relacional entre o sujeito e o contexto de sua vivência.

Segundo Cartana e cols. (2004), os fatores de risco se classificam em comunidade, familiar, escolar e individual. Esses fatores são constituídos por um conjunto diverso de características ou situações que envolvem peculiaridades pessoais, tais como a constituição genética e psicológica, as percepções e interpretações próprias de si e do meio no qual está inserido, o contexto sociocultural em que a pessoa vive, entre outros.

Tabela 4 - DUSI-R - Área VIII - Investiga a motivação para o trabalho

Perguntas

T

%

Você fica mais feliz quando você ganha do que quando você perde um jogo?

111

40%

Alguma vez você teve um trabalho remunerado do qual foi dispensado?

44

18%

Você precisa de ajuda dos outros para procurar emprego?

22

9%

Você acha difícil concluir tarefas no seu trabalho?

18

7%

Você tem problemas de relacionamento com seu chefe?

14

6%

Alguma vez, você ganhou dinheiro realizando atividades ilegais?

13

5%

Frequentemente, você falta ou chega atrasado no trabalho?

9

4%

Alguma vez você consumiu álcool ou drogas durante o trabalho?

8

3%

Alguma vez você parou de trabalhar simplesmente porque não se importava?

6

2%

Alguma vez você foi demitido de um emprego por causa de droga?

3

1%

Você trabalha principalmente porque isto permite ter dinheiro para comprar drogas?

2

1%

 

250

100%

Tabela 4 - DUSI-R - Área VIII - Investiga a motivação para o trabalho 

Fonte: o autor (2018)

O DUSI-R foi validada por De Micheli e Formigoni (2002) fornece uma medida geral indicada pela Densidade Absoluta dos problemas que podem estar associados. Calcula-se a densidade absoluta do DUSI-R Área VIII dividindo o número de questões afirmativas em cada área pelo número total de questões multiplicado por cem. O percentual obtido representa a gravidade do problema na área avaliada. (GORENSTEIN, WANG e HUNGERBUHLER, 2016).

Avaliando a tabela 4 que investiga a motivação para o trabalho, sendo que o percentual obtido representa a gravidade do problema na área avaliada, identificou-se que 9,68% dos trabalhadores da indústria apresentam algum risco na execução da atividade no seu trabalho, acham difícil concluir tarefa no seu trabalho, têm problema de relacionamento com o chefe, ganham dinheiro realizando atividades ilegais, consomem droga durante o trabalho e / ou faltam ou chegam atrasado no trabalho. A causalidade do uso de substâncias é de caráter multifatorial, tendo influência diversos motivos, desde os relativos a situações pessoais e familiares até de raízes culturais. (VALENZUELA, 2001).

De acordo com Silveira (1995) a busca pela droga é, muitas vezes, como uma fonte de prazer e de satisfação momentânea ou como uma forma de suportar as dificuldades da vida. Entretanto, com o tempo muitas pessoas continuam a consumi-la com a finalidade de evitar os efeitos desagradáveis provocados pela ausência do uso da droga. (DRUMMOND & DRUMMOND, 1998).

Conforme Lopes (1997) a prevenção nas empresas é mais barata se seu custo for comparado com os altos prejuízos que podem ser causados por funcionários usuários de drogas. Os funcionários dependentes de drogas têm três vezes mais chance de tirar licenças médicas, e cinco vezes mais probabilidade de sofrer acidentes de trabalhos, sendo que o número de faltas é de duas a três vezes maiores.

Os ritmos, e as complexidades e a modernidade que o trabalho alcançou, constituem um alto risco quanto ao uso de substâncias psicoativas. Tanto a falha no trabalho como as demandas que isto impõe criam condições favorecedoras para o suposto mundo irreal de bem-estar, de tranquilidade ou de poder que oferecem as drogas socialmente aceitas, como álcool, os tranquilizantes e o tabaco, o que torna o fator mais nocivo e perigoso para a saúde, ao qual a sociedade moderna deve enfrentar diariamente. (ALASEHT, 1999).

Promover a saúde é lidar com estilos de vida, é buscar uma vida mais saudável e assim capacitar os indivíduos para o alcance de uma vida melhor, isto também relacionado a drogas. (GELBCKE; PADILHA, 2004). 

4. Considerações Finais

A pesquisa realizada nas indústrias de médio porte, em uma cidade de região no Noroeste do estado do Rio Grande do Sul teve a finalidade de investigar a prevalência do uso de substâncias lícitas e ilícitas entre trabalhadores da indústria.

Os resultados do estudo permitiram concluir que essas substâncias se apresentam como uma possibilidade de uso pelo trabalhador da indústria, mostrando a necessidade de discussão sobre o uso de drogas com esses trabalhadores, onde 65% dos trabalhadores da indústria usam algum tipo de droga, sendo ela lícita ou ilícita, apenas 33% nunca usam drogas e 2% não responderam, ou por medo da exposição ou até mesmo omitindo assim a verdade.

A indústria deve atentar para a exigência no mundo do trabalho e compreender que os trabalhadores precisam ser preparados para enfrentar situações em seu cotidiano profissional, no que se refere ao lidar com situações de estresse, cobrança e trabalho repetitivo e refletir sobre o fenômeno das drogas para que se possa desenvolver trabalhos sob diferentes perspectivas, oportunizando aos trabalhadores da indústria sua melhor compreensão.

É de suma importância investigar o fenômeno do uso de drogas dentro do contexto das organizações, onde a empresa deve se preocupar em estudar e analisar a situação de saúde e o ambiente de trabalho para que possa realizar um trabalho de qualidade com produtividade e garantir aos seus colaboradores a qualidade de vida e bem-estar.

Apresenta-se ainda a possibilidade de continuidade dos trabalhos em torno do tema, aprofundando a questão sobre as drogas, onde as organizações deveriam se preocupar em trazer a discussão das drogas consideradas lícitas como o álcool, fumo e alguns medicamentos, a fim de estimular a não utilização das mesmas, com vistas à manutenção da saúde desse trabalhador. É importante reforçar e incentivar a participação em programa de promoção e prevenção da saúde, através de estratégias de sensibilização e conscientização, promovendo atividades que melhorem a qualidade de vida dos trabalhadores.

O consumo de substâncias psicoativas faz e continuará fazendo parte do cotidiano do trabalhador da indústria, não se pode ignorar a sua presença, às vezes muito mais próxima do que imaginamos.

Sobre a Autora:

Adriana Marafon Monteiro - Graduada em Filosofia, pós-graduada em Gestão de Pessoas e estudante de psicologia.

Referências:

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