A Influência da Prática de Grupo na Vida de Adolescentes Vítimas de Crimes Violentos Acompanhados no NAVCV-BH

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Resumo: O presente artigo teve como objetivo avaliar o trabalho realizado com o grupo de adolescentes, composto por vítimas diretas ou indiretas de crimes violentos como estupro e homicídio, acompanhados no Núcleo de Atendimento às Vítimas de Crimes Violentos (NAVCV-BH). Foram analisados alguns Fatores Terapêuticos da psicoterapia de grupo descritos por Yalom, a fim de verificar o alcance dos objetivos previstos para o grupo de adolescentes de ressignificação da violência, e coletivização de suas demandas. Na metodologia de avaliação do grupo, foram analisados os registros dos encontros e realizadas entrevistas semiestruturadas com alguns adolescentes que já participaram e/ou participam do grupo. Posteriormente foi feita uma análise qualitativa do conteúdo do discurso deles. Ficou constatada a presença de diversos fatores terapêuticos positivos, especialmente a coesão grupal, o que demonstrou a eficácia do acompanhamento em grupo não só para o alcance dos objetivos propostos, mas agregando diversos outros valores, provocando mudança na vida das adolescentes em questão e favorecendo o enfrentamento da violência assim como a mudança pessoal.

Palavras-chave: Coletivização de demandas, Crimes Violentos, Fatores Terapêuticos, Grupo de adolescentes, Ressignificação.

1. Apresentação

1.1 O Contexto Institucional do NAVCV

O Núcleo de Atendimento às Vítimas de Crimes Violentos de Minas Gerais (NAVCV-MG) é um programa da Subsecretaria de Direitos Humanos, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, criado em 2001 e executado atualmente pelo Instituto Jurídico para Efetivação da Cidadania (IJUCI). Através do acompanhamento psicossocial e orientação jurídica a vítimas diretas e indiretas de crimes de alto potencial ofensivo, tentados ou consumados, procura-se restaurar os direitos violados. Dentre os crimes atendidos estão homicídio, latrocínio, estupro de vulnerável e outros crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes, violência estatal/institucional e tráfico de pessoas. O NAVCV-MG possui uma unidade central de referência em Belo Horizonte e unidades regionais em Ribeirão das Neves, Governador Valadares e Montes Claros. Ele faz parte do Sistema Estadual de Proteção dos Direitos Humanos, junto com outros programas de proteção.

O acompanhamento aos usuários do NAVCV se dá de forma interdisciplinar por profissionais e estagiários de Direito, Psicologia e Serviço Social, através de uma escuta qualificada que busca construir com os próprios usuários formas de enfrentar e ressignificar a violência sofrida, bem como de ampliar as possibilidades de reorganização da vida a partir do fato violento ocorrido direta ou indiretamente. Para isso, são planejadas formas diversas de acompanhamento, individual, familiar ou grupal e é feita a articulação com a rede de serviços especializados complementares (políticas de saúde, de assistência social, sistema de Justiça, dentre outros), de acordo com a necessidade de cada usuário.

Através do enfoque psicossocial, a partir do qual se compreende o sujeito inserido em seu contexto social e partícipe do mesmo, o trabalho com os usuários do NAVCV consiste, ainda, em coletivizar e politizar as demandas,propiciando a emancipação da situação de vítima, o empoderamento [01] e o protagonismo social dos mesmos. Problematiza-se também a questão da violência como da esfera pública, a qual normalmente se supõe restrita ao âmbito privado. Nesse sentido, a proposta técnica do NAVCV-MG de 04/11/2013 aponta algumas das possibilidades do acompanhamento em grupo:

Os grupos têm em comum a possibilidade de se propiciar um espaço de ressignificação da violência sofrida, por meio da desindividualização das experiências de violência, de sua localização no tecido social e da criação de laços de solidariedade entre os participantes. O Grupo é um espaço de incentivo à autonomia dos usuários, onde eles são protagonistas da intervenção, pois eles conduzem boa parte do atendimento, apontando diretrizes aos técnicos que coordenam o Grupo segundo o que desejam que seja trabalhado, bem como pelo fato de um usuário intervir na situação do outro (INSTITUTO JURÍDICO PARA EFETIVAÇÃO DA CIDADANIA, 2013, p. 39).

No ano de 2011 a equipe do NAVCV-BH lançou mão de inesgotáveis discussões, estudos e capacitações sobre diversas abordagens e experiências com grupos, no intuito de se instrumentalizar para a condução de acompanhamentos grupais. Nesse contexto, foi realizado o primeiro grupo pontual do NAVCV-BH, a roda de conversa com o tema: “Direitos Humanos: o que você tem a ver com isso?”. Participaram desse momento usuários de diferentes faixas etárias e experiências em relação à violência.

1.2 Da Criação do Grupo de Adolescentes

A partir da experiência da roda de conversa, foi proposta a criação de um grupo de adolescentes do sexo feminino, vítimas de violência sexual, por ser o segundo maior público acompanhado na época (Gráfico 1) e por se vislumbrar os benefícios da prática grupal. Objetivou-se que as adolescentes desindividualizassem suas demandas, coletivizando-as entre pares que favorecessem a ressignificação da violência sofrida. Além disso, esperava-se que essas relações intragrupo auxiliassem na construção de alternativas para reorganização da própria vida, ampliando possibilidades. Contudo, nos encontros iniciais, o grupo definiu-se como misto em relação ao gênero e não restritivo a qualquer tipo de violência sofrida, delimitando apenas a faixa etária dos participantes. Configurou-se então o Grupo de Adolescentes.

Além dos objetivos gerais, de acordo com a proposta técnica do NAVCV-MG (2013), o corpo técnico propõe objetivos específicos para este grupo:

O grupo de adolescentes tem o objetivo de criar laços de solidariedade entre adolescentes que estejam em atendimento no NAVCV, bem como conscientizá-los de seus direitos e construir com os usuários percepções críticas sobre a sociedade, sobre preconceitos e, claro, sobre a situação de violência por que passaram. Além disso, objetiva-se apresentar-lhes possibilidades de ampliação de seus horizontes de expectativas quanto ao futuro profissional, pessoal-afetivo e acadêmico (INSTITUTO JURÍDICO PARA EFETIVAÇÃO DA CIDADANIA, 2013, p. 37).

Gráfico 1: Incidência de Crimes Violentos entre os usuários do NAVCV-BH – vítimas diretas e indiretas.

Gráfico 1: Incidência de Crimes Violentos entre os usuários do NAVCV-BH – vítimas diretas e indiretas.

Fonte: Criado pelas autoras com dados extraídos do INSTITUTO JURÍDICO PARA EFETIVAÇÃO DA CIDADANIA, 2013.

Inicialmente convidamos as adolescentes vítimas de violência sexual para assistirem juntas a um filme, “Confiar” de David Schwimmer, que aborda essa violência de forma atual. Esse encontro ocorreu dia 23/05/2012 e visou, através da exibição do filme e discussão em grupo, propiciar o debate em relação ao tema, assim como a troca de experiências pessoais. Ao final desse encontro, propusemos a formação de um grupo destinado a essas adolescentes. Todas manifestaram interesse e a partir das disponibilidades colocadas, agendamos o próximo encontro grupal para quinze dias depois, no período da manhã e este começou a acontecer a partir do mês de julho desse ano.

No dia 11/09/2012 iniciou-se o primeiro encontro das adolescentes que não puderam estar presentes na primeira sessão do filme para outra oportunidade no turno da tarde. A partir de então foi proposto o início do grupo de adolescentes nesse turno. Posteriormente, em março de 2013, decidiu-se integrar os adolescentes dos dois grupos em um único grupo no período da tarde.

O primeiro atendimento grupal em ambos os turnos foi estruturado para propiciar a apresentação das adolescentes, o levantamento de expectativas e a construção do contrato do grupo. Ficou acordado que ambos os grupos seriam abertos, ou seja, havia a possibilidade de entrada de novos membros a qualquer momento, além de permitir  a entrada de adolescentes de ambos os sexos, sem o recorte do tipo de crime, teria frequência quinzenal e duração de uma hora. Os demais encontros dos grupos foram estruturados de forma mais livre, sendo que o tema do dia era escolhido pelos próprios adolescentes, de acordo com as vivências relatadas por eles durante os encontros.

1.3 O Desenvolvimento do Grupo de Adolescentes no NAVCV-BH

A constituição do grupo alterou-se bastante ao longo do tempo, com entrada e saída de participantes. Os encontros aconteciam na maioria das vezes com três ou mais adolescentes. A partir do interesse do grupo pelo aumento da duração dos encontros, ampliamos o que inicialmente tinha a duração de uma hora e frequência quinzenal para o dobro de horas mensais, mostrando desde o início o interesse dos adolescentes em estarem em grupo e a assertividade dessa proposta.

 Tivemos como eixo norteador da condução desse grupo a metodologia de Grupos de Crescimento, de Mauro Amatuzzi (2008), a qual prevê sete passos:

  • a) sentar;
  • b) contar;
  • c) escolher;
  • d) sintonizar;
  • e) analisar;
  • f) agir;
  • g) despedir.

Dessa forma, cada encontro continha um momento de recepção dos participantes, no qual percebíamos como estavam chegando (expressão corporal, interesse, disposição)-sentar. Propúnhamos então que cada um escolhesse um acontecimento significativo ocorrido nas últimas semanas para compartilhar com o grupo,e pedíamos que cada um contasse resumidamente o fato- contar. Então todos escolhiam o tema de maior interesse para aprofundarmos a discussão, a partir de experiências semelhantes - sintonizar, e assim o expandirmos para questões sociais relacionadas analisar. Daí poderia surgir o planejamento de alguma ação do grupo- agir. Por fim, na despedida, pedíamos eventualmente a avaliação do encontro ocorrido- despedir. Esses passos são eixos norteadores para o trabalho com grupos, que devem ser conduzidos de acordo com a própria demanda e construção deste.

A metodologia dos Grupos de Crescimento evocava temas significativos e de interesse em comum, a partir destes, outras técnicas eram propostas, como por exemplo, atividades artísticas (escultura em argila e pintura, impressão de imagens e confecção da capa do diário) e a exibição de filmes. Ainda como parte da metodologia do grupo, algumas técnicas sociopsicodramáticas eram utilizadas. Além disso, ideias de projetos grupais foram propostas por alguns adolescentes, como escrita em diário, caixa de sugestões com temas a serem trabalhados e a composição de uma música contendo a histórias dos integrantes do grupo.

No decorrer dos encontros foram trabalhados temas relacionados à violência, assim como a vivências típicas da adolescência, tais como: identidade, autonomia, cidadania, projetos de vida, interesses profissionais, relações escolares, relação interpessoal, questões familiares e sociais, conflitos e mudanças. Além desses temas, outros como a saudades de membros da família, a experiências de ter sido adotado, a questão da institucionalização e do medo apareceram com frequência.

Questões jurídicas também apareceram, e em momentos específicos convidávamos técnicos ou estagiários da área para debater e esclarecer algumas dúvidas. Nesse contexto, temas como maioridade penal, desejo de vingança e de justiça, sistema prisional, responsabilização de adolescentes, reincidência de crimes, ressocialização e a influência da mídia também foram abordados.

Além disso, realizamos visitas a espaços públicos e particulares, como ao campus da UFMG, à Casa Macabra, ao Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG, sempre como parte de algum projeto do grupo, de acordo com o que prevê a proposta técnica do NAVCV-MG de 04/11/2013 em relação a atividades lúdicas e culturais:

Além dos Grupos, realizar-se-á atividades com os usuários, construídas com eles (conforme item 4.2.IX do Edital), que tenham caráter cultural e lúdico, como passeios a espaços públicos (museus, parques e pontos turísticos das cidades abrangidas pelas Regionais do NAVCV) e atividades recreativas [...]. Importa ressaltar que a Equipe prioriza atividades que sejam gratuitas, não apenas por uma questão de economia financeira, mas principalmente para estimular os usuários a ocuparem espaços públicos e a realizarem tais atividades de maneira autônoma, independentemente do acompanhamento do NAVCV (INSTITUTO JURÍDICO PARA EFETIVAÇÃO DA CIDADANIA, 2013, p. 39).

O grupo atualmente se dirige a adolescentes entre 11 e 18 anos, de ambos os sexos, usuários do NAVCV-BH, sendo a maioria vítima direta de estupro de vulnerável, dentre algumas vítimas indiretas do mesmo crime ou do crime de homicídio. Muitos integrantes passaram a não comparecer mais por estarem trabalhando, fazendo cursos profissionalizantes e alguns por estudarem no horário.

1.4 Percepções sobre o processo do grupo de adolescentes

De acordo com Oliveira et al., (2008) os grupos constituem-se como uma entidade com dinâmica própria, que leva a uma metamorfose constante de seus membros, em interação. Além disso, os grupos de ajuda tem uma contribuição específica, conforme explicita:

O uso de grupos como recurso para assistência a pessoas é estudado desde o início do século XX, tendo se tornado opção para atendimento de pessoas com variadas necessidades, a partir da constatação de que o contato entre pessoas que vivem experiências semelhantes pode exercer influência benéfica sobre as mesmas. Ao perceber que não são as únicas a viver uma situação de crise, os integrantes do grupo compartilham formas de enfrentamento e suporte mútuo (OLIVEIRA et al, 2008,  p.433).

Utilizamos o vocábulo ressignificação como o processo de elaboração de uma vivência traumática para uma forma nova, criativa e que permite a mobilidade da pessoa afetada a outro nível de relação da sua natureza com seu passado. Nesse mesmo sentido, Amatuzzi (2008) utiliza o termo significância como mais amplo, por compreender o significado como “aspecto conceitual, abstrato, de algo que é mais vasto e, em sua concretude, envolve outros aspectos, pois é também sentimento, experiência de valor, desejo, intenção” (AMATUZZI, 2008, p.22).

A forma como o autor expõe a relação entre o silêncio e a palavra ajuda-nos a ampliar o entendimento do processo de ressignificação e a importância das várias formas de expressão comunicativas:

Uma fala será tanto mais significativa, quanto mais estiver diretamente conectada com essa porção emergente de silêncio, que coloca o falante face a um mundo novo. [...] Ao falar não apenas faço signos a partir de uma intenção já pronta. Na verdade a fala autêntica decide e desencadeia algo. Ela não apenas traduz, mas cumpre, dá andamento a uma intenção, tornando-a, de certa forma, passado como mera intenção, e dando origem a novas intenções no interior de um movimento (AMATUZZI, 2008, p.22-23).

Para avaliar a influência do grupo de adolescentes na vida dos participantes do grupo em relação aos aspectos que o NAVCV se propõe intervir, partimos da referência dos fatores terapêuticos pesquisados por Yalom (2006), que estão resumidos no quadro de Oliveira (2008):

Quadro 1 - Fatores terapêuticos 

Fatores Terapêuticos

Descrição

Instilação de esperança

Esperança de cura ou de que as coisas possam ser diferentes, presente a partir da convivência com pessoas que vivem situação semelhante.

Universalidade

Fortemente relacionada à instilação de esperança, permite que os membros do grupo percebam que não são os únicos a viver um problema.

Oferecimento de

informações

Inclui todas as informações técnicas e orientações dadas pela coordenação do grupo.

Altruísmo

integrantes do grupo.

Reedição corretiva do grupo familiar primário

 

que pode ser visto como uma figura paterna, os membros podem começar a interagir com outros integrantes do grupo ou com o líder, da mesma forma como interagiam com seu grupo familiar primário em algum momento da vida, numa reedição de vivências familiares anteriores.

Desenvolvimento de técnicas de socialização

A habilidade de se relacionar de forma direta, honesta e íntima com outras pessoas do grupo pode ser um ganho secundário.

Comportamento Imitativo

No grupo, tanto o líder como os demais membros tornam-se modelos de internalização de novos comportamentos e valores.

Aprendizagem interpessoal

As oportunidade de experienciar situações semelhantes, dentro e fora do grupo, propiciam realizar mudanças no comportamento pessoal, clarear as dificuldades, encontrar alternativas para enfrentar problemas e experimentar novos comportamentos.

Coesão

Relações dos membros com o coordenador, outros participantes e do grupo como um todo. Descrita como resultado de todas as forças que atuam sobre cada participante para que ele permaneça no grupo.

Catarse

Expressão das emoções ligada a outros processos do grupo, particularmente com a universalidade e a coesão. Sozinha, raramente produz mudança duradoura para o paciente, embora promova uma sensação de alívio.

Fatores existenciais

Elementos no processo grupal que ajudam a lidar com os pressupostos da existência humana: morte, isolamento, liberdade e falta de significado.

Fonte: OLIVEIRA, 2008.

Embora os fatores terapêuticos sejam intrinsecamente conectados e interdependentes, delineá-los, reconhecendo sua expressão na experiência das adolescentes, faz-se importante didaticamente. Desde modo, tendo como critério de referência analítica de tais fatores, revisamos o registro dos encontros realizados com o grupo de adolescentes do turno da tarde desde o primeiro encontro até o presente momento. Assim, destacamos alguns pontos relevantes:

No primeiro encontro do grupo foi promovida pelas técnicas de serviço social e psicologia, responsáveis pela condução do grupo, a instilação de esperança a partir do levantamento de expectativas e compromissos em relação à participação de cada um no processo grupal. Os integrantes do grupo esperavam “ajuda”, “união”, “mudanças”, de acordo com relatório técnico do primeiro encontro do mesmo. Ao longo dos encontros, à medida que interesses em comum surgiam, as interações passaram a acontecer.

Convites individuais e a adesão voluntária, além da homogeneidade inicial do grupo em relação à faixa etária e à situação de ser vítima de violência pode ter favorecido a abertura e a coesão grupal. Além disso, em praticamente todos os encontros era trabalhado, pelas técnicas, a integração entre os membros, seja por meio de atividades específicas ou através do apontamento de semelhanças entre as vivências relatadas, e o incentivo de trocas de experiências.

A relação de horizontalidade entre os indivíduos do grupo favoreceu um campo de abertura e confiança que facilitaram o processo de ressignificação, na medida em que permitiam a catarse como expressão das vivências individuais. Celebrações de momentos prazerosos, assim como as conquistas adquiridas, eram compartilhadas.

Por outro lado, a comunicação não-verbal também mediava as interações. Nesse sentido, outras formas de expressão foram propostas pelos adolescentes, como a escrita em diário, a composição de uma música do grupo e a construção de um blog (como já dito anteriormente).Embora essas propostas não tenham gerado produtos finais, é mister salientar que se fizeram importantes por demonstrar a autonomia que estava sendo desenvolvida nos membros do grupo e seu desejo de comunicar os benefícios vivenciados durante o processo.

A catarse, influenciada pelos fatores de coesão grupal e universalidade pode ser percebida, durante o processo grupal, na expressão de uma adolescente, que chamaremos de D. Esta foi inserida no NAVCV por ser vítima indireta de homicídio, mas há algum tempo não estava frequente no grupo. Mesmo assim, mantinha uma relação de amizade com outras integrantes. Em determinado encontro do grupo, compareceu e, mesmo após o período de ausência, sentiu-se confiante para relatar que houve com ela uma tentativa de estupro e contou também seus recursos para enfrentar a situação. Esse episódio provavelmente também valida a hipótese da ocorrência do fator de aprendizagem interpessoal, uma vez que a abordagem desse tipo de violência em outros encontros do grupo pode ter favorecido a usuária tanto em relação à identificação do ato sofrido como violento, quanto em relação à construção de estratégias de enfrentamento e proteção.

Momentos de silêncio também foram frequentes durantes os encontros do grupo de adolescentes, principalmente por parte de algumas integrantes, o que junto à frequência dessas adolescentes nos encontros e formas não verbais de participação, nos parece que não impedia a aprendizagem interpessoal e as possíveis elaborações de suas experiências. O silêncio não é ausência de linguagem, mas sempre expressão de algo que não pode ser dito, seja por não poder ser representado conscientemente, seja por haver um bloqueio que impeça a expressão de algo da vivencia da pessoa, o que não quer dizer que esta não esteja fazendo nenhum tipo de elaboração ou de comunicação, como nos mostra Amatuzzi (2008), que o silêncio pode ser uma etapa do processo de ressignificação.

Na condução do processo grupal, eram incentivados pela equipe técnica os intercâmbios de experiências pessoais entre os usuários, a fim de favorecer o aprendizado interpessoal. Através dessas trocas, eles desenvolviam suas habilidades de lidar com situações difíceis, nas relações familiares, escolares e de amizade. Esse fator terapêutico, relacionado ao fator de comportamento imitativo, também pode ser notado nos processos individuais, quando, por exemplo, um adolescente passava a deslocar-se sozinho pela cidade, incentivado por outros que já haviam adquirido essa autonomia. Da mesma forma, a busca de cursos profissionalizantes ou de emprego como jovem aprendiz de uns, motivava o movimento de outros.

Além disso, estratégias para enfrentar a violência sofrida, como ler, escrever e fazer alguma atividade que ajudasse a distrair, eram compartilhadas para ajudar a lidar com os sentimentos negativos. A habilidade comunicativa, assim como a aquisição de confiança em si e nos outros, puderam ser percebidas na maioria dos adolescentes.

2. Metodologia

A metodologia se constituiu na análise e avaliação do trabalho realizado com os adolescentes que participam ou já participaram do grupo oferecido pelo NAVCV-BH, através do acompanhamento psicossocial conduzido por uma técnica em Psicologia e uma técnica em Serviço Social.

Devido às peculiaridades dos relatos de cada adolescente entrevistado, o método utilizado na pesquisa foi o da análise de conteúdo, tendo como intuito primordial preservar o caráter único do discurso de cada adolescente entrevistado.

Diante dessa proposta, o instrumento utilizado para coleta de dados foi a entrevista semiestruturada, realizada em grupo, possibilitando a todos os adolescentes entrevistados discorrerem sobre as questões propostas, sem respostas ou condições pré-fixadas, como salienta Trivinos:

Entrevista semiestruturada é aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas junto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que recebem as respostas do informante. Dessa maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigado, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa. (TRIVIÑOS, 1987, p. 46).

Tal entrevista teve o seu roteiro pré-elaborado pelas autoras e foi conduzida de forma a avaliar e compreender como os adolescentes se beneficiaram da prática de grupo vivenciada no NAVCV-BH, bem como qual o alcance deste na vida deles. A maioria das questões da entrevista envolveram perguntas relacionadas a alguns fatores terapêuticos citados por Yalom (2006), como:

  • a) Catarse;
  • b) instilação de esperança;
  • c) autocompreensão;
  • d) coesão grupal;
  • e) universalidade; e
  • f) aprendizagem interpessoal.

A entrevista ocorreu em grupo e contou com a participação de três adolescentes do sexo feminino que fazem ou já fizeram parte do grupo de adolescentes, e que foram frequentes no processo grupal. Todas têm idade entre 15 e 16 anos e foram vítimas de abuso sexual. Além das questões da entrevista, a avaliação contou com a observação dos respectivos comportamentos de interação entre as participantes, bem como da expressão subjetiva delineada pelas mesmas.

Entende-se a investigação realizada como de natureza predominantemente qualitativa e, portanto, abrange técnicas interpretativas que têm por objetivo descrever certos fenômenos sociais mediante a compreensão dos elementos significativos envolvidos.

Do ponto de vista qualitativo, considera-se que os sujeitos interpretam as situações, concebem estratégicas e mobilizam os recursos e agem em função dessas interpretações. No contexto do paradigma interpretativo, o objeto de análise é formulado em termos de ação, ação essa que abrange o comportamento físico e os significados que lhe são atribuídos pelo autor e por aqueles com quem ele interage (GUERRA, 2006, p.17).

Nesse sentido, a análise dos dados coletados na pesquisa foi realizada a partir do método da análise de conteúdo, técnica que abrange tanto uma dimensão descritiva, referente ao que foi relatado pelas adolescentes entrevistadas, quanto uma dimensão interpretativa, decorrente das interrogações das pesquisadoras face ao objeto de estudo, isto é, as adolescentes que participam ou já participaram do grupo oferecido pelo NAVCV-BH.

Tendo em vista o propósito deste artigo, a análise de conteúdo realizada é classificada como categorial, na medida em que se trata de uma análise de cunho temático e predominantemente descritiva.

3. Resultados e Discussão

A avaliação dos Fatores Terapêuticos: catarse, instilação de esperança, autocompreensão, coesão grupal, universalidade e aprendizagem interpessoal, citados por Yalom (2006) na atividade grupal, é fundamental para identificar os mecanismos do processo de mudança dos participantes. Esse é um processo complexo, que resulta na interação de experiências humanas.

As entrevistadas que avaliaram o grupo mostraram que o fator reconhecido como o mais significativo de todo o processo foi a coesão grupal. De fato, como ressalta Yalom (2006) a coesão grupal pode ser tanto um fator que provoca mudança para alguns membros quanto pode ser um fator de transição, que promove o desenvolvimento de outros fatores.

Para alguns pacientes, a simples experiência de ser um membro     aceito e valorizado do grupo já pode ser o principal mecanismo de mudança. Ainda assim, para outros membros, a coesão é importante porque proporciona a segurança e o apoio que permitem que eles expressem emoções, solicitem feedback, e experimentem novos comportamentos interpessoais (YALOM ,  2006, p.79).

A coesão pode ser observada no registro das seguintes falas: “Através das conversas que tínhamos e do acolhimento de todos, eu vi que eu não estava só. Passei a ter mais confiança em mim mesma e aprendi que eu era capaz de superar tudo isso. Também passei a confiar nas pessoas de novo.” (M). E ainda outra adolescente: “Ajudou muito, em várias coisas, saber que não fui só eu que passei por experiências difíceis” (P)

Desde o início das pesquisas sobre grupos, de acordo com estudos do médico Joseph Pratt, já se evidenciava o efeito benéfico que um paciente exerce sobre o outro, tanto quanto o fato de os membros de um grupo influenciarem-se mutuamente. No caso do grupo de adolescentes, o fato dos participantes saberem que todos são vítimas diretas ou indiretas de violência, facilita a abertura para a comunicação, conforme dizem as entrevistadas: Às vezes havia coisas presas lá no fundo do meu ser, mas no grupo eu sabia que podia falar sobre isso.” (M.). “Agente não se sente envergonhado de falar” (B.)

As participantes relataram ainda que a fala delas no grupo era sempre aceita, valorizada e compreendida pelos demais membros, reafirmando a coesão que existia no grupo e a importância disso para o desenvolvimento delas. Observe: “Aqui era o único lugar no qual podia dizer o que eu estava realmente sentindo.” (B.) “Através das conversas que tínhamos e do acolhimento de todos eu vi que eu não estava só”. (B.) “Além disso, confio muito nos membros do grupo e nos trabalhadores do NAVCV” (P.)

É comum os participantes chegarem ao grupo sentindo que são os únicos com aquele tipo de problema. Com certeza, o problema de cada um pode, realmente, ser vivenciado como o mais importante para ele naquele momento, mas sua participação no grupo pode amenizar essa percepção, por lhe mostrar que essa experiência não é exclusiva dele, o que pode trazer certo alívio. As adolescentes entrevistadas reafirmam que o fato de ver alguns membros do grupo crescendo ajudou-as a também buscar o crescimento. “Chamamos esse atendimento de grupo, e um grupo é uma equipe. E quando alguém da equipe ganha, todos os outros membros ganham” ( M.) “Cada um aqui teve uma experiência diferente, e ouvir como as pessoas superam ou estão superando o que lhes aconteceu é algo motivador.” (M.)

Apesar da universalidade ser reconhecida pelas adolescentes como importante para favorecer as trocas intragrupais, elas ressaltaram não gostar de saber da existência de outras pessoas que, tal como elas, haviam sido vítimas de violência. Mesmo assim, esse fator com certeza está presente nas expressões expostas acima, uma vez que mostra como a participação no grupo permitiu à adolescente perceber que ela estava na mesma situação que outras e que tinha as mesmas fontes e motivos de infelicidade.

Um entendimento melhor das ideias abordadas pelas adolescentes entrevistadas pode ocorrer através do pensamento de Yalom (2006), quando afirma que muitas vezes o antídoto mais efetivo para a desmoralização é a presença de pessoas ao seu redor, que tenham recentemente passado pelo mesmo problema e descoberto uma maneira de fugir do desespero.

Sobre a catarse, as adolescentes entrevistadas sinalizam que através da participação no grupo elas conseguiram expressar mais os seus sentimentos negativos e/ou positivos. Vale ressaltar ainda que isso se relaciona ao bom grau de coesão grupal que existia no grupo. Yalom (2006) evidencia que a catarse é mais proveitosa quando se formam vínculos de apoio no grupo, e acrescenta que aprender a expressar os sentimentos e ser capaz de dizer o que estava incomodando ao invés de retê-lo dá um sentido de liberação, bem como de aquisição de habilidades para o futuro. A respeito disso, o que disseram as entrevistadas:

Eu conseguia falar para todo o grupo o que estava sentindo. Eu percebia que o grupo podia me ajudar e sempre me ajudou (P.).
Colocava para fora tudo o que eu pensava e sentia (B.).
A raiva sempre andou comigo, e a carrego até hoje, não há como me desvencilhar desse sentimento. E o grupo me ajudou a não usar isso como algo que fosse me prejudicar. E expressar esses sentimentos no grupo foi bom e aliviou a tensão que eu carregava. (M.)
As palavras guardadas tem o poder de acabar com uma vida, depois que eu tive as experiências aqui não guardo muito o que sinto. (M.)

Segundo Yalom (2006) a solidão social é trabalhada facilmente em um cenário terapêutico de grupo. De acordo com a avaliação das adolescentes a respeito do que foi mais proveitoso em sua experiência no grupo houve um destaque para a aprendizagem interpessoal. Elas ressaltam que após a violência sofrida restou-lhes um medo enorme do ser humano e a perda de confiança nas pessoas, porém, o contato com o grupo propiciou-lhes a recuperação da confiança no próximo, no outro.

O grupo me deu uma força tremenda. Voltei a ter convivência e confiança nas pessoas, porque eu tinha perdido isso. Passei a confiar nas pessoas de novo (B.)
Conversar me fazia bem. Me ajudou a superar o que aconteceu. Eu era muito tímida, e isso mudou, não totalmente, mas mudou. (M.)
Todas atividades daqui contribuiu e me ajudou em ter amizades ( P.)

A entrevista com as adolescentes também revelou que o grupo possui alta capacidade de instilar esperança entre os seus membros.  Conforme Yalom (2006), “Os membros de grupos de apoio como esse podem se beneficiar psicológica, emocional e até fisicamente do apoio do grupo para um envolvimento significativo nos desafios da vida”(YALOM, 2006 p.50).Fato que transparece nas falas e observações feitas pelas adolescentes, bem como na observação das entrevistadoras.

O grupo me ajudou muito em várias coisas, principalmente em ter esperança e saber que não foi só eu que passei por momentos difíceis. (P.)
Participar do grupo de adolescentes me ajudou a nunca desistir dos meus sonhos e me mostrou que tudo é uma questão de tempo. Participando dele pude voltar a ser a pessoa alegre que eu sou e fazer novas atividades. (B.)
O grupo me ajudou a ter mais esperança pois eu percebi que devia continuar lutando, pois se outras pessoas conseguem superar eu também conseguiria.(M.)
Depois da violência eu achava que não ia conseguir chegar nem aos 15 anos e já estou com 16. Agora tenho mais motivação para viver e para sorrir de novo ( M )

As manifestações relacionadas à instilação de esperança costumam ser expressas pela observação de que o grupo ajudou outras pessoas com problemas iguais, de que outros participantes melhoraram ou ainda de que outras pessoas vivendo situação semelhante resolveram problemas parecidos com os seus. Em qualquer grupo, a instilação e a manutenção da esperança são fundamentais para incentivar a pessoa a permanecer no grupo para receber ajuda.

No final da entrevista as participantes relataram que antes de participarem do grupo sentiam nojo do seu próprio corpo, mas que agora superaram essa aversão. Elas conversaram bastante com as entrevistadoras e mostraram o quanto o grupo pode contribuir para o autoconhecimento e o enfrentamento da violência sofrida. O grupo, segundo as adolescentes, leva os participantes a evocarem memórias e sentimentos antigos que estavam profundamente gravados a fim de que possam ressignificar o ato violento do qual foram vítimas. Yalom (2006) afirma que no trabalho de grupo os indivíduos reconhecem, integram e expressam partes antes obscuras de si mesmos.

4. Considerações Finais

Como espécie que somos, constituímo-nos na tessitura relacional. Assim, os trabalhos grupais geram não só o enriquecimento pessoal, mas promovem processos e produtos que ultrapassam o alcance de atendimentos unitários particulares. Dentro dessa evidência, o trabalho desenvolvido junto aos adolescentes em grupo no NAVCV-BH visou a potencialização dos recursos pessoais e sociais dos adolescentes. Como objetivos gerais e específicos desse processo grupal estavam à coletivização das demandas e a ressignificação das violências sofridas. Além disso, objetivava-se favorecer uma visão crítica da realidade, ampliar as perspectivas sociais e de projetos de vida.

Para tanto, fez-se necessário não só a observação pela equipe técnica dos possíveis benefícios alcançados, como a escuta dos próprios atores envolvidos sobre as habilidades adquiridas a partir da experiência de participar do grupo de adolescentes.

Dos fatores terapêuticos de Yalom (2006), seis deles foram analisados durante esta pesquisa, sendo que, destes, a coesão grupal foi o fator predominante desenvolvido durante todo o processo, reconhecido tanto na análise técnica, quando na fala das três adolescentes entrevistadas. Os demais fatores, que naturalmente se interligam e dele derivam, também foram evidenciados.

A boa progressão do processo terapêutico fundamenta-se no estabelecimento da coesão grupal; em grupos com acentuada coesão, os participantes se sentem pertencendo ao conjunto, experimentando afeto e conforto, valorizando o grupo e sentindo-se valorizados, aceitos e amparados pelos outros membros. Esse movimento amplia a confiança para expressão de sentimento.

Nesse sentido, observou-se que a convivência dos adolescentes nesse grupo favoreceu o desenvolvimento da auto-estima, o resgate da alegria de viver e dos interesses pela vida. Logo, mesmo com a variação do número de participantes no decorrer dos encontros, devido ao fato de ser um grupo aberto, isso não prejudicou o desenvolvimento das relações intragrupo e a coesão grupal.

O fator universalidade favoreceu a troca de experiências e a catarse, assim como a consequente experiência do apoio mútuo, essencial para a ressignificação da violência. Porém, muito além de ressignificar a violência sofrida e coletivizar demandas, a participação efetiva no grupo de adolescentes favoreceu o desenvolvimento de novas habilidades relacionais e a diminuição da desconfiança, da ansiedade e do medo que muitos deles tinham inicialmente, fruto da experiência de violência sofrida.

O altruísmo, embora não tenha sido um fator analisado, foi percebido, tanto nas falas das adolescentes entrevistadas, quanto nas expectativas levantadas desde os primeiros encontros do grupo, como desejo de poderem ser úteis ao se apoiarem mutuamente e como gratificação ao perceberem o crescimento dos outros.

A aprendizagem interpessoal e a imitação favoreceram a busca por cursos profissionalizantes e/ou trabalho, assim como o desenvolvimento da autonomia e o enfrentamento dos medos e de outras dificuldades da vida.

Ficou evidente a presença dos fatores terapêuticos nessa prática de grupo, mostrando a efetividade desse tipo de abordagem para os objetivos propostos pelo NAVCV-BH na execução desta prática. Dessa forma, através do resultado dessa pesquisa, a metodologia de grupo para esse público do NAVCV-MG ganhará validade e interesse. Além disso, os fatores terapêuticos servirão de referência para posteriores observações e intervenções na condução do referido grupo, assim como de outros executados no serviço.

Sobre os Autores:

Deborah Kopke Resende - estudante do oitavo período do Curso de Graduação em Psicologia da PUC/MINAS.

Jordana de Figueiredo Maurício - Técnica social em Psicologia no NAVCV-BH; Pós Graduada em Psicodrama pelo Instituto Mineiro de Psicodrama Jacob Levy Moreno (IMPSI); Diretora e Atriz de teatro espontâneo; Graduada em Psicologia pela UFMG; em formação Pós Graduação em Direitos Humanos pelo Instituto de Direitos Humanos (IDH).

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