A Religiosidade como Estratégia de Enfrentamento em Ex-Dependentes Químicos

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Resumo: O presente estudo tem como objetivo discutir a interface entre a psicologia e a religião, destacando essa relação nas estratégias de enfrentamento em ex-dependentes químicos a partir da perspectiva Fenomenológica. Para realização desse estudo, foram entrevistados seis indivíduos do sexo masculino com idade de 20 a 40 anos, buscando compreender a religiosidade utilizada como estratégia de enfrentamento em ex- dependentes químicos. Pretendeu-se, com essa pesquisa, investigar o comportamento religioso atrelado à estratégia de enfrentamento, com a intenção de identificar e discutir suas funções na recuperação de usuários de substâncias ilícitas a partir de relatos dos participantes. Sendo possível constatar que a religiosidade pode ser utilizada como rede de apoio e reabilitação social no processo de recuperação de dependência química. Os benefícios da pesquisa realizada são significativos devido à religiosidade permitir ao dependente químico a satisfação pessoal, lançando mão de comportamentos como: maior tolerância nos relacionamentos interpessoais, a inserção em grupos sociais, o autoconhecimento e a empatia, na busca por significação e alívio do sofrimento.

Palavras-Chave: Religião, Psicologia, Estratégia de Enfrentamento, Dependentes Químicos.

1. Introdução

Estabelecer relação entre a espiritualidade, sob o domínio da fé, e psicologia, um campo científico, não é uma tarefa fácil. Mas no contexto das práticas de saúde, vários estudos têm identificado à importância da religiosidade na vida pessoal, nas relações sociais, nas atitudes e representações relacionadas à saúde e doença.

A religião é uma instituição antiga e duradoura e não deve ser separada da cultura humana. No Brasil, a pluralidade e a diversidade religiosa são muito presentes (REINALDO, 2012). A religião pode fazer parte da cultura de uma região de maneira intensa, estabelecendo valores, formando conceitos, crenças e também definindo comportamentos morais. A partir disso, a religião, possivelmente, será um fator determinante para que um indivíduo se torne ou não dependente químico.

No estudo de Sanchez, Z. M. et al, foram estudados os possíveis fatores protetores que impediriam algumas pessoas de experimentarem drogas,  mesmo quando imersas em local sujeito às regras impostas pelo tráfico, por exemplo. A religiosidade foi o segundo fator mais citado pelos entrevistados. Ela se apresentou como importante forma de prevenção segundo a ótica de 24 não-usuários e de 15 usuários. Os não-usuários atribuíram à religiosidade o importante papel como fator preventivo primário, ou seja, ela impede-os de iniciar o consumo de drogas (SANCHEZ; OLIVEIRA; NAPPO, 2004).

A aproximação das ciências a temas ditos religiosos, cada dia mais tem sido intensa. Nunca se falou tanto em ciência e espiritualidade (PENHA; SILVA, 2012). Falar nessa espiritualidade compreende a dimensão individual, a essência do indivíduo.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) destaca como conceito ampliado de saúde: um estado dinâmico de completo bem estar físico, mental, espiritual e social. A religiosidade, a espiritualidade e as crenças pessoais fazem parte do instrumento genérico de qualidade de vida.

Estabelecendo uma relação entre o consumo de drogas e as estratégias de enfrentamento, o sujeito ao se tornar dependente tem como objetivo sanar dores  e sofrimentos, pode, através da religiosidade, esforçar-se para lidar com essa situação de dano. Devido também aos valores e normas que a religião influencia na identidade de seus adeptos, congregando características psicológicas e comportamentais e construindo valores e normas específicas grupais (FARRIS, 2009; GAZZZANIGA; HEATHERTON, 2005).

Ao estudar o fenômeno da religião como estratégia de enfrentamento, utilizaremos o coping religioso, a fim de perceber como os ex-dependentes químicos usaram e/ou usam a religiosidade no intuito de resolver problemas.

Partindo desses pressupostos, cabe questionar de que forma a religiosidade influencia na recuperação de sujeitos que apresentaram comportamentos autodestrutivos a partir de objetivos claros e específicos, os quais são: compreender a religiosidade como estratégia de enfrentamento em ex-dependentes químicos como também analisar a relação religiosidade e estratégia de enfrentamento nos participantes.

Diante do exposto, foi utilizada a metodologia qualitativa e os instrumentos de pesquisa, as informações sócio-demográficas e a entrevista estruturada. Os participantes pesquisados foram membros de Instituições pertencentes à denominação Protestante do município de Alagoinhas, sendo eles seis ex-dependentes químicos do sexo masculino com idade de 20 a 40 anos.

2. Fundamentação Teórica

2.1 Fenomenologia

A fenomenologia começou com Edmund Husserl, em fins do século XIX e início do século XX na Alemanha. Chama-se fenomenologia por ser uma junção de duas palavras, ambas gregas. “Fenômeno” significa aquilo que se mostra; não somente aquilo que aparece ou parece. “Logia” deriva da palavra logos, que para os gregos tinha muitos significados: palavra, pensamento. Sendo assim, a fenomenologia é uma reflexão sobre um fenômeno ou sobre aquilo que se mostra (BELLO, 2006). E o fenômeno aqui estudado será a experiência religiosa que ex-dependentes químicos tiveram nos seus processos de recuperação.

Pode-se pensar logo de primeira, que aquilo que se mostra está ligado ao mundo físico diante de nós, mas a fenomenologia irá estudar também as coisas abstratas, como significado de coisas culturais, eventos e fatos que não são da ordem estritamente física (BELLO, 2006). Dessa forma, a religiosidade se encaixa como um fenômeno de ordem abstrata que pode ser aprofundado o seu estudo.

Desde a primeira geração de fenomenólogos, encontramos uma atenção significativa sobre a questão da religião (QUADROS, 2010). Nessa perspectiva, somos corpo-psique-espírito, procurando o ser humano tornar-se o que é. O sujeito humano tem potencialmente essas três características. A fenomenologia considera a atividade espiritual como refletir, avaliar, decidir (BELLO, 2006). E esta é de fundamental importância na vida de qualquer indivíduo.

Sendo assim, o indivíduo que se torna dependente químico, ao decidir se recuperar lançará mão de estratégias na religiosidade que o façam refletir, avaliar e decidir sobre sua vida.

2.1.1 Religião, Edith Stein e Angela Ales Bello

Os fenomenólogos nunca tiveram uma postura adversa à religião, nem em âmbito pessoal, nem no debate teórico. Nesse sentido, Edith Stein, a principal assistente de Husserl, foi uma das principais referências nos estudos sobre a mística de uma perspectiva fenomenológica (QUADROS, 2010).

A vida espiritual está ligada também aos atos religiosos, que Husserl dirá que encontramos nas correntes de consciência, que é o estado ciente de estarmos realizando algo. Edith Stein dirá de forma ainda mais delicada: “a consciência é uma luz interior que acompanha todos os atos.” É o fluir dos atos, quando pensamos, refletimos, temos emoção ou atenção (BELLO, 2006).

Nossos atos são todos importantes, mas são limitados, e existe algo que transcende essa limitação, e o conhecimento dessa transcendência está em nós. Esse é um tema que Santo Agostinho e Santo Anselmo desenvolveram muito bem (BELLO, 2006, p. 99).

O ilimitado e transcendental está dentro de nós, até mesmo na consciência de há essa transcendência. Anselmo D’Aosta dirá que o ilimitado, como pensamento maior, não é somente um produto de nossa mente, mas corresponde à alguma coisa que realmente existe, senão não poderíamos tê-lo pensado. Já para Stein, o que existe é um pensamento originário que Algo que está presente e transcende; transcende na sua existência, mas que é presente em nós como marca, como rastro (BELLO, 2006, p. 100).

Estamos limitados ao Ilimitado e a nossa experiência que servirá como ponte para refletirmos e racionalizarmos como a subjetividade se mostra presente na experiência religiosa. Stein dirá que a dimensão religiosa consiste em buscar a Deus e buscar saber o que é Deus. Esta busca do ser humano é também intelectual, mas não se consegue realmente compreendê-Lo intelectualmente (BELLO, 2006).

Nesse sentido, Stein mantém o método fenomenológico como um procedimento que possibilita a descrição das realidades que se mostram à consciência e, portanto, quando descritas, permitem o conhecimento e reflexão sobre a questão da intersubjetividade e possibilitam, também, a abertura para a investigação das experiências religiosas e culturais diversas que são analisadas pelo fio da redução fenomenológica (QUADROS, 2010).

2.2 Estratégias de Enfrentamento ou Coping

As estratégias de enfrentamento ou coping (termo em inglês) é onde o indivíduo busca restabelecer o seu bem estar e lança mão de habilidades desenvolvidas para lidar com as situações de estresse e para se adaptar a elas. Elas têm sido classificadas quanto à função em duas categorias: enfrentamento focalizado no problema e enfrentamento focalizado na emoção (CARVER ET AL., 1989; ENDLER; PARKER, 1999; VITALIANO ET AL., 1985 apud SEIDL; TRÓCCOLI; ZANNON, 2001).

Por ser o coping um processo de interação entre indivíduo e ambiente, sua função é administrar a situação estressora, mais que controlá-la ou dominá-la e aumentar, criar ou manter a percepção de controle pessoal. (SANTOS, 2012) Dito isto, a religião, sendo um sistema de crenças e práticas de uma comunidade, reconhecendo, idolatrando, comunicando- se com o Sagrado, pode ser um dispositivo para lidar com o estresse e as emoções negativas; sendo um antídoto para que esses fatores não afetem a saúde física e emocional.

O coping religioso, portanto, descreve o modo como os indivíduos utilizam sua fé para lidar com o estresse e os problemas de vida. É um processo pelo qual os indivíduos procuram entender e lidar com as demandas importantes de sua vida. É o uso de crenças e comportamentos religiosos para facilitar a solução de problemas e prevenir ou aliviar as consequências emocionais negativas de circunstâncias estressantes (SANTOS, 2012).

2.3 Religiosidade, dependência química e estratégias de enfrentamento

Pesquisas revelam que a prática religiosa se constitui em uma poderosa fonte de conforto, esperança e significado. Cerca de 500 estudos, realizados no período do ano de 2000, examinaram os efeitos e relações das práticas religiosas no cotidiano da saúde, revelando que existe uma associação positiva. As práticas religiosas ajudam os indivíduos a lidarem melhor com as doenças como também ajudar na prevenção e no tratamento de comportamentos autodestrutivos, que podem estar presentes no abuso de substâncias químicas; o que se transformou em um grave problema de saúde pública em diversos países no mundo (KOENIG, 2012).

Dessa forma, sabendo que o abuso de drogas afeta uma área do cérebro dedicada à recompensa cerebral, é possível estabelecer a relação da religião como estratégia de enfrentamento, de forma que as práticas religiosas influenciam o indivíduo significativamente, pois o religioso adquire a partir de suas práticas funções re-ordenadoras da percepção de si (auto-imagem e senso de identidade) e do mundo (sentido e opções de vida). Então, ela envolve também, além da valorização do objeto religioso, a ação de afirmação ou de negação em relação a questões concretas que podem auxiliar na formação da personalidade do sujeito, podendo também modificá-la. Por isso, a religião pode ser utilizada como esforço positivo para a correção de comportamentos destrutivos, que trazem situações prejudiciais a vida do indivíduo.

O indivíduo busca na droga estabelecer o seu bem-estar, mas de forma “momentânea”, e lança mão de habilidades desenvolvidas para lidar com as situações de estresse e para se adaptar a  elas, sendo  essas  estratégias de  enfrentamento.  Levando  em  consideração que a religiosidade é fonte de comportamentos e de valores internalizados como parte do self do indivíduo. Sendo ela uma das maneiras de manejar o estresse.

Vale destacar a quantidade significativa de estudos realizados indicando a religião como inversamente proporcional ao uso de drogas, mas ainda não há pesquisas igualmente realizadas referente à religião como estratégia de enfrentamento. Ela também “parecer ser a responsável por reduzir o impacto dos eventos estressantes na vida, que é determinante para o início do consumo de substâncias psicotrópicas” (WILL ET AL, 2003 apud NAPPO; SANCHEZ, 2007, p. 77).

Uma revisão inicial de envolvimento religioso e uso de drogas constatou que, de 52 estudos ocorridos antes do ano 2000, 48 relataram relações inversas significativas entre atividade religiosa e uso de drogas. Em um estudo de 501 adolescentes com idades de 14 e 19 anos matriculados em 18 escolas de ensino médio no sul da Califórnia, Sussman e Colaboradores verificaram que, após controle para uso de drogas na linha de base, a espiritualidade indicou um uso menor de maconha e de estimulantes no seguimento de um ano (KOENIG, 2012).

De acordo com Sanchez et al. (2004, apud NAPPO; SANCHEZ, 2007), no Brasil não existem muitos estudos nesta área, mas recentemente foi publicado um estudo qualitativo que corrobora com os achados internacionais quantitativos, evidenciando que a maior diferença entre os adolescentes usuários e os não-usuários de drogas psicotrópicas, de classe social baixa, era a sua religiosidade e a da sua família. Nesse estudo, os autores observaram que 81% dos não-usuários praticavam a religião professada por vontade própria e admiração, mas apenas 13% dos usuários faziam o mesmo. Nesse segundo grupo, a prática religiosa estava diretamente relacionada à busca da reabilitação diante do consumo de drogas, mas essa só começou após o início do consumo abusivo destas.

3. Método

3.1 Delineamento Metodológico

A presente pesquisa utilizou um delineamento de abordagem qualitativa do tipo descritiva. A pesquisa qualitativa tem como alvo compreender o comportamento e a experiência humana. Ela procura entender o processo pela qual as pessoas constroem significados. O método estuda as percepções e opiniões produzidas a partir das interpretações produzidas pelo homem em relação ao seu modo de vida.

A descritiva descreve as características de determinadas populações ou fenômenos. Uma de suas peculiaridades está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. Este tipo de pesquisa se encaixa adequadamente ao estudo realizado, pois foram descritos os relatos/conteúdos advindos da entrevista estruturada. A pesquisa ocorreu com um determinado grupo de ex-dependentes químicos, com sexo e idade pré-estabelecidos, que fizeram parte da amostra.

3.2 Local e participantes

A pesquisa ocorreu com ex-membros de centros de recuperação com acompanhamento religioso pertencentes à denominação Protestante, do município de Alagoinhas (BA). Utilizou-se uma amostra do tipo amostragem por acessibilidade, constituída por seis indivíduos do sexo masculino, alfabetizados, com idade entre 20 e 40 anos.

Tabela 1 – Dados sociodemográficos dos participantes da pesquisa.

Entrevistados

Idade

Nível de Escolaridade

Estado Civil

Renda Média

P01

37

Sup.

Casado

Não informada

 

 

Incompleto

 

 

P02

33

Sup.

Casado

R$ 4.300,00

 

 

Incompleto

 

 

P03

34

Médio

Casado

R$ 1.000,00

P04

24

Médio

Solteiro

Não informada

P05

35

Médio

Casado

Não informada

 

P06

 

23

 

Sup.

 

Casado

 

R$ 1.100,00

Incompleto

Na Tabela 1 é possível identificar informações quanto à idade, nível de escolaridade, estado civil atual e renda média dos membros da família.

É importante ressaltar que, inicialmente, pensou-se em uma pesquisa com ex- dependentes químicos, pertencentes também às instituições religiosas: Católica e Ecumênica, no entanto, na pesquisa de campo surgiram dificuldades em encontrar indivíduos que se encaixassem no perfil pretendido.

3.1 Instrumentos da pesquisa

As informações sócio-demográficas foram obtidas por intermédio de um questionário contendo dados de identificação (data de nascimento, idade, grau de escolaridade, sexo e renda mensal) bem como a entrevista estruturada. O questionário permitiu obter informações quanto ao estado civil atual, local de nascimento, grau de escolaridade, se possui filhos além de informações das pessoas que residem com o entrevistador. Já a entrevista estruturada foi composta por 10 questões, que focalizam na experiência que os ex-dependentes tiveram com as drogas bem como perceber como a religião os motivou no tratamento, como ela os ajudou a enfrentar a situação estressora de desejar voltar a usar drogas e também se o entrevistado recomenda o tratamento para a dependência química focada na experiência religiosa.

3.1.1 Questionário sociodemográfico

As variáveis dependentes foram mensuradas através do questionário sociodemográfico. O questionário apresentou sete questões em que os participantes deveriam responder sobre o seu estado civil, nível de escolaridade, local de nascimento, se possuem filhos ou desejariam ter. Havia também uma tabela, que por meio dela os participantes indicavam informações sobre todas as pessoas que residiam em uma mesma casa, a idade destas, o papel na família, a ocupação profissional, o grau de escolaridade e a renda mensal de cada integrante da família.

3.1.2 Entrevista estruturada

As variáveis independentes puderam ser mensuradas a partir da entrevista estruturada. A entrevista apresentou dez questões em que os entrevistados devem informar com que idade começou a usar drogas, como foi e o que o levou a experimentar, como também a droga que fez uso destrutivo, com que frequência consumia, como se sentia quando consumia a droga, como passou a ser a vida dele após a dependência química, em que momento decidiu parar de usar drogas, como a religião o ajudou a enfrentar a dependência, bem como descrever a rotina atualmente e por fim interrogando-o também se ele indicaria o tipo de tratamento focado na experiência religiosa, se sente vontade de consumir alguma droga e como faz para evitar e o que ele percebe que mudou em sua vida após o tratamento.

3.2 Procedimentos de coleta de dados

Para a coleta de dados foi realizada uma entrevista para obter o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXO A) bem como o questionário sócio-demográfico (ANEXO B). A entrevista estruturada (ANEXO C) foi realizada  individualmente, previamente agendada e em uma sala de ambiente iluminado e reservado. Esta sala foi dentro da Instituição aonde os participantes trabalhavam, na residência deles ou na residência das pesquisadoras. A aplicação dos instrumentos não teve um tempo mínimo e máximo; dependendo do entendimento do entrevistado.

Os participantes foram selecionados por critério de acessibilidade, por meio de indicação. A Amostragem por Acessibilidade é destituída de qualquer rigor estatístico e o pesquisador seleciona os elementos para compor a amostra. Aplica-se este  tipo de amostragem em estudos exploratórios ou qualitativos onde não é requerido elevado nível de precisão.

3.3 Procedimentos de análise de dados

A análise dos dados foi realizada por meio da análise de conteúdo na perspectiva da professora Laurence Bardin, que é um conjunto de instrumentos metodológicos que se aplicam a conteúdos com foco em como a religião influenciou ou não o sujeito ex-dependente químico.

Para Bardin (2009), a análise de conteúdo, enquanto método, torna-se um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. (FARAGO; FONFOCA, sem data). Os passos para análise foram organizados em três pólos cronológicos, a saber: pré-análise, exploração do material, tratamento dos resultados, inferência e interpretação. As entrevistas foram transcritas e identificadas pelas iniciais do nome do participante, garantindo assim o sigilo e anonimato do sujeito da pesquisa. Utilizou-se o Sistema MideManager versão 11.3.305 a fim de confeccionar os Mapas das Categorias a partir da Análise de Conteúdo.

4. Resultados e Discussão

Após várias leituras para interpretação das entrevistas e de uma olhar cuidadoso e atento foram identificadas cinco categorias percebidas como mais relevantes para a realização da análise de conteúdo de L. Bardin (2009), as quais estão descritas no Quadro 1.

Quadro 1 - Descrição das categorias e subcategorias identificadas.

Categorias

Subcategorias

01

Sensação ao consumir a droga

Relaxamento

Agressividade

Alegria

Medo

02

Insatisfação na vida quando usuário de drogas

Família

Social

Profissional

03

Afastamento das drogas

Religiosidade

Apoio de familiares e amigos

04

O papel da religiosidade

Rede de apoio

Reabilitação Social

05

Consequência do tratamento religioso

Transformação social

Foi significativa a frequência da resposta “curiosidade” (P01, P03, P05) e “influência de amigos” (P02, P03, P04, P05, e P06) à pergunta: “O que lhe levou a experimentar drogas?”. O que afirma que a influência do meio social, trazendo a hipótese de que se estes sujeitos se envolvessem mais cedo com as questões religiosas, possivelmente não  se tornariam dependentes químicos.

Dessa forma, a religiosidade pode se configurar em uma estratégia de enfrentamento e também como um fator protetor, como mostra o “estudo de Lorch e Hughes (1985, apud NAPPO; SANCHEZ, 2007, p. 75), realizado com 13.878 estudantes, a importância dada à religião foi o fator protetor fundamental para o não consumo de drogas, pois quanto maior era a importância dada à religião, menos era o envolvimento com as drogas.”

Conforme as informações dos respondentes as drogas mais utilizadas foram crack, maconha e cocaína. Aparecendo nas respostas também outras, como cola, álcool, loló, ropinol e rivotril.

Figura 1. Mapa da categoria 01 – Sensação ao consumir a droga, englobando suas quatro subcategorias: 01. Relaxamento; 02. Agressividade; 03. Alegria e 04. Medo.

Sensação ao Consumir a Droga

A categoria 01, mostrada acima, na figura 1 traz para discussão o tema SENSAÇÃO AO CONSUMIR A DROGA, pois as drogas, apesar de cada uma ter o seu próprio mecanismo, agem direta ou indiretamente em um mesmo local no cérebro responsável pelo sistema de recompensa cerebral, proporcionando prazer, e também sensações diferentes em cada sujeito.

Na subcategoria 01, nomeada “Relaxamento”, os indivíduos entrevistados relataram suas sensações ligadas a certa medida de relaxamento e tranquilidade. P03 diz sentir como se estivesse voando e fora de si, buscando uma fuga da realidade. P01 e P05 também afirmam essa sensação.

Na subcategoria 02, “Agressividade”, busca confirmar o efeito que a droga pode proporcionar, sendo a agressividade e a agitação. O P04 relata que, após o uso das drogas, tornou-se uma pessoa violenta.

Já na subcategoria 03, “Alegria”, os participantes relatam sensações de euforia e alegria. O P02 disse sentir-se “muito elétrico”.

Por fim, nesta categoria, a subcategoria 04, “Medo”, a qual os entrevistados apresentaram um discurso de sensação de pânico, desorientação e, até mesmo, de assombração. O P06 relata que sentia-se “meio assombrado”.

Figura 2. Mapa da categoria 02 – Insatisfação na vida quando usuário de drogas, compreendendo as suas três subcategorias, referindo-se ao âmbito: 01. Familiar, 02. Social e 03. Profissional.

Insatisfação na Vida Quando Usuário de Drogas

A   categoria    2,   ilustrada    com    a    figura  exibida     acima,    tem    como    tema    a INSATISFAÇÃO NA VIDA QUANDO USUÁRIO DE DROGAS, que pretende apresentar como passou a ser a vida dos participantes da pesquisa após o consumo destrutivo das drogas. Na subcategoria 01, denominada “Familiar”, se referindo a como a vida no âmbito família deles  passou  a  ser.  As  respostas  relatadas  se  referem  a  uma  situação     crítica, conflitante, conturbada.

Na subcategoria 02, “Social”, os entrevistados relataram afastamento das pessoas e diminuição significativa do convívio social. O P05 declarou que as pessoas o viam com outros olhos e o P06 comentou que deixou de se envolver com “pessoas de bem”.

Na última subcategoria, sendo ela a 03, “Profissional”, os P05 e P06 testemunharam que trabalhavam, mas dificilmente cumpria o horário ou mantia-se firme no emprego, destacando a instabilidade deles frente ao emprego.

O P01 diz que sua vida passou a ser “sem sentido”, e com essas palavras ele englobou as três subcategorias perguntadas. O P03 também trouxe que a vida era “completamente conturbada” se referindo as três áreas, social, familiar e profissional.

Nessa categoria é possível perceber os prejuízos que todos eles tiveram nos âmbitos familiar, social e profissional, os “desconectando” de sua realidade e “mergulhando” na desorganização que as drogas os proporcionavam, sendo, no momento ou na perspectiva do olhar do indivíduo, a busca de sentido, estabelecendo a representatividade das drogas na vida do dependente. Constatando que:

As drogas constituem, hoje, o fator mais importante de desorganização social, familiar e individual, além dos níveis insuportáveis já alcançados pelo seu elevado custo sócio-econômico e sanitário. Sabe-se que o início do uso de drogas está ocorrendo com pessoas cada vez mais jovens e com substâncias de teor tóxico cada vez mais elevado (BUCHER, 1996 apud RIGOTTO; GOMES, 2002).

Figura 3. Mapa da categoria 03 – Afastamento das drogas, com as suas duas subcategorias, 01. Religiosidade e 02. Apoio de familiares e amigos.

Afastamento das Drogas

A categoria 03, apresentada na figura 3, é o AFASTAMENTO DAS DROGAS, que tem como objetivo explorar a motivação que os participantes consideraram para se afastar das drogas.

Na subcategoria 01, “Religiosidade”, eles destacam o apoio imprescindível de Centros de Recuperação com ênfase na religiosidade bem com frequentar uma Igreja e conhecer a Palavra de Deus (ter conhecimento da palavra bíblica). A religiosidade como estratégia de enfrentamento auxiliou de maneira significativa os participantes a enfrentar e reduzir o nível de estresse no processo de recuperação de drogas, e foi determinante para a decisão em se afastar das drogas.

Já na subcategoria 02, “Apoio de familiares e amigos”, predominou o fato de eles verem o sofrimento da família, de amigos e de namoradas para tomarem a decisão final.

Figura 4. Mapa da categoria 04 – O papel da religiosidade, com as suas duas subcategorias, 01. Rede de Apoio e 02. Reabilitação Social.

O Papel da Religiosidade

A categoria 04, conforme figura 4, é O PAPEL DA RELIGIOSIDADE, com  o objetivo de identificar como a religião os auxiliou no processo de recuperação bem como o papel dela na vida dos participantes.

Na subcategoria 01, “Rede de Apoio”, predominou depoimentos que confirmaram a utilização da religiosidade como suporte e apoio, além de um dispositivo para manter-se firme na recuperação e não apresentar recaídas. O P05 relata que o “vazio” que havia nele foi preenchido por Jesus. E o P06 relata que a religião surgiu como um “pilar” na recuperação dele, sendo também uma coluna que deu suporte.

Ao pensar no indivíduo que busca a religiosidade frequentando instituições religiosas, ele recebe apoio dos “irmãos” e motivação para continuar firme e se afastar dos eventos estressores que, nesse estudo, trata-se da dependência química.

Na subcategoria 02, “Reabilitação Social”, os relatos apresentam informações como: retomada nos estudos, convívio social fortalecido, dedicação ao trabalho e à família, entrega à vida religiosa. O P02 comenta que a religião mostrou um novo caminho a seguir. E o P04 afirma que a religião substituiu as drogas.

Ales Bello (2006) vai afirmar que a experiência religiosa é uma experiência de si e da experiência de que existe algo superior a si. Sendo assim, se a superação existe, ela é algo que está presente. Ela está presente e podemos vivenciá-la a cada momento, sendo possível estabelecer e restabelecer o bem estar interior possibilitando a harmonia nos âmbitos social, familiar e profissional.

Figura 5. Mapa da categoria 05 – Consequência do tratamento religioso, com a sua subcategoria, 01. Transformação Social.

Consequência do Tratamento Religioso

Na categoria 05, apresentada acima na figura 5, tem como tema a CONSEQUÊNCIA DO TRATAMENTO RELIGIOSO, que visa identificar se os participantes, a partir de suas experiências pessoais, indicam o tratamento de recuperação das drogas focado no acompanhamento religioso. Todos eles indicaram esse tipo de tratamento.

Na subcategoria 01, “Transformação Social”, eles relataram que suas vidas foram transformadas a partir do acompanhamento religioso, com novos hábitos e mudanças nos âmbitos social, familiar e profissional. O P03 diz que tudo mudou na vida dele. E o P04 afirma que se sente bem na sociedade.

Os participantes informaram que eles são referências de que a experiência religiosa teve funcionalidade no tratamento da dependência química, sendo eles exemplos que deram certo. O P01 diz que tem um Ministério na Instituição da qual faz parte e que a sociedade hoje faz boa menção dele. O P05 afirma que tudo mudou na vida dele, nas áreas: espiritual, pessoal, familiar, profissional, conjugal, social. E o P06 relata que é prova viva do tratamento. Houve uma questão, que não foi incluída como categoria, onde questionamos se os participantes sentiam vontade de voltar a consumir drogas e todos relataram com convicção que  não.  O  P04  relata  que  Jesus  o  preencheu.  E  P05  diz  que  sente  “nojo”.  Já  o P03 testemunha que não sente vontade mais, porque está liberto. Afirmando, nessa última citação, que quando usuário de drogas sentia-se “preso” às drogas.

Dessa forma, para Valle (2002, apud MORÉ; HENNING, 2009), o universo religioso exerce uma função de inserção e/ou reinserção do indivíduo em um grupo, um meio sociocultural motivador e carregado de sentido. Sendo assim, a prática religiosa pode trazer “sentido” à vida do dependente, mostrando novas possibilidades, novos conceitos, novos modos de viver, afastado das drogas.

5. Considerações Finais

O papel da religiosidade na recuperação dos dependentes químicos é relevante e consideravelmente significativo, apresentando, a partir dos estudos e da leitura dos relatos da pesquisa, aumento do otimismo e maior resiliência ao estresse, sendo esses fatores determinantes para o bem estar subjetivo do indivíduo. Além da ressocialização  do dependente com sua rede de amigos formada nas instituições religiosas, colocando-o em um ambiente mais saudável e sem a oferta de drogas.

Ao realizar essa pesquisa encontraram-se algumas dificuldades, a saber: 1) Ao localizar os participantes da pesquisa, pois ao se tratar de ex-dependentes químicos eles não estavam ligados diretamente a uma Instituição, sendo assim, houve a necessidade de procurar nas Instituições Religiosas (Igrejas) e por meio de indicações.

Dessa forma, o participante era localizado e as pesquisadoras compareciam às suas residências ou os mesmos iam até elas e 2) Foi identificado previamente como risco da Pesquisa o possível desconforto do conteúdo apresentado na entrevista despertando emoções nos participantes. E, de fato, os indivíduos sentiram-se emocionados com lembranças de quando eram dependentes químicos, sendo possível perceber nas respostas às questões da Entrevista Estruturada, pois alguns respondentes apresentavam respostas curtas e sem conteúdo satisfatório, demonstrando possivelmente a intenção de não deixar mobilizar-se emocionalmente com a recordação de fatos e sensações que provavelmente poderiam trazer à tona sofrimento. Destacando que tais dificuldades transformaram-se em motivos maiores para persistir firme com a pesquisa considerando os benefícios que ela proporcionará à sociedade.

Os benefícios da pesquisa realizada são significativos devido à religiosidade possibilitar maior tolerância nos relacionamentos interpessoais, à inserção em grupos sociais, o autoconhecimento e a empatia. (BAUNGART; AMATUZZI, 2007, apud MORÉ; HENNING, 2009) A religião pode permitir ao dependente químico a satisfação pessoal, lançando mão dos comportamentos acima citados, na busca por significação e alívio do sofrimento.

Vergote (2001, apud MORÉ; HENNING, 2009) defende a ideia de que o psicólogo estude as pessoas considerando-as em seu contexto cultural-religioso, tal como fazem os antropólogos. Essa prática será possível na escuta das expressões religiosas, observando os comportamentos que a cultura designa como religiosos e interpretá-lo atentando para a influência dessas ações no comportamento do indivíduo.

Diante do exposto, sugere-se que sejam feitas pesquisas que possam estudar o papel real dessa religiosidade na recuperação da dependência química.

Sobre os Autores:

Lana Ailana Alves Silva Varjão - Bacharel em Psicologia da Faculdade Santíssimo Sacramento

Lídia Gislane da Silva Soares - Bacharel em Psicologia da Faculdade Santíssimo Sacramento.

Luana Alves de Souza - Bacharel em Psicologia da Faculdade Santíssimo Sacramento.

Orientação:

Samai Alcira Cunha - Professora orientadora. Psicóloga e Mestre em Psicologia do Desenvolvimento, Gestalt terapeuta e docente da Faculdade Santíssimo Sacramento.

Mariana Leonesy da Silveira Barreto - Professora co-orientadora. Psicóloga e Mestre  em  Psicologia do Desenvolvimento e docente da Faculdade Santíssimo Sacramento

Referências:

A Fenomenologia como método. Dos atos perceptivos à consciência de ser corpo, psique e espírito. Pag. 33-42.

BELLO, Ângela Ales. Introdução à fenomenologia. Bauru (SP): Edusc, 2006.

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