A Resiliência em Crianças Vitimas de Abuso Sexual no Processo Intrafamiliar

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Resumo: Alinha-se nessa pesquisa uma proposta de conhecer como ocorre a violência e a resiliência em crianças vítimas de abuso sexual intrafamiliar e correlacionar com o após, a atuação e o papel do psicólogo para a construção de uma qualidade de vida assim como, analisar e desmistificar o ambiente familiar que ficou cristalizado e suas representações desfalcadas. Esse estudo apresenta um mapeamento de fatores de risco e proteção visando a compreensão real do caso bem como a condução de intervenções necessárias. Tal revisão de literatura deu subsídios para um estudo com o objetivo de prevenir e promover saúde pública frente à violência sexual com crianças no processo intrafamiliar favorecendo a resiliência. Conclui-se um trabalho de ordem preventiva que envolve ações educativas e que implica também uma psicoprofilaxia, uma atitude clínica, um trabalho integrado que possa envolver atendimento a vítima, o encaminhamento do processo e o fortalecimento de apoio às famílias.

Palavras chaves: abuso sexual intrafamiliar, fatores de risco e proteção, ambiente familiar e representações, o papel do psicólogo e resiliência.

1. Introdução

A violência é um tema de debate a nível mundial. Atualmente abrange a estrutura física, psíquica, emocional do sujeito do qual sofre o ato. É uma das principais causas da morbimortalidade e comorbidade psicopatológica que abrange todas as raças, etnias, sexos, idades, cultura e religião. Dentre essas o que está mais recorrente a denúncias é o abuso sexual que acomete a população infanto-juvenil.

É notável então a importância de estudar a violência diante dos fatos como negligência, abandono, agressões dentro da estrutura familiar para que se possa entender o desenvolvimento do indivíduo e as consequências sofridas pelas crianças vítimas de abuso sexual intrafamiliar. Faz-se necessário então, conceituar violência e abuso sexual, os fatores de risco e proteção ao desenvolvimento infantil frente ao abuso sexual, a importância do ambiente familiar e as representações sociais e até mesmo a ideia da família, já que esta cumpre com sua função principal de oferecer proteção aos seus membros. O papel do psicólogo frente aos casos de violência sexual infantil e assim diante dos fatos ocorridos dentro dessa estrutura familiar é discutir a resiliência após o abuso sexual já instalado na criança. É diante dessas considerações que o presente estudo possui como eixo norteador o seguinte questionamento: Ao se confrontar com a real situação intrafamiliar, quais os fatores de risco e proteção presentes no ambiente familiar individual e coletivo e o fator de resiliência que a vítima poderá obter?

É de fundamental importância a descrição dos fatores de risco e proteção existentes no cuidado as crianças vitimas de violência sexual intrafamiliar, visando favorecer informações que concerne na interferência do seu desenvolvimento biopsicossocial, este peculiar a todo ser humano e para a sociedade, pois no presente momento as denúncias e campanhas contra o abuso sexual infantil tornam claro e evidente que tem aumentado o número de denúncias a cada dia a nível nacional pelo fato dessa violência ocorrer onde se pressupõe que seja o local de extrema importância para a formação biológica, psicológica, moral, sentimental, de condutas do indivíduo.

Os objetivos apresentam como proposta conhecer como ocorrem a violência e a resiliência em crianças vitimas de abuso sexual intrafamiliar e correlacionar como ocorre a violência e a resiliência após o abuso sofrido e a atuação e papel do psicólogo para a construção de uma qualidade de vida, assim como, analisar e desmistificar o ambiente familiar que ficou cristalizado e suas representações sociais desfalcadas.

Contribui-se então para o meio acadêmico, científico e social como um todo e pretende contribuir com futuros pesquisadores e profissionais da área, já que a quantidade de material disponível sobre o assunto no meio acadêmico ainda é limitada. A compreensão da resiliência para o profissional que percebe o sujeito como um ser biopsicossocial tem sido cada vez mais valorizado na humanização da relação sujeito-meio, pois busca compreender não só o porquê (causas), mas, antes de tudo, o como (processo).  

2. Referencial Teórico

2.1 Violência e Abuso Sexual

A violência é um fenômeno complexo, que se manifesta de diversas formas e maneiras, sendo cometida por indivíduos contra outros indivíduos, revelando dominação e opressão, a violência é uma multifacetária e polimórfica, surgindo na sociedade por meio de ações, que se interligam, interagem e se fortalecem. A violência envolve um excesso, uma brutalidade, um aprisionamento e a perda de autonomia com consequência de uma perda também da liberdade dos indivíduos nela envolvido.
Agudelo (1990) apud Barbosa (2008, p.18) afirma sobre a violência:

"ela representa um risco maior para a realização do processo vital humano: ameaça a vida, altera a saúde, produz enfermidade e provoca a morte como realidade ou como possibilidade próxima".  A área da saúde concentra seus esforços em atender os efeitos da violência, adotando como medida a prevenção e promoção. Depois de instalada a violência no individuo busca-se  a reparação dos traumas e lesões físicas, em serviços de emergência, na atenção especializada, nos processos de reabilitação, nos aspectos médico-legais e registros de informações. A violência, em especial contra a criança e a mulher, tem-se agravado, o que determina o início de uma abordagem que inclui aspectos psicossociais e psicológicos, em relação ao impacto sobre as vítimas. 

O abuso sexual infantil é considerado, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos maiores problemas de saúde pública. Estudos realizados em diferentes partes do mundo sugerem que 36% das meninas e 29% dos meninos sofreram abuso sexual. A sua real prevalência é desconhecida, visto que muitas  crianças não revelam o abuso, somente conseguindo falar sobre ele na idade adulta. As estatísticas, portanto, não são dados absolutos. (BARBOSA, 2008, p. 26).

O abuso sexual de crianças é um dos tipos de violência mais frequentes e assume diversas formas que vai desde o acariciamento até o estupro, fazendo com que a vítima tenha sequelas futuras no âmbito físico, psicológico e social. A violência sexual destrói uma manifestação humana que ao longo do tempo a civilização construiu, o direito a liberdade.

Rangel ( 2006, p.23) dispõe sobre a evolução da história dos direitos da criança e do adolescente:

A violência intrafamiliar contra a criança e adolescente vem ocupando grande espaço nas análises contemporâneas sobre a violência, mas não por ser um fenômeno recente, os maus tratos, os abusos físicos e sexuais sempre estiveram presentes na esfera familiar como demonstra a história. (...) o que é recente, portanto, é a concepção da criança como pessoa em desenvolvimento, sujeito de direitos que devem ser oponíveis, inclusive aos seus pais.

Os conceitos de violência que envolve o abuso sexual e os maus tratos não são sinônimos. A violência é a categoria explicativa, é a relação de poder estabelecida quando também envolve o abuso sexual. O abuso é a ultrapassagem de limites e o uso excessivo. Os limites estão dentro dos direitos humanos legais, de poder, de papéis, de regras sociais, familiares, tabus e o nível de desenvolvimento da vitima, o que ela sabe, compreende, consente e faz. Os maus tratos está inserido no contexto também do abuso, atos e conseqüências e se refere aos danops, o que é feito, praticado, infringido e sofrido pelo sujeito. (FALEIROS, 2000).

Na concepção de Azevedo e Guerra (2000, p.42)

[...] abuso sexual e incesto às vezes costumam ser confundidos, mas não são a mesma coisa. Abuso sexual (ou vitimização sexual) geralmente designa relações sexuais entre um adulto e uma criança. Incesto refere-se a relações sexuais entre dois membros de uma mesma família, cujo casamento seria proibido por lei ou por costume... Muita vitimização sexual é incestuosa, e, muito incesto é vitimização sexual tal como a definimos: mas eles não são idênticos. Em particular, o contato sexual entre familiares da mesma idade é uma espécie de incesto que não é vitimização e o contato sexual entre um adulto estranho à família e a criança é vitimização que não é incesto [...]

O abuso sexual se dá com o próprio ato entre um adulto e uma criança. O abuso se caracteriza por penetração e/ou até mesmo caricias ou introdução de objetos sem a permissão da vítima. Já o contato sexual entre membros da família cujo casamento seria proibido se caracteriza por incesto.

Existem dois tipos de abuso sexual, o abuso incestuoso também denominado como intrafamiliar, praticado por alguém da família ou conhecido da vitima e o extrafamiliar praticado por desconhecido e que não tem laços com a vítima. O abuso sexual intrafamiliar será mais abordado nesse trabalho. É o tipo de violência menos notificado e se mantém o silêncio da família que considera a denúncia como um ato que irá resultar a prisão do abusador e geralmente é este abusador que mantém a família financeiramente.

Gonçalves (2003, p.161) chega a dizer que:

[...] quando tem lugar na família, o abuso sexual tende a ser repetitivo e a permanecer envolto em silêncio. Isso ocorre porque no circulo fechado da família, o agressor sexual seduz a criança ou a ameaça [...] o silêncio é uma marca do abuso sexual intrafamiliar, pois ele envolve mais diretamente a criança, e também outros membros da família. Mesmo quando é percebido e identificado, ele nem sempre é anunciado ou impedido.

O silêncio da mãe frente a essa situação pode ser considerado como cumplicidade, conivência e a omissão de um crime cometido com a criança. Portanto deve-se ampliar campanhas e conscientizar a sociedade agir diante dessa violência cometida com um ser humano que muitas vezes não sabe o que está acontecendo e a gravidade do problema tendo também como objetivo aos casos denunciados que estes sejam apurados, detectados e que haja o monitoramento perspicaz pela rede local.

Pinto Junior (2005) enfatiza que a violência sexual intrafamiliar é talvez uma das mais difíceis de se delimitar ou mesmo identificar, pois na grande maioria das vezes permanece vela da no pacto do silêncio, não somente dos agressores e das crianças abusadas, mas também de pessoas e profissionais que não conseguem perceber – tanto em função dos mecanismos de ocultação, criados pelos envolvidos, como também pela necessidade de colocar uma venda que impossibilita ver o indesejável. Além disso, envolve não só a sexualidade dos adultos, mas também a das crianças, colocando sobre estas últimas o peso da culpabilidade.

2.2 Fatores de risco e proteção ao desenvolvimento infantil frente ao abuso sexual.

As crianças tornam-se mais vulneráveis frente a situações de risco, tais como abuso sexual, demonstrando suscetibilidade individual, quando não contam com uma rede de apoio social e afetivo que seja eficaz e efetiva na prevenção de doenças e de características desadaptativas. Essa vulnerabilidade potencializa os efeitos negativos de situações estressantes. Por outro lado, a criança que é capaz de superar adversidades é definida como resiliente, ou seja, capaz de buscar alternativas eficazes que a auxiliarão a enfrentar de forma satisfatória os eventos de vida negativos. É importante ressaltar que a resiliência possui bases tanto constitucionais quanto ambientais, sendo o resultado da interação das características individuais com a complexidade do contexto social (MORAIS & KOLLER, 2004;BRITO & KOLLER, 1999).

Os conceitos de resiliência e vulnerabilidade envolvem fatores de risco e de proteção. Risco está associado às características ou aos eventos que podem levar a resultados ineficazes, enfraquecendo a pessoa diante da situação de estresse. Em contrapartida, fatores de proteção inibem a intensidade deste risco e têm sido identificados, principalmente, no cuidado estável oferecido pela família, que reforça a identificação com modelos e papéis; nas características pessoais, como a habilidade para resolver problemas, a capacidade de cativar pessoas, competência social, crenças de controle pessoal sobre os eventos de vida e senso de auto-eficácia; e, na possibilidade de contar com o apoio social e emocional de grupos externos à família, diante de eventos estressores. É importante salientar que os fatores de risco e proteção não são categorias fixas definidas a priori, mas se constituem como tal dependendo do contexto no qual ocorrem (HABIGZANG et al, 2006, p. 380).

Pesce, et al (2004) definem fatores de risco relacionados a infância como obstáculos individuais ou ambientais que aumentam a vulnerabilidade da criança e, dessa forma, a susceptibilidade para um resultado negativo no seu desenvolvimento. Para Garmezy (1985) apud Maia & Williams (2005), os fatores de risco podem ser definidos por aqueles fatores que, quando presentes aumentam a probabilidade de a criança desenvolver problemas de ordem emocional e/ ou comportamental. Esses fatores podem incluir atributos biológicos e genéticos da criança e/ou da família, bem como fatores da comunidade que influenciam, tanto o ambiente da criança quanto da sua respectiva família.

Barnett (1997) apud Maia e Williams 2005, p.92 afirma que nenhum outro fator de risco tem uma associação mais forte com a psicopatologia do desenvolvimento do que uma criança maltratada, ou seja, o abuso e a negligência causam efeitos profundamente negativos no curso de vida da criança. Segundo tal autor, as seqüelas do abuso e da negligência abrangem grande variedade de domínios do desenvolvimento, incluindo as áreas da cognição, linguagem, desempenho acadêmico e desenvolvimento sócio-emocional. As crianças maltratadas, geralmente, apresentam déficit em suas habilidades de regular afeto e no comportamento geral. Assim como os fatores de risco, os de proteção também estão diretamente associados a fatores individuais, familiares (dos genitores) e sociais. Quanto aos atributos disposicionais da criança, acredita-se que características temporamentais, o grau de desenvolvimento da autoestima, orientação social positiva, capacidade de auto-controle, a inteligência acima da média e autonomia são sinalizadores de atributos protetivos aos desenvolvimento ( Pesce at al, 2004; Maia & Williams, 2005).

Uma família bem estruturada aponta características de estabilidade, respeito, autoconfiança, ausência de negligência e/ou abuso, suporte afetivo, apoio, bons relacionamentos no âmbito grupal e escolar, favorecimento do sentimento de pertença, pois a família funciona como apoio seguro da criança, assim possibilitando uma qualidade de vida e que possam diminuir as consequências negativas no desenvolvimento da criança.  Assim tato os fatores de risco e os de proteção interferem diretamente no desenvolvimento infantil e na qualidade de vida desta criança.

Os indivíduos que conseguem lidar de forma adequada com a adversidade possuem senso de eficácia e autocompetência, são socialmente mais perceptivos do que seus pares que não conseguem lidar com as adversidades, são capazes de despertar atenção positiva das outras pessoas, possuem habilidades de resolução de problemas, possuem a habilidade de solicitar ajuda de outras pessoas quando necessário e possuem a crença de que podem influenciar positivamente o seu ambiente.  Como fator de proteção pode haver também o vínculo afetivo com um cuidador alternativo, tal como os avós ou irmãos. Tal pessoa pode se tornar um suporte importante nos momentos de estresse promovendo, também, a competência, a autonomia e a confiança da criança. É importante destacar a segurança e a coerência na vida dessa criança, afirmando que crenças religiosas (independente da religião) oferecem a convicção de que suas vidas possuem um sentido e um senso de enraizamento e de coerência. Os amigos e a escola, também, são citados como fatores de proteção importantes no sentido de fornecerem suporte emocional, e os professores podem vir a ser um modelo positivo de identificação pessoal para uma criança de risco. Werner, 1998 apud Maia e Williams (2005). 

Neste contexto a Associação Americana de Psicologia (APA) destaca a “resiliência” para se referir à ocorrência de bons resultados apesar de sérias ameaças ao desenvolvimento saudável (Rutter, 1985).  A Associação exemplifica como fatores associados a resiliência: a) o relacionamento positivo com ao menos um adulto significativo (parente ou não); b) a existência de uma âncora religiosa ou espiritual (fornece senso de significado); c) expectativa acadêmica alta e realista, e suporte adequado; d) ambiente familiar positivo (limites claros, respeito pela autonomia do adolescente etc); e inteligência emocional; e f) habilidade para lidar com o estresse.  São necessários todos esses fatores para que o adolescente torne-se resiliente frente às adversidades, porém uma forte tendência a resiliência tem sido associada como tendo presente um número maior de tais fatores de proteção.

Para Kumpfer e Alvarado (2003), os mecanismos familiares de proteção e o processo de resiliência individual devem ser direcionados para reduzir os fatores de risco familiares. Como principais fatores de proteção familiares para promover comportamentos adolescentes saudáveis, os autores apontam: um relacionamento positivo entre pais e criança, método positivo de disciplina, monitoramento e supervisão, comunicação de valores e expectativas pró-sociais e saudáveis. Segundo tais autores, as pesquisas em resiliência sugeriram como principais fatores de proteção: o suporte parental auxiliando crianças a desenvolverem sonhos, objetivos, e propostas de vida.

2.3 A importância do ambiente familiar e as suas representações sociais

A abordagem sistêmica considera a família como um todo orgânico, um sistema entre sistemas que supera e articula vários componentes individuais e representa um subsistema dentro de um suprasistema, que por sua vez é composto de sistemas internos menores (Nichols; Shwartz, 2007; Andolfi, 1981; Minuchin, 1982; Angelo, 1995; Cartes; Mcgoldrick, 1995; Minuchin; Fishman, 1990; Osório; Valle, 2002; Penso; Ferro, 2008; Satir, 1995; 2008 apud Ferro, 2009), que ajuda a entender como o indivíduo se desenvolve no meio familiar.

O individuo tem a necessidade de diferenciação (auto-expressão), necessidade de encontrar o espaço pessoal, a própria identidade. Este processo requer da família fases de desorganização e instabilidade, caracterizado por confusão e incerteza, marcando a passagem para um novo equilíbrio funcional. Isso só acontece se a família é capaz de tolerar a diferenciação de seus membros. Essa evolução pode não ocorrer, forçando o indivíduo a ser sempre aquilo que o sistema impõe. O individuo encontra fortes obstáculos para sua individuação. (COSTA, 2011).

A família pode ser pensada sob diferentes aspectos: como unidade doméstica, assegurando as condições materiais necessárias a sobrevivência, como instituição, referência e local de segurança, como formador, divulgador e contestador de um vasto conjunto de valores, imagens e representações, como um conjunto de laços de parentesco, como um grupo de afinidade, com variados graus de convivência e proximidade... e de tantas outras formas. Existe uma multiplicidade de formas e sentidos da palavra família, construída com a contribuição das várias ciências sociais e podendo ser pensada sob os mais variados enfoques através dos diferentes referenciais acadêmicos. (VILHENA, 2005, p. 02)

A família é considerada o primeiro núcleo de formação onde a criança efetiva laços de parentesco. A sociedade e a ciência impõe a negação de uma atividade sexual entre os componentes formadores da família. A estrutura da família tem o poder de influenciar o desenvolvimento saudável, emocionalmente estável, equilibrado, ou também pode desencadear insegurança, desvio no comportamento, agressividade e rejeição

A teoria psicanalítica elucida a relevância das funções familiares na estruturação do sujeito, mostrando o quanto as funções psíquicas permeiam as biológicas. O pai e a mãe não são mais redutíveis a qualidade biológica de genitores e sim determinados pelo lugar que ocupam e pela função paterna e materna que estabelecem na relação com seus filhos. (BARBOSA, 2007).

Refletindo sobre a família, com base nas prerrogativas da Convenção sobre os Direitos da Criança, é possível visualizar que nem todas as famílias defendem e promovem o sentimento de auto-confiança da criança. Seria nesse ponto que a família deveria ser a representante de uma pedra basilar de qualquer estrutura psíquica, funcionando como grupo favorável ao crescimento e o bem estar dos seus componentes.

É preciso entender essa estrutura de funcionamento para que se possam ter formas de garantir e proteger os direitos sexuais das crianças e adolescentes para que se possa evitar o desrespeito e a violência na condição de pessoas em desenvolvimento. Como pode ser observado o abuso sexual intrafamiliar pautado como manifesto da violência é uma categoria explicativa da vitimização sexual e refere-se a natureza da relação de poder. A violência sexual intrafamiliar é caracterizado pelo silêncio, pelo segredo da família que provoca rupturas afetivas, subjetivas e familiares, vínculos fundamentais para a estruturação dos processos de identificação. Revela a disfunção familiar, em cujo contexto existe uma confusão de geração e de papeis. Os papeis e as funções familiares são alterados, ou seja, o pai passa a ser “ marido/ namorado” da(o) filha(o), a mulher aceita perder a função de esposa e mãe, o (a) filho(a) exerce a de “ marido/ esposa” e de “pai/ mãe” de seus irmãos. A criança se torna mais vulnerável, e a conseqüência desta transgressão implica uma perturbação dos sentimentos de identidade.

É em torno da proibição do incesto, que se estabelece a autopercepção da “humanidade” e que se estrutura a “identidade psíquica” em um vaivém comparativo, inconsciente e de natureza lógica. A conseqüência de uma transgressão, portanto, implica sempre uma perturbação do sentimento de identidade e a noção de metamorfose. (NATHAN, 1997, p.27).

2.4 O papel do psicólogo frente aos casos de violência sexual infantil

A presença dos psicólogos nas políticas públicas articula-se aos compromissos éticos e políticos da profissão com a construção de atuação profissional que contribua nos direitos às pessoas e à coletividade. Nesse ínterim, está o direito humano à sexualidade de crianças e adolescentes. Os contextos de desenvolvimento de crianças e adolescentes devem assegurar o direito a uma educação que dê suporte a sua condição de ser em formação, de conhecer seu corpo e desenvolver sua sexualidade, de expressar sua orientação afetivo-sexual, de dizer não a toda forma de abuso e exploração sexual.

O atendimento psicológico deve compor a atenção psicossocial, que é operacionalizada por um conjunto de procedimentos técnicos especializados, com o objetivo de estruturar ações de atendimento e de proteção a crianças e adolescentes, proporcionando-lhes condições para o fortalecimento da autoestima, o restabelecimento de seu direito à convivência familiar e comunitária em condições dignas de vida e possibilitando a superação da situação de violação de direitos, além da reparação da violência sofrida.

A colaboração da ciência psicológica no processo de transformação social é de grande valor e resultado. Mesmo diante de esclarecimentos e prevenções o número de casos de violência e maus tratos vêm aumentando significativamente, o que se tem constituído em aumento de demanda de trabalho para os profissionais da área de saúde mental. A psicologia é tida como uma das áreas de reconhecimento para o trato da questão.

O processo psicoterápico pode ser entendido como uma maneira de investigação e entendimento para que se possa dar o suporte necessário para a vitima que procurou o serviço devido ao sofrimento ocasionado, traumas, rejeição entre outros sintomas que podem surgir ocasionado pelo abuso sexual. Esse processo visa também o aprofundamento do tema e reações emocionais. A resposta da vítima é imprevisível, pois cada um reage de uma maneira e a diversidade de coisas e acontecimentos que sucedem traduz a singularidade de características individuais de cada um na relação de vivência, desenvolvimento e também na relação sócio afetiva.

A criança submetida a qualquer tipo de violência sexual, acarretam marcas que irão acompanhar por toda a vida, sendo que o conjunto de marcas do passado pulsará vivo no futuro em diferentes formas e manifestos. O autor Ferenczi aposta no estabelecimento de uma relação de confiança depositada no setting como o principal componente para a escuta desse paciente vitimizado. Já que existe um contraste entre um presente e um passado insuportável e traumatogênico. (Ferenczi, 1933 [1932]/ 2011).

De acordo com Azambuja, Ferreira & Cols apud Pinheiro & Fornari, (2011, p. 309-310 ) “ a violência domestica é um fenômeno cercado por mitos e se manifesta de maneira sigilosa. Um segredo familiar envolve aspectos ideológicos e arcaicos. Nesse sentido ate por sua demanda afetiva e sexual desvelá-la representa romper um complô de silêncio, bem como disparar-se a vítima, o agressor e a família em um mesmo e único núcleo cuja dinâmica é perigosa, destrutiva  e cíclica.”

Na psicologia esse fenômeno é descrito como negação, mecanismo psicanalítico que impede o abusador de tomar consciência do significado e das consequências prejudiciais de suas condutas. Geralmente são sujeitos que apresentam falhas em seu desenvolvimento emocional, atos transgressores que podem atravessar gerações, logo pode-se dizer que o agressor é alguém incapaz de se responsabilizar de forma consciente por sua demanda afetiva e sexual.

Segundo Azambuja, Ferreira & Cols apud Pinheiro & Fornari, (2011, p. 310 ) do ponto de vista psicológico, sabemos que, quando nos faltam as palavras, cabe o alerta de que estamos lidando com algum acontecimento que não foi inscrito psiquicamente. Nesse momento, a técnica aponta para a importância, dentre outros aspectos, da contratransferência, que permite ao psicólogo conhecer o significado do trauma, de que forma e proporção ele imunda o aparelho psíquico. Por meio desse recurso o terapeuta poderá sair do impasse, escutar com cuidado e estabelecer ações para o trabalho psíquico da criança e para o ambiente onde ela esta inserida contando com a rede de apoio já instituída.

A inclusão da família no tratamento psicológico da a oportunidade da escuta e o falar de todos. Essa oportunidade é um exercício desconhecido pela família patológica já que em alguns casos imperou o silêncio para calar a crueldade. Os atendimentos deverão proporcionar um movimento libertador, evitado a alienação familiar e permitindo que a criança construa confiança para que possa vir construindo em si mesma proporcionando uma nova resignificação e elaboração da violência ocorrida.

A psicoterapia deve permitir a criança segundo Pizá e Barboza (2004, p.56) “ atribuir um valor simbólico a uma dor que é em si puro, emoção brutal, hostil e estranha” reconstituindo-se relações saudáveis e fora do circulo aditivo das violências pregressamente sofridas.

O papel do psicólogo funciona como uma escuta terapêutica, no qual não inclui julgamentos, investigação de cunho policial ou judicial (mas pode contribuir para o trabalho dessas instituições). O psicólogo a partir do entendimento profissional e atuando conseguirá entender o caso, compreender partes e o todo, situar o lugar atribuído a criança nessa relação familiar, emitir parecer sobre o risco de reincidência e sobre o potencial protetivo dos membros da família, discutir intervenções, fazer encaminhamentos caso haja necessidade, decidir quais serviços da rede de proteção deverão ser acionados e realizar se necessário laudos que possam subsidiar decisões legais.

Segundo o Conselho Federal de Psicologia (2009), o psicólogo deve propiciar uma escuta atenta oportunizando a emergência de significados ocultos ou inconscientes. É o profissional que exercerá o trabalho com sentimentos e subjetividade de crianças/adolescentes vitimizados e suas famílias – criando ambiente favorável ao resgate da autoestima, à reconstrução de relações afetivas, à reconstrução de significados acerca da vivência, à compreensão acerca da dinâmica familiar, aos limites e cuidados na família, ao desenvolvimento da sexualidade, etc. Diversos autores tratam da prática da violência, de sua revelação e da entrada de atores institucionais na dinâmica familiar, fatores que podem repercutir nas relações afetivas, na dinâmica da família e no desenvolvimento da criança/do adolescente.

Seguindo adiante no atendimento as vítimas de abuso sexual intrafamilar são compreensíveis os desafios posto na construção pessoal e na dialética de um serviço que enfrenta a violência contra a criança. É necessário a intervenção interdisciplinar nessa perspectiva com atuação e intervenção direta do psicólogo nesse processo familiar.

2.5 Resiliência: Seguindo adiante... após o abuso sexual

O abuso sexual é uma violência perigosa e perversa ao desenvolvimento do ser humano, mas nem todas as pessoas reagem da mesma maneira. Essa forma de reagir diante o fato acontecido, chama-se resiliência. Essa reação é um comportamento que se aproxima da capacidade de recuperação e adaptação após o dano.

A resiliência segundo Infante (2005, p.24) “consiste em organizar os fatores resilientes e de risco em três grupos: os atributos individuais, os aspectos da família e as características dos ambientes sociais a que a pessoa pertence”. A resiliência esta inserida no meio do qual o individuo possui total acesso. Inicia pela a personalidade, maneiras de pensar e enfrentar situações de risco, segue pela a estrutura familiar o qual é o meio que sustenta, orienta e educa. A família é o meio social do qual a criança tem a noção e aprende a cultura, depois o processo segue nas relações sociais que se concretiza com o ambiente frequentado que são os grupos, amigos, escolas, instituições entre outros. Assim esses meios contribuem para o individuo ter a habilidade de superar adversidade. Mas esses fatores podem contribuir para o individuo superar tornando assim também fatores de proteção, como também esses meios podem tornar fatores de risco. O fator de risco pode se dar quando o indivíduo tem propensão a ansiedade e à depressão, na esfera familiar os pais apresentam comportamentos de abuso, relações sexuais visível, uso de drogas, as relações entre os membros familiares são conflituosas ou excessivamente permissivas, quando não existem diálogos entre esses membros.

Segundo Assis, Pesce & Avanci, apud Martins, 2006 o termo superação de dificuldades, comumente associado à resiliência, não quer dizer que a pessoa escape inteiramente ilesa de situações consideradas muito estressante enfrentadas na vida. As adversidades deixam maiores ou menores marcas e podem ser mais ou menos duradouras, pois isso varia de acordo com a forma específica de cada um responder a situação de risco as quais está exposto.

Para Walsh (2005, p.4), resiliência:

[...] é a capacidade de superar os golpes da vida; de que o trauma precoce ou grave não pode ser desfeito; ou de que a adversidade sempre prejudica as pessoas, mais cedo ou mais tarde e; de que os filhos de famílias perturbadas ou “destruídas” estão condenados [...]

A família é a unidade funcional que vai inserir a resiliência em todos os seus integrantes. Portanto Walsh (2005, p.262) “defende que a resiliência familiar é uma ‘ resiliência relacional’, ou seja, depende da interação entre os membros da família e da família como um todo em sua relação.”  È na família que se obtem os primeiros vínculos e o lugar no qual se dá as relações de confiança. Essa organização bem estruturada pode se dar o processo de superação de traumas.

Segundo Koller (1999) e Vicente (1996), os mecanismos de proteção que um indivíduo dispõe internamente ou que capta do meio em que vive são elementos cruciais para estimular o potencial de resiliência ao longo da vida. Existem três tipos principais de proteção atuando desde a infância e adolescência. A primeira está na própria capacidade individual de se desenvolver de forma autônoma, com auto-estima positiva, auto-controle e com características de temperamento afetuoso e flexível. É o modelo de desafio, onde o sujeito consegue entender a dimensão do problema, o reconhecimento das possibilidades e enfrentamento, e o estabelecimento de metas para sua resolução. A segunda é dada pela família quando provê estabilidade, respeito mútuo, apoio e suporte, isto é, vínculos afetivos, aceitação incondicional do indivíduo enquanto pessoa, principalmente pela família. E a terceira é o apoio oferecido pelo ambiente social, através do relacionamento com amigos, professores e com outras pessoas significativas que tem papel de referência, reforçando o sentimento de ser uma pessoa querida e amada – sentido de propósitos no futuro – estabelecimento de metas, fé num futuro melhor. Os fatores que oferecem proteção são, portanto, influências que modificam, melhoram ou alteram a resposta de uma pessoa a algum evento de vida que lhe desencadeou sofrimento. São mais que fatores isolados, são encadeados numa engenharia em que se sustentam os mecanismos ou processos de proteção.

Quando se fala em estratégias de enfrentamento, um importante conceito a se compreender é o de coping, que se refere ao posicionamento e às ações do indivíduo frente às situações negativas de vida. Ou seja, são os esforços cognitivos e comportamentais utilizados pelo indivíduo para lidar com as situações que provocam o estresse. Assim, as estratégias de coping mais voltadas para o enfrentamento e elaboração das dificuldades são mais encontradas em indivíduos resilientes, moderando os efeitos das adversidades, além de se tornar um fator de proteção (FOLKMAN E LAZARUS, p. 150-170, 1985).

Encontrar o significado positivo diante a adversidade, buscar estratégias de enfrentamento e ser capaz de obter a ‘ escuta’ do outro são características pertinentes em sujeitos resilientes. Essas pessoas conseguem caminhar, dar rumo e significados diferentes ao caminho da dor.  Esta pesquisa não teve a pretensão de trazer respostas, mas, ao contrário, suscitar questionamentos diante da realidade de crianças privadas de liberdade, frente ao abuso sexual, privadas de igualdade, de oportunidades, mas que encontram, em sua realidade, forças para superar todas estas privações. Questionamentos estes que merecem novas pesquisas, novas dúvidas, novas ações, novas políticas públicas que busquem como resultado não apenas conhecer, mas, especialmente, proporcionar um futuro melhor para a geração do futuro.

3. Considerações Finais

Ao abordar o tema abuso sexual de crianças estamos suscetíveis a considerar um tema de revolta, aterrorizados, repugnância e rejeição. Consideramos que a proteção provem inicialmente da família que é o local onde ela se depara com o lar e os afetos, mas em alguns quadros o cenário da violência se instala nesse lar fazendo com que surjam o sentimento de revolta e os sintomas patológicos na criança vitima do abuso sexual.

As consequências do abuso sexual são inúmeras, dependendo sempre do tipo de abuso sofrido, da repetição que ocorreu no decorrer da vida do indivíduo, da idade que os abusos foram acometidos e da possibilidade de denunciar ou de se falar sobre o assunto. Evidentemente, cada indivíduo reage de forma diferente, mas as marcas desse registro podem desdobrar-se de várias maneiras. Aí entra o psicólogo dentro de uma equipe para trabalhar essas marcas possibilitando para sujeito uma nova oportunidade de ressignificar podendo alcançar a resiliência já que ela traduz conceitualmente a possibilidade de superação num sentido dialético, representando um novo olhar, uma re-significação do problema mas que não o elimina, pois constitui parte da história do sujeito. O caráter contextual e histórico da resiliência se expressa seja do ponto de vista biográfico, seja do conjunto de interações dadas numa cultura determinada.

A abordagem via resiliência, ao enfocar aspectos interacionais de vínculo e de confiança, traz à tona a singularidade e a delicadeza das relações microssociais de promoção em saúde. Claro que isso é fundamental, no entanto não pode ser distorcido para sustentar um discurso de "superação individual" desagregado do suporte social-afetivo e das relações macrossociais.

Ao levar em conta não só os fatores socioculturais como aspectos da subjetividade, esse trabalho preventivo envolve não só uma ação educativa, mas  implica também uma psicoprofilaxia, uma atitude clinica, no sentido mais amplo do termo.  Ao abordar esse tema cabe aos profissionais e instituições que compõem a rede de proteção à criança discutir e apontar alternativas para minimizar a retratação da vitima na tentativa de retirar a denúncia, já que o abusador geralmente é um membro da família. Por outro lado, é fundamental conhecer e avaliar os sentimentos e as emoções que tais episódios de abuso provocam. O psicólogo auxilia dando o suporte necessário aos traumas adquiridos pela vitima com Intervenções precoces, pois, assim, é possível adequá-los melhor para que possam auxiliar no processo de aproximação e intervenção com essas famílias e suas crianças/adolescentes logo que preconizamos ações de proteção à criança e famílias para que não se sintam desamparados diante de tal fato.

Lidar com essas situações exige um trabalho integrado de uma equipe para que as ações possam ser pensadas e articuladas em conjunto, envolvendo o atendimento a vitima, o encaminhamento do processo e o fortalecimento da rede de apoio às famílias.

Mesmo trabalhando de forma inter e multidisciplinar na rede, o psicólogo  lida com as singularidades de cada um e com a complexidade do humano, já que partilhamos um horizonte de igualdade como espécie e, ao mesmo tempo, somos singulares, únicos em cada individualidade. A atuação do psicólogo dentro das entidades ao lidar com situações de risco e vulnerabilidade, revelam essencialmente a inconsistência entre o modelo clínico, individualizado e autônomo e o modelo assistencialista de atendimento.

O psicólogo deve ocupar um espaço que possam compreender os processos de subjetivação e isso significa que o profissional de Psicologia que trabalha nas entidades que atendem crianças e adolescentes em situação de risco deve entender e atuar sob a perspectiva de que a criança e o adolescente são sujeitos que precisam das políticas sociais básicas a fim de ter garantida a proteção integral, fundamental para o seu desenvolvimento.

O trabalho visou à promoção e prevenção de saúde frente à violência sexual com crianças no processo intrafamiliar favorecendo a resiliência destas. Para tanto a resiliência não pode ser vista como uma nova panaceia (cura) para a Saúde, uma saída mágica aplicável inadvertidamente a qualquer situação. A questão que se coloca é uma mudança de olhar em relação às crianças que vivenciam situações adversas. Tal mudança pode significar para o próprio sujeito uma aposta de emancipação diante de um estigma, como o da violência sofrida.

Sobre a Autora:

Taine Souza Melo Albernaz - Psicologa graduada pela Faculdade de tecnologia e Ciência/ Itabuna, Ba.

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