Psicologia: Vínculos, Contribuições e Desafios Junto a População em Situação de Rua

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Resumo: Este trabalho tem como objetivo compreender quais os vínculos, contribuições e desafios da Psicologia com a população em situação de rua. O fenômeno considerado população em situação de rua (PSR) é denominado pelo Decreto nº 7.053, de 23 de dezembro de 2009, Parágrafo único – “Grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória”. A idealização desta pesquisa documental, surgiu da necessidade de tentarmos responder: O que se tem feito a essas pessoas, sobretudo a psicologia. Observamos ainda que a (PSR), em nosso país, sofreu várias mudanças ao se entrecruzarem, dessa forma, percebemos a fragilidade dessas relações. O psicólogo precisará abandonar suas convicções morais e religiosas, olhar esse sujeito como ser humano e assim realizar a escuta psicológica eficiente com eles; deverá ocupar eticamente inúmeros espaços para inserir e integrar essa população, apoiando e aprimorando o sistema psicossocial existente, atuando sempre em defesa do sujeito e dos direitos humanos para o enfrentamento da violência física, psicológica e sexual contra essa população. O psicólogo (LANCELOTI, J.), afirma; “estabelecer vínculos é uma aprendizagem possível e uma dimensão humana que podemos desenvolver”. A inclusão de (PSR), nos projetos sociais e acesso ás redes de saúde públicas existentes, se faz necessário. para minimizar o sofrimento dessas pessoas nas ruas. Outro ponto importante; é a prática da Cultura de Paz, fazer valer a Justiça Restaurativa e ferramentas como a Mediação e Conciliação que é um instrumento de intervenção social para mudar a cultura punitiva. Baseamo-nos nas diretrizes apontadas, nos documentos de referência sobre o desenvolvimento mundial, artigos científicos, política nacionais, sociais, redes de saúde pública, projetos e ações. São pessoas que muitas vezes, não sairão das ruas, ainda assim, necessitam de cuidados. Dar-lhes atenção e atendê-los em suas necessidades singulares, é tratá-los com equidade. O método utilizado foi pesquisa documental; assemelha-se a pesquisa bibliográfica e ainda coloca a/o pesquisador/a em contato direto com o material em tratamento analítico e ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa acerca do tema.

Palavras-chave: População em Situação de Rua, Moradores de Rua, Crianças e Adolescentes de rua, Psicologia e Justiça Restaurativa.

1. Apresentação

A idealização desta pesquisa documental, sobre a população em situação de rua, surgiu da necessidade de tentarmos responder: O que se tem feito a essas pessoas, sobretudo a psicologia.

O fenômeno considerado população em situação de rua (PSR) é denominado pelo Decreto nº 7.053, de 23 de dezembro de 2009, Parágrafo único – “Grupo populacional heterogêneo que possui em comum a pobreza extrema, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistência de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros públicos e as áreas degradadas como espaço de moradia e de sustento, de forma temporária ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporário ou como moradia provisória”.

Ao realizarmos o voluntariado entre 2002 e 2006 com a população em situação de rua, denominado; Banho Fraterno foi possível constatar parte da realidade fragmentada dessas pessoas.

O projeto acolhia as mulheres, as crianças e os transexuais; ás terças e quintas-feiras. Os homens ás quartas e sextas-feiras. Os usuários do banho eram acolhidos por voluntários, do mesmo sexo, exceto os transexuais que eram atendidos por mulheres. Todos tomavam banho, recebia uma troca de roupa, um kit contendo calça ou saia, blusa e calçado, tomavam café com leite e pão no local. O horário de atendimento acontecia das 8h às 12h, na região central da cidade de São Paulo. O Projeto foi extinto por exigência da vizinhança, enquanto a discussão estava na justiça, buscamos encaminhá-los aos albergues, e tentamos até descobrir os vínculos familiares, ainda que sem sucesso, pois eles haviam perdido contato com a família. Nunca soubemos para onde essas pessoas foram levadas ou seu paradeiro.

Surge então o interesse de pesquisar sobre a população em situação de rua.

Em outra ocasião, atendendo as exigências acadêmicas para disciplina de projeto de pesquisa de campo, no curso de psicologia, no ano de 2009, a partir da prática de observação, realizada diretamente com essa população, também da região central da cidade de São Paulo, observamos os moradores em situação de rua; crianças, adolescentes, mulheres e homens com seus animais de estimação; cães e gatos, em condições sub-humanas; alimentando- se do lixo acumulado nas ruas, em dias de chuva e frio, tentavam dormir cobertos apenas por papelão, no meio dos entulhos. Sofriam ofensas e muitas vezes, eram surrados.

As ofensas e até agressões, partiam daqueles que os olhavam como se fossem ameaças, apenas por estarem ali, atrapalhando sua passagem. Os agressores eram os mesmos que transitavam, talvez para os seus trabalhos, ou até para suas igrejas em busca de suas crenças, pareciam furiosos e como forma de extravasar seu incômodo, demonstravam desprezo e ira contra eles. Outros pareciam não enxergá-los, como fossem invisíveis, como se não existissem.

Zygmunt Bauman em seu livro Vida Líquida nos traz;

O outro é a ameaça de ser jogado no lixo. [...] A vida talvez seja sempre um ‘viver-para-a-morte’, mas, para os que vive na líquida sociedade moderna, a perspectiva de ‘viver-para-depósito-de-lixo’ pode ser a preocupação mais imediata e consumidora de energia e trabalho (BAUMAN, p. 17, 18, 2009).

Entendemos que os vínculos são frágeis a ponto de banalizar o sofrimento do outro nas relações humanas. A busca desenfreada por viver para ter, retrata bem viver para comprar e até suprir um vazio através do consumismo. A pré-ocupação está em ter e não em ser, por isso o outro não representa nada. Nos locais de trabalho, de culto e de lazer existe competição entre aqueles da sociedade moderna, talvez isso aconteça,  por causa do consumismo. Cria-se uma concorrência desenfreada nesses locais, que é tão fria e calculista. Essa competição está imbricada nos indivíduos dessa vida consumista, se esquecem da própria natureza humana, descartam o afeto, a amizade e o respeito. Nessas relações de intolerância, crescem a cada dia o desrespeito. Sem se dar conta, adoece toda a sociedade, que valoriza a aparência, o supérfluo, o consumismo desenfreado, muito mais do que as relações afetivas, a troca e o respeito pelo outro. A humanidade é desumana, não enxerga a própria espécie. Talvez se perdeu o valor real da vida (compartilhar). As pessoas em situação de rua, ficam às margens, amontoadas como lixos, desses que não se reciclam, se acumulam nos becos e nos buracos escuros dos lugares fétidos, acabam se desintegrando pelos maus tratos e pelas doenças; sexuais, físicas e psíquicas .

Conforme BAUMAN (2009), a precificação generalizada da vida social e a destruição criativa própria do capitalismo suscita uma condição humana na qual predominam o desapego, a versatilidade em meio à incerteza.

Acredita-se que cada um, em sua condição humana, precisaria eliminar o preconceito e a ignorância ao julgar essas pessoas. Precisaria parar de condená-las à miséria, já imposta pela condição sub-humana em que estão vivendo pela crueldade das ruas. São pessoas, às vezes, que tiveram moradia, trabalho e família. Por dificuldade em superar um vício, ou a falta de vínculos criados entre os familiares, buscaram as ruas para morar. Suas trajetórias conturbadas, por problemas familiares, pelo preconceito e pela falta de acesso às condições mínimas e necessárias de sobrevivência digna, as levaram a essa situação de rua e, sobretudo, a falta de autoestima. Sentem desvalia pessoal, sendo merecedores de todos os tipos de agressões a que são submetidos. Outros, são filhos da rua, nasceram nas ruas e nunca tiveram outra forma de vida. E, para a decadência dessa população, a quem interessa essas pessoas? De onde elas vieram e nem para onde elas vão? A nenhuma delas, é garantida nem mesmo a satisfação das necessidades primeiras; comida, água e descanso, muito menos acesso ás redes públicas de saúde, o que dirá; intersetorialidade.

Cita Martins, 1994:

A população em situação de rua encerra em si o trinômio exprimido pelo termo exclusão: expulsão, desenraizamento e privação. Segundo a definição de cientistas sociais como Alcook (1997) e Castell (1998), exclusão social relaciona-se com situação extrema de ruptura de relações familiares e afetivas, além da ruptura total ou parcial com o mercado de trabalho e de não participação social efetiva. Assim, pessoas em situação de rua podem se caracterizar como vítimas de processos sociais, políticos e econômicos excludentes.

Concordamos, as pessoas em situação de rua, estão nesse trinômio. Moram nas ruas de todos os lugares. Uma grande quantidade de pessoas, que a cada ano, passam a morar nas ruas, são pessoas que, ás vezes já teve suas moradias, hoje destruídas, ficaram à margem, pela ruptura dos laços familiares, por preconceito, pela conduta de expulsão e desajuste social. Estão às margens pelo uso de drogas, álcool e por toda violação física, psicológica e sexual que se tornou cenário rotineiro a essa população em extrema vulnerabilidade. São pessoas que muitas vezes, não sairão das ruas, ainda assim, necessitam de cuidados. Dar-lhes atenção e atendê-los em suas necessidades singulares, é tratá-los com equidade.

2. Introdução

A inclusão social da população em situação de rua (PSR), nos projetos sociais e acesso ás redes de saúde públicas existentes, faz-se necessário. Entendemos que assim será possível minimizar o sofrimento dessas pessoas.

Como existe a intenção por um Brasil melhor, é importante darmos relevância social a esse fenômeno complexo que é população em situação de rua (PSR), para reconstruirmos, por exemplo; a garantia dos direitos humanos dessa população.

Outro ponto importante; é a prática da Cultura de Paz. Como bem explanou o Dr. Egberto Penido (2013), a cultura de paz tem duas missões:

Primeiro: tornar visíveis as violências que se perpetuam pela omissão ou pela aceitação de condições humilhantes como sendo próprias da nossa sociedade ou, pior ainda, intrínsecas à natureza humana. Segundo, estimular novas formas de convivência que abordem o conflito como instrumento necessário à manutenção democrática dos relacionamentos. As observações e pesquisas em Etologia, por exemplo, já não nos permitem justificar nossas violências atribuindo- as à nossa herança animal, como salienta a Declaração de Sevilha sobre a Violência, fruto do encontro de cientistas de diferentes disciplinas para analisar a questão, promovido pela UNESCO em 1986, na Espanha. Nela se conclui que: “É cientificamente incorreto dizer que a guerra, ou qualquer  outro comportamento violento, é geneticamente programado na natureza humana. (PENIDO, E.A. – 1ª. Vara Especial da Infância e Juventude de São Paulo/Capital – Brasil
– Coordenador da Inf. e Juv. do TJ/SP).

Para tanto, buscamos ainda, respaldo das autoridades do Poder Público e da Justiça, para que sejam cumpridos os eixos estratégicos citados na cartilha dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) de 2011. “Acabar com a fome e a miséria”. Inserida no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Secretaria Geral da Presidência da República – do Secretário Nacional da Secretaria de Relações Políticos Sociais. A Carta Magna, bem como o Conselho Nacional de Justiça – CNJ com a Resolução nº 125/2010 sobre a Mediação e Conciliação no Judiciário que será apresentado adiante, como possibilidade à PSR.

Baseamo-nos nas diretrizes apontadas, nos documentos de referência sobre o desenvolvimento mundial, artigos científicos, políticas nacionais, sociais, redes de saúde pública, projetos e ações, dissertação acadêmica e filmografias, tudo para contribuir com esse trabalho e verdadeiramente dar voz a essa população.

Ressalta-se ainda, o principio de justiça entendido como equidade, imprescindível á população em situação de rua.

Para Adorno e Varanda:

Segundo o princípio da equidade (SUS, 2003) os “serviços de saúde devem considerar que em cada população existem grupos que vivem de forma diferente, ou seja, cada grupo ou classe social ou região tem seus problemas específicos, tem diferenças no modo de viver, de adoecer e de ter oportunidades de satisfazer suas necessidades de vida (ADORNO e VARANDA, 2004, p.68).

No capítulo I, retratamos o contexto histórico e político descrito no “Manual sobre o cuidado à saúde junto à população em situação de rua” do Ministério da Saúde – (Brasília-DF, 2012), a terminologia e conceito dessa população, e o significado da ciência: Psicologia, os projetos e ações como contribuições junto à população de rua, o que se tem feito á população, em resultados e considerações finais apresentamos os vínculos, contribuições e desafios da psicologia com a população em situação de rua.

3. População em Situação de Rua - PSR

3.1 Contexto Histórico e Político

Contexto histórico e político, construção de propostas para o cuidado da população em situação de rua (PSR) no Brasil.

Entre as décadas de 1970 e 1980, a Pastoral do Povo da Rua, da Igreja Católica, inicia movimento de organização de pessoas em situação de rua, com destaque para os municípios de São Paulo e Belo Horizonte. Tais iniciativas religiosas foram responsáveis por implantar casas de assistência a esses moradores de rua, organizar movimentos de representação popular - sobretudo em relação aos catadores de material reciclável (BASTOS, 2003 apud; CANDIDO, 2006).

Após o aumento da representatividade da população em situação de rua, ser potencializada por essas iniciativas, os gestores públicos dos municípios de maior porte começa a delinear estratégias de identificação e abordagem junto às demandas desse grupo social. Em Belo Horizonte, por exemplo, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social assume a agenda política das ações implantadas, caracterizado pela responsabilização por uma área geográfica fixa e uma população delimitada. Não era apropriado para incluir os moradores de rua, pela sua característica migratória, o que gerava uma exclusão da PSR da rede assistencial.

Assim, em 2002, a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte implantou a primeira equipe de Saúde da Família específica e exclusiva para o atendimento da PSR, sem território de abrangência fixo, que passa a ser o equipamento de saúde de referência para essa população, e voltada a essa parcela da população. [...] O processo de trabalho das Equipes de Saúde da Família (ESF) assume a vocação de matriciar as demais ESF, do município na sensibilização do cuidado à PSR, eventualmente presente nos territórios dessas equipes, de forma transversal (REIS JUNIOR, 2011).

Pouco tempo depois, o município de São Paulo, com histórico semelhante, implanta suas primeiras equipes de Saúde da Família para população em situação de rua, por meio do Programa A Gente na Rua (CANONICO et al., 2007), e aprofunda o paradigma semântico de certas abordagens de equipes à (PSR), em que visita domiciliar passa a ser “visita de rua”. Mais tarde, outros municípios como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba implantam  suas  primeiras  equipes  de  Saúde  da  Família  para população em situação de rua [01].

Com base no que aponta Figueiredo e Campos (2009):

“Matriciar; pode ser entendido um suporte técnico especializado que é ofertado a uma equipe interdisciplinar em saúde a fim de ampliar seu campo de atuação e qualificar suas ações”. O matriciamento, apontado no Guia prático em Saúde Mental, constitui-se numa ferramenta de transformação, não só do processo de saúde e doença, mas de toda a realidade dessas equipes e comunidades.

A elaboração do Manual sobre o cuidado à saúde junto à população em situação de rua, foi um marco importante para essa população Contudo, entendemos seu contexto histórico e político, e podemos compreender a necessidade de acesso e intersetorialidade para atender as  necessidades básicas dessa população para de fato ocorrer à inclusão social. Falta inserir, incluir a (PSR) nos instrumentos e ferramentas disponíveis na justiça pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e nos programas sociais e de saúde existentes.

3.2 Terminologia e Conceito

Apresentamos a terminologia e o conceito, para situar a pluralidade do termo e a polissemia que se constroem entre essa população. Adorno e Varanda - (2004), explicitam a seguir:

Maloqueiro – quem usa maloca ou mocó: lugar de permanência de pequenos grupos durante o dia, ou usado para pernoite com colchões velhos, algum canto reservado para pertences pessoais (roupas e documentos) e, ás vezes utensílios de cozinha.
Albergado – quem usa albergues. Trecheiros – oriundo dos trabalhadores que transitavam de uma cidade para outra a procura de trabalho.
Pardais – se fixam nas ruas e não trabalham.
Nomadismo – sujeito carente e passivo que se fixa em qualquer lugar. Distingue-se: “Ficar na rua, circunstancialmente”. “Estar na rua, recentemente”. ”Ser de rua permanentemente” – fator de cronificação, (Vieira, 1999 apud Adorno e Varanda).
Catadores – catam latinhas, cobre e papelão, são trabalhadores que vivem nas ruas (reconhecidos legalmente como ocupação profissional), muitos estão vinculados a cooperativas e associações.
Desabrigados – dimensão residencial e familiar, (perda da casa e do lar).
Semteto – têm suas conexões familiares e comunitárias com conquistas políticas concretas de moradia popular. SDF (sem domicílio fixo) ocupação de vários prédios públicos na região central da cidade de São Paulo. Lutam pela regulamentação.
Encortiçados – insatisfeitos de morar em cortiços em péssimas condições e por pagarem altos alugueis.
Mendigos/pedintes – (em desuso) não correspondem às características gerais dessa população, embora façam parte do imaginário social. Degradação de trabalho, servo sofredor, injustiça social, carência, sofredor de rua.

Adorno e Varanda (2004), Ao falar dos limites das ruas nos cita:

O uso de drogas e sua forma de comportamento com problemas de natureza mental e psiquiátrica,  são  denominados pôr;  usuário de álcool: bêbados, bebuns e alcóolatras, usuários de maconha, crack e cocaína: nóia e pedreiro (uso de crack).

Para o CENSO/2000; (levantamento demográfico), essa terminologia população em situação de rua (PSR), serve para as pessoas que pernoitam nos   logradouros,   praças,   jardins,   marquises,   baixo   viaduto,   casarões abandonados,  cemitérios,  carcaça  de  veículos,  terrenos  baldios,  sucata  e depósito de papelão.

3.3 Psicologia - Significado

Psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e seus processos mentais, cuja etimologia origina do grego psykhe (alma), logos (estudo, razão ou conhecimento), do latim psychologia.

Assim sendo, é a disciplina que visa o conhecimento das atividades mentais e dos comportamentos em função do meio. Ciência que trata da mente e de fenômenos e atividades mentais. Ciência do comportamento animal e humano em suas relações com o meio físico e social. Conjunto de estados e processos mentais de uma pessoa ou grupo de pessoas, especialmente como determinante de ação e comportamento: A psicologia das massas. Psicologia do comportamento: a que estuda as reações dos seres vivos. Psicologia do inconsciente: que explora a camada profunda que, sob a camada superficial consciente, influi no comportamento humano. (Psicanálise). Psicopatologia: a ciência que estuda as anomalias e doenças mentais. Psicologia da consciência: a que considera os fatos da consciência (Fenomenologia), Pesquisa para produção e transmissão de conhecimento, tornando-se uma ciência independente. Como profissão e como cultura, esteve  inicialmente ligada aos problemas de educação e de trabalho. Segundo Seberna e Rafaelli (2003);

A Psicologia, cuja definição habitual é a de “ciência do comportamento”, necessita uma revisão de seus pressupostos básicos. [...] etimologia  da palavra Psicologia, significa estudo  da alma [...] A Psicologia, que pode ser dita como a segunda ciência a despontar no seio da Filosofia, pois se o primeiro conceito a ser analisado foi o de physis (natureza) com os pré socráticos ou physikoi – dando origem à Física – o segundo conceito a se evidenciar no panorama da filosofia grega foi o de psyche com Platão. Para Aristóteles, psyche ou alma é uma forma de um corpo natural tendo a vida em potência; a alma é a realidade do corpo vivo. Com isso, afirma a alma como a enteléquia (plenitude) do corpo. O ser é quid (essência) de cada coisa existente, que torna essa coisa individual, pois o ser se diz em vários sentidos (SEBERNA e RAFAELLI, 2003, p.32)

Conforme Figueiredo e Santi, (1995); apenas na metade do século XX, a psicologia  conquistou  espaço  para  estudos  em  instituições  de  ensino universitário e com os familiares fragilizados ou rompidos e com a inexistência de moradia convencional regular. E nos afirma; que o homem escolhe seus caminhos, e é  responsável pelas consequências de  suas escolhas, nesse contexto havendo cada vez mais a valorização do homem ou sua desvalia. Considerando a (PSR), sabemos que eles e a sociedade denotam a desvalia.

4. Projetos e Ações

4.1 Quem e/ou o que se tem feito com a população em situação de rua

Realizamos o levantamento de trabalhos, projetos e ações com a (PSR), para evidenciar e alertar os diferentes atores sociais e às autoridades; (Nacionais, Estaduais e Federais), quanto à necessidade de termos estratégias, para que sejam cumpridas as diretrizes de acesso e inclusão ao Sistema Único de Saúde (SUS), nos Serviços Especializados em Assistência Social (SUAS), Centro de Apoio psicossocial (CAPS) e Unidades Básicas de Saúde (UBS), Consultórios de rua (CR), e incentivar a comunicação entre outros atores que se dialogam; à intersetorialidade; como Segurança Pública, Segurança do Trabalho e a Educação e assim incluir e inserir socialmente essa população.

Na avaliação de Borysow e Furtado (2013);

Acesso e equidade: Avaliação de estratégias intersetoriais à população em situação de rua, foi possível levantar apontamentos sobre direitos humanos para a população em situação de rua em sofrimento mental.[...] Os serviços de saúde mental apresentavam dificuldades em se adequar às necessidades dessa população, que devido ao modo de vida itinerante e a valores específicos sobre o consumo de substâncias psicoativas, não se vinculavam aos serviços fixos e aos tratamentos (BORYSOW E FURTADO, p.33-50, 2013.)

Essa avaliação nos mostra os obstáculos, oriundos das condições de privações de direitos e vulnerabilidade inerentes a essa população, que acabam por privá-los dos atendimentos e da  reabilitação psicossocial que necessitam. Isso nos serve para apontar a falta do acesso e intersetorialidade no atendimento a essas pessoas, incluindo aquelas com transtorno mental grave. Faltam atendimento nas redes públicas de saúde mental, e a necessidade urgente de inaugurar e executar o acesso e inclusão dessas pessoas às redes públicas de saúde.

Apontamos o significado e a experiência de Curvo e Souza, (2013), com o Programa Consultório na Rua (CR) do Ministério da Saúde (MS) para a população em situação de rua (PSR):

Consultório de rua (CR), criado como resposta do direito à saúde para a população em situação de rua (PSR), o (CR) visa um cuidado mais equânime, integral e participativo. De forma itinerante e multiprofissional, realizamos intervenções in loco e encaminhamentos para a rede de saúde e intersetorial, visando acessibilidade e autonomia dentro da lógica da redução de danos, da educação popular e da promoção à saúde, no âmbito da atenção básica do (SUS). [...] serviço itinerante e realiza ações em lugares públicos urbanos abertos às múltiplas (des) territorialidades e (des)encontros, somado à multiprofissionalidade da equipe e às características da (PSR) – que carrega o peso de ser uma das mais emblemáticas expressões da questão social – como condicionante de um novo setting terapêutico, impondo novos elementos, que podem  servir tanto de potência como de ruína terapêutica, dependendo (em parte) de como os instrumentalizamos clinicamente (CURVO E SOUZA, 2013).

Acreditamos que o setting nos espaços da rua pelo (CR), abre aos psicólogos espaços possíveis para o acolhimento dessas pessoas, como citou CURVO, dependerá em parte da instrumentalização do psicólogo. Para Borisow, aqueles com transtorno mental grave, necessitam do acesso e a intersetoriais na rede de saúde. E também nos espaços públicos; receberem proteção na tentativa de minimizar tantas agressões de quem são vítimas.

4.2 Vínculos, contribuições e desafios:

Vínculos apontados no Manual sobre o cuidado à saúde junto à população em situação de rua (MCS-PSR, 2012):

Estabelecer vínculos é uma aprendizagem possível e uma dimensão humana que podemos desenvolver. Alguns pressupostos são necessários: o despojamento e a empatia, a capacidade de compreender sem julgar e o respeito, que estabelece limites.[...] A convivência com a população em situação de rua ensina a caminhar sempre, sem desanimar, e a construir caminhos partilhados. Mesmo quando se tem pressa, como em situações de saúde e aderência ao tratamento, não é o cuidado não utilitarista, mas a resposta que humaniza e vincula que pode oferecer as melhores conquistas.[...] Muitas vezes, vemos o problema como se nele se esgotasse a pessoa. Sempre repetimos, por exemplo, o problema não é o crack, é a vida.[...] Quando a população em situação de rua percebe o cuidado para consigo, é que você olha para a vida, e não só para a ferida, ela se deixa ver. A ferida ou a doença é mais do que a dor de estar doente, é a dor de existir na situação que provoca essa dor e sobreviver assim (LANCELOTI, 2012 p.27).

O cansaço dessa população em situação de rua em ser tratada de maneira fria e tecnicista;

A população em situação de rua desafia nossa capacidade de aceitação e convivência. Os que mais necessitam, os que estão em situação de maior risco, muitas vezes, são os que mais resistem, são também os que mais nos humanizam e preparam para as melhores ações. Vinculação também é escolha, é seleção. Escolhamos, pois, os que nos humanizam e disponibilizam, sem medo. Um bom profissional é em primeiro lugar uma pessoa, que humaniza a vida! (LANCELOTI, 2012 p.27).

Contribuições  à  população  pelo  Conselho  Regional  de  Psicologia (CRP), O projeto Criação e Pesquisa em Fotografia trecho 2.8 (2010);

Criação e Pesquisa em Fotografia, para colocar em evidência as brutais desigualdades que tendem a ser ignoradas pelas elites em uma cidade rica como São Paulo. O nome do projeto aproxima referências de dois mundos socialmente distantes: de um lado, a palavra "trecho", associada à "trecheiro", de outro, "2.8", a abertura de diafragma de máquinas fotográficas, um item de tecnologia que durante anos esteve restrito a classes mais abastadas. Aponta: dar a um grupo de moradores em situação de rua a oportunidade de, pela fotografia, alcançar um status cidadão. A concretização do Trecho 2.8 aconteceu por meio de uma parceria entre o Instituto Brasis Estudos e Ações e o Gens Instituto de Educação e Cultura. Coordena juntamente com Gracia Lopes Lima, o  psicólogo  Edson  Fragoaz, Desde abril de 2010, os participantes se reúnem duas vezes porsemana, as segundas e quartas-feiras, numa sala do Instituto Brasis, no centro de São Paulo.

Contribuições: Sindicato dos Psicólogos de São Paulo (SINPSI) – publicação: O Teatro Espontâneo Extramuros (1984);

Extramuros: propõe-se a ajudar as pessoas a romperem os limites dos seus egos e atingir o coletivo. Bem longe das quatro paredes de um consultório, os psicodramatistas do grupo realizam teatro espontâneo em ruas e espaços abertos da cidade de São Paulo. “Os psicólogos devem abrir espaço para uma atuação social mais ampla. Pretendemos ajudar cada indivíduo a pensar, em grupo, coisas que sozinho ele talvez não consiga. Queremos ampliar os horizontes do psicodrama e que, em vez de esperar que a comunidade venha até os psicodramatistas, nós nos dirijamos a ela”. relata a psicóloga Regina Monteiro, O método do teatro espontâneo consiste em criar uma peça, sem roteiro predefinido, na qual o público atua como autor e também como ator. contando a história do criador do psicodrama, o austríaco Jacob Levy Moreno.

Contribuições; no artigo “Quem vocês pensam que (elas) são? Representações sobre as pessoas em situação de rua”, Mattos e Ferreira, (2004), apontam:

“A publicação mensal do jornal: “O Trecheiro”: notícias do povo da rua” opinam que “O trecheiro”, constitui um excelente meio de comunicação realizado com e para a população em situação de rua da cidade de São Paulo. O Trecheiro, é editado pela “Rede Rua “. Disponível em: www.rederua.org.br com o intuito de dar vez e voz ao povo da rua, sendo um instrumento de comunicação dos acontecimentos vivenciados nas ruas paulistanas. Possui uma linha editorial calcada na denúncia e discussão de estratégias para a assistência à população em situação de rua e apontam algumas representações da população em situação de rua: Pessoa em situação de rua como “vagabunda”, “como louca” [...] há também o “discurso psiquiátrico, segundo denominação[...] que as identificas como doentes mentais, loucas e desviantes sociais. Este conteúdo, difundido no senso comum, assume que a mendicância pode ser considerada, de modo geral, como gênese e produto de distúrbios de personalidade, doenças mentais ou psicopatia. “Como suja”. “Como perigosa” e “Como coitadinha” (STOFFELS, 1977 apud MATTOS e FERREIRA, 2004, p.50-51).

Desafios: a experiência do psicólogo MACERATA, Ação Rua;

[...] destinado ao atendimento de crianças e adolescentes em situação de rua. Tal serviço denomina-se “Ação Rua” e tem como objetivo a “proteção”, a “garantia de direitos”, a “construção de um projeto de vida” para as crianças e suas famílias a que visa atender. Parte da Política  de  Assistência  Social e  da rede  de proteção à infância  e  juventude,  o  serviço  coloca-se  como  diretriz  o  não recolhimento desses jovens da rua. Ele visa trabalhar seu retorno para casa ou para um espaço alternativo pela via do “convencimento”, pela “produção de alternativas” ao viver na rua.[...] seria por um problema do próprio sujeito que ele estaria nessa condição, fazendo da solução um ajuste sobre seu modo de ser?, essas pessoas poderiam, desejariam, deveriam mudar sua situação?, de qualquer forma, para atender à demanda de quem estaríamos trabalhando? Havia, contudo, um ponto que parece ainda inquestionável: a concretude da situação crítica e difícil vivida por esses jovens. (MACERATA, 2007 p.27)

As contribuições e os desafios da psicologia denotam sempre atenção às pessoas, e com as pessoas em situação de rua, o desafio é estabelecer vínculos sabendo que o fenômeno (PSR) é extremamente complexo. Como sugeriu MACERATA, seria por um problema do próprio sujeito que ele estaria nessa condição, fazendo da solução um ajuste sobre seu modo de ser?, essas pessoas poderiam, desejariam, deveriam mudar sua situação?.

Por que essa população não para de crescer?. São questões surgidas sem respostas.

4.4 Possibilidades à população em situação de rua.

A vivência no projeto: Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde (VER-SUS). Objetivo do Projeto:

Reafirmara saúde como direito social, fortalecendo uma consciência sanitária. Situar a luta pelo direito à saúde no debate ampliado do fortalecimento da cidadania; Compreender a relação Estado/Sociedade no contexto do Direito à saúde; Compreender o conceito ampliado de saúde; Expandir como um instrumento de apoio à formação dos estudantes e de construção da hegemonia de um projeto de sociedade: includente, democrática e plural. Conta com o Ministério da Saúde (MS), através do Departamento de Atenção Básica (SAS) e, do Departamento de Gestão da Educação na Saúde (SGTES) e da sua rede de parceiros, trazendo diretrizes que convergem com as atuais políticas prioritárias. Com redes de atenção à saúde nas diversas regiões de saúde, tendo a atenção básica como organizadora do processo de cuidado. Considerando o Decreto Nº 7.508/2011 e alguns conceitos trazidos nele e pelas políticas prioritárias construídas pelo Ministério da Saúde em parceria com Conselho Nacional de Secretários de Saúde(CONASS) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde(CONASEMS): O projeto reúne multiprofissionais e futuros multiprofissionais da saúde incluindo a participação popular e o controle social da saúde. Servindo-se de modelo, além das vivências, nas Unidade Básica de Saúde- UBSs, Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), Centro de Referência (CR), Centro de Referência em Saúde do Trabalhador(CEREST), Hospital Municipal (alta complexidade), Unidade de Pronto Atendimento(UPA) 24 horas, Pronto Socorro (PS) e, visitação domiciliar. Para tanto é nos espaços de vivência do VER-SUS, que os diversos profissionais da saúde abrem as rodas de discussões, na presença dos estagiários, além de temas específicos relacionados à saúde da população, discutem problemas da ambiência da região e toda territorização atinentes às questões próprias dos atores sociais; os médicos (psiquiatras, generalista e diversas especialidades), enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos, fisioterapeutas,  nutricionistas e  agentes  comunitários  da  saúde envolvidos, discutem à saúde da população para preparação do novo profissional da área da saúde [02].

Na região de Diadema/SP, nossa vivência por imersão com a equipe multidisciplinar da Secretaria da Saúde abordouestudos relacionados à promoção, prevenção e tratamento da saúde do indivíduo e da população para melhoria da qualidade de vida (atenção primária). Foi apresentado mapas de oficinas de territorização. Estilo de vida próprio de cada região, 20 Unidades Básicas de Saúde (UBS) e suas divisões. Os conflitos e o período de realizações da Saúde Pública e Saúde Mental, a estrutura das UBS e o percurso do usuário, ao Centro de atenção Psicossocial (CAPS II e III, AD) e o Núcleo Assistencial de Saúde da Família (NASF), a Vigilância da Saúde, Sanitária, Ambiental, Epidemiológica e Controle de doenças, Controle de Zoonose e ainda ambiência do trabalho e prevenção de doenças: Doenças Sexualmente transmissíveis (DST), Síndrome da imunodeficiência Adquirida (AIDS), Hepatite e parceria com Conviva Educação: Ambiente Virtual de Apoio à Educação Municipal (CONVIVA).

Foi apresentado levantamento dos Índices de mortalidade infantil e tuberculose (reduzido em Diadema), Redução das disparidades no atendimento de saúde entre grupos e o melhor investimento da saúde para o acesso a serviços de saúde preventiva para todos os usuários na rede de serviços no sistema de saúde nacional. Na tentativa de atender a demanda dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos agentes do Centro de Referência (ACR). Foi explanado sobre estrutura funcional da farmácia, bem como atribuições do farmacêutico, do técnico e do auxiliar de farmácia e sua importância dentro da Secretaria e suporte às UBS. Relação usuário e fármacos e toda implicância do mau uso da medicação. Preocupação humanitária do farmacêutico e conscientização da qualidade de vida.

Sensibilizados individualmente cada agente social, de forma que possa incrementar os processos de transformação ao voltarem ao seu local de atuação para inserção social.  Deverão executar na área da saúde a vivência do estágio por imersão do VER-SUS colocando em prática o que se aprende, apreende e experimenta com os profissionais da saúde nos atendimento às diversas populações, os Agentes Comunitário de Saúde (ACS), prestam importante atendimento e acolhimento a população, procuram dar acesso e incluir essa população na rede de atenção à saúde, só que não depende apenas desses profissionais, mas ainda das Políticas Públicas Nacionais que precisam atuar para a inclusão das pessoas em situação de rua. Para isso será necessário preparar mais profissionais nos programas de saúde, com humanização e promover a cultura de paz para efetivamente agir e minimizar o sofrimento dessas pessoas.

Constatamos a excelente experiência de Enfermeiros ao fazer visitas com os agentes comunitários de saúde, e reencaminhar o/a usuário/a, no atendimento da UBS. Outra experiência muito importante foi conhecer o trabalho de agente comunitário da saúde do setor de Redução de Danos (DN) à comunidade de alta vulnerabilidade (profissionais do sexo feminino e masculino) em boates e prive, levando a conscientização e preservativos para uso com os clientes, evitando assim maior contaminação de doenças como a (DST), a (AIDS), a Hepatite e a tuberculose. Escutamos também o psicólogo que trabalha com os infectados, com os usuários do CR, com a equipe multiprofissional da saúde, com enfermeiro e com a dentista que realizam a difícil tarefa em dar a “noticia” ao usuário infectado, mas infelizmente não atende a população em situação de rua.

A excelente infra-estrutura do VER-SUS, retratamos pela nossa vivência por imersão experiência no período do estágio, apontamos inclusive, mesmo com excelente trabalho específico, das diversas áreas da saúde,nem assim os Centros de Referências (CR), atendem pessoas em situação de rua. Constatamos ainda,que o Consultório de rua (CR) programa do Ministério da Saúde (MS), que abre novos campos de trabalho para psicologia no atendimento com essa população, não foram nem citados. Não existe ainda na região de Diadema/SP, talvez nem em outras regiões classe D e E, profissionais e materiais  suficientes,  para  o  atendimento  à  população  em situação de rua, por isso essas pessoas não chegam às redes de atenção à saúde.

Os princípios e diretrizes do VER-SUS/Brasil, oferecem cenário de aprendizagem e trocas de experiências, afinados com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).Busca estimular a atuação no controle social em saúde, discussões relativas à integração entre educação e trabalho na saúde, articulando os gestores, trabalhadores e instituições formadoras na perspectiva da reorientação das práticas de ensino e de atenção. Contribui para o amadurecimento da prática multiprofissional e interdisciplinar. Para favorecer a discussão de campo e núcleo de saberes e da integralidade da atenção em saúde.

Projetos e ações; I Fórum Brasileiro de Direitos Humanos e Saúde Mental (2013), Com o objetivo de debater com os diferentes agentes sociais, as questões referentes aos Direitos Humanos e a Saúde Mental em suas implicações transversais com os temas como População de Rua, Uso Abusivo de Crack, Assistência na Reforma Psiquiátrica, Políticas de Encarceramento, Saúde e Violência em relação a Juventude Negra, Ampliação da Rede de Atenção Psicossocial, Cultura, Economia Solidária, Democratização da Comunicação, Redução de Danos entre outros. Citamos o Ministério Público Federal; (MPF) Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) e o Conselho Federal de Psicologia (CFP);

O Ministério Público Federal - Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF) integrou as atividades do I Fórum Brasileiro de Direitos Humanos e Saúde Mental, realizado nos dias 5 a 7 de setembro, em São Paulo. Organizado pela Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme), [...] Também esteve em foco à implicação dessas duas áreas temáticas em questões como a política nacional de drogas, a democratização da comunicação e a  luta antimanicomial. [...] A conselheira Sandra Amorim, [...] acredita que o Fórum reafirmou o compromisso da Psicologia em um momento de diversos retrocessos no campo da saúde mental, em especial em relação aos usuários de drogas ilícitas.[...] “A realização deste Fórum configura-se como uma iniciativa fundamental para o enfrentamento das práticas de anulação, desrespeito e violência contra aqueles que deveríamos cuidar e garantir os direitos humanos”[...] “Destaca ainda que a legislação brasileira preconiza uma cidadania para todos e a garantia   dos   direitos   humanos,   inclusive   para   as   populações vulneráveis. “Ocorre que a nossa sociedade resiste aos avanços e insiste nos manicômios, no encarceramento e nas práticas higienistas”, disse. Outro ponto comum nas discussões, para a conselheira, foi trazer à tona a questão do cuidado como elemento fundamental e do sujeito como um ser autônomo e protagonista de sua própria história e não como mero objeto de intervenção.”

A realização do I Fórum Brasileiro de Direitos Humanos e Saúde Mental consolida o Art. 3o do DECRETO Nº 7.053 DE 23 DE DEZEMBRO DE 2009. Que responsabiliza os entes da Federação que aderirem à Política Nacional para a População em Situação de Rua em instituir comitês gestores intersetoriais, integrados por representantes das áreas relacionadas ao atendimento da população em situação de rua, com a participação em fóruns, movimentos e entidades representativas desse segmento.

5. Justificativas

Como futura psicóloga, acredito que ao realizar uma pesquisa documental com tal relevância com a população em situação em rua (PSR), torna-se imprescindível, à medida que incentivará outros agentes sociais a buscar e finalmente conquistar a inclusão, a inserção e a promoção da cultura de paz, dessa população em extrema vulnerabilidade.

Serve-se de alerta às redes de atenção à saúde, e outras áreas necessárias; como por exemplo, educação, a segurança pública, do trabalho e habitacional, para se cumprir as diretrizes das autoridades; Conselho Nacional de Justiça – (CNJ), Políticas Públicas e Nacionais, para a inclusão social, acesso e intersetorialidade.

O trabalho acadêmico em fórum e seminário, valoriza os caminhos percorridos, e aqueles a percorrer. Apontam ainda os vínculos, contribuições e desafios das (os) psicólogas (os) e multiprofissionais que atuam diretamente com essas pessoas, para incentivar a produção de novos conhecimentos e saberes genuínos sobre essa população. Torná-las protagonistas, abre-se um caminho possível e histórico dado à importância do ser humano e, novos os agentes sociais a se envolverem e a agirem em prol dessa população. Há muito por fazer.

Acrescentar à psicologia resultados que incentive a assumir o papel de acolhimento a (PSR), Apontar os espaços nas ruas existentes e possíveis e romper barreiras. Mesmo as pessoas que muitas vezes, não sairão das ruas, ainda assim, necessitam de cuidados. Compreender o quão importante se faz a troca de experiências na vivência com a população em situação de rua.

6. Objetivos

Objetivos Gerais:

Compreender quais os vínculos, contribuições e desafios da Psicologia e das (os) psicólogas (os) no trabalho com a população em situação de rua.

Objetivos Específicos:

  1. Identificar e analisar materiais relativos ao tema.
  2. Enfatizar os significados que a psicologia produz ao intervir com a população em situação de rua.
  3. Problematizar a compreensão que emerge dos textos em relação:
    • Ao fenômeno - população em situação de rua
    • As características desta população
    • O papel e possibilidades de intervenção da psicologia neste campo.

7. Metodologia

Conforme MINAYO (2009), metodologiamaisqueumadescriçãoformaldos métodos e técnicas a serem utilizadas, indica as conexões e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico e de seus estudos.
O método que será utilizado para a realização deste trabalho é a Pesquisa Documental.

A pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. A única diferença entre ambas está na natureza das fontes. Enquanto a pesquisa bibliográfica se utiliza fundamentalmente das contribuições dos diversos autores sobre determinados assunto, a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, porque ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa (GIL, 2008, p.66).

Segundo Marconi e Lakatos (2005), é um método cujo objetivo, é colocar o (a) pesquisador (a) em contato direto com o que foi publicado acerca do tema estudado.

- Instrumentos da Pesquisa:

De acordo com a modalidade de pesquisa, o objeto da investigação são publicações em livros, periódicos, manuais, cartilhas, revistas, jornais, etc. Para extrair os artigos, consultamos bases de dados científicas disponíveis na Internet.

- Procedimento de Coleta de Dados:

Por meio de pesquisa eletrônica feita através do http://scholar.google.com.br/ iniciamos as buscas por pesquisa direcionada a artigos científicos sobre o tema população em situação de rua.

Encontramos dados da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP, no Centro Latino-Americano e do Caribe- BIREME/OPS/OMS Informações em Ciências da Saúde e Editores Científicos.

Sobre a metodologia do SCIELO,- Publicação eletrônica de edições completas de periódicos científicos; Organização de bases de dados bibliográficas e de textos completos; Recuperação de textos por seu conteúdo; Preservação de arquivos eletrônicos; adoção e índice da norma para a apresentação e estruturação do texto e para apresentação das referências bibliográficas; utilizamos o manual da Associação Brasileira de normas e técnicas - ABNT.

Por ser rigoroso buscamos estabelecer esta pesquisa documental com critério, selecionamos os títulos voltados ao tema e, em seguida, buscamos por pesquisa eletrônica, representação de políticas publica e nacional que respaldam a população de rua. Surgiram as palavras chaves: “população em situação de rua”, “Atenção à população de rua” e “moradores de rua”. Apareceram também combinações; como “crianças abandonadas nas ruas”, “adolescentes em situação de rua”, “representações de pessoas em situação de rua”, “descartáveis urbanos”, entre outros. Buscamos os correspondentes aos vínculos, contribuições e desafios junto à população em situação de rua descritos em língua portuguesa, encontramos também as palavras chaves; “justiça restaurativa” e “cultura de paz”.

Os artigos, publicações em livros, manuais técnicos, produções científicas, revistas, cartilhas, projetos e ações, relacionados ao tema retratam uma parte que complementam esta pesquisa documental.

8. Resultados

Este trabalho pretendeu compreender os vínculos, contribuições e desafios da psicologia e da (o) psicóloga (o) com a população de rua, através do método da pesquisa documental.

Foram apontados cinquenta e três documentos para realização desse trabalho. Sendo; sete artigos, cinco livros, um decreto, um projeto, uma apostila, um manual, dois guias, duas ações reportadas, vinte e quatro links, quatro filmagens de matérias, dois filmes e três sites de diretrizes;

Dos sete; quatro artigos; um sobre Consultório de rua (CR) e os outros três sobre a Justiça Restaurativa, a Mediação e a Conciliação ferramentas possíveis à (PSR).

Dos cinco livros; um sobre a exclusão de (PSR), um sobre Mediação e Conciliação, dois sobre metodologia acadêmica, um sobre a Ciência da Psicologia e um Projeto de Mediação e Conciliação na Cidadania,

Dos três guias; um, sobre o VER-SUS, um sobre matriciamento e um, Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Um decreto n°7053 sobre Política Nacional para inclusão da PSR.

Todos de acordo com  critérios pré-estabelecidos e relacionados ao tema.

O método Análise de Conteúdo, utilizado, pode ser definido como:

Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens (BARDIN, 1979 apud MINAYO, 2004, p.199).

Para seleção do material que seriam utilizados para o presente estudo, realizamos uma pré-análise da pesquisa, para não perder o objetivo central dos documentos coletados para elaboração dos indicadores que orientem a interpretação final.

De acordo com Minayo (2004, p.210), na fase pré-analítica determinam se a unidade de registro (palavra-chave ou frase), a unidade de contexto (a delimitação do contexto de compreensão da unidade de registro), os recortes, a forma de categorização, a modalidade de codificação e os conceitos teóricosmais gerais que orientaram a análise.

Em conformidade com a metodologia escolhida, os documentos foram analisados e agrupados para depois fazer um recorte dos resumos a serem transformados em todas as unidades de registro visando alcançar o núcleo de compreensão do texto.

Para a escolha do material buscou-se selecionar aqueles documentos que apresentaram relatos das experiências com a (PSR). para compreender os vínculos, contribuições e desafios.

A coleta de dados mostrou alguns cruzamentos interessantes sobre os vínculos, contribuições e desafios ao atender essa população que nos proporcionou o entendimento das diretrizes possíveis para amparo à (PSR).

As categorias se tornaram a base para a compreensão de como se dá as vivências dos psicólogos que atuam com (PSR). Levando em consideração ações relatadas nessa pesquisa documental em materiais distintos apontados nas tabelas 1 e 2, classificando os artigos, livros, revistas, e outros documentos, todos agrupados por simples categorias de projetos e ações.

Com a tabela ordenada, o passo seguinte foi demonstrar as unidades de registro, de modo simples que permitissem colocar em relevância as informações obtidas.

Realizamos o levantamento através de análise temática;

Tabela 1 - Projetos e ações

PROJETOS E AÇÕES

PSICÓLOGA(O) AGENTE

VÍNCULOS

CONTRIBUIÇÕES

DESAFIOS

PASTORAL DO POVO DE RUA

AGENTES RELIGIOSOS

ACOLHIMENTO

ALÍVIO FÍSICO

VOLTAREM AOS SEUS LARES

BANHO FRATERNO

VOLUNTÁRIOS

ACOLHIMENTO

ALÍVIO FÍSICO

ENCAMINHA MENTO AOS ALBERGUES E OUTROS

SECRETÁRIA MUNICIPAL DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL

EQUIPE SAÚDE DA FAMILIA

ACOLHIMENTO

MATRICIAMENTO

SENSIBILIZAÇÃO VISITAS DE RUA

ATIVIDADE DE CAMPO

ESTAGIÁRIA DE PSICOLOGIA (ANJOS)

OBSERVAÇÃO

DADOS           PARA ESTUDO

REALIZAÇÃO DE PROJETOS  E AÇÕES EM
PROL DA PSR

ACESSO E EQUIDADE INTERSETORIALIDADE

PSICOLOGOS (BORYSOW E FURTADO)

ESCUTA PSICOLÓGICA E
TÉCNICA

AVALIAÇÃO DE CAMPO PARA ESTUDO

REABILITAÇÃO SOCIAL

CONSULTÓRIO DE RUA

PSICOLOGOS (CURVO  E SOUZA)

ACOLHIMENTO E CUIDADO INTEGRAL

ACESSIBILIDADE E REDUÇÃO DE DANOS

NOVO SETTING TERAPÊUTICO

MANUAL SOBRE O CUIDADO À SAÚDE JUNTO  COM PSR

PSICÓLOGO (LANCELOTTI)

CONVIVÊNCIA  COM  A PSR ACOLHIMENTO EMPATIA

PRODUÇÃO CIENTÍFICA

PSR CUIDAR- SE E OLHAR SUA VIDA.

PROJETO DE PESQUISA EM FOTOGRAFIA TRECHO 2.8

PSICÓLOGO (FRAGOAZ) PARCERIAS COMINSTITUTOS BRASIS E GENS.

POSSIBILIDADE DE GANHOS FINANCEIROS

EVIDENCIAR  AS BRUTAIS DESIGUALDADES SOCIAIS.

MANTER AS MESMAS PESSOAS DA PSR NO PROJETO.

EXTRA-MUROS: A LOUCURA SOLTA NAS RUAS TEATRO ESPONTÂNE O NAS RUAS

PSICOLÓGA E PSICODRAMATISTAS (MONTEIRO)

DESPERTA REPENSAR PSR EM GRUPO, AQUILO QUE NÃO CONSEGUEM SOZINHA

AMPLIAR PSICODRAMA  NOS HORIZONTES ABERTOS        DAS RUAS.

PSR ROMPEREM SEUS LIMITES PARA ATUAR NO COLETIVO.

JORNAL  –  O TRECHEIRO

PSICÓLOGOS DIVERSOS

PUBLICAÇÕ ES  COM  A PSR (DENUNCIA E DISCUSSÃO DE ESTRATÉGI AS)

MEIO DE COMUNICAÇÃO COM   E   PARA   A PSR

DAR VEZ E VOZ A PSR

AÇÃO RUA – ATENDIMENTO ÀS CRIANÇAS E ADOLESCEN TES PSR

PSICÓLOGO (MACERATA)

POLÍTICA DE ASSISTÊNCI A SOCIAL E DA      REDE DE PROTEÇÃO À  INFÂNCIA E JUVENTUDE, DIRETRIZ O NÃO RECOLHIMENTO DESSES JOVENS  DA RUA.

PRODUÇÃO CIENTÍFICA

TRABALHAR O RETORNO PARA CASA OU PARA UM ESPAÇO ALTERNA- TIVO.

Tabela 1. Projetos e ações;

02 (duas) – Instituições de apoio (Pastoral do povo de rua e Banho Fraterno).

01 (uma) – Secretária Municipal (Gestores Municipais)

02 (dois) – Ministério da Saúde (Consultório de rua e Manual de cuidado à saúde à PSR).

02 (duas) – Pesquisas de Campo -(Produção Científica).

01 (uma) – Atividade de Campo – (Estudos acadêmicos).

01(um) – Teatro - (Psicodrama – A loucura solta nas ruas).

01 (uma) – Mídia -. (Jornal Trecheiro).

01 (um) – Projeto Fotografia – (Incentivo financeiro).

Conforme apontamento da tabela 1; Compreendemos que em todas as ações com a (PSR), é possível se criar vínculos, dependerá muito mais da humanização da (o) psicóloga (o). Seja através do acolhimento para banho e café com pão; através das visitas nas ruas pelas equipes de saúde da família, o setting terapêutico nas ruas pelos psicólogos dos consultórios de rua, a conscientização do cuidar de si em ações de rua, o psicodrama através do teatro nas ruas, as ações do projeto fotográfico para registro das condições desiguais na sociedade.

A (o) psicóloga (o) precisará abandonar suas convicções morais e religiosas, olhar esse sujeito como ser humano e assim realizar a escuta psicológica eficiente com eles; deverá ocupar eticamente inúmeros espaços para inserir e integrar essa população, apoiando e aprimorando o sistema psicossocial existente, atuando sempre em defesa das pessoas e seus direitos humanos para o enfrentamento da violência física, psicológica e sexual sofrida.

Tabela 2 - Possibilidades à população em situação de rua.

PROJETO

OBJETIVO DO PROJETO

INCLUSÃO DA (PSR )NO PROJETO

VER-SUS/BRASIL - DESENVOLVIDO PELO MINISTÉRIO DA SÁUDE

OFERECER A ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
VIVÊNCIAS E ESTÁGIOS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

PREPARAR OS ESTUDANTES
/AGENTES PARA O ATENDIMEN- TO (PSR).

ODM – OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILENIO -SÃO UM CONJUNTO DE OITO DIRETRIZES ESTABELECIDAS COM BASE NA DECLARAÇÃO DO MILÊNIO, ASSINADA PELA (ONU).

1-ACABAR COM A FOME E A MISÉRIA, 2- EDUCAÇÃO BÁSICA E QUALIDADE PARA TODOS, 3- IGUALDADE ENTRE SEXOS E VALORIZAÇÃO DA MULHER, 4-REDUZIR A MORTALIDADE INFANTIL, 5- MELHORAR A SAÚDE DA GESTANTE, 6- COMBATER A AIDS, A MALÁRIA E OUTRAS DOENÇAS, 7- QUALIDADE DE VIDA E RESPEITO AO MEIO AMBIENTE, 8 – TODOS TRABALHANDO PELO DESENVOLVIMENTO DO MUNDO.

(PSR) DEVE SER DISCUTIDA NAS AÇÕES REALIZADAA NOBRASIL E NO MUNDO.

CNJ – CONSELHO NACIONAL DA JUSTIÇA - MEDIAÇÃO NO JUDICIÁRIO. RESOLUÇÃO Nº 125/2010

JUSTIÇA RESTAURATIVA - É UM PROCESSO ATRAVÉS DO QUAL TODAS AS PARTES AFETADAS E INTERESSADAS EM UM CONFLITO ESPECÍFICO (INTERSUBJETIVO, DISCIPLINAR OU

MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO NO JUDICIÁRIO É UM INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO SOCIAL. E A JUSTIÇA RESTAURATIVA SE INTERESSA PELA CULTURA DE PAZ.

CULTURA DE PAZ – E VINCULOS FAMILIARES.

Tabela 2.

Diretrizes de amparo e acesso à PSR;

VER-SUS, CNJ – JUSTIÇA RESTAURATIVA E ODM.

A inclusão de (PSR), nos projetos sociais e acesso ás redes de saúde públicas existentes, se faz necessário. para minimizar o sofrimento dessas pessoas nas ruas. Outro ponto importante; é a prática da Cultura de Paz, fazer valer a Justiça Restaurativa e ferramentas como a Mediação e Conciliação que é um instrumento de intervenção social para mudar a cultura punitiva. Baseamo-nos nas diretrizes apontadas, nos documentos de referência sobre o desenvolvimento mundial, artigos científicos, política nacionais, sociais, redes de saúde pública, projetos e ações, para que contribuam verdadeiramente com essas pessoas.

9. Considerações Finais

Essa pesquisa documental tem a finalidade de evidenciar o importante papel da psicologia, ciência por excelência que leva em consideração todos os aspectos psicológicos de enfrentamento e sofrimento de cada pessoa na atuação com a população em situação de rua.

Compreendemos em cada projeto e ação, foi possível estabelecer vínculos. Nos espaços das ruas, contatos de acolhimento formados, passaram a se olhar como pessoas e a terem um cuidado consigo mesmas.

Através dos projetos e ações apresentados, mostramos quais os desafios e as contribuições para a melhoria da vida dessas pessoas. Experiência e aprendizado aos envolvidos. Evidenciamos novos horizontes abertos, desafiando o limite próprio de cada ser humano.

O contexto histórico iniciou com o amparo das iniciativas religiosas. Surge depois a Política Nacional para Inclusão Social da (PSR), que precisa ser potencializada por não cumprir ainda seu papel de inclusão, e a proposta de igualdade social.

Constatou-se a importância de participar do I Fórum Brasileiro de Direitos Humanos e Saúde Mental, entre os dias 05 á 07 setembro de 2013, foi discutido as questões referentes aos Direitos Humanos e a Saúde Mental. Conhecer agentes sociais atuantes com a PSR, além da troca de saberes, apreciar suas avaliações sobre as Políticas Públicas e Nacionais para a (PSR), enfatizamos a importância de novos fóruns para fortalecer e estreitar as lutas dos movimentos sociais em defesa da (PSR).

A cultura de paz abre um caminho possível para se pensar na justiça restaurativa e subsidiar essa população. Seguir em frente para apoiar e aprimorar os sistemas psicossociais existentes, entonar a voz dessa população, além de atuar nas causas de inclusão social, acesso, equidade e intersetorialidade para garantir os seus direitos humanos.

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http://comitepaz.org.br/download/99%20f%C3%B3rum.pdf

http://www.youtube.com/watch?v=yDVMl3KI43Q - Filho da Rua - Por Letícia Duarte e Jefferson Botega - Zero Hora

http://www.youtube.com/watch?v=ek9iWTv3hig - Consultório na Rua - A rua não é um mundo fora do nosso mundo

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