Representação Social e Reforma Psiquiátrica Numa Visão Psicanalítica

Representação Social e Reforma Psiquiátrica Numa Visão Psicanalítica
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Resumo: Este artigo sugere uma reflexão teórica acerca da representação social e a reforma psiquiátrica; conforme os teóricos Pereira et al (1998), Foucault (1979, 1993, 2004), Marinoff (2001), Delgado (1991), Solomon (2002), Lougon (1993), Dalmolin (2000), Cordás (2002), Basaglia (1995) e Miller (1967), a exclusão e isolamento dos doentes mentais como crença do pensamento médico do adoecimento como patologia física irreversível gerou uma institucionalização e medicalização gerando violência institucional no modelo de avaliar os doentes mentais. Ribeiro (1999), Amarante (1998), Rocha (1994), Fernandes (1982), Silva (2003), Bandeira et al (1994), Barros (1996), Rotelli & Amarante (1992, 2003), Holmes (1997), Montero (1985),  Costa-Rosa (2000), Simon (1992), Goffman (1963), Link et al  (1999), Lauber et al (2004) e Corrigan e Gelb (2006) afirmam que a reinserção social do doente mental na comunidade depende de investimentos e de propostas de serviços alternativos e de desconstrução do conceito de “doença mental”, inclundo a remoção de estereótipos negativos da mídia. Andrieu (2006). Jodelet (1982, 1984, 1986, 1994), Moscovici (1978), Vala (1993), Perrusi (1995), Alexander (1987), Perrusi (1995) e Ohana, Besis-Monino e Dannenmuller (1982) falam das mudanças em meio a  representações sociais, que agrupam significados de pessoas que tentam entender o fenômeno psíquico, social,  formado por imagens e símbolos, cuja realidade é  produto e processo de interação e mudança social, envolvendo o corpo (imagem externa), visando prevenir a deterioração e manter o equilíbrio psíquico e a conservação da estética. Durkheim (1986), Moscovici (2010), Bower (1977), Dubar (1997), Bhaskar (1996), Rouanet (1996),  Beck (1999, 2000), Giddens (1994, 1997), Taborda (1996), Motta (2001), Maffesoli (1985) e  Marx (1963) postulam que as diferenças individuais envolvendo socialização e internalização de valores, originam mecanismos de controle social, nos critérios e formas de sanção e recompensa, onde o medo,  na crise da modernidade está relacionado ao risco de agressão e de exposição social, aonde se vive em constantes mutações  de atitudes emocionais. Charlot (2000), Sarti (1996), Chaves et al (2002), Oliveira & Bastos (2000), Cole M. e Cole S. (2004), Devries et al. (2004), Marturano (2002), Lipovetsky (1989), Wahl (2003) e Corrigan & Kleinlein (2005) tratam da essência do humano nas relações sociais, constituindo um filtro por meio do qual traduzem o mundo social, isto é, o conflito entre os valores antigos e o estabelecimento de novas relações, laços afetivos no fenômeno da “socialização”,  constituída pela diversidade de interações entre as pessoas, na busca de informações pelo processo de comunicação, combatendo  as falsas imagens sobre doenças mentais, apresentadas ao público, que criam barreiras para a inserção social dos doentes mentais. Wagner, Halpern & Bornholdt (1999), Piaget (1987), Szymanski (2001), Kreppner (2000), Berger e Luckmann (1985), Médici (1961), Petzold (1996), Kancyper (1999), Campos (2000), Weiner (2000), Exner (2003), Vygotsky (2001, 2003), Bom Sucesso (2000), Sisto (2002), Koga (1997), Quartilho (2001), Borges & Argolo (2002) e Melmam (2002), abordam sobre as mudanças por assimilação e acomodação de esquemas mentais diversificados, aonde a família exerce significativa influência no comportamento dos indivíduos que aprendem as diferentes formas de existir, de ver o mundo e construir suas relações sociais.

Palavras-chave: Representação Social, Reforma Psiquiátrica.

1. Introdução

1.1 Conhecendo um pouco do processo histórico de Interação social de pessoas portadoras de doença mental

Como entender a exclusão e isolamento das pessoas acometidas de doenças mentais?  Como a institucionalização e a medicalização estão inseridas nessa realidade? O que dizer da reinserção social do doente mental na comunidade? Como entender as relações entre os mecanismos de controle social e as constantes mudanças emocionais e relacionais? Qual a melhor visão a ser dita sobre pessoas portadoras de doenças mentais? Segundo Pereira et al (1998), o entendimento sobre o adoecimento mental como distúrbio do sistema nervoso no século XVII não fez cessar a exclusão e isolamento dos doentes mentais, pois a crença concebia o fato de que família e a sociedade eram estímulos negativos no tratamento destes. Para Foucault (1979, 2004), o pensamento médico no século XVI via o sofrimento mental como delírios absurdos dos adoecidos, o qual ele e Marinoff (2001), afirmaram que o adoecimento foi visto apenas como patologia física após uma noção dicotômica a partir de Renê Descartes, postulando ser o cérebro, algo distinto da mente, considerada como inconsistência interpretativa invisível ao corpo físico.

Delgado (1991) aceita a idéia de irreversibilidade de um estado patológico, cuja condição de cronicidade resultava na transferência da pessoa para a instituição asilar terminal. Solomon (2002) citou Wilhelm Griesinger, alemão, médico que defendia que as doenças mentais eram doenças cerebrais e que, portanto, careciam de medicação; fato salientado por Lougon (1993) que afirmou que na institucionalização e na medicalização ao doente mental, a ideia de loucura associou-se à exclusão do indivíduo na sociedade, para quem fosse tido como indesejável, fato complementado por Dalmolin (2000) que afirmou que quem era tratado pelo psiquiatra no hospital, era praticamente excluído de sua cidadania. Cordás (2002) abordou o fato da alteração da função nervosa gerar incapacidade de associar ideias e executar julgamentos de decisões, o que parecia fomentar a violência descrita por Basaglia (1995) que fala da violência institucional, mantida pela coerção aos pacientes e sujeição dos profissionais ao modelo interno vigente de prática psiquiátrica hospitalar. Miller (1967) disse que na década de 1960, havia uma dificuldade dos alunos de Medicina em desenvolverem as qualidades pretendidas, bem como em selecionar métodos precisos e fidedignos para avaliar os doentes menos pessoas portadoras de doenças mentais.  Solomon (2002) aborda que tanto o “louco” como o melancólico eram privados do convívio com sua família, sendo internados para serem tratados sem interrupção, visando não gerar incômodos no processo de interação social, pois a alienação não era vista como perda de liberdade e sim uma busca de uma liberdade ao homem através da alienação.

2. Desenvolvimento

2.1 A Estigmatização de pessoas portadoras de doença mental na sociedade e as consequências nas variações de diagnósticos

Ribeiro (1999) afirma que, no século XX houve a consolidação da psiquiatria, ocasionada pelos avanços científicos ao mesmo tempo em que surgiram movimentos sociais desejosos da modificação do atendimento aos doentes mentais. Amarante (1998) afirmou que, no Brasil, a partir da década de 1970, surgiu o movimento de Reforma Psiquiátrica, que busca substituir os manicômios por iniciativas sociais, culturais, políticas, científicas, jurídicas, pretendendo modificar os conceitos relações sociais com as pessoas portadoras de transtornos mentais. Rocha (1994) e Fernandes (1982) tratam das mudanças na assistência psiquiátrica a partir do final da década de 60, com base no relacionamento terapêutico influenciado pelas críticas ao modelo asilar, no desejo de favorecer um ambiente onde a saúde mental pudesse emergir em Comunidades Terapêuticas, tendo como fundamento o treinamento da equipes, cujos relacionamentos estimulariam os pacientes a assumirem papéis ativos e responsáveis. Silva (2003) conceituou a Reforma Psiquiátrica como sendo um projeto sócio-político sobre a assistência psiquiátrica, tentando compreender o processo de saúde-doença mental e o modo tradicional de processar o trabalho como modificando o modelo de assistência. Bandeira et al (1994), a desinstitucionalização e a reinserção social do doente mental na comunidade depende de investimentos em serviços alternativos que apoiem, suportem e ajudem o doente e sua família.

Barros (1996) cita a criação e diversidade de propostas de serviços alternativos à hospitalização como a ampliação da rede de ambulatórios de saúde mental, centros de saúde mental comunitários, hospitais dia/hospitais-noite, pensões protegidas, oficinas de trabalho terapêutico e enfermarias psiquiátricas em hospitais gerais. Rotelli e Amarante (1992) afirmam que na reforma, o conceito de “doença mental” passa a ser desconstruído para dar lugar a nova forma de perceber a loucura enquanto “existência-sofrimento” do sujeito em relação com o corpo social. Dessa forma, parece sintetizar historicamente a verdade das variações conceituais; Holmes (1997), quando diz que o conceito de doença mental vem variando historicamente aonde o entendimento sobre o que é anormal ou não aceitável socialmente, depende dos valores vitais e comportamentais. Montero (1985) afirma que fenômenos relacionados à saúde e à doença mental, refletem à própria natureza dos fenômenos patológicos ou sobre os critérios que o definem no âmbito das relações sociais que as determinam. 

Amarante (2003) afirma que a configuração das práticas em saúde mental da Reforma Psiquiátrica orienta-se em epistemologias que rompe com o paradigma médico-naturalista clássico, na qual Costa-Rosa (2000) aborda sobre um novo lugar social para a loucura dentro do Modelo Psicossocial de Cuidado. Segundo Foucault (1993) no Brasil, o modo psicodinâmico de compreender o transtorno mental, situa o portador do transtorno numa rede de relações onde a história, a família, a constituição do próprio sujeito, dizem mais do que a simples apresentação de sinais e sintomas, fundando uma relação humana entre quem trata e quem é tratado, colocando ambos como atores do processo clínico. Segundo Simon (1992), as atitudes negativas sobre pessoas com deficiência são comumente conceituadas como estigmatização, termo oriundo da partir da palavra grega estigma , significando “marcar algo''. Para Goffman (1963), a teoria da estigmatização é um atributo, ou marca que desacredita a identidade social, procurando definir uma “normalidade” em indivíduos, rotulando pessoas portadoras de doenças mentais com atributos indesejáveis ​​expressos de diversas maneiras, desejando evitar a interação social. Link et al  (1999) revela que a distância social está relacionada a percepções das pessoas de que os indivíduos com doença mental podem ser perigosos. Lauber et al (2004) afirma que a distância social varia de acordo com o diagnóstico psiquiátrico; Corrigan e Gelb (2006) afirmam que várias abordagens têm tentado reduzir a estigmatização de pessoas portadoras de doenças mentais, incluindo a remoção de estereótipos negativos da mídia de massa e através de apresentações baseadas na comunidade por indivíduos que têm uma doença mental.

2.2 A ênfase da representação social do “corpo e mente saudáveis” no processo midiático, alimentando o processo de exclusão de pessoas portadoras de doença mental na sociedade

Devido à temporalidade biológica, a humanidade rejeita a doença que aflige o corpo, buscando uma renovação do aspecto físico corporal, num ideal estético, funcional, incessante por mudanças conforme destaca Andrieu (2006). As mudanças ocorrem em meio a representações sociais, que segundo Jodelet (1986) e Moscovici (1978), são formas de conhecer o mundo, agrupando conjuntos de significados que dão novos sentidos, a um saber compartilhado, generalizado e funcional para as pessoas, chamado de senso comum, decorrentes das explicações do cotidiano. As representações são modalidades particularizadas sobre comportamentos e a comunicação entre indivíduos; seu estudo denota analisar os processos de interação da vida social, teorizando sobre a comunicação e organização dos comportamentos, que segundo Vala (1993), alimentam-se das teorias científicas e dos eixos culturais, ideologias formalizadas, das experiências e das comunicações cotidianas.

Na busca do sentido significativo que envolve o senso comum e a representação social, que se materializa acima dos ideais, pelo fato de se tornar objeto de estudo para as ciências humanas, os cientistas de diversas áreas afins, tentam entender o fenômeno psíquico, social, individual e coletivo, Perrusi (1995), aonde, no desenvolvimento do pensamento social, as divergências teóricas geradas acabaram constituindo as ciências sociais, conforme cita Alexander (1987). Comparando as teorias de Moscovici e Durkheim, afirma Perrusi (1995) que Moscovici apropriou-se do conceito de Durkheim: O significado de senso comum evoluiu para um conceito mais abrangente envolvendo aspectos sociais e psicológicos, fazendo surgir a necessidade de uma consistente e acentuada cognição sobre a necessidade de delimitar o campo de ação do cotidiano.

Para Moscovici, (1978), o senso comum é formado por imagens e símbolos, cuja realidade é dominada pelo “porquê” (em vez do “como”), gerando uma pluralidade de pensamentos naturais espontâneos, contextuais e sociais que dispersam a informação, que induzem a personificação e figuração de imagens.

O conceito social de Moscovici, é, portanto, diferente do conceito coletivo de Durkheim, ao designar uma dinâmica bilateral no processo de constituição, elaboração e partilha da forma de conhecimento social, inserida numa realidade psicológica, afetiva e semelhante ao comportamento individual. Isso denota que o senso comum passa a interagir com a socialização.

Jodelet (1986) defende que as representações são medidas sociais da realidade, produto e processo de uma atividade de elaboração psicológica e social dessa realidade nos processos de interação e mudança social, envolvendo ideologias, simbolismos, atitudes e condutas comportamentais que influem na questão corporal. Jodelet (1984, 1994) trata da importância do estudo do corpo, pelo papel importante nas maneiras coletivas de ver e viver estes modelos de pensamento e comportamento relacionados, onde a imagem externa é uma aparente mediadora do lugar social onde o indivíduo está inserido, do conhecimento pessoal e do outro, de forma relacional. Jodelet, Ohana, Besis-Monino e Dannenmuller (1982) estudaram que a sociedade de um modo geral, se preocupa com a preservação da a saúde, a juventude e a forma física, visando prevenir a deterioração e manter o equilíbrio psíquico e a conservação da aparência estética, como forma de disciplina de boa vontade e de controle moral, visando respeitar as normas sociais, e como intenção sedutora de busca do prazer pessoal e o do outro, tendo rejeição a quem não é visto como sadio.

2.3 A realidade e a representação do risco social envolvendo a violência contra pessoas portadoras de doença mental

Segundo Durkheim (1986), o que fornece unidade à vida social (entendendo o homem como produto da realidade da associação de indivíduos) é o conceito de consciência coletiva, que se manifesta pela minimização das diferenças individuais (preconceitos de julgamentos inconscientes), originando representações coletivas, envolvendo modos de agir, sentir e pensar socialmente como “efeitos” psíquicos, provocados pelos “meios próprios da consciência coletiva”. Ele entende que nessa ação sobre os indivíduos, os “fatos sociais exteriores e anteriores aos indivíduos” exercem poder coercitivo na existência concreta da materialidade manifesta no comportamento dos membros da sociedade, por meio da socialização e internalização de valores, bem como na estrutura jurídica e organizacional da formação social, originando mecanismos de controle social, nos critérios e formas de sanção e recompensa, aonde a mídia se encontra inserida.

Moscovici (2010) trata essas representações sociais como um fenômeno de busca da compreensão de como se formam e se constroem os conhecimentos na identidade dos grupos. Bower (1977) procura conceituar as representações, como um “conjunto de estímulos humanos, que têm, a finalidade de servir como um substituto a um sinal ou som que não pode ocorrer.

Dubar (1997), ao discutir sobre socialização nas representações sociais, as considera como construção individual gradativa de imagens que constituem a diversidade da realidade do sujeito através de reinterpretações sociais. Bhaskar (1996) trata da produção, exteriorização e constituição dessa consciência individual ou coletiva, envolvendo a problemática filosófica no campo da metafísica (relacionando ideias e coisas materiais), no campo perceptivo (relacionando as limitações das paixões e interesses sobre coisas existentes no espaço/tempo quanto à inteligência) e no campo epistemológico, tratando de investigar a atividade humana, do ponto científico e social, denominado de realidade, que Rouanet (1996) trata como uma falsa consciência.

Beck (1999, 2000) afirma que existe uma mudança nos cenários sociais que favorece à “desregulamentação” do social em detrimento de um novo modelo de sociedade: a sociedade do medo, como grande mercadoria para ser exibida no cotidiano. Giddens (1994, 1997) afirma que a crise da modernidade está relacionada, sobretudo, a uma mudança de valores no momento de tomadas de decisão, pessoais ou coletivas, aonde os fundamentalismos constituem uma ameaça ao diálogo, como potencial ou cultura de violência. No Brasil, vários estados têm aprovado legislação sobre a internação psiquiátrica involuntária como dispositivo que prevê que a decisão médica de internar o paciente pode ser avaliada ou revista por junta interdisciplinar designada pelo Ministério Público.

Taborda (1996) entende que para ser realizada uma internação psiquiátrica involuntária deve haver a presença de doença mental (exceto transtorno anti-social de personalidade) e, no mínimo, uma das seguintes condições: risco de auto-agressão; risco de agressão à ordem pública; risco de exposição social; incapacidade grave de autocuidado. Motta (2001) afirma que as mudanças fazem parte da própria humanidade: o homem vive em constantes mutações e em cada mudança ele passa por transformações que lhe conferem nova valorização, novo sentido, novas maneiras de pensar e de agir/interagir com o mundo e com os outros. Os fatos, as ideias, os fenômenos podem se alterar tanto de forma gradual e imperceptível quanto global e estrondosa, fazendo com que a grande preocupação atual seja a possibilidade do ser humano gerenciar o processo de mudança através da intervenção social.

Concorda Maffesoli (1985) afirmando que o cotidiano é um estilo mais abrangente das relações sociais em seu conjunto como projeção concreta de todas as atitudes emocionais, maneiras de pensar e agir, de todas as relações com o outro, pelas quais se define uma cultura. Marx (1963) defende a ideia de que o produto de alguém está relacionado com a individualidade, envolvendo na vida, o prazer individual de sua capacidade e de estar satisfeito de usufruir com consciência de ter mediante o trabalho, atendido as necessidades de outras pessoas, inclusive dos doentes mentais.

2.4 O papel da comunicação na mudança de cenário no processo de inclusão de pessoas portadoras de doença mental na sociedade

Analisando esse processo de construção de relação social, Charlot (2000) adverte que o ser que é igual a todos como espécie, igual a alguns como parte de um determinado grupo social e diferente de todos como um ser singular, não sendo um mero dado, mas uma construção, um processo de desenvolvimento das potencialidades que o caracterizam como espécie, cuja essência originária do indivíduo humano não está dentro dele, mas sim fora, nas relações sociais, sua natureza social.

Sarti (1996) afirma que as relações que estabelecem a qualidade das trocas, os conflitos, os arranjos existentes para garantir a sobrevivência e os valores predominantes são dimensões que marcam a vida de cada um, constituindo um filtro por meio do qual traduzem o mundo social, concordando com Giddens sobre o processo de “filtragem”. Sobre esta busca de satisfação plena de realização de seus objetivos, Chaves et al (2002) falam que os membros de famílias contemporâneas têm se deparado e adaptado às novas formas de coexistência oriundas das mudanças nas sociedades, isto é, do conflito entre os valores antigos e o estabelecimento de novas relações, aonde Oliveira & Bastos (2000) complementam essa idéia, afirmando que os laços afetivos asseguram o apoio psicológico e social entre os membros familiares, ajudando no enfrentamento do estresse provocado por dificuldades do cotidiano.

Cole M. e Cole S. (2004) e Devries et al. (2004) defendem que o fenômeno da “socialização”, tradicionalmente definido como “aprender a conviver com as pessoas”, envolvem processos na dinâmica da “socialização” consistem em processos básicos que abrangem o desenvolvimento integral da pessoa no contexto das práticas diárias de interação social.

Ferreira e Marturano (2002) consideram que as redes de apoio, constituídas pela diversidade de interações entre as pessoas, permitem a construção de repertórios para lidar com as adversidades e problemas surgidos, possibilitando sua superação com sucesso. Concordando com Giddens, na questão da valorização do indivíduo, Lipovetsky (1989) afirma que o que importa é que o indivíduo seja ele próprio, e tudo e todos tenham direito a serem socialmente reconhecidos. Dessa forma, no relacionamento entre indivíduos, influenciar a vida de outro, envolve a busca de informações pelo processo de comunicação, na transmissão do saber, envolvendo superação de dificuldades, aonde a experiência social constrói um exemplo, que pode demonstrar o crescimento, como por exemplo, o familiar, na relação social. Segundo Wahl (2003), falsas imagens sobre doenças mentais, apresentadas ao público, formam atitudes e influenciam comportamentos, podendo criar barreiras para a inserção social de pessoas com doença mental, impedindo o seu bem-estar ; assim, Corrigan e Kleinlein (2005) é fundamental ter um olhar mais crítico sobre as considerações sociais da mídia.

2.5 O aprendizado no processo de interação social com pessoas portadoras de doença mental

Wagner, Halpern e Bornholdt (1999) afirmam que os padrões familiares vão se transformando e reabsorvendo as mudanças psicológicas, sociais, políticas, econômicas e culturais, o que requer adaptações e acomodações às realidades enfrentadas para se aprender desde cedo a administrar e resolver os conflitos, a controlar as emoções, a expressar os diferentes sentimentos que constituem as relações interpessoais, a lidar com as diversidades e adversidades da vida. Para Piaget (1987) esta adaptação é feita por assimilação de esquemas e por acomodação desses esquemas em novas estruturas mentais no processo de aprendizagem, aonde se assimila o que possui uma base de conhecimentos suficientes anteriores. Tomando por exemplo a escola e a família, Szymanski (2001) afirma que a ação apresenta nuances distintos quanto aos objetivos, conteúdos, métodos e questões interligadas à afetividade, bem como quanto às interações e contextos diversificados. De acordo com Kreppner (2000), concordando com Berger e Luckmann (1985) na questão das redes de interações, as famílias asseguram a continuidade biológica, as tradições, os modelos de vida, além dos significados culturais que são atualizados e resgatados, cronologicamente; a família é como um sistema social responsável pela transmissão de valores, crenças, idéias e significados presentes nas sociedades, possuindo um impacto significativo e uma forte influência no comportamento dos indivíduos que aprendem as diferentes formas de existir, de ver o mundo e construir as suas relações sociais.

Médici (1961) que disse que todo o progresso psicológico se realiza através das relações com outrem, principalmente os pais. De acordo com a concepção proposta por Petzold (1996), a combinação derivada do microssistema tem como base as relações diádicas, isto é, como os genitores interagem, com destaque para o grau de intimidade. Concordando em parte com Durkheim, Kancyper (1999) afirma que existe uma ordem simbólica, lógica que precede o nascimento cronológico. Esta ordem é o lugar individual que estará determinado em relação com o sistema da situação do meio familiar.

Segundo Campos (2000), quando a pessoa não se satisfaz com a forma como é e procura projetar seus desejos no outro, ela precisa do outro para ser feliz porque não consegue ser feliz consigo mesma; para o sucesso e realização de qualquer pessoa, a família é indispensável à garantia da sobrevivência, independentemente da sua estrutura, ou da forma como vêm se estruturando. É a família que propicia a construção dos laços afetivos e a satisfação das necessidades no desenvolvimento da pessoa. Ela desempenha um papel decisivo na socialização e na educação. É na família que são absorvidos os primeiros saberes, e onde se aprofundam os vínculos humanos. De acordo com Weiner (2000), os relacionamentos interpessoais interagem com a percepção dos estímulos vivenciados, elaboração e interpretação sobre os mesmos e de conceitualização dos fatos.

Por outro lado, o desajuste social inclui "desinteresse e desvínculo emocional, desconforto no contato com o outro e com situações interpessoais, e, tendência ao distanciamento e sentimento persecutório e/ou de ameaça pessoal frente à interação com o outro, o que denota a questão da importância da afetividade. Exner (2003) ressalta que o afeto abrange uma complexidade de emoções e sentimentos relacionados às atividades interpessoais e sociais como percepção de si e do outro, capacidade de julgamento e pensamento, decisão e de reação aos fatos vivenciados.

Conforme Vygotsky (2003), também conforme Wallon, seus seguidores e outros autores, a afetividade é vital em todos os seres humanos, de todas as idades; está sempre presente nas experiências vividas no relacionamento com o “outro social”, por toda a sua vida, desde seu nascimento. Quando se entra na escola, as reações emocionais exercem uma influência essencial e absoluta em todas as formas de nosso comportamento e em todos os momentos do processo educativo, pois atividades emocionalmente estimuladas, impregnadas de emoção serão recordadas de forma mais sólida, firme e prolongada que algo indiferente.

Segundo Bom Sucesso (2000), o afeto é um ingrediente necessário para se sentir seguro e protegido, necessitando-se de estabelecer relações positivas. Sisto (2002), afirma que é no sistema familiar que são expressas as inquietações, as conquistas, os medos e as metas pessoais. Para tanto, é necessário preservar a individualidade dos seus membros e, ao mesmo tempo, o sentimento coletivo. Isso representa uma forma de apoio mútuo em família."[...] embora não exista uma concordância quanto ao papel desempenhado pelos afetos no processo de conhecer, é consenso o fato de que os estados afetivos interferem no cognitivo, aonde as funções afetivas e cognitivas são de natureza distinta, embora indissociáveis. Vygotsky (2001) afirma que o processo de formalização do conhecimento não é a única fonte que o sujeito possui para aprender, isso está inato às capacidades humanas, conseguindo assim, aprender com qualquer situação vivida. A despeito da questão dos afetos familiares, Koga (1997), comenta sobre três sobrecargas que são impostas sobre a família na convivência com o doente mental: a sobrecarga financeira, a das rotinas familiares e a própria doença física ou emocional.

Quartilho (2001) diz que a perspectiva do doente se relaciona com a sua própria experiência subjetiva e interpretações particulares sobre a origem e o significado dos sintomas, no contexto da sociedade. Borges e Argolo (2002) falam sobre a dificuldade de um consenso sobre o sofrimento psíquico e saúde mental porque as alterações psíquicas não são a mesma coisa que sofrimento psicológico a ser entendido como uma doença ou transtorno mental. Segundo Melmam (2002), a noção de família patológica tem produzido efeitos danosos para ambos, familiares e pacientes, aonde um conjunto de sintomas, possui outras representações de ordem simbólica, moral, social ou psicológica para o doente e a família (que demonstra necessidade de conhecimento sobre a doença, de seus sintomas e efeitos, para enfrentar a doença com mais segurança e menos sofrimento).

3. Considerações Finais da Pesquisa Bibliográfica

A exclusão e isolamento de pessoas portadoras de doenças mentais foi uma representação social oriunda da crença do pensamento médico sobre o adoecimento como patologia física irreversível, ocasionando uma nova representação social envolvendo a institucionalização e a medicalização no modelo de avaliar as pessoas portadoras de doenças mentais.

A reinserção social do doente mental na comunidade é uma nova representação social a ser inserida na sociedade como um todo, pela ideia dos serviços alternativos e de desconstrução do conceito de “doença mental”; portanto, as mudanças em meio a diferentes representações sociais, que agrupam os conjuntos de significados de diferentes grupos de pessoas, são produtos e processos de interação numa internalização de valores, que originam diferentes mecanismos de controle social, nos critérios e formas de sanção e recompensa, onde se vive em constantes mutações de atitudes emocionais, pelos conflitos entre os valores antigos e o estabelecimento de novas relações, cujas pessoas carecem de novos laços afetivos no fenômeno da “socialização”, para a inserção social das pessoas portadoras de doenças mentais; indivíduos que aprendem as diferentes formas de existir, de ver o mundo e de construir suas próprias relações sociais.

O presente artigo não esgota o assunto, acredita-se que poderá servir como fonte de pesquisa a quem desejar se enriquecer mais sobre o assunto visando aprendizado e eficácia de cuidado social.

4. Metodologia a Ser Utilizada na Pesquisa de Campo

O artigo, de natureza qualitativa, tem como objetivo abordar a Representação Social presente no discurso de seis estudantes de um grupo de estudo de um curso de formação em psicanálise clínica (SCOPSI - Sociedade Contemporânea de Psicanálise), (num local previamente estabelecido pelo grupo, em ambiente arejado com boa acústica e privativo – Rua Vicente Padilha, 257 – Vila União – Fortaleza- Ceará), na condição de concludentes, envolvendo o assunto da Reforma Psiquiátrica. Utilizou-se como estratégia uma pesquisa bibliográfica sobre o assunto da Reforma Psiquiátrica e sobre a Representação social, seguida de uma pesquisa de campo, envolvendo a observação e finalmente, o roteiro de uma entrevista semi-estruturada (gravada), contendo 10 perguntas sobre o assunto, aplicadas inicialmente a três alunas e posteriormente a três alunas e um aluno, em duas fases distintas, aonde os dados foram coletados para posterior análise e conclusão.

A análise dos dados foi realizada mediante a técnica de análise de conteúdo que segundo Olabuenaga e Ispizúa (1989) é uma técnica para ler e interpretar todos os conteúdos adequadamente analisados, possibilitando o conhecimento de aspectos e fenômenos sociais, dentro de múltiplas perspectivas; defende Krippendorf (1990) que é possível a verificação de várias associações conotativas e denotativas de estruturas lógicas de materiais escritos, sendo passível de uma formulação interpretativa.

A pesquisa bibliográfica segundo Luna (1999), envolve fazer um levantamento de dados colhidos numa pesquisa de campo, a qual Lakatos (1996) aborda sobre a captação de certos aspectos da realidade de forma comportamental, tendo, por conseguinte, a aplicação de uma entrevista semi-estruturada, na qual Haguette (1997) defende que a interação social entre pessoas gera  informações objetivas e subjetivas do entrevistado ao entrevistador, aonde Bourdieu (1999) aborda sobre  necessidade de haver uma sequência lógica na entrevista para não fugir do foco do assunto proposto, que Selltiz et al (1987) aponta como vantagem da entrevista semi-estruturada, a abrangência de respostas produzidas pelas falas dos entrevistados (uma vez que a entrevista foi inicialmente gravada, depois teve seu conteúdo convergido para a escrita, possibilitando a feitura de análise deste trabalho – grifo nosso), cuja investigação dos significados pessoais, de tomados de forma espontânea e livre dos entrevistados, possibilitam respostas inusitadas de aspectos afetivos e valorativos de grande utilidade à pesquisa proposta.

Utilizou-se como critério de finalização das entrevistas, uma garantia de representatividade envolvendo as condições genéricas da investigação, aonde as entrevistas foram efetuadas isoladas e privadas, aonde os alunos participantes não sabiam as respostas uns dos outros e as questões foram formuladas num nível de conhecimento suportável aos alunos.

5. Formulação de Questionário:

1) O que te vem à mente quando se fala em doença mental? Por que?

2) Na sua opinião, o que leva uma pessoa a desenvolver algum tipo de doença mental?

3) Comente sobre os direitos dos doentes mentais na sociedade:

4) Quais as principais dificuldades para se lidar com doentes mentais?

5) Qual o melhor tratamento para os doentes mentais?

6) O que você sabe sobre reforma psiquiátrica?

7) O que você pensa sobre o cuidado e a ressocialização dos doentes mentais?

8) Qual é sua opinião na formação do seu curso na intervenção e na promoção da saúde mental?

9) Como você relaciona o desconhecimento dos direitos sociais dos doentes mentais com a questão do sofrimento mental?

10) O que você pensa sobre o processo de medicalização?          

6. Feitura de Entrevista:

DADOS DOS ENTREVISTADOS (Concordaram na divulgação sem os nomes):

Entrevista 1:

Mulher, 44 anos, teóloga e atualmente estou terminando o curso de psicanálise, psicanalista.

Entrevista 2:

Mulher, 53 anos, mestre em educação pela UFC, professora, coordenadora de um curso de psicologia, psicopedagoga, psicanalista.

Entrevista 3:

Mulher, 51 anos, formada em teologia; psicanalista.

Entrevista 4:

Mulher, 46 anos, formada em história, serviço social, especialista em saúde mental, psicanalista e vários cursos; iniciei especialização em preceptores pela escola de saúde pública do estado do Ceará.

Entrevista 5:

Mulher, 57 anos, fiz economia doméstica, nutrição, especialista na área de deficiência intelectual e visual, psicopedagoga há 20 anos e concluindo o curso de psicanálise.

Entrevista 6:

Homem, 65 anos, administrador de empresas e psicanalista.

PERGUNTAS: (Foram digitadas por tópicos pra facilitar a análise de dados):

O que te vem à mente quando se fala em doença mental? Por que?

Entrevista 1:

“_O que nos põe em desequilíbrio no cotidiano diário; em relação a questões de lidarmos com as nossas dificuldades do dia a dia, nós e o outro.”

Entrevista 2:

“_O que vem na minha mente é exatamente um desconforto que existe no corpo de uma pessoa que precisa ser tratada; doença mental porque acredito que a doença mental é exatamente algo que está na parte corpórea, não tem que ser nada na parte da psique, vejo alguém como doente mental como alguém que precisa de medicamento no tratamento especializado.”

Entrevista 3:

“_Na família do meu marido, tem minha sogra que é esquizofrênica; ela tem o surto psicótico e eu vejo o sofrimento e eu às vezes fico a pensar de onde vem a questão; eu tenho muita dó dos doentes mentais; quem tem estes transtornos mentais, estes sofrimentos.”

Entrevista 4:

“_Me vem à mente, a falta de discernimento das pessoas; perder a noção da realidade por vários fatores, que podem levar a isso; pode ser genético, pode ser por motivo de algum acidente, baseado na minha especialização em saúde mental e no meu trabalho em CAPS, que trabalho o tempo todo em saúde mental.”

Entrevista 5:

“_A dor da alma. O porque eu digo isso, a dor; a pessoa não sente a dor da alma, mas quem convive com essa pessoa, sente; eu tive oportunidade de trabalhar algum tempo com pessoas psicóticas e aquele modelo de mundo que eles colocavam na sua procura de algo novo, ilusório, imediatamente essa procura era quebrada me pareciam que eram momentos de lucidez e esse momento de lucidez era o momento de maior dor porque eles se percebiam diferentes do outro; então o que me vem à mente é o sentimento de dor; de dor para aquele que tem a sua dificuldade e uma dor bem maior daquele que é família, que é próximo, que tem que ver aquela pessoa naquele estado.”

Entrevista 6:

“_Doença mental é apenas um distúrbio que a gente não pode classificar de imediato; tem que conversar, ouvir, saber, pois existem muitas vertentes que a gente pode associar a isso.”

Na sua opinião, o que leva uma pessoa a desenvolver algum tipo de doença mental?

Entrevista 1:

“_Além das questões que eu acredito de traumas de infância, algumas são desencadeadas nesse próprio dia a dia que o indivíduo leva.”

Entrevista 2:

“_Acredito que traumas, grandes traumas e problemas relacionados à parte orgânica, mesmo; pessoa que já nasce com um comprometimento orgânico”.

Entrevista 3:

“_A questão da estrutura psíquica, como por exemplo, eu tenho quatro filhos e na família do meu marido já tem quem tenha bipolaridade, também tem surto psicótico e eu vejo que esta esta estrutura psicológica comprometida, que tem um histórico familiar, acredito que tem a ver com a nossa sociedade, que hoje as pessoas estão com muito medo, de estarem muito ansiosos; a gente sai de casa e não sabe se volta; a questão do que nós estamos vivendo hoje, a questão da violência, isso acaba acarretando também;por isso que dizem que o século XXI é o século da depressão das doenças psicológicas, emocionais; acredito que nessa sociedade, a violência acarreta estas doenças.”

Entrevista 4:

“_São tantas coisas; hoje a gente está vivendo num mundo tecnologicamente desenvolvido; desigualdade social, uma evolução tecnológica que deveria estar trazendo conforto para as pessoas, mas não traz; perdas de entes queridos;na verdade, hoje nós temos mais pessoas com sofrimentos mentais que transtornos mentais, que é diferente; o transtorno mental seria uma doença genética que ela nasce com ela ou então aquelas doenças encubadas, que no decorrer de sua vida, desenvolveu essa doença; mas hoje a gente confunde sofrimento psíquico, com doença mental. E a sociedade está hoje toda adoecida com sofrimento psíquico: perda de ente querido, sofreu algum tipo de violência, desemprego, desestrutura familiar, não sabendo lidar com os problemas; tudo isso está gerando sofrimento psíquico nas pessoas.”

Entrevista 5:

“_Eu acho que a gente poderia falar da questão da própria estrutura, estrutural, mas eu digo que nos dias atuais existe muito a questão da falta de amor, de afetividade; eu acho que muitas vezes torna a pessoa neurótica, psicótica, em decorrência desse mundo desregrado, da falta de respeito ao outro, de não ficar no lugar do outro, da falta de olhar o outro como sujeito, que é possível; e essa questão de ser amado, respeitado, não está sendo feito pela grande maioria das pessoas e isso faz com que a sociedade se torne “meio-louca”.

Entrevista 6:

“_Às vezes, o próprio convívio familiar; outras tantas, a própria estrutura psíquica que é comprometida.”

Comente sobre os direitos dos doentes mentais na sociedade:

Entrevista 1:

“_Eles têm direitos a participar de eventos sociais, tal qual outras pessoas, como nós outros que não temos essa dificuldade, dentro da possibilidade deles estarem sob um tratamento, essa possibilidade não deve ser vetada a eles.”

Entrevista 2:

“_Deveriam existir; na verdade, eu acredito que eles existam na lei; mas no real, se a gente for conhecer o que está sendo feito, o que deveria ser efito não chega exatamente a ser o que por lei deveria estar sendo posto.”

Entrevista 3:

“_Quando muitos hospitais fecharam os leitos para pacientes psiquiátricos, isso foi legal;mas eu vejo assim; quem tem filhos, como eu vi um pai falando que tem dois filhos esquizofrênicos, e que eles ficavam numa violência toda e como o pai tinha condições, ele pagava uma clínica., mas para os que não têm condições, eu amarram o doente em casa; e eu vejo o direito que a família tem que cuidar, mas a família também está doente, pois se tem paciente, se tem um membro da família doente, a família está doente; o cuidador também não tem estrutura emocional, psicológica para cuidar do doente e eu vejo que o doente sofre; eu vejo a situação da minha sogra eu sofre e a família já não mais aguenta mais cuidar; e eu vejo na questão do direito, principalmente para quem está no surto, para alguém psicótico, que se a gente não tem condição de pagar uma clínica, que tivesse um local para que se pudesse colocar o doente para que ele ser acompanhado, ser medicado e eu vejo que essa questão de fechar, a questão de muitos leitos que foram tirados dos hospitais, e eu vejo que isso, de alguma maneira, prejudicou o direito do paciente; não vou dizer de ficar internado, mas naquele momento em que a crise vem quando ele é acompanhado por um médico, muitas vezes, fica em casa, é maltratado, tem pessoas que trancam, como eu já vi, de ter um quarto aonde se tranca os pacientes, que ficam trancados, enjaulados e eu fico pensando que está faltando muita coisa para fazer, não vejo muitos direitos nisso.”

Entrevista 4:

“_Direitos que estão sendo conquistados de 2002 para cá, com a reforma psiquiátrica, que, antes as pessoas tinham um olhar diferenciado de transtorno  mental; as pessoas eram excluídas da sociedade, colocadas em manicômios, tratamentos desumanos e agora a gente ainda está nessa conquista; ainda existe isso, não de uma forma tão tensa como existia na história; tem algumas conquistas, mas há uma grande confusão entre sofrimento mental e transtorno mental como eu já disse antes.”

Entrevista 5:

“_Eu penso que por considerar o processo de inclusão significativo e principalmente na sociedade moderna, eu acredito que o doente mental tem direito, de viver e conviver com os seus familiares, mas eu também compreendo que esse familiar é um sofredor; ele também sofre. Eu acho que o poder público tinha que oferecer condições para um espaço interessante, ambulatorial para essa pessoa, mas também dar condições para que essa pessoa, familiar, também receba alternativas de atendimento para que ela compreenda essa pessoa para que essa pessoa não fique distante dele, mas que aproxime essa pessoa e que a aproximação dessa pessoa que tem a dificuldade mental, ela fica melhor. Nessa minha experiência a gente percebia que quando a família era mais presente, eles tinham uma resposta mais positiva.”

Entrevista 6:

“_Na verdade, direitos, quase nenhum; na verdade são subjugados; as próprias famílias os rejeitam e querem transferir a responsabilidade para o Estado, que quer repassar para a família, que não tem estrutura.”

Quais as principais dificuldades para se lidar com doentes mentais?

Entrevista 1:

“_Tentar compreender; primeiro entender o sofrimento desses indivíduos e tentar me preparar para compreender isso e saber tentar lidar com eles, e até mesmo ajudá-los a participarem de eventos sociais.”

Entrevista 2:

“_Eu acho que a falta de formação e de humanidade; principalmente, a face de humanização; acredito muito que falta às pessoas que tem necessidade e que trabalham com estas pessoas necessitadas de um tratamento maior, estas precisavam ser mais solidárias; precisavam enxergar essa doença como uma coisa que vai além do físico.”

Entrevista 3:

“_Eu vejo assim, que essa dificuldade; por exemplo, o cuidador que está cuidando, às vezes, muitas vezes não entende o que o paciente tem; quem cuida mais são os familiares, pai, mãe e irmãos; e eu vejo que essa pessoa não conhece e  que não está sendo cuidada; quem cuida, precisa ser cuidado; e eu vejo que não tem isso; que não tem esse local onde a pessoa que cuida do paciente doente também possa ser cuidado e eu vejo que falta conhecimento, também do cuidador.”

Entrevista 4:

“_Para quem tem perfil, não tem dificuldade nenhuma, mas precisa você gostar; você precisa ter perfil para entender, compreender a doença do outro; respeitar e gostar do que faz não tem dificuldade; mas se você não gostar, fica complicado.”

Entrevista 5:

“_A principal dificuldade é que a gente também desconhece a doença mental; a pessoa comum desconhece;não é esclarecida em relação a isso; existem os temores e mitos que ainda existem na sociedade de que a pessoa louca mata, transgride a lei, pode fazer o que quiser a qualquer momento e eu acho o que faz o afastamento da família a eles é no sentido de temer a morte, mesmo, decorrente deles, porque querem poupá-los de não fazerem isso com eles mesmos; e além de deficiente, de doente, seria um assassino, um transgressor da lei, por exemplo?”

Entrevista 6:

“_O temor de um surto e outras incongruências que pode ser até de cunho espiritual que é muito difícil de lidar.”

Qual o melhor tratamento para os doentes mentais?

Entrevista 1:

“_Eu não sou a pessoa melhor específica para dizer qual o melhor tratamento para algum doente mental.”

Entrevista 2:

“_Acredito que a proximidade da família, o afeto e um cuidado especializado que poderia ser feito pelo governo, pelas instituições governamentais.”

Entrevista 3:

“_Ter um acompanhamento psiquiátrico e nós sabemos que não é todo paciente que pode fazer psicoterapia, mas se ele for medicado, tendo pelo menos aquele local onde ele possa falar e ninguém venha a criticar; que ele possa falar tudo e que ninguém venha a falar nada e que ele possa lá expressar pelo menos o que está sentindo;os conflitos; eu acredito que a medicação, a família que está cuidando, sendo também acompanhada para que esse paciente também venha a ter uma qualidade de vida melhor.”

Entrevista 4:

“_O melhor tratamento para o doente mental é o acolhimento, dedicação, respeito, juntamente com a medicação dependendo de cada caso; e esse tratamento é indicado também para pessoas com sofrimento psíquico, que é o que esta faltando na humanidade.”

Entrevista 5:

“_Eu percebo que o atendimento psicanalítico associado ao psiquiátrico; eu acho que é, seria uma alternativa viável; o psicótico precisa ter a medicação; é necessário; há momentos em que eles sentem uma necessidade tamanha daquele medicamento; não é que ele só vá dar uma resposta positiva só se tiver a medicação; mas associado à medicação tem que ter um atendimento psicológico, relações afetivas, que isso faz com que a pessoa diminua o limiar da tensão; eu às vezes comparo uma pessoa com deficiência mental como uma pessoa que tem deficiência motora e de comunicação grave; que ele não sabe como se expressar; ele tem um cognitivo preservado e ele não sabe se comunicar e alguém olha para ele e diz que ele é um doente mental; e ele sabe que está sendo falado dele uma realidade que não é a realidade dele e isso o torna agressivo porque ele não aceita muitas vezes aquilo; então, no caso da pessoa deficiente, ela se sente transgredida porque ela tem um cognitivo preservado e ela percebe que aquilo que estão olhando dela é um estereótipo dela, mas não é a relação cognitiva nem pessoal que ela tem e eu acho que com o doente mental se passa mais ou menos nessa ótica.”

Entrevista 6:

“_Amor, compreensão e tolerância.”

O que você sabe sobre reforma psiquiátrica?

Entrevista 1:

“_Atualmente não tenho conhecimento sobre o assunto., penso que seria uma mudança a começar dos próprios psiquiatras, no atendimento deles, na relação de como lidar com as questões; ser mais atento aos pacientes, dentre outras coisas, nos códigos, no que diz a medicina.”

Entrevista 2:

“_Eu sei que no Brasil se tentou fazer a reforma e por lei ela existe; mas que, no real, como eu disse anteriormente, a coisa não é funcional ainda; não existe, ainda, uma regulamentação daquilo que é lei.”

Entrevista 3:

“_Eu sei muito pouco, mas o pouco que eu sei é que essa questão de estar fechando esses hospitais psiquiátricos e que o paciente venha a ser cuidado em casa.”

Entrevista 4:

“_A reforma psiquiátrica foram muitas conquistas através de reivindicações; tem o dia 18 de maio que é o dia da luta antimanicomial, que foram os movimentos contra os manicômios, os maus-tratos de tratamento; tem o dia 10 de Outubro que é o dia mundial da saúde mental, baseados nessas revoluções, reivindicações, protestos, que foram conseguindo alguns avanços que é a Lei 10.916 da Reforma Psiquiátrica, que exclui algumas formas de tratamento; é algo recente; a maioria dos profissionais ainda não têm esse conhecimento; às vezes, muitos profissionais caem na área da saúde mental, por necessidade e não por preparação e acaba tendo que aprender a trabalhar com saúde mental sem conhecimento, vai adquirindo no decorrer do tempo.”

Entrevista 5:

“_Existiu um momento em que o doente era colocado num espaço de grades, recebendo choques, tendo uma distância muito grande em relação aos familiares, eram excluídos da sociedade, e que a reforma traz a possibilidade desses doentes serem trabalhados ambulatorialmente; agora, para que se trabalhe na questão ambulatorial, é preciso que se dê a essa pessoa e à família, condições para que eles possam conviver bem; eles terem um amparo do poder público para que essa vinda no contexto da casa dele não torne essa vinda um transtorno. Por que a família não quer que o doente mental venha para dentro de casa? Porque vai transtornar o ambiente; mas eu posso trabalhar esta questão levando para um atendimento psicanalítico, para um atendimento psiquiátrico, tomando a medicação adequada que é a desejada; e eu penso que é melhor ele estar mais próximo da família do que está recebendo choque elétrico ou seja o que for que tiver passado em sua vida como doente mental.”

Entrevista 6:

“_Na verdade eu não sei se é realmente uma reforma ou algum paliativo; estão querendo franquiar alguma coisa ao governo; mudança de postura do psiquiatra, hoje, é apenas uma pessoa que verifica os sintomas e aplica medicamentos para sintomas.”

O que você pensa sobre o cuidado e a ressocialização dos doentes mentais?

Entrevista 1:

“_Acho isso um trabalho interessante, humanitário que mais me preocupa enquanto ser, que é ser humanitário com o outro.”

Entrevista 2:

“_Acredito também que é uma coisa necessária; o doente mental precisa, pelo menos, que se tente reintegrá-lo à sociedade; acho que a gente não pode imaginar que ele não possa sair do estado entorpecido que a gente muitas vezes vê por conta da doença e do medicamento; acho que é necessário acreditar que ele pode voltar a um convívio com, obviamente, um cuidado e uma presteza de precisando voltar ao tratamento.”

Entrevista 3:

“_É como eu falei; a questão de que cuida; o doente mental não tem direito a um passeio porque ele tem que ficar enclausurado, não socializa, fica enclausurado, sempre fica aquele doente mental em cima de uma cama ou muitas vezes trancado, ou como a gente vê passando nesses programas policiais, acorrentado porque a família não sabe o que fazer; mas menos doente, que a pessoa tem o momento do surto e depois volta, mas mesmo assim, a família não sabe o que fazer, não leva para ter um passeio; tem uma vida muito fechada.”

Entrevista 4:

“_Dependo do cuidado, do carinho, do respeito, é algo amplo que não depende apenas disso; envolve a sociedade, uma série da coisas que não contribui para socializar eles na sociedade; não é só o tratamento que vai conseguir isso; é uma série de coisas que está atingindo a sociedade toda; como a gente vai socializar se estamos num mundo injusto, desigual, se estamos numa sociedade de um fator econômico que é um capitalismo “salve-se quem puder” e o consumismo e só a questão de cuidado não vai resolver.”

Entrevista 5:

“_Tem que ter um cuidado porque quando uma pessoa tem uma doença mental, ela muitas vezes não tem ciência até do próprio corpo e ela precisa aprender a se cuidar, a se vestir, a olhar ao outro, conhecer as relações que têm no entorno dela e dentro de um espaço excludente ela não tem oportunidade de ver isso;mas, junto com pessoas, familiares e no espaço da sociedade como um todo é possível ela aprender a fazer. Se ela estiver enclausurada dentro daquele espaço que era determinado para que ela ficasse, ela nunca vai ter a possibilidade de ter e de manter uma relação com o outro, uma relação interpessoal; por que a relação interpessoal se dá quando pelo menos uma pessoa tem a condição de chamar a atenção do outro; dele para te dar uma resposta; no momento que dois não sabem o que estão fazendo, como é que vai manter uma relação interpessoal; então, o espaço da exclusão não lhe dava a oportunidade; porque as pessoas que trabalhavam não tinham tempo de fazer isso e eles, com eles mesmos, não tinham a condição orgânica e psicológica de realizar esta relação.”

Entrevista 6:

“_É muito importante o convívio; ser aceito e receber o tratamento adequado, seguido de carinho.”

Qual é sua opinião na formação do seu curso na intervenção e na promoção da saúde mental?

Entrevista 1:

“_Como psicanalista, meu curso pode vir agregar na porção de acompanhamento de pacientes, conhecimento, valores, técnicas que eu aprendi no próprio curso.”

Entrevista 2:

“_Eu achei muito pouco o que a gente vivenciou em relação a estarmos postos a entender e a participar disso; é como se a gente trabalhasse apenas num determinado espaço e que esse espaço fosse apenas a clínica particular; acho que a gente não foi levado a conhecer uma realidade, que seria exatamente os CAPs, os manicômios (que até hoje não existem); acho que faltou um pouco dessa vivência.”

Entrevista 3:

“_É interessante que a gente escuta alguns professores falando que a gente não pode atender um paciente mental, psicótico; mas eu acredito que se esse paciente  estiver sendo tratado, acompanhado por um psiquiatra, nós podemos; mas isso precisa o profissional ler muito, ele precisa estar como cada paciente, ele precisa conhecer o problema de cada paciente, se é esquizofrenia, se são outro transtornos, ter o conhecimento para poder, de alguma maneira, como eu falei antes, poder, pelo menos, ouvir.”

Entrevista 4:

“_Para mim foi bom, mas é uma coisa muito nova, recente; a gente tem que continuar estudando, aprimorando, buscando melhoria, conhecimento, buscando soluções; para início, para mim foi bom MS pode continuar; a gente tem que dar continuidade para conquistar mais avanços na questão da saúde mental e inseri-los na sociedade. Tem que ser um trabalho em conjunto com outras áreas; foi bom; precisa melhorar porque é uma coisa muito recente.”

Entrevista 5:

“_Eu acho que o curso abriu espaço para que a gente responda a muitos questionamentos que eu ainda não tinha percebido; então, o curso abriu a minha cabeça para compreender, mais ainda a capacidade que o outro tem de reorganizar a sua vida e melhorar a sua dor; então, neste sentido, eu acho que o curso me deu uma abertura de conhecimento para iniciar esse processo; eu ressalto de que a gente precisa continuar a estudar. Só o conteúdo em si, não é o suficiente para a gente concluir ou aprimorar o nosso cuidado com essa pessoa. É preciso, que de fato, a gente continue estudando, aprimorando, fazendo novos cursos, fazendo leituras, tendo encontros para estudos de casos, até com grupos de profissionais para que a gente melhore cada vez mais a condição de atendimento a essa pessoa.”

Entrevista 6:

“_É muito importante por que daí a gente começa a entender mais o outro; a compreender que cada um tem valores diferentes.”

Como você relaciona o desconhecimento dos direitos sociais dos doentes mentais com a questão do sofrimento mental?

Entrevista 1:

“_Eu direciono isso à falta de um programa mais elaborado por parte das entidades públicas, de preferência, para um chamado às famílias que têm esses pacientes em casa, que poderiam ser mais orientadas, a saber lidar e direcionar esse paciente.”

Entrevista 2:

“_Eu acho que quando a pessoa não tem cultura e ela não sabe que ela pode ser ajudada, ela não tem uma compreensão de mundo, ela não vai ter essa ajuda e se isso mais disseminado como é passado para a população tanta propaganda que existe, desnecessária, do governo, da propaganda daquilo que estão fazendo e não do que o público pode ter, eu acho que se teria uma melhor condição desse doente estar sendo atendido, desse doente estar sendo trabalhado.”

Entrevista 3:

“_Essa questão que hoje se conhece muito pouco os direitos; você vê que um CAPs, chegava um paciente lá, e era logo atendido; hoje não; hoje, você tem que marcar e dois três meses é que tem atendimento; que direitos os doentes mentais têm, se têm que esperar? Dois meses, três meses, se o paciente está precisando agora e eu vejo, que direitos? Eu,no meu modo de ver, não vejo direitos porque na hora que precisa, de uma consulta, de um receituário, não se tem. A pessoa que depende do SUS, não tem; está muito complicado para você conseguir um psiquiatra. Uma colega minha procurou no CAPS uma consulta para a irmã dela que tem transtorno bipolar e que é que tem surto psicótico, só era daqui a 3 meses; quando abriu o CAPS do Bom Jardim, foi muito bom por que tinha terapia comunitária, auto-estima, e a gente vê muitos pacientes com transtornos gravíssimos, lá, na terapia, mas a gente vê que é pouco e eu se você quiser uma consulta é dois, três meses.”

Entrevista 4:

“_Uma coisa contribui com a outra; a falta de conhecimento dos direitos e deveres da pessoa com transtorno mental e o fato da doença mental; um contribui com outro para que a gente na tenha avanço e melhoria na questão da doença mental. A questão do preconceito, uma coisa que eu não falei em momento algum; tem muito preconceito em relação ao doente mental; o próprio paciente, às vezes, tem vergonha da própria doença que ele tem; então, tem que trabalhar o preconceito no paciente, depois na família e na sociedade.”

Entrevista 5:

“_Eu acho que quanto mais desconhecimento a sociedade tem a respeito deste direito e do valor que eles tem e da questão afetiva, não melhora a condição dele, mais eles vão sofre. Se a sociedade não se sensibilize e desconhece os valores que eles têm porque eles são desvalorizados e não são reconhecidos, até pelos mitos de que são pessoas ruins e de que podem trazer danos à sociedade; se ela não compreender que é possível a gente conhecer a pessoa deles, as características e que a gente possa reorganizar estas características, para eles viverem em sociedade, eles vão continuar sofrendo.”

Entrevista 6:

“_Como se fala a realidade, o sonho do lúcido e a realidade do maluco; muita gente não leva muito a sério, denigre a própria imagem, achando que é sub-humano e não valoriza de jeito nenhum.”

O que você pensa sobre o processo de medicalização?              

Entrevista 1:

“_Eu acredito que a medicação se faz necessária, não em todos os casos, em todos os momentos, mas até onde eu tenho conhecimento, ela se faz necessária.”

Entrevista 2:

“_Eu acho que ele é muito abrangente e ele hoje é algo que pontua muito; se medicar um cidadão que esta em surto, sim; mas nós sabemos que existe um uso de medicamento de uma maneira muito acirrada, aonde se medica por medicar, para não se ter que cuidar.”

Entrevista 3:

“_Eu penso que é necessário, mas muitas vezes, o paciente é medicado porque o paciente é medicado, pois a demanda é muito grande e isso eu estou falando pelo SUS, que muitas vezes o psiquiatra não tem como ouvir bem; a escuta é muito rápida e o psiquiatra muitas vezes passa uma medicação que faz é piorar o paciente. E o paciente precisa voltar novamente; mas eu vejo que a medicação é necessária.”

Entrevista 4:

“_Tem casos que realmente precisa da medicação; mas muitos não precisam e usam a medicação como forma de tentar resolver os problemas da sociedade, os problemas sociais; a questão do comércio da medicação; tem muito tratamento que não precisa da medicação e da forma como usa a medicação, ela chegar a ser outro problema para a pessoa porque ela não precisa da medicação e ela acaba usando para amenizar algum tipo de sofrimento e ela acaba se tornando dependente dessa medicação.”

Entrevista 5:

“_Digo que em determinados momentos, é necessário a medicação, pela minha experiência. Em alguns momentos, eles não queriam tomar a medicação, eles faziam atendimento psicológico; eles faziam uma série de situações, psicanalíticas, inclusive; mas tinha momentos, que a própria organização estrutural precisava de medicação; mas não ser um medicação que seja duradoura para o resto da vida; pode haver uma modificação na dosagem; e mudança inclusive, no tipo de medicamento que possa estar interferindo na condição da melhoria de capacidade dele viver num mundo melhor; reorganizar a medicação quando aquela não está tendo efeito, ou de mais ou de menos; o controle medicamentoso precisa ser cuidadoso, tanto por parte do médico que está prescrevendo, quanto do cuidador que está observando se este medicamento está sendo colocado; porque pontuando casos de uma pessoa que conheço de uma relação próxima, que convivia com meus filhos, uma adolescente suicidou-se pela falta de medicamentos que não estavam sendo dados porque a família não reconhecia na pessoa que ela tinha uma doença grave e embaixo do seu colchão estavam inúmeros comprimidos que não tinham sido tomados e ela precisava ter tomado medicamentos, que eram imprescindíveis, associados a outros medicamentos.”

Entrevista 6:

“_Eu sou totalmente contra porque primeiro o paciente deve passar por todos os exames para ver se realmente tem algum problema na estrutura física porque a estrutura psíquica muitas vezes é oriunda do próprio meio e pode ser trabalhado, senão for nada comprometido na estrutura física.”

7. Análise de Dados da Entrevista (Feitura das Idéias-Centrais):

7.1 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre o Conceito Racional Envolvendo Doença Mental:

“desequilíbrio, com as nossas dificuldades,desconforto no corpo, precisa de medicamento no tratamento especializado, surto psicótico, sofrimento na família, falta de discernimento, perder a noção da realidade, genético, acidente, dor da alma, modelo de mundo, procura do ilusório, momento de lucidez, percebiam diferentes, dificuldade da família, estado, distúrbio, não pode classificar de imediato, muitas vertentes”.

A primeira idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, quanto ao conceito de doença mental é que tanto os pacientes, que detêm problema, genético, ou ocasionados por acidente, quanto às famílias e a sociedade, estão adoecidos, podendo surtar, precisando de tratamento especializado, pois todos possuem um desconforto seja no corpo, seja com a dor na alma, aonde o sofrimento causado pelo desequilíbrio, oriundo das dificuldades, seja pela falta de discernimento, seja pela perda da noção da realidade, frente a um modelo de mundo que procura o ilusório, ainda que haja momentos de lucidez, de se perceberem diferentes, o estado de distúrbio não pode ser classificado de imediato, possuindo muitas vertentes.

7.2 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre o Desenvolvimento da Doença Mental:

“traumas de infância, desencadeadas nesse próprio dia a dia, traumas, grandes traumas, comprometimento orgânico, estrutura psíquica comprometida, surto, histórico familiar, tem a ver com a nossa sociedade, medo, ansiosos, violência, depressão, desigualdade social, perdas, sofrimentos mentais, genética, doenças encubadas, sociedade adoecida, violência, desemprego, desestrutura familiar, não sabendo lidar com os problemas, estrutura, falta de amor, falta de afetividade, mundo desregrado, falta de respeito ao outro, não ficar no lugar do outro, falta de olhar o outro como sujeito, sociedade se torne “meio-louca”, convívio familiar, estrutura psíquica comprometida”.

A segunda idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, quanto à noção sobre o desenvolvimento da doença mental é que o adoecimento que reflete o não saber lidar com os problemas, o comprometimento do convívio, bem como o comprometimento da estrutura orgânica e psíquica ocorrem, tanto nos pacientes quanto nas famílias e na sociedade, sendo oriundos de traumas ocorridos na própria origem histórica, sendo desencadeadas no dia a dia, cujas desestruturas internas envolvem o medo, a ansiedade, a violência, a desigualdade, a falta de amor, a falta de afetividade, a falta de respeito, a falta de olhar o outro como sujeito, num total desrespeito, conceituadas como um “meio-loucura”.

7.3 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre os Direitos dos Doentes Mentais:

“direitos a participar de eventos sociais,estarem sob um tratamento, existam na lei; mas no real, o que deveria ser feito não chega a ser o que por lei deveria estar posto, direito que a família tem que cuidar,prejudicou o direito do paciente,tá faltando muita coisa para fazer,não vejo muitos direitos,estão sendo conquistados, ainda está nessa conquista, algumas conquistas,grande confusão, considerar o processo de inclusão significativo, viver e conviver com os seus familiares, poder público oferecer condições para espaço interessante, ambulatorial, dar condições para familiar receber alternativas de atendimento e compreenda não fique distante mas aproxime essa pessoa e a aproximação fica melhor, família mais presente, resposta mais positiva, quase nenhum; subjugados, famílias os rejeitam e querem transferir a responsabilidade para o Estado, Estado quer repassar para a família, que não tem estrutura.”

A terceira idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, quanto aos direitos dos doentes mentais, é que a convivência nos espaços pessoais dos pacientes, das famílias e da sociedade que deveria oferecer condições de conquistar uma aproximação, na realidade, está prejudicada, envolta em confusão, acobertada por leis que subjugam, que geram rejeição e que transferem a responsabilidade, que querem repassar para quem não tem estrutura, alternativas que prejudicam os direitos conquistados, não existindo uma inclusão significativa de convivência, aonde o que é oferecido como condição de interesse de aproximação, ou direitos de participação de eventos é falta de consideração com o outro, em nome de um poder que afirma o cuidado, mas exclui.

7.4 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre a Dificuldade De Lidar Com os Doentes Mentais:

“Tentar compreender, tentar  entender o sofrimento, tentar preparar para lidar, tentar  ajudá-los a participarem de eventos sociais,falta de formação, falta de humanização, falta  ser solidárias,precisavam enxergar doença como além do físico, cuidador que está cuidando não entende o que o paciente tem, Quem cuida, precisa ser cuidado, não tem esse local onde a pessoa que cuida possa ser cuidado, falta conhecimento  do cuidador, perfil, precisa você gostar precisa ter perfil para entender, compreender a doença respeitar, gostar do que faz, desconhece a doença mental, temores e mitos que ainda existem na sociedade, família temer a morte, temor de um surto, outras incongruências que pode ser até de cunho espiritual”.

A quarta idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, quanto à dificuldade de lidar com pacientes mentais, é que a falta de humanização, compreensão, entendimento, respeito, formação e gosto pelo cuidar na vida dos pacientes, nas famílias e na sociedade, ocorre pelo fato de que o perfil do cuidador está envolvo num mito criado pelas famílias e pela sociedade, de que “quem cuida não precisa de cuidado”, ocasionando temores e outras incongruências, como o fato de não haver visão de que a doença deve ser enxergada além do físico e de que a participação solidária é o espírito do cuidado.

7.5 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre o Melhor Tratamento Para os Doentes Mentais:

“proximidade da família,o afeto, cuidado especializado que poderia ser feito pelo governo, acompanhamento psiquiátrico, fazer psicoterapia  se for medicado, ter local onde ele possa falar e ninguém venha a criticar, medicação, família que está cuidando, sendo também acompanhada, acolhimento, dedicação, respeito, medicação, atendimento psicanalítico associado ao psiquiátrico, medicação, atendimento psicológico, relações afetivas, diminuir o limiar da tensão, não estereotipar a pessoa, amor, compreensão, tolerância”.

A quinta idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, quanto ao melhor tratamento para os doentes mentais, é que existe uma tensão envolvendo os pacientes, as famílias e a sociedade, sobre o cuidado especializado quanto ao acompanhamento psiquiátrico, a psicoterapia, bem como o atendimento médico, psicológico ou psicanalítico, baseada numa crítica que reflete à própria realidade pessoal do paciente, familiar e social, que consiste na qualidade da relação afetiva, uma vez que o estereótipo da doença faz com que haja um limiar de tolerância, ocorrendo desamor e falta de compreensão (pessoal, familiar, profissional e social), aonde o acolhimento publica uma dedicação, sendo que o respeito ao próximo é diminuído como sendo um mero consumidor de medicamentos.

7.6 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre Reforma Psiquiátrica:

“mudança a começar do atendimento dos psiquiatras, relação de como lidar, ser mais atento aos pacientes, nos códigos da medicina, se tentou fazer a reforma,  por lei ela existe; mas no real não é funcional ainda, não existe  uma regulamentação dodaquilo que é lei, fechar hospitais psiquiátricos, paciente venha a ser cuidado em casa, muitas conquistas através de reivindicações, movimentos contra os manicômios, os maus-tratos de tratamento, revoluções, reivindicações, protestos, avanços, exclui algumas formas de tratamento, maioria dos profissionais ainda não têm esse conhecimento, muitos profissionais caem na área   por necessidade e não por preparação, aprendem a trabalhar sem conhecimento adquirindo no decorrer do tempo, possibilidade desses doentes serem trabalhados ambulatorialmente, preciso que se dê à pessoa e à famíliaa, condições para conviver bem, amparo do poder público para que essa vinda no contexto não seja transtorno, não sei se é realmente uma reforma ou algum paliativo querem franquiar alguma coisa ao governo, mudança de postura do psiquiatra, verifica sintomas e aplica medicamentos”.

A sexta idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, sobre a reforma psiquiátrica, é que enquanto não houver uma mudança de postura e de entendimento no atendimento (preparação, conhecimento e aprendizado) nas relações nos pacientes, nas famílias e na sociedade, não haverá reforma, uma vez que a existência a funcionalidade da lei não decorre da reinvindicação de conquistas ou regulamentação das formas de tratamento; ela precisa que haja uma mudança de postura, no decorrer do tempo, no ensejo do aprendizado do trabalhar as possibilidades, sendo funcional na realidade, uma vez que sem convivência e amparo, os pacientes, as famílias e a sociedade vivenciarão apenas transtornos excludentes oriundos de códigos paliativos, longe de um contexto de boa convivência, numa mera franquia de protestos e reinvindicações sem avanços para uma boa convivência, algo sem funcionalidade e sem aplicação.

7.7 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre Ressocialização dos Doentes Mentais:

“trabalho interessante, ser humanitário com o outro, necessária, que se tente reintegrá-lo à sociedade, não se pode imaginar que ele não possa sair do estado entorpecido, necessário acreditar que ele pode voltar a um convívio, com cuidado e presteza de tratamento, questão de quem cuida, fica enclausurado, não socializa, fica enclausurado,em cima de uma cama ou muitas vezes trancado, gente vê passando nesses programas policiais, acorrentado, a família não sabe o que fazer, família não sabe o que fazer, não leva para ter um passeio, tem uma vida muito fechada, dependo do cuidado, do carinho, do respeito, algo amplo que não depende apenas disso, envolve a sociedade, uma série da coisas que não contribui para socializar, não é só o tratamento, uma série de coisas que está atingindo a sociedade toda,mundo injusto, desigual, sociedade de um fator econômico capitalismo “salve-se quem puder”, consumismo, só a questão de cuidado não vai resolver, cuidado porque doente mental não tem ciência até do próprio corpo, doente mental precisa aprender a se cuidar, a se vestir, a olhar ao outro, conhecer as relações que têm no em torno dela, espaço excludente não tem oportunidade, no espaço da sociedade como um todo é possível ela aprender a fazer, se enclausurada nunca vai ter a possibilidade de ter relação interpessoal, pessoas que trabalhavam não tinham tempo de fazer isso, eles não têm condição orgânica e psicológica de realizar esta relação, importante o convívio, ser aceito, receber o tratamento adequado, seguido de carinho”.

A sétima idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, sobre a ressocialização dos doentes mentais é que tanto os pacientes, quanto às famílias quanto a sociedade estão vivendo enclausurados, acorrentados e presos na injustiça, desigualdade, falta de oportunidade e exclusão evidenciadas pela mídia. Não pode haver socialização e oportunidade de convivência expressando presteza de atendimento de pacientes nas famílias e na sociedade, enquanto a questão do cuidado for tratada como um fator econômico capitalista, desigual, injusto, reduzindo o tratamento a um consumismo medicamentoso. Para que haja interesse de trabalho nos pacientes, nas famílias e na sociedade, é necessário que sejam mudadas as crenças, os torpores imaginativos de que apenas o tratamento resolve; de que o cuidado, o carinho, o respeito não resolvem; de que as pessoas com doenças mentais não podem ser aceitos porque não podem conviver, ou até mesmo a crença de que podem aprender sozinhos ou que não conseguem viver livres, sendo aceitos e recebendo carinho.

7.8 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre Formação do Curso (No Caso, Psicanálise), na Intervenção e Promoção da Saúde Mental:

“agregar na porção de acompanhamento de pacientes,conhecimento, valores, técnicas que eu aprendi, pouco o que vivenciou a estarmos postos a entender e a participar, gente trabalhasse apenas num determinado espaço apenas a clínica particular, não foi levado a conhecer uma realidade do CAPS, faltou um pouco dessa vivência, gente escuta professores falando que não pode atender um paciente mental, acredito que se estiver sendo tratado, acompanhado por psiquiatra,  podemos, precisa o profissional ler muito, ele precisa estar como cada paciente, ele precisa conhecer o problema de cada paciente, ter o conhecimento para poder ouvir, uma coisa muito nova, recente, gente tem que continuar estudando, aprimorando, buscando melhoria, conhecimento, buscando soluções, gente tem que dar continuidade para conquistar mais avanços e inseri-los na sociedade, tem que ser um trabalho em conjunto com outras áreas, precisa melhorar porque é uma coisa muito recente, curso abriu espaço para responder questionamentos não percebido, curso abriu a cabeça para compreender a capacidade do outro reorganizar, curso me deu uma abertura de conhecimento para iniciar esse processo, gente precisa continuar a estudar, Só o conteúdo em si, não é o suficiente, gente concluir ou aprimorar o nosso cuidado com essa pessoa, gente continue estudando, aprimorando, fazendo novos cursos, fazendo leituras, tendo encontros para estudos de casos, com grupos de profissionais, gente melhore cada vez mais a condição de atendimento a essa pessoa, importante, gente começa a entender mais o outro, compreender que cada um tem valores diferentes”.

A oitava idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, sobre a formação do curso de psicanálise na intervenção e promoção da saúde mental é que o paciente, as famílias e a sociedade, muitas vezes, não percebem e não compreendem a necessidade de reorganizar e aprimorar o processo do cuidado, de ter que entender o outro e de compreender as próprias diferenças pessoais. Sabendo que o conteúdo pessoal não é suficiente para aprimorar a capacidade de compreensão e a abertura a esse conhecimento importante, surgem novos cursos e grupos de profissionais que estudam e fazem leituras e encontros de casos, seja para iniciar esse processo, seja para responder questionamentos, seja para trabalhar em conjunto com os pacientes, famílias e a sociedade para melhorar outras áreas. O valor do conhecimento agregado à técnica de acompanhamento de pacientes surge da porção do entendimento e da participação da vivência do trabalho clínico profissional, dentro de um determinado espaço de particularidade, aonde a escuta do profissional no atendimento ao paciente, que acredita que está sendo tratado, acompanhado, aonde a família e o próprio paciente buscam melhoria, solução continuada de conquistar avanços de inserção social e de saúde mental são tornadas realidade.Contudo, é importante salientar que não basta conhecer o problema;é preciso ouvir para poder aprimorar a capacidade de compreensão na busca de soluções, algo que o paciente, o profissional, a família e a sociedade estão precisando atentar, fazer a leitura de que é preciso trabalhar junto, com continuidade para  obterem a continuidade e aprimoramento do cuidado como novidade de vida.

7.9 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre Relacionar o Desconhecimento dos Direitos Mentais Com o Sofrimento Mental:

“direciono  à falta de um programa mais elaborado por parte das entidades públicas,chamado às famílias desses pacientes em casa a serem mais orientadas,a saber lidar e direcionar esse paciente,quando a pessoa não tem cultura não tem uma compreensão de mundo, passado para a população tanta propaganda desnecessária do governo, se conhece muito pouco os direitos, você tem que marcar e dois três meses é que tem atendimento, não vejo direitos porque na hora que precisa, de consulta, receituário, não tem,a pessoa que depende do SUS, não tem, muito complicado para você conseguir um psiquiatra, terapia a gente vê que pouco, uma coisa contribui com a outra, a questão do preconceito em relação ao doente mental,o próprio paciente, às vezes, tem vergonha da própria doença que ele tem, tem que trabalhar o preconceito no paciente, depois na família e na sociedade, quanto mais desconhecimento não melhora a condição e vão sofrer, se a sociedade não se sensibilize e desconhece os valores são desvalorizados mitos de que são pessoas ruins e de que podem trazer danos à sociedade, Se não compreender que é possível a gente conhecer a pessoa e que a gente possa reorganizar estas características, para eles viverem em sociedade, eles vão continuar sofrendo, se fala a realidade, o sonho do lúcido e a realidade do maluco, muita gente não leva muito a sério, denigre a própria imagem, achando que é sub-humano, não valoriza de jeito nenhum.”

A nona idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, sobre a relação entre o desconhecimento dos direitos mentais como sofrimento mental é que os pacientes, as famílias e a sociedade estão inseridos numa compreensão de mundo, influenciada por uma propaganda cultural que envolve desnecessidades, aonde o pouco que se conhece tem como marca uma complicada dependência (demora de atendimento) que contribui para a questão do preconceito gerando sofrimento pela falta de sensibilidade e desvalorização da necessidade de convivência social, aonde a valorização da humanidade é denegrida pela busca de sonhos lúdicos, evitando falar sobre a realidade, considerada vergonha. Os que desejam saber lidar e direcionar seus poucos conhecimentos para organizarem uma vivência no desejo de trabalhar a própria relação com a doença irão procurar fazer terapia e consulta psiquiátrica, ainda que os mitos envolvendo consultas e receituários sejam menos danosos que a pessoa não querer enxergar que precisa de orientação, compreensão e atendimento.

7.10 Palavras Colhidas das Entrevistas Sobre o Processo de Medicalização:

“medicação se faz necessária não em todos os casos, em todos os momentos, muito abrangente, mas nós sabemos que existe um uso de medicamento muito acirrado, se medica por medicar, para não se ter que cuidar, necessário, o paciente é medicado porque demanda é muito grande psiquiatra não tem como ouvir bem; a escuta é muito rápida, psiquiatra muitas vezes passa uma medicação que faz é piorar o paciente, paciente precisa voltar novamente, medicação é necessária, Tem casos que realmente precisa mas muitos não precisam, usam a medicação como forma de tentar resolver os problemas da sociedade, questão do comércio da medicação, chegar a ser outro problema para a pessoa, ela acaba usando para amenizar algum tipo de sofrimento e fica dependente, em determinados momentos, é necessário a medicação, em alguns momentos, eles não queriam tomar a medicação, tinha momentos, que a própria organização estrutural precisava de medicação, mas não ser um medicação que seja duradoura para o resto da vida, pode haver uma modificação na dosagem, mudança inclusive, no tipo de medicamento que possa estar interferindo na condição da melhoria de capacidade dele viver num mundo melhor, reorganizar a medicação quando aquela não está tendo efeito, ou de mais ou de menos, controle medicamentoso precisa ser cuidadoso, tanto por parte do médico que está prescrevendo, quanto ao cuidador que está observando se este medicamento está sendo colocado, totalmente contra, primeiro o paciente deve passar por todos os exames para ver se realmente tem algum problema na estrutura física porque a estrutura psíquica muitas vezes é oriunda do próprio meio e pode ser trabalhado na estrutura física.”

A décima idéia central observada na análise do discurso conjunto extraído da entrevista do grupo de psicanalistas recém-formados pesquisados, sobre a medicalização é que a necessidade dos pacientes, das famílias e da sociedade é muito abrangente, havendo uma demanda e escuta rápida, aonde a tentativa de resolver os problemas acaba gerando um comércio, aonde entre o querer e a necessidade existe a interferência de uma condição de aparente melhoria organizada por uma estrutura que afirma amenizar o sofrimento, gerando dependência à estrutura organizacional que modifica e controla tanto o paciente quanto os cuidadores. Existe uma disputa acirrada entre a descrição e o motivo do cuidado, ou seja, a quantidade e a qualidade de formas de tentar resolver os problemas pessoais, familiares e sociais, aonde a forma de buscar amenizar o sofrimento se torna mais patológico que a própria doença.; tal qual a dosagem e o tempo de uso de medicamentos adequados à realidade do doente, da mesma forma, quando se busca interferir na condição de melhoria do mundo, procurando controlar algo sem efeito, como a prescrição medicamentosa sem a observação do cuidador, da mesma forma que o que foi prescrito como favorável se torna contrário ao que fora proposto, tal qual, caso não haja um exame para verificar a própria estrutura pessoal, familiar e social, o que  fora gerado pelo próprio meio tido como estranho, na verdade é apenas um indicador da real patologia; ou seja: a piora do sistema de atendimento é uma simbologia do desvio de função social, aonde se deseja amenizar o sofrimento de quem quer viver, ofertando uma vida sem vida alienada ao sistema, sem compromisso de vida como real proposta de morte transvestida de progresso, modernidade e ação social.

8. Análise Comparativa Entre as Ideias Centrais Oriundas das Entrevistas e  o Resumo do Artigo da Pesquisa Bibliográfica:

Visando compreender as ideias centrais como representação social do grupo sobre o assunto, temos a compreensão de que o grupo entende que as famílias e a sociedade, estão adoecidos, podendo surtar, precisando de tratamento especializado, por causa de um modelo de mundo que procura o ilusório, ainda que haja momentos de lucidez, aonde o adoecimento reflete o não saber lidar com os problemas, o comprometimento do convívio e da estrutura orgânica e psíquica ocorrem, sendo oriundos de traumas ocorridos na própria origem histórica, sendo desencadeadas no dia a dia. Essa afirmativa se adoecimento se coaduna com os teóricos Pereira et al (1998), Foucault (1979, 1993, 2004), Marinoff (2001), Delgado (1991), Solomon (2002), Lougon (1993), Dalmolin (2000), Cordás (2002), Basaglia (1995) e Miller (1967), aonde a exclusão e isolamento dos doentes mentais reflete a mesma crença do “não saber lidar” inserido no pensamento médico do adoecimento como patologia física irreversível que gerou uma institucionalização e medicalização gerando violência institucional no modelo de avaliar os doentes mentais. Os psicanalistas defendem que a convivência nos espaços pessoais dos pacientes, das famílias e da sociedade que deveria oferecer condições de conquistar uma aproximação, na realidade, está prejudicada, envolta em confusão, acobertada por leis que subjugam, que geram rejeição e que transferem a responsabilidade, que querem repassar para quem não tem estrutura, alternativas que prejudicam os direitos conquistados, não existindo uma inclusão significativa de convivência,fatos que entram em sintonia com os teóricos Ribeiro (1999), Amarante (1998), Rocha (1994), Fernandes (1982), Silva (2003), Bandeira et al (1994), Barros (1996), Rotelli e Amarante (1992, 2003), Holmes (1997), Montero (1985),  Costa-Rosa (2000), Simon (1992), Goffman (1963), Link et al  (1999), Lauber et al (2004) e Corrigan e Gelb (2006) que afirmam que a reinserção social do doente mental na comunidade depende de investimentos e de propostas de serviços alternativos e de desconstrução do conceito de “doença mental”, inclundo a remoção de estereótipos negativos da mídia, sendo essa barreira, a própria tentativa de transferir responsabilidades.

Na entrevista foi entendido que a falta de humanização, compreensão, entendimento, respeito, formação e gosto pelo cuidar na vida dos pacientes, nas famílias e na sociedade, ocorre pelo fato de que o perfil do cuidador está envolvo num mito criado pelas famílias e pela sociedade, de que “quem cuida não precisa de cuidado”, o que se sintonia com o pensamento de Andrieu (2006). Jodelet (1982, 1984, 1986, 1994), Moscovici (1978), Vala (1993), Perrusi (1995), Alexander (1987), Perrusi (1995) e Ohana, Besis-Monino e Dannenmuller (1982) que falam das mudanças em meio a  representações sociais, que agrupam significados de pessoas que tentam entender o fenômeno psíquico, social,  formado por imagens e símbolos, cuja realidade é  produto e processo de interação e mudança social, envolvendo o corpo (imagem externa), visando prevenir a deterioração e manter o equilíbrio psíquico e a conservação da estética, sendo o mito, o próprio fenômeno evidenciado, aonde o cuidador parece ter o “corpo perfeito” não carecendo de saúde. Ademais, no parecer dos entrevistados, existe uma tensão envolvendo os pacientes, as famílias e a sociedade, sobre o cuidado especializado quanto ao acompanhamento psiquiátrico, a psicoterapia, bem como o atendimento médico, psicológico ou psicanalítico, baseada numa crítica que reflete à própria realidade pessoal do paciente, familiar e social, que consiste na qualidade da relação afetiva, uma vez que o estereótipo da doença faz com que haja um limiar de tolerância, ocorrendo desamor e falta de compreensão (pessoal, familiar, profissional e social).

Essa realidade abarca os escritos de Durkheim (1986), Moscovici (2010), Bower (1977), Dubar (1997), Bhaskar (1996), Rouanet (1996),  Beck (1999, 2000), Giddens (1994, 1997), Taborda (1996), Motta (2001), Maffesoli (1985) e  Marx (1963) que postulam que as diferenças individuais envolvendo socialização e internalização de valores, originam mecanismos de controle social, nos critérios e formas de sanção e recompensa, onde o medo,  na crise da modernidade está relacionado ao risco de agressão e de exposição social, aonde se vive em constantes mutações  de atitudes emocionais, como sinônimo da tensão abordada. Nas respostas obtidas, foi entendido que, enquanto não houver uma mudança de postura e de entendimento no atendimento (preparação, conhecimento e aprendizado) nas relações nos pacientes, nas famílias e na sociedade, não haverá reforma, uma vez que a existência a funcionalidade da lei não decorre da reinvindicação de conquistas ou regulamentação das formas de tratamento; ela precisa que haja uma mudança de postura, no decorrer do tempo, no ensejo do aprendizado do trabalhar as possibilidades, sendo funcional na realidade, algo que Charlot (2000), Sarti (1996), Chaves et al (2002), Oliveira & Bastos (2000), Cole M. e Cole S. (2004), Devries et al. (2004), Marturano (2002), Lipovetsky (1989), Wahl (2003) e Corrigan & Kleinlein (2005) tratam, quando falam da essência do humano nas relações sociais, constituindo um filtro por meio do qual traduzem o mundo social, isto é, o conflito entre os valores antigos e o estabelecimento de novas relações, laços afetivos no fenômeno da “socialização”,  constituída pela diversidade de interações entre as pessoas, na busca de informações pelo processo de comunicação, combatendo  as falsas imagens sobre doenças mentais, apresentadas ao público, que criam barreiras para a inserção social dos doentes mentais, aonde a necessidade da mudança de postura evidencia o filtro do fenômeno dessa socialização. Essa afirmação ainda comprova o fato de que tanto os pacientes, quanto às famílias quanto a sociedade estão vivendo enclausurados, acorrentados e presos na injustiça, desigualdade, falta de oportunidade e exclusão evidenciadas pela mídia. Que não pode haver socialização e oportunidade de convivência expressando presteza de atendimento de pacientes nas famílias e na sociedade, enquanto a questão do cuidado for tratada como um fator econômico capitalista, desigual, injusto, reduzindo o tratamento a um consumismo medicamentoso, sendo, justamente, as falsas imagens sobre doenças mentais, apresentadas ao público, que criam as barreiras para a inserção social dos doentes mentais.

Obtivemos que para que haja interesse de trabalho nos pacientes, nas famílias e na sociedade, é necessário que sejam mudadas as crenças, os torpores imaginativos, aonde o paciente, as famílias e a sociedade, muitas vezes, não percebem e não compreendem a necessidade de reorganizar e aprimorar o processo do cuidado, de ter que entender o outro e de compreender as próprias diferenças pessoais. Sabendo que o conteúdo pessoal não é suficiente para aprimorar a capacidade de compreensão e a abertura a esse conhecimento importante, surgem novos cursos e grupos de profissionais que estudam e fazem leituras e encontros de casos, seja para iniciar esse processo, seja para responder questionamentos, seja para trabalhar em conjunto com os pacientes, famílias e a sociedade para melhorar outras áreas. O valor do conhecimento agregado à técnica de acompanhamento de pacientes surge da porção do entendimento e da participação da vivência do trabalho clínico profissional, dentro de um determinado espaço de particularidade, aonde a escuta do profissional no atendimento ao paciente, que acredita que está sendo tratado, acompanhado, aonde a família e o próprio paciente buscam melhoria, solução continuada de conquistar avanços de inserção social e de saúde mental são tornadas realidade. Os pacientes, as famílias e a sociedade estão inseridos numa compreensão de mundo, influenciada por uma propaganda cultural que envolve desnecessidades, aonde o pouco que se conhece tem como marca uma complicada dependência (demora de atendimento) que contribui para a questão do preconceito gerando sofrimento pela falta de sensibilidade e desvalorização da necessidade de convivência social, aonde a valorização da humanidade é denegrida pela busca de sonhos lúdicos, evitando falar sobre a realidade, considerada vergonha. Essa narrativa coincide com os pensadores Wagner, Halpern e Bornholdt (1999), Piaget (1987), Szymanski (2001), Kreppner (2000), Berger e Luckmann (1985), Médici (1961), Petzold (1996), Kancyper (1999), Campos (2000), Weiner (2000), Exner (2003), Vygotsky (2001, 2003), Bom Sucesso (2000), Sisto (2002), Koga (1997), Quartilho (2001), Borges & Argolo (2002) e Melmam (2002), que abordam justamente sobre as mudanças por assimilação e acomodação de esquemas mentais diversificados, aonde a família exerce significativa influência no comportamento dos indivíduos que aprendem as diferentes formas de existir, de ver o mundo e construir suas relações sociais. Por causa da necessidade dos pacientes, das famílias e da sociedade que é muito abrangente, há uma demanda e escuta rápida, aonde a tentativa de resolver os problemas acaba gerando um comércio, aonde entre o querer e a necessidade existe a interferência de uma condição de aparente melhoria organizada por uma estrutura que afirma amenizar o sofrimento, gerando dependência à estrutura organizacional que modifica e controla tanto o paciente quanto os cuidadores. É justamente essa variação entre acomodação e assimilação envolvendo essa  disputa acirrada entre a descrição e o motivo do cuidado, ou seja, a quantidade e a qualidade de formas de tentar resolver os problemas pessoais, familiares e sociais, que há uma construção de relações sociais aonde a forma de buscar amenizar o sofrimento mesmo se tornando mais patológico que a própria doença, a família não deixa de exercer sua influência, se constituindo na base da sociedade.

9. Relatório de Conclusão

Na busca de entendimento sobre a exclusão e isolamento das pessoas acometidas de doenças mentais que envolve uma institucionalização e a medicalização inseridas no desejo de reinserção social do doente mental na comunidade, surge, então, a reflexão de que as relações entre os mecanismos de controle social e as constantes mudanças emocionais e relacionais, oriundas da visão a ser dita sobre pessoas portadoras de doenças mentais estão intimamente relacionadas num processo conjunto de construção de uma realidade social que interfere nas relações familiares cujo alvo são as pessoas, principalmente as portadoras de doenças mentais. Verifica-se, que, (tomando por base a análise bibliográfica e o resultado da análise de conteúdo dos entrevistados em relação ao tema proposto sobre representação e reforma psiquiátrica), o tema indica uma relação de simbolização (tal qual a dosagem e o tempo de uso de medicamentos adequados à realidade do doente, da mesma forma, quando se busca interferir na condição de melhoria do mundo, procurando controlar algo sem efeito, ou como a prescrição medicamentosa sem a observação do cuidador, da mesma forma que o que foi prescrito como favorável se torna contrário ao que fora proposto), tal qual, caso não haja um exame para verificar a própria estrutura pessoal, familiar e social, que o  que  fora gerado pelo próprio meio tido como estranho, na verdade é apenas um indicador da real patologia. Assim sendo, postulamos que a reforma, na verdade, é uma reforma social diante de um quadro de representação psiquiátrica (incitadora medicamentosa), aonde metaforizamos, tomando, como exemplo, a frase dita e escrita da entrevista 6, item 4.9 aonde o profissional entrevistado cita o termo“_...sonho do lúcido e a realidade do maluco”, ou seja, há quem deseje brincar com a realidade como se a busca de lucidez fosse loucura, semente de uma sociedade contraditória, aonde o terreno é propício para várias interpretações, aonde precisamos nos enraizar na ética e no labor para que evidenciemos frutos relacionais gerando e recebendo saúde mental.

Sobre os Autores:

Darlan de Almeida Lima - Estudante do Curso de Psicologia da Estácio - Ceará.

Juliane Alves da Costa - Estudante do Curso de Psicologia da Estácio - Ceará.

Juliana dos Santos Ximenes - Estudante do Curso de Psicologia da Estácio - Ceará.

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