“Ser” Brasileiro:  Representações Sociais das Identidades Nacionais

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Resumo: BRASIL. País de etnias, de interlocução de culturas, de extremos, de similaridades e de diversidades que formam um grande mosaico sociocultural. Durante a biografia do país, surgiram diversos questionamentos acerca do Brasil, sendo alvo de reflexão de inúmeros literários, antropólogos, sociólogos, psicólogos, historiadores, dentre outros. Porém, tais questionamentos tiveram sempre o intuito de compreender a uma mesma pergunta, que urge enquanto eixo de tal reflexão: Afinal, quem é o brasileiro? Tal questionamento se constitui enquanto uma pergunta histórica, que devido o seu caráter social, suportará sempre novos questionamentos, apresentando diferentes respostas ao longo do tempo. Assim, cada geração, ao formular esta interrogação, encontrará para ela uma resposta, de acordo com inúmeros fatores, subjetivos e socio-históricos, que se entrelaçam na cadeia vital do ser humano. Face ao exposto, esta pesquisa trata-se de Trabalho de Conclusão de Curso que objetivou investigar como o povo brasileiro constrói e manifesta identidades nacionais por meio das suas representações sociais acerca do que é “ser” brasileiro, tendo se buscado ainda: entender os conceitos de identidade nacional e representação social e a relação entre ambos; compreender de que maneira ocorre o discurso dos brasileiros acerca de suas identidades nacionais; compreender de que forma o brasileiro percebe sua nacionalidade; analisar de que forma as identidades nacionais podem estar presente nas formas de agir do cidadão brasileiro; identificar dados socio-históricos brasileiros na construção das identidades nacionais atuais. Para tanto, foi utilizado como metodologia o método Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), sendo uma técnica quanti-qualitativa, que apresenta como fundamento a teoria da Representação Social e seus pressupostos psicosociológicos. Foram entrevistados 51 sujeitos de diferentes regiões do Brasil, sendo 14 da região norte (Belém-PA), 11 da região nordeste (Salvador-BA), 15 da região sudeste (Rio de Janeiro-RJ) e 11 da região sul (Porto Alegre-RS). A coleta de dados se deu a partir da realização de entrevista semi-estruturada, sendo o local da coleta as cidades acima descritas. Destacam-se como resultados que há a predominância do discurso do brasileiro enquanto povo alegre, receptivo e batalhador, que enfrenta o problema da corrupção de quem está no poder. Nessa perspectiva, a corrupção se apresenta aplicada ao outro, especialmente à figura dos governantes, não havendo implicação dos participantes enquanto potenciais agentes transformadores de sua realidade social. Tais discursos configuram as identidades nacionais contemporâneas, mas que estão permeadas por representações sociais de caráter histórico. Portanto, observa-se na maioria dos discursos, independente da região do participante, ideias seculares, construídas ao longo da biografia do país, acerca do que é ser brasileiro, como a alegria, a receptividade, o “jeitinho brasileiro” e a noção de diversidade étnico cultural. Conclui-se que as identidades nacionais estão suscetíveis a transformações no decorrer do tempo, sendo alteradas conforme os fatos sociais e mudanças de paradigmas. Assim, “ser” brasileiro remete à construção e reconstrução de identidades nacionais que serão atravessadas por representações sociais, que permeiam a manifestação de comportamentos, a transmissão de valores e o posicionamento individual frente à coletividade.   

Palavras-chave: Identidade nacional, Representações sociais, Brasil.

1. Considerações Iniciais

BRASIL. País de etnias, de interlocução de culturas, de extremos, de similaridades e de diversidades que formam um grande mosaico sociocultural. Brasil é lugar do samba e do carimbó, de construções arquitetônicas históricas e de cidades grandes dominadas por arranha-céus, da literatura de Machado de Assis e das crônicas do humor realista de Luís Fernando Veríssimo. É onde estão presentes descendentes de africanos, índios e europeus, culminando em uma miscigenação étnica e cultural singular, cartão de visita brasileiro.

Dizem que é a terra de gente alegre, que tem espírito de Carnaval em todos os meses do ano e que sempre tem uma solução frente às dificuldades, o famoso “jeitinho brasileiro”. No Brasil, as pessoas seriam mais tolerantes e aceitariam mais facilmente aquilo que é novo, diferente do comum, e introjetariam, em seu repertório cultural, novos comportamentos. Esta é uma das perspectivas difundidas acerca do Brasil e do que é “ser” brasileiro. Mas será que é somente isso? O povo brasileiro pode ser descrito de maneira tão sucinta e aparentemente positiva? Até que ponto a história do país se relaciona com a concepção do que é ser brasileiro? E como esta concepção é constituída subjetivamente pelas pessoas?

Diversos questionamentos acerca do Brasil surgiram durante a biografia do país, sendo alvo de reflexão de inúmeros literários, antropólogos, sociólogos, psicólogos, historiadores, dentre outros (ARRUDA, 2000). Porém, tais questionamentos obtiveram sempre o intuito de compreender a uma mesma pergunta, que urge enquanto eixo de tal reflexão: Afinal, quem é o brasileiro?

Esta indagação, de acordo com Almeida (1988), volta-se para a noção de brasileiro ideal, para a sua “ideia”, que é formada e construída sócio-historicamente, e não para um brasileiro particular. Dessa forma, constitui-se enquanto uma pergunta histórica, que devido o seu caráter social, suportará sempre novos questionamentos, apresentando diferentes respostas ao longo do tempo. Almeida (1988) destaca, assim, que cada geração, ao formular esta interrogação, encontrará para ela uma resposta, de acordo com inúmeros fatores, subjetivos e sócio-históricos, que se entrelaçam na cadeia vital do ser humano.

Neste sentido, visto que a concepção do que é “ser” brasileiro se constrói em um percurso biográfico e psicossociohistórico, para se compreender sua perspectiva contemporânea é necessário e fundamental que, primeiramente, se refletir sobre as bases históricas e primevas desta constituição e como elas se manifestam no momento atual. Considerando-se, ainda, que este “ser” brasileiro pode ser pensado como uma identidade nacional. Dessa forma, questiona-se: como se iniciou, historicamente, a busca do brasileiro pela sua identidade nacional? Como se deu o processo de construção de uma possível identidade nacional brasileira?

Segundo Menezes (2009), ao se pensar na abordagem de uma identidade nacional, deve-se perpassar por dois caminhos de compreensão: primeiramente de como se pode pensar em uma identidade e em segundo como se pode compreender a questão nacional. Dessa forma, Menezes (2009) ainda destaca que a noção de identidade nasce com e da modernidade, tendo como foco a questão da subjetividade. Surge, então, enquanto

[...] produto do colapso da cosmovisão teocrática medieval, a qual, dentro do advento do humanismo renascentista, aflorou como paradigma da individualidade, a partir de duas tensões principais: a ocorrida entre a subjetividade individual x subjetividade coletiva [...] (SANTOS, 2003 apud MENEZES, 2009, p. 1)

Sob esta perspectiva, urge também a necessidade de se pensar em uma identidade coletiva de um grupo pertencente a uma nação, que buscando a preservação do que é considerado como sua especificidade cultural, valorizando suas tradições e costumes, acaba por sustentar a existência de um sentimento nacional. É neste sentido que se pode pensar no nacionalismo.

Conforme Soares (2003), as circunstâncias históricas do século XIX fizeram aflorar o nacionalismo no mundo ocidental. Nacionalismo, segundo Guimarães (2008), pode ser entendido como um sentimento que considera a nação a que pertence, por determinadas razões, melhor que as demais nações e, assim, dotada de mais direitos. Este sentimento é apresentado por intermédio de manifestações de xenofobia, racismo e arrogância imperial. Tal noção de nacionalismo pode ser percebida por meio das transformações ocorridas na Europa entre os séculos XVIII e XIX. De acordo com Soares (2003), as invasões napoleônicas, as guerras de unificação italiana e alemã, assim como as novas perspectivas de desenvolvimento do neocolonialismo, despertaram nas populações da Europa a preservação de seus espaços territoriais através da difusão dos valores constitutivos da nacionalidade.

Por outro lado, Guimarães (2008) ressalta que o nacionalismo ainda pode ser compreendido como um desejo de afirmação e de independência política em relação a um Estado estrangeiro opressor ou a necessidade de garantir ao seu território um tratamento igual ou pelo menos melhor. Soares (2003) explicita tal ideia ao afirmar que na América Latina, os processos de independência e a necessidade de conservar a coesão política colocaram em pauta o tema da identidade cultural, fazendo urgir a ideia do nacionalismo e da questão nacional.

No Brasil, a independência, em 1822, deu início a um processo de busca dos referenciais histórico-culturais do país. Era necessário conhecer a população, os recursos econômicos e as riquezas da terra, e registrar a História da Nação, mas alguns aspectos apresentavam grande complexidade. Como registrar a História de um povo formado segundo os critérios excludentes da sociedade colonial? Como apresentar a cultura do povo brasileiro sem mencionar o fato de que parte significativa desse povo e, portanto, dessa cultura, foi sistematicamente desqualificada pelos colonizadores? Como falar em identidade sem apontar seu complemento necessário – a alteridade – e todos os conflitos resultantes da presença e do predomínio do europeu no Novo Mundo? (SOARES, 2003, p. 1)

Observa-se, assim, que o Brasil e a gestação dos brasileiros enquanto povo surge “[...] da confluência, do entrechoque e do caldeamento do invasor português com os índios silvícolas e campineiros e com negros africanos, uns e outros aliciados como escravos” (RIBEIRO, D. 2010, p. 17). Sob a regência dos portugueses, nesta confluência, tradições culturais distintas, matrizes raciais díspares, formações sociais defasadas se enfrentaram e se fundiram para dar lugar a um povo novo (RIBEIRO, 1970 apud RIBEIRO, D. 2010). É um povo de história, valores, costumes, pensamentos e relações constituídos a partir desta grande cadeia de influências que o permeiam. Pensa-se, então, no surgimento de um povo diferenciado, a partir de uma síntese originária deste choque de realidades e culturas entre o europeu, o índio e o negro, na qual a perspectiva de cada um, nesta constituição – do europeu enquanto dominador e figura modelo, do índio enquanto nativo primitivo, plausível de dominação e catequização e do negro enquanto escravo e inferior – será de fundamental importância.

Nesse sentido, a consideração deste entrelaçamento de culturas e etnias surge enquanto base para a compreensão de uma possível identidade nacional brasileira, porém sempre tendo em vista a questão subjetiva de cada indivíduo envolvido neste processo, pois como Hobsbawm (2004, apud MENEZES, 2009, p. 2) afirma, “[...] tanto a construção de um conceito de nação, quanto o de uma identidade nacional, devem estar embasados em critérios subjetivos [...]”. Assim, da mesma maneira que Reis, J. (2008), pergunta-se: pode-se pensar e/ou falar de uma “alma comum”, de um “espírito homogêneo”, de uma “vida compartilhada”, de uma “experiência brasileira”, que abriria para um “horizonte de expectativa” genuinamente brasileiro? Ou seja, pode-se pensar em uma identidade nacional genuinamente brasileira?

Como provável resposta a este questionamento destaca-se a definição de Monteiro (1984, p. 76 apud ALMEIDA, 1988, p. 78) ao conceito de identidade nacional enquanto

[...] um conjunto de significações, representações relativamente permanentes através do tempo que permitem aos membros de um grupo social que compartem uma história e um território comum, assim como outros elementos socioculturais, tais como a linguagem, uma religião, costumes e instituições sociais reconhecer-se uns com os outros biograficamente.

Nesta perspectiva, é possível compreender a existência de uma identidade nacional brasileira, atravessada por aspectos psicosociohistóricos, desde o período colonial até a contemporaneidade. Mas poderíamos pensar em uma única identidade nacional ou em uma pluralidade de identidades? De acordo com Hall (2001, p. 13),

[...] a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Ao invés disso, à medida que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente.

Além disso, as transformações que ocorrem constantemente na sociedade tornam-se componentes na edificação da nação brasileira e, assim, também partes consideráveis na constituição de identidades nacionais. Partindo desse viés, Renan (1947 apud FIORIN, 2009) pontua que a nação é constituída por um legado de lembranças, que é aderido por todos. Thiesse (1999 apud FIORIN, 2009) complementa afirmando que tal legado pode ser simbólico ou material, e pertencer a uma nação significa ser herdeiro de um patrimônio comum. Assim, a nacionalidade é uma identidade, e seu processo de formação envolve a compreensão da herança de cada nação e a disseminação de suas características. Dessa forma, questiona-se: Como cada pessoa constrói sua identidade nacional? Como as pessoas representam e introjetam a sua nacionalidade, no caso em questão o “ser” brasileiro?

Conforme Almeida (1988), a experiência mediada pela linguagem, pela cultura nacional, pelos símbolos pátrios, a história pátria, chegam primeiramente para a formação da identidade nacional. Neste sentindo, para se compreender como as pessoas representam o que é “ser” brasileiro, faz-se necessário primeiramente compreender como o Brasil se constituiu enquanto nação, sua história, sua língua, suas antecedências, sua cultura, pois neste emaranhado que se encontrarão as instituições, os aspectos sócio-históricos e subjetivos que, na sua interlocução, irão contribuir para a formação de identidades nacionais. Entende-se, assim, que

A identidade nacional é criada pelas linguagens nacionais: da vida cotidiana, das atividades econômico-sociais, dos conflitos locais, dos valores locais, que aparecem na música, na poesia, na historiografia, nas artes, na política. Há discursos historicamente construídos, sinceros e vivos, que expressam o sentimento de pertencer à identidade nacional brasileira. Essa identidade não é nem essencial e nem natural, nem ontológica, mas uma “imaginação compartilhada”, criada em múltiplas linguagens, divergentes, discordantes, mas sobretudo “interlocutoras” umas das outras. A nação não seria só uma entidade política, mas um sistema de representação cultural. A nação seria uma comunidade simbólica, a identidade nacional seria mediada simbolicamente, através da criação de um idioma/dialetos e de rituais, que expressam sentimentos comuns, um espírito solidário. Uma cultura nacional seria um conjunto de discursos, imagens, símbolos, que expressam os sentimentos com os quais os membros do grupo se identificam (REIS, J., 2008)

Sob esta perspectiva é que se pode pensar em Representações sociais como forma de compreender as possíveis identidades nacionais brasileiras, visto que estas são construídas, parcialmente, por intermédio de uma linguagem simbólica, de um conjunto de representações culturais e sociais que determinada nação estabelece e expressa. Segundo Moscovici (1981, p. 181 apud ALEXANDRE, 2004, p. 131), as representações sociais são “[...] um conjunto de conceitos, frases e explicações originadas na vida diária durante o curso das comunicações interpessoais”, que por serem elaboradas e compartilhadas socialmente, possibilitam a comunicação entre os indivíduos, uma vez que contribuem para a construção de uma realidade comum.

Dessa forma, pode-se pensar na construção de identidades nacionais por meio das representações sociais difundidas acerca da nacionalidade brasileira. Conforme Pesavento (1999, p. 123), “A construção da identidade vale-se de imagens, discursos, mitos, crenças, desejos, medos, ritos, ideologias”, ou seja, a construção da identidade vale-se de representações sociais. Assim sendo, quais sãos os conceitos, frases e explicações que os indivíduos, inseridos em um contexto sócio-histórico, atribuem à nacionalidade?

A Teoria das Representações Sociais preconiza que o pensamento social, em sua dinâmica e diversidade constantes, pode ser entendido por meio da premissa de que há diferentes formas de se conhecer e se comunicar, sendo conduzidas por objetivos singulares e mutáveis (ARRUDA, 2000). Moscovici (1978) corrobora a ideia de herança ao afirmar que as representações sociais surgem a partir de observações e testemunhos acumulados a respeito de eventos correntes e do intercâmbio dos processos de percepção e de conceituação, visto que se produzem reciprocamente e se mantém interligados nos discursos sociais. O autor ainda coloca que, ao representar algo, não o repete ou reproduz, mas reconstitui, retoca, modifica, tornando o mundo aquilo que se pensa ou deve ser.  Pode-se fazer um paralelo desta concepção com o que Pensavento (1999, p. 123) afirma acerca de identidade:

[...] a identidade pertence ao mundo do imaginário, que é esta capacidade de representar o real, criando um mundo paralelo ao da concretude da existência. No caso da identidade, e particularmente da identidade nacional, constrói-se uma comunidade simbólica de sentido que cria a sensação de pertencimento.

Segundo Spink (1993), o conceito de representação encontra-se no conhecimento e na apreensão da realidade, havendo uma ênfase na natureza do conhecimento. Nesse sentido, as representações sociais estão focadas nas formas de conhecimento prático, ou seja, mais especificamente nos estudos do senso comum. Assim, pode-se compreender que as representações sociais são construídas por intermédio de ideias subjetivas e que, no decorrer das gerações e das transformações sociais, tornam-se coletivas, constituindo-se em reproduções daquilo que se pensa do mundo, de sua realidade e de si mesmo. É neste sentido que se pode afirmar que cada um traz consigo uma representação, um discurso acerca do que é ser brasileiro.

Porém, esta representação não é construída pelo indivíduo de forma isolada. Partindo do princípio que o ser humano é um ser de relação, vivente em sociedade, entende-se que a cultura, a história, o meio social em que este está inserido entrelaça-se com a sua realidade subjetiva, com a forma com que atribui sentido ao que vivencia. É neste sentido que se pensa em representação social da identidade nacional brasileira.

O ser humano nasce inserido em um contexto cultural de uma nação, sendo a ele atribuída uma nacionalidade que, ao longo da vida, será representada subjetivamente, porém permeada pelo contexto sóciohistórico em que está inserido. Durante o ciclo vital do ser humano, as questões referentes as identidades nacionais serão por ele experienciadas e significadas. Dessa forma, pode-se destacar a relevância deste estudo para a Psicologia, visto que o discurso acerca das identidades nacionais é elaborado e significado subjetivamente pelos indivíduos, sendo de significativa importância no seu desenvolvimento psíquico.

Dante Moreira Leite (1964 apud ARRUDA, 2000) desfia, no primeiro clássico brasileiro da psicologia social a ser reconhecido pelas demais ciências sociais, o rol de pensadores que recorrem à psicologia para pensar o Brasil, registrando assim a presença da psicologia social na discussão sobre o Brasil e sua gente. “O fato de pensarem o país e sua gente como produto de características psicológicas típicas de um povo – o caráter nacional – será o alvo de sua crítica” (ARRUDA, 2000, p. 19). Almeida (1988, p. 72) afirma que

[...] o estudo da identidade nacional é fundamental para o brasileiro, sobretudo nesta época crítica da nossa História. Agora, ele pode ser feito sem os riscos que acompanhavam o Nacionalismo e o Ecnocentrismo das décadas de 30. A História tem demonstrado o papel da identidade nacional na sobrevivência de um Povo mesmo que ele não disponha de um território seu. O povo judeu é um bom exemplo disto, como ainda os parses, molokones e atualmente os palestinos. A busca de uma "forma" brasileira de ver o mundo, teorizar sobre os problemas institucionais e sociais e buscar soluções originais é fundamental se quisermos possuir, como escreveu Ortega y Gasset uma nova "forma" de vida que seja distinta da americana, da soviética, da francesa ou da inglesa. Somente a conquista desta "originalidade" é que nos assegurará, a longo prazo, um lugar de destaque entre os Povos. Situada a questão dentro das várias perspectivas com que tem se apresentado, cabe, agora, discutir os conceitos básicos nesta área de estudo.

Outro aspecto fundamental é que na Psicologia, especialmente na Psicologia Social, apresenta-se como uma vertente teórica e área de estudo o campo das representações sociais (SPINK, 1993). De acordo com Alexandre (2004, p. 130),

A representação social torna-se um instrumento da Psicologia Social, na medida em que articula o social e o psicológico como um processo dinâmico, permitindo compreender a formação do pensamento social e antecipar condutas humanas. Ela favorece o desvendar dos mecanismos de funcionamento da elaboração social do real, tornando-se fundamental no estudo das idéias e condutas sociais.

Sob esta perspectiva, Franco (2004, p. 170) afirma que “a abordagem e a realização de pesquisas sobre representações sociais podem ser consideradas ingredientes indispensáveis para a melhor compreensão dessa sociedade”, ainda mais quando se estuda as representações sociais referentes à identidade nacional brasileira.

Neste sentido, pensa-se que em um país multicultural, dever-se-ia exaltar as diferenças, as singularidades, procurando-se evitar generalidades, crenças pré-estabelecidas. Conforme Moscovici (1978), a Teoria das Representações Sociais apresenta enquanto ponto de partida a diversidade dos indivíduos, atitudes e fenômenos, levando em consideração a sua estranheza e imprevisibilidade. Neste sentido que Arruda (2000, p. 29) destaca

[...] o trabalho das representações sociais na construção das anteridentidades, ou seja, das identidades que se constroem apoiadas na alteridade, e das alteridades que podem ser incorporadas à identidade segundo as circunstâncias que o remanejo do projeto (inter)nacional produz na instituição imaginária da sociedade, confirmando assim a possibilidade da psicologia social contribuir para pensar o Brasil e sua gente na atualidade.

Face ao exposto, esta pesquisa teve como objeto problema as identidades nacionais brasileiras, como elas são representadas pelas pessoas e como esta representação é constituída socialmente, utilizando-se como metodologia o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). A partir disso, o presente estudo intentou se apresentar como suporte para uma maior compreensão acerca das identidades nacionais brasileiras, tendo em vista sua constituição por meio de representações sociais, estando intimamente relacionada com o “jeito de ser” do cidadão brasileiro e, consequentemente, com a estruturação e dinâmica da sociedade na qual está inserido. 

Portanto, esta pesquisa teve como objetivo investigar como o povo brasileiro constrói e manifesta identidades nacionais por meio das suas representações sociais acerca do que é “ser” brasileiro. Para se alcançar tal objetivo, estabeleceu-se como objetivos específicos: compreender os conceitos de identidade nacional e representação social e a relação entre ambos; compreender de que maneira ocorre o discurso dos brasileiros acerca das identidades nacionais; compreender de que forma o brasileiro percebe sua nacionalidade; analisar de que forma as identidades nacionais podem estar presentes nas formas de agir do cidadão brasileiro; e identificar dados sócio-históricos brasileiros na construção das identidades nacionais atuais.

2. Referencial Teórico

2.1 Construção do Conceito de Identidade Nacional: Digressões E Polêmicas

Falar sobre identidade não se constitui uma tarefa simples, pois engloba diferentes áreas de discussão e saber, como a filosofia, a psicologia, a sociologia, a antropologia, dentre outras (OLIVEIRA, 2003). Neste sentido que Santos (1994, p. 120 apud EWALD e SOARES, 2007, p. 24) afirma que “A preocupação com a identidade não é, obviamente, nova. Podemos dizer até que a modernidade nasce dela e com ela”, porém, ao longo do tempo, as discussões, inseridas em um contexto sóciohistórico, tomam rumos diferentes, originando diversas formas de se pensar o conceito de identidade. Como já mencionado, Santos (2003 apud MENEZES, 2009) afirma que o conceito de identidade é resultado da crise na cosmovisão teocrática medieval que, com o surgimento do humanismo renascentista, veio suscitar o padrão de individualidade, gerando dois temas principais: a subjetividade individual e a subjetividade coletiva.

Seguindo esse raciocínio, Menezes (2009) coloca que pensar em subjetividade coletiva remete à ideia de um grupo que pertence a uma nação e que preserva aquilo que é considerado sua especificidade cultural, na valorização de costumes e tradições, o que gera a constituição e manutenção de um sentimento nacional. De acordo com Domingues (2002), conforme a noção de subjetividade coletiva, a vida social se constitui a partir de uma rede de interações, multidimensional, na qual os atores individuais e as coletividades se influenciam mutuamente. Assim, as várias dimensões que estão contidas nas subjetividades coletivas são estabelecidas sob a influência de outras coletividades.

Ou seja, as dimensões hermenêuticas (normativas, cognitivas e expressivas) das diversas coletividades geracionais se influenciam umas às outras; não se trata, portanto [...] de analisar suas dimensões hermenêuticas, nem quaisquer outras, isoladamente e sem referência a outras coletividades (DOMINGUES, 2002, p. 2-3)

Pode-se compreender, então, que a partir do surgimento da discussão sobre subjetividade coletiva e subjetividade individual, a compreensão sobre o conceito de identidade passa a ter outro viés. A ideia da construção de identidade começa a ser compreendida na dialética derivada destes temas, havendo a consideração de uma esfera individual e outra coletiva concomitantemente.

É a partir de 1960, segundo Bernd (1992 apud BALDO 2006), que o conceito de identidade começa a abranger a cultura, perdendo seu caráter exclusivamente individual. Para compreender melhor esta mudança, vale citar o conceito de cultura apresentado por Nardi (2002, p. 4), afirmando que:

[...] a cultura é um processo cumulativo de conhecimentos e práticas resultantes das interações, conscientes e inconscientes, materiais e não-materiais, entre o homem e o mundo [...] é um processo de transmissão pelo homem, de gerações em gerações, das realizações, produções e manifestações, que ele efetua no meio ambiente e na sociedade, por meio de linguagens, história e educação, que formam e modificam sua psicologia e suas relações com o mundo.

Dessa forma, a construção do conceito de identidade, paulatinamente, começa a envolver aspectos sócio-históricos antes não considerados, tornando-a um processo contextualizado que se intercala com a história de transformações de determinada nação. Nesta perspectiva, Fiorin (2009) acrescenta que a nacionalidade é, assim, uma identidade.

Ao abordar identidade nacional, então, os discursos derivados desta questão estão pautados na premissa de que há fatores sociais em sua construção e que são historicamente contextualizados. Dessa forma, o conceito de identidade nacional não é permanente, imutável, mas está em constante mudança a partir das transformações do ambiente no qual se insere uma sociedade. Assim, Ortiz (2006 apud MENEZES, 2009) aponta que há uma construção simbólica, ou seja, a identidade nacional não é única, pois há uma variedade de identidades construídas por diferentes grupos sociais e em contextos históricos distintos. Tendo em vista esta ideia, que coloca a identidade nacional como múltipla e compartilhada coletivamente, questiona-se então como defini-la de modo que abranja os pormenores e especificidades de sua construção.

Fiorin (2009) ressalta que a identidade nacional é uma criação moderna, tendo início no século XVIII e desenvolve-se plenamente no século XIX. Antes dessa época, não se pode falar em nações propriamente ditas, seja em qualquer parte do mundo. Pesavento (1999) corrobora tal ideia ao afirmar que a identidade é uma construção que tem início a partir do momento em que um grupo se reconhece enquanto nação, o que implica pressupor que há um processo de identificação, seleção, montagem e composição de elementos que dão origem ao padrão identitário de referência.

Assim, de acordo com Reis, C. (2008), é a partir da Independência que surge a necessidade de progresso e de modernidade, pensando o Brasil enquanto nação e os brasileiros como povo, o que se constituía uma tarefa bastante complicada para a época devido à heterogeneidade racial da população, com uma ampla história de desigualdade e de estratificação social, herança de um passado colonial. Nesse sentido, Soares (2003) pontua que a partir desse momento teve início um processo de procura dos referenciais histórico-culturais do país. A população precisava ser conhecida para que a história da Nação fosse registrada, porém havia certa complexidade em alguns aspectos. Seria árduo, por exemplo, registrar a história de um povo baseado nos critérios de exclusão da sociedade colonial. Além disso, seria complicado, também, apresentar uma cultura ao povo brasileiro sem levar em conta que parte significativa desse povo e, consequentemente, da cultura, foi desqualificada pelos colonizadores. E, o mais relevante questionamento, como falar em identidade sem mencionar um complemento crucial, a alteridade, e todos os conflitos produzidos pela presença do predomínio europeu?

Pesavento (1999) se reporta à ideia de que a identidade nacional é uma comunidade relacional, na qual “outros” estão envolvidos. A maneira como os “outros” a percebem, também se configura em algo que está presente na constituição da identidade. Ou seja, mesmo sendo uma construção simbólica, o padrão identitário se confirma a partir do olhar do “outro” sobre “nós”. Assim, isso implica delimitar quem são esses “outros” e com o que a sociedade se identifica.

Há, no caso brasileiro, uma alteridade histórica e que se insere no plano do desejado, e que é o Primeiro Mundo. [...] Mas, quanto à alma verdadeira, ao caráter intrínseco do "jeito" de ser, ao âmago do "nós", o Primeiro Mundo configura-se como a alteridade desejada ou como o horizonte de chegada de uma identidade que se poderá atingir um dia (PESAVENTO, 1999, p. 128).

Alguns exemplos desses “outros”, segundo a autora, são citados como a América Hispânica, a Latino-América e até mesmo são levantados “outros” internos, que são os excluídos do processo de construção da cidadania, considerados como problema na elaboração identitária: o povo brasileiro mestiço e pobre.

É uma espécie de fantasma do passado a irromper no presente e a despertar as consciências: a questão da terra, a estigmatização que acompanha o negro no seu ingresso no mundo pós-escravista. Eles seriam a verdadeira "cara" do Brasil? (PESAVENTO, 1999, p. 129).

Segundo Barbosa (2001), para os intelectuais do final o século XIX a identidade nacional estava intrinsecamente relacionada com a questão racial, visto que a abolição da escravatura colocava na realidade a necessidade de se pensar sobre o que fazer com o contingente de recém-libertos na sociedade brasileira. Foi uma época de importação de teorias raciais advindas da Europa, que proclamavam a diferença qualitativa entre as raças, tendo a “raça branca” como estágio mais avançado da humanidade e as demais como incapazes ou em estágio primitivo.

No entanto, Barbosa (2001) afirma que essas teorias funcionavam como um impasse para o desenvolvimento do país. Ora, sendo o Brasil um país formado por grande parte de uma população mestiça e negra, pergunta-se como seria possível alcançar o progresso segundo os moldes da civilização europeia?

Ainda nesta perspectiva, assim como os negros, outra figura que deve ser posta em plano são os índios, considerados aqui como anfitriões da nação lusitana na descoberta do Novo Mundo. Falar sobre o povo indígena da época, segundo Ribeiro, D. (2010) constitui-se em tarefa impossível, visto que a ideia que se tem é somente a de uma das partes: do dominador. Então, o autor se propõe a fazer uma leitura crítica desta versão para chegar a uma possível compreensão. O autor revela que muitos povos indígenas tiveram papel na formação do povo brasileiro, seja como escravos preferenciais ou como inimigos irreconciliáveis. A relação entre índio e colonizador sempre foi conflituosa, nunca sendo estável.

Neste sentido, deve-se pensar, também, na figura do europeu colonizador enquanto influência na constituição do povo brasileiro e, por conseguinte, da sua identidade nacional. Dessa forma, Fiorin (2009) pontua que, no estudo da construção da identidade brasileira, deve ser levada em conta a herança portuguesa e, ao mesmo tempo, apresentar o brasileiro como alguém diferente do lusitano.  O Brasil, segundo Freyre (2010), constitui uma unidade de sentimento e cultura com Portugal, como consequência do processo de colonização. Em território brasileiro, o português foi “[...] procriador europeu nos trópicos. Dominou as populações nativas, misturando-se com elas e amando com gosto as mulheres de cor” (FREYRE, 2010, p. 25).

Ainda segundo Freyre (2010), este encontro entre tais povos desenvolveu na sociedade brasileira a cordialidade e simpatia típicas da sociedade lusitana, além de causar o sacrifício das oportunidades de expressão cultural e de ascensão social dos demais integrantes da sociedade brasileira em formação: o negro e o índio. Essa oportunidade permitiria a livre expressão do povo brasileiro, porém seria encarada pelos demais europeus como escandalosa e divergente da cultura tida como oficial, a europeia.

O autor afirma que a base da sociedade criada pelos portugueses foi fundamentada economicamente sobre o trabalho escravo, mas a mestiçagem atuou no Brasil como uma força social e psicológica muito mais ampla e mais profunda que a escravidão.

A mestiçagem impôs-se entre nós como uma força física, diremos melhor biológica, e como uma força psicológica, ou, mais particularmente, sentimental, contra as quais nenhum outro elemento pôde prevalecer. Contra as quais nenhum outro elemento teve sequer o vigor necessário para lutar com vantagem. Porque ela foi ativa e criadora; às vezes até agressiva (FREYRE, 2010, p. 26).

Face ao exposto, pode-se concluir que ao pensar em um povo brasileiro, e na construção de sua identidade, deve-se levar em consideração os principais povos que fizeram parte desta constituição: o índio, o europeu colonizador e o negro. Pesavento (1999) afirma que a visão da sociedade em que participam negros, índios e colonizadores portugueses é baseada em uma tríade: o colonizador branco é cultura, o índio é natureza e o negro é coisa, ferramenta.

Ribeiro, D. (2010) ainda ressalta uma visão pessimista, porém digna de ênfase acerca das origens da nação brasileira. O autor refere que o sofrimento vivido pelos índios e negros através de séculos está presente nos brasileiros de hoje. Ao mesmo tempo em que são os negros e índios supliciados, também são as mãos que os supliciaram. Doçura terna e crueldade atroz aqui se confundem para fazer do povo brasileiro uma gente sentida e sofrida, além de insensível e brutal. São os descendentes de escravos e de senhores de escravos, servos da malignidade destilada por uns e instalada na nação, tanto pelo sentimento da dor, quanto pelo exercício da brutalidade.

Nesse sentido, o movimento de intelectuais para responder a questão da identidade nacional, levando em conta origens, representações sociais e uma cultura de miscigenação, traz à tona conceitos e denominações que, segundo Baldo (2006), teriam o intuito de satisfazer a necessidade de elaboração de uma consciência nacional que inspirasse no povo o sentimento de identidade, essencial para o processo de autoafirmação. Investigar a maneira pela qual a nação brasileira foi redescoberta constantemente, desconstruindo o processo de formação de uma identidade nacional é um questionamento complexo que motiva a um estudo mais aprofundado das ideias abordadas até os dias atuais.

Para iniciar esse caminho, reporta-se à ideia de caráter nacional. De acordo com Leite (2002, p. 47), “quando a ideia de caráter nacional aparece no romantismo alemão [...] é uma forma de afirmar os direitos do sentimento contra a razão, da história contra o presente”. Leite (2002) coloca que a ideologia do caráter nacional é consolidada a partir do momento em que teorias raciais são aceitas pelos brasileiros, em 1950, como forma de justificar o domínio das classes sociais mais ricas, como ocorria na Europa. Além disso, tais teorias também permitiam explicações em relação ao atraso do Brasil pela existência de grupos de raças inferiores e de mestiços. Unindo-se, nessa época, à teoria racista, pode-se citar a antropogeografia, que se configura numa forma de racismo, pois liga seu povo ao seu ambiente geográfico e à formação de um grupo racial.

O teórico alemão Herder (1770 apud LEITE, 2002), principal representante dessa ideologia, coloca que o conceito de caráter nacional contém a valorização da originalidade de cada povo, sendo estimulado o desenvolvimento das peculiaridades e características de cada um. Nos estudos sobre caráter nacional é visto que após um entusiasmo, surge um momento de crítica e ceticismo, no qual o conceito é abandonado. Por meio de novos pressupostos e em bases diversas, o conceito é retomado. Essa dinâmica, de criação e crítica, segue até os dias atuais de forma mais rápida. As ideias sobre o caráter nacional de um povo surgem em momentos de crise e acompanham movimentos nacionalistas.

[...] a ideologia do caráter nacional brasileiro passou a ter menos significação e começou a desaparecer no momento em que as condições objetivas de vida econômica de certo modo impuseram a necessidade de um novo nacionalismo. Em outras palavras, à medida que se acentua a industrialização brasileira, é a economia do país que passa a ser posta em jogo, e a luta pela independência supera as explicações da inferioridade nacional (LEITE, 2002, p. 434).

Dessa forma, o caráter nacional gerou novos conceitos, de acordo com as transformações da sociedade, que melhor explicassem os aspectos comuns que um povo compartilha. Um deles, segundo Leite (2002) é o caráter cultural, cujo principal representante é Gorer. Este teórico preconiza que, em alguns aspectos predominantes de determinada cultura, há relações entre experiências infantis e comportamento adulto. Aqui não cabe a descrição de uma personalidade básica de um povo, que envolve aspectos culturais tão exatos, mas a presença de experiências infantis que pudessem explicar as características psicológicas supostamente observadas na construção da cultura. Leite (2002, p. 113) ainda ressalta que “quando os fatos parecem desmentir a intuição original, o cientista dá outro nome ao fato, de maneira que este adquire outro conteúdo”. Assim, o autor ressalta que se pode perceber que o conceito de caráter cultural se constrói a partir das intuições do próprio pesquisador, não havendo comparação com outras culturas.

Se isso não impede que tais intuições sejam ocasionalmente corretas, seria evidentemente absurdo admitir que a demonstração de sua origem na experiência infantil possa ser aceita como prova. Afinal, se não se provou a existência de uma característica, como supor a possibilidade de demonstrar sua causa? (LEITE, 2002, p. 114)

Outro conceito desenvolvido foi o de personalidade modal. De acordo com Almeida (1988), esta pode ser definida como o conjunto de características que aparece mais predominantemente no comportamento de uma sociedade. Segundo Leite (2002), este conceito aparece em cena justamente como forma de transpor as dificuldades de comprovação apresentadas pelo caráter cultural. Assim, a personalidade modal é aquela que pode ser verificada por provas psicológicas, visto que é quantitativamente predominante em determinada sociedade. Ou seja, são características que aparecem mais frequentemente, podendo ser quantificadas e, assim, comprovadas. Porém, ao autor pontua que também há problemas nesse conceito, visto que não há dados objetivos que possibilitem afirmar a existência de uma personalidade modal na diferentes nacionalidades.

Leite (2002) também se reporta ao conceito de caráter social, que está muito próximo ao de personalidade modal, porém acrescenta a adequação entre o caráter social - também denominado como “personalidade típica” - e as necessidades sociais objetivas. Conforme este pensamento, as condições sociais exigem certo tipo de personalidade que se ajuste a elas. Ao mesmo tempo, a personalidade tende a ser refletida em instituições ou na vida política da sociedade, o que nos leva a pensar em uma interdependência entre a construção da personalidade e o sistema social. Porém, o autor novamente coloca que a falta de provas objetivas em relação ao predomínio de determinado tipo de personalidade em determinada cultura é um impasse para a aceitação desse conceito.

Ainda na tentativa de entender os aspectos compartilhados por um povo, será apresentado o conceito de identidade nacional como um conjunto de significações, representações relativamente permanentes no decorrer do tempo, que possibilitam que os integrantes de um grupo social compartam uma história e um território comuns, bem como outros aspectos socioculturais, reconhecendo-se como relacionados entre si biograficamente (MONTERO, 1984 apud ALMEIDA, 1988). Almeida (1988) pontua que essa definição abrange o aspecto histórico do homem, a estabilidade, as instituições e a situação, atendendo tanto ao singular quanto à coletividade do povo brasileiro. Nesse sentido, o autor afirma que a ideia de identidade nacional apresenta certa vantagem sobre as anteriormente citadas.

Dessa forma, retorna-se e enfatiza-se o que pontua Ortiz (2006 apud MENEZES 2009) sobre a identidade nacional: não há uma identidade autêntica, única, mas uma multiplicidade de identidades que se adequam ao contexto histórico, à cultura, aos acontecimentos sociais, à sociedade e, acima de tudo, ao discurso do povo. Portanto, a identidade nacional é construída, apresentada, confirmada e transformada a partir das representações sociais que um povo pertencente a uma nação manifesta. Logo, faz-se pertinente teorizar sobre as representações sociais no intuito de compreendê-las em entrelaçamento com o conceito de identidade nacional.

2.2 Teoria das Representações Sociais e a Construção da Identidade: Entrelaçamento de Conceitos.

A teoria das representações sociais – contemporaneamente considerada uma referência não só para os estudiosos da Psicologia Social, mas para as ciências sociais como um todo – foi inicialmente constituída por Serge Moscovici a partir do conceito de “representação coletiva”, elaborado por Durkheim na Sociologia, tal conceito que, por sua vez, já era considerado esquecido (ALEXANDRE, 2004; JODELET, 1985).

Durkheim (1989 apud ALEXANDRE, 2004) argumentou que fenômenos coletivos, como religião, línguas, não podem ser explicados em termos do indivíduo, pois são produtos de uma comunidade, ou de um povo. Fundamenta, assim, que as regras que comandam a vida individual (representações individuais) não são as mesmas que regem a vida coletiva (representações coletivas). Neste sentindo, destaca-se no pensamento de Durkheim uma separação entre o indivíduo e o social, o que era característico da sua época, na qual “A partir de uma visão reducionista e de uma perspectiva de dicotomia entre o indivíduo e o social, a Psicologia ficou com o estudo do indivíduo e a Sociologia com o estudo da sociedade” (ALEXANDRE, 2004, p. 123).

Dessa forma, conforme Junqueira (2005, p. 145), destaca-se que esta distinção teórica realizada por Durkheim, de representações individuais e coletivas, “fazia parte do esforço para construir um objeto específico da Sociologia, separando-a da Psicologia e da Biologia”. Nesta perspectiva que, segundo Alexandre (2004, p. 125-126),

Na Psicologia, o conceito de representação social foi resgatado pela vertente sociológica da psicologia européia. O estudo da representação social marca uma mudança no eixo tradicional das pesquisas em Psicologia Social, que se concentravam, principalmente, na tradição behaviorista (legado de Watson) de verificação de comportamentos observáveis. Durante muitos anos, os conteúdos implícitos do comportamento humano foram pouco trabalhados pela Psicologia por, supostamente, não estarem dentro do âmbito de estudo desta ciência. [...] A contribuição da vertente francesa à Psicologia está fundamentada na ampliação dos objetivos e limites da Psicologia Social, alcançando bons resultados na compreensão do processo da elaboração psicológica e social da realidade, integrando aspectos explícitos e implícitos do comportamento à explicação das condutas.

É neste sentido que Moscovici (1978, p. 41), ao repensar o conceito elaborado por Durkheim, posiciona as representações sociais sob uma ótica diferenciada: “na encruzilhada de uma série de conceitos sociológicos e de uma série de conceitos psicológicos”. De acordo com Spink (1993), as representações sociais estão situadas na interface dos fenômenos individual e coletivo, o que faz despertar o interesse de todas as ciências humanas e sociais. Deste modo, Moscovici (1978 apud ALEXANDRE, 2004, p. 126) “resgata do emaranhado de conceitos sociológicos e psicológicos a definição de representação social”, sendo esta então uma modalidade de conhecimento particular que tem por função a elaboração de comportamentos e a comunicação entre os indivíduos.

Conforme Forgas (1981 apud ALEXANDRE, 2004), o conhecimento é algo profunda e inevitavelmente social, tendo em vista que nosso conhecimento é estruturado e transmitido desde o primeiro dia de nossas vidas, sendo realçado por valores, motivações e normas do nosso ambiente social na fase adulta, enfatizando-se que as ideias, conhecimentos e representações são criadas e recriadas tanto ao nível social quando individual. Neste sentindo que, segundo Alexandre (2004), nem toda modalidade de conhecimento pode ser considerada representação social e sim, somente aquela que faz parte da vida cotidiana das pessoas, por meio do senso comum, sendo um conhecimento elaborado socialmente, a partir de um conteúdo simbólico e prático, funcionando no sentido de interpretar, pensar e agir sobre a realidade.

Porém, como destaca Moscovici (1978), frequentemente o conhecimento do senso comum é depreciado, mostrado como inferior, irracional e, em última instância, errado. Tal depreciação pode ser compreendida como reflexo de um contexto sócio-histórico que abarca, em uma hierarquia de modalidades de saber, o conhecimento científico como o mais correto e verdadeiro, esquecendo-se da importância do conhecimento do cotidiano, em sua propriedade simbólica e prática, para se poder compreender a realidade vivida pelas pessoas. Sob esta perspectiva, tendo em vista tal importância, o conceito de representação social procura resgatar esta dimensão do saber humano, no qual o senso comum não é mais visto como “[...] cidadão de segunda classe, mas como conhecimento legítimo e motor das transformações sociais” (SPINK, 1993, p. 302). Deste modo,

As representações sociais são entidades quase tangíveis. Elas circulam, cruzam-se e se cristalizam incessantemente através de uma fala, um gesto, um encontro, em nosso universo cotidiano. A maioria das relações sociais estabelecidas, os objetos produzidos ou consumidos, as comunicações trocadas, delas estão impregnadas. (MOSCOVICI, 1978, p. 41)

Destaca-se, ainda, a necessidade de se “encarar a representação social tanto na medida em que ela possui uma contextura psicológica autônoma como na medida em que é própria de nossa sociedade e de nossa cultura” (MOSCOVICI, 1978, p. 45), estando inserida na nação a qual pertencemos, logo, entrelaçada à nossa nacionalidade. Segundo Spink (1993, p. 300), “[...] as representações são, essencialmente, fenômenos sociais que, mesmo acessados a partir do seu conteúdo cognitivo, têm de ser entendidos a partir do seu contexto de produção”. Spink (1993) ainda afirma que por serem socialmente elaboradas e compartilhadas, as representações sociais contribuem para a construção de uma realidade comum, que possibilita a comunicação.

Face ao exposto que se pode pensar na articulação do conceito de representação social com o de identidade nacional, no sentido que esta última é originada da vida cotidiana e suas manifestações, como valores e costumes locais, instaurando o que Reis, J. (2008) coloca como uma “imaginação compartilhada”, originada de suas múltiplas linguagens, que mesmo discordantes, funcionam, sobretudo, como interlocutoras umas das outras. Então, se a cultura nacional – formadora de uma identidade compartilhada, logo nacional – seria um conjunto de símbolos, imagens, discursos, que expressam os sentimentos que os membros do grupo se identificam (REIS, J., 2008), pode-se compreender que tal cultura nacional seria nada mais que um conjunto de representações sociais sobre ser, estar e pertencer a uma nação.

Entende-se que as representações sociais são elementos simbólicos que os homens expressam mediante o uso de gestos e de palavras, no qual esta última está atrelada ao uso da linguagem oral e/ou escrita (FRANCO, 2004). Dessa forma, os homens expressam o que pensam, suas opiniões, suas percepções acerca de determinado assunto ou situação, suas expectativas, entre outras questões, compreendendo-se ainda que essas mensagens, facilmente vistas como algo individual e somente do indivíduo, são na verdade construídas socialmente, sendo mediadas pela linguagem e estando, necessariamente, ancoradas no âmbito da situação real e concreta dos indivíduos que as emitem. Da mesma forma, a identidade nacional é mediada simbolicamente, por meio da criação de um idioma e de rituais, que expressam sentimentos comuns, sendo a nação uma comunidade simbólica (REIS, C., 2008). Segundo Pesavento (1999), no caso da identidade nacional constrói-se uma comunidade simbólica de sentimento que cria a sensação de pertencimento.

Franco (2004, p. 170) afirma que para se estudar as representações sociais “[...] é indispensável conhecer as condições de contexto em que os indivíduos estão inseridos mediante a realização de uma cuidadosa ‘análise contextual’”, visto que as representações sociais são historicamente construídas e refletem as condições contextuais dos sujeitos que as elaboram, isto é, suas condições culturais e socioeconômicas, o que por sua vez envolve a nação a que pertencem e, logo, sua nacionalidade. Assim, a representação é uma construção do sujeito enquanto sujeito social, este fazendo parte de uma nação – enquanto sentimento de pertença – de um povo, que compartilha costumes, valores e tradições, logo representações sociais.

Conforme Pesavento (1999, p. 123), “A construção da identidade vale-se de imagens, discursos, mitos, crenças, desejos, medos, ritos, ideologias”, observa-se assim que a identidade se vale de representações sociais. Dessa forma, tal sujeito não se apresenta enquanto produto somente de determinações sociais, nem ainda como um produtor independente, pois as representações são sempre construções contextualizadas, resultados das condições em que surgem e circulam (SPINK, 1993). Logo, entende-se a identidade nacional e a representação social como instituintes, em constante devir, perpassando as instituições, sendo a força motriz na construção da identidade de indivíduos em determinado locus social.

Ademais, além de situar o sujeito no processo sócio-histórico em que está inserido, faz-se necessário situá-lo no âmbito da sua subjetividade, compreendendo as representações sociais como uma expressão da realidade intra-individual, não sendo meras expressões cognitivas, tendo em vista que são permeadas, também, pelo afeto. Da mesma forma, Hobsbawm (2004 apud MENEZES, 2009) afirma que tanto a construção de um conceito de nação, quanto o de uma identidade nacional, também devem estar embasados em critérios subjetivos, e não somente a características únicas de um grupo, como a língua, etnia, traços culturais comuns, entre outros.

Dessa forma, entende-se que ao pensar na construção de representações sociais e, também, da identidade nacional visa-se para além das condições sócio-históricas que as permeiam, mas também os aspectos subjetivos a elas intrínsecos, visto que sempre serão representações e identidade de um sujeito específico que, mesmo inserido em uma cultura, em uma sociedade, apresenta uma história de vida particular e única. Assim, sendo as representações sempre de um sujeito sobre um objeto, as representações sociais não são nunca reproduções deste objeto, mas sim interpretações da realidade, entendendo ainda que “[...] a relação com o real nunca é direta; é sempre mediada por categorias histórica e subjetivamente constituídas” (SPINK, 1993, p. 304), inserida em um contexto social. É neste sentido que Moscovici (1978, p. 49) afirma que “[...] não existe corte dado entre o universo exterior e o universo do indivíduo (ou do grupo) [...]”, pois o sujeito se situa no universo social e material ao mesmo tempo em que se constitui. Em paralelo, a identidade, pertencente ao mundo do imaginário, também apresenta a capacidade de representar o real, criando um mundo paralelo ao da concretude da existência (PESAVENTO, 1999).

Compreende-se, assim, que o sujeito, ao formar sua representação de um objeto, constitui e reconstrói-o em seu sistema cognitivo, de modo a adequá-lo ao seu sistema de valores que, por sua vez, depende de sua história e do contexto ideológico e social em que está inserida (MAZZOTTI, 2002 apud FRANCO, 2004), abrangendo ainda sua nacionalidade, logo sua identidade nacional. Deste modo, ao romper com a clássica dicotomia entre sujeito e objeto, conclui-se que o objeto pensado e falado é, portanto, fruto da atividade humana, isto é, uma replica interiorizada da ação. Segundo Moscovici (1978, p. 49),

[...] se uma representação social é uma “preparação para a ação”, ela não o é somente na medida em que guia o comportamento, mas sobretudo na medida em que remodela e reconstitui os elementos do meio ambiente em que o comportamento deve ter lugar. Ela consegue incutir um sentido ao comportamento, integrá-lo numa rede de relações em que está vinculada ao seu objeto, fornecendo ao mesmo tempo as noções, as teorias e os fundos de observação que tornam essas relações estáveis e eficazes.

Assim sendo, atribui-se às representações sociais uma “virtude preditiva”, visto que por meio do que um indivíduo diz – além de se poder inferir suas concepções de mundo – pode-se deduzir sua “orientação para a ação” (FRANCO, 2004). Entendem-se, então, as representações sociais como importantes indicadores que se refletem na prática cotidiana. A teoria das representações sociais coloca em pauta o conhecimento popular, as formas de pensar e agir na vida cotidiana, o senso comum, que fazem parte de um universo consensual, contrariando o pressuposto de que as crenças e o conhecimento comum deveriam ser extintos pela ciência (GUARESCHI, P., 2007).

Porém, as crenças, de modo geral, são irredutíveis umas as outras, pois todas constituem modos de compreenderem o mundo e de se relacionarem a ele. De acordo com Moscovici (2002, p. 199 apud GUARESCHI, P., 2007, p. 34), “o senso comum não é substituído pelas teorias científicas e pela lógica. Ele continua a descrever as relações comuns entre os indivíduos, explica suas atividades e comportamento normal, molda seus intercâmbios no dia-a-dia”. Neste sentido, o senso comum, o conhecimento popular oferece acesso direto às representações sociais, permitindo compreender como são geradas, comunicadas e colocadas em ação na vida cotidiana.

As representações sociais são, pois, “entidades concretas, realidades em si mesmas, conjuntos de saberes e práticas que constituem e ocupam um espaço vital e simbólico, no qual nos movemos, pensamos, falamos e somos levados a agir” (GUARESCHI, P., 2007, p. 34). Deste modo, observa-se que é impossível pensar, falar e mesmo agir sem que haja, por detrás, algo relacionado com a cultura, as crenças, os valores e, logo, a identidade nacional a que pertencem. Portanto, as representações sociais, inseridas na história e na cultura, pertencentes a uma nação, levando a marca da nacionalidade, da identidade nacional, manifestam-se, como afirma Guareschi, P. (2007, p. 33) “[...] nos discursos públicos e no pensar social sobre fenômenos, que tocam de maneiras fundamentais as realidades sociais, como a realidade política, ecológica ou ligada à saúde”.

Face ao exposto, pode-se pensar nas representações sociais como formas constituintes da identidade nacional e vice e versa, pois a identidade nacional também se constitui enquanto formadora de representações sociais, visto que faz parte do contexto sóciocultural em que estão inseridas. Assim, conclui-se com o seguinte questionamento: até que ponto as representações sociais e a identidade nacional são expressões uma da outra? Até que ponto se entrelaçam?

2.3 Construção de Subjetividades: o “Ser” Brasileiro

É no encontro com o outro que o ser humano pode assumir sua posição de sujeito, enquanto um “eu” em constante processo e formação, como Deutsch e Krauss, (1974 apud EWALD e SOARES, 2007) afirmam: o ser humano é formado na relação com os outros. E tal relação é mediada e elaborada por intermédio da linguagem que, segundo Benveniste (1988), ensina a própria definição do homem, sendo na linguagem e pela linguagem que o homem se constitui como sujeito, diferenciando-se dos outros animais.  Ewald e Soares (2007, p. 28) destacam que “Nos tornamos seres humanos não simplesmente por nascermos com as características físicas humanas, mas porque somos amplamente dimensionados por uma cultura, por um horizonte significativo, por uma comunidade de destino”. Ainda sob esta perspectiva, Bussab e Ribeiro, F. (1998, p. 175) destacam que

Sem dúvida, o homem se distingue dos demais seres vivos do planeta pelo seu modo de vida cultural altamente especializado, caracterizado pela transmissão de informações de geração a geração via experiência, e pelo uso da linguagem e de outras representações simbólicas.

Cultura, de acordo com Turner (1997 apud GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003), é um processo dinâmico que produz os comportamentos, as práticas, as instituições e os significados que constituem nossa existência social, compreendendo os processos que dão sentido ao nosso modo de vida, sendo a linguagem o principal mecanismo pelo qual a cultura produz e reproduz os significados sociais. Dessa forma, observa-se a intrínseca relação entre cultura e linguagem e como esta se constitui enquanto fundamental para se pensar as formas de subjetivações do homem, sendo a linguagem necessária ao pensamento, à constituição do mundo, à significação das coisas (ARAÚJO, I., 2007).

Araújo, I. (2007) destaca que o tema da “linguagem” só se tornou objeto de preocupação filosófica a partir do final do século XIX, sendo a partir de então analisada sob as seguintes dimensões: a de signo pelo qual a linguagem se estrutura e as significações são articuladas; a de proposição, representando estados de coisa através de recursos lógico-linguísticos (sintáticos e semânticos); a de ato de fala como execução de uma ação linguística que demanda um tipo de comportamento e um uso em situação; a de discurso pelo qual se efetivam o dizer e o dito, lugar de constituição do sujeito nas formações discursivas e lugar de comunicação intersubjetiva, com valor e força social, política. É neste sentido que se pode compreender que “Diferentes concepções de linguagem configuram diversas formas de compreender o mundo, atuando nele” (MÉLLO; DI PAOLO, 2007, p. 134), entendendo também a linguagem enquanto prática.

Com a virada cultural, havendo uma mudança de paradigma nas ciências sociais e nas humanidades, a cultura passou a ser vista, pela abordagem da análise social, enquanto uma condição constitutiva da vida social e não apenas um elo para o restante do sistema social. Conforme Bernardes e Hoenisch (2003, 112), a virada cultural propõe olhar a cultura no domínio simbólico, na produção de significações, constituindo visões de mundo, que ao se constituírem como tal, constituem, também, posições-de-sujeito neste mundo, o que acarreta pensar a cultura além do seu domínio material. Para isto, tal virada se inicia por meio de uma revolução referente à linguagem, a virada linguística, na qual há um redimensionamento do conceito de linguagem, que passa a ter uma posição privilegiada na construção e circulação do significado. Assim, a linguagem passa a ser entendida enquanto constituinte dos significados que pretendemos expressar, e não somente como uma forma de transmiti-los ou relatá-los com neutralidade, entendendo-se que a realidade, aquilo que comumente consideramos fatos naturais, constituem-se também enquanto fenômenos discursivos (GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003). Dessa forma,

A virada cultural vai ampliar essa visão de linguagem para a vida social como um todo, enfatizando assim que a linguagem, além de produzir aquilo que reconhecemos como realidade, também vai produzir os sujeitos dessa realidade, suas identidades (GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003, p. 40).

Ao longo da história, levando em consideração as transformações sociais, destaca-se que as noções de identidade passaram e passam por modificações e reinterpretações. De acordo com Hall (2005), estas transformações mudam as identidades pessoais, abalando a idéia que as pessoas têm de si mesmas como sujeitos integrados. Há uma perda de “sentido de si” estável, que é chamada de deslocamento ou descentração do ser, e isso constitui uma crise de identidade para o indivíduo, visto que é reposicionado em seu mundo social e cultural e em si mesmo. Nesse sentido, o autor coloca que há três concepções diferentes de identidade: a do sujeito do iluminismo, a do sujeito sociológico e a do sujeito pós-moderno. A primeira dizia respeito à concepção da pessoa como um ser centrado, unificado, com capacidades de razão, de consciência e de ação. O “centro” consistia num núcleo inerente ao indivíduo que emergia pela primeira vez a partia de seu nascimento e fazia parte de seu desenvolvimento, mesmo que permanecendo inalterado ao longo de sua existência. Tal centro essencial era considerado com a identidade de uma pessoa.

Hall (2005) afirma que a segunda, a concepção do sujeito sociológico, reproduzia a crescente complexidade do mundo moderno e a consciência de que este núcleo da pessoa não era autônomo e auto-suficiente, mas construído a partir de relações sociais com outras pessoas que lhe fossem importantes, havendo, dessa forma, a transmissão de valores, sentidos e símbolos – a cultura – da realidade da qual fizesse parte. Assim, o sujeito ainda tem um núcleo ou essência interior, mas este é formado e alterado no decorrer de sua vida numa relação contínua com os mundos culturais exteriores e as identidades que estes oferecem. Nessa concepção sociológica, a identidade preenche o espaço entre a esfera pessoal e a esfera pública. Assim, a identidade era vista como uma maneira de unir o sujeito à estrutura social, o que os torna mais unificados e previsíveis.

Porém, o autor argumenta que o sujeito previamente vivido, com uma identidade unificada e estável, está se fragmentando, sendo composto por várias identidades, alguma até contraditórias e não-resolvidas. As identidades estão entrando em colapso como resultado de mudanças estruturais e institucionais, sendo que o próprio processo de identificação, através do qual as pessoas projetam suas identidades culturais, tornou-se provisório, variável e problemático.

Nesse contexto emerge o sujeito pós-moderno, conceituado como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente, mas formada e transformada constantemente em relação às formas pelas quais as pessoas são representadas nos sistemas culturais que as rodeiam. O sujeito assume identidades diferentes em momentos distintos, identidades estas que não são organizadas ao redor de um “eu” coerente. A pessoa possui identidades contraditórias, levando a diferentes direções, de tal forma que as identificações são continuamente deslocadas (HALL, 2005).

A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Ao invés disso, à medida que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar – ao menos temporariamente (HALL, 2005, p.13)

Dessa forma, tais identidades, como a cultura, são entendidas como um processo, sempre em construção (SILVA, 2001 apud GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003). Hall (2000 apud GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003) destaca que as identidades são constituídas no interior de práticas de significação, produzidas e inseridas em locais históricos e institucionais específicos, emergindo no interior de relações específicas de poder, sendo mais um produto da marcação da diferença do que um signo de uma unidade idêntica. Entende-se, então, que “[...] o processo da construção das identidades está sempre envolvido com a diferença, da relação com aquilo que não é, sempre referido ao outro: sou o que o outro não é” (HALL, 2000 apud GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003, p. 43).

O autor ainda destaca que as identidades são diversas e mudam conforme nossas posições, tendo em vista que os indivíduos vivem em diferentes contextos sociais, estando envolvidos em diferentes significados. Compreende-se que nas sociedades atuais existe uma pluralidade de centros que produz identidades e não um único núcleo ou centro que produza identidades fixas. De acordo com Pierucci (1999, p. 176 apud EWALD; SOARES, 2007, p. 25), “As identidades grupais funcionam cada vez menos na órbita do idêntico, do mesmo, da permanência; se mostram cada vez menos fixas e essenciais e cada vez mais posicionais, mais flexíveis, nômades, múltiplas, híbridas, proliferantes”.

O sujeito, antes vivido como tendo uma identidade unificada e estável, está se tornando fragmentado. Agora, ele é composto de várias identidades, que podem até serem contraditórias ou não resolvidas, e não mais de uma única identidade. É nesse processo de descentramento e fragmentação que se produz o sujeito pós-moderno. A identidade deste deixou de ser fixa, essencial ou permanente, tonando-se uma “celebração móvel”. Ela será formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais as pessoas são representadas ou interpeladas nos sistemas culturais que as rodeiam. Por isso, o sujeito assume identidades diferentes em diferentes momentos. Essas identidades, no entanto, não são unificadas ao redor de um “eu” coerente (BRUSCHI, 2003, p. 82-83).

Porém, Silva (2001 apud GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003, p. 42) afirma que “Existe uma tendência a naturalizar e fixar as identidades sociais, as formas pelas quais diferentes grupos sociais se definem a si próprios e são definidos por outros grupos”. Assim, dentre as identidades que construímos e desconstruímos ao longo da vida, estabelecemos ainda identidades sociais, partindo de um sentimento de pertencimento a um determinado grupo social, no qual partilhamos costumes, práticas e interesses, que por sua vez estão sempre atrelados à questão cultural. É neste sentido que se destaca o que Hall (1997, p. 25 apud GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003, p. 44-45) coloca enquanto outra dimensão que precisa ser considerada: “a centralidade da cultura na constituição da subjetividade, da própria identidade e da pessoa como um ator social”.

Conforme Ewald e Soares (2007), o termo identidade vem designando, primeiramente, o caráter do que é idêntico, podendo-se pensar a identidade a partir da ideia de que uma essência é compartilhada. Entretanto, ao se usar o termo em relação à existência subjetiva, “[...] ele ganha em sentido de permanência e de continuidade e o termo identidade cultural acentua a dimensão intersubjetiva, formal e concreta, da identidade pessoal” (CLAIN, 1990, p. 1211 apud EWALD; SOARES, 2007, p. 24). Neste sentido, pode-se compreender a relação entre identidade pessoal e cultural, já que a cultura pode ser entendida enquanto uma unidade expressiva que orienta a ação de uma comunidade.

Ewald e Soares (2007) ainda destacam que para pensar a identidade é necessário partir de uma essência compartilhada, semelhante, comum. Assim, na formação da sua singularidade, o si mesmo, cada um compartilha valores e crenças da sua comunidade, não se afasta do seu tempo, do seu sexo, da sua condição e, por que não, do sistema cultural e da noção de nacionalidade a qual está inserido. A identidade pessoal, então, além de nos fazer sentir tão próximos de nós mesmos, indica também que somos relativos ao mundo em que vivemos, sendo ao mesmo tempo produto da sociedade e produto da ação do próprio indivíduo (MARTIN BARÓ, 1989, apud GONZÁLES-REY, 2003, apud EWALD; SOARES, 2007).

Portanto, ao nos referirmos à identidade, falamos de zonas de interseções, de vários tipos e tamanhos, pois são zonas de compartilhamento intersubjetivo com um grupo, um time de futebol, um bairro, uma cidade, um estado, um país, uma opção ideológico-política, etc., mas onde, também, sempre haverá o espaço da singularidade (EWALD; SOARES, 2007, p. 24).

Para Boaventura de Sousa Santos (1994, p. 120 apud EWALD; SOARES, 2007, p. 24), "o primeiro nome moderno da identidade é a subjetividade", o que Araújo, M. (2002) destaca que a Modernidade funda o princípio "identitário" para significar subjetividade. Neste sentido, “concebia-se a subjetividade organizada em referência à representação de si, identidade consigo mesma, apontando para a essência de si, tida como relativamente estável e referendada pelo ‘penso, logo existo’, de Descartes” (ARAÚJO, M., 2002, p. 81). Consequentemente, passou-se a pensar o sujeito, a subjetividade a partir da noção de identidade, enquanto consciência reflexiva, igual às representações que cada um tem de si mesmo. Porém, na contemporaneidade, a concepção de subjetividade como perfil mais ou menos estável de si mesmo entra em crise. Dessa forma, Araújo, M. (2002, p. 81) afirma que “Hoje, dizer ‘sujeito’ não significa dizer ‘subjetividade’”. Compreende-se, então, a subjetividade, contemporaneamente, como o modo de organizar as experiências do cotidiano, os universos de sensações e representações, as formas singulares de agir, pensar e sentir, partindo-se do pressuposto de que a subjetividade se engendra no social. Logo, a subjetividade está para além do eu, da individualidade, do si mesmo. Segundo Bernardes e Hoenisch, (2003, p. 117).

[...] subjetividade não é o ser, mas os modos de ser, não é a essência do ser ou da universalidade de uma condição, não se trata de estados da alma, mas uma produção tributária do social, da cultura, de qualquer elemento que de algum modo crie possibilidades de um “si”, de uma “consciência de si”, sempre provisória. É entendida como uma formação existencial, uma emergência constituída em um determinado tempo-espaço.

Deste modo, pode-se observar que “[...] identidade e subjetividade não são correlatos, elas podem ser aproximadas no intuito de expansão da compreensão, mas não na redução de uma à outra” (BERNARDES; HOENISCH, 2003, p. 116-117). É neste sentido que Ewald e Soares (2007, p. 24) destacam que a “[...] subjetividade diz respeito à constituição, isto é, ao fundamento, aquilo que viabiliza essas identidades, mas que fica subjacente”. Assim, subjetividade pode ser definida como o fundamento da identidade, social e individual, o que nos remete também à questão da alteridade. Como Sartre (1997 apud EWALD; SOARES, 2007, p. 25) afirma: “O outro é, fundamentalmente, parte de mim mesmo”. Sob esta perspectiva, pode-se compreender que nossa subjetividade é, portanto, atravessada pela alteridade. Da mesma forma que a subjetividade se faz na diferença, Spink (2003, p. 14) coloca a identidade

[...] como plural – como construções históricas e culturais, tecidas em redes discursivas. [...] identidade como posição-de-sujeito; como posições em redes discursivas; como pontos de vista em uma teia social e cultural nunca fechada e sempre por fazer. Fluidas, as identidades só podem ser entendidas em relação à diferença.

Maffesoli (1996 apud OLIVEIRA, 2003) ressalta a identidade como uma sucessão de processos de identificação, no qual o Eu é feito pelo outro, em todas as modulações que se pode dar a essa alteridade. Por sua vez, tal relação com a diferença, com o outro ocorre inserida dentro de um contexto sociocultural, mediada pela linguagem. Dessa forma, entende-se que “[...] toda vida humana se desenrola num horizonte específico, diretamente relacionado a um tempo histórico, social, vital e significativo, a partir do qual concretizamos a tarefa de ser-nós-mesmos” (EWALD; SOARES, 2007, p. 28). Neste sentido, a questão do sujeito passa a ser ponderada através da cultura, dentro dela, o que Guareschi, N., Medeiros e Bruschi (2003, p. 45) afirmam que isto equivale dizer que “[...] as identidades sociais são um resultado de um processo de identificação que permite que nos posicionemos no interior das definições que os discursos culturais (exteriores) fornecem ou que nos subjetivemos (dentro deles)”.

Destaca-se, assim, que nossas chamadas subjetividades são produzidas parcialmente de modo discursivo e dialógico, entendendo-se o discurso como sendo constituinte do sujeito, como um conjunto de práticas que produzem efeitos no sujeito e não do ponto de vista linguístico ou como um significado nas palavras, a partir da Teoria do Discurso Foucaultiana (GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003). Para Bernardes e Hoenisch (2003, p. 102) “[...] o poder da linguagem e do discurso repousa na ideia de que se trata de práticas de significação, que instituem e inventam como vemos, vivemos e como nomeamos aquilo que vemos”, sendo no campo discursivo que se constituem identidades e subjetividades. Neste sentido que Bernardes e Hoenisch (2003, p. 119) ainda destacam que

[...] a identidade passa a ser constituída em uma rede discursiva, e não em essências, querendo dizer com isso que identidade não se trata de algo do sujeito, uma substância, mas uma fixação em uma determinada posição na linguagem, constituída a partir da diferença; quer dizer que identidade e diferença são produtos do discurso, da cultura.

Neste mesmo sentido, entendendo subjetividade enquanto um produto cultural, por se fazer constantemente a partir de interpelações discursivas, destacando a colocação de Araújo, I. (2007, p. 90) de que “[...] aquilo que se chama de ‘subjetividade’, não é a essência humana, pois depende de condições históricas, culturais, sociais”, pode-se então falar em processos de subjetivações. Entende-se por tais processos a produção de modos de existência, tratando da formação de si por meio de “[...] procedimentos, empreendimentos, transformações na nossa cultura, no modo como o sujeito faz a experiência de si mesmo em um jogo de verdades instituídas” (BERNARDES; HOENISCH, 2003, p. 118).

De acordo com Méllo e Di Paollo (2007, p. 136-137) a linguagem é considerada um agenciamento de práticas discursivas, sendo agenciada em um regime prático que conecta corpos, hábitos, rituais, forças, visando possibilitar a emergência de certas relações que temos com um “si”. Neste sentido, o linguajar, incorporado aos modos de viver, faz parte desse agenciamento e não pode ser dele separado. A linguagem, então, é prática, ação, movimento e conglomerados de sentidos, acontecimentos, modos de ser, sendo o mundo um mosaico de construções, instituições, superfície de inscrições e possibilidades de transformações constantes. “Linguagem é, aqui, condição de possibilidade na constituição das subjetivações, entendidas como maneira de experimentar a si mesmo” (BERNARDES; HOENISCH, 2003 apud MÉLLO; DI PAOLLO, 2007, p. 135). Trata-se de uma rede de articulações, um emaranhado de aspectos históricos e culturais, que se interligam na formação de narrativas, sendo contínuas ou não, podendo ser fragmentadas, pontos de dispersão de matizes identificatórias, o que pode produzir efeitos de singularização, conforme o contexto no qual estão inseridas.

Concatenar os processos de subjetivação ao linguajar requer presumir as subjetivações como interpeladas e articuladas por redes discursivas (e não resumidas a elas), que produzem, instituem, inventam, transformam e veiculam modos de agir no mundo, possibilidades de vir a ser. Nenhum matiz identificatório é fixo, sólido e estável, mas fluido, intercambiante, em vias de se fazer, possibilitando às pessoas transitar por formas diversas, construir modos de ser, assumir posições, descartá-las e utilizá-las de novo (MÉLLO; DI PAOLO, 2007, p. 135).

Dessa forma, entendem-se os “sujeitos” como efeitos de modos de subjetivação, sendo uma combinação de modos de ser, visto que inventamos nossos modos de ser, atuando a partir deles, apropriando-nos de certas formas de atuar, de narrar-se, de instituir-se em redes de sentidos, que estão sempre sendo tecidas, em construção, jamais acabadas e fechadas.  Não temos, então, uma subjetividade prévia pertencente a um mundo interno (MÉLLO; DI PAOLLO, 2007), ou a uma essência humana. Entende-se, assim, que as identidades são um modo de inscrição em uma rede discursiva, não bastando o “sujeito” se inscrever em uma rede discursiva, e sim

[...] tornar essa inscrição uma maneira de constituição de um “si”, de um “dentro”, pelo qual o “sujeito” se observa e se reconhece como tal. Melhor dito, não é suficiente ser interpelado e se identificar com determinadas marcas identitárias, é preciso dobrar isso sobre si mesmo; em outras palavras, subjetivar-se. Nesse caso, assim como as identidades são o ‘outro’ no exterior, a subjetivação é esse outro ser experimentado como um ‘outro em si mesmo’, um estranhamento, uma perturbação e uma transformação de determinados modos de ser (BERNARDES; HOENISCH, 2003, p. 123).

De acordo com Crochík (1998), a cultura é um meio para a individuação, mas só ocorre por meio da coletividade que promove a diferenciação. Dessa forma, a formação cultural socializa para individuar, ou seja, se destina à diferenciação do indivíduo em relação ao seu meio. O autor ainda ressalta que a subjetividade é um mundo interno que vem se opor ao contexto externo, mas que somente surge a partir deste. Assim, a subjetividade se desenvolve pela interiorização da cultura, permitindo expressar os anseios individuais e criticar a própria cultura que é subsídio para sua construção.

Ser pertencente à determinada sociedade remete a um individualismo antecedente e, ainda assim, concomitante, tendo em vista que não são conceitos mutuamente excludentes, mas constituintes. A coletividade promove a diferenciação, que constrói as subjetividades e identidades que, por sua vez, agem sobre a cultura.  O processo de diferenciação entre seus membros se dá devido a uma pluralidade de subjetividades que concorrem entre si, gerando a percepção do indivíduo enquanto ser singular, no sentido de ter um caráter de unicidade, mas também igual, assumindo identidades, visto que está inserido em uma sociedade que partilha de crenças, costumes, leis, conhecimentos, significados e características próprias e singulares, ou seja, uma cultura.

Segundo Hall (1997 apud GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003, p. 45), “[...] quando se trabalha com a ênfase na linguagem e nos significados, as distinções entre essas esferas, do social e do psíquico, dissolvem-se e perdem seu efeito”. Neste sentido, pode-se compreender a liame entre o que é tido como individual e o que é social, entendendo que “[...] o ser humano possui História, está imerso na sociedade, cercado de valores e interioriza dialeticamente o que lhe é dado por uma ou muitas culturas” (EWALD; SOARES, 2007, p. 26). Sob esta perspectiva,

A subjetividade é essencialmente fabricada e modelada no registro do social, mas assumida e vivida pelos indivíduos. [...] há uma sujeição ao processo de subjetivação, a uma relação de expressão e criação, na qual o indivíduo se reapropria dos componentes da subjetividade, produzindo o que [...] autores chamaram de singularização. Realmente, em cada sujeito singular, ocorre esta elaboração do material cultural e sua transformação em traços psíquicos, ou seja, uma articulação entre o histórico-cultural e o psíquico [...] (OLIVEIRA, 2003, p. 52).

Deste modo, pode-se entender que “[...] o ser humano, como pessoa autoconsciente, só é possível assentado sobre a sociedade à qual pertence ou, dizendo de outra maneira, sobre um sentido de pertencimento a uma comunidade” (MEAD, 1953 apud EWALD; SOARES, 2007, p. 26). É neste sentido que Ewald e Soares (2007, p. 28) destacam que

[...] o processo de interiorização de ideias passa também por um elo afetivo, elo este que cria laços de união entre os indivíduos e nossa "comunidade de destino" – aquela que elegemos como sendo nosso lugar de pertencimento, e à qual estamos integrados e nos dedicamos. Desta forma, as ações que realizamos cotidianamente têm seu ponto de referência na visão de mundo do grupo de pertencimento, e os horizontes dessa visão são definidos por este mesmo grupo. À medida que uma ideia se dissemina pela sua eficiência e toma conta das consciências, pensar fora dela demanda muito esforço emocional, posicionamento crítico e a coragem de ter que nadar contra a corrente, solitariamente.

Dentre as possíveis “comunidades de destino”, grupos de pertencimento, pode-se destacar a nação à qual nascemos e assim, nossa nacionalidade enquanto marca do pertencimento a este grupo específico. Tal ideia é destacada Fiorin (2009, p. 117) ao afirmar que “A nação é vista como uma comunidade de destino, acima das classes, acima das regiões, acima das raças. Para isso, é preciso adquirir uma consciência de unidade, a identidade, e, ao mesmo tempo, é necessário ter consciência da diferença em relação aos outros, a alteridade.” Neste sentido, do ponto de vista dos sujeitos em causa, a consciência de pertença, ou sentimento de pertencimento, a um determinado país exprime-se por meio de uma ideia que se poderia traduzir na frase “nós somos brasileiros; os outros são estrangeiros”. Ou seja, pertencemos a uma categoria de indivíduos que se caracterizam especificamente pela comum condição de brasileiros e que se distinguem de todos os outros homens por estes não o serem, ou, o que é o mesmo, por serem estrangeiros. Esta consciência de pertença a uma determinada categoria nacional implica obviamente que se conheçam os caracteres dessa mesma categoria (MATTOSO, 1998). É neste sentido que se pode pensar em uma identidade nacional brasileira.

De acordo com Fiorin (2009) a nacionalidade é uma identidade, entendendo que a identidade nacional é um discurso e, por isso, como qualquer outro discurso, é constituída dialogicamente. Bernardes e Hoenisch (2003, p. 119-120) destacam que

[...] as posições que assumimos, com as quais nos identificamos, constituindo identidades, só são possíveis se sujeitadas aos discursos, às práticas de significação, mediante os quais nos tornamos o que somos. Dessa forma, falamos de identidades enquanto posição-de-sujeito, posição em uma rede discursiva, em uma teia social e cultural nunca determinada, mas sempre por se fazer.

Segundo Mattoso (1998), a identidade nacional, tal como existe hoje, resulta de um processo histórico que passou por diversas fases até atingir a expressão que atualmente conhecemos. Neste sentido, entende-se que a identidade nacional foi revestindo formas sucessivamente diferentes ao longo dos tempos, pois cada geração, em seu presente particular e específico, une passado e presente de forma singular, elaborando uma visão única do seu processo sóciohistórico e cultural. Tal visão, constituindo uma identidade, será atravessada, além das questões históricas e culturais, pelas subjetividades pertencentes à geração que lhe constitui, compreendendo-se, então, a perspectiva do seu caráter singular.  Hobsbawm (2004 apud MENEZES, 2009) destaca, então, que a construção de uma identidade nacional também deve estar embasada em critérios subjetivos.

Portanto, considerar uma rede de significados construída no decorrer do tempo, isto é, a subjetividade, é essencial para que se compreenda o processo de formação da identidade nacional em uma sociedade. É importante ressaltar, porém, que tentar limitar a identidade nacional em um único conceito não é coerente, na visão das autoras. Tendo em vista que o Brasil apresenta uma pluralidade em todos os sentidos, torna-se inviável e contraditório a definição de um “ser” brasileiro. Como pontuam Bernardes e Hoenisch (2003, p. 99) “[...] não é possível definir o princípio ou postular a natureza de ser brasileiro de maneira linear, principalmente em um país com a extensão e diversidade étnica do nosso”.

3. Percurso Metodológico

O Discurso do Sujeito Coletivo – DSC foi desenvolvido nos últimos anos por pesquisadores da USP. Desde a consolidação da técnica, no final dos anos 90, até o momento atual, já foram apresentados ou encontram-se em processo de elaboração mais de 500 trabalhos, entre projetos de pesquisa, dissertações de mestrado, teses de doutorado, avaliações de serviços, de cursos, de processos, entre outros, nas quais se aplicou a metodologia do DSC, podendo-se ter acesso a grande parte dessas pesquisas no site do Instituto de Pesquisa do Discurso do Sujeito Coletivo – IPDSC.

Tendo como fundamento a teoria da Representação Social e seus pressupostos psicosociológicos, o DSC é uma técnica de organização de dados qualitativos, respondendo a um dos grandes impasses da pesquisa qualitativa, visto que permite, por meio de procedimentos sistemáticos e padronizados, agregar depoimentos sem reduzi-los a quantidades. Entende-se, assim, que o Discurso do Sujeito Coletivo ou DSC é um discurso síntese, sendo elaborado por meio da reunião de partes de discursos de sentido semelhante em um só discurso.

De acordo com Lefevre e Lefevre (2010), o Discurso do Sujeito Coletivo é uma técnica quanti-qualitativa, pois o processo de qualificação do objeto (os pensamentos ou opiniões coletivas) se dá ao mesmo tempo que o processo de quantificação deste mesmo objeto.

Pode-se dizer que a pesquisa de resgate de representações sociais envolvendo a técnica do DSC é qualitativa no sentido de que seu objeto – o pensamento coletivo – não é dado, a priori, por atributos externos quantificáveis, que os indivíduos tenham ou não [...] ou tenham em maior ou menor quantidade [...], mas produzido, a posteriori, e composto de qualidades que os pesquisados manifestam, desdobram, constroem, que aparecem como resultado do processo de pesquisa. [...] Ocorre que, uma vez processadas pela técnica do DSC [...], essas qualidades passam a permitir e até a requerer tratamento quantitativo (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 34).

No caso dos objetos das pesquisas sobre Representação Social ou de opinião, qualificar o objeto – o pensamento coletivo – usando a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo significa descrever as categorias de pensamento presentes na realidade e o conteúdo discursivo de cada categoria. Porém, quando se usa o DSC, ao mesmo tempo em que se qualifica o pensamento coletivo é, também, necessário quantificá-lo, na medida em que cada categoria de pensamento, com seu respectivo conteúdo discursivo, é compartilhada por um percentual ou por uma fração dos indivíduos pesquisados.

Nesse sentido, o Discurso do Sujeito Coletivo – DSC foi criado enquanto estratégia metodológica, colocando-se como uma possibilidade cientificamente construída de acessar e compreender os discursos dos sujeitos, entendendo como “discurso” tudo o que é professado pelas pessoas em forma de pensamentos, ideias, opiniões, crenças, todas essas manifestações expressas pela linguagem, isto é, pertencentes à “família das línguas e linguagens e, portanto, à ordem do discurso ou do texto” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 14).

O DSC pressupõe que para se remeter ao discurso de sujeitos em escala coletiva se faz necessário articular alguma forma de “soma dos discursos”. Para tal se faz necessário inicialmente coletar de forma individual os discursos dos sujeitos, por meio de questões abertas. Após tal procedimento passa a ser fundamental reunir tais discursos gerados, de modo que expressem o pensamento de uma coletividade. Constrói-se então o conceito de Discurso do Sujeito Coletivo enquanto uma proposta “de organização e tabulação de dados qualitativos de natureza verbal obtidos de depoimentos”, sendo estes verbalizados e expressos verbal ou graficamente.

A proposta [...] consiste, basicamente, em analisar o material verbal coletado extraindo-se de cada um dos depoimentos [...] as ideias centrais e/ou ancoragens e as suas correspondentes expressões-chave; com as expressões-chaves das ideias centrais ou ancoragens semelhantes compõem-se um ou vários discursos-síntese na primeira pessoa do singular. O Sujeito Coletivo se expressa, então, através de um discurso emitido no que se poderia chamar de primeira pessoa (coletiva) do singular. Trata-se de um eu sintático que, ao mesmo tempo em que sinaliza a presença de um sujeito individual do discurso, expressa uma referência coletiva na medida em que esse eu fala pela ou em nome de uma coletividade (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 16).

Nesta perspectiva, destaca-se que o pensamento de uma coletividade sobre um dado tema ou assunto é entendido como o conjunto dos discursos, ou formações discursivas, ou seja, as representações sociais existentes na sociedade e na cultura acerca de tal tema (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005). Dessa forma, a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo procura dar conta da discursividade que é indissociável e própria do pensamento coletivo, intentando sempre preservá-la no decorrer da pesquisa, desde a elaboração do roteiro de entrevista, durante a coleta e processamento dos dados até a apresentação e discussão dos resultados.

Para tanto, foram configuradas figuras metodológicas para se poderem elaborar os Discursos do Sujeito Coletivo – DSCs:

  • Expressões-chave (ECH): “[...] são pedaços, trechos ou transcrições literais do discurso [...]” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 17), que devem ser destacadas pelo pesquisador, visto que, revelam a essência do depoimento, do conteúdo discursivo dos segmentos em que se divide o depoimento. As expressões-chave são segmentos de discursos que remetem à idéia central – ou à ancoragem – e a corporificam, representando o conteúdo ou a substância da mesma. É por meio da matéria-prima das expressões-chave que se podem construir os Discursos do Sujeito Coletivo.
  • Idéias centrais (IC): são nomes ou expressões lingüísticas que revelam e descrevem mais sintética, precisa e fidedignamente possível, o sentido de cada um dos discursos analisados e de cada conjunto homogêneo de ECH, que vai dar origem, posteriormente, ao DSC. “Considerando cada depoimento/discurso isoladamente [...] a idéia central é uma descrição [...] do sentido desse discurso, sendo que um discurso pode ter mais de uma idéia central” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 25). Dessa forma, levando em consideração conjunto de discursos/depoimentos, observa-se que estes podem apresentar idéias centrais semelhantes ou complementares, fazendo com que possam ser agrupados em uma mesma categoria para a construção de DSCs.
A idéia central tem, portanto, a importante função de individualizar um dado discurso ou conjunto de discursos, descrevendo, positivamente, suas especificidades semânticas o que permite distingui-lo de outros discursos portadores de outras especificidades semânticas (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 25).
  • Ancoragem (AC): com a denominação inspirada do conceito de ancoragem da teoria da representação social, AC é a manifestação lingüística explícita de uma dada teoria, ou ideologia, ou crença que o autor do discurso professa e que, “na qualidade de afirmação genérica, está sendo usada pelo enunciador para ‘enquadrar’ uma situação específica” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 17). Neste sentido, algumas ECH não remetem a uma IC correspondente, mas a uma AC.
  • Discurso do Sujeito Coletivo (DSC): “[...] é um discurso-síntese redigido na primeira pessoa do singular e composto pelas ECH que têm a mesma IC ou AC” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 18). É a principal figura metodológica, devendo apresentar um desenvolvimento mais aprofundado. Assim, no DSC são reunidas, em um só discurso, as ECH/ICs semelhantes, que passa a expressar ou a representar a fala do social ou o pensamento coletivo na primeira pessoa do singular (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005). Como fala do social, entende-se a busca de se fazer o social falar como se fosse um indivíduo por meio da utilização de procedimentos explícitos, transparentes e padronizados, sendo passíveis de crítica e contestação, como manda o rigor científico. Constrói-se “[...] a fala do social com o material empírico proveniente de falas dos indivíduos, buscando, nas idéias centrais e nas expressões-chave, um discurso compartilhado”(LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 29).

Segundo Lefevre e Lefevre (2005) o Discurso do Sujeito Coletivo, DSC, se apresenta enquanto proposta de organização de dados discursivos em pesquisas qualitativas sobre representação social. Lefevre e Lefevre (2005, p. 30) ainda destacam que

Um modo legítimo [...] de se conceber as representações sociais consiste em entendê-las como as expressões do que pensa ou acha determinada população sobre determinado tema. Esse pensar, por sua vez, pode se manifestar, dentre outros modos, através do conjunto de discursos verbais emitidos por pessoas dessa população. Essas pessoas são inquiridas individualmente sobre o tema, por pesquisadores que participam de projetos de pesquisa destinados, no todo ou em parte, a conhecer, de modo sistemático, essas representações.

Neste sentido que o DSC apresenta-se enquanto método que trata desse tipo de discurso verbal, como uma forma de resgatar as representações sociais. Coelho e Falcão (2006, p. 5) afirmam que a partir do procedimento metodológico da Análise do Discurso do Sujeito Coletivo – DSC, na qual se seleciona as palavras e expressões-chaves semelhantes de todos os depoimentos dos sujeitos investigados, selecionando uma idéia central, que denota um sentido comum entre as expressões-chave, constrói-se um novo discurso a partir das expressões-chaves encontradas nos vários discursos dos sujeitos pesquisados.

Analisando a totalidade dos depoimentos de um determinado grupo social, podem-se encontrar diversas idéias centrais e, conseqüentemente, se construir vários DSCs. Os autores (2006, p. 5) destacam, então, que “Cada DSC é, desta forma, uma faceta da representação social do conjunto dos sujeitos investigados em relação ao tema investigado”. Assim, o conjunto dos discursos coletivos construídos, expressa a representação social do objeto investigado, que no caso em questão é a identidade nacional brasileira.

Face ao exposto, foram entrevistados 51 indivíduos, sendo 11 de Porto Alegre, 11 de Salvador, 14 de Belém e 15 do Rio de Janeiro, tendo como único critério de escolha a nacionalidade brasileira dos mesmos. Os indivíduos foram acessados em locais públicos das referidas cidades, como Shopping Centers e praças. A coleta de dados se deu por meio de uma entrevista semi-estruturada, mediante roteiros de entrevista previamente elaborados (em apêndice), realizada nos locais acima descritos.

Importante mencionar a pertinência do uso da técnica de entrevista, visto que, a mesma configura-se como a principal forma de acessar a subjetividade humana, que tem como uma de suas principais formas de expressão os discursos enunciados verbalmente pelos sujeitos, entendendo-se estes (a subjetividade e os discursos) como os objetos de estudo estruturantes das pesquisas de metodologia qualitativa, mais particularmente, vinculadas à Psicologia e às Ciências Humanas em geral. Visto que, o que se caracteriza como objeto/sujeito a ser pesquisado não é dado a prioristicamente e sim reconstruído durante ou através do próprio processo de investigação.

O acesso às cidades se deu a partir do financiamento dos próprios pesquisadores, sendo realizada a coleta em Porto Alegre em março de 2011, em Salvador em maio de 2011, no Rio de Janeiro em junho de 2011 e em Belém em julho de 2011. Destaca-se que em todas as entrevistas foi apresentado o TCLE aos participantes, havendo um momento inicial de esclarecimento acerca da pesquisa e do convite proposto de participação na mesma.

De forma geral, a aceitação dos participantes diante de tal convite foi positiva, com exceção de Salvador, onde seis sujeitos se mostraram desinteressados e muitas vezes desconfiados e intimidados em realizar a entrevista, sendo o TCLE um documento que lhes gerava mais desconfiança do que seguridade referente à seriedade do trabalho.

4. Apresentação dos Resultados

Tabela 1 - Distribuição dos participantes de Porto Alegre e Salvador de acordo com o sexo.

SEXO

FREQUÊNCIA

PORTO ALEGRE

%

FREQUÊNCIA

SALVADOR

%

MASCULINO

3

27

4

36

FEMININO

8

73

7

64

TOTAL

11

100

11

100

Fonte: Porto Alegre, março de 2011; Salvador, maio de 2011.

Tabela 2 - Distribuição dos participantes do Rio de Janeiro e Belém de acordo com o sexo.

SEXO

FREQUÊNCIA RIO DE JANEIRO

%

FREQUÊNCIA BELÉM

%

MASCULINO

6

40

7

50

FEMININO

9

60

7

50

TOTAL

15

100

14

100

Fonte: Rio de Janeiro, junho de 2011; Belém, julho de 2011.

Tabela 3 - Distribuição dos participantes de acordo com a idade.

IDADE

FREQUÊNCIA

%

13 – 18 anos

7

13,72

19 – 35 anos

23

45,09

36 – 59 anos

17

33,33

60 anos em diante

4

7,84

TOTAL

51

100

Fonte: Porto Alegre, março de 2011; Salvador, maio de 2011; Rio de Janeiro, junho de 2011; Belém, julho de 2011.

Tabela 4 - Distribuição dos participantes de Porto Alegre e Salvador de acordo com a escolaridade.

ESCOLARIDADE

FREQUÊNCIA

PORTO ALEGRE

%

FREQUÊNCIA

SALVADOR

%

Ensino Fundamental Incompleto

1

10

2

18

Ensino Fundamental Completo

1

10

0

0

Ensino Médio Incompleto

1

10

0

0

Ensino Médio Completo

1

10

3

27

Ensino Superior Incompleto

2

18

1

10

Ensino Superior Completo

5

45

5

45

TOTAL

11

100

11

100

Fonte: Porto Alegre, março de 2011; Salvador, maio de 2011.

Tabela 5 - Distribuição dos participantes do Rio de Janeiro e Belém de acordo com a escolaridade.

ESCOLARIDADE

FREQUÊNCIA

RIO DE JANEIRO

%

FREQUÊNCIA

BELÉM

%

Ensino Fundamental Incompleto

3

20

0

0

Ensino Fundamental Completo

0

0

1

6

Ensino Médio Incompleto

3

20

5

33

Ensino Médio Completo

3

20

0

0

Ensino Superior Incompleto

5

64

5

33

Ensino Superior Completo

1

6

3

20

TOTAL

15

100

14

100

Fonte: Rio de Janeiro, junho de 2011; Belém, julho de 2011.

Quadro 1 - Distribuição dos participantes de Porto Alegre de acordo com sua profissão e ocupação.

PARTICIPANTE

PROFISSÃO/OCUPAÇÃO

P1

Aposentada

P2

Assistente administrativo

P3

Gerente de loja

P4

Costureira aposentada

P5

Aposentada

P6

Pedagoga / Professora

P7

Estudante

P8

Projetista mecânico

P9

Administradora

P10

Analista de processos

P11

Estudante de Relações internacionais

Fonte: Porto Alegre, março de 2011.

Quadro 2 - Distribuição dos participantes de Salvador de acordo com sua profissão e ocupação.

PARTICIPANTE

PROFISSÃO/OCUPAÇÃO

P1

Taxista

P2

Taxista

P3

Psicóloga / Professora

P4

Empresário

P5

Taxista

P6

Estudante

P7

Fábrica de carros

P8

Empresária

P9

Caixa econômica

P10

Músico

P11

Aposentada

Fonte: Salvador, maio de 2011.

Quadro 3 - Distribuição dos participantes de Rio de Janeiro de acordo com sua profissão e ocupação.

PARTICIPANTE

PROFISSÃO/OCUPAÇÃO

P1

Administrador de albergue

P2

Porteiro

P3

Porteiro

P4

Estudante

P5

Estudante

P6

Cabeleireiro

P7

Vendedor

P8

Cabeleireira

P9

Manicure

P10

Manicure

P11

Recepcionista

P12

Recepcionista

P13

Recepcionista

P14

Recepcionista

P15

Administradora

Fonte: Rio de Janeiro, junho de 2011.

Quadro 4 - Distribuição dos participantes de Belém de acordo com sua profissão e ocupação.

PARTICIPANTE

PROFISSÃO/OCUPAÇÃO

P1

Estudante

P2

Estudante

P3

Estudante

P4

Estudante

P5

Estudante

P6

Recepcionista

P7

Office boy

P8

Publicitária

P9

Estudante

P10

Estudante

P11

Estudante

P12

Estudante

P13

Estudante de mestrado em Ciência da computação

P14

Estudante

Fonte: Belém, julho de 2011.

Quadro 5 - Discursos dos participantes de Porto Alegre sobre o Brasil enquanto nação.

PARTICIPANTE

DISCURSO

P1

Tudo bem, eu acho. Acho que está tudo bem.

P2

O Brasil, eu acredito que é uma nação que está em grande fase de ascensão. Acho que tem muito pra crescer ainda, só que o problema, o problema maior, eu acredito que são os governantes.

POA P3

É um país em desenvolvimento, onde se encontra muitas realidades, muitas diversidades também, muitas culturas diferentes, né. Então, muitas vezes parece que não é o mesmo país. Tu “vive” numa região aí vai para outra região conhecer e encontra uma realidade totalmente diferente. Então, é um país muito grande que tem muita diversidade, muita cultura, povos diferente. Mas é um país em desenvolvimento, um país muito bom assim...

P4

Do Brasil, eu acho que o Brasil pra nós é muito bom. Graças a Deus, nós não temos guerra, né. Tem muitas coisas, sim, erradas, né, mas eu acho que nesses outros países a gente vê que só guerra e tudo.

P5

Olha querida, eu acho assim sobre o Brasil… Eu sou gaúcha, sou brasileira. Apesar de tudo que tem de errado aí, esses políticos de nome sujo, é o melhor país do mundo. Seguida, eu comento assim com as pessoas, eu duvido que exista algum país desse mundo que não tenha uma pessoa daquele país aqui no Brasil, é um canteiro, uma miscelânea assim de flores, sabe, embora às vezes nem todas as pessoas são flores, tem umas espinhentas, né, mas que tem aqui. Antigamente, tudo que não prestava dos outros países vinha pra cá, agora parou com isso daí. Então é o melhor país do mundo.

P6

Perguntas filosóficas... Brasil é um país muito rico culturalmente, muito diverso, tem muitos problemas sociais, econômicos, mas também muita riqueza. Eu vejo o Brasil positivamente, eu me sinto muito brasileira positivamente nesse sentido de cultura, não de cultura de corrupção e outras coisas que também são características, infelizmente, do nosso país.

P7

O Brasil tá indo de mal a pior.

P8

Bom, eu acredito que nós tivemos nos últimos 15, 20 anos uma evolução, tanto econômica quanto social, econômico e social estão ligados, mas uma evolução econômica no país que melhorou a condição de vida do povo brasileiro, dando mais acesso a determinados luxos que antes a gente não dispunha. Eu que em relação à educação ainda falta muito a evoluir. Ainda são poucos os brasileiros que tem acesso ao nível superior e tem muita coisa a ser feita nesse quesito. Isso dá pra concluir, assim, devido, por exemplo, a gente começa a aumentar... a gente necessita de mão-de-obra no Brasil, qualificada e tu não tem, isso é um reflexo do baixo investimento na educação. Se tu tivesses, teria mão-de-obra disponível no mercado, qualificada pra atender. Então, o Brasil cresce só que não tem mão-de-obra pra atender toda essa demanda.

P9

Buenas, acho que o Brasil evolui bastante, tá caminhando, tá melhorando, acho que a gente tá andando. Tem bastante coisa pra melhoras, mas acho que nos últimos anos ele deu uma boa melhorada, as pessoas estão tendo acesso a mais coisas. Um tempo atrás circulou um email muito engraçado, que era bem aqui do sul, dizendo... a gente tem o supermercado Zaffari, o pessoal brincando “ah, não aguento mais, agora os pobres estão comprando no Zaffari, tá todo mundo andando de avião, que coisa mais chata...”, assim brincando e eu acho que isso tá acontecendo mesmo, as pessoas estão tendo mais acesso. Dá pra ver que as pessoas de uma classe mais baixa estão conseguindo comprar no Zaffari (risos), né, que antigamente era o supermercado considerado mais caro, andando de avião, tá tendo acesso, mas porque de uma certa forma tem um desenvolvimento. Acho que tem muita coisa pra acontecer, mas acho que o nosso país tá melhorando, tá conseguindo caminhar na parte de tecnologia, também. Se tu fores ver, o Brasil também tem se destacado em algumas coisas, se for ver na área da medicina, o pessoal tá descobrindo coisas. Então é bem legal tu ver que isso tá acontecendo, né. Que é um país enorme, que tem tanta coisa, tem tanta gente por aí pensando, com potencial, na área, tipo, sustentabilidade, parte de ecologia, o pessoal transforma lixo em trocentas coisas hoje. Então, tu vê que isso tá caminhando, se a gente olhar pra Alemanha, eles fazem aquelas casas sustentáveis lá que é uma beleza, a gente aqui ainda não faz isso, ok, mas acho que tá caminhando.

P10

Acho que a gente tem um país maravilhoso, que tem tudo pra dar certo, só que as pessoas ainda têm que se conscientizar um pouquinho mais. Acho que isso que é o difícil. Acho que tem que começar desde pequenos, acho que essa geração nova vai vir com uma outra cabeça, é desde pequeno que tem que colocar isso, nas escolas, tudo, né.

P11

Eu acho o Brasil, no momento de hoje, eu acho um país de grandes oportunidades, provavelmente a gente tem um papel a jogar no sistema internacional hoje, creio que também quanto povo, quanto população, nacionalidade, a gente evoluiu bastante, acredito nisso. Os brasileiros ultimamente estão muito mais conscientes da sua cidadania e conseguem ter um papel importante na vida social, na vida política do país também. Creio que esses avanços se manifestaram principalmente nos últimos 20 anos, mas basicamente é isso.

Fonte: Porto Alegre, março de 2011.

Quadro 6 - Discursos dos participantes de Salvador sobre o Brasil enquanto nação.

PARTICIPANTE

DISCURSO

P1

Eu acho que ainda tem que mudar muito, porque tem muita desigualdade social. Acho que os governantes devem investir mais na educação, porque tem muita desigualdade, muita pobreza.

P2

Acho que o Brasil é um país muito rico, mas infelizmente o governo não oferece... não tem igualdade. Que tem dinheiro tem, quem não tem... Acho muito desonesto. Quanto mais eles têm dinheiro, eles querem ganhar mais e não olham pra quem não tem nada, principalmente político.

P3

Um país de uma diversidade muito grande, recursos naturais imensos, mas pouco aproveitados e quando aproveitados não são bem utilizados. Uma cultura muito rica, gigante, conta inclusive outros países e outros modelos. E uma riqueza de gente muito grande, dessa diversidade que tá na cultura, tá nos costumes e que tá nas pessoas. Eu acho que é isso.

P4

Eu diria que é um país que está em “vias de”, ele tá caminhando, tá progredindo, mas ainda tem algumas coisas que deixam a desejar. A primeira delas são os nossos políticos que poderiam trabalhar mais em prol mesmo do país, sem olhar tanto o lado pessoal, sem querer sempre pra eles. A gente vê vários casos assim. E trabalhando pelo país melhora a educação, melhora a saúde, vários pontos necessários. E preservando o meio ambiente. Que é o que a gente faz aqui, nesse espaço.

P5

Eu acho bom, né? Um país bom, acho. Tem muita desigualdade. Tem muita pobreza, então tem que mudar, né?

P6

O Brasil tá muito violento pra se viver.

P7

Quando eu penso assim no Brasil eu penso em esperança, porque sempre o brasileiro tem esperança.  Brasil é um país de esperança, de oportunidades de melhorias, mas só que não depende só da gente, melhorias dependem de um conjunto de pessoas que mandam no país. Da gente só depende o voto, mas o voto não quer dizer tudo. Eu vejo assim, o Brasil como um país de oportunidades e esperança.

P8

O país tem tudo para ser do primeiro mundo, mas o problema são os políticos, governantes, que não sabem usar nossos recursos naturais. Há falta de oportunidade para o povo.

P9

Um país que tem potencial, país do futuro, mas que é mal administrado há décadas, tendo carências excessivas na educação e na saúde. Um país que não tem um representante adequado.

P10

País dos extremos. Na cidade você vê uma casa linda e uma casa de madeira lado a lado. É também o país da beleza, mas também é um país da desigualdade, com muito pobre. Um país grande, rico e um país jovem.

P11

Acho o país mais interessante do mundo, mais surpreendente, com as maiores possibilidades, tem muita coisa pra ensinar. Segundo Jorge Mautner, ele diz “Ou mundo se brasilifica ou vira nazista”, e isso é verdade, a gente tem muita coisa para ensinar. A gente vai na Europa, a gente vê tensões, um suportando o outro, eles falam até em tolerância. Tolerar não é um sentimento tão nobre assim, tolerar é suportar. E a gente sabe conviver com algumas diferenças que outros países não sabem. Tem essa coisa toda de um país que foi colônia até pouco tempo e valoriza muito o que vem de fora, mas a gente tem coisas muito boas, se a gente soubesse valorizar. Eu acho que a presença de Lula fez o Brasil se olhar de uma forma mais verdadeira, porque nenhum brasileiro esperava que ele, que foi sempre tratado como analfabeto nordestino, fosse fazer aquela conquista lá fora, o respeito, virou um “popstar” na política. Eu acho então que se a gente soubesse valorizar, o Brasil tem tudo pra ser... pra mim, já é o país mais interessante, mas o povo precisa saber disso. O povo precisa saber disso. Se tivesse tanto dinheiro, que dizem que o Brasil está ganhando, um projeto interessante era dar uma passagem pra todo mundo pra ir a um país que quisesse e admirasse. Todos os brasileiros, passar uma semana fora para quando ele voltar vê o que é o Brasil, ia passar a gostar muito mais do Brasil, ia dar mais valor ao Brasil. Então, se gente se conhecer mais, vai ser melhor. Lula fez isso muito bem, Dilma tá vindo com aquela informação que tem a formação acadêmica, e que passa por isso até um olhar de subserviência do ocidente muito grande, mesmo depois da lição do Lula. Eu não sou petista, nem lulista, mas eu não posso deixar de dizer que a presença dele deu um olhar diferente pro Brasil e pro brasileiro se sentir diferente. Foi muito importante. Tem um perigo aí: não precisar ser universitário pra ser respeitado, o perigo é o desinteresse no jovem em estudar, mas ele soube fazer de uma forma que isso na surgisse, mas acho isso tudo marcante, mas acho que o Brasil é tudo de bom.

Fonte: Salvador, maio de 2011.

Quadro 7 - Discursos dos participantes do Rio de Janeiro sobre o Brasil enquanto nação.

PARTICIPANTE

DISCURSO

 

P1

Acho muito massa. Adoro, tenho muito orgulho. Já morei fora do país e tenho a consciência de que o Brasil tem um potencial muito grande em todos os setores. Não tem nada em que o Brasil peque. Lógico, como todo país tem seus erros, suas falhas, mas eu tenho muita esperança no, povo brasileiro principalmente, e no território nacional, geograficamente falando. É uma terra muito fértil, uma geografia muito privilegiada, e é um país grande, abundante em tudo, não nos falta nada. Temos tudo em demasia. Adoro o Brasil, sou brasileiro, vivo aqui com muito gosto.

 

P2

Tirando a violência e a corrupção, pra mim é um país normal.

 

P3

Ainda tem muita coisa pra ser consertada. No Brasil a gente pensa muito em carnaval, futebol, mas esquece da pobreza, Tem muita gente necessitando de lugar pra ficar. Hoje mesmo a gente ta vendo toda hora na televisão, vê jovens se envolvendo com crack, com drogas. Então acho que o governo deveria, ao invés de gastar dinheiro com carnaval, com festas, se preocupar mais com esse tipo de coisa que é o Brasil de amanhã, o Brasil do futuro. Se queremos um Brasil melhor no futuro, temos que preparar o jovem hoje. Então isso tudo depende do governo, tanto estadual como federal.

 

P4

Eu já fui em alguns lugares do Brasil e por mais que tenha violência, muita coisa a ser melhorada, é muito bonito quando você vê a diferença que tem em cada região do pais. É muito grande, é muito diferente de outros países que eu já fui. Por exemplo, minha cunhada é do Uruguai e chegou aqui e ficou impressionada com os morros do Rio de Janeiro, essa beleza natural do Brasil. Tem que melhorar ainda muito, principalmente na política, mas em relação a muita coisa é muito bom e que não valorizam. Às vezes, o que tem aqui é bem melhor do que tem no exterior.

 

P5

Eu acho um país muito bonito. Pessoas muito simpáticas. A gente não dá muito valor às coisas que têm aqui, você pode conhecer vários lugares, é um país muito diferente, sem deixar de ser bonito. Tem muita desigualdade, muitos problemas em relação à política, que as pessoas não se interessam ou simplesmente acham que tá muito bom. Às vezes as pessoas não tem consciência de quanto poderia melhorar, aí deixa pro Estado, não dão importância ao voto porque acham que não vai mudar, também acham que não vai fazer muita diferença, acham que se votarem em políticos que vão dar salário um pouco maior vai estar bom, e não é assim.

Fora que tem muita pobreza, passa na TV que a miséria está diminuindo, mas ainda tem. Há muita pobreza, o que é feio, pois um país muito bonito tem essa disparidade em ter beleza e pobreza. No exterior tem estereótipo de que aqui é pobre, tem violência, “não vou pra lá”. Apesar de que o turismo poderia aumentar, só não aumenta pela violência. Quantas pessoas deixam de vir pra cá porque acham que toda hora é um tiroteio?! Ainda mais por Rio que é estereotipado da violência apesar de ser uma cidade bonita.

Também não tem conscientização ambiental, está apenas começando. Você passa por Guanabara e vê o lixo, antes você passava e sabia que tinha o lixo, mas não via. Tem muito pra  mudar.

 

P6

O Brasil continua em foco de desenvolvimento em todas as áreas e hoje em dia tem um conjunto de integração entre população e trabalho, pesquisa e tudo, eu acho que o Brasil tá num bom rumo em relação ao atendimento e essa integração do grupo como sociedade em busca de desenvolvimento tá muito positiva pro bem futuramente da nação brasileira.

 

P7

É um país com a situação das pessoas que investe pouco no cidadão, está pouquíssimo preocupado com a situação das pessoas, está mais preocupado com a imagem dele no perfil econômico com o exterior, é um país que eu mesmo, sou pouco nacionalista por consequências destas situações.

 

P8

O Brasil todo não conheço, mas o Rio nossa, está um caos, Rio de Janeiro está péssimo, transito, violência, saúde, tudo, todos os serviços, agora em lugares não posso dizer porque né? Mas o Rio de Janeiro, vou te contar os nossos governantes estão deixando muito a desejar.

 

P9

O Brasil pra mim é um país maravilhoso, um país com suas culturas, com suas raças, é uma mãe, Brasil é uma mãe.

 

P10

Eu acho ótimo, o Brasil é maravilhoso, gosto muito.

 

P11

Acho que nosso país é o mais rico do planeta, nosso verde... temos muitas riquezas e era pra sermos um país de primeiro mundo e não de sétimo, oitavo.

 

P12

Ótimo, eu gosto de ser brasileira e me sinto feliz em ser brasileira.

 

P13

Quando alguém pergunta, a gente fica sem saber o que falar, não tenho opinião formada, não sei!

 

P14

Eu acho que é o melhor país que tem, em cultura, em beleza.

 

P15

O Brasil é um país que tem muito a melhorar, isso é claro. Temos muitos problemas na saúde, na educação, nos transportes e entre as próprias pessoas. Mas acredito que a sociedade esteja tomando um rumo diferente e se conscientizando de coisas que antes não eram discutidas, levadas em conta. Os jovens de hoje parecem estar se engajando em causas sociais cada vez mais e isso eu acredito que seja essencial para mudar nossa situação.

 

Fonte: Rio de Janeiro, junho de 2011.

Quadro 8 - Discursos dos participantes de Belém sobre o Brasil enquanto nação.

PARTICIPANTE

DISCURSO

P1

É um país que tem potencial, só que não utiliza porque as pessoas são muito ignorantes.

P2

Minha opinião é que o Brasil ainda tem muito a crescer, tenho muitas expectativas em relação a isso, coisas que a gente não teve muito indícios até os dias de hoje, mas eu espero que nos próximos 50 anos seja diferente.

P3

Eu acho que é um país muito bonito, que todo mundo gosta. É muito difícil uma pessoa de fora vir pra cá e não gostar daqui, só que realmente é uma nação que falta muitos princípios, muito respeito, parece que as pessoas não são humanas, às vezes, não têm respeito com o próximo.

P4

Eu acho que o Brasil é um país que tem muito potencial, mas pelo próprio processo histórico e pela mentalidade das pessoas, a gente ainda tá muito submisso aos outros países, ao pensamento estrangeiro.

P5

Eu acho que o Brasil tem muito de bom, como as belezas naturais e a cultura bem diversificada, mas é ruim quando vemos notícias de fraudes na política ou da extrema violência nas cidades grandes. Ou até mesmo nas áreas rurais, como vimos agora.

P6

Eu acho o Brasil muito bom em relação a muitas coisas. Bom em relação a ter livre acesso em muitas coisas, como religião, por exemplo, comparado a outros países, que as pessoas não têm essa liberdade, como religião, voto.

P7

Eu penso que o Brasil é um lugar bom. Com um povo criativo, que tá preparado pra qualquer coisa que vier.

P8

Eu acho que o Brasil é um país muito legal de se viver em termos de cultura e tem muita coisa pra se conhecer, é muito grande, eu acho isso legal, essa diversidade, essas diferenças. Mas eu acho que problemas e as mazelas sociais fazem um contraponto pra eu não me sentir tão bem sendo brasileira. Então tem esse paradoxo de identidade no Brasil.

P9

Falar sobre o Brasil é algo muito amplo, difícil. Somos um país emergente e estamos em transição, para um país melhor, que envolve questões políticas, de infraestrutura, de moradia, questões sociais, das pessoas se relacionarem umas com as outras. Resumidamente, nós enquanto brasileiros, se quisermos ser um país de primeiro mundo um dia, deveríamos nos espelhar ao máximo nos outros países e em como eles estão. A política deve ser o primeiro passo pra tentarmos mudar a situação em que vivemos no momento.

P10

Pra mim o Brasil é um país tipicamente tropical, daí vem a alegria do povo e a descontração, o jeito de enfrentar as dificuldades e o bom humor.

P11

É um país extremamente rico, com gente besta e gente querendo bancar o esperto. Relativamente pouca gente honesta, devido ao tipo de educação e ao tipo de desenvolvimento da história do país.

P12

É um país muito explorado, porque nós temos muitas riquezas que não são devidamente utilizadas. E os políticos querem tudo para eles.

P13

Penso que o Brasil é um país em desenvolvimento, que ainda tem muito a crescer, porém necessita de boa administração acima de tudo.

P14

Penso que há muita desigualdade social, o que fica ruim pra gente.

Fonte: Belém, julho de 2011.

Quadro 9 - Discursos dos participantes de Porto Alegre sobre o que é “ser” brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

P1

Eu sou de origem alemã.

E: Mas a senhora nasceu no Brasil?

P1: Nasci.

E: A senhora se sente brasileira?

P1: Sim, me sinto brasileira, fui criada aqui. Não sou alemã, alemã.

Pad1 (POA P2)

Olha, eu adoro, entendeu? Sou muito bairrista, amo muito a minha cidade, gosto muito daqui. Tenho vontade de conhecer outros lugares, mas acho que nunca vou deixar de morar em Porto Alegre. Nunca vou deixar de morar em Porto Alegre, porque eu amo Porto Alegre. (risos)

E: Então, isso seria ser brasileira pra você?

P2: Ser brasileira pra mim... acho lindo, o país é lindo. Deus nos abençoou com tudo que foi belo de natureza. A gente é autossustentável, a gente consegue sobreviver só com nós mesmos, mas tem a questão toda da globalização, que é necessária também.

Pad2 (POA P3)

Ah, muito orgulho, né. Acho que a gente tem muito orgulho, não só pelo o estado, mas pelo fato de ser brasileiro, também. Acho que o povo brasileiro em si tem orgulho de sua terra, né.

Pv2 (POA P4)

Bom, eu não conheço outros países, né, então eu acho que é muito bom. Essa é a minha opinião.

Pv3 (POA P5)

Pra mim, ser brasileira é uma honra, porque como eu acho que o Brasil é o melhor país do mundo, então é uma honra pra mim ser brasileira, me sinto bem aqui. Eu não tenho vontade de conhecer os outros países e tudo, eu não conheço direito o Brasil. Nossa como é grande... Quando eu entro dentro de um elevador eu digo assim “eu não gosto dessas coisas apertadinhas. Meu Deus do céu, o Brasil é um país tão grande, por que que a gente tem que estar dentro dessas caixinhas?”. Morar nesses edifícios enormes que daqui a pouco cai, como já caíram tantos... Por que se é tão grande? Pode construir uma casa pra cada um e ainda sobre terra. Maravilhoso, maravilhoso, tem tudo e não falta nada. Tem petróleo, tem pedras preciosas, tem gente trabalhadora, como tem também os preguiçosos, tem aí os que adoram pular o carnaval, pessoas alegres, felizes, né. Acho que não precisa mais nada.

Pad3 (POA P6)

Acho que é ser guerreiro, o povo brasileiro é muito lutador, consciente ou não disso, mas pra viver, acho que essa é uma das características de ser brasileiro, é você ir atrás das coisas pra poder viver.

Padolesc1 (POA P7)

Significa muitas coisas, mas ultimamente não to tendo muito orgulho, até porque o brasileiro tá sendo ridicularizado lá fora, tanto que tão exportando brasileiro de volta.

E: Por que você acha que isso tá acontecendo?

P7: Não sei, muito porque o Brasil tá pouco desenvolvido. Também agora que teve aquele complexo do alemão lá, ô louco, é uma imagem ruim aqui pro Brasil. Ainda mais agora que vai ser sede em copa, então aquilo ali abalou muito a gente. E tudo isso foi pro exterior, e todo mundo tá sabendo agora. E agora vai ser difícil de um turista vir pra cá e não ter medo.

E: E pra ti, tu sendo brasileira, o que tu sentes, o que significa ser brasileira?

P7: Ser brasileira é porque eu nasci aqui, então eu não tenho como mudar a nacionalidade, a não ser que eu vá pra outro país e isso é uma coisa que eu não quero, até porque eu gosto de ser brasileira, o povo brasileiro, bem ou mal, é um povo acolhedor, acolhe muito as pessoas, esse é o maior erro, né, é muito coração, não é muito dizer não. Brasileiro acolhe muito, contanto que lá fora a gente é visto de outra forma. Quando eles chegam aqui a gente recebe eles tudo numa boa, só que lá fora a gente é mal visto.

Pad4 (POA P8)

É bem filosófica essa questão. Tu vai ter longos períodos em branco na tua gravação (risos). Eu acredito que... eu não... em função desses problemas, eu não julgo que é ruim ser brasileiro, por exemplo, comparando com outras nações mais desenvolvidas. Eu acho que falta muita coisa, mas isso aí não quer dizer que a gente não tenha... a gente é um país novo, né, então a gente tem muito caminho pela frente, dependendo de  como as coisas serão guiadas, a gente tem muito a evoluir. Então, eu acho que a gente só deveria preservar um pouco mais a nossa imagem como nação, né, principalmente perante os outros países desenvolvidos que exigem muito da gente e a gente, hoje, não exige também deles. A gente vai pra fora do país, por ser brasileiro tu tem uma série de restrições e quando as pessoas vem pra cá a gente recebe muito bem elas. A gente deveria, acho que... ter um pouco mais de paridade nessa questão, até pra poder se dar valor, também.

E: Mas nessa perspectiva, pra ti, enquanto pessoa, o que significa ser brasileiro?

P8: Acho que não tem como tu não... eu pelo menos né, me senti satisfeito em ser brasileiro quando estou fora do país, porque sempre tu tem a oportunidade de levar ou a camiseta do teu time ou a do Brasil, pra tu mostrar que tu é brasileiro, pra que as pessoas te reconheçam como brasileiro. Eu acho que é... não vou dizer que é gratificante, mas te reconhecerem como brasileiro acho que é uma coisa legal, assim, é um sentimento legal.

Pad5 (POA P9)

Acho que tem um pouco daquela coisa “sou brasileiro, não desisto nunca”. Acho que o povo tem essa coisa de “vamos lá, vamos tentar”, o cara ontem “tava” trabalhando, hoje tá desempregado, mas vai dá um jeito de ganhar dinheiro, ele vai vender, sei lá, vai inventar alguma coisa. Mas acho que as pessoas tem essa força de vontade pra correr atrás, pra buscar. Claro que não é 100%, sempre tem um e outro que vai ser o ponto fora da curva, mas eu acho que as pessoas, assim, o povo geral tem essa característica. Ser brasileira, eu acho que tem um pouco disso. Tem a coisa de ser um povo, querendo ou não, eu acho que comparado com outros, é mais receptível, mais alegre, talvez pelo nosso calor aqui, né, de ser um país mais quente, se for ver alguns países da Europa, eu nunca fui pra Europa, mas eu tenho essa impressão, pelo menos, que lá a coisa é um pouco mais fria, as pessoas assim. Eu acho que tem mais isso, o povo brasileiro tem muito disso, de calor, essa alegria. Acho que é por aí.

P10

Não sei o que é ser brasileira pra mim.

P11

Ser brasileiro seria no sentido de pertencimento a uma comunidade, sociedade. Também, no sentido de pertencimento e no sentido de que eu tenho um dever na sociedade, que tenho que retribuir também.

Fonte: Porto Alegre, março de 2011.

Quadro 10 - Discursos dos participantes de Salvador sobre o que é “ser” brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

P1

Ser brasileiro é a alegria de ser, tratar as pessoas bem, gostar muito de festa, como aqui que é um povo sempre “tamo” em festa, especialmente em salvador.

P2

Olha, eu tenho muito orgulho de ser brasileiro. Tenho amor pelo meu país. Apesar da corrupção, mas eu gosto muito do meu país.

P3

Não sei...  Mas nesse bate e pronto, acho que ser brasileiro pra mim é ser lutadora. Acho que é luta, esforço, esperança. Vem palavras, não consigo te dar uma frase ou definição. E é engraçado, porque é uma definição muito voltada para o sentimento. Sentimento que liga, que liga as pessoas.

P4

É difícil, né? Mas eu acho que uma coisa bacana de ser brasileiro é de tá acostumado e pronto pras adversidades, pras dificuldades. Acho que a gente tem um jogo de cintura bacana. E outra coisa que eu gosto muito de ser brasileira é a diversidade. Você vê todas as cores no mesmo povo, que fala a mesma língua. É diferente de você estar em Portugal e você vê que eles são todos mais parecidos, você vai lá pros países nórdicos... tô falando, já viajei muito, na Austrália, na Europa, e aí você vê isso. A gente é um povo diferente mesmo. Essa diversidade física se incorpora na diversidade de conhecimento.

P5

Ser brasileiro é honrar nossa pátria.

P6

Eu nunca pensei o que é ser brasileiro. Cultura diferente, todo mundo misturado. Muita gente, não todo mundo, muda de país pra mudar de classe. Mas acho legal morar aqui, mesmo com toda violência que tá tendo, com essas mortes e um monte de coisa. Não é um país muito seguro. Mas é bom morar aqui, eu gosto. Acho que ser brasileiro é uma mistura de pessoas de diferentes classes sociais, diferentes etnias, raças.

P7

Pra mim, ser brasileira é estar sempre tentando encontrar uma melhoria de vida. O ser humano necessita de se melhorar, e o brasileiro tá sempre tentando uma forma. Eu, ser brasileira, estou sempre procurando uma forma de minha melhoria, da minha família, dos meus, depois eu falo do país em si. Pensar num futuro melhor, sempre um futuro melhor. Então, ser brasileiro é um luta constante, estar lutando por uma melhoria de vida.

P8

Tenho muito orgulho de ser brasileira e da Bahia e nenhum pingo de vergonha.

P9

Pra mim, é uma alegria muito grande e uma responsabilidade também muito grande por se tratar de um país que ainda esta jovem, tem muito a fazer ainda. Então, eu sinto não ser jovem a essa altura para poder contribuir mais, eu, na minha posição de brasileira. Se eu pudesse estar mais engajada na luta por um Brasil melhor, eu estaria, mas evidentemente eu já fiz a minha parte, porque já trabalhei 44 anos, como professora inclusive, e como bióloga.

P10

 

P11

Fazer música popular brasileira, fazer música que não toca no rádio, fazer uma música que os meios de comunicação de espaço, porque os meios são todos comprados, onde se paga para que a música toque no rádio, para que se vá ao Faustão, pra que se vá ao Jô Soares. Eu sou um brasileiro na contra mão, mas porque acredito no Brasil. O Brasil acredita na música que eu faço. Faço as coisas que faço por paixão e o Brasil, como o resto do mundo, faz as coisas por dinheiro, só por dinheiro.

Fonte: Salvador, maio de 2011.

Quadro 11 - Discursos dos participantes do Rio de Janeiro sobre o que é “ser” brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Pad1 (RJ P1)

Primeiramente, com certeza, admiro a alegria no viver. Tem cara que passa fome, passa uma dificuldade grande na vida, seja familiar ou no trabalho, enfim, e o cara está sempre sorrindo. Tem momento que o cara está triste mas ele não leva nunca isso adiante. Ele divide a tristeza com o outro que é mais próximo, mas no contexto geral o cara está alegre. O povo brasileiro se diz um povo sem problema, por exemplo, você pergunta “E ai? Tudo bem?”, pode estar tudo errado na vida do cara e o cara fala “Tudo bem, eu estou bem”. Então, primeiramente, a alegria no viver, essa esperança em acordar cedo e batalhar o dia com alegria. E, com certeza, depois da alegria no viver é a humildade, essa alegria de ajudar o próximo, de contar com uma pessoa que as vezes a gente não conhece, que a gente nunca viu na vida, a facilidade de pedir um favor e o favor vir de bom grado, que é uma coisa que acontece com muita dificuldade fora daqui. Falo por experiência própria de já ter morado fora e eu sei o quanto o povo brasileiro é solidário, solidário mesmo, de ajudar, por alguém na sua casa, comer a comida q você fez, dar um copo de água e ajudar mesmo. Essa solidariedade identifica muito o brasileiro. É um povo muito carente, por ser uma região muito grande, muita gente vive em lugares isolados, de difícil acesso às coisas, mas mesmo assim, mesmo tendo pouco, o povo brasileiro sabe dividir como nenhum outro.

Pad2 (RJ P2)

Acho normal também. O Brasil, na minha opinião, tem muita gente vindo pra cá porque acho que é mais fácil de conquistar nosso objetivo aqui. Sei lá, na área de trabalho, essas coisas.

Pad3 (RJ P3)

Cada estado vive de um jeito. Se eu fosse um governante eu iria tentar melhorar dessa forma, começando pelo jovem, pra poder ter um Brasil melhor amanhã. Ajudar os idosos que tem muita gente que abandona, deixa no asilo também.

Pad4 (RJ P4)

Aqui tem muita gente alienada, muita coisa que as pessoas acabam sendo influenciadas pelos meios de comunicação. Não porque querem, mas muitas vezes porque não é acessível um estudo mais detalhado sobre o que eles deveriam saber, como política. E não é que eles não se esforçam, mas é que eles não conseguem acesso a uma educação que possibilite ter um entendimento maior que vá melhorar a vida deles.

Pad5 (RJ P5)

O povo brasileiro é muito bom. Pelo que eu vejo, os pobres ainda querem ajudar. Se tem uma pessoa numa situação pior, tentam ajudar, mesmo que com o mínimo. Às vezes, pessoa ricas, de classes mais elevadas, não tem essa consciência toda, mas o pobre vê a pessoa mais miserável e quer ajudar, nem que seja com um prato de comida. É um povo muito simpático, divertido. Os estrangeiros vem e pedem uma informação e o brasileiro faz caras e bocas e gestos pra poder ajudar. Na França eu fiquei sabendo que se você pede uma informação e não tem um francês muito bom, eles te ignoram. Aqui até desenhar se for preciso pro estrangeiro entender.

Apesar de eu não gostar do “jeitinho brasileiro”, que é a corrupção, sempre dá um jeito de sair bem na história. É um povo bonito.

Pad6 (RJ P6)

O povo brasileiro está com a cabeça mais aberta em relação a pensamentos de alguns tabus, estão quebrando, estão investindo em mais tecnologia, investimentos em infraestrutura, com pessoal em relação a tudo, está mudança que o Brasil está acompanhando em outros países em desenvolvimento que está crescendo muito aonde até as pessoas de fora já começam a notar em outros países estão investindo, estão olhando o Brasil como falta de desenvolvimento, não só porque é um país que está com uma base de investimento boa na população, mas enfim porque a população está investindo no seu próprio país.

Pad7 (RJ P7)

É um povo muito batalhador, que corre muito atrás, muito dedicado, mesmo diante de várias situações por falta até de um pouco de informação pessoas acabam vestindo muito a camisa do país desnecessariamente.

Pad8 (RJ P8)

Tem os bons, as pessoas que são solidárias e outras que não “tá” nem ai é como se eles não fossem um seres humanos, eu vejo pela viagem dos ônibus, quando a gente vem de casa pra cá ou daqui pra casa, é gestante com barrigão de nove meses em pé, não dão lugar, é um descaso total um com o outro.

Pad9 (RJ P9)

Muito acolhedor, batalhador, guerreiro, só que falta um pouco mais pra este povo brasileiro. Saúde, educação, nosso país tá se desenvolvendo, mas a saúde e a educação continuam um caos.

Pad10 (RJ P10)

Um povo muito, como se diz assim, acolhedor, muitos felizes.

Pad11 (RJ P11)

Bem receptivo. Pessoas falam do racismo, mas é muito pouco, quase não prevalece mais, no povo carioca não vejo distinção, o católico se dá com cristão, se dá com aquele que serve o budismo, ao espiritismo, ou seja, todos são vizinhos, todos moram um perto do outro, ou seja, não tem distinção todos somos seres humanos, todos são filhos de Deus, o povo brasileiro é um povo abençoado.

Pad12 (RJ P12)

Eu acho o povo brasileiro maneiro pra caramba.

Pad13 (RJ P13)

Me sinto bem, sendo brasileira, lógico. É um país que me faz bem e vivo feliz aqui.

Pad14 (RJ P14)

Um povo acolhedor, carinhoso. É um orgulho pra mim fazer parte daqui, mesmo que tenha problemas sociais, na justiça, sei que podemos crescer.

Pad15 (RJ P15)

Eu gosto de ser brasileira. Mesmo com os problemas que acabei de falar, tenho orgulho de ser brasileira e me sinto honrada por isso.

Fonte: Rio de Janeiro, junho de 2011.

Quadro 12 - Discursos dos participantes de Belém sobre o que é “ser” brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Padult1 (PA P1)

Não sei falar sobre isso.

Padolesc1 (PA P2)

Me sinto bem, mas tem coisa que falta melhorar aqui, entre as pessoas.

Padolesc2 (PA P3)

Tem momentos que fico feliz e outros não. Às vezes dá vergonha, outras, orgulho. Depende do que vejo.

Padolesc3 (PA P4)

Nunca pensei nisso.

Padolesc4 (PA P5)

É bom. Às vezes a gente fica mais pra baixo, quando vê algo ruim, mas é sempre motivo de orgulho em outros aspectos, como no esporte.

Padult2 (PA P6)

Eu me sinto honrada em ser brasileira e acho que não escolheria outro país pra nascer.

Padult3 (PA P7)

Me sinto orgulhoso. Porque o brasileiro é um povo batalhador, é criativo, tem garra, raça, força. Isso me dá orgulho.

Padult4 (PA P8)

Eu gosto de ser brasileira, gosto de algumas conotações que o Brasil tem no mundo. Me sinto bem.

Padult5 (PA P9)

Ser brasileiro é motivo de orgulho e de preocupação ao mesmo tempo. Orgulho é um país bonito nos quatro cantos. Tem seus pontos turísticos bons, bonitos. Tem seus lugares bons pra se morar. Sem contar com o esporte, que temos uma seleção importante no mundo. Mas preocupado com questões políticas e sociais, como corrupção, nepotismo, que é algo bastante debatido nos últimos anos, e isso tudo é algo que tu podes puxar pra outras coisas, pra sociedade, como a infra-estrutura, o humanismo da pessoa. Me preocupa isso.

Padult6 (PA P10)

Pelo lado das características do povo brasileiro, de ser um povo alegre, eu me sinto feliz. Mas por outro lado, pelas injustiças sociais e as questões políticas, que existe muita desigualdade, malandragem, robalheira, desse lado eu fico triste. Mas acredito que o povo ainda precisa passar por essas dificuldades pra realmente amadurecer e conseguir escolher seus governantes.

Padult7 (PA P11)

Bem, considerando que eu sou um cidadão de classe média e tenho grandes oportunidades na vida e o país tá crescendo.

Padult8 (PA P12)

Apesar de ser muita coisa pra se envergonhar, tem muitas coisas que dão orgulho. Eu gosto de ser brasileira.

Padult9 (PA P13)

Ser brasileiro significa ser filha de uma nação riquíssima na fauna, na flora, na biodiversidade.

Padolesc5 (PA P14)

Eu me sinto envergonhada porque há muita desigualdade num único país, muito roubo.

Fonte: Belém, julho de 2011.

Quadro 13 - Discursos dos participantes de Porto Alegre sobre as características do povo brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Pv1 (POA P1)

Uns são bem tratados e outros não. Conforme pra onde é que tu vai, um te trata bem, outro não.

Pad1 (POA P2)

Acho que é a alegria. O povo é muito alegre.

Pad2 (POA P3)

Depende muito da região. Mas acho que em geral é um povo que busca seus ideais, tá sempre em busca de seus objetivos, seus ideais... é um povo batalhador.

Pv2 (POA P4)

É um povo que tem uns que brigam, outros que não brigam. Acho assim...

Pv3 (POA P5)

O brasileiro é um povo alegre, pra eles tendo assim trabalho, futebol e carnaval tá ótimo. Então...

Pad3 (POA P6)

Acho que tem muita esperança, também tem memória curta, acho que isso é uma coisa de brasileiros, parece que a gente não lembra muito das coisas, “ah, passou!”, olha mais frente do que pra trás. E muito alegre, assim.

Padolesc1 (POA P7)

Povo acolhedor, batalhador, tem várias qualidades.

Pad4 (POA P8)

Eu acho que é um povo receptivo, trabalhador, não 100%, mas acho que uns 90% aí (risos), um povo receptivo, que recebe muito bem, não muito educado, nós não somos educados, de jogar sujeira na rua, não somos muito educados no trânsito, quanto à natureza... acho que é isso aí.

Pad5 (POA P9)

Acho que tem um pouco daquela coisa “sou brasileiro, não desisto nunca”. Acho que o povo tem essa coisa de “vamos lá, vamos tentar”, o cara ontem tava trabalhando, hoje tá desempregado, mas vai dá um jeito de ganhar dinheiro, ele vai vender, sei lá, vai inventar alguma coisa. Mas acho que as pessoas tem essa força de vontade pra correr atrás, pra buscar. Claro que não é 100%, sempre tem um e outro que vai ser o ponto fora da curva, mas eu acho que as pessoas, assim, o povo geral tem essa característica. Ser brasileira, eu acho que tem um pouco disso. Tem a coisa de ser um povo, querendo ou não, eu acho que comparado com outros, é mais receptível, mais alegre, talvez pelo nosso calor aqui, né, de ser um país mais quente, se for ver alguns países da Europa, eu nunca fui pra Europa, mas eu tenho essa impressão, pelo menos, que lá a coisa é um pouco mais fria, as pessoas assim. Eu acho que tem mais isso, o povo brasileiro tem muito disso, de calor, essa alegria. Acho que é por aí.

P10

Eu morei por um tempo na Alemanha. Quando tu vai como turista é uma coisa, quando tu mora é outra. A minha experiência na Alemanha foi muito boa, porque eu morei com pessoas maravilhosas. Então, eu não tenho essa ideia que o alemão é frio como todo mundo diz. O alemão é um povo frio de início, até porque eles são muito desconfiados, mas depois que tu chegar até eles, tu tem amigos melhores que no Brasil. Eles são mais reservados, são, mas também porque eles foram muito sacaneados. Mas depois, quando você chegar no coração deles, tu tem pessoas mais, digamos assim, receptivas que os brasileiros, porque eles não tentam te sacanear, como o brasileiro. Bem ou mal, brasileiro sempre tenta dar o jeitinho brasileiro. Sempre tenta, ‘ah, vamo tirar uma vantagem aqui”. Na verdade, o brasileiro tem um pouquinho disso, sempre tenta tirar um pouquinho. Ela tava falando dos políticos, a ideia dos brasileiros muitas vezes é “ah, agora eu cheguei na prefeitura, eu cheguei no estado, eu cheguei no governo, cheguei não sei aonde, agora é a minha vez, vou tirar a minha parcela, agora é a minha vez de roubar um pouquinho, de pegar a minha parcelinha”. Pode ser 5, 10, 15 reais, mas sempre tá pegando a parcelinha dele. Acho que muito da mentalidade do brasileiro é essa ainda, dá o jeitinho brasileiro, “vou pegar a minha vez agora. Chegou na minha vez. Todo mundo faz, por que eu não vou fazer?”. Infelizmente, acho que é um... o brasileiro é um povo muito receptivo, muito tipo... Olha o carnaval agora, brasileiro fica o ano inteiro, não tem o que comer, mas fica o ano inteiro economizando aquele dinheirinho pra poder pular carnaval, entendeu? E são felizes desse jeito. Passar o ano inteiro economizando aquele dinheirinho pra pular, mas são felizes, acho que o povo é muito feliz, se contenta com pouco também, né. E se ajuda, acho que é um povo muito coração, sabe? Tira da tua mesa pra ajudar a família do lado. O que menos tem é o que mais ajuda. Olha o que tá acontecendo nesse negócio do Rio de Janeiro, todo mundo ajudou, o povo é muito solidário, só que tem o outro lado que os que poderiam fazer mais, poderiam ajudar mais, só pensam no próprio umbigo. Eu acho isso. Mas é um país que eu acho que tem tudo, é um povo rico em reserva natural, tipo a Amazônia, por exemplo, tu mora lá, o que tem de planta lá, o que eles podiam arranjar de remédio, mas o que eles fazem? Eles patenteiam pros caras lá de fora, os cara lá de fora vem, tem uma empresa por trás, pega e dá o dinheiro, paga pro povo brasileiro pra eles levarem a planta pra fora pra depois a gente comprar o remédio, que é daqui, que saiu daqui. É a tal da bendita corrupção. Aquela coisa “bom, vamo, já que tá aqui, vamo investir mais”, a gente tem condições pra isso, mas não, é aquela coisa “agora eu to aqui vou pegar a minha parte, agora é a minha vez”. Acho que a gente tem essa ideia de achar que... tipo assim, se você for botar um produto nacional e um produto importado, que tu vai achar que é melhor? A gente vai achar que o produto importado é melhor, de repente seja tão bom quanto, né, mas a gente ainda não acredita no próprio produto da gente. A gente ainda acha que as coisas de fora são melhores. E ainda tem outra coisa, as coisas brasileiras são muito mais caras do que as importadas, né, por quê? Porque o imposto que a gente paga também é muito caro, é muito caro. Posso dizer até na própria passagem aérea, as empresas internacionais que voam pra cá, a passagem brasileira é 30% mais cara que a internacional, porque a gente paga muito mais impostos. É dado uma vantagem, digamos assim, pras empresas internacionais enquanto que as nossas eles cobram tudo, acho que tem um pouquinho da desvalorização do produto brasileiro.

P11

Acho que as principais são criatividade, respeito pro próximo, e um aspecto mais negativo seria a falta de... como posso te dizer? Não é bem essa palavra, mas de “pensar pequeno”, não no sentido de egoísmo, mas de pensar pouco, de fazer pouco de si mesmo.

Fonte: Porto Alegre, março de 2011.

Quadro 14 - Discursos dos participantes de Salvador sobre as características do povo brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

P1

Alegria.

P2

Do brasileiro, eu acho que é um povo muito alegre. É diferente dos outros países.

P3

É um povo trabalhador, que luta, que também tem perdido um pouco da identidade de luta coletiva. Por exemplo, a minha geração e as gerações mais novas eu não vejo muito essa coletividade, essa força para lutar por direitos coletivos. Acho que pela influência mesmo da globalização, do individualismo, então acho que isso tem separado um pouco as pessoas. Mas, por outro lado, é um povo alegre, um povo que tem muito da coisa da compaixão. É uma contradição, ao mesmo tempo que pensa em si no seu umbigo, mas basta alguém ir pro Big Brother chorar e dizer que é coitadinho que todo mundo tá ali pra pegar e dar o dinheiro que tem pra dar. O povo se liga muito na expressão das emoções, tem facilidade de expressar emoção aqui no Brasil, é muito intenso.

P4

Acho que por esse lado mesmo da diversidade, que é a primeira proposta do Ciranda, e orgânico. Acho que emotivo, vivo e pronto pra tudo, pronto pro que vier mesmo, tipo “hoje não foi bom, mas amanhã será”, esperançoso.

P5

Alegria.

P6

Das pessoas assim que são fáceis de fazer amizade, são abertos.

P7

Brasileiro é uma mistura. Brasileiro é um povo alegre, um povo lutador, mas que não perde a esperança de ver esse país crescer, esse país chegar lá. Agora que lá esse eu não sei, porque o lá pode ser o exemplo dos países desenvolvidos, mas eu vejo mais o lá como um país menos violento, mais amor entre as pessoas. Acho que o brasileiro é um povo esperançoso. Agora é uma mistura, a raça. Você encontra aqui no Brasil branco, preto, de tudo quanto é jeito, pobre, rico. É um país muito misturado. E em ascensão, espero.

P8

O europeu é frio e distante. O brasileiro é mais amigável, alegre e aberto.

P9

Como é que eu vou dizer isso... por exemplo, eu não gosto de Lula. Vou começar de traz pra frente, não gosto de Lula, não votei nele, mas Lula é o representante do brasileiro atual típico. Sem escolaridade, sem ética, quer chegar lá de qualquer jeito. Esse que é o Brasil, não é o meu Brasil, porque o que falta, vamos voltar pra lula, se tivesse nascido em outro contexto, se tivesse tido educação, se tivesse tido melhores condições então ele poderia ser o meu representante.

E: A senhora colocou o Lula como representante de uma face do Brasil, desse povo brasileiro.

P9: Exatamente. Na verdade, Lula é o Brasil. O que é a maioria do Brasil? Pessoas sem escolaridade, sem condições, por isso eu vou repetindo, ele chega lá de qualquer jeito. Mas acontece que o Brasil não é só isso não. O Brasil tem o outro lado. Então, houve assim como esse lado de Lula é muito grande, sufocou o Brasil que é o meu Brasil, o Brasil de vocês. O Brasil da faculdade, da educação. O povo não é ético por necessidade, não é por índole nem por determinação. Ele não é ético, porque ele faz qualquer negócio pra fazer uma universidade. Pra ganhar espaço. Se, por exemplo, essa minoria que está no poder a tantos anos, até o Lula entrar, tivesse trabalhado conscientemente, então daí vai o que eu digo que o Brasil tá mal administrado.

P10

 

P11

O povo brasileiro é o povo melhor do mundo. Precisa ser bem cuidado, ter acesso às coisas, não acesso de poder comprar “ipod”. É ter educação para saber se vai ter a necessidade de ter um “ipod”. Acho que o mundo precisa de uma filosofia de vida melhor, saber onde tá a felicidade direito. Hoje o Brasil botou o olhar de Lula. Vou dar uma cacetada em Lula agora, porque Lula, com olhar dele de metalúrgico que vem do nordeste, da miséria, o parâmetro dele de felicidade, de sucesso é ter condição de ter ar condicionado, de ter carro. É de consumo, que se associa a uma grande conquista, é um olhar que o americano tem e que o europeu não tem tanto. Então, era bom que o Brasil tivesse um jeito de amadurecer e crescer com uma filosofia de vida mais interessante, porque esse olhar do consumo, consumo, consumo ajuda a aumentar a violência, justificando a violência porque não tem celular, por exemplo. Violência não é porque não tem celular. A desesperança vem de outra coisa. Mas, apesar disso tudo, não tem povo igual ao brasileiro, se der chance a ele, se melhora em tudo. Criatividade a gente dá de mil. Na criatividade não tem nada igual. Acho que é um povo criativo, bonito, sensual, com a índole boa, com bom coração. A forma que os brasileiros se comove com as tragédias lá fora é muito impressionante. Agora, a gente fica importando sentimentos ruins, parecendo que a gente cresceu nisso, tipo comprar, o consumismo. Por exemplo, futebol, eu até adoro futebol, a Inglaterra tem “hooligans”, que são violentos, aí o Brasil não tinha essa confusão que tem agora, onde as torcidas só faltam se matar em São Paulo. A Bahia não tinha isso, ia torcedor do Vitória e do Bahia juntos ao estádio. Agora tem que ir a policia levando uma torcida. Isso é dum atraso e fica parecendo que a gente evoluiu que nem o futebol deles. A gente tá copiando coisas horrorosas. Então o importante para o Brasil é o Brasil conhecer mais o Brasil.

Fonte: Salvador, maio de 2011.

Quadro 15 - Discursos dos participantes do Rio de Janeiro sobre as características do povo brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Pad1 (RJ P1)

Me sinto feliz, privilegiado. Com certeza eu nasci no país que eu queria ter nascido. Se eu pudesse escolher, com certeza, eu escolheria nascer no Brasil. Então, me sinto super feliz de ser brasileiro. Trabalhando aqui nesse albergue que recebe muita gente de fora, eu vejo o quanto as pessoas gostam não só do Brasil como território, como geografia, como paisagens, mas gostam também do povo brasileiro, de falar “vocês são muito carinhosos, super atenciosos, são alegres, descontraídos, não ficam com aquela cara amarrada”. Claro, têm as exceções, mas no contexto geral, falo por todos nós brasileiros, a gente têm no sangue essa identidade de se dar super bem com as situações. Super bem que eu digo é com alegria, depois que passa aquela tristeza vai fazer uma piada, isso é uma coisa muito brasileira, muito nossa.  Eu já morei fora do país mas também em outros estados do Brasil, não importa, o cara pode ser gaucho, pode ser baiano, pode ser cearense, paulistano, mineiro, ele tem  isso no sangue dele, essa vontade de ajudar, isso é muito nosso.

Pad2 (RJ P2)

Pra mim ser brasileiro é gente comum. Acho bom, normal.

Pad3 (RJ P3)

De mim não tenho nada a reclamar, mas tem muitas pessoas necessitadas. A gente não pode ver só pelo lado da gente. A gente precisa de um Brasil melhor pra eles.

Pad4 (RJ P4)

Ao mesmo tempo, eu me sinto orgulhosa em alguns aspectos e meio desesperada em outros. Aqui tem muita coisa boa, eu adoro musica brasileira, filme brasileiro. Mas também tem coisa que me deixa chateada, a política, a fome, uns muito ricos ganhando 20 mil por mês e outros 500 reais. E tem que se contentar com isso porque por enquanto não vai mudar, é difícil. Eu pelo menos, acredito que não vá mudar.

Pad5 (RJ P5)

Eu me sinto orgulhosa pelos aspectos de beleza, é um povo receptivo, um povo gentil. E fico triste, decepcionada por um país tão bonito e rico não crescer como deveria, não ter uma qualidade de vida melhor pro povo.

Pad6 (RJ P6)

A Cultura Brasileira continua muito latente, porque os jovens hoje estão começando, tudo bem tem a tecnologia, internet, mas também estão investindo também em cultura, como dança, as comidas típicas das regiões estão sendo mais valorizadas, o pessoal de fora vindo, a gente está tendo uma valorização e o pessoal está valorizando mais o que é seu em termo de cultura, de dança, de alimentação.

Pad7 (RJ P7)

Garra, força de vontade, vontade de vencer

Pad8 (RJ P8)

Por incrível que pareça os da classe média são os piores, educação, sabe, num tem respeito nenhum, alta, não tenho convivência, os adolescentes principalmente, acho que os pais não estão sabendo educar.

Minha filha mesmo foi estudar num colégio de classe média e tive que tirar porque, sabe não respeitam os professores, não respeitam ninguém.

Pad9 (RJ P9)

Valorizo o povo guerreiro, batalhador. Não aprovo muito no Brasil a violência, muitas vezes deixa o povo apreensivo.

Pad10 (RJ P10)

É um povo que eu acho que recebe todo mundo de braços abertos e são felizes mesmo nas dificuldades.

Pad11 (RJ P11)

É o caráter da pessoa cada um tem seu, cada um tem sua personalidade, sendo que infelizmente, por causa da política de nosso país, nosso país era pra ser considerado de primeiro mundo, mas não é, por causa de seus governantes, temos ai, pessoas que são nascidas em lugares de menores condições, nas favelas, hoje nós vemos ai essas Ong´s tentando tirar um pouco de foco, pra que essa juventude não venha se degradar com o tráfico, mas é uma coisa que já poderia ter sido vista a muito tempo atrás. Então te digo o tráfico ele cresce e nunca acaba, por causa dos seus próprios cabeças, por causa da constituição, eles tem condições de mudar o país e não mudam. O caráter se desfigura a começar por aquele quem tem o poder de mudar o país e não muda, então quem vai sofrer são as pessoas que tem geralmente o custo de vida baixo, porque eles não tem como se manter, não tem perspectiva de vida nenhuma, o que a educação oferece é muito pouco, o que o estado faz por ele é muito pouco e o que o traficante faz é muita coisa, porque ele abraça a causa, ele tá ali lado a lado, ele que compra o remédio, ele que dá assistência, então a pessoa começa a crescer com uma visão de: “Poxa se eu roubar eu consigo, se eu furtar eu consigo, eu vou ter muito dinheiro, eu vou ter carro, eu ter moto, não vou precisar trabalhar”, não entendem que ficam presos aquela vida, deixam de viver uma vida de liberdade pra ser escravos da droga, em troca vivendo uma vida sem sentido, pois a perspectiva de vida é tá ali e um dia morrer.

Pad12 (RJ P12)

Eu gosto do Brasil, gosto do povo brasileiro, tens uns que dão uma vacilada, mas espero que a Dilma conserte.

Pad13 (RJ P13)

É um povo receptivo, não o carioca, pois eles gostam de humilhar os paraibanos.

Pad14 (RJ P14)

É um povo que luta e vai atrás do que quer. É difícil ver alguém triste. Mesmo na tristeza, parece ser feliz.

Pad15 (RJ P15)

Acho que o povo brasileiro é um povo alegre e sabe enfrentar as dificuldades com um sorriso no rosto. Às vezes é um pouco malandro, como a gente vê os políticos fazendo, mas em qualquer lugar vai existir pessoas boas e ruins.

Fonte: Rio de Janeiro, junho de 2011.

Quadro 16 - Discursos dos participantes de Belém sobre as características do povo brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Padult1 (PA P1)

Vou falar da maioria. A maioria é ignorante, pobre e miserável.

Padolesc1 (PA P2)

O povo brasileiro tem uma cultura diversificada, raças diferentes, só o que falta é o respeito.

Padolesc2 (PA P3)

Eu acho que o povo deveria ter mais respeito entre si, pensar no próximo.

Padolesc3 (PA P4)

Pra falar do povo brasileiro tem muito a ver com a pergunta anterior. Como o Brasil tá nessa situação, o povo também tá similar, tá muito submisso às coisas de fora ainda, e eu acho que um passo a frente seria o povo brasileiro reconhecer as coisas daqui mesmo e dar valor à própria cultura. Ser mais nacionalista mesmo, porque hoje é muito fraco o nacionalismo aqui.

Padolesc4 (PA P5)

Eu vejo o povo brasileiro muito alegre, feliz, mesmo diante dessas dificuldades.

Padult2 (PA P6)

Eu acho que futebol é uma característica forte e o samba também.

Padult3 (PA P7)

Eu valorizo muito a coragem do brasileiro. Ele vai em frente, vai á luta, não se deixa abater. É um povo completo.

Padult4 (PA P8)

Acho que tem aquela coisa do malandro, esperto, que é uma coisa muito estereotipada. Tem também a criatividade, o brasileiro é criativo, também simpático e hospitaleiro.

Padult5 (PA P9)

Mundialmente nós somos conhecidos como um povo bastante acolhedor, um povo feliz, que vive em festa, isso pode ser bom pra gente, mas pode ter uma imagem ruim lá fora. Temos uma qualidade bastante elevada em alguns esportes, também.

Padult6 (PA P10)

É muito presente o espírito de luta, querer melhorar, arregaçar as mangas diante das dificuldades, pra defender sua sobrevivência.

Padult7 (PA P11)

É um povo alegre, que tenta ser esperto pela desonestidade, que não gosta de seguir regras e, mesmo assim, um povo esforçado.

Padult8 (PA P12)

É um povo sofrido, mas que se esforça pra ter o que quer, tem determinação.

Padult9 (PA P13)

Vejo muito presente a ignorância, esforço e inocência, além da pobreza, que é uma característica bem óbvia no Brasil.

Padolesc5 (PA P14)

Acho que há muita pobreza, burrice, carnaval, futebol. Acho que só.

Fonte: Belém, julho de 2011.

Quadro 17 - Discursos dos participantes de Porto Alegre sobre a qualificação das características do povo brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Pv1 (POA P1)

Acho que tá bom, né. Pra mim tá bom.

Pad1 (POA P2)

Eu acho que ser brasileiro é bom por tudo de bom que acontece aqui, a gente é alegre, a gente tem clima bom, a gente não tem terremoto, não tem catástrofe, a gente tem água, a gente tem tudo que a gente precisa pra sobreviver. O lado ruim eu acredito que vem dos governantes. É o povo não dar muito valor a politica, de saber... é o povo não ter o conhecimento de que é a política.

Pad2 (POA P3)

Acho que de bom é o país que a gente vive, é um país que tá em desenvolvimento, principalmente a nossa geração agora pegou uma fase boa. [...] É o orgulho de ser brasileiro, né. Acho que é um país muito bom de se viver, muita gente acaba saindo do país, mas como eu falei tem muita realidade, tem muita diversidade, tem muita coisa pra se fazer, muito lugar pra conhecer. Então é muito bom ser brasileiro. De ruim acho que é em termo de política, né. Que poderia ser um país muito mais desenvolvido se fosse mais bem trabalhado por quem administra. Nesse ponto tem que melhorar bastante ainda.

Pv2 (POA P4)

Como eu te disse, eu não tenho muito estudo então não posso te dizer. Outros povos, que não são brasileiro, também são bons, porque quando eu comecei a trabalhar, não sabia quase nada, eu trabalhei numa casa de judeu. Acho que não tem nada de ruim em ser brasileiro, acho que aqui no Brasil é mais fácil da pessoa conseguir alguma coisa, mas tem que ter força de vontade.

Pv3 (POA P5)

A desvantagem é que esses políticos ladrão, eles se dão aumento de 70 e tanto por cento e dão uma miséria de salário mínimo. Eles não fazem nada, tem ar condicionado, tem mulher mostrando as pernas pra eles todos os dias, servindo cafezinho, atendendo telefone... eles não fazem nada. Além do que eles ganham, aqueles milhões que eles ganham ali, eles ganham apartamento de graça pra morar, tem gasolina de graça pro carro, tem tudo de graça. Por que aquele que trabalha de sol a sol, como esse calor que fez aqui esse ano, a gente que fica na roça, o dia inteiro com enxada na mão, pra nós ter o que comer, né Paula, por que que eles não tem direito de também ganhar melhor? A única desvantagem que eu acho é essa daí. É desigualdade demais. Eu fico indignada com esse troço. Acho que o povo brasileiro tinha que se unir numa dessas e nas próximas eleições... mas tem que ser todos, não acontece isso porque tem muito puxa saco, a maioria não devia comparecer as urnas, pra dar uma lição pra eles, porque eles não merecem, e por que eu vou dar meu voto pra eles e ainda obrigatório. É isso que eu acho errado, voto obrigatório eu acho errado. Eu não tenho mais idade pra votar, mas eu voto. Não tenho partido também, não gosto de partidos. Quando eu voto, eu vou na pessoa e não no partido. E eu voto sempre.

Pad3 (POA P6)

Acho que bom é nesse sentido de esperança de que algo sempre pode vir, né, mas não considerar o que vem antes, historicamente por exemplo, não ter conhecimento muitas vezes, isso é complicado, não dá esse compromisso, a gente vê politicamente o que acontece no país e é muito por causa disso, não se dar conta do que recentemente aconteceu e repete erros, né.

Padolesc1 (POA P7)

Vantagem é que a gente é um povo que trabalha muito, então tem perspectiva de vida, né. De outro lado é que os governantes estão muito ruins, os governantes não estão criando oportunidade pra nós. Agora quem sabe a Dilma vai dá uma resolvida.

Pad4 (POA P8)

Eu acho que bom de ser brasileiro é que tu tem, a gente tem força pra superar qualquer perspectiva ruim, se a gente quiser fazer isso, a gente tem coragem, força de fazer e nós temos condições de fazer isso, basta que a gente acredite no nosso potencial. Eu acho que isso é uma característica positiva que o nosso povo tem. Ponto ruim é justamente tu não ter ferramentas pra tu chegar nesse nível, de realizar essas coisas, acho que esse é o ponto mais significativo. Tipo assim, tu tem condições plenas, tem capacidade intelectual, tecnológica, mas se tu tivesse um esforço pra que todas as pessoas tivessem acesso a essa tecnologia, a desenvolver o seu intelecto, acho que tu poderias chegar muito mais fácil aos resultados.

Pad5 (POA P9)

O que é ruim, eu acho que é, como eu falei, é um país grande, tem um monte de gente pensando, mas nem todas as pessoas tem acesso, eu acho que tá caminhando, tá melhorando, mas tem muito ainda pra melhorar, pra que as pessoas tenham mais educação, tenham mais acesso à educação, à saúde. E na hora em que tu consegue, pô tu pega tanta criança nesses projetos sociais, que a criança não tinha condição nenhuma, mas tu dá uma educação, tu transforma, tem um potencial enorme, tanto pra arte, daqui a pouco vira um cantor, dançarino, não sei mais lá o que. Então eu acho que falta muito isso ainda, né, no nosso país eu acho que falta olhar mais pra isso, acho que tem muito dinheiro por aí e infelizmente as pessoas ainda tem muita corrupção, eles ainda olham só pro umbigo deles, quem tem a condição de fazer isso, os políticos, que são as pessoas que poderiam, a iniciativa privada também faz, ok, mas eu acho que tem muito ainda que poderia ser feito, porque tem muito dinheiro rodando, mas ainda vai pro bolso de muitas pessoas e tudo isso, é ganancia, o cara tem poder e já esquece do porque ele tá lá e já olha só pro umbigo dele e esquece de ver o resto do povo. Tem gente que rouba dinheiro de merenda escolar, tem coisa pior do que roubar dinheiro de merenda de criança tchê? Então pro cara que faz isso o que tu vai esperar? Não digo só do cara do senado, que tá lá no congresso, né, mas o cara que tá ali, que trabalha na prefeitura, que vai levar o arroz e o feijão da merenda pra casa dele. As pessoas tem a mania de reclamar muito “porque o governo, governo”, mas não é só o governo, às vezes o funcionário mais lá embaixo, ele também tá... então não dá pra reclamar só dos grandes, né. Acho que isso pega todo mundo, né. Se encontrar uma carteira que tem 50 pila dentro, que muita gente faz? Tira os 50. Às vezes não vai fazer nem a diferença pra pessoa, mas é aquela coisa “ah, tá aqui, achei é meu”, não é teu, é de alguém, se tá ali e tem como identificar, não é teu.

P10

Ponto ruim, eu acho a corrupção.

P11

Vantagens são muitas. É um país grande, oferece muitas oportunidades. A gente tem uma liberdade muito grande, estado bem estruturado, seriam essas as vantagens. Desvantagem de ser brasileiro, eu não consigo ver nenhuma, pensando rapidamente assim.

Fonte: Porto Alegre, março de 2011.

Quadro 18 - Discursos dos participantes de Salvador sobre a qualificação das características do povo brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

P1

Positivo é que o povo brasileiro é um povo acolhedor. Negativo... agora me pegou.

E: Tu não achas que tenha algo negativo no povo brasileiro?

P1: Olha, acho que não. Só um pouco dos governantes, só a corrupção, que aqui é muito grande.

E: Tu achas que essa coisa da corrupção é só dos governantes ou é de todos nos?

P1: Acho que é do povo brasileiro. O povo sempre tem aquele “jeitinho brasileiro”.

P2

A positiva é um povo muito trabalhador. E a negativa infelizmente vem lá de cima, são os políticos. Eles demonstram pra gente só coisa errada. Um exemplo é que outro dia “tava” passando no jornal, as pessoas ricas roubam e não vão pra cadeia e, como sempre, quem não tem conhecimento e não tem dinheiro mofa na cadeia. Desigualdade é muita. Agora ultimamente o que tem mais perda é o pessoal de classe media e alta. Uma advogada aqui em salvador estava roubando joias e garanto a senhora que daqui a dois meses ela está solta. É muita desigualdade.

P3

Da alegria, da luta, da compaixão também, as pessoas são solidárias, a gente ainda está aprendendo a ser solidário, que não é ter pena, é diferente, mas são coisas positivas. Agora negativas, é um povo pouco politizado, fácil de ser influenciado. E aí é vulnerável à essa influência. Acho que eu to falando muito da minha geração. A memória cultural muito vazia, muito superficial. Essa coisa de valorizar a história, acho que a gente tem perdido um pouco disso.

P4

Negativo, eu não sei muito, é difícil. Sobre o povo de negativo acho que principalmente a educação ruim, a base mesmo. Salvador, saiu um senso agora, está em penúltimo no índice em educação. Acho que de negativo é isso, saúde e educação. Acho que toda a generalização é burra, como diria Nelson Rodrigues, mas se pode falar do tal do jeitinho brasileiro, a corrupção, isso é negativo, porque se a gente olhar pra história vem desde o império. Aí você para pra pensar, não tem jeito mesmo de estar com uma outra postura, de tá melhor, porque desde lá... Mas aí você vai generalizar as coisas? É complicado. É uma característica de um nicho, de uns dirigentes. Enfim, porque não dá pra você virar e falar “ah, o provo brasileiro é desonesto, é corrupto”, não é. Uma coisa boa acho que é a alegria, pelo menos aqui na Bahia tenho visto bem isso. Muita gente passa muita necessidade, mas que tá sempre se podendo, vai lá numa roda de samba, vai comer um acarajé.

P5

A alegria seria positivo. Negativo, não sei não.

P6

O brasileiro é divertido. Tem uns que são mais grossos, muitos, e tem outros que são mais divertidos, de legal.

P7

O que eu colocaria como negativo é que eu vejo que é um povo que não é muito ligado a cultura, não a cultura assim, vamos dizer, folclore, essa a gente vive mais. Agora eu falo assim, a leitura, a gente não é um povo que lê muito, não é um povo que pesquisa muito, não é um povo que estuda muito. É um povo mais descansado, principalmente o baiano, porque falam assim “o baiano é descansado”, realmente o baiano é um pouco descansado. Mas eu vejo assim que o Brasil é um país que deve procurar mais essa cultura dele, de povo mesmo, se identificar. Por a gente ser um povo que veio de vários lugares, o índio, que tem a sua cultura, mas é uma cultura voltada pro primário, pras coisas da terra, a natureza. Aí veio o português, que dos europeus eu acho que é um povo menos assim... não conheço muito, mas eu não creio que seja um povo mais voltado assim, inteligente, eu não vejo o português assim. Então, acho que pro brasileiro falta isso. Na minha opinião. Essa dedicação para a sua melhoria mesmo cultural. De positivo colocaria a esperança, a luta pelo melhor, que é um povo muito lutador. O brasileiro é um povo lutador.

P8

De negativo, te dou como exemplo o filme Rio, que passa uma imagem ruim do país quando mostra aqueles macacos, mas existem alguns aspectos da realidade. As pessoas de fora pensam que aqui só tem prostituta, carnaval e futebol.

P9

O que eu diria que é positivo do povo, por exemplo, é a alegria, o acreditar, a ter esperança, ter fé, a religiosidade, isso é positivo. Negativo é a “lei do Gérson”, querer levar vantagem, que incutido na gente. Seria o jeitinho brasileiro. A “lei do Gérson” não é do seu tempo, você nem conhece o Gérson, ele não é dá sua geração. O Gérson era um campeão do mundo, era um homem assim muito serio, inspirava muito respeito e tinha uma ascendência sobre a juventude. Aí, Gérson foi fazer propagando de cigarro. E ele disse a frase, que ele se arrepende a vida inteira, que foi mal interpretada, disse assim “A gente tem que tirar vantagem em tudo, não é mesmo?”. Mais ou menos assim. Aí, todo mundo começou a seguir, incorporou. E o povo achou que era chegar lá de qualquer maneira. Ética no Brasil tá faltando em tudo. Tá faltando no estudante, no comerciante, tá faltando no profissional liberal de uma maneira geral. Os médicos tão aí no plano de saúde, eles assinam o contrato, mas eu vou lá e eles me cobram por fora. Acham que to bem de vida e que eu posso pagar 300 reais numa consulta ou 350, mas eu pago 1500 reais de plano de saúde, então eu não devia pagar nada. Entendeu? Aí que não existe ética nas profissões diversas. Isso perdeu um pouco. É diferente, eu sou do tempo que palavra valia tudo, mais que papel. Mas hoje, quanto tempo de idade a gente tem mais eles exigem firma reconhecida, atestado disso, atestado daquilo. Agora deixa eu concluir. Eu conheço vários países mundo, mas todo vez que vou viajar volto mais contente ainda, porque a gente aqui respira em todos os sentidos falando, do que na Europa, não se respira, nos Estados Unidos não se respira, embora sejam países maravilhosos.

E: O que seria esse respirar?

P9: A gente aqui ainda vislumbra a felicidade, tranquilidade, alegria, sol, essa  luminosidade , entendeu? E lá, a gente vê que as oportunidades são muito menores pra todo mundo, embora o IDH, o status seja maravilhoso.

P10

 

P11

Esse lado que falei da subserviência ao país do primeiro mundo, o lado também do jeitinho brasileiro. Eu acho terrível pro Brasil essa de remediar as coisas, de perdoar quando não é pra ser perdoado. Achar que tem coisa que tem que ter perdão, tem coisa que não tem perdão. Se perdoar certas coisas vai dar direitos aos outros errarem na mesma proporção. Então, o brasileiro tem essa coisa de se sensibilizar, às vezes, de forma equivocada e isso traz prejuízo grande pra nós todos. Isso é sentimento que o brasileiro devia aprender a administrar, a sua sensibilidade, a sua sensibilidade com dor do outro. O cara faz misérias e começam a argumentar que ele sofria “bulling” na escola e algumas pessoas já começam a achar que aquilo estava correto, começam a justificar, justificativas às vezes absurdas. Quando eu brinco que seria bom que todo mundo viajasse é pra ter um olhar mais amplo. Você não vai ter um olhar crítico se ficar limitado.

Fonte: Salvador, maio de 2011.

Quadro 19 - Discursos dos participantes do Rio de Janeiro sobre a qualificação das características do povo brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Pad1 (RJ P1)

Acho que o que é bom já falei. Essa coisa da alegria, solidariedade, humildade, pouco luxo, a pessoa brasileira precisa de muito luxo pra viver feliz. Ele tendo o mínimo, está bem, é o que ele quer, “não quero luxo nem lixo”, aquela historia. O que é de ruim nisso é que a pessoa não precisa de tanto, então batalha pouco e acaba se acomodando numa situação. Eu vejo isso muito na classe operária, que trabalha com obras. Esse negócio do trabalho no Brasil ainda é um pouco complicada ainda, muitos nessa classe operaria não tem muito compromisso com horário. Já criou ate o titulo do brasileiro, aquela coisa do “brazillian time” que é estar atrasado, que se você marcar com um brasileiro 9h, ele vai chegar 9:30h ou 10h, isso perde um pouco de credibilidade.

Outra coisa que é mais dos governantes, essa desigualdade que rola muito forte. Não existe mais a miséria que a gente tinha há anos atrás, essa miséria ta acabando. Mas ainda há muita pobreza, enquanto poucos tem muito, muitos tem pouco e isso acaba atrapalhando no dia a dia do brasileiro. A gente aqui trabalhando no albergue vê o pessoal que pra sair pra rua eles perguntam se é seguro andar na rua, se tudo bem sair de noite. Ta tudo bem, não vai ter um ladrão na esquina te esperando, mas ainda existe essa desigualdade, ai surge o oportunismo, é como dizem “a oportunidade faz o ladrão”. O cara tá ali na espera e vai ver alguém bem vestido e vai chegar.

Tem outra coisa pesada no país que é a coisa da droga. A gente vive uma realidade difícil em relação ao crack, cocaína, álcool que leva a criminalidade. O cara não tem nada a perder, quer usar droga, vai procurar dinheiro fácil, às vezes tira uma vida. O brasileiro ainda tem que aprender. Mas acho que a gente está no caminho. Se essa consciência for tomada e seguida adiante, acho que num futuro não tão distante o Brasil vai estar aí disputando os primeiros lugares.

Pad2 (RJ P2)

De coisa boa é o trabalho que no Brasil você encontra mais disponibilidade pra trabalhar, mais oportunidade. Hoje em dia, as pessoas falam que o desemprego está grande, mas aquele que corre atrás direitinho encontra. No Brasil você se dá bem porque é Brasil. Tem também a violência, ninguém tem direito de tirar a vida de ninguém. Tem  a covardia também.

Pad3 (RJ P3)

De coisas boas tem carnaval, futebol, copa do mundo, olimpíadas, mas esquecem do mais importante, do problema do dia a dia.

Pad4 (RJ P4)

O brasileiro é muito receptivo a novas pessoas e situações e ele se adapta muito fácil a uma coisa e por isso não tem muita força pra lutar contra as coisas que estão erradas no país. Ele se contenta com aquilo e não quer mudar.

Pad5 (RJ P5)

Tem corrupção, parece que quanto mais eles ganham, mais eles querem, isso é revoltante porque é muito fácil falar de salário alto enquanto o pobre sobrevive com um salário mínimo, que é mínimo mesmo. Tem mansões e tem gente que mora na rua, que passa fome. Tem pivete na rua, tem lugar no Rio que você tem medo dos pivetes e você sabe que a culpa não é deles, é bem antes, é um problema social que muitas vezes não tem nada a ver com eles e eles tão pagando ali porque tem gente roubando o povo brasileiro.

Pad6 (RJ P6)

A Cultura Brasileira continua muito latente, porque os jovens hoje estão começando, tudo bem tem a tecnologia, internet, mas também estão investindo também em cultura, como dança, as comidas típicas das regiões estão sendo mais valorizadas, o pessoal de fora vindo, a gente está tendo uma valorização e o pessoal está valorizando mais o que é seu em termo de cultura, de dança, de alimentação.

Pad7 (RJ P7)

Eu valorizo a vontade de vencer, não valorizo quando sai desse  rumo quando as pessoas acabam levando pra outro lado pra tentar conseguir ganhar a vida, que é tão difícil aqui no país.

Não me sinto nem um pouco nacionalista, normal, faço o que tenho que fazer, por ter que fazer e mais nada do que isto.

Pad8 (RJ P8)

NÃO APRESENTOU DISCURSO

Pad9 (RJ P9)

Eu me sinto feliz, porque eu como pobre, sempre tive tudo, apesar de muitas pessoas não terem nem a metade do que tenho, me deixa triste por isso, porque nem todo mundo tem o que comer, tem o trabalho, tem o estudo, tem a saúde, tem gente que não tem nada, poucos tem muitos e muitos não tem nada, a desigualdade, a única coisa que me entristece é a desigualdade.

Pad10 (RJ P10)

Acho legal quando o povo é gentil, mas não é bom quando querem conseguir as coisas com desonestidade.

Pad11 (RJ P11)

Eu tenho um lado positivo de ser brasileiro, feliz, nosso país é abençoado por Deus, algumas situações que ocorrem em outro país, no nosso país não ocorrem, não temos problema de terremotos, tsunamis, até então não temos. Nosso país é abençoado. Mas olhando por outro lado, muitas as vezes temos até vergonha de ser brasileiro, quando a gente vê um pobre sendo preso porque roubou uma galinha e uma pessoa que estudou pra ser juiz, outro pra ser advogado, outro que estudou pra ser economista renomado, outros até pra ser presidente da República, em vez de levar nosso país pra frente, jogam nosso país na lama. Me dá vergonha de ser brasileiro por isso, quando eu olho o ranking, pego o jornal, ai nosso  país tá lá embaixo, ai eu olho pras riquezas do meu país, pra tudo aquilo que o país pode proporcionar pra humanidade, “poxa tem alguma coisa errada, não era pra tá assim”.

Pad12 (RJ P12)

NÃO APRESENTOU DISCURSO.

Pad13 (RJ P13)

Não sei, nunca pensei sobre isso.

Pad14 (RJ P14)

Eu gosto do povo que tem caráter, honestidade, é sincero. Mas tem outra parte que quer sair ganhando sempre, que não pensa nos outros, daí disso não gosto.

Pad15 (RJ P15)

Bom, acho que valorizo essa alegria de viver que temos. E não valorizo a desonestidade e mentiras.

Fonte: Rio de Janeiro, junho de 2011.

Quadro 20 - Discursos dos participantes de Belém sobre a qualificação das características do povo brasileiro.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Padult1 (PA P1)

Eu não valorizo nada aqui.

Padolesc1 (PA P2)

É legal ver que é um povo amigo, que gosta um do outro, mas como eu disse ainda falta respeito em algumas situações.

Padolesc2 (PA P3)

Não tem algo específico que eu valorize mais. É o conjunto.

Padolesc3 (PA P4)

Eu acho que o que é muito do povo brasileiro é essa alegria. Eu não conheço muitos povos, mas conheço pessoas de outros países e a gente percebe a alegria do povo brasileiro. Mas eu acho que hoje o brasileiro quer sempre ser esperto, quer sempre sair por cima dos outros, e eu acho que não deve ser assim. Tem que ter o bom senso também, não pode querer sair de malandro.

Padolesc4 (PA P5)

Eu acho bom ser um povo muito feliz, porque isso motiva, mas tem coisas que são ruins. Acho que o que é mais ruim é a desonestidade que tem, às vezes. As pessoas querem ser mais espertas que outras.

Padult2 (PA P6)

Eu valorizo a raça brasileira, a cor, a mesclagem que tem no povo. Eu não gosto muito da discriminação que tem em alguns aspectos, como com a homossexualidade e a cor, também.

Padult3 (PA P7)

Eu valorizo muito a coragem do brasileiro. Ele vai em frente, vai á luta, não se deixa abater. É um povo completo.

Padult4 (PA P8)

Eu valorizo muito a hospitalidade, mas esse negócio de ser esperto, corrupção, eu tenho pavor.

Padult5 (PA P9)

Acho muito interessante a perseverança do povo brasileiro, de não desistir nunca, de ter uma barreira e não ser derrubado, não desistir diante de um desafio, é algo que eu admiro no povo. De ter aquela malandragem, malandragem do bem, porque eu falo malandragem e as pessoas podem pensar que é pra roubar, mas é aquela de ter jogo de cintura, de saber criar, de ter um raciocínio rápido, improvisar em questões diversas. O que eu não valorizo, talvez não somente no povo brasileiro, é a desonestidade, falta moralidade, o não-poder ético. Isso acaba marcando não só o Brasil, mas como todas as outras nações.

Padult6 (PA P10)

Valorizo a autoestima, a paixão, o espírito de luta desse povo. E não valorizo o preconceito que é muito presente nesse povo, até mesmo entre regiões, o que impede o crescimento do Brasil, e as diferenças de classes sociais.

Padult7 (PA P11)

Valorizo muito o esforço do povo, mas a esperteza não.

Padult8 (PA P12)

Valorizo muito a determinação, mas ainda não é bom o excesso de pobreza que tem no país.

Padult9 (PA P13)

Eu valorizo o esforço do povo e não gosto nada da ignorância das pessoas. E valorizo também o cinema nacional e os esportes.

Padolesc5 (PA P14)

Eu valorizo a solidariedade. Não gosto de político ladrão e dessa corrupção que tem.

Fonte: Belém, julho de 2011.

Quadro 21 - Discursos dos participantes de Porto Alegre sobre sua nacionalidade de escolha.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Pv1 (POA P1)

Acho que aqui mesmo. Fui criada aqui, né. Acho bom. Não queria me mudar pra outro lugar não.

Pad1 (POA P2)

Acho que eu seria ou argentina ou uruguaia. Acho que por estar próximo daqui, de repente... mas eles são um povo... a cultura deles é muito diferente da nossa. Eles são muito intelectuais, assim... Acredito que eles dão muito valor a esse quadro que o brasileiro não dá. O brasileiro só quer festa, festa, carnaval... (risos) Entendeu? E deixa um pouco de ler, de ter conhecimento, que eu acho que é necessário.

Pad2 (POA P3)

Brasileiro.

Pv2 (POA P4)

No Brasil mesmo. Não conheço os outros países, então não posso saber.

Pv3 (POA P5)

Brasileira. Sou de origem italiana, mas gosto muito do Brasil, não adianta. Meus avós vieram de lá, se embretaram nos matos lá fora... o passeio deles era assim: da casa pra roça, da roça pra casa, e depois domingo pra ir na igreja, só. Olha que vida que eles tiveram. Os italianos, os alemães e um pouco dos japoneses depois, eles que fizeram o nosso país, na lavoura, porque a gente depende dos agricultores, se não fossem eles o que a gente ia comer?

Pad3 (POA P6)

Aí, aqui, eu sou bem feliz em ser brasileira, não nasceria em nenhum outro lugar.

Padolesc1 (POA P7)

Americana, que é um povo, que bem ou mal, é bem desenvolvido e lá a gente consegue ser visto... e também é considerado uma das maiores potências.

Pad4 (POA P8)

Tu queres saber se eu seria argentino ou brasileiro (risos)? Todos os países tem pontos bons e ruins, a diferente tá, acho que no acesso a essas coisas boas, né. Mas eu acho que eu não escolheria uma outra nacionalidade, talvez pra ter acesso mais rápido a outros países, por exemplo, aqui no sul tem muito descendente de alemão e italiano, então tem muita gente que faz dupla cidadania, justamente pra ter acesso e facilidades pra morar na Europa, entrar nos Estados Unidos e isso facilitaria, então, pensando nesse lado, até seria interessante tu ter uma outra nacionalidade, mas eu acho que eu to tranquilo pelo fato de ser brasileiro, não escolheria outra.

Pad5 (POA P9)

Eu ainda seria brasileira, que com certeza tem muita coisa boa, apesar de Porto Alegre fazer muito frio e eu não gostar desse frio todo, mas gosto muito daqui, gosto do Rio Grande do Sul também, de morar aqui. Acho que o Brasil é um país que tem muito pra desenvolver e acho que na hora que as pessoas se ligarem mais nisso daí, olhar mais pros outros, da gente não olhar só pra gente, mas pra quem tá do lado e que tu pode ajudar e que de repente tu deixar de meter a mão no que não é teu, isso já é um bom começo.

P10

Eu seria brasileira do mesmo jeito.

P11

Uma pergunta difícil, porque eu não conheço nenhum outro país. Acho que seria brasileiro, porque pra parar pra pensar em outro lugar que tenha tanta liberdade, não só de pensamento, mas também de relacionamento. Não é uma sociedade segmentada, porque quase todas as sociedades fora da América do Sul são mais segmentadas, geralmente não se pertence à nação e sim a um grupo específico. Não vejo muito isso no Brasil.

Fonte: Porto Alegre, março de 2011.

Quadro 22 - Discursos dos participantes de Salvador sobre sua nacionalidade de escolha.

PARTICIPANTE

DISCURSO

P1

Queria ser brasileiro. Não queria nascer em outro país não.

P2

No Brasil e depois Espanha.

P3

No Brasil mesmo. Já conheci outros países, acho que são encantadores, mas nasceria no Brasil.

P4

Brasil mesmo. Eu gosto de ter nascido aqui. E já viajei pra muitos lugares, mas não.  Se fosse para nascer em algum outro lugar, fora o Brasil, eu nasceria lá nos países nórdicos, que tem um IDH alto, Noruega, Suíça.

P5

Não conheço outro país. Então, escolheria nascer no Brasil mesmo. Gosto de ser brasileiro e gosto de ser baiano também.

P6

Brasil.

P7

Eu queria nascer aqui mesmo, no Brasil, não teria vontade de nascer em outro país. Eu acho o europeu muito frio. Você vê isso quando você vai ao sul do país. O Brasil, como tem um povo misturado, no sul do país tem muito europeu, você vê que o europeu não é aquele povo assim pra ajudar, muito dura assim de abrir um sorriso pra você. É um povo mais fechado. Eu vejo isso, talvez nem seja assim, mas eu vejo isso. No Brasil é um povo caloroso, um povo que ajuda. Tá faltando isso nos outros países.

P8

Brasil.

P9

O Brasil, não tenha dúvida. Não é por falta de opção, não é porque adoro carnaval, adoro aqui na Bahia acarajé, pimenta. É por causa do Brasil, haja vista que a gente não sabe o que é terremoto.

P10

 

P11

Brasil, Santo Amaro, Bahia.

Fonte: Salvador, maio de 2011.

Quadro 23 - Discursos dos participantes do Rio de Janeiro sobre sua nacionalidade de escolha.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Pad1 (RJ P1)

No Brasil, com certeza.

Pad2 (RJ P2)

Paraíba do Sul.

Pad3 (RJ P3)

Japão porque eles levam a vida mais a sério. O povo trabalha e leva a vida mais a sério. Aqui a gente se preocupa mais com a diversão. Eles são país de primeiro mundo.

Pad4 (RJ P4)

Uruguai, que lá as pessoas lutam pela política e estão toda hora se movimento contra coisas erradas. A pobreza de lá é incomparável à daqui. Bem melhor que aqui. Violência não tem. É bem mais tranqüilo.

Pad5 (RJ P5)

Admiro a educação inglesa e a cultura francesa. Mas eu gosto de ser brasileira.

Pad6 (RJ P6)

Eu me sinto muito feliz eu amo ser brasileiro, acho que não me vejo de outra nação.

Se não fosse o Brasil, seria um outro país que o povo fosse lutador como povo brasileiro não deixa a peteca cair, seria com pouco ou com muito, esteja sempre lutando, o único país que eu vejo assim é a Índia, que o povo luta como a gente e continua lá.

Pad7 (RJ P7)

Inglaterra, organização a dedicação, já estive lá e vejo que o país faz pelas pessoas.

Pad8 (RJ P8)

Escolheria o Brasil porque não conheço outro, o povo fala os Estados Unidos é lucro, mas se a gente for pensar também, lá tem terremoto, tem outras coisas e aqui a gente não tem, assim, todo país tem violência, mas eu não poderia escolher outro, escolheria o Brasil com todo o defeito dele.

Pad9 (RJ P9)

Escolheria o Brasil, só falta um bom governante, não só no desenvolvimento, porque acho o desenvolvimento tem que vir do povo, pra um país ter um bom desenvolvimento, tem que começar da saúde e da educação, tem que ter dignidade. A população, o ser humano quando tem dignidade pra sobreviver, o país tem um desenvolvimento maior, porque os governantes, tem pessoas conscientes daquilo que esta fazendo. Mas parece que os nossos governantes quanto mais o povo menos souber melhor é, isso é uma das coisas que me deixa triste.

Pad10 (RJ P10)

Escolho o Brasil mesmo. Gosto daqui.

Pad11 (RJ P11)

Pra viver, seria meu país, é um país excelente pra se viver. Mas se eu fosse um israelita eu me sentira muito bem, ou até muçulmano, eles defendem a causa do país deles, eles morrem por aquilo que eles acreditam.

Pad12 (RJ P12)

Escolheria o Rio de Janeiro.

Pad13 (RJ P13)

Ser brasileira.

Pad14 (RJ P14)

O próprio Brasil.

Pad15 (RJ P15)

Acho que nasceria no Brasil mesmo. Gostaria de conhecer muitos outros lugares, acho que até melhores que o Brasil, mas para morar só mesmo o Brasil.

Fonte: Rio de Janeiro, junho de 2011.

Quadro 24 - Discursos dos participantes de Belém sobre sua nacionalidade de escolha.

PARTICIPANTE

DISCURSO

Padult1 (PA P1)

Itália. Porque é meu sonho.

Padolesc1 (PA P2)

Itália. Porque minha avó é de lá.

Padolesc2 (PA P3)

Eu nasceria aqui mesmo, eu gosto daqui.

Padolesc3 (PA P4)

Eu acho que pra viver, morar, o Brasil. Eu já viajei muito, mas de todos os lugares que eu já visitei, o que eu mais gostei conhecendo foi o Brasil.

Padolesc4 (PA P5)

Brasil.

Padult2 (PA P6)

Eu não escolheria outro país pra nascer. É o Brasil mesmo.

Padult3 (PA P7)

Brasil de novo e de novo.

Padult4 (PA P8)

Eu nasceria aqui mesmo. Eu gosto do povo brasileiro.

Padult5 (PA P9)

Não me vejo não sendo brasileiro. Nasceria no Brasil. Pode ser que não no Pará, mas sim no Brasil.

Padult6 (PA P10)

Brasil.

Padult7 (PA P11)

Brasil.

Padult8 (PA P12)

Itália.

Padult9 (PA P13)

Dubai, por ser o país mais rico.

Padolesc5 (PA P14)

Alemanha.

Fonte: Belém, julho de 2011.

Quadro 25 - Ideias centrais dos discursos sobre o Brasil enquanto nação.

PORTO ALEGRE

RIO DE JANEIRO

BELÉM

SALVADOR

O problema é os governantes: |

Corrupto / Com problemas na política

Com fraudes políticas / Necessita de boa administração

Deve melhorar (governantes devem investir na educação; políticos): |

 

 

Nação sem princípios

Desonesto

 

 

Falta respeito mútuo

 

 

Tem potencial / País grande (abundante, com terra fértil e privilegiada; beleza natural; país bonito; muito verde; rico): |||

Tem potencial: | / País grande / País rico: | / País bonito (belezas naturais): | / País tropical

Tem potencial / País grande / País rico / Muitos recursos naturais (com pouco aproveitamento, ou não bem utilizados) / País da beleza / País jovem

Desenvolvimento já constituído / Ascenção / Desenvolvimento (tecnológico, intelectual): ||

Em desenvolvimento (sociedade busca o desenvolvimento)

Emergente (em transição; em desenvolvimento): |

Desenvolvimento

Diversidade (cultural, étnica): ||||

Diversidade (regional, com suas culturas e raças): | / Diferente (em relação a outros países): |

Diversidade (cultura): |

Diversidade (cultura; gente)

“indo de mal a pior” / Problemas sociais e econômicos

 

Com mazelas e problemas sociais

 

 

Violento (o que prejudica o turismo): |

Com violência

Violento

 

Desigual (disparidade entre beleza e pobreza)

Com desigualdade social

Desigualdade Social (país de extremos): ||

Aumento do acesso a bens e serviços: | / Melhoria econômico-social: |

 

 

Tem oportunidades de melhorias (que depende não só da gente, mas dos que mandam no país)

Deve melhorar (educação/nível superior; mão-de-obra qualificada)

Deve melhorar (pobreza; drogadição; violência; política; lixo): ||| / Um Brasil melhor (preparar o jovem) depende do governo / Investe pouco no cidadão

Tem muito a crescer: | / Tem na política o eixo da mudança

Deve melhorar (governantes devem investir na educação; políticos): |

 

 

País muito explorado

 

 

Valorização do que é nacional (“às vezes o que tem aqui é bem melhor do que tem no exterior”)

 

 

 

Desvalorização do que é nacional

 

País que foi colônia (valoriza o que é de fora)

Paz

 

 

 

Receptividade

 

 

 

 

 

Liberdade de expressão (religiosidade; voto)

 

 

País com estereótipos (violência)

 

 

 

Sem conscientização ambiental

 

 

 

Preocupado com a imagem econômica no exterior

Submisso ao pensamento estrangeiro (aos outros países)

Para ser um país de primeiro mundo, deve se espelhar nos outros países

 

 

Brasil pela ótica do regionalismo: Rio está um caos; com políticos deixando a desejar.

 

 

 

 

 

País de esperança

“Melhor país do mundo”

País maravilhoso (ótimo): || / “O mais rico do planeta” / “Melhor país que tem” (cultura; beleza) / Deveria ser de primeiro mundo

Todos gostam (estrangeiros)

Lugar bom (legal de se viver em termos de cultura): |

 

“Tudo de bom” / País mais interessante do mundo (mais surpreendente)

 

“Brasil é uma mãe”

 

 

 

País normal

 

 

 

Não tenho opinião formada

 

 

Fonte: Porto Alegre, março de 2011; Salvador, maio de 2011; Rio de Janeiro, junho de 2011; Belém, julho de 2011.

Quadro 26 - Ideias centrais dos discursos sobre o que é “ser” brasileiro.

PORTO ALEGRE

RIO DE JANEIRO

BELÉM

SALVADOR

Alegre

Alegria no viver

“Me sinto feliz” (por ser um povo alegre)

“É a alegria de ser”; Alegria (Feliz): ||

 

 

 

Gostar de festa

 

Humildade

 

 

 

 

 

Esperança

 

 

 

“Jogo de cintura”

 

“Não gosto do jeitinho brasileiro” (como corrupção)

 

 

 

 

Motivo de preocupação (questões políticas e sociais do país)

 

 

 

 

Responsabilidade (país jovem, com muito a fazer) (Já fiz a minha parte): |

Não se tem orgulho

 

Vergonha: ||

 

Muito orgulho (Honra): | / Ser reconhecido como brasileiro é gratificante / Estar satisfeito (mostrar que é brasileiro, com a camisa do time, do brasil)

Orgulho: |

Orgulho (Honra) (pelo esporte): |||||

Orgulho (Amor pelo país) / Honrar nossa pátria

 

 

“Ser filho de uma nação riquíssima na fauna, na flora, na biodiversidade”

 

 

 

 

Diversidade

“Sou brasileiro não desisto nunca” / Ser guerreiro

Batalhador

 

Ser lutador (esforço) (sempre tentando encontrar uma melhoria de vida): |

Receptivo

Acolhedor (receptivo): |

 

Receptividade (“Tratar as pessoas bem”)

Brasileiro ridicularizado no exterior (ser brasileiro ou característica do povo?)

 

 

 

Nacionalidade compulsória (Ser brasileiro é porque nasci aqui) / “Me sinto brasileira, fui criada aqui”

 

 

 

 

 

“Depende do que vejo”: |

Depende da classe socioeconômica

 

Regionalismo (começa a falar da sua cidade)

Depende da região

 

 

 

 

“Me sinto feliz” (por ser um povo alegre)

 

 

 

“Me sinto triste” (pelas injustiças sociais; questões políticas; desigualdade; malandragem)

 

 

 

 

“Fazer música popular brasileira”

 

 

 

“brasileiro na contramão” (não faz as coisas por dinheiro, como a maioria)

“Gosto de ser brasileiro (a)” “Adoro”: | / “Acho lindo”

“Não é ruim”

“Me sinto bem sendo brasileira”; “Eu gosto de ser brasileira”: |

“Acho normal também”

“É bom” / “Me sinto bem”: | / “Gosto de ser brasileiro”: |

 

 

 

Não sei opinar: |

Nunca pensei sobre isso

Fonte: Porto Alegre, março de 2011; Salvador, maio de 2011; Rio de Janeiro, junho de 2011; Belém, julho de 2011.

Quadro 27 - Ideias centrais dos discursos sobre as características do povo brasileiro.

PORTO ALEGRE

RIO DE JANEIRO

BELÉM

SALVADOR

Alegria: |||

Alegria: || / Descontraído / Se dá bem com as situações com alegria (feliz mesmo nas dificuldades): |||

Alegria (vive em festa, o que pode ser uma imagem ruim lá fora): || / Feliz, mesmo diante das dificuldades

Alegria: ||||

Acolhedor / Receptivo: |

Atencioso (Carinhoso) / Gentil / Receptivo: ||

Simpático / Hospitaleiro (acolhedor; reconhecido mundialmente): |

Aberto (fácil de se relacionar)

“Sou brasileiro, não desisto nunca” / Batalhador (Busca seus ideais, objetivos; força de vontade): || / Trabalhador

Batalhador (garra; força de vontade; vontade de vencer): ||

Batalhador (não se deixa abater; esforçado): ||||

Trabalhador / Batalhador (lutador): | / “Pronto pra tudo”

 

 

Corajoso

 

 

Solidariedade (vontade de ajudar)

 

Compaixão

Com índole boa/bom coração

 

 

 

Povo com facilidade de expressar suas emoções; Emotivo: | / Intenso (vivo): |

Esperança

 

 

Esperançoso (de ver o país crescer): |

 

 

Criativo

Criativo

 

 

Inocente

 

Tem memória curta (olha mais pra frente do que pra trás)

 

 

 

 

Malandro (exemplo: políticos)

Malandro, esperto (estereotipado) (esperto pela desonestidade; não gosta de seguir regras): |

Povo sem ética (representante: Lula) / Quer chegar lá de qualquer jeito (representante: Lula)

Não é muito educado (natureza; trânsito)

 

Burro (Ignorante): ||

 

 

 

 

Povo com olhar de consumo (olhar de Lula) (gera violência)

 

Apreensivo (devido à violência)

 

 

 

Povo que sofre com o tráfico de drogas

Povo sofrido

 

 

Povo com pouca qualidade de vida / Povo sem perspectiva de vida, não tem como se manter

Pobre (miserável): ||

Burro (Ignorante): ||

Sem acesso à educação / Sem escolaridade (representante: Lula)

 

Povo marcado pela desigualdade social / Depende da classe socioeconômica (pessoas da classe média não respeitam ninguém)

 

 

 

 

 

Povo contraditório (individualista e solidário)

 

 

Povo diverso (cultura, raça)

Diverso (mistura, étnica e social): | / Diferente de outros países

Depende da região (podem te tratar bem ou não): |

 

 

 

 

Preconceito com outras regiões (“o carioca gosta de humilhar os paraibanos”)

 

 

 

 

Pouco respeito mútuo (pensar no próximo): |

 

 

 

 

Nova geração tem perdido essa identidade de sentimento de coletividade, de lutar pelos direitos, está individualista

 

Valoriza o que é seu

 

 

 

 

Submisso ao que é do exterior / Desvaloriza o que nacional (pouco nacionalista)

Valoriza o que vem de fora

Basta ter “trabalho, futebol e carnaval”

 

Carnaval / futebol / samba: |

 

 

 

 

“Não tem povo igual” / “Melhor povo do mundo”

 

 

 

Bonito/sensual

De várias qualidades

Gente comum

“Tem uns que dão uma vacilada, mas espero que a Dilma concerte”

“Povo completo”

 

Fonte: Porto Alegre, março de 2011; Salvador, maio de 2011; Rio de Janeiro, junho de 2011; Belém, julho de 2011.

Quadro 28 - Ideias centrais dos discursos sobre a qualificação das características do povo brasileiro: Aspectos positivos.

PORTO ALEGRE

RIO DE JANEIRO

BELÉM

SALVADOR

Alegria

Alegria: |

Alegria: |

Alegria: |||| / Alegria mesmo nas dificuldades

 

 

 

Povo divertido

 

Solidariedade

Solidariedade

Compaixão / Solidariedade

 

Receptivo / Gentil

Hospitalidade / Povo amigo

Acolhedor

Povo aberto

Trabalhador

Batalhador (vontade de vencer)

Batalhador (esforço do povo): |||

Trabalhador / Batalhador: |

Coragem / Força pra superar perspectivas ruins

 

Coragem

Perseverança (não desiste diante do desafio; determinação): |

 

 

Facilidade para adaptação

Jogo de cintura (“Malandragem do bem”; raciocínio rápido, que improvisa)

 

 

Humildade

 

 

 

 

 

Fé / religiosidade

 

Povo que tem honestidade

 

 

Orgulho

 

 

 

Diversidade

 

Mestiçagem (“Raça brasileira”)

 

Esperança

 

 

Esperança (acreditar): |

 

Investimento na cultura / Valorização do nacional

 

 

País em desenvolvimento: | / Produção de conhecimento

Facilidade de oportunidade de trabalho

 

 

Tem perspectiva de vida / Facilidade de conseguir alguma coisa

 

 

 

Clima bom (não tem terremoto, catástrofe, tem água, tem tudo que precisa pra sobreviver)

País abençoado por Deus (não tem terremoto, tsunami)

 

 

 

 

Autoestima

 

 

Carnaval / futebol / Copa do Mundo / Olimpíadas

Cinema nacional / esportes

 

 

 

“Não tem algo específico que eu valorize. É o conjunto.”

Paixão

 

 

Nunca pensei sobre isso.

 

 

Fonte: Porto Alegre, março de 2011; Salvador, maio de 2011; Rio de Janeiro, junho de 2011; Belém, julho de 2011.

Quadro 29 - Ideias centrais dos discursos sobre a qualificação das características do povo brasileiro: Aspectos negativos.

PORTO ALEGRE

RIO DE JANEIRO

BELÉM

SALVADOR

Governantes ruins (que não criam oportunidades ao povo; facilidades para os governantes): |||||

Governantes (responsáveis pela desigualdade): |

“Politico ladrão”

Corrupção dos governantes: |

Corrupção (dinheiro rodando, mas vai pra poucas pessoas; ganância; tá no povo também)

Corrupção: | / Dá uma de esperto (conseguir das coisas com desonestidade): ||

“Ser esperto” (querer sair por cima dos outros; “Sair de malandro”): ||| / Desonestidade (falta de moralidade, não poder ético-não é só do Brasil): | / Corrupção: |

Falta de ética (em todos na população; nas profissões diversas) / “Jeitinho brasileiro” (corrupção – que vem desde o Império; querer tirar vantagem; “Lei do Gerson”): ||

 

 

Falta respeito mútuo

 

 

Drogas (leva a criminalidade)

 

 

 

Violência (covardia)

 

 

Desigualdade Social / Nem todos tem acesso a bens e serviços (não ter ferramentas [tecnológicas] para superar perspectivas ruins): |

Desigualdade Social (gera violência): |||

Pobreza: ||

Pobreza

Desigualdade Social

 

 

 

Memória cultural vazia, superficial (povo não ligado à cultura): |

 

 

Ignorância

Educação ruim. / Povo pouco politizado / Povo fácil de ser influenciado (vulnerável) / Povo que não lê e pesquisa

 

Batalha pouco (se acomoda em uma situação, Ex: classe operária; Facilidade para adaptação leva a uma acomodação com o que está errado no país): |

 

Povo descansado (acomodado)

 

 

Discriminação (homossexualidade; racial; entre regiões e classes sociais); preconceito: |

 

 

Contradição entre o potencial do país e como está na realidade

 

 

 

 

 

Povo que perdoa quando não deve (sensibilização equivocada)

Povo não dá valor à política (não tem conhecimento sobre)

 

 

 

Não considera o que vem antes (historicamente) / Não ter conhecimento

 

 

 

 

 

 

Subserviência ao país de 1º mundo

 

 

“Não valorizo nada daqui”

 

“Acho que não tem nada de ruim em ser brasileiro”

Problemas do dia-a-dia

 

 

 

Nunca pensei sobre isso.

 

Não soube dizer o que é negativo

Fonte: Porto Alegre, março de 2011; Salvador, maio de 2011; Rio de Janeiro, junho de 2011; Belém, julho de 2011.

Quadro 30 - Ideias centrais dos discursos sobre a nacionalidade de preferência.

PORTO ALEGRE

RIO DE JANEIRO

BELÉM

SALVADOR

Brasil (gaúcho): ||||||

Brasil(não conhece outro país; gostaria de conhecer outros países, mas viveria aqui): |||||||||

Brasil: ||||||||

Brasil (Bahia): ||||||||

 

Rio de Janeiro

 

 

Argentina/ Uruguai (cultura intelectualizada)

Uruguai (pessoas lutam contra insatisfações no país)

 

 

 

Inglaterra (organização e dedicação)

 

 

 

 

Dubai (país rico)

 

Americana (povo desenvolvido, uma das maiores potências)

 

 

 

 

 

Alemanha

 

 

 

 

Espanha

 

 

Itália (descendência): ||

 

 

Japão (povo leva a vida mais a sério)

 

 

 

Paraíba do Sul

 

 

Discurso do sujeito Coletivo sobre o Brasil enquanto nação

O Brasil é um país que foi colônia, que apresenta problemas na política e com seus governantes, com corrupção e fraudes políticas. Nesse sentido, é um país que necessita de uma boa administração, devendo-se melhorar tais problemas na política, a questão da violência e o investimento na educação, na saúde e nos meios de acesso da população a esses bens e serviços. É uma nação que se encontra sem conscientização ambiental e sem princípios, marcada pela desonestidade e pela falta de respeito mútuo entre as pessoas. Entretanto, é um país que tem potencial, pois é um país grande e tropical, de abundância, com terra fértil e privilegiada, sendo de grande beleza natural. É um país jovem, com muitos recursos naturais, mas que são pouco ou mal aproveitados, ainda que seja um país muito explorado.

Por outro lado, já se observa um desenvolvimento, uma ascensão na esfera tecnológica e intelectual. Um país emergente, que se encontra em um período de transição, com uma sociedade que busca esse desenvolvimento, a revelia de todos os problemas socioeconômicos. É uma nação marcada pela diversidade cultural, étnica, apresentando diferenças regionais e em relação a outros países, sendo que muitas vezes o que se tem aqui é melhor do que se tem no exterior, havendo uma valorização do que é nacional. Contudo, também há a desvalorização do que é nacional, existindo uma submissão ao pensamento estrangeiro e uma preocupação com a imagem econômica que o país tem no exterior. Portanto, é um país que se tem muito a crescer e a mudar, sendo que o eixo de tal mudança se encontra nos políticos, mas é um país maravilhoso, o melhor e mais interessante do mundo, que todos gostam, inclusive os estrangeiros, e que deveria ser de primeiro mundo.

Discurso do sujeito Coletivo sobre o que é “ser” brasileiro

Ser brasileiro é ter alegria no viver, gostando de festa, tendo “jogo de cintura” e humildade, sempre com esperança por um futuro melhor. Mas também é um motivo de preocupação, devido aos problemas políticos e sociais que observo no país, sendo que não concordo com o “jeitinho brasileiro” quando usado como corrupção. Nesse sentido, não tenho orgulho em ser brasileiro, e sim vergonha. Logo, ser brasileiro é uma responsabilidade, pois sou representante de um país jovem, que se tem muito a fazer, mas já fiz a minha parte.

Por outro lado, ser brasileiro é ser filho de uma nação riquíssima na sua biodiversidade. Assim, é uma honra e um orgulho ser brasileiro e poder ser reconhecido como tal em outros países. Ser brasileiro é amar o nosso país, honrando a nossa pátria. É ser batalhador, lutador, guerreiro, sempre tentando encontrar uma melhoria de vida, pois “sou brasileiro e não desisto nunca”. Ser brasileiro é receptivo, acolhedor, tratando bem as pessoas. Entretanto, o brasileiro é ridicularizado no exterior. Sou brasileiro, porque nasci aqui, porque fui criada aqui, trazendo as características da minha cidade, da região do Brasil a qual pertenço. Me sinto feliz em ser brasileiro, pois faço parte de um povo alegre, mas me sinto triste pelas injustiças sociais, pela desigualdade, pelos problemas na política e pela malandragem nesta que assola o meu país. Mas me sinto bem em ser brasileiro. Adoro, acho lindo.

Discurso do sujeito Coletivo sobre as características do povo brasileiro

O povo brasileiro é alegre, mesmo diante das dificuldades. É um povo descontraído, que vive em festa, o que pode ser uma imagem ruim para os outros países. É um povo acolhedor, atencioso, receptivo, simpático e aberto, que tem facilidade para se relacionar. É batalhador, com garra e força de vontade, que não se deixa abater, tendo vontade de vencer, estando sempre pronto pra tudo. Tem vontade de ajudar as pessoas, sendo solidário e com compaixão, índole boa e bom coração. Assim, é um povo que tem facilidade para expressar suas emoções, sendo um povo emotivo e intenso, vivo e muito criativo.

Contudo, é um povo ingênuo, que tem memória curta, olhando mais para frente, sem considerar o que aconteceu anteriormente. É um povo malandro, esperto, com “jeitinho brasileiro”, mas um esperto pela desonestidade, não gostando de seguir regras. Pode ser um povo sem ética, que quer alcançar seus objetivos de qualquer jeito, o que pode ser observado nos seus representantes. Logo, não é um povo muito educado, podendo ser burro e ignorante, apresentando um olhar consumista, que acaba por gerar violência no país. Dessa forma, é um povo apreensivo, que sofre com o tráfico de drogas, sendo um povo marcado pela desigualdade social e que, dependendo da classe socioeconômica, tem pouca qualidade e perspectiva de vida. Assim, é um povo pobre e sem escolaridade, pois não tem acesso à educação.

É um povo contraditório, que consegue ser individualista e solidário. É marcado pela diversidade racial e cultural, sendo que tal diversidade se apresenta diferentemente dependendo da região do país. É um povo que apresenta preconceito entre si, entre as regiões do Brasil, tendo assim pouco respeito mútuo. É um povo que valoriza o que é seu, mas que também é submisso ao que é do exterior. É o melhor povo do mundo.

Discurso do sujeito Coletivo sobre a qualificação das características do povo brasileiro

O que é positivo no povo brasileiro é a sua alegria, solidariedade, compaixão e receptividade. Sua coragem e força para superar as perspectivas ruins, sendo um povo batalhador e com vontade de vencer, também são aspectos positivos. Além disso, destaco sua facilidade de adaptação, seu “jogo de cintura” que requer raciocínio rápido para saber improvisar. A humildade e a honestidade do povo, juntamente com sua fé e religiosidade e esperança, acreditando nas perspectivas futuras. A diversidade e a mestiçagem do povo, que gera a “raça brasileira” é outro aspecto positivo do brasileiro.

O fato de se viver em um país em desenvolvimento, que está produzindo conhecimento, um país com clima bom, que não tem terremoto, um “país abençoado por Deus” é uma vantagem para o provo brasileiro. O carnaval, o futebol, o cinema nacional, o esporte, a Copa do Mundo e as Olimpíadas que serão sediadas aqui também são positivos para o povo brasileiro.

Já o que se tem de negativo é principalmente a corrupção dos governantes, que não criam oportunidades ao povo. Mas essa corrupção também tá no povo, que muitas vezes tenta dar uma de esperto, querendo conseguir as coisas com desonestidade, com o “jeitinho brasileiro”. A falta de respeito mútuo no povo é outro aspecto negativo do mesmo. A desigualdade social e a falta de acesso aos bens e serviços, a ignorância e a pouca politização do povo, a discriminação, o preconceito e a falta de consideração com a história do nosso país também configuram aspectos negativos do povo brasileiro.

5. Discussão e Análise dos Dados

Inicia-se esta análise a partir de uma questão sofismática e recorrente ao longo da produção desta pesquisa: até que ponto as representações sociais e a identidade nacional são expressões uma da outra? Até que ponto se entrelaçam?

Os discursos do sujeito coletivo que emanaram dos dados coletados corroboram o que afirmam Bernardes e Hoenisch (2003) quando mencionam que definir o princípio ou a natureza de ser brasileiro é tarefa impossível, dada a extensão e a diversidade étnico cultural do Brasil. A isso se somam as subjetividades que constituem o amálgama das identidades. Neste sentido, pode-se refletir que os sujeitos, enquanto enunciadores das identidades, se valem das representações sociais - que permeiam de forma flutuante o mundo simbólico – a partir de suas subjetividades, constituindo e formando posições identitárias.

Do lugar de enunciador de tais identidades, o indivíduo as publiciza nas suas práticas que ao serem compartilhadas com a coletividade que constitui a cena social, transformam e são transformadas contribuindo para a instituição de identidades coletivas, neste caso, as identidades nacionais. É mister mencionar, ainda, que o que nos humaniza não é o compartilhamento de caracteres biológicos, mas, o que nos faz espécie é o compartilhamento de cultura(s), sermos instituídos e instituintes de representações que tornam o mundo inteligível, passível de uma teia de significados que fundam e perpetuam as relações sociais, em redes intermináveis que tecem o cotidiano dos indivíduos em expressões coletivas. Como o Norte de uma bússola, esta perspectiva se configura como o eixo condutor desta análise.

“SER” BRASILEIRO, aspado o SER pela dupla configuração marcada pela subjetividade de um lado e pela unidade de uma espécie de outro se coloca como o item inaugural da análise. O discurso predominante em todas as cidades foi acerca do orgulho como elemento definidor do que seria “ser” brasileiro, estando juntamente com este a vontade e/ou a satisfação em ser percebido como brasileiro por pessoas de outras nacionalidades. Entretanto, a vergonha e a ausência de orgulho também foram discursos presentes em duas das cidades (Belém e Porto Alegre), sendo que tais discursos se apresentaram atrelados à situação socioeconômica do Brasil na atualidade.

O sentimento de vergonha acompanha historicamente a noção de “ser” brasileiro, porém, levando em consideração os momentos históricos em que se manifestam. Segundo Baldo (2006), historicamente, o povo brasileiro foi marcado pela autodesvalorização, na qual o mestiço, o negro e o índio foram considerados responsáveis pelo atraso cultural brasileiro. Entretanto, tais sujeitos constituíam a maioria da população brasileira, sendo seus maiores representantes, ainda que representados pela vergonha.

Ainda por uma perspectiva histórica, Baldo (2006) destaca que após as inúmeras interpretações do Brasil e de seu povo a partir das teorias evolucionista e das raças, no período romântico, o pensamento sobre o caráter nacional brasileiro adquiriu uma posição otimista e nacionalista, o que se converteu em pessimismo durante o Realismo e que depois no Modernismo se destacava a atitude de acolhimento à pátria e repúdio aos que consideravam os padrões europeus. Observa-se nesta construção simplificada, uma possível elaboração do sentimento de orgulho referente ao nacional e ao ser pertencente a este grupo, sendo brasileiro.

Outro discurso predominante em todas as cidades foi de que “ser” brasileiro seria “ser” alegre, o que em Salvador foi complementado pela ideia que seria “gostar de festa”. A alegria surge como marca quase oficial do brasileiro, que foi difundida ao longo da história, não só internamente, mas como visão dos estrangeiros acerca do brasileiro. Isso pode ser visto no discurso do P1 do Rio de Janeiro, acerca do que é “ser” brasileiro: “Admiro a alegria no viver. Tem cara que passa fome, passa uma dificuldade grande na vida, seja familiar ou no trabalho, enfim, e o cara está sempre sorrindo [...]”. Pode-se compreender, a partir desta ideia, o discurso de que “ser” brasileiro é estar alegre ainda que em momentos de dificuldades e de tristeza. Logo, entende-se a construção da narrativa da alegria como constituindo o que seria “ser” brasileiro na perspectiva pessoal dos participantes.

O discurso da alegria veio acompanhado pelo de que “ser” brasileiro seria “ser” batalhador, discurso que foi também predominante nas cidades, com a exceção de Belém, que tal característica se remeteu a um aspecto do povo brasileiro e não do “ser” brasileiro. Tal discurso pode ser atrelado ao percurso do desenvolvimento do Brasil e consequentemente de seu povo a partir de uma estruturação socioeconômica sempre marcada pela desigualdade permeada pela violência e pela corrupção (RIBEIRO, 2010 e REIS, 2007) daí se partindo a concepção construída ao longo da biografia do país acerca do “jeitinho brasileiro” como forma oficial deste povo enfrentar os desafios sociais. O P3 de Porto Alegre, sobre as características do povo brasileiro, apresenta o discurso “[...] acho que em geral é um povo que busca seus ideais, tá sempre em busca de seus objetivos, seus ideais... é um povo batalhador”.

Outro discurso apresentado, de forma frequente em todas as cidades, referente aos itens sobre o que é “ser” brasileiro e sobre as características do povo brasileiro, foi o da receptividade do brasileiro, sendo caracterizado como acolhedor, hospitaleiro, simpático, atencioso e aberto para se relacionar. Freyre (2010), em sua interpretação sobre o Brasil, destaca que o encontro entre o povo português, os nativos brasileiros e o negro africano desenvolveu na sociedade brasileira a cordialidade e simpatia típicas da sociedade lusitana. Nesse sentido, tal receptividade do brasileiro se mostra como uma herança história do desenvolvimento do povo brasileiro enquanto um povo diferenciado, oriundo desta miscigenação, que além de racial, abarca culturas, costumes, comportamentos típicos de cada um dos povos envolvidos.

Tal questão ainda pode ser relacionada com o discurso, apresentado no Rio de Janeiro e em Salvador sobre o item acerca das características do povo brasileiro, referente à solidariedade e compaixão como característica do mesmo. Tal sentimento de solidariedade se relaciona com o sentimento de pertencimento a comunidade comum, que seria o Brasil, sendo também um meio de ligar os membros de tal comunidade, por via da compaixão. Esta ideia é ressaltada por Reis (2007) que coloca que uma nação não existe independentemente da solidariedade, do sentimento de pertencimento e de destino comum que une seus membros. Acerca disso, o P1 do Rio de Janeiro, no item sobre o que é “ser” brasileiro, o seguinte discurso: “[...] o povo brasileiro é solidário, solidário mesmo, de ajudar, por alguém na sua casa, comer a comida q você fez, dar um copo de água e ajudar mesmo”. Contraponto importante se coloca em torno deste discurso se nos remetermos aos noticiários nacionais onde despontam a violência e a barbárie nas grandes metrópoles ou na luta por terra e poder no interior de alguns estados brasileiros. Nos percebemos na compaixão mas agimos na paixão e na ambição? Que desconexões se colocam entre o que se enuncia e o que se faz? No intervalo entre pensamento e ação se insinua na crença da maleabilidade da justiça brasileira?

Outro discurso apresentado, principalmente no Rio de Janeiro foi que a definição do que seria “ser” brasileiro dependeria da região do país, o que pode ser compreendido pela ideia de que as identidades nacionais são criadas pelas linguagens da vida cotidiana, das atividades econômico-sociais, dos conflitos e dos valores locais. Hall (2000 apud GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003) destaca que as identidades são diversas e mudam conforme nossas posições, tendo em vista que os indivíduos vivem em diferentes contextos sociais, estando envolvidos em diferentes significados.

Em Belém, um discurso apresentado foi que “ser” brasileiro seria “ser filho de uma nação riquíssima na fauna, na flora, na biodiversidade”. Almeida (1988) destaca que o que constituiria inicialmente a formação das identidades nacionais seria a experiência mediada pela linguagem, pela cultura nacional, pelos símbolos pátrios e a história pátria, entendendo que características como a “rica biodiversidade” já é um símbolo do Brasil enquanto país.

Em Porto Alegre, observou-se o discurso de que se é brasileiro porque se nasceu no Brasil, destacando-se assim uma possível nacionalidade compulsória. Entretanto, compreende-se, de acordo com Vannucchi (2006, p. 41-42), que a nacionalidade não é “[...] uma estrutura que paira por aí, na sociedade, e que se impõe [...] a cada recém-nascido dentro dela, mesmo porque há o caso de brasileiros natos nascidos fora daqui”.

Na cidade de Belém, um discurso recorrente foi que o que seria “ser” brasileiro dependeria diretamente do que se presenciasse no país. Destaca-se que a elaboração da nação brasileira apresenta como componentes as transformações que ocorrem constantemente na sociedade, sendo, então, igualmente significativas na constituição das identidades nacionais. Nesse sentido, observa-se que as identidades nacionais não são imutáveis, mas se encontram em constante mudança a partir das transformações do ambiente no qual se insere uma sociedade.

No que tange à nação brasileira destaca-se que a ideia de que há um governo corrupto e que os problemas sociais são responsabilidade deste foi apresentado pela maioria dos participantes, sendo um dado relevante. Assim, pode-se inferir que há uma insatisfação evidente com a administração do país, porém no que tange ao envolvimento do povo em questões sociais e a relação que se estabelece entre a indignação enquanto sentimento e as ações dentro da governabilidade de cada um para a resolução de mazelas que se fazem presentes no cotidiano da nação brasileira, a insatisfação não atravessa a linha do discurso e se transforma em ação. Nesse sentido, se faz pertinente utilizar-se do que expressa Crochik (1998), quando afirma que a cultura é um meio que promove individuação, mesmo que somente isto ocorra por meio da coletividade, gerando a diferenciação. A formação cultural socializa para individuar, ou seja, atua no sentido de diferenciar o indivíduo em relação ao meio no qual está inserido. Então, pertencer à determinada sociedade remete a um individualismo antecedente e ainda assim, concomitante, levando em consideração que não são conceitos que se excluem, mas se complementam.

Dessa forma, os discursos demonstram uma possível necessidade de maior pensamento em prol da sociedade como um todo, tendo em vista o bem da coletividade em geral, não somente o que seja importante do ponto de vista individual. É provável que tal mudança de paradigma suscitasse em melhores condições de vida para a população e em um envolvimento maior da sociedade em seus próprios problemas, não responsabilizando apenas uma parcela de pessoas – os governantes.

Outro discurso importante de se destacar é referente à caracterização do Brasil enquanto um país grande, com potencial e rico em belezas naturais. Nesse sentido, vale ressaltar a importância dos meios de comunicação de massa e sua influência na formação de tais discursos. Segundo Alexandre (2001), a utilização da mídia apresenta alguns pontos negativos, como o fato desta difundir uma cultura homogênea, destruindo as características culturais. Assim, o discurso do Brasil como um país extenso e privilegiado em sua geografia pode ter forte influência dos meios midiáticos, que generalizam uma cultura brasileira que não está presente em todo o país e alteram a percepção do “povo”, gerando a construção de um discurso pautado em uma invenção sociocultural midiática referente a poucos, não na realidade e na singularidade de cada grupo social. 

Além disso, houve predominância do discurso do Brasil enquanto melhor país do mundo e o mais interessante, o que pode ser considerado, também, como um discurso fortemente formado pelo poder das mídias, visto que, não são levadas em conta as mazelas sociais que o país enfrenta. Nesse sentido, Alexandre (2001) afirma que os meios de comunicação de massa têm um caráter conformista, isto é, encorajam uma visão passiva e acrítica da sociedade. Então, a apresentação do Brasil enquanto um país ideal, sendo o melhor do mundo, pode denotar uma possível falta de senso crítico dos participantes ou conformismo e passividade frente às dificuldades vivenciadas na cena social.

Os participantes de todas as cidades também apresentaram o discurso do Brasil enquanto uma nação em desenvolvimento. Barbosa (2001) relembra a importação de ideias estrangeiras raciais no final do século XIX como uma forma de alcançar o almejado progresso nacional. Porém, visto que tais teorias priorizavam a raça branca, como implantá-la em um país em que há predominância de população mestiça e afro descendente? Assim, o progresso era baseado segundo os modelos da civilização europeia. Seguindo esta linha de pensamento coloca-se em foco outro discurso que esteve presente: o pensamento de que o Brasil se baseia e se preocupa com sua imagem no exterior e está submisso a tal pensamento. Possivelmente, a partir dos discursos obtidos, se observa que o povo brasileiro transporta alternativas estrangeiras para o país, nem sempre levando em consideração sua própria cultura, costumes e situação social atual não referenciando a importância devida ao bem comum, visto que, tais alternativas podem não ser adequadas a todos. Dessa forma, o Brasil considerado enquanto um país emergente que se baseia no ideal estrangeiro, remete à necessidade de se repensar as estratégias utilizadas para alcançar o nível de desenvolvimento almejado e se estas são eficazes para a sociedade brasileira.

Há, no caso brasileiro, uma alteridade histórica e que se insere no plano do desejado, e que é o Primeiro Mundo. [...] Mas, quanto à alma verdadeira, ao caráter intrínseco do "jeito" de ser, ao âmago do "nós", o Primeiro Mundo configura-se como a alteridade desejada ou como o horizonte de chegada de uma identidade que se poderá atingir um dia (PESAVENTO, 1999, p.128).

A ideia apresentada acima pode ser vista a partir do discurso do P9 de Belém, ao afirmar que “nós enquanto brasileiros, se quisermos ser um país de primeiro mundo um dia, deveríamos nos espelhar ao máximo nos outros países e em como eles estão”, o que confirma a noção de submissão ao pensamento estrangeiro.

Tal discurso remete a ideia de que não há uma valorização de características nacionais, o que não se configurou como hegemônico enquanto discurso do Brasil enquanto nação em todas as cidades onde os dados foram coletados, mas, se fez presente de maneira relevante nas cidades do Rio de Janeiro e Salvador, merecendo destaque. Vannucchi (1999), referindo-se ao período colonial afirma que a imitação do estrangeiro era inevitável e não se constituía em um problema, porque as transplantações culturais vêm associadas, frequentemente, a fatores de progresso. O mal estava e ainda está na rejeição do que é nacional e principalmente popular, como sendo ruim por conter aspectos da terra tropical e da inferioridade dos povos de cor. Assim, tal discurso apresenta um caráter interessante por se fazer presente nas cidades de Salvador e do Rio de Janeiro, locais de constantes trocas culturais desde os períodos coloniais e o império sendo um locus privilegiado de intercâmbio de costumes e hábitos com outros povos, caracterizando a diversidade tão presente no discurso dos participantes.

Outro discurso apresentado em Porto Alegre foi que o brasileiro é ridicularizado no exterior. Tal discurso pode ser compreendido a partir da ideia trabalhada por Pesavento (1999) que as identidades nacionais são uma comunidade relacional, na qual “outros” estão envolvidos, destacando-se que a forma como os “outros” as percebem, também se configura em algo que se presentificará na constituição de tais identidades. Observa-se, então, neste discurso a ideia de que o padrão identitário se confirma a partir do olhar do “outro” sobre “nós”. Neste caso, os “outros” seriam os estrangeiros.

O cotidiano das “conversas” sobre o Brasil entre os brasileiros se configura como uma multiplicidade de “palpites” - e cada um tem o seu - sobre como resolver as mazelas nacionais em uma panaceia de posologias que não remetem à responsabilidade individual e cada qual segue em uma sucessão de “soluções” que se entrelaçam com as “pequenas transgressões” corruptivas nomeadas de “jeitinho brasileiro”, instituído como patrimônio nacional, padrão de comportamento que ao se incorporar nos processos de socialização se capilariza nas mais diversas falas, ações e reações aos mais simples e aos mais complexos problemas que assolam o cotidiano de cada/de todos os brasileiros. Para exemplificar esse aspecto, o P5 do Rio de Janeiro relata, sobre as características do povo brasileiro, que “não gosta do ‘jeitinho brasileiro’, que é a corrupção, sempre dá um jeito de sair bem na história”.

Os participantes das quatro cidades também apresentaram com frequência discurso do Brasil como um país de diversidade, tanto étnica quanto cultural. De acordo com Freyre (2010), a mestiçagem se fez presente no Brasil como uma força social e psicológica muito maior e consistente que a escravidão. A mestiçagem agiu como uma força física e psicológica, até mesmo sentimental, contra a qual nenhum outro aspecto se sobrepôs. Surge a reflexão, assim, do surgimento de um povo diferenciado, a partir desta fusão de realidades e culturas entre o europeu, o índio e o negro, na qual a perspectiva de cada um, nesta constituição é de grande relevância.

Hall acrescenta afirmando (2000 apud GUARESCHI, N.; MEDEIROS; BRUSCHI, 2003, p. 43), as identidades são diversas e se adequam às diferentes posições, tendo em vista que os indivíduos vivem em contextos sociais variados que apresentam significados diversos. Nas sociedades atuais há uma multiplicidade de centros que produzem identidades e não um único núcleo ou centro que produza identidades fixas e imutáveis.

Dessa forma, o discurso da diversidade possivelmente se manifesta de maneira tão frequente devido à evidente presença de diferentes grupos étnicos e culturais, com hábitos e costumes próprios, por vezes partilhando de um mesmo ambiente social. O povo brasileiro tem inserido em si a adequação a tal diversidade, sendo esta uma das características mais marcantes da nação, visto que, foi um discurso presenciado na maioria das entrevistas. Nesse sentido, Ribeiro (2010) ressalta que ao contrário do que acontece em outros países, que conservam contingentes claramente opostos à identificação da etnia predominantemente nacional, no Brasil, apesar da multiplicidade de origens raciais e étnicas da população, tais contingentes que separam e se esquivam uns dos outros não são encontrados, embora os discursos sejam de consideração da diversidade como preponderante, na prática, as ações de intolerância e preconceito se insinuam nas práticas de cada pessoa. Um discurso que corrobora esta ideia foi encontrado na cidade de Belém, sobre o Brasil enquanto nação, no qual o P3 afirma que “realmente é uma nação que falta muitos princípios, muito respeito, parece que as pessoas não são humanas, às vezes, não têm respeito com o próximo”.

Seguindo este pensamento, colocam-se em pauta os discursos sobre desigualdade social, que estiveram presentes em todas as cidades nos itens sobre o Brasil enquanto nação, sobre as características do “ser” brasileiro e sobre a qualificação dessas características. Segundo Reis (2008), a produção literária influenciada pelas máximas do darwinismo social enaltecia a figura do branco, idealizado, frente aos demais grupos étnicos. Negros e mestiços foram gradativamente distanciados das esferas sociais e colocados como inferiores nas variadas representações constituídas acerca do brasileiro. No contexto social atual, além da desigualdade ocorrida entre os grupos étnicos, há ocorrências entre classes sociais, entre gêneros, nos cargos profissionais e em diversos outros âmbitos da sociedade em que seja ressaltada a diferença entre as pessoas. Os discursos dos participantes ilustram tal fato, como o que foi apresentado por P10 do Rio de Janeiro, acerca do Brasil enquanto nação: “País dos extremos. Na cidade você vê uma casa linda e uma casa de madeira lado a lado. É também o país da beleza, mas também é um país da desigualdade, com muito pobre”.

Discursos relacionados à insatisfação com as necessidades básicas do povo, tais como educação e saúde, se fizeram frequentes nas quatro cidades, sendo colocados enquanto aspectos que demandam ações governamentais.  Reis (2007) pontua que as interpretações do Brasil são um reflexo dos desafios que a sociedade brasileira enfrenta, mesmo que não sejam considerados como parte daquilo que cada um se sente responsável enquanto cidadão, mais uma vez remetendo a uma instância de poder estatal. Um discurso que está relacionado é o do P15 do Rio de Janeiro, que afirma que “o Brasil é um país que tem muito a melhorar, isso é claro, temos muitos problemas na saúde, na educação, nos transportes e entre as próprias pessoas”.

Um discurso que corrobora estas ideias é a caracterização do brasileiro como um povo sofrido, observado nas cidades do Rio de Janeiro e Belém. Ribeiro (2010) ressalta uma perspectiva histórica acerca disto, na qual se reporta às origens da nação brasileira e se refere ao sofrimento do povo atual como algo que foi vivenciado pelos índios e negros através de séculos. O brasileiro é ao mesmo tempo os negros e índios supliciados, mas também são as mãos que os supliciaram. São os descendentes de escravos e de senhores de escravos, marcados tanto pelo sentimento da dor, quanto pelo exercício da brutalidade.

Assim, observa-se que o Brasil se configura enquanto um país com desigualdade social presente nas vidas e nas situações cotidianas, onde a pobreza e, consequentemente, a dificuldade de acesso às necessidades básicas, como saúde e educação, atuam no meio social de cada um de maneira direta ou não. Aos que vivenciam tais dificuldades, devido à carência de políticas públicas eficientes para toda a sociedade, resta criar estratégias, nem sempre adequadas, para suprir as lacunas na condição material da existência, como fazer parte do mundo do crime, gerando a propagação de práticas violentas que marcam o cenário brasileiro.

Diante da escolha imaginária de uma nacionalidade, entre os que se reconhecem no pertencimento e escolheriam ser brasileiros, apresentam-se os que buscam em outras nacionalidades um ideal fantasioso daquilo que não encontram em sua realidade enquanto brasileiros.

Por fim, faz-se interessante mencionar os que se referiram nunca ter pensado a respeito do que é “ser” brasileiro e/ou das características desse povo, considerando que nada sabem sobre si naquilo que é impossível não saber. O discurso torna-se inexpressável diante das identidades múltiplas e conflitantes, ao ponto de tornar o brasileiro um suposto desconhecido para si próprio ou um “ser” de difícil definição em palavras, sendo necessário valer-se de características do outro, externo, para reconhecer-se enquanto pessoa, cidadão e ator da cena social brasileira.

6. Considerações Finais

Brasil. Nação de extensão territorial abrangente, englobando em um mesmo espaço pessoas de diferentes credos, culturas, valores e costumes. Pessoas que vivem e convivem partilhando da diferença que as torna iguais, da diversidade - tão valorizada nos discursos analisados - que as caracteriza enquanto cidadãos brasileiros e que se mistura em meio ao preconceito e à desigualdade social. São aqueles seres idealizados com uma alegria inerente e inesgotável e que batalham para alcançar um destino que aparenta estar no âmbito do imaginário, logo inatingível. Enquanto o estilo de vida ideal não é alcançado, tais figuras seguem suas rotinas de conselhos e sugestões para o futuro da nação, atitude esta que é rica em palavras e quase em extinção no que tange a ações concretas, visto que os considerados responsáveis pelas resoluções de mazelas sociais não são os brasileiros, o povo, mas os governantes, que aparentemente estão posicionados em um lugar além da sociedade. São cidadãos que não apresentam as características positivas da população brasileira citadas nos discursos, mas são seus representantes políticos na busca de melhorias da qualidade de vida para o Brasil. Contraditório? Sim. Intrigante? Sim. Sem sentido? Não. Atualmente, esse é um dos sentidos que o povo brasileiro atribui e representa socialmente suas identidades nacionais. Assim nos percebemos e acreditamos que somos percebidos.

No decorrer de um ano de realização desta pesquisa, o mundo passou por transformações sociais significativas e, por conseguinte, o Brasil. Tendo em vista que as identidades nacionais são atravessadas e influenciadas pelas vivências, alterações de paradigmas e fatos sociais diários, pode-se concluir que os discursos apresentados neste trabalho têm um dinamismo de constante alteração. Da mesma maneira que são apresentados com consistência e coesão no cenário social atual, basta uma pequena variação no meio e as identidades sociais entram em questionamento, em conflito, em crise – mas não desaparecem – sendo base para originar novas concepções que também passarão pelo mesmo processo e irão se configurar em um eterno devir.

Dessa forma, as identidades nacionais reproduzem formas de estar e ser neste “mundo” chamado Brasil. Remete a uma realidade multifacetada, como em uma visão de um caleidoscópio em contínuo devir. Realidades que se entrelaçam em elementos que nos estruturam enquanto povo, mas, que são perpassados pela fluidez dos acontecimentos do cotidiano globalizado.  Assim, o fragmento de conhecimento ora produzido nesta pesquisa, como um “grão de areia” na grande ciranda da ciência é capaz de ser subsídio para se repensar políticas públicas que organizem a vida na polis e seus constituintes, estes últimos eivados de subjetividades e desejos de bem viver. Conhecer as representações sociais dos grupos acerca das identidades nacionais poderá permitir que diferenças sejam consideradas e articuladas – não só pelo psicólogo e demais profissionais, mas pela sociedade de uma forma geral – para que se constituam diferentes formas de se pensar e lidar com esta realidade. A partir disto, poder-se-á estruturar práticas e posições de sujeitos mais concernentes à realidade contemporânea do povo brasileiro. Finalizando é mister refletir sobre o mosaico do que se “sabe” e do que se “ignora” que foi sendo construído a partir das falas e silêncios dos participantes. Alguns destes não se revelaram, mas, ao calar, enunciaram um discurso sobre si, mesmo não assumindo suas posições identitárias.

Origem e destino são perguntas recorrentes nas civilizações na contemporaneidade ou nos tempos idos que nos fizeram herança de uma cultura. Do oráculo buscado, se revela a ignorância anunciada sobre si. Onde se entrelaçam o local de nascimento - impossível de ser escolhido - e o destino sonhado, se configuram os discursos finais, sendo que às vezes o sonho é apenas a frustração às avessas. Mas quando o destino é o espaço longínquo estrangeiro/estranho, “SER” BRASILEIRO vira uma bandeira nacional que traz lágrimas aos olhos e o gosto da terra natal se transforma no paraíso sonhado/perdido. Aos que só resta a terra natal, o paraíso se desloca e se representa no estrangeiro/estranho que tem as cores da Pasárgada de Manoel Bandeira. Lugar do imaginário, onde o mito dá nome ao inominável.

Vou-me Embora pra Pasárgada
Manuel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Sobre os Autores:

Renata dos Santos Cortinhas - formação em Psicologia e especialização em Psicologia Médica. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Paula Lima Spindler - formação em Psicologia. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Orientadora: Profª Drª Sandra Maria Rickmann Lobato

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