A Fantasia da Felicidade Plena é Morte?

A Fantasia da Felicidade Plena é Morte?
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Resumo: A fantasia da felicidade plena e sua busca, nesta explanação, são apresentadas pelo viés filosófico em interlocução com a contemporaneidade, no qual se levantam questionamentos a fim de produzir novos olhares para o comportamento do homem atual. O propósito deste artigo é apresentar uma possível relação da busca pela Felicidade Plena com a Morte. Este estudo foi efetivado através de uma revisão na literatura. É apontada uma possível interpretação da busca incessante pelo prazer, obtido pelo estado transitório da felicidade, com a Psicanálise e a Mitologia como um movimento pulsional que culmina à morte. A energia libidinal, a força motriz do comportamento, quando investida na busca ilusória da felicidade plena, em excesso, pode estar relacionado a algum tipo de comportamento mortífero? Os textos Mal-Estar da Civilização e Além do Princípio do Prazer de Freud tornaram-se fundamentais para o desenvolvimento da presente explanação.

Palavras-chave: Felicidade, Plenitude, Ilusão, Morte.

1. Introdução

Esta pesquisa além de resgatar alguns pensadores da filosofia, promove uma articulação dos seus grandes pensamentos com as concepções dos ideais de felicidade contemporânea. Através da Psicanálise, pretende-se apresentar a Felicidade, no campo do ideal, e a grande energia que ela promove ao aparelho psíquico, a qual o homem comumente move suas ações. A felicidade, ao ser vista pelo lado de dentro, na retina metapsicológica, através dessa explanação, possibilita novas formas e olhares para pensar o lado de fora, a sociedade.

A morte, para Psicanálise, quando posta defronte a laboriosa sobrevivência, elucida uma conotação paradoxalmente transgressora, instigante para pensar a busca da felicidade como subsídio à vida, vista de forma trágica. A conotação fatalista de Freud, entre outros autores, serviu como ponto de partida para promoção de novas reflexões e pontos de vista críticos subjacentes. Além de refletir os discursos atuais sobre os Ideais de Felicidade e levantar questionamentos sobre estes, o presente artigo descreve uma interpretação mitológica, na perspectiva Psicanalítica, no qual questiona a possibilidade de haver uma homologia semântica entre a ilusória concepção da Felicidade Plena e a Morte.

A Felicidade é por essência indefinível e identificável, o que torna difícil a certeza sobre o que torna o homem feliz. Definir o substantivo felicidade é uma tarefa indeterminada. Qualquer pessoa, por mais superficial que seja, pode identificar e definir a felicidade idiossincraticamente, sem chegar num denominador comum (FERRY, 2018). Ser feliz é alvo de todas as nossas ações, não há exceções. A nossa vontade só dar passos em busca da felicidade, “até mesmo dos que vão enforcar-se” (PASCAL, 2006, p. 116).

É fácil ser feliz? As ciências naturais e humanas são claras e diretas ao relatarem nosso constante labor pela sobrevivência. A perspectiva biológica alega que, enquanto estamos vivos, nossas células, tecidos, o nosso corpo em geral, apresenta-se em constante luta por adaptação e homeostase (TORTORA, 2012). Apenas o fato viver exige esforço. Na perspectiva social e psicológica, para Freud (1930/1974), nosso lado animal, em contado com o social, fecunda repressões violentas advindas dos nossos instintos; que é, pois, crucial para a garantia da convivência social, no qual também resulta em diversas psicopatologias cotidianas. Estamos submetidos a leis de ordem maior, no qual nossa única saída é adaptarmo-nos a elas.

Para Barros Filho e Karnal (2016), o fato de apenas cumprir a difícil tarefa de nos mantermos vivos justifica o nosso mal-estar e em decorrência dele buscamos a beatitude. Dentro dos requisitos da felicidade estão o prazer e a satisfação, as formas de obtê-los são diversas. Cada sujeito de acordo com sua relação com a cultura e camada social busca libidinalmente obter as incansáveis realizações dos seus desejos, ser feliz. Algumas pessoas preferem abrir mão de viver o presente, estudando, objetivado a um futuro melhor. Outros vivem intensamente o presente, como se fosse o último dia de suas vidas. Cada sujeito em sua filosofia de vida. Os gregos antigos aludem a felicidade como algo importante e indispensável para o bem-estar do homem.

2. A Felicidade: Epicuro, Sêneca e Aristóteles

Para Aristóteles, a felicidade é uma atividade ética. Esta atividade seria a mais prazerosa e essencial finalidade do homem, no qual decorre a aquisição e contemplação das virtudes clássicas. São elas as virtudes morais e intelectuais. Ele apresentou três possibilidades interligadas de manter uma vida feliz: A primeira tem a ver com a consciência dos desejos e prazeres do corpo; a segunda, sendo um cidadão livre e responsável; e a terceira, perpetuar na imparcialidade em relação à verdade, ou seja, nunca se conformar em relação às coisas.  A felicidade decorre da realização prática das virtudes e prol da posse do sumo do bem. Isto produziria satisfação, alegria, tranquilidade e bem-estar perene (ARISTÓTELES, 2014).

Trilhando este caminho, Epicuro aponta a devida cautela com o prazer. Nenhuma forma de prazer em si é maléfica para o homem, porém, em excessos, podem engendrar em amiúdes dilemas. A quantidade indevida de busca pelo prazer pode acarretar em consequências negativas. O desejo excessivo pela felicidade pode gerar dissabor, pois a procura não cessa, porque a felicidade não é uma finalidade, mas apenas um estado. Há possibilidades de controle dos desejos e medos, no qual são pontes importantíssimas para o estado de ataraxia, equilíbrio e ausência de perturbações. Rejeitar os temores metafísicos facilita os caminhos à felicidade. Pelo fato do homem não conhecer Deus e a morte, não temê-los é agir de forma inteligente. As concepções que temos dessas duas instâncias são apenas ideias imaginárias (LENOIR, 2016).

O estóico Sêneca designa que todos nós almejamos a felicidade. Quando se trata no caminho que devemos percorrer para ela, é comum tampar os olhos. Abrir mão da riqueza material, desde os antigos, já era uma tarefa quase impossível. Manter uma vida consciente dos próprios desejos e controlá-los exige do homem um trabalho pessoal profundo. O estoicismo é uma corrente filosófica que defende o louvor à natureza, contemplação das coisas simples, como celebrar um banquete com apenas uma maçã ou apreciar o pôr do sol numa tarde. A busca pela simplicidade, pelo prazer da alma e não pelos bens materiais (SÊNECA, 2006).

Os citados pensadores gregos contribuíram com sabedorias indispensáveis para sua época e tornaram-se insubstituíveis até hoje. No entanto, na pós-modernidade, é possível aplicar as mencionadas práticas da felicidade? Conforme Feracine (SÊNECA, 2006), as ideias de Sêneca foram brilhantes em sua obra A Vida Feliz. Mas, o mesmo não a representou em grande parte de sua vida, no qual, por ser de família nobre, não conseguiu abrir mão da mordomia e riqueza que a vida lhe oferecia.

Han (2017, p. 107) alerta que “a preocupação por uma boa vida dá lugar à histeria pela sobrevivência”. Estamos numa considerada sociedade do cansaço, consubstanciada ao engenho capitalista, no qual somos condicionados à prática do trabalho e ao utilitarismo. Em que medida nós conseguimos exercer os estilos de uma vida feliz, mencionados pelos gregos, como prática? Para o homem pós-moderno, é possível desapegar do desejo de um emprego melhor, dos estudos, do sonho de ter o carro do ano ou da tão desejada viagem de férias? Como conciliar o horário do emprego à prática de contemplar o pôr do sol ou escutar o canto dos pássaros ou fazer uma atividade mais simples? É importante investigar os passos da sociedade contemporânea e sua relação com a busca pela Felicidade.

3. A Felicidade e a Pós-Modernidade

A política da inversão? A cultura pós-moderna, mergulhada à imagem de marketing, passou a valorizar mais algumas atitudes designadas pelos gregos? A afinidade e contato com a natureza, alimentação em natura, abrir mão de viagens e programas luxuosos, hoje, são alguns dos diversos estilos de vida que exigem de nós boa estrutura financeira. Apenas as classes média e alta conseguem realizar esse ideal. O estilo de vida hippie agora é tendência, assim como cuidar da fauna e flora passou a ser uma atividade politicamente correta, onde, não obstante, postagens nas redes sociais na companhia de um animal adotado ou um final de semana numa cabana longe da cidade grande passaram a ser uma atividade moralmente bem vista, só que com um fundo de infantilidade e hipocrisia (PONDÉ, 2017).

Desde então, a prática de esportes, alimentação saudável, psicoterapias de todo tipo, teorias de desenvolvimento pessoal, redescoberta das sabedorias orientais, coaching e psicologia positiva não pararam de proliferar. Assim, nossas sociedades democráticas passam a levar ao extremo a ideia de que a felicidade é novo imperativo, o único objetivo da existência humana; que temos, por assim dizer, a obrigação de estar não somente em forma, com boa saúde física e psíquica, mas, além disso, plenos, felizes em nossa vida profissional e pessoal. (FERRY, 2018, p. 29)

Nem todo mundo consegue seguir este ritmo. Alguns requisitos para ser uma pessoa feliz exigem: academia, psicólogo analista, coaching, nutricionista, lazer (viagens, shows, baladas), carro do ano, celulares, alimentação saudável ou vegetariana. É preciso administrar bem o tempo e dinheiro, ter programas de domingo, ser bem-sucedido no mercado do amor e trabalho. Ser feliz é uma obrigação. Não há lugar para tristeza.  Essas novas propostas podem ser consideradas um delírio coletivo?

Mesmo com a grande contribuição científica e a promoção das diversas possibilidades de bem-estar, o século XXI encontra-se obcecado pela busca da felicidade. O progresso científico e avanço tecnológico melhorou nossa qualidade de vida, mas a sociedade, ainda, vive em crise sobre diversos contextos. Doenças como: câncer, Alzheimer e depressão continuam alertando a arraigada fragilidade da humanidade. Mesmo vivendo diante de disputas econômicas, aquecimento global e desigualdade social, a esperança no avanço científico, para tal resolução, até agora, é considerado o caminho mais viável (GIANNETTI, 2002). A fé na ciência é uma ou a única das alternativas?

A realidade objetiva é apenas parte da realidade; mas a ciência só é capaz de lidar com essa parte. A felicidade, não importa como seja concebida, é uma preocupação universal da humanidade. Será que nós devemos então abandonar a pretensão de entendê-la e discuti-la racionalmente só porque ela, na medida em que pertence ao universo da subjetividade e ao mundo interior de cada pessoa, não se presta a um tratamento rigorosamente científico? (GIANNETTI, 2002, p. 33)

A partir do avanço das Neurociências, Psiquiatria, até mesmo com a Psicologia Positiva, a Felicidade se deslocou do campo abstrato, também, à esfera orgânica, ser feliz, o bem-estar, passou a ser um fenômeno oriundo também de hormônios entre outras substâncias químicas. A produção de medicamentos conhecidos como antidepressivos, ainda, prometem sucumbir a dor emocional, ansiedade, angústia. Tudo em apenas um comprimido. Segundo mesmo com a contribuição médica, a infelicidade, doenças emocionais, ainda, continuam sendo problemas veementes ao contemporâneo.

Freud é considerado incrédulo, quando o assunto é progresso social e científico. Não se iludiu pelas profecias iluministas, que aspiravam alcançar a felicidade plena. É difícil conviver com a única certeza humana, a finitude. Não se pode escapar da dor da existência, até o momento, nem o amor solucionou esse mal. Os amores são efêmeros e quando perdidos trazem dores maiores do que a se tentou evitar. A religião, considerada pela Psicanálise uma neurose obsessiva, funciona como respiradouro para o homem suportar seus sofrimentos. Para o homem viver num jogo de tanta tensão, acompanhar tantas desgraças e perdas, a morte passa a ser uma libertação (FREUD, 1930/1934)

4. A Possível Relação da Felicidade Plena e a Morte

A perspectiva mitológica, para Freud, foi nevralgicamente validada e integrada em sua teoria. Segundo a trajetória de Trofônio e Agamedes, ambos foram encarregados de planejar e construir um projeto arquitetônico, que seria o templo do deus Apolo. Trofônio, como eminente arquiteto, aceitou a proposta e iniciou o trabalho junto a Agamedes, seu padrasto. Concluída a obra, o deus Apolo ficou maravilhado com o resultado e deu-lhes uma sacola com moedas de ouro, em seguida pediu que eles acusassem o valor do trabalho. Antes de concluírem o fechamento do valor, foram presenteados com sete dias de realizações de todos os desejos, para que no oitavo recebessem o maior dos pagamentos.

Durante os sete dias, o arquiteto e seu padrasto gastaram todas as moedas de ouro que tinham e realizaram todos os seus desejos. Eles viajaram, compraram roupas, casas, dançaram e contrataram dançarinas para se divertirem. No oitavo dia, os habitantes da cidade aguardavam com ansiedade o maravilhoso prêmio que Trofônio e Agamedes iriam receber, porém, como estranharam a ausência dos mesmos no templo, foram em busca deles; encontrando-os num sono profundo, refletindo um sutil sorriso no rosto. Eles estavam mortos. Por que o resultado de tanta felicidade promoveu a morte? Doravante será posta a resposta da Psicanálise.

Segundo Freud (2017), o aparelho psíquico comumente a programação do princípio de prazer possui apenas o objetivo de realização e satisfação das pulsões. Nem sempre o Princípio de Realidade está a serviço dos nossos desejos. A natureza do Princípio de Prazer nem sempre está em consonância com o Princípio de Realidade, no qual a imanência do ego serve como instância que abrange e media o Id e o Superego.

À medida que nossa consciência se energiza, através de uma determinada contingência prazerosa, automaticamente o Inconsciente converte a mesma carga de energia, de forma oposta. O que é prazer para a consciência é desprazer para o Inconsciente e o que é prazer para o Inconsciente é desprazer para a Consciência, principalmente, quando em excesso. Em Psicanálise, prazer significa distensão de uma carga energética (fisio)psíquica. A liberação e redução de uma carga de energia psíquica resultam no prazer. O excesso de carga de energia propicia, ao aparelho psíquico, uma tensão, um desprazer (GARCIA-ROZA, 1985/2013).

A trieb é um dos enunciados base da metapsicologia, no qual Eros e Thanatos são pulsões paradoxalmente complementares (LAPLANCHE, ANO apud GREEN, 1988). “A pulsão seria vista como aquilo que move as coisas, que as põe em movimento, dá forma a elas imanente” (MARTINS, 2009, p. 327). Eros, responsável pela nossa ligação com os elementos necessários para sobrevivência. Thanatos, responsável pela desarticulação, agressividade e desligamento. A vida psíquica é representada, desde os mitos, pelo conflito, o trágico, a necessidade, no qual a Psicanálise aponta a mesma concepção através da programação do aparelho psíquico, do Princípio de Prazer com o Princípio de Realidade (FREUD, 2017).

Voltando ao contexto do mito, Apolo representa o Princípio de Realidade a serviço do Princípio de Prazer. Através dele Trofônio e Agamedes realizam todos os seus desejos. Porém, o ego, o administrador do condomínio da psique, não suportou tanta carga libidinal. Todos os desejos realizados, mobilizados pela pulsão de vida, estavam gozando a serviço da morte. Neste caso, o Princípio de Prazer, em desmedida, tornou-se uma ação mortífera, que, inconscientemente buscou a redução total da energia gerada, a morte.

Rank (2016) atesta que o nascimento é um acontecimento traumático. Somos expulsos do paraíso, do útero, doravante desmamados e perdemos nosso primeiro objeto de amor, a tão libidinosa mãe. Este acontecimento é o marco base que aciona a angústia e nos mobiliza numa ação regressiva e repetitiva. Todas as ações humanas são determinadas em decorrência do trauma do nascimento. Buscamos, incansavelmente, a inexistência. Manter-se vivo é um jogo de uma tensão, lutando pela distensão, pela morte.

5. A Pulsão de Morte

O conceito de Pulsão de morte é próprio da Psicanálise e apresenta conotações muitas vezes contraditórias (MARTINS, 2009). Segundo Silva (2017), o próprio Freud manteve resistência ao integrá-la em sua metapsicologia. Essa pulsão mortífera é uma tendência que mantém a manutenção da excitação do aparelho psíquico na busca pela satisfação plena, no qual a morte é a culminância. O Princípio de inércia é considerado o operador desse jogo repetitivo de excitação.

Se tomamos como verdade que não conhece exceção o fato de tudo que vive morrer por razões internas, tornar-se mais uma vez inorgânico, seremos então compelidos a dizer que ‘o objetivo da vida é a morte’, e, voltando o olhar para trás, que ‘as coisas inanimadas existiram antes de vivas. (FREUD, 2010, p. 26)

A pulsão de morte é mais complexa que uma simples ação mortífera, pois revela objetivo maior de sobrevivência global do psiquismo, como se fosse uma morte a favor da vida. É mediante essa pulsão que não nos jogamos completamente às contingências, o que seria um perigo. Exemplos: jogar-se em alto mar pode ser, para alguns, uma atividade prazerosa, porém é, pois, altamente perigosa. Como se fosse preciso uma proteção para a própria vida, reduzindo-a ao máximo para garantir sua persistência. Mantendo um movimento conjunto paradoxal entre Eros e Thanatos (LAPLANCHE, ANO apud GREEN, 1988). A pulsão de Morte, em desmedida, apresenta-se: no sadismo, na patologia do narcisismo, na mania e na depressão/melancolia (OLIVEIRA; WINOGRAD; FORTES, 2016).

6. Conclusão

Mesmo com as contribuições do avanço científico e tecnológico, diversas técnicas de divertimento e com os livros de autoajuda, as referenciadas alusões salientam que a infelicidade ainda insiste em atormentar o homem. Nem o cloridrato de fluoxetina conseguiu sucumbir o ônus do sofrimento. A ótica pessimista desta explanação foi de suma importância para ratificar as configurações sociais descritas e possibilitar críticas sobre os paradigmas da sociedade pós-moderna frente aos ideais e fantasias de Felicidade.

Diante do exposto, é considerado que aspirar a Felicidade coloca o homem na condição de constante movimento, sendo, este movimento, uma busca por equilíbrio constante ao mesmo tempo instável, que quando alcançada, torna-se recomeçável e continuável. Assim como a sabedoria e o amor, a felicidade não é alcançada plenamente, não obstante, infinitas são as possibilidades de obter momentos de Felicidade a sensação de Plenitude.

As aquisições, realizações e os diversos prazeres obtidos durante a vida podem ser considerados experiências inócuas, quando comparada ao culminante encontro à morte. Mesmo com tantas ideias obnubiladas diante da morte, Freud propiciou um sentido transgressor que possibilitou um aprofundamento indispensável para pensar o funcionamento do aparelho psíquico, contribuindo então para a escuta na Clínica Psicanalítica. A Pulsão de Morte após ser integrada no aparelho psíquico é comumente concebida como condição sine qua non para a manutenção da vida.

Com o resgate de alguns eminentes pensadores antigos, foi observado, também, uma ligação semântica que possivelmente apresenta, implicitamente, conceitos próximos a concepção trazida pela Psicanálise referente à Pulsão de Morte. O limite em relação aos desejos, o desapego, abrir mão das coisas materiais são, por excelência, comportamentos oriundos da Pulsão de Morte. Todas essas ações quando praticadas, com êxito, promete estabelecer um estado de felicidade tranquila, paz e plenitude, ou seja, o que tanto o homem busca.

Sobre os Autores:

José Cleber Leandro Duarte - Concluinte do Curso de Psicologia pelas Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA.

Ângela Baía - Psicóloga, Mestra em Filosofia pela UFPE e Docente do Curso de Graduação pelas Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão – FAINTVISA. Coordenadora do Grupo de Estudos Michel Foucault no Centro de Ensino e Pesquisa Contemporâneo

Referências:

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OLIVEIRA, M. T.; WINOGRAD, M.; FORTES, I. A Pulsão de Morte contra a Pulsão de Morte: a Negatividade Necessária. Psicol. clin., Rio de Janeiro, v. 28, n. 2, p. 69-88, 2016. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-56652016000200005>. Acesso em: 01 mar. 2018.

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