Causas de Stress em Profissionais Cuidadores de Idosos no Amazonas

(Tempo de leitura: 5 - 9 minutos)

Resumo: Atualmente, um campo da psicologia que vem ganhando destaque envolve as atividades realizadas por “cuidadores”, que são pessoas que assumem a responsabilidade de cuidar de idosos ou portadores de necessidades especiais, podendo este tipo de trabalho ser voluntário, envolvendo ou não membros da própria família. Este presente estudo origina-se de uma pesquisa realizada com cuidadores de idosos familiares. O objetivo da presente pesquisa é apurar as principais dificuldades e causas de stress da profissão. Para tanto, utilizou-se a entrevista aberta com trinta profissionais, como instrumento para a coleta dos dados. Os resultados revelaram que a falta de compreensão das alterações, tanto orgânica quanto psicológica, sofridas pelo idoso fazem surgir um ambiente de estresse. Alguns dos cuidadores preferem se capacitar para estar trabalhando com idosos, pois podem estar os socorrendo em eventuais imprevistos enquanto que outros acham complicados demais, pois a ausência da família causa tristeza nos idosos. Nesse sentido, conclui-se que esses profissionais, desde que devidamente qualificados, são fundamentais na tarefa de proporcionar um envelhecimento mais saudável, pois durante o processo de envelhecimento os idosos necessitam da atenção dos familiares por perto e a maioria dos idosos experimenta alguma fragilidade nessa fase da vida, vindo a precisar de ajuda.

Palavras-chave: Cuidadores, envelhecimento, dificuldade.

Introdução

Há trinta anos, o Brasil era um país com uma grande população de crianças e jovens, os idosos eram em percentagem bem menor, somente 6% de toda a população. Hoje a população de idosos já passa de 9%, o que dá 15 milhões de idosos acima de 60 anos.

Cuidador de idosos é uma profissão reconhecida e inserida na Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho e Emprego com o Código 5162-10 (Cuidador de pessoas idosas e dependentes e Cuidador de idosos institucional). Entende-se por cuidador, pessoas que cuidam, a partir de objetivos estabelecidos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação da pessoa atendida.

A atividade de cuidar de pessoas não é nova, sempre existiu e vem se desenvolvendo cada vez mais nos últimos tempos. O cuidador seja mulher ou homem, familiar ou contratado, vizinho ou amigo, com formação escolar ou sem formação, é solicitado a desenvolver esta atividade, auxiliando “pessoas que necessitam de algum tipo de atenção especial. Assim:

Cuidadores são “pessoas que se dedicam à tarefa de cuidar de um idoso, sejam elas membros da família que, voluntariamente ou não, assumem essa atividade, sejam pessoas contratadas pela família para esse fim. Diz que o cuidador é o ego auxiliar e função do idoso” (ELIANA BRANDÃO VIEIRA, 1996).

A capacitação dos cuidadores de idosos tem papel fundamental quando se fala em promoção de saúde e ação preventiva, evitando-se internações e asilamento, pois hoje se trabalha na prevenção de doenças, na diminuição de riscos à saúde e, portanto na melhora da qualidade de vida do ser humano. O cuidador precisa ter conhecimento da situação do velho e da família, tendo liberdade para falar com os familiares e com os técnicos, dando e recebendo informações sobre o estado do paciente. Bem preparado, sabendo qual é o seu papel frente ao idoso, à família e ao grupo de trabalho, o cuidador sente-se valorizado, fazendo com que a tarefa junto ao idoso seja executada da melhor forma possível. O seu envolvimento ou não só vai depender das condições que lhe forem oportunizadas. A remuneração também é importante, como fator de reconhecimento e estimulo. O idoso bem conduzido por cuidadores capacitados conseguirá uma melhor evolução clínica e qualidade de vida, evitando-se as complicações e, consequentemente, reduzindo-se a demanda pelos serviços de saúde de um modo geral, especialmente as internações.

Em virtude do envolvimento entre o cuidador e o idoso é benéfico quando não há preconceito, quando há respeito e espaço para a troca de experiências entre pessoas de diferentes idades.

Nesse sentido, o objetivo deste estudo é conhecer as dificuldades dos cuidadores de idosos e fornecer informações para uma reflexão sobre os problemas enfrentados por esses profissionais.

Material e Métodos

A pesquisa foi desenvolvida na cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, com mais de trintas profissionais. Ao analisar a especificidade da entrevista e identificarmos a finalidade para cuidar de idosos, optamos trabalhar com a entrevista aberta que é uma ferramenta que permite uma aproximação mais próxima da realidade empírica.

O estudo foi realizado no mês de maio de 2009, obedecendo aos aspectos éticos, conforme Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que tratada pesquisa com seres humanos (BRASIL, 1996). Para tanto, seis entrevistadores trabalharam em diferentes bairros da cidade a fim de ter uma maior abrangência de resultados e obter informações de diferentes locais.

Foram feitas dez perguntas para trinta cuidadores de idosos, em diferentes locais da cidade e o principal foco da entrevista se referia as principais dificuldades e causas de stress desse tipo de profissão. Esses dados foram registrados de maneira escrita e depois foram trabalhados de modo a atender a finalidade do estudo.

Essa metodologia permitiu que os entrevistados se apresentassem de forma mais espontânea, preservando assim, a integridade das informações relatadas. Neste sentido, os cuidadores de idosos, que se dispuseram a participar da entrevista, nos expuseram lembranças e formas de como cuidar dos idosos. 

Foi observado também que a maioria dos cuidadores é do sexo feminino, sendo que estas dividem as atividades com seus afazeres diários tornando o seu dia cansativo e exaustivo, podendo essa situação ser mais uma causa que contribui para o estresse.

Resultados e Análise dos Dados

 Primeiramente, todos os dados obtidos nos diferentes bairros foram reunidos e a partir daí foi realizada a compilação dessas informações. Os dados foram organizados em forma de tabela, onde foram contabilizadas as respostas. A partir daí, esses resultados foram transformados em porcentagem e foi possível obter gráficos para cada situação.

Quanto às causas de estresse nos profissionais, 40% atribuem a carga horária excessiva de trabalho diário; 30% atribuem esse estresse ao acúmulo de funções, em decorrência de terem que exercer outras atividades paralelas ao mesmo tempo em que cuidam dos idosos; um pouco mais de 23% sentem-se mais estressados quando há ausência dos familiares dos idosos; quase 17% se sentem desconfortáveis quanto a questão salarial (Gráfico 1).

Quanto a questão de o cuidador ser qualificado para cuidar de dois idosos ao mesmo tempo, metade dos entrevistados acreditam que essa situação não é indicada porque existem vários fatores a ser levados em consideração, tais como a saúde dos idosos ou o grau de lucidez dos mesmos. No entanto, os entrevistados acreditam que essa possibilidade não é descartada, mas não exatamente cuidar de dois ou mais idosos ao mesmo tempo.

Gráfico 1. Causas de estresse nos profissionais cuidadores de idosos.

Gráfico 1. Causas de estresse nos profissionais cuidadores de idosos.

Quanto a criar laços afetivos com os idosos, 60% dos entrevistados afirmaram que tem dificuldade para criar algum sentimento por eles durante o tempo em que cuidam dos mesmos; 40% se sentem afetivamente envolvidos com os idosos, com o passar do tempo (Gráfico 2).

Gráfico 2. Dificuldades de criar laços afetivos com os idosos.

Gráfico 2. Dificuldades de criar laços afetivos com os idosos.

A opinião dos entrevistados com relação do por que a família contratar cuidadores para cuidar de seus idosos foi: aproximadamente 68% acreditam que isso se dá devido a falta de paciência dos próprios familiares em cuidar das pessoas mais velhas; mais de 19% vêem essa contratação baseada na confiança da família de que alguém especializado poderá cuidar melhor do idoso, devido ao conhecimento desses profissionais, em contraste com a falta de experiência da própria família; o restante, 10%, associam a contratação a falta de experiência da família com relação a como cuidar do idoso (Gráfico 3).

Gráfico 3. Motivos para a família contratar um cuidador de idosos.

Gráfico 3. Motivos para a família contratar um cuidador de idosos.

Através dos relatos, percebe-se que cuidar transforma-se numa obrigação do cuidador de suprir ou de substituir, as atividades da vida diária que, antes estabelecia pelos idosos. Contudo, os cuidadores desempenham atividades importantes para ajudar no bem estar do idoso. O cuidado abrange acompanhamento, a conservação, o tratamento, a recuperação e a reabilitação desses idosos em diferentes faixas etárias.

Conclusão

Diante do crescimento da população idosa no Brasil estão voltadas as atenções para o processo de envelhecimento populacional é que nesta analise foi observado o papel do cuidador de idosos.

Após análise concluímos que o cuidador tem um papel importante e necessário para aqueles que não têm tempo ou não gostam de cuidar de seus idosos. E a maioria dos profissionais desse ramo é do sexo feminino que zelam pelo conforto desses idosos.

Cuidar não é apenas zelar de um corpo físico, mas observar a palavra não dita, expressa através deste corpo físico, muitas vezes, frágil, debilitado, outras vezes contido, desacostumado a manifestações afetivas. Um corpo físico que pela falta de espaço, por medo, se retrai, camuflando manifestações físicas e emocionais de grande importância e que podem mais tarde se manifestar em forma de doença. Estar atento é prevenção, é promover a saúde, a qualidade de vida.

Portanto, para cuidar de idosos, espera-se que haja alguém capaz de desenvolver ações de ajuda naquilo que estes não podem desenvolver por si só; essa pessoa assume a responsabilidade de dar apoio e ajudar para satisfazer às suas necessidades, visando a melhoria da condição de vida.

Sobre o Autor:

Edinalva Carvalho de Souza - Graduada em Psicologia pela Faculdade Metropolitana de Manaus – FAMETRO

Referências:

Zimerman, G. I. 2000. Velhice – Aspectos Biopsicossociais. Ed.Artemed, p. 85-90.

Brasil. 1999. Previdência Social. Idosos: Problemas e cuidados básicos. Brasília: MPAS/SAS.

Caldas C.P. 2003. Envelhecimento com dependência: responsabilidades e demandas da família. Cad. de Saúde Pública; 19(3): 773-81.

Neri AL, Carvalho V. 2002. O bem-estar do cuidador: aspectos psicossociais. In: Rocha SM (org). Tratado de geriatria e Gerontologia. 1. ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan. 1:42-95.

www.cuidardeidosos.com.br. Acessado em 14/05/09.

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