Desenvolvimento Cognitivo e Comportamental da Criança Natural e Autista

2.3333333333333 1 1 1 1 1 Avaliações 2.33 (3 Avaliações)
(Tempo de leitura: 19 - 37 minutos)

Resumo: O presente artigo tem como objetivo principal analisar a parte cognitivo e comportamental de uma criança com desenvolvimento natural e outra com autismo, ambas com doze anos de idade. O método utilizado na pesquisa foi de caráter bibliográfico, na forma qualitativa, logo foram realizadas perguntas ao professor e a família, referente as crianças observadas. O objeto de estudo é avaliar uma criança com autismo severo e uma criança que foi adotada, apresentando dificuldades no aprendizado e no convívio com a família que o adotou. Utilizamos as teorias de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Albert Bandura para compreender como funciona o aprendizado dessas crianças e o comportamento delas no seu meio, obtendo os resultados sobre esses dois casos. Com o presente estudo conclui-se que os familiares do Transtorno de Espectro Autista encontram dificuldades em encontrar instituições adaptadas para essas crianças, pois necessitam de profissionais capacitados para utilizar as dinâmicas lúdicas facilitando no aprendizado. Já a criança com desenvolvimento natural, os familiares não acham necessária a ajuda de um profissional, por deduzirem que a criança está mudando a fase (puberdade).

Palavras-chave: Autismo; Criança; Desenvolvimento.

Abstract: The present article has as main objective to analyze the cognitive and behavioral part of a child with natural development and another with autism, both with twelve years of age. The method used in the research was of a bibliographical character, in the qualitative form, soon questions were asked to the teacher and the family, regarding the children observed. The object of study is a child with severe autism and a child who was adopted presenting difficulties in learning and living with the adoptive family. We use the theories of Jean Piaget, Lev Vygotsky, and Albert Bandura to understand how the learning of these children works and their behavior in their environment, thus obtaining the results on these two cases. The present study concludes that the relatives of the Autism Spectrum Disorder find it difficult to find institutions adapted for these children, since they need professionals trained to use the playful dynamics, facilitating learning. For the child with natural development, family members do not need the help of a professional, since they infer that the child is changing the phase (puberty).

Keywords: Autism; Child; Development.

1. Considerações Iniciais

O presente artigo demonstrará como ocorre o desenvolvimento humano do nascimento até a adolescência, abordando a neurociência que traz o Transtorno de Espectro Autista, teorias da personalidade e processos básicos. Comparando assim, a prática com as teorias de Piaget (2005), que defende o desenvolvimento em estágios, sendo eles: sensório-motor, pré-operacional, operacional-concreto e operações-formais. Desse modo, Vygotsky (1991) fala sobre a zona de desenvolvimento proximal (ZDP) e os estágios que a criança passa: estágio primitivo, estágio de psicologia ingênua, estágio da fala egocêntrica e estágio de crescimento interior (BEE; BOKD, 2011).

Bandura define que o desenvolvimento ocorre quando as crianças observam um modelo ideal para adquirem características dessa pessoa ao imitá-las (SOTOMAYOR, 2014). Para compreender o desenvolvimento, necessita-se entender os processos psicológicos básicos, sendo estes: atenção, memória, linguagem, pensamento e emoções. Tais processos são fundamentais para o progresso da criança, do mesmo modo como um autista e uma criança com desenvolvimento natural lidam com este decurso (PAPALIA; FELDMAN, 2013).
Dessa forma, o artigo irá abranger resultados e discussões realizados com duas crianças, ambas possuindo doze anos de idade, tendo como objetivo principal assimilar informações sobre o desenvolvimento de uma criança natural, diferenciando ao de um autista. Assim, percebe-se que os seres humanos possuem diferentes influências no desenvolvimento quando nascem em meio a culturas distintas. Além disso, o contexto cultural é palco das principais transformações e evoluções do nascimento ao fim do ciclo vital. A família tem grande influência no comportamento, pois é através do convívio familiar e do meio escolar que a criança ou adolescente começa a entender o seu mundo, observando as atitudes, emoções, temperamento e diálogo, começando assim, a ter um desenvolvimento adequado para sua idade (CRAIDY; KAERCHER, 2001).

As duas crianças possuem um desenvolvimento diferenciado, pois as dificuldades que ambas sofrem no aprendizado as afetam profundamente, sendo que o autismo é um transtorno que afeta o Sistema Nervoso Central (SNC), criança com desenvolvimento natural, depara-se com dificuldade emocional interferindo no aprendizado. Porém, o tratamento psicológico que os diferencia: para a criança com desenvolvimento natural, este irá auxiliar a enfrentar tais dificuldades e superá-las, enquanto que para o autista irá ajudar a não agravar o quadro e ter um pouco de ativação do SNC, diminuindo assim, os episódios de agressividade. Sabe-se que o autista terá sempre as mesmas atitudes independentemente da idade, este somente não apresentará surtos recorrentes de agressividade (SILVA; GAIOTO; REVELES, 2012). Contudo, este artigo pretende mostrar o meio de uma criança autista e qual a diferença de seu desenvolvimento para um natural, apontado o desenvolvimento cognitivo, ou seja, a maneira do aprendizado de cada criança envolvendo a atenção, percepção, memória, imaginação e pensamento. De tal modo, apresentando a análise dos dados e expondo as dificuldades que esse transtorno apresenta, assim como os problemas que os familiares e professores enfrentam.

2. Desenvolvimento

O referencial teórico contemplará as teorias do desenvolvimento humano, sendo focado nos teóricos: Jean Piaget, Lev Vygotsky e Albert Bandura, defendendo suas percepções diante do desenvolvimento. Conceitos sobre processos básicos que as crianças passam para desenvolver sua parte cognitiva, emocional e motora, sendo assim a formação da personalidade.

Utilizando como estudo o Transtorno de Espectro Autista, explicando o seu significado, abordando a neurociência com esse transtorno, mostrando seu desenvolvimento e a realização do diagnóstico. Nesse contexto, diferenciando as duas crianças, autista e com desenvolvimento natural. Tendo também a metodologia em subtítulos explicando como foi realizada a pesquisa e o que foi utilizado. Por fim, a discussão e resultados mostrando quais os fins que os teóricos relatam diante da aprendizagem de espectro autista e natural.

2.1. Referencial Teórico

Antes mesmo do nascimento inicia-se o processo de desenvolvimento, quando o bebê começa a crescer e progredir em sua maturação cognitiva (memórias, aprendizagem), psicomotora (movimentar na barriga, chupar o dedo, brincar com o cordão umbilical, chutar, se esticar, entre outros movimentos) e emocional (sentimentos que a mãe passa para criança dentro do ventre). Após o nascimento eles passam por estágios, sendo classificados por idades. Através do convívio familiar e do meio escolar a criança começa a entender o seu mundo, observando as atitudes, emoções, temperamento e diálogo, a mesma começa a ter um desenvolvimento adequado para sua idade (CELIDÔNIO, 1998).

2.1.1 - Os Processos Naturais da Cognição

A abordagem do processamento de informação procura explicar o desenvolvimento cognitivo analisando o processo envolvido na compreensão da informação recebida e no desempenho eficaz de tarefas, processos como atenção, memória, estratégias de planejamento, tomadas de decisão e estabelecimento de metas. Pode-se pensar que o cérebro é como um computador armazenando as informações para serem utilizadas em outras situações parecidas, podendo assim aprender a aplicar esses conhecimentos corretamente e tendo melhor eficácia. Por exemplo, quando uma jogada deve ser realizada da forma lenta, após uma série de repetições, esse movimento será realizado automaticamente pois já está armazenada na memória (PAPALIA; FELDMAN, 2013).
A memória é usada pelos psicólogos para se referir aos variados processos estruturais envolvidos no armazenamento e recuperação de alguma experiência, requerendo três processos: a codificação é a preparação das informações para armazenar, podendo traduzir a informação de uma forma para outra; o armazenamento é a experiência codificada que então será armazenada por algum tempo, e ocorre de forma automática; e a evocação das informações é a recuperação das memórias de curto prazo que se transformarão em de longo prazo, sendo um processo fácil ou difícil. No entanto, a memória utiliza estruturas para o armazenamento de informações, sendo dos tipos sensorial, de curto prazo e de longo prazo (BEE; BOKD, 2011).

A atenção ocorre em todo o momento de alerta ou que há algum estímulo, com isso psicólogos ainda não entraram em um acordo sobre qual capacidade ela tem; alguns acreditam que a atenção é simplesmente um aspecto de percepção (DAVIDOFF, 2001). Segundo Neisser (1976, p. 89) “Escolhemos o que veremos (ou ouviremos) antecipando as informações estruturadas que nos serão fornecidas pelo que escolhemos ver (ou ouvir)”. Outros cientistas cognitivistas acreditam que atenção é uma capacidade distinta, sendo representada por um filtro de informações (BROADBENT, 1971). Também para ter atenção precisa-se da percepção, sendo esse um processo cognitivo como uma forma de conhecer o mundo: é o ponto em que a cognição e a realidade encontram-se (BEE; BOKD, 2011).

Entretanto, linguagem e pensamento estão interconectadas, pois sem o pensamento um indivíduo não consegue se expressar em um idioma, e a linguagem, que por sua vez é influenciada por ele (PAPALIA; FELDMAN, 2013). As emoções estão presentes desde o nascimento, antes de poder se comunicar o bebê já transmite emoção através do choro, com cerca de quatro a seis semanas de idade começam a sorrir para as pessoas que reconhecem. Já durante o período de três a quatro meses expressam raiva, surpresa e tristeza e por volta de seis a oito meses as expressões de medo, inibição, e desprezo são definidas e a culpa surge geralmente no fim do segundo ano de vida. As emoções são divididas em inúmeros tipos, as principais que podem ser citadas são as mistas, onde algumas pessoas amam e odeiam alguém ao mesmo tempo, e as emoções volúveis, que sofrem constantes mudanças (DAVIDOFF, 2001).

2.1.2 - Introdução as teorias

Segundo Piaget (2005, p. 17) “Sabe-se que o lactente aprende pouco a pouco a imitar, sem que exista uma técnica hereditária da imitação”. O raciocínio se desenvolve em quatro estágios universais do nascimento à adolescência, e a cada estágio a criança constrói um tipo de esquema. No estágio sensório-motor (do nascimento aos 2 anos), as crianças adquirem senso primitivo de “eu” e o “outro”, explorando o ambiente através das capacidades sensoriais e motoras, possuindo uma intensa perspectiva do mundo físico, predominando a relação cognitiva com o seu meio (CRAIDY; KAERCHER, 2001).

No estágio pré-operacional (2 aos 7 anos) as crianças usam símbolos (imagem e linguagem) para entender seu ambiente e passam a desenvolver suas habilidades psicomotoras, emocionais e cognitivas. Assim, também no desenvolvimento psicomotor, as crianças iniciam a imitação das pessoas ao seu redor; nessa idade elas já conseguem copiar círculos, desenhar quadrados, correr, girar, subir e descer degraus. Neste momento as crianças começam a perceber que nem sempre as pessoas entendem o mundo como elas. Sendo o início do egocentrismo, mostrando dificuldade de se adaptar no ambiente onde convive, por conter confusão entre o eu e o não eu, a criança acaba depositando todo o seu valor a ela mesma, tendo a incapacidade de reverter os pensamentos (PIAGET, 2005).
 No estágio operacional-concreto (7 aos 11-12 anos) se inicia o pensamento lógico, sendo assim, não são mais enganadas pela aparência e se tornam mais eficientes em entender o motivo do comportamento da outra pessoa. Já o estágio operações-formais (11-12 anos em diante) o pensamento é abstrato e sistemático, porém ao amadurecer as crianças adquirem estruturas cognitivas muito mais complexas que assim auxiliam na convivência ao seu meio (PAPALIA; FELDMAN, 2013).

Além desses períodos, Piaget (2005) usa dois meios de mecanismo, sendo um deles a assimilação, no qual, a criança interpreta novas experiências pela incorporação de seus esquemas existentes. Ou seja, ao entrar em contato com algum objeto de conhecimento dele, a criança passa a somente tirar informações interessantes a mesma, deixando as outras que não são tão importantes. A acomodação altera seus esquemas inadequados para se adequar a novas experiências, sendo assim, consiste na capacidade de modificação da estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. Diante destes meios de mecanismos, há uma perspectiva do processo de equilibração, sendo um mecanismo de organização de estruturas cognitivas, onde a criança encontra objetos em movimento que não estão vivos, sendo uma nova formação para se adaptar ao seu meio (PAPALIA; FELDMAN, 2013).

A teoria de Vygotsky se opõe à teoria de Piaget, percebendo o sujeito numa construção sociocultural.

A teoria sociocultural de Vygotsky, assim como a teoria de Piaget, enfatiza o envolvimento ativo da criança com seu ambiente, mas, enquanto Piaget descrevia a mente, por si só, absorvendo e interpretando informações sobre o mundo, Vygotsky via o crescimento cognitivo como um processo colaborativo (VYGOTSKY, 1978, p. 66).

Vygotsky (1978) enfatiza a linguagem como um meio essencial para aprender a pensar sobre realidade, tendo seus cuidadores e as pessoas que convivem no seu dia-a-dia como um andaime, estes apoiam as crianças para efetuarem tarefas e logo que aprendem, as mesmas realizam atividades sozinhas. Com isso, pode-se dizer que o adulto ajuda a atravessar a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), por consistir em um mediador, mostrando o que a criança pode fazer sozinha e precisará do auxílio de um adulto. Apresentando assim, que o crescimento cognitivo é uma atividade socialmente mediada. Desse modo, o termo andaime existe como um suporte temporário que os pais, professores e outros dão à criança quando está realizando uma tarefa até que ela possa resolver sozinha. Ele acreditava que as brincadeiras ocorrem com frequência na ZDP, forçando as habilidades da criança até seu limite, e a interação social serve para desenvolver o pensamento e a solução de problemas (BEE; BOKD, 2011).

Portanto, surgem quatro estágios específicos de desenvolvimento, indo do nascimento até os sete anos. O Estágio Primitivo também conhecido como natural ou pré intelectual (do nascimento até os 2 anos), o bebê possui processos mentais próximos de um animal, enquanto aprende através de contato físico para se comunicar até a linguagem se desenvolver. Durante o Estágio de psicologia ingênua (2 aos 3 anos) o bebê aprende a usar a linguagem para se comunicar, mas ainda não entende sua característica simbólica. No Estágio da fala egocêntrica, também conhecido como discurso egocêntrico (3 aos 7 anos), a criança já utiliza da linguagem como um guia para resolver os problemas. Ela fala a si mesmo como realizar as coisas, de qual maneira ira descer as escadas pensando “um passo de cada vez” e “cuidado”, sendo formas de advertências que um adulto já tenha feito para ela e repetido para si mesma. Já no Estágio de crescimento interior (7 anos) a criança entra no período cognitivo (BEE; BOKD, 2011).
Contudo, para Bandura (1989, p. 42) “através da modelagem uma criança pode adquirir atitudes, valores, formas de resolver, até padrões de auto avaliação”. O mesmo autor afirma que a aprendizagem nem sempre requer um reforço direto, pois muitas crianças aprendem só observando outras pessoas e imitado modelos. Aquilo que elas aprendem de um modelo depende de como elas interpretam a situação, conforme suas circunstâncias emocionais e cognitivas. Através de um retorno sobre o comportamento, a criança aos poucos forma seu padrão para julgar as ações e tornar-se mais seletiva na escolha de modelos, logo criando um senso de auto eficácia (confiança de que tem o que é preciso para ser bem-sucedida). Ela aprende a ter empatia, ajudar o próximo e se orgulha quando descobre que sabe fazer algo difícil (DILTS; DELOZIER, 1989).

Bandura (2008) enfatiza que os seres humanos, sendo seres cognitivos, processam ativamente as informações que influenciam o crescimento e desenvolvimento humano. Esse autor traz o conceito determinismo recíproco, no qual a pessoa age sobre o mundo na medida em que o mundo age sobre ela (PAPALIA; FELDMAN, 2013).
Conforme Bandura:

A teoria social cognitiva adota a perspectiva da agência para o autodesenvolvimento, adaptação e mudança. Ser agente significa influenciar o próprio funcionamento e as circunstâncias de vida de modo intencional. Segundo essa visão, as pessoas são auto organizadas, proativas, autorreguladas e auto reflexivas, apenas produtos dessas condições (BANDURA, 2008, p. 15).

Bandura (2008) analisou a natureza da aprendizagem de observação, verificando que ela se conduz por quatro mecanismos relacionando entre si: processo de atenção, processo de retenção, processo de produção e processos motivacionais e de incentivo. Nos processos de atenção não haverá aprendizagem de observação ou modelagem se o indivíduo não tiver prestando atenção ao seu modelo. Dessa forma, o processo de retenção seria lembrar do comportamento da pessoa observada para assim poder imitá-la, porém é preciso ser usado o processo cognitivo para codificar ou formar imagens mentais. No processo de produção as representações simbólicas de imagens mentais ou verbais são transportadas do comportamento do modelo para nosso próprio comportamento. Os processos motivacionais e de incentivos percebem que o comportamento do modelo leva a alguma recompensa (SCHULTZ D.; SCHULTZ S., 2011).

2.1.3 Transtorno do Espectro Autista

Quando se fala de alguma patologia que afeta o Sistema Nervoso Central pode-se citar o autismo, que é um transtorno do desenvolvimento infantil manifestado antes dos três anos de idade e se prolonga por toda a vida. Caracteriza-se por um conjunto de sintomas que afeta as áreas da socialização, comunicação e do comportamento, e por consequência, a dificuldade de interpretar os sinais sociais e as intenções dos outros impede que as pessoas com autismo percebam corretamente algumas situações no ambiente em que vivem. As áreas comprometidas são a da comunicação verbal e não verbal, assim como, as das inadequações comportamentais (DSM-V, 2014).

A criança autista apresenta repertório de interesses, atividades restritas, possui dificuldade de lidar com o inesperado e demonstra pouca flexibilidade para mudar as rotinas. O comportamento dessas crianças, assim como a socialização e a linguagem possuem um espectro de gravidade e são divididos em duas categorias. A primeira trata-se de comportamentos motores estereotipados e repetitivos (pular, balançar o corpo e/ou as mãos, bater palmas, agitar ou torcer os dedos e fazer caretas), sempre realizados da mesma maneira. Enquanto a segunda está relacionada a comportamentos disruptivos cognitivos, sendo compulsões, rotinas, insistência, mesmice e interesses circunscritos. (SILVA; GAIOTO; REVELES, 2012).

 Em todos os casos aparecem, em maior ou menor grau, as dificuldades na interação social. Traços do autismo com características muito leves, no lado mais leve do espectro, encontramos pessoas com apenas traços de autismo, que não teriam todos os comprometimentos, mas apenas algumas dificuldades apresentando certas características de uma pessoa autista. Uma característica do autista de menor grau é também conhecida como Síndrome de Asperger, e com acompanhamento especializado, o indivíduo com a síndrome pode ser treinado a lidar com tais deficiências. No tratamento dos indivíduos é importante pensar não apenas no que está errado, mas identificar as áreas em que eles apresentam mais habilidades (DSM-V, 2014).

As pessoas com autismo de alto funcionamento, podem ser caracterizados como indivíduos que não apresentam déficits cognitivos, mas tiveram atraso na linguagem. O autismo clássico é o mais conhecido e as pessoas associam diretamente a palavra autismo a este padrão. A divisão do autismo em um espectro tem a importância fundamental de identificar as várias apresentações desse grupo de sintomas, sendo que mesmo os indivíduos com os traços mais leves necessitam de suporte e cuidados desde cedo (SILVA; GAIOTO; REVELES, 2012).
O encéfalo de um autista apresenta problemas de comunicação entre os neurônios, dificultando a sinapse. Além disso, apresenta alterações principalmente no corpo caloso, que é responsável pela comunicação entre os dois hemisférios do cérebro; na amígdala, responsável pelo comportamento social e emocional, e no cerebelo, parte encarregada por realizar a parte motora do corpo. O encéfalo autista apresenta prejuízo em dois principais neurotransmissores, a serotonina e o glutamato (MORAES, 2014).
Deste modo, há alterações em várias partes da estrutura do encéfalo de um autista, como no caso do hipocampo, que é uma área de armazenamento e formação de memórias de longo prazo; consequentemente, crianças com autismo com ou sem retardo mental, apresentam um maior volume do hipocampo direito do que o normal. O corpo mamilar é responsável por regular os reflexos alimentares, sugere-se que em autistas a hipoativação dessa região seja relacionada ao prejuízo da capacidade de aprendizagem espacial, enquanto o córtex entorrinal está ligado ao processamento da informação dos aspectos sensoriais e motores (MORAES, 2014).

 Enquanto a amigdala é responsável pelas emoções e principalmente do medo, o subículo está associado com a epilepsia, com a memória de trabalho e dependência química, e por atuar na regulação do sistema de dopamina, anomalias na sua formação têm sido associadas ao autismo. O giro do cíngulo faz uma ligação comunicativa entre o sistema límbico e o córtex, está área representa ligações ao ativamento de memórias e a aprendizagem. O córtex pré-frontal é uma parte crítica do sistema executivo que se refere à capacidade de planejar, raciocinar e julgar, sendo assim, os padrões de maturação do córtex pré-frontal em crianças autistas são mais lentos, o que é consistente com o desempenho cognitivo dos mesmos (MORAES, 2014).

2.2 Metodologia

O Projeto de Aperfeiçoamento Teórico Prático (PATP), é a formação de um artigo, no qual nos auxilia no processo de aprendizagem. Os professores estipularam o conteúdo “Desenvolvimento Humano: As bases da neurociência e dos processos psicológicos básicos”. Nesta sessão conterá sujeitos, locais, materiais e procedimentos utilizados para a realização da pesquisa.

2.2.1 Sujeito de Estudo

Realizamos a observação em duas crianças, ambos do sexo masculino com doze anos de idade. Uma criança era portadora da patologia de autismo e a outra com desenvolvimento natural, os dois com nomes fictícios Limão para a criança autista e Laranja para criança com desenvolvimento natural.

2.2.2 Local

Realizamos a pesquisa com um aluno que frequenta uma escola de ensino fundamental, na cidade de Passo Fundo - RS, que recebe crianças, jovens e adultos com autismo. Ambas as observações foram realizadas durante a manhã com cerca de uma hora de observação, assim também realizado um questionário para os pais e professores sobre as crianças.

2.2.3 Materiais e Métodos

Para coleta de dados elaboramos um questionário (Apêndice 1) com perguntas abertas para a criança natural e utilizamos a técnica de observação para a criança com autismo sendo realizado perguntas abertas para o professor. Utilizou-se folha A4 e caneta esferográfica, para anotações e, posteriormente os dados foram transcritos para o editor de texto.

Este artigo é de caráter qualitativo e descritivo. A pesquisa qualitativa não procura enumerar ou medir os eventos estudados, nem emprega instrumental estatístico na análise dos dados, envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos segundo a perspectiva dos sujeitos (GODOY, 1995, p. 58). Foi realizada técnica de observação naturalista em sala de aula com a criança autista, comparando a teoria e o comportamento da criança no meio que está inserido. A técnica de observação naturalista é um método descritivo que examina detalhada e cuidadosamente o comportamento dos indivíduos em seu meio natural, não havendo manipulação de variáveis pois é uma observação de comportamento espontâneos em situações naturais, em condições não controladas (CORREIA, 2012). Em conjunto, foi realizado um estudo bibliográfico conforme Márcia Rita Trindade Leite Malheiros (2010); a pesquisa bibliográfica é o conhecimento disponível na área analisando-as e avaliando sua contribuição para compreender ou explicar o problema.

2.2.4 Procedimento

Foi realizado um questionário ao professor e aos familiares, com o termo de consentimento de livre esclarecimento referente as crianças observadas, formulado pelas próprias autoras a fim de compreender o comportamento da criança durante algumas atividades que foram propostas pelos professores. As perguntas realizadas estão anexadas no final deste artigo. Primeiramente, comparecendo na escola própria para autistas e a seguir na casa de laranja, juntamente aos seus familiares realizado as perguntas de fácil entendimento. 

2.3 Discussão e Resultados

O desenvolvimento natural passa por algumas fases, sendo abordadas por alguns teóricos. Conforme Piaget (2005), o raciocínio se desenvolve em quatro estágios universais e durante cada estágio a criança constrói um tipo de esquema, sendo eles: período sensório-motor (nascimento aos 2 anos), período pré-operacional (2 aos 7 anos), o período operacional-concreto (7 aos 11-12 anos) e período operações-formais (11-12 anos em diante). Para Vygotsky (2011) há quatro estágios específicos de desenvolvimento, que compreende do nascimento até os sete anos: estágio primitivo (do nascimento até os 2 anos), estágio de psicologia ingênua (2 aos 3 anos), estágio da fala egocêntrica (3 aos 7 anos) e estágio de crescimento interior (7 anos) (BEE; BOKD, 2011). Bandura por sua vez, afirma que não define estágios, mas a imitação de modelos idealizados para um adequado desenvolvimento (PAPALIA; FELDMAN, 2013).
Com isto, falando-se de algo que afeta o desenvolvimento comportamental, social e da comunicação, pode-se trazer o autismo como um transtorno de desenvolvimento infantil que se manifesta antes dos três anos e se prolonga por toda a vida. Sendo afetado desde o nascimento, mesmo que não perceptivo, e o seu diagnostico podendo ser feito após os três anos, pois nessa idade, inicia-se o desenvolvimento da fala e da socialização. O comportamento só atinge após os quatro anos, sendo a fase que a criança deve ter determinados atitudes (DSM-V, 2014).

Foi realizado uma pesquisa com base nessas circunstâncias, observando o comportamento de ambas as crianças com doze anos e realizado um questionário aberto para os familiares e professores, no caso do natural também realizado perguntas para ele. Com isto, a partir de agora será apresentado uma análise de dados através do questionário e respostas realizadas.
Laranja:

Segundo a mãe, a criança foi adotada com cinco anos em uma família com condições precárias de afeto e acabou sendo encaminhado para um lar de adoção, desta forma foi prejudicado em seu desenvolvimento natural. Após chegar aos doze anos, a escola pediu uma avaliação de uma psicóloga, devido a sua dificuldade na aprendizagem. Portanto, a mãe encaminhou ao psicólogo e notou que após duas seções Laranja ficou agressiva, logo a mesma passou a não ver vantagem em retornar. Para entender mais sobre o desenvolvimento de laranja foi realizado algumas perguntas:

  1. O que você gosta de brincar?Futebol e Computador”.

  2. Com o que você brincou hoje? De Uno com minha irmã”.

  3. O que você gostaria de fazer com sua família nas férias?Brincar na piscina”.

Diante das três perguntas acima relacionadas com o brincar pode-se dizer que Piaget (2003) relata que a brincadeira é uma forma de desenvolver a inteligência e sua sensibilidade, sendo uma atividade formativa que pressupõe o desenvolvimento integral da criança, na sua capacidade física, intelectual e moral, assim como, a formação do caráter e personalidade de cada um. Com base em Vygotsky (1991) o brincar é uma forma da criança se relacionar de várias maneiras com significados e valores, pois diante do brincar elas ressignificam o que vivem e sentem, assim tendo um mediador para indicar como é realizada a brincadeira. Podemos relacionar o que enfatiza Vygotsky com a questão dois, na qual a irmã a ensinou a jogar Uno (jogo de baralho) e em certo ponto que ela não precisava mais mediar esta criança, pois ela conseguiria realizar essa atividade sozinha.

4. Você se importa com os sentimentos das pessoas? “Sim”.

Muito antes de poder se comunicar com qualquer outra coisa, ao nascer o bebê já transmite emoção através do choro, desta forma, as emoções estão presentes no dia-a-dia. As emoções e os sentimentos são adquiridos conforme o que os pais passam para as crianças quando elas nascem, pois, o bebê está vulnerável a qualquer situação. Sendo assim, quando a mãe passa segurança ao amamentar, a criança aprende com isso o amor e o ódio pelo fato de não poder ficar sempre recebendo esse carinho pelo leite materno, chorando para a mãe pegar no colo e transmitindo mais essa segurança. Quando se inicia o desenvolvimento do superego (constituído pela identificação e proibições que a criança sofre, assim formando sua moral) tudo o que os pais conseguiram ensinar, eles passam a ter como deles, portanto, ele se importa com as pessoas, tendo empatia (DAVIDOFF, 2001).

 Laranja segue um modelo ideal em relação essas circunstâncias (BANDURA, 1989). Segundo a autora Caroline (2016), a criança que se importa com o outro, é a que apresenta comportamentos de ajuda e cooperação, sendo mais aceita socialmente, tem mais amigos, recebe mais ajuda, atenção e carinho. Tudo isso reflete positivamente na sua autoestima, pois ela percebe que é uma pessoa querida para os outros.

5. Me conte alguma coisa que você aprendeu hoje. “Morcegos, que aprendi em aula”.

Diante desta resposta, laranja atribuiu a memória recente, ou seja, um processo de estruturas envolvidas no armazenamento e recuperação de alguma experiência. Com isto, a memória requer três processos: codificação a preparação das informações para armazenar, e diante da codificação pode-se traduzir conteúdo de uma forma para outra. (DAVIDOFF, 2001).

6. Como você imagina que sua vida será no futuro? “A profissão que eu gostaria de seguir ser da polícia”.

A resposta obtida mostra através da modelagem, sendo que Bandura (1986) fala: “através da modelagem uma criança pode adquirir atitudes, valores, formas de resolver, até padrões de auto avaliação”. Com isto, percebemos que laranja está tendo o pai como modelo diante da profissão futuramente, pois seu pai trabalhava como policial.

Pode-se perceber as respostas obtidas pela Laranja, relata o que o teórico Piaget traz como sendo o período operações-formais, em que o pensamento é abstrato e sistemático, porém ao amadurecer a criança adquire estruturas cognitivas muito mais complexas, que assim auxiliam na convivência ao seu meio. Como pode-se perceber Laranja tem mais contato com seu irmão biológico, mas tem muita dificuldade na escola, não conseguindo prender sua atenção na matéria passada pelos professores. Vygotsky (1991) diz que a criança pode ter ajuda de um adulto para atravessar a zona de desenvolvimento proximal (ZDP), agindo esse, como um mediador ao mostrar o que a criança pode fazer sozinha e quando precisará do auxílio. Desta forma, o autor manifesta que o crescimento cognitivo é uma atividade socialmente mediada, sendo isso reforçado por Bandura (1989), quando afirma que a criança tem seu modelo ideal. Vendo isto, Laranja passou por todas as fases que relata Piaget e Vygotsky, e pela modelagem de Bandura, havendo somente a parte de atenção em sala de aula, na qual tem maior dificuldade no desenvolvimento da aprendizagem.

Do mesmo modo como foi relatado acima sobre laranja, será introduzido sobre o limão, as perguntas realizadas pelo professor, assim como as respostas fazendo a discussão entre os teóricos. 

Limão:
Possui doze anos, de uma família de classe alta, com autismo severo, muitas vezes agressivo com professores e familiares, podendo agredir a si mesmo. É pouco comunicativo, mas conseguia realizar gestos para se comunicar, assim mostrando que não estava bem ou que não queria mais fazer determinada tarefa. Quando saia de controle os professores tinham que deixar mobilizado até se acalmar, (os professores têm que mostrar autoridade perante Limão, para controla-lo, caso contrário, acabava machucando os professores). Ele pedia para realizar caminhadas após o descontrole. A família estava bem orientada de como agir perante esta situação, sobre o que deveria ser feito em casa, com condições financeiras para realizar tudo o que precisa para Limão e participavam de toda sua rotina.

As escolas particulares não o aceitaram pelo fato de ser muito agressivo, assim indo para esta escola municipal de autismo, mesmo com suas condições precárias e falta de professores. Possuindo uma estrutura inadequada para essas crianças (como escada, salas pequenas, banheiros não adaptados para o auxílio dos professores com a higiene das crianças que ainda usam fralda), esta escola aceita autistas de todos os graus separados por idade: no turno da manhã são as crianças de cinco a quinze anos, e durante a tarde os adultos. Ele iniciou aos seis anos com a mesma professora que está atualmente, que está treinando outra professora no caso de um dia ter que sair, então ele se acostumará com ela e não terá tantos problemas com essa mudança.

  1. Como ela se comporta durante as atividades?Normalmente realiza as atividades conforme o cronograma, mas as vezes acabava tendo um surto por não conseguir realizar a atividade”.
  2. Quais as dificuldades de lidar com ele?No começo ele surtava frequentemente pois não era acostumado com este meio, após se adaptar diminuiu os surtos e assim foi mais fácil de lidar com ele”.

O comportamento dos autistas, assim como a socialização e a linguagem, possuem um espectro de gravidade e são divididos em duas categorias. A primeira trata-se de comportamentos motores estereotipados e repetitivos sempre realizados da mesma maneira, sendo assim, criado a rotina na qual as questões trazem então sem uma rotina a criança não consegue realizar as atividades sem ter um surto. A segunda está relacionada ao comportamento disruptivo cognitivo, tais como compulsões, rotinas, insistência, mesmice e interesses circunscritos. A criança surta no começo pela mudança de ambiente, pois ela estava acostumada com a mesmice da sua casa e até conseguir de adaptar a escola, acabava surtando em algum momento. Portanto, a agressividade vem juntamente com o medo do novo e a mudança de rotina. (SILVA; GAIOTO; REVELES, 2012).

3. Como fazer ela ter uma rotina?A rotina é programada desde o começo da aula, existe um quadro ao lado da porta explicando tudo o que será feito pela manhã através de imagens para melhor compreensão, assim a cada atividade que seria realizado a professora explicava mostrando nesse quadro o que deveria ser feito”.

Com isto, nota-se que limão, apesar de ter 12 anos, ainda está no Período pré-operacional, onde as crianças usam símbolos (imagem e linguagem) para entender seu ambiente e estão desenvolvendo suas habilidades psicomotora, emocional e cognitiva. Desse modo, ele não passará dessa etapa, por ser apresentado a rotina com símbolos e imagens, explicado tudo conforme será feito, quando surge um imprevisto eles não conseguem lidar com a mudança inesperada. (PIAGET, 2005)

4. Nas brincadeiras as crianças estão atribuindo funções simbólicas e de socialização?As brincadeiras simbólicas são realizadas com o alfabeto, números, palavras, jogos de montar. Já as de socialização as crianças não conseguem por ser um sintoma do transtorno, desta forma é realiza atividades individuais mesmo estando na mesma sala”.

A socialização é um ponto crucial do autismo, tendo dificuldade de se relacionar com os outros, incapacidade de expressar claramente suas emoções, sentimentos. Fazendo com que a pessoa autista tenha uma pobre consciência da outra pessoa, é responsável, em muitos casos, pela falta ou diminuição da capacidade de imitar, que é uns dos pré-requisitos cruciais para o aprendizado, assim como, pela dificuldade de se colocar no lugar de outro e de compreender os fatos a partir da perspectiva do outro (De Lemos, 1997). Com isto, mostrando assim como Bandura (1989), que a criança aprende através da modelagem. Como o Limão não tem esta perspectiva pelo fato de não conseguir entender como funciona, essa parte de um modelo ideal, acaba focando no individual e em atividades mais simples como quebra-cabeça, peças de montar, que não causa stress no qual irá provocar o surto.
Perante os resultados obtidos nota-se dificuldade em laranja no aprendizado pela mudança que ele está passando por ser adotado, seus pais não aceitam ajuda profissional por deduzirem que é só uma fase passageira. Limão está evoluindo na aprendizagem e no comportamento social, mas ainda mostra dificuldade em ambas as partes. Seus familiares, diferente de laranja, estão sempre procurando ajuda profissional, melhorando a condição de vida, para não regredir em seus avanços na aprendizagem e no convívio social.

4. Considerações Finais

No referido trabalho utilizamos as teorias de Jean Piaget, Lev Vygotsky e Albert Bandura, as quais abordam suas ideias diante do desenvolvimento da criança, declarando então, os processos básicos em que as crianças passam para desenvolver a sua parte cognitiva, emocional, motora e a formação da sua personalidade, demostrando como ocorre o desenvolvimento humano do nascimento até a adolescência.

O artigo englobou resultados e discussões de pesquisas realizadas com duas crianças de doze anos de idade, sendo uma autista de nível severo e outro natural adotada por uma família, possuindo problemas na aprendizagem. Desta forma, usamos nomes fictícios para diferenciar as mesmas, sendo eles laranja (natural) e limão (autista).

Para melhor compreensão de nosso objetivo, utilizamos alguns métodos, sendo um deles o bibliográfico na forma qualitativa, além disso, usamos a técnica de observaçãonaturalista em sala de aula com a criança autista, logo, os integrantes do grupo realizaram um questionário ao professor e a família referente as crianças observadas.

A questão primária foi investigar a diferença do desenvolvimento das mesmas, nesse sentido, compreendemos que a evolução do transtorno do espectro autista necessita de cuidados intensivos focados na aprendizagem. O giro cíngulo faz a ligação do sistema límbico e do córtex, no qual afeta a parte da ativação de memória e de novos conhecimentos.  Muitos deles não têm comunicação verbal o que dificulta a compreensão das necessidades básicas e complexas. Os familiares encontram dificuldades em encontrar instituições adaptadas para essas crianças, pois necessitam de profissionais capacitados para utilizar as dinâmicas lúdicas facilitando no aprendizado, nesse sentido, eles devem seguir uma rotina adequada na qual as crianças se adaptam ao ambiente.

Tratando-se do desenvolvimento natural de uma criança, segue as etapas no qual os teóricos citados acima descrevem o período do nascimento até os doze anos: enquanto Jean Piaget cita e Vygotsky aborda que do nascimento até os sete anos, Bandura afirma que a modelagem segue a vida inteira. No caso de Laranja, por ser adotado, não segue o padrão estabelecido pelos teóricos, não consegue passar para próxima etapa de desenvolvimento por existir conflitos internos com a família e possui dificuldades na aprendizagem, sendo que a família não acha necessária a ajuda de um profissional por deduzirem que a criança está mudando a fase (puberdade). O PATP (Projeto de Aperfeiçoamento Teórico Pratico) foi de suma importância para agregarmos novos conhecimentos sobre o desenvolvimento da criança autista e natural.

Sobre os Autores:

Karine Gazzola - Discentes do Curso Psicologia, Nível II 2017/2- Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Júlia Narvaz Nunes - Discentes do Curso Psicologia, Nível II 2017/2- Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Kathiele Pezzini - Discentes do Curso Psicologia, Nível II 2017/2- Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Nelissandra C. Scorsato Antoniolli - Docentes do Curso Psicologia, Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Mirtha Girardi - Docentes do Curso Psicologia, Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Viviane Gregoleti - Docentes do Curso Psicologia, Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Élvis Mognhon - Docentes do Curso Psicologia, Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Cristina Ribas Teixeira - Docentes do Curso Psicologia, Nível II 2017/2 - Faculdade IDEAU – Passo Fundo/RS.

Referências:

BANDURA, Albert, AZZI, Roberta Gurgel, POLYDORO, Soely. Teoria Social Cognitiva: conceitos básicos. Porto Alegre: Artmed, 2008.

BEE, H.; BOKD, D. A Criança em Desenvolvimento. Porto Alegre. 12ª ed.: Artmed, 2011.

BROADBENT, D. E. Desicion and stress. Londres: Academic Press, 1971.

CAROLINA, F. A. Como e por que desenvolver a empatia na criança. 2016

CELIDÔNIO, R. F. Trilogia inevitável: família - aprendizagem - escola, Revista Psicopedagogia. Vol. 17, São Paulo, Salesianas 1998

CORREIA, José. A Observação Naturalista, 2012. Disponível em: <https://sites.google.com/site/lacospsychelogos/sss/metodos-da-psicologia/a-observacao-naturalista>. Acesso em: 30 de agosto de 2017.

CRAIDY, M. C. e KAERCHER, P. E. G. Educação Infantil. 1ºed. São Paulo, editora Artmed, 2001.

DAVIDOFF, L. L. Introdução á Psicologia. 3º ed. São Paulo, Pearson, 2001.

DILTS. R.; DELOZIER. J. Alberth Bandura. 1989. Disponível em: <http://golfinho.com.br/albert-bandura.htm>. Acesso em 25 de julho 2017.

DE LEMOS, C. Processos Metafóricos e Metonímicos: seu Estatuto Descritivo e Explicativo na Aquisição da Língua Materna. Trabalho apresentado no The Trend Lectures and Workshop on Metaphorand Analogy, Trento, Itália, 1997.

MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNO 5 DSM-5 / [American Psychiatnc Association, tradução Maria Inês Corrêa Nascimento ... et al.]; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli

GODOY, A. S. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. In: Revista de Administração de Empresas. São Paulo: v.35, n.2, p. 57-63, abril 1995.

MALHEIROS, M. R. T. L. Pesquisa na Graduação. Disponível em: www.profwillian.com/_diversos/download/prof/marciarita/Pesquisa_na_Graduacao.pdf. Acessado em: 03/10/2017.

MORAES, T. P. B. Autismo: Entre a alta sistematização e a baixa empatia. Um estudo sobre a hipótese de hipermasculinização no cérebro no espectro autista. Revista Pilquen. Sección Psicopedagogía. Año XVI. nº 11, 2014.

NEISSER, U. Cognition na reality. São Francisco: Freeman, 1976.

PAPALI, e FELDMAN, Ruth Duskin. Desenvolvimento Humano. 12ª ed. São Paulo: AMGH Editora Ltda, 2013.

PIAGET, J. Seis Estudos de Psicologia. 24ª ed. Rio de Janeiro: Florense Univarsitária, 2005.

PIAGET, J. A Construção do Real na criança. 3ª ed. 5ª reimpressão. São Paulo: Ática 2003.

SCHULTZ, D. P.; SCHULTZ, S. E. Teorias da Personalidade. 2ªed. São Paulo, SP Cengage Learning, 2011.

SILVA, Ana B. B., GAIOTO, Mayra B. e REVELES, Leandro T. Mundo singular entenda um autista. Ed. Fontanar, 2012.

SOTOMAYOR, J. Sigmund Freud vs Albert Bandura Experiment. 2014. Disponível em: <https://prezi.com/jv5esm2wruwz/sigmund-freud-vs-albert-bandura-experiment/>. Acesso em: 25 de julho 2017.

VYGOTSKY, L.S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes 1991

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo, Martins Fontes, 1978.

Curso online de

Psicologia da Educação

 Psicologia da Educação

Curso 100% online e com certificado de 60 Horas

Recém Revisados

Psicologia Organizacional
(Tempo de leitura: 2 - 4 minutos)
A Psicologia Hospitalar
(Tempo de leitura: 4 - 8 minutos)
Abordagem Médica e Psíquica na Dispepsia Funcional - Gastrite Nervosa
(Tempo de leitura: 8 - 16 minutos)
Psicologia Industrial
(Tempo de leitura: 3 - 5 minutos)
O Período Sensório-Motor de Piaget
(Tempo de leitura: 6 - 11 minutos)